Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais, falamos sobre a relação da fisioterapia com o lipedema, antes sobre mitos e verdades relacionados ao crossfit. Foi um papo polêmico, a gente já vai deixar o link aqui para quem não acompanhou esses últimos para que vocês possam assistir e não perca a nossa playlist. Então hoje a gente recebe novamente dois convidados especiais, vocês já viram aí no título que hoje o tema é lipedema novamente, só que voltado ao lipecurso e vocês também daqui a pouco já vão entender o que é o lipecurso, como funciona, todos os detalhes. Então já vou apresentar aqui os nossos convidados especiais antes de dar as boas-vindas a eles. O doutor Daniel Benite é médico formado pela USP, com residência em cirurgia vascular e endovascular no Hospital das Clínicas. É referência nacional e internacional no tratamento do lipedema, sendo fundador da Associação Brasileira de Lipedema e professor do primeiro curso brasileiro sobre o tema voltado exclusivamente a médicos. É também autor de diversos artigos científicos e capítulos de livros, além de membro de sociedades médicas brasileiras e internacionais. O professor doutor Alexandre Amato é médico em cirurgião vascular e endovascular do Instituto Amato. O especialista é doutor em ciências pela Universidade de São Paulo. Atualmente faz pesquisa científica em lipedema e é presidente da Associação Brasileira de Lipedema. Além disso, é autor de diversos livros sobre saúde. Bem-vindos. Obrigado. Super feliz de estar aqui de novo. Foi um encontro histórico, né? A gente já tem que contar esse bastidor, que foi difícil unir aqui. Difícil juntar. Não é fácil. Exatamente. A gente trabalha junto, mas não é fácil juntar. Exato. E, aliás, já começo perguntando como que vocês se conheceram? Há quanto tempo vocês trabalham juntos? Conta aí pra gente um pouquinho dos bastidores dessa amizade. Porque são dois cirurgiões vasculares, tem essa dúvida, né? É interessante. A gente se conheceu antes da cirurgia vascular. Eu já tinha feito cirurgia geral e tinha entrado na aeronáutica como médico especialista. E o Benito entrou antes da cirurgia geral. É isso, né? A gente se conheceu em 2005, na aeronáutica. E, logo depois, eu fui fazer cirurgia geral, ele foi fazer cirurgia vascular. E aí a gente foi se cruzar de novo no aeroporto, indo pra Itália. Nossa! Em 2010. Olha, é uma coincidência enorme. Eu tava indo pra conhecer alguns serviços, acompanhar algumas cirurgias na Itália. Ele tava indo pra um hospital que ele já fazia um fellow, que seria um aprimoramento. E, na época, tava começando a ideia de um programa de visualização de imagem médica que se chamava Osírix. E a intenção era fazer um curso aqui no Brasil sobre o Osírix. E a gente se encontrou no aeroporto. Estávamos no mesmo voo, mas indo pra lugares diferentes da Itália. Mas, no final, a gente tava indo pro mesmo congresso. Aqui também tinha uma parte só de discussão do Osírix. E ele tava em conjunto com a Universidade de São Rafael de Milão, fazendo o projeto lá de Osírix. Chegou a ter publicação científica sobre o assunto. E, quando a gente voltou pro Brasil, a gente falou, vamos então fazer o curso juntos? Vamos! E teve mais, né? Pra não perder a ideia, que é um negócio de convite de brasileiro, né? Passa lá em casa depois, né? Uma ou duas semanas depois, eu tava indo pra um curso em Londrina. Eu entrei no avião. E quem que tava sentado do meu lado? Ele! E não foi nada combinado. Foi o destino. A gente tem que continuar a ideia do avião anterior, né? E a gente também se encontrou em elevador de hospital, que é a coisa mais difícil do mundo. E, nesse voo, foi uma coisa muito engraçada, porque era pra eu estar em Maringá. Mas não é um problema, eu tive que ir pra Londrina. Olha! Aí a gente falou, é pra acontecer. E, desde então, a gente trabalha juntos. E uma coisa legal do curso do Osírix, é que tem uma geração inteira de cirurgião vascular no Brasil, que passou por nosso treinamento. Tem o artigo. Quem sabe fazer planejamento vascular, ou aprendeu conosco, ou aprendeu com alguém que aprendeu conosco. Certeza. Foi uma coisa disruptiva, porque foi o planejamento da cirurgia endovascular, lá, 15 anos atrás, que ninguém sabia fazer na época. A gente ensinou uma geração inteira. E tem até o artigo do impacto do curso na vida do cirurgião vascular. E foi bem legal. Que legal. E eu ia até perguntar isso, porque, às vezes, até na minha área, falando do jornalismo, quando são pessoas que são referências no assunto, às vezes existem atritos, às vezes uma certa inimizade. E vocês trouxeram... Agora vocês trabalham muito juntos, né? E também, agora, o lipecurso, os dois que estão