Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um Amato Cash pelo canal do Instituto Amato. E agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais, falamos sobre mitos e verdades relacionados ao crossfit, um tema muito polêmico, foi muito legal essa conversa. Antes também falamos sobre o uso terapêutico de produtos derivados do cannabis, também um papo muito interessante. Para quem não conseguiu acompanhar, a gente já vai deixar o link aqui para vocês. E hoje, novamente, a gente recebe uma convidada especial, a Mariana Milazotto, que é fisioterapeuta. Já faz um tempo que a gente estava querendo trazê-la aqui de volta para conversar mais um pouquinho sobre esse tema que vocês viram já aí no título, que a gente fala bastante também aqui no Amato Cash, que é lipedema. Só que agora, claro, relacionado à especialidade da Mari. Antes de dar as boas-vindas para ela, eu vou apresentar um pouquinho do currículo da nossa convidada de hoje para vocês poderem conhecê-la melhor. Vamos lá. A Mariana Milazotto é formada pela Universidade Cidade de São Paulo, é Mestre em Ciências Médicas pela USP, Especialista em Aparelho Locomotor pela Unifesp e pós-graduada em Dermatofuncional pela Universidade Anhanguera. É formada pelo Método Europeu para Atendimento de Lipedema, desenvolveu o Método Desvendando o Lipedema e é fisioterapeuta do Instituto Amato desde 2013. Bem-vinda novamente, Mari. Muito obrigada, Letícia. Obrigada pelo convite, mais uma vez, em poder participar e dar tanta informação aí para todo esse público que acompanha a gente no AmatoCast. Já relembro que a gente teve um episódio aqui, para quem é assíduo, acompanha certinho. O primeiro episódio foi também relacionado à lipedema, fisioterapia e lipedema, mas acho que hoje o papo vai ser um pouquinho mais pessoal. Isso que a gente estava falando aqui nos bastidores, trazer uns relatos mesmo de bastidores, o que você consegue perceber na evolução das pacientes. Acho que a gente pode ir por esse lado. E também falar bastante da importância da mudança do hábito de vida, do estilo de vida e da paciente se enxergar como protagonista no processo todo dela de reabilitação. E justamente falando dessa parte do protagonismo da paciente, que as pessoas já devem estar curiosas também para saber o título que eu já deixei aqui, que a gente vai falar sobre um desafio no lipedema. Isso mesmo, um desafio. Sem dar muito spoiler, sem dar muita informação, só para todo mundo entender mais ou menos como vai funcionar. A gente está pensando em desenvolver, na verdade é um projeto que já está quase pronto, de um desafio que a gente vai lançar para as pacientes com lipedema, um desafio para mexer corpo, para trabalhar a mente, para pensar em autocuidado. Vai ser bem legal. Bem interessante. E no outro episódio, eu lembro que você tinha citado que você, apesar de ter essa formação de fisioterapeuta, que é o nome que mais ali, que as pessoas acabam tendo mais conhecimento, você hoje, a sua proximidade mesmo é com lipedema, pacientes de lipedema. É, é isso mesmo. Na verdade, como eu acho que contei para você no episódio anterior, eu tive realmente esse contato mais próximo depois que o Dr. Alexandre voltou da Alemanha, me chamou na sala dele e falou, eu preciso de uma fisioterapeuta do meu lado para cuidar dessas pacientes, vai ser um grande desafio, a gente vai aprender junto. E aí eu falei, não conheço nada sobre isso. Ele, não, mas a gente vai junto. E aí a gente foi trocando artigos, ele foi me ensinando muita coisa e eu fui atendendo as primeiras pacientes e isso já faz oito anos. Então hoje, eu acho que até com o desenvolvimento do método, do desvenda no lipedema e a quantidade de pacientes que já passaram por aqui, tanto no tratamento conservador, quanto no pós-operatório, eu me considero aí uma pessoa, referência mesmo na área da fisioterapia nesse assunto. Com certeza. E eu já tinha deixado uma pergunta aqui que já dá uma explicação sobre isso que você disse, de como que você começou a tratar pacientes com lipedema, essa relação mesmo do Dr. Alexandre Mato, a maioria, todo mundo que está aqui, já escutou pelo menos, já viu algum episódio, a gente sempre deixa também uma playlist para o pessoal acompanhar todos os episódios que envolvem lipedema, então o pessoal já costuma saber. Mas que junta exatamente essas especialidades. Você acha que hoje a fisioterapia tem de fato, você falou sobre o papel da paciente no protagonismo da melhora, do desenvolvimento da situação, mas você acha que hoje a fisioterapia é algo essencial para essa paciente ter uma melhora de fato? Eu acho que é, principalmente quando a gente fala em controle de sintomas, né? Então assim, quando eu deixo a estética um pouco de lado, porque eu falo para todas as pacientes que a estética é uma consequência, então é secundário ao tratamento, mas as pacientes que têm realmente aquela dor ao toque leve, aquela sensação de peso, de cansaço, de inchaço das pernas no final do dia, roxos frequentes devido a essa questão de microangiopatia mesmo, a fisioterapia é uma grande aliada no controle de sintomas. Então quando a gente vai ler até os artigos científicos, mas eu falo muito mais do que os artigos da prática clínica, é muito nítido como é rápida a melhora de sensação de dor e peso nas pernas. É claro que a fisioterapia trabalha junto com uma equipe multidisciplinar, então eu falo isso para todo mundo em todas as aulas, em todas as entrevistas, porque não é a fisioterapia