Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um Amato Cash pelo canal do Instituto Amato. E agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais, falamos sobre inteligência artificial no Brasil, também ligada à área médica, a medicina, e também sobre lipedema. Hoje, novamente, nós recebemos um convidado especial, desta vez o doutor Henrique Rego, que é médico geriátrico e também clínico geral, só que desta vez para falar, como vocês perceberam aí no título, sobre cannabis. Então tem muita curiosidade sobre esse tema, vocês já tinham mandado algumas dúvidas aqui nos comentários, vou pedir para que vocês continuem enviando, mesmo que a gente chegue a responder aqui, porque a gente trará de novo o doutor Henrique para tirar as dúvidas de vocês. Então, antes de dar as boas-vindas para o nosso convidado especial de hoje, eu vou apresentar o currículo dele para vocês conhecê-lo um pouquinho mais. O doutor Henrique Rego é médico formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tem residência médica em clínica médica e geriatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, e é coordenador da pós-graduação Estudos Avançados em Saúde Integrativa e Bem-Estar do Instituto de Ensino Albert Einstein. Bem-vindo, doutor. Muito obrigado pelo convite, é um prazer para mim estar aqui, fazendo parte desse encontro aqui com vocês. Já começo te perguntando, que fica essa dúvida, né, médico, geriatra, clínico geral, você atende só idosos, atende adultos também, na verdade você tem paciente até criança, né, que a gente conversou aqui nos bastidores. É, saindo ali da faixa pediátrica, geralmente, né, eu já atendo, mas agora que eu trabalho já alguns anos com o Cannabis, tenho atendido pontualmente alguns pacientes pediátricos também, crianças com autismo, né, mas a minha intenção sempre foi ser médico de gente, médico de pessoas, independente de uma especialidade específica. Demorei um pouco para me convencer de fazer geriatria, porque eu achava que ser geriatra era ser médico de velhos, médico de idosos, e aquelas pessoas que tem, a partir daquela idade, e aquilo iria restringir de alguma maneira o meu público, né, pelo corte da idade, e isso não me deixava muito confortável, mas depois que eu entendi que geriatra é um médico que cuida de questões relacionadas ao envelhecimento, e a única outra alternativa a não estar envelhecendo é morrer cedo, então eu descobri que a geriatria é uma ótima maneira de falar sobre a vida, né, sobre as escolhas, sobre o processo de estar vivo, então entram questões filosóficas, entram questões relacionadas a bem-estar, em um olhar bem ampliado sobre a medicina, que é algo que eu sempre tive muito apreço, então sou muito agradecido por todos os especialistas que tem, se um dia eu tiver uma questão na minha retina, eu não quero ir em qualquer oftalmologista, eu quero ir no especialista em retina, se for um ortopedista, na crítica da coluna, do joelho especificamente, mas assim, a minha contribuição é esse olhar mais geral, onde eu consigo ter essa visão integral, e ocupar esse espaço que eu sei também, que muitos médicos não estão muito dispostos, e não estão, não são, não tem essa função, né, então é assim que eu contribuo. E a gente escuta muito, né, eu falando do lado de paciente mesmo, como alguém que não é relacionada de fato a área da saúde, já contei isso aqui algumas vezes, né, eu sou jornalista, não sou médica nem nada, e o que eu vejo é essa necessidade mesmo, das pessoas terem esse olhar atento, né, aquela escuta realmente que o médico está interessado em escutar realmente sobre a vida da pessoa, e hoje, a maior reclamação do lado dos pacientes, que eu tenho certeza que o pessoal que está acompanhando já teve alguma experiência assim, ou conhece alguém que teve, de ir numa consulta e ser uma coisa muito superficial, a pessoa sair com essa sensação, né, pô, queria ter explicado mais, eu esperei tanto às vezes essa consulta, e sair dali com aquela sensação de poderia ter falado mais, poderia ter escutado mais, né. É, tem um médico na história que ficou conhecido como o pai da medicina moderna, né, o pai da medicina em geral é conhecido como é o Hipócrates, né, que ele é considerado, mas o Sr. William Osler, ele tem uma frase que fala assim, que é mais importante conhecer a pessoa que tem a doença do que a doença que a pessoa tem. Então, isso foi uma frase que a primeira vez que eu vi fez muito sentido pra mim, porque desde que eu percebi que a faculdade de medicina, via de regra, forma especialistas em tratar doenças, e desde que eu comecei a atuar, que eu comecei a atender pessoas que me pediam pra ser mais saudável, me pediam sugestões, caminhos pra ter mais saúde, eu não sabia o que fazer. Eu ficava olhando pra elas, e vou falar muito sinceramente, eu ficava praticamente desejando que o colesterol viesse alto, por exemplo, pra eu poder saber o que fazer, pra eu prescrever um remédio pra baixar o colesterol. Só pra, né, você ter uma ideia de um exemplo de como que eu fui treinado pra tratar doenças, mas cuidar de pessoas, isso aí é uma coisa que a faculdade de medicina, a moderna, tá ainda caminhando. Na verdade, é um resgate, porque ser médico sempre foi cuidar das pessoas. Mas, por diversas razões, que a gente pode até comentar aqui dentro do contexto da própria Cannabis, a coisa mudou um pouco de rumo e chegou no cenário que tá hoje, que a gente tá precisando resgatar isso. Então, abordagens humanísticas, como eu gosto de chamar, me interessam muito. Eu fiz uma formação nos Estados Unidos no Instituto do Pat Adams, de Medicina Humanística, logo que eu me formei. Fiz uma formação também, antes de fazer clínica médica, fiz uma especialização em Medicina de Família, que também tem essa abordagem humanística, que visa reconhecer os aspectos humanos dentro da relação médico-paciente, dentro do contexto de adoecimento de cada pessoa. Afinal de contas, todo paciente é uma pessoa que tá doente, e toda doença é um reflexo da vida da pessoa. Não tem como você separar o que acontece na vida e o que acontece na saúde. O que a gente chama de saúde, na verdade, é uma perspectiva, uma leitura sobre a vida de uma pessoa. Não tem essa de dizer a minha saúde tá bem, mas a vida tá ruim. A vida tá ruim, mas a saúde tá boa. Então, hoje, como a gente, depois da pandemia, pôde popularizar mais essa visão a respeito da saúde mental, isso tá um pouco mais claro pra muita gente. Então, nesse caminho do que a gente chama de medicina ou saúde integrativa, basicamente, o que a gente faz é resgatar esses aspectos humanos, essa tecnologia mais simples, digamos, baixa complexidade e alto impacto, ou, se a gente pensar no ponto de vista subjetivo dos aspectos psicodinâmicos, de altíssima complexidade, que tem a ver com escuta, tem a ver com esse entendimento ampliado sobre aspectos sociais, familiares, espirituais, além dos físicos, não esquecendo dos emocionais, questão de engajamento, propósito, o que faz sentido pra vida de cada pessoa, o canso de ver as pessoas, quanto mais doentes estão, mais desconectados de uma vida que pra elas não faz sentido, mais