fazendo... Uma coisa interessante disso que você falou, é que a gente trabalha junto, e não necessariamente a gente pensa igual. Mas a gente respeita o pensamento do outro. Por mais que eu não concorde com 100% do que ele fala, e com certeza ele não concorda com 100% do que eu falo, eu dou margem para ouvir o que ele tem para falar. E, às vezes, mudar ou adaptar o meu pensamento à ideia dele. Então, é uma coisa legal, porque um puxa o outro, né? A gente não fica parado. As pessoas hoje têm uma dificuldade muito grande de conversar com alguém que pensa diferente. Eu falo, gente, não tem nada melhor do que pensar... Conversar com alguém que pensa diferente de você. Porque você vai ver um ponto de vista diferente da mesma coisa que você está olhando, mas com um raciocínio diferente. E isso, às vezes, faz você subir um nível. Ele é palmeirense, eu sou corintiano, e está tudo bem. As pessoas hoje têm uma dificuldade nisso. E, às vezes, uma coisa que você pode achar ridícula, às vezes, para o outro não é. E, na hora que você olha o outro ponto de vista, você fala, nossa, ele está certo e, na verdade, eu estou errado. E isso só vai multiplicando. É dividir conhecimento e, no final, multiplicar o resultado. Acho que é resultado um pouco da polarização da política atual. As pessoas colocam a bandeirinha em um ponto e falam não quero mais saber do resto. E ponto final, eu estou certo e não quero mais saber. Eu tinha muita dificuldade, quando bem jovem, de entender esse negócio de esquerda e direita. Porque eu tinha minhas opiniões, mas eu não conseguia colocar de um lado no outro. E hoje parece que é tudo tão claro o que é da esquerda, o que é da direita. O problema da polarização é esse. As pessoas param de pensar no... param de colocar o sapato do outro para entender o que está acontecendo do outro lado. Sim. E vocês, nessa parte de lipedema, vocês têm muitas ideias diferentes? Como é que foi? Até para desenvolver o curso, né? Putz, tem várias histórias interessantes. Eu lembro que o dia que eu cheguei e falei eu acho que a alimentação tem tudo a ver com o lipedema. Ele saiu falando, esse cara está doido. Mas eu não falei isso para ele na época. Eu achei uma loucura. Falei, gente, que absurdo o que ele está pensando. Mas quando alguém fala uma coisa diferente do que eu penso, eu fico quieto. E, logicamente, ele estava certo. A gente viu esse desenrolar. Mas eu, lá atrás, não valorizava a alimentação como eu valorizo hoje em dia. Não valorizava. Entendi. E você não imaginava que teria hoje até algo tão... Chegar até o lipecurso, por exemplo, vocês juntos, assim, com essa coisa, né? O lipecurso, a gente sempre gostou de dar aula junto. A gente começou com o curso de Osiris em 2010. A gente foi uma geração inteira. E foram quase 10 anos de curso Osiris. A gente chegou a fazer a parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular. E a gente sempre teve essa vontade de ensinar aos outros aquilo que a gente sabe. Muitas vezes, a minha formação, assim, foi de não compartilhar conhecimento. Eles não ensinavam a gente. Não ensinavam. Ensinava mais ou menos a operar, ensinava quase nada da parte clínica, e muito a gente aprendeu sozinho. E na hora que você ensina o outro, na verdade, você está aprendendo mais. E você está multiplicando o seu conhecimento. Isso, pelo menos para mim, não tem preço. Tem um provérbio árabe que eu gosto muito. Quem tem um pão e troca com o outro, fica com um pão. Quem tem uma ideia e troca com o outro, fica com duas ideias. Então, o compartilhamento de conhecimento é onde a gente cresce mais. Sim. E agora vocês decidiram colocar... Agora não, né? A gente até está falando dos bastidores. Parece que é uma coisa... Já foi o curso mais... Eu queria que vocês contassem um pouco da origem que a gente estava contando aqui antes de começar a gravar. Que foi o primeiro curso, é isso? Primeiro curso de... Voltado ao Lipedema. Todo mundo estava discutindo ainda. Ah, o Lipedema existe, não existe. Existe, não existe. E a gente já estava ensinando o tratamento. Eu lembro que me chamaram para um congresso que era uma discussão de dois lados. E eu ia ter que viajar. Eu não lembro exatamente onde era. Acho que era Campos de Jordão. E a ideia era colocar lados opostos de novo. Lados opostos. Um falando que o Lipedema existe. E o outro discutindo com argumentação de que o Lipedema não existe. Eu virei e falei assim... Obrigado pelo convite. Mas eu já estou numa fase de discutir tratamento. Vocês estão querendo falar se existe ou não existe? Não dá, né? Vamos passar essa fase. Só que ainda levou anos desse evento para a gente parar de discutir se existe ou não existe. Hoje em dia ainda