sozinha, assim como não é o médico sozinho, é a nutricionista, é a psicóloga, é o educador físico, é a própria paciente que está aí no centro com as suas demandas, mas sim, a fisioterapia traz essencialmente um grande alívio de sintomas e como consequência depois disso a gente consegue melhorar o aspecto estético das pernas junto com todo o trabalho que essa paciente precisa fazer de mudança de hábito, de estilo de vida, o trabalho com o nutricionista, o trabalho com o educador físico. Então acho que hoje sim a gente pode considerar uma das profissões pilares no tratamento da paciente com lipedema. E essa parte de compundir um pouco das pacientes, a qualidade de vida com a parte estética. A gente que é mulher, a gente sabe que é muito importante para as mulheres também essa parte estética. É um desafio? Você sente que convencer as pacientes de que o bem-estar precisa ser priorizado nesse momento, o que você vê? É um desafio para algumas pacientes que eu tenho a sensação que vem com muita informação errada, porque a gente sabe que hoje tem muita informação rolando na internet, Google, Instagram, enfim, qualquer que seja. E aí surgem protocolos milagrosos, faça tantas sessões do equipamento X e você nunca mais vai ter a celulite do lipedema, né? Então assim, são muitas coisas que surgem e quando essa paciente que vem com essa informação é a paciente que é mais desafiadora para convencer de que a estética é secundária. Mas a maioria das pacientes que eu recebo são pacientes que já vem do doutor Alexandre, do doutor Daniel, do doutor Keller, são pacientes que tem muita consciência de que vamos cuidar dos sintomas, vamos cuidar dos hábitos e que a estética é uma consequência. Então são dois tipos de pacientes que eu recebo, os pacientes que já vêm de consultas prévias com eles, são pacientes que já sabem muito nitidamente que a estética vai ser consequência e que realmente são pacientes que tem muito sintoma e que não estão tão preocupadas com as pernas esteticamente quanto com os sintomas. E as outras que vêm desse mundo de milagres que são vendidos na internet e daí sim, essa a gente precisa ajudá-la a entender que tem outras coisas que vão vir antes da melhora estética. É, porque acaba sendo uma preocupação. Mas é uma preocupação. Mas é, e é assim, todas entendem que é uma consequência e que no fim das contas, tudo se resolve, né? A gente consegue chegar lá. A gente só precisa cuidar de etapas antes, porque a princípio todos os tratamentos estéticos que a gente pensa, como fisioterapeuta, a gente tem muitas artimanhas, a gente tem muitos equipamentos que a gente pode usar, mas todos eles, quando a gente pensa em estética, ou a grande maioria deles, falam em inflamar o tecido pra gerar algum efeito. Então ou vai inflamar o tecido pra dar uma retração de pele, no caso da paciente que é flácida, ou vai inflamar o tecido pra diminuir o tamanho da célula de gordura, ou causar apoptose, que é a quebra da gordura, né? Então eu não posso inflamar um tecido que já tá inflamado. Essa inflamação ela precisa ser controlada. Quando eu aplico um procedimento estético, eu preciso garantir que essa paciente tá com a inflamação controlada pra eu conseguir avançar pra um próximo passo. E aí, vai na contramão também, né? Não adianta ter a beleza e sentir dor, né? Sentir o desconforto, porque eu tenho certeza que também incomodaria tanto quanto, ou até mais, do que uma marca ali que às vezes, de fato, incomoda, mas que com o tempo, como você falou, dá pra ter essa melhora junto, né? E a gente também, quando a gente fala de fisioterapia, pra quem não é do mundo da medicina, vocês que convivem, né, todos os dias nesse assunto, já vem automático na cabeça tudo o que engloba. Mas pra quem é de fora, eu acho que liga a fisioterapia direto à drenagem. Você escuta muito isso também. Acho que é só a drenagem manual ali. E pra lipedema, é muito além disso também. Então, assim, a coisa mais comum que eu recebo é paciente pedindo informação de quanto custa a sessão de drenagem ou quanto custa a sessão de massagem. Então, assim, a pergunta é bom dia, quanto custa a sessão? É sempre assim. E, na verdade, é muito além disso e eu acho que esse é o primeiro momento que você precisa explicar. Oi, tudo bem? A senhora tem uma indicação de fisioterapia? Quem é o médico que te acompanha? Qual o diagnóstico que a senhora tem? Aí, a partir daí, você consegue dizer pra ela quanto custa a sessão de alguma coisa que ela quer. E, principalmente, dizer pra ela que a drenagem, a gente sabe que é um dos pilares do tratamento. Então, assim, hoje nem eu nem a minha equipe, a gente não faz nenhuma sessão que não coloque a mão na paciente. Então, a gente sempre vai tocar na paciente, porque a gente precisa sentir aquela pele, sentir aquela textura. Então, a drenagem faz parte da sessão, mas ela não é só isso. Então, são muitas outras coisas que a gente envolve dentro de uma hora de sessão. Então, é a compressão através de enfaixamento com diversas faixas possíveis que a gente pode utilizar pra trazer conforto, pra diminuir fibrose. É a utilização da bota pneumática que também ajuda muito a diminuir grandes edemas. É a utilização de alguns equipamentos como ondas de choque, como a TECAR terapia. É a utilização de plataforma vibratória. Então, uma sessão pode ter muitas coisas, conforme a avaliação e o planejamento. Mas, sim, a drenagem linfática faz parte da sessão. Mas, quando eu vou valorizar o meu trabalho, eu