desconectados da própria vida, digamos, do que pra elas elas consideram uma referência de uma vida desejada e que elas merecem. Então, vejo muito isso, em que a carga de sintomas de uma pessoa é basicamente a distância entre a vida que ela tá tendo e a vida que ela sabe que quer ter e que merece ter. Então, quanto mais a gente veja as pessoas se distanciando disso aí, surge uma certa incoerência dentro de si, que se manifesta na forma de sintomas e doenças, que são nada mais do que lembretes pra que você possa retornar pra sua posição natural. Então, a abordagem que eu faço, basicamente tem como essa linha mestra de ser um resgate do natural. Então, eu me dedico muito a entender os padrões naturais de cada pessoa, de pensamento, sentimento e comportamento, e dentro da minha prescrição, da minha orientação médica, necessariamente vêm essas propostas de como que essa pessoa pode se auto-resgatar, e com isso potencializa os resultados. Então, na prescrição, tenho prescrito cada vez mais tratamentos naturais, mas é lógico que é uma abordagem integrativa, não exclui, não é alternativa, a gente usa tudo o que faz sentido pra pessoa naquele momento e que pode ser o ideal pra aquela situação. Isso pode contar, e nisso a gente acaba usando, desde medicamentos, cirurgias, e tratamentos naturais, e abordagens psicológicas, enfim, a gente consegue ampliar bastante a forma de atuar. Essa é basicamente a forma como eu trabalho como médico. Sim, que legal, interessante. E quando você fala dessa parte da clínica médica, da geriatria, dá pra ver que o seu olho brilha. Já queria te perguntar, como é que foi essa escolha? Você sempre quis ser médico, já era aquela criança que falava eu vou crescer, vou ser médico ou não, como é que foi isso? Na verdade, sim, eu nunca pensei que eu fosse ser outra coisa, porque meu pai era médico, e eu via como meu pai chegava em casa muito animado, contando as histórias. Qual que é a especialidade dele? Meu pai é cardiologista, ele ainda trabalha como cardiologista, e ele chegava e às vezes na hora do almoço, ali em casa, ele comentava, hoje eu atendi seu fulano, e ele falou isso pra mim. Então, eram umas histórias interessantes, e ele mostrava pra mim como que... Ele também super entusiasmado com a oportunidade de ajudar as pessoas que chegavam deliberadamente pedindo ajuda, então isso eu acho que é um privilégio da minha profissão. E ele muitas vezes mencionava, falava sobre os pacientes como se fossem amigos, assim. Claro, eram pessoas que ele encontrava frequentemente, ia tendo uma certa proximidade. Então, eu via aquela relação que meu pai tinha com os pacientes, e falava, caraca, gostei, acho divertido trabalhar assim, acho que vai ser... Também vou gostar de fazer isso. Então, foi aí que eu, simplesmente inspirado no dia-a-dia do meu pai, decidi muito cedo, ainda ali na adolescência, seguir a carreira médico, mas já vislumbrava isso mesmo desde criança, pela proximidade com o meu pai. E aí não me arrependi, mas no caminho descobri que a medicina que eu procurava, que eu achava que era bem diferente do que tinha na universidade. Então, aí é uma parte de um sofrimento que aconteceu na minha vida, que agora eu estou resgatando e propondo mentorias para estudantes de medicina, inclusive, para que eles possam sofrer menos do que eu sofri. Acho que a faculdade acaba sendo um conflito para todo mundo. Eu estava decidida, e no começo da faculdade, tudo muda, você enxerga de outra forma, fica meio na dúvida se é aquilo mesmo, de especialidade, como que foi a escolha? Você já tinha em mente? Assim, pensando, meu pai como cardiologista, ele sempre atuou muito como médico generalista. Ele sempre foi meio que o clínico geral, o médico de família dos pacientes dele. Então, aquela forma de ser meio que clínico geral era uma coisa interessante para mim. Por isso que eu cheguei a pensar em fazer cardiologia, depois falei, não, cardiologia não. Talvez cardiologia pediátrica, exatamente porque a pediatria já tem esse olhar mais geral. Mas ainda assim, não, aí vai limitar pela idade também. Aí foi quando eu fiquei sabendo desse curso do Pat Adams lá nos Estados Unidos, e era sobre medicina de família, o próprio Pat Adams, que é o personagem principal daquele filme chamado O Amor é Contagioso, que é estrelado pelo Robin Williams. Ele é médico de família, os professores do curso eram médicos de família. Então, eu fui para os Estados Unidos, fiz essa formação na área de medicina humanística e me encantei por esse olhar da medicina de família. Então, foi quando eu comecei a minha carreira de formação médica sempre num olhar generalista. Então, o que era, na verdade, o meu grande desejo, você não sabe exatamente como fazer. Então, fiz medicina de família, depois eu fiz clínica médica há dois anos, fiz um terceiro ano de clínica médica que era opcional, ouvi todo tipo de esquisitice das pessoas sobre a minha escolha, porque não era necessário, vai demorar para ganhar dinheiro, para quem você vai fazer, ninguém precisa fazer, não precisa fazer o terceiro ano de clínica para poder ser especialista. Dois anos de clínica já está bom. Mas eu quero ver como é ser clínico. Deixa eu ver como é. Aí descobri que no Brasil era bem difícil, porque a cultura daqui não é muito para especialidade. Então, quando eu descobri, como eu falei, o que era a geriatria, eu me entusiasmei, me direcionei para a geriatria e ali me capacitei ainda mais para cuidar das pessoas de qualquer idade e ainda me especializei no idoso frágil, naquela pessoa com múltiplas doenças, que tomam diversos tipos de remédio, uma complexidade enorme, que eu sei que assusta muitos médicos e muitos não querem estar lá. E eu percebi que era um lugar que eu me sentia bem. E aí me realizei dentro dessa formação como geriatra, basicamente por ser uma abordagem geral. Mas aí, depois da geriatria, eu fui fazer a pós-graduação de saúde integrativa no Einstein. Desde que eu terminei, já comecei a dar aula. Então, assim que eu me formei, já fui dar aula no Turma do Rio de Janeiro e não parei mais de dar aula lá no Einstein até que, alguns anos atrás, eu comecei a coordenar a pós-graduação. E aí consigo trazer propostas, sugestões de temas para serem discutidos com os alunos, sempre nesse olhar de inovação e, na verdade, de falar sobre... Eu gosto muito de falar sobre determinantes ocultos de adoecimento, falar sobre assuntos que geralmente são esquecidos, falar sobre formas de olhar para o paciente, para a própria profissão, que com o tempo foi sendo desviado para a tecnologia. Então, eu acho que meu papel é muito esse, de integrar a novidade com o antigo e, dentro da prescrição, por exemplo, lembrar que o futuro é natural. A gente chegou num limite muito expressivo em relação à tecnologia e de distanciamento do humano. Então, a tecnologia está por um papel cada vez maior dentro da medicina e vai aumentar ainda mais agora com a inteligência artificial. E, mais do que nunca, agora vai ser necessário que os médicos resgatem o olhar humano com o seu paciente. A gente falou isso no episódio anterior. É, por isso que eu sinto que estou bem