tem um ou outro que fala Ah, isso é doença da moda. E quando a gente foi para a Alemanha em 2017 onde a gente aprendeu a fazer a lipoaspiração porque é onde mais fazia no mundo. Há mais tempo, na época, a gente foi aprender com o Stephan Rapprist, que já operava Lipedema há 20 anos. Só que a maioria da publicação dele era em alemão. Então muita gente não tinha acesso a isso. Mas a gente foi lá, aprendeu com ele. E quando a gente falou que tratava clinicamente Lipedema ele falou impossível, não tem como tratar. E aí quando a gente voltou, a gente falou a gente precisa divulgar mais sobre o tratamento. E aí foi até essa necessidade de ensinar os outros que a gente fez o lipecurso na pandemia. Em 2020, tinha muita gente perguntando pra gente vocês precisam ensinar a gente, vocês precisam ensinar a gente e o primeiro lipecurso foi de máscara. A gente fez o primeiro curso de máscara. O interesse era tão grande que a gente encheu que era a quantidade que a gente queria sempre um grupo fechado pra ensinar porque é muito disruptivo. A gente ensinou todo mundo de máscara. Foi bem desconfortável ficar falando um dia inteiro de máscara. Mas o nosso primeiro lipecurso lá em 2020 no início da pandemia, logo depois que começou a imunização foi todo mundo de máscara. E qual foi o intervalo de um pra outro? Foi em 2020 então o primeiro, né? Foi o ano que começou a pandemia? A gente fez o primeiro em 2020 depois a gente fez um logo em seguida porque tinha muita gente querendo mas eu acho que é interessante que esses cursos para os médicos a gente chamou de lipecurso 1, 2 e 3 não porque teve 3 cursos mas porque teve 3 grandes mudanças radicais na nossa visão do lipedema. Foi pela necessidade de atualizar isso. Foi pela necessidade de atualização. Até quem fez os primeiros cursos não tem a visão que a gente tem hoje a não ser que tenha continuado estudando desenvolvendo de alguma forma esse assunto. Acho que a gente fez uma média de uns 3, 4 cursos por ano. Nossa, bastante! Mas esse de 2025 acaba sendo o primeiro do ano. Em 2025 teve o primeiro agora mas porque a gente fez o congresso. A gente queria muito fazer um congresso grande para um monte de gente e foi um sucesso. Foi muito bom, foi muito legal. A gente recebeu gente do Brasil inteiro. Foi realmente não só disruptivo mas foi muito legal ver a quantidade de gente que está mergulhando no assunto e querendo desenvolver isso no Brasil. Entendi. E agora vocês falaram bastante de novidade de trazer essas atualizações quando tem o lipecurso. E agora o que a gente pode esperar para esse já que teve essa necessidade de atualização? O que mais que vocês vão focar? Qual é o tema principal? O lipecurso começou porque a gente estava com uma demanda, uma lista de espera de mais de 300 pessoas querendo fazer o lipecurso presencial. E a gente falou que precisa gravar o curso. A gente fez em estúdio para ficar com áudio bom com todos os slides disponíveis para a pessoa também conseguir acompanhar de casa. Porque a gente tinha uma demanda reprimida muito grande um aumento da informação muito grande chegando muitas vezes sem embasamento científico. E a gente falou, está na hora da gente divulgar a informação para mais gente. Por isso que a gente tornou disponível o lipecurso online. Para quê? Para poder divulgar a informação para o maior número de pessoas possíveis. E para dar um exemplo é impossível uma pessoa que não vive não respira lipedema todos os dias conseguir acompanhar a publicação científica. Porque nos últimos 5 anos teve mais artigo científico do que nos últimos 70 anos sobre lipedema. Então a gente acompanha e a gente publica junto então a gente sabe já o que vai sair de artigo científico. A gente não lê a publicação a gente já sabe o que está para sair. Me mandaram uma mensagem aqui perguntando a relação de flebotônico com lipedema qual que era o artigo. Eu falei assim, olha, o artigo não tem mas eu sei quem escreveu e está no prelo já está para sair na revista. Então, é assim, a gente não só sabe o que está para sair a gente sabe o que não deu certo. Essa é a grande falha na medicina em geral. Ninguém publica falha. Quando dá errado as pessoas querem esconder que deu errado. O problema disso é que outras pessoas vão fazer o mesmo erro e vai dar errado de novo. Então, até existe um jornal chamado Journal of Negative Results quando dá errado alguém publica mas as pessoas não gostam de fazer isso. Então, por exemplo, a Gestrinona que tanto falam hoje em dia de é tratamento para o lipedema. Isso é uma coisa que há 10 anos atrás a gente já pensou, já tentou, já errou já viu que o caminho não era por aí e estão colocando agora como uma possibilidade. Está