não falo o preço da drenagem linfática. É o valor da sessão de fisioterapia, que vai ser programada e planejada individualmente pra aquela paciente. É igual quando o paciente também quer saber, tem muito isso hoje, de qual é o preço de uma cirurgia tal. E aí vai, procura às vezes no Instagram do médico, vai na mesma linha. E aí quer saber como se fosse um catálogo mesmo. Só que não existe isso. Cada pessoa... É muito individualizado. Acho que essa analogia da cirurgia é muito legal. Porque, assim, você não sabe o tamanho da perna da pessoa. Por exemplo, pensando numa cirurgia de lipedema. Ou, vai ser só coxa? Ah, vai ser só colote? Ah, não. Vai ser só aquela gordurinha do joelho? Ah, eu vou mexer na perna toda. Quer dizer, tem uma série de coisas. Não dá pro médico, apesar do médico ter uma tabela, a gente também tem, né? Mas a gente tem um planejamento. A gente tem uma programação. Então, é muito além de só drenar a perna da paciente. É, isso é legal. Para as pessoas já esclarecerem isso, né? Porque, igual você falou, realmente, eu imagino que a dúvida seja ali primordial valor, né? Todo mundo quer saber já de cara. Todo mundo. Quantas sessões também pra se planejar? Quanto vai precisar? Isso é uma próxima dúvida. É interessante, porque acho que a gente não tinha falado. Já no começo, você consegue saber quantas sessões aquele paciente vai precisar? Ou você precisa ver como vai evoluir? A gente costuma conversar com as pacientes, primeiro, sobre o compromisso delas com o tratamento. Então, é muito diferente uma paciente que chega pra mim extremamente engajada e realmente falando, vou mudar o estilo de vida, já passei com o nutricionista, já sei qual é a minha alimentação. Essa paciente, ela vai evoluir muito rápido na minha mão e, no geral, ela vai precisar de muito menos sessões do que aquela paciente que ainda tá começando no processo de entender a doença, de entender que ela é protagonista no tratamento. Então, assim, não dá pra dizer sem avaliar a paciente, por exemplo, numa mensagem de WhatsApp, quantas sessões vão ser necessárias. Mas, no geral, com a expertise e com o dia-a-dia, a gente sabe logo na primeira avaliação conversar com a paciente e já planejar, vamos pensar em fazer oito semanas, vamos pensar em fazer dez semanas, a senhora vai precisar duas vezes por semana, a senhora não, a senhora vai fazer uma vez por semana, entendeu? Mas você precisa conhecer e avaliar a paciente, não é um assunto que você manda no WhatsApp sem conhecer, sem avaliar. E isso já responde também uma pergunta que a gente já tava comentando nos bastidores, mas pra que fique mais claro, independente do trabalho do médico, da fisioterapia com você, o que depende mesmo da evolução, o que a evolução que vai determinar, acho que essa é a frase, vai determinar a evolução é o que acontece fora daqui, na casa da pessoa. E a minha pergunta era isso, se o que a pessoa faz ali, se ela vai alterar o resultado que o médico fez, ou que o seu trabalho na fisioterapia, se realmente tem esse papel de controle ali, de direcionamento. Então assim, a gente fala muito quando a gente fala de lipedema em identificar os gatilhos inflamatórios. Então a partir do momento que essa paciente identifica o que inflama as suas pernas, os seus braços, enfim, o que inflama o seu lipedema, fica muito mais fácil se ela sair da linha, ela entender que, puxa, isso aqui, o glúten por exemplo, que é muito comum, que todo mundo fala. Comi ontem, puxa, vou ter mais dor na perna amanhã ou depois da manhã, com certeza, independente de eu ir na maria ou não. Então, sim, é possível a paciente identificar e ela mesma conseguir entender o que ela está fazendo de errado na rotina pra piorar sintomas, por exemplo. Mas, a princípio, ela precisa mais do que isso entender, como eu falei pra você no começo, que ela é protagonista no tratamento. Então ela tem que entender que ela precisa mudar estilo de vida, que ela precisa mudar hábito de vida, que ela precisa mudar alimentação, a maneira dela de pensar, talvez o sono, talvez o controle do estresse. Enfim, são estratégias muitas que precisam mudar pra essa paciente ter sucesso. E se ela tiver uma recaída, quando ela conhece o próprio corpo, quando ela sabe qual é o seu gatilho, ela contorna muito rápido também. Então, às vezes, é uma paciente que está vindo muito bem com você e numa semana específica ela chega muito inflamada. Você toca, você vê que a perna está mais vermelha, que aquele sinal que você encosta, o dedo fica branco, fica mais branco. Aí você fala, nossa, mas o que aconteceu? Letícia, o que você fez? Ai, Mari, essa semana eu tive três aniversários e aí eu comi pizza... Acabou, ela já sabe. Isso que é importante também, que já demonstra essa necessidade do olhar mais calmo e atento da fisioterapia com o paciente ou médico com o paciente, porque às vezes as pessoas sentem, todo mundo comenta, a gente já teve um episódio sobre isso, de sentir falta desse tratamento mais, não sei se seria humanizado a palavra, mas sabe, de você ter um olhar realmente pessoal com aquela pessoa e não só como se fosse uma linha de produção que vai entrar um, sai outro e você nem lembra como estava a pessoa antes ou às vezes, se você começa a conversar, dá abertura para a pessoa contar alguma coisa, você já consegue ter um... Às vezes, entrar num assunto um pouquinho mais pessoal e convencer a pessoa de que vale a pena realmente... Eu acho que criar o vínculo é muito importante. E a gente