encaixado dentro do futuro da medicina. As pessoas envelhecendo e a tecnologia dominando cada vez mais. E aí, a arte é exatamente integrar. É como a gente pode usar a tecnologia, mas também usar os aspectos humanos a favor do que a gente propõe para os pacientes. Isso que eu ia te perguntar, sua rotina hoje é mais aluno mesmo, sala de aula e também online. Você citou que as suas consultas, a maioria acontece de forma online, o que já liga essa parte da tecnologia também, na mudança ali. Como que às vezes tem um certo preconceito, você enxerga isso? De paciente que fala, não, eu prefiro a consulta ali, olho no olho. Algumas pessoas ainda têm, mas para mim é tão natural. Eu lembro que meu pai, quando eu era criança, fazia telemedicina. Ninguém me falava sobre isso, mas era telemedicina. As pessoas ligavam lá para a minha casa, ele atendia, ele dava orientação. Depois que surgiu o aparelho celular, o telefone celular, ele fazia muito atendimento. E eu sempre fiz muito isso também. Então, para mim, mesmo não sendo regulamentado pelo CFM, eu sempre fiz muita orientação, prescrição, porque sempre foi muito natural. Mas depois que começou a ser regulamentado, aí eu pude, de fato, atender com videochamada, com todos esses protocolos que a gente tem hoje, de segurança em relação aos aspectos legais envolvidos. E eu, para mim, é maravilhoso, porque, inclusive, me dá liberdade geográfica também. Então, eventualmente, eu sou de Natal, eu nasci lá em Natal, no Grando Norte. Então, eventualmente, eu posso viajar para lá, ficar com a minha família alguns dias e continuar atendendo de lá. E assim, no meu dia a dia, na prática, eu confesso que não me lembro quando foi a última vez que eu senti falta. Aconteceu hoje, na verdade, de uma paciente com uma dor no joelho, que ela falou que o joelho está quente, inflamado e tal, e que eu não pude pôr a mão para saber, mas a descrição dela foi tão precisa. E eu encaminho também para outros médicos. Então, para mim, é muito natural fazer atendimento online e eu faço bastante, de pessoas do Brasil inteiro, de todos os estados, de outros países também, da Inglaterra, Austrália, Estados Unidos. Então, eu acho... Me animo muito em poder aproveitar a tecnologia para fazer isso. Interessante. Bom, então, antes de a gente começar aqui, de fato, no assunto, que eu já tenho várias dúvidas que vieram na minha cabeça, só quero fazer um agradecimento para o Laboratório Origem, que é o nosso patrocinador aqui do Amatocast. O Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco da Origem é qualidade de vida e prevenção. Doutor, então, eu separei aqui alguns tópicos para a gente não esquecer de falar. A gente até estava comentando, antes de começar aqui a nossa gravação, de fato. A primeira pergunta que eu queria te fazer já é algo polêmico, digamos assim, relacionado à cannabis. É justamente para a gente entender, a minha pergunta, para ser bem direta, na verdade, a gente está falando, quando a gente fala de cannabis, de um remédio, um tratamento ou de algo que pode se confundir para um uso recreativo, por exemplo. Na cultura geral, a confusão já está instalada. Então, pode sim ser confundido. Eu acho que é muito válido, necessário, em oportunidades assim, a gente trazer esclarecimentos e desmistificar algumas coisas. O que é o uso recreativo? Esse uso fumado, basicamente é consumir uma planta rica em THC, que é o tetraído canabinol, que é uma substância que provoca alteração de consciência e as pessoas que usam assim buscam isso. Há quem diga que todo o uso de cannabis é terapêutico de alguma maneira. Eu acabo concordando com essa frase, porque a planta realmente é poderosa e as pessoas que usam cannabis fumada, independente de a gente entrar aqui em questões legais, criminais, procedência e etc., elas têm o seu benefício, se não, não faria. Mas, via de regra, quem consome assim está buscando esse efeito psicoativo, esse efeito de desconectar, muitas vezes como uma estratégia de despressurização, de distensionar a vida, e que pode provocar independência, é uma substância que tem uma margem muito pequena entre o efeito positivo e o efeito negativo, e isso eu estou falando do THC, que é essa substância psicoativa mais conhecida da cannabis. O uso medicinal, o carro-chefe da medicina canabinoide é o CBD, é o canabidiol. Então, é lógico que o THC tem um papel muito importante também para vários tipos de doença, mas quando a gente fala de medicina canabinoide, terapia canabinoide, o uso medicinal de cannabis, a gente está falando inicialmente do uso de canabidiol, que é o CBD, que é a molécula mais estudada, o fitocanabinoide, a substância da cannabis mais estudada e com mais aplicações, mas também do THC. Esse mesmo THC da planta fumada, só que num uso absolutamente regulado, titulado em doses baixíssimas, aumentadas progressivamente e com muita cautela até chegar na dose suficiente que não provoque efeito colateral. Esse aumento lento e progressivo e muito próximo do paciente permite que a gente evite passar desse limite. Então, é uma gotinha a mais, mais uma gotinha e sempre orientando bem o paciente até que a gente, se por acaso passar do ponto, a gente dá um passo, dois passos para trás e chegamos na dose ideal. Então, existe essa arte de encontrar a dose ideal do tratamento com o cannabis, sobretudo quando a gente está falando de THC. Então, voltando para a resposta da pergunta, a grande diferença é essa. O produto fumado tem essa concentração altíssima de THC que facilmente provoca psicotoxicidade, ou seja, tóxico para a cabeça mesmo e a pessoa pode ficar disfuncional, apesar de também ter alguns benefícios, por exemplo, o aumento da criatividade, a música popular brasileira e mundial nunca seria a mesma coisa se não fosse para cannabis. A gente já de reconhecer isso, mas o uso medicinal é diferente e muito criterioso. E como que surgiu o uso da cannabis para a parte medicinal? É científico esses benefícios? Ou é algo que pode variar de paciente para paciente? Isso é comprovado? Acho que essa seria a pergunta que as pessoas querem saber. Tem base científica isso? Tem base científica. É lógico que a base científica hoje ainda não tem a mesma robustez, não tem a mesma carga de evidência que as pesquisas em oncologia, em cardiologia, que tem muitos interesses da própria indústria farmacêutica junto, que incentiva tudo isso. Existe uma cultura relacionada ao uso dessas drogas patenteadas, vem ali desde o início do século passado. Mas a cannabis, ela sempre foi medicinal. Há relatos, desde que o ser humano encontrou essa planta e começou a usar, a gente tem alguns registros mais remotos por volta de 3.000, 2.700 antes de Cristo, até agora, mas todo esse período ali, antes de Cristo, os primeiros séculos, século 1, 2, 3, enfim, até atual, o uso para todas as indicações que a gente tem hoje. Então ela sempre foi usada. O que as pessoas não sabem, que eu acho que é muito importante a gente trazer aqui, é que em algum momento a cannabis foi boicotada. Então ela foi demonizada por circunstância de crescimento, por intenção de algumas indústrias, sobretudo a indústria do náleo, a indústria do petróleo, a indústria farmacêutica mesmo. Nessa época muito influenciado pelo primeiro bilionário do mundo, o John D. Rockefeller, que depois se transformou, quis melhorar ali a sua imagem, depois de ter feito muito monopólio na indústria do petróleo e ter falido muitas empresas, e depois ter influenciado todo o sistema educacional do mundo, todas as escolas médicas dos Estados Unidos, depois ele acabou determinando o perfil da medicina do mundo hoje. Então esse cara tem um impacto muito, muito grande na medicina atual. Aí ele criou a Fundação Rockefeller para poder, de certa forma, apagar essa imagem negativa, só que aí foi quando ele começou a investir ainda muito mais na indústria farmacêutica e nas escolas na medicina cientificista, que trouxe muitos benefícios, esse modelo biomédico atual realmente trouxe muitos avanços para a nossa sociedade como um todo, evitou que as pessoas morressem, só que na verdade o que a indústria também sempre quis era isso, era evitar que as pessoas morressem, mas não vivessem. Então hoje as pessoas não morrem, mas também não vivem com qualidade. Então por isso que a meta, a proposta, o desfecho de mortalidade sempre é o mais valorizado dentro das pesquisas, eles buscam muito que as pessoas não morram para poder permanecer vivo, mas doente, então consome remédio. Então essa indústria toda, que hoje eu prefiro chamar de indústria da doença, nasceu nesse período em que os tratamentos naturais foram marginalizados, foram desvalorizados em detrimento da hipervalorização e financiamento dessa fundação Rockefeller, por exemplo, da medicina cientificista. Então dali para frente não teve mais Cannabis, assim como todos os tratamentos naturais, as escolas médicas homeopáticas, quem trabalhava com fitoterapia, medicina chinesa, ayurvédica, o que existia no mundo de tudo isso, principalmente no Ocidente, foi destruído e criado o modelo atual. Então nessa mesma época houve questões também, foi atribuído, foi associado a Cannabis a vício, a toxicidade como droga, e a gente sabe que tem mesmo um problema dessa maneira. A própria questão do racismo foi associada ao racismo, e toda essa polêmica acabou acontecendo, mas o que mais eu quero trazer aqui de informação para quem nunca teve contato com essa história é que a Cannabis sempre foi utilizada como remédio, de repente, por interesses financeiros, a indústria se juntou e boicotou, não só a Cannabis, mas vários outros tratamentos naturais, aí a indústria farmacêutica cresceu um monte, e desde a década de 70 as pesquisas voltaram a acontecer, voltaram a se intensificar, até que final de 1900, aí a gente veio começando a aumentar as pesquisas, a gente está só aumentando progressivamente, na mesma proporção que o mercado aumenta também de valor, então está um crescimento vertiginoso. E hoje no Brasil, como que funciona? Porque eu já vi muita gente falando, eu fiz uma pesquisa por cima, para a gente conversar sobre esse tema, mas eu já vi muita gente falando que teve a recomendação médica para que utilizasse para alguma doença, alguma condição, só que precisou buscar em outro país, às vezes até foi para outro país para conseguir ter acesso a isso, então como que hoje no Brasil é autorizado se o médico prescrever, o paciente pode comprar, ele consegue ter acesso, isso vende no Brasil, tem que trazer de fora? No Brasil é legalizado a importação desde 2015, principalmente por conta da história das crianças que tinham epilepsia refratária, que não melhorava por nada, e quando usavam óleos com canabidiol, melhoravam muito os quadros de epilepsia, e muitas famílias foram presas nessa época, porque traziam dos Estados Unidos, e aí a questão recorrendo a abordagens judiciais, foi autorizado alguns casos, isso gerou jurisprudência para que outros pacientes pudessem importar também, até que se foi criada uma RDC da Anvisa para regulamentar a importação, e nos últimos 10 anos a gente pode importar, a última lei foi atualizada agora em 2022, mas a Anvisa regulamenta totalmente o uso vindo dos Estados Unidos, por exemplo, na importação. E aí então o paciente não precisa sair do Brasil, não consegue importar, só que precisa de um acompanhamento médico para ele fazer uso, ou ele pode ele mesmo optar por... Não, não deve por riscos de não alcançar o objetivo que quer, e por ter efeitos indesejados, enfim. Mas é obrigatório a prescrição? É obrigatório ser prescrito e acompanhado por um médico. Então não tem como a pessoa por conta providencial usar. Entendi. É usado como tratamento médico hoje no Brasil, inclusive por outra RDC da Anvisa, a RDC 327, a Cannabis já é vista como medicamento, sendo vendida nas farmácias. Existem produtos nacionais produzidos, apesar da produção, da plantação não ser no Brasil, por questões legais, muitas empresas brasileiras estão produzindo. Inclusive as mesmas indústrias, as mesmas empresas das indústrias farmacêuticas que um dia foram muito contra, já se renderam. Então assim, digamos que no mercado da Cannabis a gente já virou o cabo da boa esperança, é um caminho sem volta, a tendência é aumentar cada vez mais, porque até quem era contra hoje já virou o player do mercado. Então está todo mundo com medo de perder espaço para os medicamentos que eles fabricam, eles começaram a produzir seus próprios medicamentos de Cannabis. Entendi. Então a gente pode comparar, por exemplo, a um remédio controlado na farmácia, que depende daquela RDC. Exatamente. Fique bem claro. E agora a parte prática, como que age no corpo? Então até você citou esse exemplo que a indústria foi muito contra, a Cannabis é capaz de curar uma doença, é um tratamento, a pessoa usa para sempre, por partes, são muitas perguntas. Para quais doenças a Cannabis é utilizada e como que ela age no corpo dessas pessoas? Hoje, oficialmente, a principal indicação ainda é as epilepsias refratárias em crianças e adolescentes. A segunda principal indicação, já bastante aceita na comunidade científica, é o uso para náuseas e vômito pós quimioterapia. Eu tenho pacientes, por exemplo, que antes de começar a usar óleos de Cannabis, ficavam depois de sessões de quimioterapia 10 dias praticamente sem comer e sem conseguir beber água. E hoje, usando um óleo de Cannabis, consegue. Então essa segunda indicação tem sido cada vez mais popular. Existem outras indicações já bem consolidadas, apesar de ainda não oficiais para a medicina como um todo, o uso para esclerose múltipla, por exemplo, que é uma doença autoimune, neurológica, doença de Parkinson, tem bastante benefício também. São tantas. Mas, na prática, em termos de epidemiologia, os mais comuns são ansiedade e insônia. A gente vê bastante indicação para isso e bastante benefício. É o que eu mais vejo no dia a dia. Mas ainda existem outras. Eu posso ir me lembrando aqui. É que essas são as mais comuns, as mais conhecidas, né? As mais comuns são essas. Tá. Doenças autoimune em geral, porque o CBD tem uma atuação no sistema imunológico também, então consegue beneficiar pessoas com doenças autoimunes. É, no corpo mesmo, né? Essa é uma outra pergunta que eu tinha feito várias