como fisioterapeuta, você sabe disso, quando você faz a fisioterapia, muitas das vezes você encontra muitas vezes o fisioterapeuta ao longo do processo. E no geral, mais do que qualquer outra profissão, mais do que o nutricionista, mais do que o médico, a gente está vendo muito mais a paciente. Então, o vínculo fica muito mais estreito, às vezes vira até uma sessão de terapia, mas o conhecer individualmente cada paciente, inclusive a história dessa paciente que está por trás da vida dela, não só aquela perna, porque não é só uma perna, faz toda a diferença para o atendimento humanizado e para a fisioterapeuta que quer se diferenciar do que você simplesmente vender um protocolo, colocar a paciente em um monte de equipamentos e só entrar e ligar e desligar, e ligar e desligar o equipamento. É, eu ia usar como exemplo, porque acho que a gente não contou ainda aqui, não contei em nenhum outro episódio. Eu estou fazendo, fiz a cirurgia com o Dr. Fernando, agora com você estou já, já deu um mês? Já, né? Já passou? Nossa, vai ser dois! Verdade, dois meses. E o contato que a gente tem, claro, o contato com o médico, tem esse acompanhamento que às vezes é até sessões juntos ali, todo mundo para decidir o que vai ser feito e tudo, mas o meu contato com você acaba sendo muito mais frequente, de fato, por conta da necessidade ali para o resultado, né? E você, quando percebe que tem algo errado, você tem a obrigação de falar com o médico? Como que funciona isso? Acaba ficando meio ali em cima do murro? E na verdade, eu acho que esse também é um grande diferencial, que é você estar inserida numa equipe que te respeita, né? Porque a sua opinião precisa ser ouvida, e mais do que a sua opinião, as suas impressões, né? Então, assim, a fisioterapeuta que trabalha sozinha, ela não tem tanto sucesso com a paciente ou com os resultados tão rápidos, do que a que está numa equipe que te ouve, que te respeita. Porque qualquer coisa de diferente, principalmente quando a gente falar de pós-operatório, né? O pós-operatório da plástica, ou o pós-operatório do lipedema, a gente está acompanhando ali diariamente, e a gente sabe as complicações que podem acontecer, e muitas das vezes eu tenho indícios de que elas vão acontecer antes delas realmente acontecerem. Então, eu pego precocemente muita coisa, e quando eu tenho acesso muito fácil ao médico, e quando eu tenho um médico que me ouve e que me respeita, é muito mais fácil da gente lidar com complicações antes que elas se compliquem de verdade. Né? Então, isso pra mim, assim, é uma grande vantagem pras meninas que trabalham comigo também, então a gente tem... Eu acho que é uma equipe que está à frente até por conta disso, sabe? Porque o controle em relação, principalmente a pós-operatório, ele é muito grande. Sim. É, eu tô, como eu falei, vendo de perto. E pra você, como que é essa parte até um pouquinho mais pessoal, né? Do vínculo ali que fica depois, você já fez pacientes que viraram amigos, né? Eu sei que tem que ter uma certa... separar, de certa forma, igual o médico, né? Que também não pode ali ultrapassar tanto. Mas às vezes a pessoa até recebe alta de alguma situação e você, pô, sinto até saudade. A gente acabou virando amiga, né? Sim, sim. Nas sessões, mas é comum acontecer isso. É muito. Na verdade, assim, é o que você falou. Durante o atendimento, independente se for amiga, se for parente, se for qualquer coisa, é profissional, né? Você tá ali pra fazer o seu trabalho. Mas sim, eu já criei vínculo com algumas pacientes de frequentar aniversários, de... É normal, né? Porque é muito tempo junto, é muita coisa que a pessoa conta da vida dela, e às vezes a pessoa vem mais vezes, mais tempo, e você já olha pra cara dela e fala, hum, o que aconteceu hoje? Sabe, assim? E a própria pessoa também te conhece e às vezes fala, hum, Mari, você não tá legal hoje, sabe assim? Então, assim, não são todas, mas existe aí esse match com algumas, e acontece de virar amizade mesmo, e muitas amizades vão pra frente, às vezes a paciente tem alta e fica amiga, né? Então acho que isso é super comum, e eu acho muito legal. Eu acho... Fico feliz, assim, né? De muitas pacientes terem virado amigas. É legal até no sentido que a pessoa não vê como algo ruim ali, né? Como vai pro lugar, como, ai, nossa, que droga que eu vou ter que ir, né? Que saco! E aí já vai com aquela coisa mais leve, né? Já... É, eu acho que criar vínculo é o segredo, sabe? Não precisa ser um vínculo íntimo, se você for uma pessoa mais reservada, né? Mas eu acho que ter uma certa proximidade em relação a acolher, até empatia, sabe? Isso faz diferença pra profissional que você vai se tornar também. E você sente que esse toque da fisioterapia até consegue ter um impacto mais na parte emocional mesmo, né? Porque, ai, claro, os médicos, principalmente os daqui, né? Eles têm já muito isso de... Não é porque a gente tá falando que... Como se fosse uma publicidade, propaganda, nada, não. Mas realmente já tem essa proximidade a mais, né? Essa preocupação de saber se a pessoa tá bem, de fato, saber se tá acontecendo algo na vida, como você citou. Mas você consegue... Imagino que até tenha relatos, assim, de trazer essa parte recuperada, o emocional mesmo daquela mulher, né? De ver uma evolução dela se sentir melhor, tanto dos alívios dos sintomas, como também uma parte estética. Se sentir mais mulher, né? Isso é super, super comum. Acho que um dos maiores relatos, assim, não relacionados à parte