ao mesmo tempo. Como que age no corpo? Isso afeta como um... age como um tranquilizante, digamos assim? Também. O corpo tem um sistema interno chamado sistema endocannabinoide, endo de dentro, né? Mas é o endocannabinoide que recebe quando a gente usa um fitocannabinoide, fito de planta, né? Um cannabinoide da planta que entra no nosso sistema endocannabinoide e como se fosse aquela relação de chave e fechadura, ele se encaixa perfeitamente no nosso sistema interno, é como se a gente tivesse... não, a gente tem receptores naturais para as moléculas da planta dentro do nosso próprio corpo, então o CBD e o THC, todas as substâncias da cannabis, tem outras ainda também, elas modulam o sistema endocannabinoide, que é um sistema que regula muitas funções do corpo, como por exemplo humor, percepção de dor, qualidade do sono, apetite, então imagine que o uso, ele é muito sob demanda, não o uso, mas a atuação dentro do corpo, então cada pessoa vai receber, que começa a tomar um óleo de CBD, por exemplo, aos poucos é como se o CBD fosse ocupando os espaços que cada pessoa precisa, então é um uso muito personalizado pela sabedoria do próprio corpo, então pessoas que estão com dificuldade de dormir, por exemplo, começam a regular o sistema endocannabinoide e começam a dormir, pessoas que estão com uma resposta ao estresse muito exacerbada, ansiedade, síndrome do pânico, também regulam isso e passam a melhorar o quadro clínico, assim como pessoas que têm o cérebro muito agitado, com estímulos elétricos, a gente chama de hiperestabilidade neuronal, também consegue controlar e parar de ter crises convulsivas, pessoas que têm rigidez no corpo por Parkinson, usando o CBD com o THC, melhora essa rigidez, melhora a mobilidade, mexe no apetite também, então pessoas que têm o apetite muito diminuído, que estão com situações de caquexia oncológica, muito emagrecido, o THC tem esse efeito de aumentar o apetite e ela consegue melhorar seu estado nutricional por se alimentar melhor por causa do uso do óleo de cannabis, que tem a ver com aquele uso que eu falei anteriormente para náuseas e vômitos pós-quimioterapia, então ele age dessa maneira, as moléculas da cannabis entram no corpo e vão regulando o que precisa ser regulado e o mecanismo de ação, hoje ainda não é 100% compreendido, mas o que a gente sabe é que se sobrepõe muito aos mecanismos de ação já conhecidos de vários remédios famosos, como por exemplo Rivotril, Clonazepam, que é um benzo diazepínico, o receptor onde age o benzo diazepínico, o receptor GABA, ali também age o CBD, então por isso que é muito comum a gente conseguir desmamar e permitir que as pessoas suspendam, parem de usar o benzo diazepínico, como o Rivotril por exemplo, e passem a substituir pelo Cannabidiol. O Rivotril pode provocar até quadros de déficit cognitivo, então piorar a cognição-memória e então é um benefício muito grande. Onde agem os antidepressivos, como Fluoxetina, Prozac, Certralina, todos esses, Duloxetina, Venlafaxina, que são os receptores de serotonina, então só pra citar os principais, além do, como eu falei, os remédios hipnóticos pra sono, os efeitos também em ansiedade e humor. Então, alguns mecanismos, eu gosto muito quando estou falando com médicos, de mostrar esses mecanismos já conhecidos, que já são os mecanismos usados pelos próprios medicamentos que os médicos já conhecem, assim é mais fácil do médico ir se familiarizando e passar a prescrever. Sim, é um tratamento às vezes até integrado mesmo, né, entre as especialidades ali, entre os médicos. E doutor, a gente falou bastante, você citou sobre a progressão, né, que às vezes começa ali com uma gota, né, e isso vai sendo dosado junto com um paciente médico. Como que funciona a progressão no sentido de, a pessoa usa como um tratamento, como usaria um remédio, que às vezes isso vai se estender ao longo da vida, ou a cannabis é capaz de diminuir a dependência da pessoa de um remédio, ou até do uso do... Acho que em relação a isso, acho que é importante a gente desmistificar algumas coisas, porque enquanto o indivíduo não tem recursos próprios para conseguir enfrentar a doença que está cometendo ele, ele precisa de um recurso externo, o remédio tem esse papel. Eventualmente, se a gente consegue substituir, não são todas as situações que é possível isso, a pessoa vai trocar o remédio pelo óleo, e pra manter o benefício, a ideia é que ele mantenha o óleo pelo mesmo tempo que ele usaria o remédio, e muitas vezes é pra sempre, principalmente nos exemplos em que as pessoas não conseguem reverter a situação que elas estão passando, por exemplo, enfim, uma doença de Parkinson, por exemplo, em Parkinson a gente integra os dois tratamentos, né, mas várias outras doenças que não tem como curar, assim como a pessoa usaria um remédio e usa um remédio durante todo o tempo que ela está viva, ela pode usar e deve usar o óleo de cannabis, o que a gente consegue fazer muitas vezes é reduzir a dose do remédio que está usando, então diminuir o efeito colateral, em alguns casos a gente consegue suspender o remédio, mas eu acho que isso não deve ser um motivo principal das pessoas procurarem usar, mas é muito frequente, e assim a gente vai combinando da melhor maneira, e sim, pode ser usado a longo prazo, tem pacientes que estão usando há cinco anos, por exemplo, total segurança, tem muitos estudos de segurança mostrando que de longo prazo já é seguro usar. Sim, essa era minha próxima pergunta, inclusive de efeitos colaterais, que às vezes as pessoas, até tem um interesse, quem veio até aqui assistir esse episódio, às vezes tem algum motivo que está procurando, alguém próximo que tenha, o que é esperado de efeito colateral, até onde é seguro, pode virar uma dependência? Dependência não, seja para responder de cara que isso não acontece com tratamento com uso medicinal, mas efeitos colaterais, vale a pena, é importante didaticamente a gente separar entre CBD e THC, CBD é o canabidiol, efeito colateral do canabidiol, sonolência, esse é o principal, então ele vai relaxando, relaxando, relaxando, ao ponto em que a pessoa fica tão relaxada que ela fica disfuncional, se for durante o dia, sendo que essa mesma sonolência, se acontecer à noite, pode ser muito bem-vinda e melhorar a qualidade do sono da pessoa, então assim, é um efeito, dizer que é um efeito colateral, ele vai ser um efeito adverso quando for inconveniente para a pessoa, que geralmente é quando acontece sonolência diurna, então a gente fica muito atento para quando chegar numa dose que eventualmente comece a provocar sonolência, a gente precisa regredir um pouco o número de gotas. Outros efeitos colaterais do CBD, diminuir um pouco o apetite, principalmente em doses moderadas, o que pode ser um efeito super interessante para algumas pessoas, que lidam com dificuldade de perder peso, por exemplo, às vezes um efeito que uma tendência diarreia, diminuir a consistência das fezes, geralmente temporário, e em casos mais específicos, bem menos frequente, de, principalmente, pessoas que usam outros medicamentos para o fígado, pode provocar alterações das enzimas hepáticas, sobrecarregar o fígado, porque é o fígado que metaboliza. Mas vou falar para vocês que, apesar de na literatura ter isso bem descrito, a prevalência que eu já vi, foram dois ou três casos em pessoas com muita esteatose hepática, com o fígado com muita gordura, filtração gordurosa, e que usam outros remédios que sobrecarregam o fígado. Então, assim, é um efeito adverso que vale a pena ser mencionado, mas que não é, nem de longe, comum. A gente monitora as enzimas hepáticas, né, por protocolo, mas a sololênsica, basicamente, é o mais comum do CBD. O THC, que é o principal componente da canábis usado para casos de dor crônica, a gente acabou não mencionando, eu acabei não falando, quando a gente perguntou, quando você me perguntou sobre as indicações, que é uma grande indicação do uso de canábis, é onde se destaca o tetraidocanabinol, o THC, que vem sendo usado há décadas nos Estados Unidos para conseguir reverter a crise dos opioides, a dependência que os americanos têm de mofina e oxicodona e todos os derivados da mofina, que hoje já provoca uma dependência em muita gente. Esse THC, ele tem alguns efeitos colaterais mais importantes, como eu falei, basicamente a gente chama de psicotividade ou psicotoxicidade. Geralmente, deixar a pessoa meio aérea, aquele estado meio caricato que a gente sabe que acontece com as pessoas que fumam, que o uso de fumado é basicamente THC, são plantas ricas em THC, então aquela desconexão pode inclusive, se for usar durante muito tempo, pode fazer a pessoa diminuir a memória, por exemplo, mas pode aumentar o apetite, então é importante regular a quantidade de THC para pessoas que estão com sobrepeso, deixar a pessoa com boca seca, pessoas com taquicardia, por exemplo, ele pode aumentar a frequência cardíaca, então a gente fica um pouco mais atento. Agora, via de regra, pensando no mais comum, é mesmo a psicoatividade, essa alteração da percepção de a pessoa, por exemplo, se usar uma dose muito alta, ficar com o sono agitado e começar a ter visões e tal, isso aí são doses altas, se a gente vai regulando devagarinho, uma gota por dia, dá uma segunda gota, vai aumentando bem lentamente, a gente consegue, principalmente quando o benefício é muito palpável, como no caso de pessoas com dor, vale muito a pena e, no geral, é muito seguro. Sim, nenhum efeito que pode colocar a vida da pessoa em risco, por exemplo, a não ser um THC mal indicado, por exemplo, uma pessoa que tem alguma doença com psicose, que cursa com psicose, como esquizofrenia, que não esteja compensado, ou um transtorno afetivo bipolar, que a pessoa está com risco de fazer mania, se usa THC em dose alta, pode descompensar. Então, por isso que eu volto a repetir que, volto a falar, repetindo aqui, que a margem de segurança do uso do THC é estreita, mas isso não é motivo pra gente não usar, é só porque a gente deve usar com muito critério e respeitar essas contraindicações relativas. Eu, por exemplo, em casos de pessoas com transtorno afetivo bipolar, via de regra eu não prescrevo THC, prescrevo produtos que não tem THC, é só canabidiol e outros componentes que tem dentro da planta. Entendi. E agora sobre acesso, que a gente está falando muito sobre os benefícios, às vezes, como eu citei, alguém até se interessa, mas hoje no Brasil, apesar de já ter sido autorizado o uso, você considera que é algo de fácil o acesso? Não sei se a palavra seria fácil, mas que o acesso chega pra todos, por exemplo? Não. Acho que a democratização do uso ainda é uma questão, o maior desafio ainda é de informação, mas a questão cultural também é um empecilho, inevitavelmente a questão é financeira também, porque como ainda não é algo que está institucionalizado nas instituições públicas, por exemplo, pra poder ter acesso a pessoa precisa comprar. Então, tem uma terceira forma de uso, de adquirir um produto de canábis, que eu não mencionei anteriormente, que é a das associações de pacientes dentro do Brasil, é que essa não é regulamentada, mas em algum momento vai ser regulamentado, está evoluindo, espero que seja, a própria produção, a regulamentação da produção da canábis no Brasil está sendo regulamentada também em breve, vai ser, se Deus quiser, permitido pra que a gente possa, as empresas possam plantar pra fins medicinais, não tem nada a ver com legalização pra uso recreativo como um todo, mas falando em acesso de novo, os óleos da farmácia, que é onde você consegue rapidamente com uma receita em mãos, precisa da receita física, a mesma receita do Rivotril, por exemplo, dos vinhos diazepínicos, e aí leva na farmácia, chega na farmácia com a receita, você leva o frasco de CBD na mesma hora, então só que geralmente não é o melhor custo-benefício, o melhor custo-benefício geralmente são os óleos importados, são considerados suplementos nos Estados Unidos, mas como a gente já está no mercado e conhece várias marcas, a gente consegue indicar marcas seguras pra poder fazer essa importação, a Anvisa respalda toda a importação, demora por volta de 3 semanas pra chegar, esse é um ponto negativo, mas a gente consegue frascos com a quantidade muito maior com duração de tratamento, que e por isso que no final das contas o custo fica menor no longo prazo. E a terceira maneira são os óleos de associação, que são associações de pacientes que tem um processo de produção um pouco mais rústico, menos industrializado, geralmente são produtos que tem uma quantidade de THC um pouco maior, frequentemente tem uma relação passional das pessoas que estão ali produzindo, que já são usuários de Cannabis, enfim, mas independente de entrar nessas questões culturais, é uma forma de acesso também, é uma forma que no Brasil é muito popular, apesar de não regulamentada, e o principal ponto de atenção que eu vejo, e quero só aproveitar pra destacar aqui, é que muitas vezes a quantidade de THC que vem dentro desses óleos de CBD é um pouco maior e pode não ser 100% seguro pra pessoas que querem usar CBD, pra médicos que querem prescrever CBD, CBD prescreve um óleo de uma associação, dependendo da associação, pode mandar esse óleo de CBD com bastante THC, e esse THC começa a fazer efeitos colaterais, e a gente as vezes não consegue aumentar a dose do CBD por conta do THC em excesso que tá lá, mas não é um problema pra todo mundo, pra algumas pessoas é uma grande solução, a combinação, então, se a gente fizer um uso criterioso, a gente consegue escolher o melhor produto, eu acabo prescrevendo, basicamente, os da farmácia, daqui do Brasil, e mais ainda os importados. Em resumo, então, mais seguro são os importados? Na verdade, tecnicamente, o mais seguro é o da farmácia, porque ele tem uma qualidade farmacêutica, ele tem um rigor de produção enorme, ele é considerado, de fato, um remédio. Isso aqui não é, colocando a balança, acesso? É, como a gente estava falando sobre acesso, ele acaba sendo um pouco mais caro, porque a produção é mais cara, enfim, ele é todo mais burocrático. E o importado, as possibilidades são muito grandes, então, precisa o médico ter experiência no mercado pra poder indicar bons produtos. Então, quando a gente