física, é justamente esse encontrar esse equilíbrio emocional, encontrar o dentro de si e ter se tornado uma pessoa diferente, né? Então, esse equilíbrio entre corpo e mente, ele é muito importante pro sucesso do tratamento. A paciente precisa entender isso, e eu acho, sim, que a fisioterapia é um grande aliado até nesse sentido, assim, de ajudar a paciente a encontrar esse equilíbrio. Até porque muitas vezes a gente ouve muitas histórias, e aí você acaba contando pra uma paciente, óbvio, sem identificar a outra, mas o relato de outra, e assim, ó, você não tá sozinha, isso acontece com todo mundo, né? Então, assim, deixa ela mais próxima do problema, mas ajuda também ela a resolver muitas das questões, né? Então, eu acho que é muito legal, assim, é muito mais do que só o toque físico, né? Sim, e trazer essa responsabilidade de consciência, né? Que eu acho que acaba sendo a base, independente desses que a gente tá falando de ser multidisciplinar ali, mas da pessoa com ela, né? De ter essa consciência do que realmente... Porque você não tá enganando o médico, né? Você não tá enganando a fisioterapeuta, porque às vezes tem muito essa cabeça, né? Eu já tive essa cabeça até de, por exemplo, ah, eu passava no nutricionista, imagino que muita gente vai se identificar, e aí você fala, ah, eu vou comer escondido, não vou contar pra nutricionista, e vou torcer pra ele não perceber ali na hora da consulta, né? Na balança, seja o que for. Mas aí, na verdade, você tá se enganando, né? E acho que no Lipedema isso também acaba se a pessoa não mudar realmente a prática ali, né? O dia a dia mesmo, ela com ela própria. É isso. Não adianta tentar enganar você na fisioterapia, tentar enganar o doutor Alexandre, seja quem for que tá envolvido nisso. É, é, por isso que o doutor Alexandre fala muito da beleza do Lipedema também, porque é um encontro de você com você mesma, né? É você encarar aquilo de uma maneira diferente. É você enxergar o seu corpo e a sua condição de uma maneira diferente, e se mostrar para o mundo de maneira diferente. Então, aquela mulher que, de repente, morria de vergonha disso, ou daquilo, ou do marido, ou das pernas, ou de usar um biquíni, de repente, hoje ela tá encarando a situação de uma outra maneira. Então, eu acho que é muito o encontrar dentro de você, sabe? Agora, desafio no Lipedema. O que você pode já adiantar pra gente? O que você pode falar? Como é que vai funcionar? E adianto também a pergunta, né? Como a gente disse, é de pessoa pra pessoa, né? Ali é um desafio pro que serve pra aquela pessoa, e não um desafio geral. Então, o que a gente tá pensando dentro do desafio, né? A gente fala muito em, precisa mudar hábito de vida, precisa mudar estilo de vida, né? Mas como que a gente vai ajudar essa mulher a fazer isso? Então, assim, a maioria dos estudos fala que pro seu corpo entender que você mudou, e que você tá se exercitando, e que pra você começar a gostar daquilo, a gente demora aí entre 60 e 200 dias, né? Mas enfim, vamos falar aí de uma média de 60 dias. Então, a gente também já tem que tomar um pouco de cuidado com os desafios dos 21 dias, que tá meio na moda, mas assim, o corpo demora um pouco mais de tempo pra se acostumar nessa mudança do hábito. E aí, a gente vai lançar um desafio de mais ou menos 60 dias de movimento. Então, assim, é colocar o corpo em movimento. Então, uma série de coisas que a gente pode listar pra essa mulher começar a se movimentar, mas também um cuidado com a mente. Então, a gente vai trazer aí algumas opções de meditação, de respiração profunda, de olhar pro seu interior. Então, seria mais um gerenciamento de estresse e controle da mente. E técnicas de autocuidado. Então, como que você pode cuidar do seu próprio corpo, seja através de escovação a seco, seja através de autodrenagem, seja através de exercícios muito básicos e específicos pra algumas musculaturas da perna. Então, esse desafio vai ser uma triade de movimento, mente e autocuidado de mais ou menos 60 dias. Então, a gente vai trazer um aplicativo, essas mulheres vão se cadastrar e aí a gente vai fazendo meio que uma competição interna. É claro que não precisa pôr o próprio nome, se não quiser. Mas seria um desafio. Você já foi na academia? Algumas academias que tem o aplicativo lá da academia e tem os rankings. É mais ou menos isso. É um desafio de você com você mesma pra você tentar durante 60 dias ininterruptos fazer algo por você. Sabe? Então, é mais ou menos isso, assim, pra reservar alguns minutos do dia pra cuidar de você, cuidar do seu corpo, cuidar da sua mente. Enfim, a gente cuida, às vezes, principalmente a mulher, a mulher que é mãe, ou que é filha, que tem pais que precisam, ou a que se dedica muito ao trabalho. A gente sempre tá cuidando de alguém e de alguma coisa. E muitas esquecem do próprio cuidado. Então, vai ser um desafio bem legal, assim, o doutor Alexandre também vai se envolver junto com a gente pra fazer essa mulher ter a consciência de que ela precisa olhar pra si. E, igual você falou, dá pra definir o prazo que aquilo vai, de fato, entrar na rotina, né, se serão os 60 dias. Mas já ajuda, já é um caminho, né? E pra pessoa enxergar que, olha, conseguir, às vezes, teve altos e baixos ali em tantos momentos, né, da vida que não conseguia seguir certinho, aí já anima também e continua depois. E é uma coisa que, assim, os estudos revelam que quando você muda o hábito por esse determinado tempo, o seu corpo começa a ter aquela