consegue escolher um bom produto e indicar um bom produto, a gente consegue bom efeito, né, eficácia, segurança e custo. E, doutor, SUS, algo muito distante ainda, pela sua análise, pra que o acesso chegue ao Sistema Único de Saúde? Muito distante, não. Eu fui convidado há pouco tempo pra fazer um treinamento em uma Secretaria de Saúde do Estado daqui de São Paulo, que visa fazer umas parcerias com produtores pra conseguir treinar seus médicos pra começar a prescrever, já se preparando pra quando o uso aqui no Brasil for mais acessível dentro do SUS. Já teve uma lei que foi votada e aprovada, mas ainda precisamos de um tempo pra evoluir. Eu acho que estamos aí dentro de um tempo, provavelmente, de algo em torno de três anos, ou algo assim. Eu não acho que... Eu ia te perguntar qual é a projeção pra daqui a dez? Não acho que em dez anos. Eu acho que no máximo cinco anos. Eu imagino. Não vai demorar muito, não, porque o clamor popular é muito grande, sabe, o impacto já reconhecido pelas pessoas é muito grande. Cada vez mais as pessoas conhecem outras pessoas da família ou amigos ou do trabalho que usam. Eu recebo muita indicação dessa maneira, na informalidade do dia-a-dia. Tá ficando muito popular. E aí, através desses óleos importados, eu consigo muitas vezes viabilizar o tratamento pra pessoas que têm limitação financeira. Então, falando de acesso de novo, hoje tem algumas marcas que tem um custo-benefício tão bom que permite que pessoas, mesmo em condição mais limitante do ponto de vista financeiro, consiga tratar. Então, eu tenho vários pacientes que usam produtos assim e estão podendo melhorar muita qualidade de vida, mas graças a essa escolha desses produtos com melhor custo-benefício e da proximidade do acompanhamento pra encontrar a dose ideal. Isso é o grande desafio do médico. Antes de ir pros mitos e verdades do encerramento, eu queria finalizar com essa pergunta, inclusive. A minha pergunta era como é ver de perto nessa evolução dos pacientes que, às vezes, não tinham uma outra possibilidade ou que conseguiam um avanço no tratamento, conseguiam ter uma melhora na qualidade de vida com a cannabis. Cita em algum exemplo que você queria citar. Como é enxergar isso? Porque a gente fala bastante dos benefícios, mas acho que o seu olhar é muito importante, o seu relato de estar realmente próximo dos pacientes. Os médicos que não conhecem, nunca tiveram oportunidade de ver um paciente usando, eu entendo perfeitamente que eles podem se posicionar contra ou não apoiar o uso, independente também da cultura que ele tenha. Mas a palavra que eu posso usar, que melhor define o meu olhar sobre isso é que a resposta tem que ir encantado. Pra mim é encantador ver resultados que eu nunca vi em quase 20 anos de medicina. Eu cheguei até durante um tempo a parar de trabalhar, eu tava cansado dessa medicina de hipertensão antihipertensivo, depressão antidepressivo, diabetes antidiabético, e essa prescrição limitada cheia de efeitos colaterais. E quando eu descobri o uso da cannabis, foi quando eu me entusiasmei pra voltar, me dedicar mais a consultório. E um caso que ilustra muito bem é o caso do seu alvino, um paciente que hoje eu me tornei próximo da família dele, daqui da região metropolitana de São Paulo, com doença de Parkinson, gravíssima, tem vídeos registrados de como que ele ficava à noite, tremendo a noite inteira, não conseguia comer, não conseguia, enfim, tomar banho, se cuidar, nada, e com o tratamento, a gente tem vídeos mostrando, eu já usei o vídeo dele em algumas aulas, com autorização da família, mostrando que ele hoje faz a barba, ele canta, toca violão, caminha, faz bicicleta, pinta o cabelo, come, sem tremer. Será que ele é autorizado de a gente colocar também, se a família autorizar, a gente até pode colocar aqui. Pra ilustrar o pessoal, pra mim é um prazer e tenho certeza que pra eles também, porque a história dele é muito bonita, de uma resposta impressionante. Outro caso até, de um paciente com Parkinson no interior da Bahia, recentemente, eu até atendi semana passada, eles me deram um feedback tão incrível, que eu lembro ter falado com eles, vou anotar, no próximo Congresso de Médicos, eu compartilhar o caso de vocês, ela autorizou também, mas o caso do seu Alvino tem registro de imagens, de antes e depois, então é impressionante e emocionante, na verdade. Chega a dar um arrepio, inclusive. Então, combinado, eu vou lembrar pra gente colocar o vídeo aqui, deixar o link ou aqui na edição pra quem quiser acompanhar, porque eu também vou querer assistir, vou querer ver. Então, olha, pra gente finalizar, eu separei alguns mitos e verdades, algumas coisas, acho que a maioria, na verdade, a gente acabou respondendo aqui, pode ser uma resposta mais curta, não precisa entrar em detalhes, mas eu acho que é legal, só pra gente é um quadro pra falar se é verdade ou mentira, o que as pessoas pesquisam na internet. Cannabis medicinal, é a mesma coisa, a palavra que foi usada foi maconha recreativa, mas a gente pode falar como uso recreativo, né? Não, não é. Não é porque o objetivo que cada pessoa que usa é diferente e a substância, a proporção das substâncias é muito diferente, como eu expliquei anteriormente. Especificamente o THC. A gente explicou, inclusive, o episódio inteiro, o início aqui, sobre qual que é a diferença do uso medicinal. Quem usa cannabis medicinal, fica chapado? Se usar THC em altas doses, pode ficar. E é exatamente isso que a gente orienta, vai aumentando devagarinho, se perceber o efeito de ficar meio areia, que é o que o pessoal chama de estar chapado, volta a dose e corrige. É dose dependente, efeito temporário. No uso medicinal, o correto, como já adaptou, igual você citou, é não ter esse efeito chapado. Não, não tem. Se tiver, tá errado. Se chegar ao ponto de acontecer isso, a gente volta. Isso pode acontecer ocasionalmente, acidentalmente, em alguns casos, até previsivelmente, porque se a gente vai puxando pra cima, procurando a dose ideal, chega uma hora que pode passar, pode a pessoa se sentir um pouco assim. E aí volta. Mas, pras pessoas desmistificarem, quem tá usando THC não fica todo dia chapado. Não é isso. Se ficar, é porque a gente não acertou, não tá na dose ideal, a gente ajeita. Abaixa a dose. Todo produto de cannabis tem THC? Não, de jeito nenhum. Tem produtos isolados, tem produtos que a gente chama de CBD isolado, tem produto chamado Broad Spectrum, que é todas as substâncias da planta, exceto o THC. Então, tem muitos produtos zero THC. Então, pra que fique claro também, o THC é uma escolha, em alguns casos, dependendo da doença? Isso. É uma indicação específica, como eu falei, náusea e vômito, o THC tem uma boa participação. Falta de apetite, por exemplo. Mas nem pra tudo? Parkinson, enfim. Não, pra tudo não, de maneira alguma. Se fosse, se o THC fosse tão prescrito quanto o CBD, seria, o índice de efeitos colaterais seria muito maior. O uso de cannabis sempre causa... Dor crônica, desculpa. O THC é muito dor crônica. O uso de cannabis sempre causa dependência? Essa você foi bem incisiva em falar que não, que não é certo