necessidade, né? Então, você começa a fazer de uma maneira muito mais prazerosa e acaba entrando na rotina assim como tomar banho, assim como se alimentar, entendeu? Porque não vão ser coisas muito específicas e difíceis que vão exigir que você coloque uma roupa, que você saia e vá pra academia, entendeu? A gente vai trazer pequenas mudanças de rotina. Sim, e a pessoa começa a ver resultados e também anima, né? É isso. Tanto no bem-estar ali, né? Eu acho que mais do que resultado físico, porque o objetivo não vai ser só pensar no bem-estar, é na qualidade de vida, é na disposição, sabe? E uma frase que eu escutei uma vez, eu não lembro quem falou, mas foi em algum momento aqui dos episódios que a gente estava fazendo e aquilo ficou na minha cabeça de um jeito que até hoje fez virar a chave que pode ser que seja útil pra alguém, você pode comentar também. Se a gente for colocar como um detalhe, né, na rotina, um exercício, seja o que for, igual você falou, não necessariamente ir pra academia, mas ter esse cuidado, se a gente for pensar de que é um luxo do dia, a gente não vai fazer nunca, porque todos os dias tem alguma prioridade, surge algum imprevisto, surge alguma correria ou trânsito do dia, só que se a gente pensar como algo essencial, como é dormir, tomar banho, escovar os dentes, ninguém fica um dia sem dormir, um dia sem escovar os dentes, não deveria ficar, né? Sem comer, sem tomar água, se a pessoa tem essa cabeça de faz parte ali do que eu vou fazer, o que eu preciso fazer, independente se faça chuva, faça sol, e aí você já consegue mudar a cabeça, eu acho que foi uma coisa que me ajudou ter esse pensamento, talvez ajude também quem está acompanhando. É isso, é bem isso, tem gente que às vezes acorda 20 minutos antes pra meditar, ou acorda 20 minutos antes pra orar, ou na hora de acordar é muito corrido, mas então antes de dormir, sei lá, entendeu? É ajudar a criar estratégias pra olhar mais pra si, em relação a cuidado mesmo, cuidar do corpo e da mente, sabe? Legal, e como que surgiu essa ideia de fazer o desafio você com o doutorado de cinema? Foi, foi muito engraçado, porque a gente estava, a gente foi convidado pra participar de um programa de TV, e nós fomos juntos no carro, era um lugar um pouco longe, e a gente foi conversando, e ele me contou que ele estava participando de um desafio de médicos vasculares, então é algo um pouco parecido, mas é um grupo só de médicos vasculares, e aí eles iam rankeando o que cada um fazia no dia, e tal, e aí eu falei, nossa, vamos pensar nas pacientes com lipedema, nossa, vamos, daí ele me deu o nome do aplicativo, a gente começou a pesquisar, eu pesquisei, baixei o aplicativo, então assim, eu estou terminando de desenvolver, provavelmente lá pelo dia 14 ou 15 de outubro, a gente já consegue ter isso mais estruturado, então... Às vezes até aí ao ar a gente até já colocou o link aqui. Exatamente, mas assim, com certeza vai pra rede social, e as pacientes vão ficar sabendo, é pra ser uma coisa divertida, sabe, pra as pacientes, enfim, qualquer pessoa que quiser participar, mas o foco vai ser mais pro lipedema, porque a gente vai trazer mais direcionado pra isso, né. Tá, é, também eu já não posso deixar de te perguntar sobre essa parte de acesso, né, algo que a gente não citou no outro, que me veio na cabeça agora, o aplicativo a gente falou de uma forma de até fazer essa, dar um efeito de animar mesmo as pessoas ali, né, pra seguir, pra enfim se sentir melhor. Muitas pessoas acabam não tendo acesso né, às melhores fisioterapias ou sei lá, aos melhores equipamentos, queria te perguntar se você acha que depende de fato um pouco disso, de ter acesso a essas coisas, né, aos aparelhos que vão ajudar nisso, ou se a pessoa consegue de alguma forma o sucesso do tratamento de lipedema. Acho que você até citou agora, por exemplo, de fazer esperar 20 minutos no dia pra fazer algo em casa, já é uma forma de você seguir melhorar, mas assim, tem como a pessoa fazer ali, quem não tem mesmo a possibilidade de estar em um dos melhores médicos, ou das melhores fisioterapias? É, eu acho que assim, existe a possibilidade se essa pessoa encarar a necessidade de que ela precisa mudar hábito, então precisa mudar a maneira como ela se alimenta, então açúcar embutido, álcool, leite e glúten, por exemplo, né, então são os 5 principais vilões, que de repente a pessoa pode começar tirando 2 ou 3 definitivamente, e aí você não tem como ir pra academia fazer um crossfit, fazer um pilates, que custa dinheiro, mas você consegue caminhar, e aí você vai começar a fazer alguns trajetos que você fazia de ônibus ou de carro andando, ou no prédio onde você mora, ao invés de sempre pegar o elevador, você vai subir ou descer x lances de escada, são coisas que não vão custar dinheiro, né, e aí a gente pensa, ah, eu tenho um pouco mais de acesso, de repente no meu prédio tem uma piscina, mas eu nunca desci porque eu tenho preguiça, e eu não sei nadar, ah, mas a piscina dá pé pra mim, ah, vamos caminhar dentro da água, só andar dentro da água, ou ah, eu vou começar a usar uma leg em uma calça de compressão, porque eu sei que a compressão vai me ajudar a diminuir edema, vai me ajudar a diminuir, então, ah, não posso investir na fisioterapia, mas eu vou investir na compressão, e assim você vai ajustando, é possível, sim, quem não tem tanto acesso aos melhores, também ter um tratamento digno. Hoje, como que funciona essa parte de fisioterapia, por exemplo, no sistema único de saúde, existe algo nesse sentido ainda? Ainda, para o lipedema, é um grande desafio, muitas discussões, o lipedema foi incluído no CID, que é a classificação internacional de doenças, relativamente recentemente, então ainda tem muitas discussões em relação à cobertura de convênios, as pacientes que tem convênio também não conseguem cobertura, e cobertura do SUS, mas eu tenho a sensação de que existe um movimento de que isso logo vai mudar. Como que você enxerga assim? Muita gente grande que está se envolvendo em mudança de políticas, e eu acho que em breve isso pode mudar sim, assim como quem tem câncer ter acesso ao tratamento, então eu acredito muito nisso. Eu comentei no último episódio sobre lipedema, que foi com o Dr. Alexandre Mato, que a gente avalia que as pessoas falam muito mais de lipedema hoje, eu pelo menos tive uma sensação que seu um absurdo nas redes sociais, na minha faixa etária, eu não tinha escutado falar de lipedema antes de, acho que faz uns 2 ou 3 anos que eu já vi muito assim, tem trends que envolvem ver se a pessoa tem ou não sinais de lipedema, enfim, só que tem muita coisa ruim também, na internet nem tudo como você falou, às vezes as pessoas acabam, inclusive antes da gente ir para os mitos e verdades, já é um mito ou verdade, tem algo que as pessoas chegam para você e falando assim, não, eu já ouvi que isso faz bem, que é a maior mentira que você já viu, por exemplo, até de exercício a gente já tinha falado, tem alguns tipos de exercícios que podem piorar, não são todos que ajudam, mas tem algo nesse sentido que todo mundo acredita que ajuda ou é uma verdade achada? O creminho que viu na internet que acaba com o lipedema em 8 dias, sabe essas coisas? Existe, tem muita paciente, eu recebo muito das pacientes assim, print do produto e aí você conhece esse, é verdade que ele faz tudo isso, aí eu só olho, não conheço, sabe? Porque o céu é limite, nesse universo as causas que prometem mundos e fundos em relação a celulite, por exemplo, então assim, existem muitos mitos, de muitos os comprimidos, as cápsulas de não vou falar o nome das coisas, mas as cápsulas de alguma coisa que... Milagrosas, pode ser milagrosas. É isso. Que milagre não tem nada, trava-línguas. É isso. Então agora eu vou trazer aqui um pouquinho dos mitos e verdades que acho que no último episódio a gente já fez, né? Perguntas que as pessoas fizeram na internet sobre esse tema, estão no Trend Topics, e aí você fala a sua opinião, se você acha que é verdade, mentira, também pode justificar o porquê. Deixa eu só ver o primeiro aqui. Bom, ah, esse daqui que a gente falou, a fisioterapia serve apenas para a drenagem linfática no lipedema? É, né? Acho que eu só vou mudar então a pergunta pra adaptar. Tá. É drenagem linfática mesmo que é utilizada no lipedema, ou tem outro tipo de drenagem? Tá. Se a gente for falar em verdade, sim. É a drenagem linfática, então a gente tá falando de uma massagem suave, uma massagem que precisa ter uma pressão específica e essa pressão não é alta, justamente pra eu não colabar aos vasos linfáticos e permitir que esse fluxo linfático aconteça e diminua realmente o edema, que é o excesso de líquido e proteínas entre as células. Então, se você falar em massagem, sim, é verdade, é drenagem linfática a massagem ideal. É, muita gente já vai com esse medo, né, de sentir dor ali no momento da... Nossa, que eu ouço história de paciente que ai, mas eu fui numa sessão de drenagem e eu saí roxa. Eu falo, então, mas isso não foi drenagem, né? Se você saiu roxa é porque doeu, é porque teve lesão capilar. Então, a pressão foi em excesso, não era drenagem linfática. Podia ser qualquer outra coisa, massagem modeladora, bambu, enfim. Entendi. Liberação miofacial, mas não drenagem linfática. Agora, quando a pessoa fez uma cirurgia, como foi o meu caso, por exemplo, aí é normal por conta do procedimento, aquela... Ah, sim. Não tem como falar que não vai ter a dor ali na drenagem. É, a drenagem de pós-operatório, ela pode ser um pouco mais dolorida, porque você tem processo inflamatório importante no lugar onde foi feita a cirurgia. Mas não é uma massagem que porque eu fiz, você vai ficar mais roxa. Pelo contrário, eu tô eliminando o excesso de edema e hematoma e não te deixando mais roxa. Você só tá com o tecido mais sensível. Entendi, ou com mais dor, né? Isso. Tá. A paciente com nipedema não deve fazer exercícios físicos? Eu já vou complementar a pergunta com a fisioterapia, né, unindo com a fisioterapia ou antes ou depois da fisioterapia intercalando. Pode fazer ou não? Ela não deve fazer? Não, ela deve fazer, né? Então, o exercício físico é essencial. A gente precisa preparar articulação, a gente precisa ganhar força da musculatura e a partir do momento que essa paciente começa a desinflamar, essa gordura começa a ficar mais mole, a flacidez começa a incomodar um pouco mais e aí ela começa a conseguir também ganhar um pouco mais de massa muscular. Então, é o momento de intensificar o fortalecimento até pra preencher os espaços. Perde gordura, ganha músculo, né? Legal. Agora, nipedema e linfedema são tratados da mesma forma na fisioterapia? Tem um vídeo, inclusive, que você fez nas redes sociais. É, que eu fiz. O que é nipedema? O nipedema e o linfedema são coisas diferentes, né? Então, o linfedema é justamente uma doença do sistema linfático ou uma lesão, ou por uma lesão, por um trauma, existe um comprometimento anatômico do sistema linfático, que