causar. Cannabis é solução para qualquer doença? Também não. Não é bala de prata, que serve pra tudo, e nem é uma panacea mesmo, não é uma coisa que veio pra resolver tudo. Mas... Mas tem benefício pra muito mais condições do que a maioria dos meses que imagino, e tem uma coisa que eu gosto de falar também, que é, a gente muitas vezes vê benefícios não previstos no tratamento. A gente mira em uma coisa e acerta em 3, 4. Então exatamente pelo fato do sistema endocannabinoide ter tantas ações, regular tantas funções no corpo. Por isso que acaba sendo... Acontecendo esse mito, essa falácia de dizer, então quer dizer que serve pra tudo. Não é que serve pra tudo, mas serve pra tanta coisa, ajuda tanta gente, tem tantos benefícios que chega ao ponto das pessoas falarem isso. Com certeza. Crianças não podem usar cannabis medicinal? A gente até citou no início, que você faz o tratamento pra criança, mas a gente não entrou especificamente nesse tema, inclusive acho que dá um episódio só pra falar do tratamento voltado pra criança. E pra algumas situações, como epilepsia refratária, segundo a Medicina Oficial do mundo inteiro, deve usar, porque é o tratamento oficial pras situações assim. Só que a quantidade, só que os cannabidiol. O THC existe uma discussão enorme na literatura sobre o quanto que THC deve ser evitado pra pessoas com cérebro em formação, e isso significa pessoas que podem ter até ali 20, 20 e poucos anos. Por isso que o uso recreativo por muito tempo, as pessoas fumando muito, provoca alterações cerebrais, muitas vezes difícil de reverter, porque o cérebro em formação pode sofrer interferência do THC. Então, via de regra, crianças a gente não usa, mas neuropediatras que cuidam de casos mais graves, vejam que na prática, frequentemente, eles acabam usando produtos que não são enriquecidos de THC, mas são produtos que a gente chama de full spectrum, eles tem até 0,2, 0,3% de THC. Quando dizer de muito pequena, só o suficiente pra potencializar o efeito, que a gente chama de efeito enturragem, ou efeito comitiva, mas, se voltar a gente fala assim, via de regra, tratamentos pra criança, a gente prefere produtos 0 THC, então é isolado ou broad spectrum. Entendi. Só pacientes terminais se beneficiam desse tratamento? Eu vou mudar essa pergunta e vou falar, pacientes terminais se beneficiam desse tratamento? Com certeza, e muito, muito, muito, muito. Tanto CBD quanto THC pode contribuir pro tratamento pra controle de sintomas de dor crônica, por exemplo, pacientes com câncer, dor oncológica, pacientes com inapetência sem conseguir comer por tratamentos por câncer ou por quimioterapia, enfim, por qualquer razão, também se beneficia pra ansiedade, insônia, todos os sintomas que são muito frequentes em pessoas com doenças terminais. Então, certamente, cuidando das interações medicamentosas do uso criterioso, assim como a gente faz com todas as pessoas, as pessoas em fase final de vida também tem indicação. Cannabis medicinal é vendida livremente sem receita? Não. Não pode. Se vende com receita, exclusivamente. Usar cannabis prejudica a memória de todos os pacientes? Não. O uso de THC em dose alta pode prejudicar a memória. Mas é aquela diferença lá que a gente já falou, olhos que existem, olhos cheios de THC pra gente que tem dor, por exemplo, mas não é o padrão. Cannabis medicinal substitui qualquer remédio convencional? Não. Definitivamente não, mas alguns a gente consegue, por exemplo, tratamentos pra ansiedade, pra insônia, por exemplo, a gente consegue muitas vezes substituir. Cannabis medicinal é regulamentado no Brasil com autorização da Anvisa? Isso. Pra uso importado e pra uso pra compra importado, mas pra compra também aqui dentro do Brasil, também é regulamentado pela Anvisa, como eu falei, nas farmácias convencionais. Eu acho que esse é ótimo pra gente terminar essa pergunta que é perfeita pra passar um recado. Cada pessoa responde de forma diferente ao tratamento? Sim, como a qualquer tratamento, mas existem padrões que já faz a gente esperar mais ou menos um resultado ou outro. Mas a melhor forma de responder essa pergunta é saber que a dose que cada um toma é muito diferente. Tem pessoas, por exemplo, atendi recentemente um paciente que tá usando quatro gotinhas de THC por dia pra um tratamento, isso equivale a 1,6mg por dia. Eu tenho pacientes que usam 27mg. Então assim, olha a disparidade de 1,5 até 27. Então assim, CBD da mesma forma. Eu tenho pacientes que usam 20mg de CBD e falam já chegou aqui, já tô bem, chegou onde eu precisava. Tem outros que usam 160, 180mg. Então a dose é muito variável, por isso que o uso é muito personalizado e precisa ser, como diz a escola de Israel, a gente costuma falar assim, start low and go slow. Então comece com a dose baixa e suba devagarinho. E ir preferencialmente stay low e mantenha na menor dose necessária pra alcançar os efeitos. Isso se aplica principalmente ao THC, que tem uma margem de segurança menor. O CBD tem uma margem maior, a gente pode usar doses maiores, mas sim, cada pessoa responde diferente, por isso que a dose de cada pessoa costuma ser bem diferente. Doutor, foi um papo tão legal, tão interessante, de verdade, mesmo de coração, que o papo passou rápido. Eu quase não vi o tempo passar, a gente fala uma hora parece muito mais boa. Então eu vou deixar espaço aberto pra quem ficou com alguma dúvida, pra comentar, enfim, eu sei que a sua agenda é difícil, você vem pouco pra São Paulo, inclusive obrigada por ter vindo até aqui conversar com a gente. Mas eu vou deixar espaço aberto também pra se você quiser passar algum site, rede social, o que você achar melhor pra quem quiser te contatar. Se souber de cabeça, pode falar, senão a gente deixa aqui no link. Hoje eu tenho focado muito no treinamento de médicos, eu tenho uma mentoria pra médicos que querem ganhar confiança na prescrição, que principalmente os médicos que são muito responsáveis, são mais preocupados em mudar, fazer uma mudança que muitos consideram drástica na prescrição. Não é tanto assim, mas entendo que isso provoca uma certa insegurança, então essa mentoria visa ajudar os médicos a ganhar confiança pra prescrição, orientações absolutamente práticas sobre o uso como prescrever pros pacientes. E em relação aos pacientes, quem quiser manter contato, falar comigo pelas redes sociais, pelo Instagram por exemplo, a gente pode continuar essa conversa por lá, fico à disposição pra conversar e enfim, disponível também pra algum atendimento eventual. Combinado, então eu vou deixar os links aqui de acesso, pra quem já quiser ir direto aqui da página do YouTube, do vídeo, já consegue acessar as suas redes sociais. Muito obrigada, doutor, até a próxima. Se Deus quiser vai ter pra gente conversar aqui de novo sobre algo relacionado a craves ou não, né? Às vezes surge alguma dúvida, aí vou pedir pro pessoal comentar. Obrigada. Obrigado, Letícia. Um abraço. Obrigada você que acompanhou até aqui o final, não deixe de curtir, comentar e compartilhar que é muito importante pra que a gente continue trazendo os nossos especialistas. Muito obrigada e até a próxima. Tchau.