no nipedema a gente tem um comprometimento funcional, não necessariamente uma lesão. Então, assim como doenças diferentes, o tratamento também é diferente, tá? A drenagem linfática manual pode ser feita todos os dias? Lê, a drenagem linfática manual, ela pode, mas não é necessário quando eu não tô falando de pós-operatório, tá? Quando eu tô falando de um tratamento conservador. Por quê? A gente sabe que os efeitos da drenagem no organismo, eles podem durar até 72 horas. Então, na teoria, eu faço um dia e eu posso pular dois pra fazer de novo, né? As pacientes, às vezes, tem paciente que vem uma vez por semana e tem uma série de outras coisas que elas podem fazer em casa pra cuidar do sistema linfático. Então, quando eu tô falando de tratamento conservador, totalmente diferente do pós-operatório, não preciso fazer drenagem linfática todos os dias. Isso é um mito, quem falar que precisa drenar todo dia. Entendi. Se a pessoa quiser, tem algo que pode dar um efeito contrário, por exemplo, fazer demais pode também levar ao problema? Não, mas o sistema, ele não vai conseguir responder na mesma intensidade e velocidade que você for fazendo. Vai ser descartável. Entendi. Não vai nem ajudar, nem... Você precisa dar o tempo pro seu corpo fazer ter a resposta, né? Tá, o estímulo. Tá. O fisioterapeuta pode identificar sinais precoces de lipedema? Sim. Eu falo pra todo mundo que a fisioterapia não é a profissão que diagnostica, né? Então, eu normalmente recebo do médico que foi quem diagnosticou. Mas um fisioterapeuta bem treinado, expert que entende do assunto, ele consegue sim identificar sinais precoces do lipedema e muitas vezes direcionar. É muito comum eu receber uma paciente com queixa ortopédica, com queixa de coluna e ela tem sinais clássicos de lipedema. E aí, eu vou conversando com ela sobre isso, apesar de eu estar tratando outra queixa. E aí, essa paciente pode ser direcionada por exemplo, pra um tratamento, pode ser direcionada pra um médico. Então, eu consigo identificar precocemente sim. O fisioterapeuta deve adaptar o plano de tratamento conforme o ciclo hormonal da paciente? Então, é... Todo mundo fala que o hormônio é um grande vilão do lipedema. Mas na verdade é... Alguns gatilhos ou algumas fases hormonais da vida da mulher podem ter sido gatilho pro lipedema, né? É claro que a gente sabe que no período pré-menstrual a mulher, ela vai estar um pouco mais inchada, ela vai estar com um pouco mais de dor. Então, pensando nessa fase hormonal, sim eu posso adaptar o meu tratamento. Mas pensando em... Ah, essa mulher, ela tá na menopausa. Vai ser de uma maneira. Ah, essa mulher tá grávida. Vai ser de outra maneira. Ah, essa menina acabou de ficar menstruada. Também. Então, eu posso sim direcionar o meu tratamento pensando na fase hormonal que essa mulher se encontra. Mas não é a fase hormonal que vai determinar o meu tratamento. Entendi. Agora a última pergunta, o desafio do lipedema será um processo de autoconhecimento? Sem dúvida. E aí, eu queria aproveitar porque além do desafio do lipedema, que ele vai chamar de bem com o meu lipedema, a gente criou um evento que chama de bem com o meu lipedema. Olha o spoiler, mais um. Ele vai acontecer aqui em São Paulo, vai acontecer no dia 6 de dezembro, é num espaço super legal aqui em Pinheiros, que oferece alimentação glúten free vegana, totalmente preparada pra essas pacientes. E vai ser um dia justamente de autoconhecimento, vivências muitas informações então a gente trouxe pessoas muito legais. Então esse evento de bem com o meu lipedema que acontece dia 6 de dezembro, ele tá vinculado de alguma maneira ao desafio de bem com o meu lipedema. E aí é o grande propósito de justamente ser muito mais do que só fisioterapia. De realmente transformar a vida, de realmente ser o propósito pra muitas mulheres. Esse foi um mega spoiler, já é pra o pessoal deixar na agenda, já anotado na agenda pra separar o dia e já baixar pra fazer o desafio. E o evento que é do dia 6 é www.debemcomomeulipedema.com.br Combinadíssimo, vou deixar o link e vou deixar também das suas redes sociais, vou pedir pra você deixar aqui o que você prefere, que o pessoal te procure, você abre caixinha de perguntas de vez em quando. Enfim, pra alguém que queira te procurar, pode passar. Arroba Mariana Milazotto com dois Z's e dois T's. M-I-L-A-Z-Z-O-T-T-O e o YouTube também, Mariana Milazotto. Tá bom, de qualquer forma a gente vai deixar os links aqui pra quem quiser acessar o nosso episódio anterior. Muito obrigada, Mari, pelo papo esclarecedor. Mais uma vez, o tempo sempre passa muito rápido, né, quando a gente tá conversando. Eu vou deixar o espaço também pra quem ficou com alguma dúvida, queira que a gente te traga aqui de novo, né, pra falar sobre esse tema, ou algum outro que envolva aí a fisioterapia. São sempre bem-vindas às sugestões, podem deixar aqui no comentário que a gente tá sempre acompanhando. Mais uma vez, muito obrigada, Mari. Até a próxima. Vou aproveitar e agradecer o nosso patrocinador aqui do Amatocast, quem já acompanha há bastante tempo sabe, quem tá chegando agora, a gente tem um patrocínio aqui, que é do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco da Origem é qualidade de vida e prevenção. Muito obrigada e até a próxima. Não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante pra que a gente continue trazendo os nossos especialistas em saúde, em qualidade de vida, seja o que for. Obrigada e até a próxima. Tchau!