enterrada essa história. Entendi. E a gente, por exemplo, explica muito desses erros para não seguirem o mesmo caminho que a gente já errou lá atrás no tratamento do lipedema. Por exemplo, um ano que foi, para mim, um divisor de águas no tratamento do lipedema foi em 2022, porque saíram muitos estudos genéticos. Saíram os primeiros. E aí você vê que não dá para ter um protocolo de tratamento de lipedema. Ou você conhece o caminho para poder orientar a pessoa a seguir esse caminho porque cada uma vai ter um caminho diferente ou ela nunca vai conseguir melhorar o lipedema dela. Nunca. E não adianta tentar encaixar ela num protocolo de tratamento. O medicamento que dá certo para uma dá certo porque ela tem um gene X. Para não confundir com X e Y, sei lá, vai. Tem um gene Z. Mas não dá certo para outra que tem o gene W. Entendeu? Então essa é a bioindividualidade. É super importante. E outra coisa, inteligente é aquele que aprende com o próprio erro. Mas o gênio é aquele que aprende com o erro dos outros. Então a gente está ensinando nossos erros do passado para que as pessoas evitem fazê-lo. Sim. E no começo, a ideia era ser voltado mesmo para paciente ou para médico? Qual era a ideia no início de vocês? A gente tem uma demanda enorme de vários públicos querendo o curso. Médicos eram os primeiros. Realmente queriam muito e a gente fez o curso de imersão. Mas nesse processo todo, todos os profissionais de saúde envolvidos com lipedema, psicólogo, personal trainer, nutricionista, fisioterapeuta, terapia ocupacional, tem um monte de profissional envolvido que queria aprender um pouco mais. Queriam oferecer os seus serviços para esse público. Mas não só eles. As mulheres com lipedema também estão muito carentes de informação confiável, segura. Porque, por um lado, as mídias sociais ajudaram bastante na divulgação da doença. Foi muito rápido. Por outro lado, a divulgação de muita besteira está sendo feita. Então, separar o joio do trigo é muito importante. E a gente começou a ver essa venda de protocolos. Gente vendendo caixinhas com kits prontos para paciente fazer no consultório com preços exorbitantes. E muitas vezes, pelo desespero, pela dor que elas têm, 90% das mulheres com lipedema têm dor. Mas eu falo que 120% delas têm vergonha. E quando a pessoa está no nível vergonha com dor, ela aceita qualquer coisa. E muitas vezes ela gasta muito mais até do que deveria na busca de uma esperança. E muita gente se aproveita da dor delas para explorar isso daí. E no lipecurso, a gente consegue ajudar essa mulher com lipedema que muitas vezes não consegue ter acesso à nossa consulta, a ter um acesso ao conhecimento. E encodurá-las, né? Todos os caminhos levam a Roma. Mas o caminho não precisa ser o inferno. A vida não aceita talho. Mas o caminho precisa fazer sentido. E para esse caminho fazer sentido para a pessoa, ela precisa ter conhecimento. Sem conhecimento, o caminho, ela não vai saber qual seguir. E a partir do momento que o caminho tem sentido, ela tem conhecimento, ela se liberta. E elas melhoram muito. Assim, todo lipedema é tratável. E a cirurgia é raramente necessária. A cirurgia é a cereja do bolo, em último caso. Só que a grande maioria das mulheres pulam todo o processo do tratamento conservador e vai para o tratamento caro, ao invés de fazer o que realmente dá certo antes. E é o que a gente ensina. É o que a gente ensina para todo mundo. Sim. Então, vocês até acabaram falando um pouco sobre, para cada lado, como vai funcionar. O lado do especialista e o lado do paciente. Para que a gente possa ter isso bem definido. Os caminhos de aprendizado são um pouquinho diferentes. Mas a gente dá isso para todos os públicos. E agora, falando desses dois públicos, o que vocês acham que ainda é o maior desafio para ambos? Para o paciente entender, para o paciente colocar, de fato, na cabeça, não talvez as que vocês já têm mais contato, mas de uma forma geral, as outras que vocês veem, sobre os mitos que as pessoas acreditam. E a parte dos médicos também, ainda, do que vocês acreditam que tem mais resistência, nesse sentido. Eu acho que o pior hoje, para a mulher que tem lipedema, é que estão vendendo uma imagem de que é um pesadelo do qual ela não acorda. E a pior coisa do mundo que você pode fazer com alguém é tirar a esperança dela. Porque estão vendendo uma esperança, e, na verdade, isso não existe. A mulher com lipedema nunca vai conseguir terceirizar o tratamento dela. Nunca. Não vai ser a cirurgia que vai resolver, não vai ser o protocolo que vai resolver. Vai ser o conhecimento, vai ser a mudança. A gordura no corpo é sempre uma necessidade. A gente sempre precisa entender por que esse corpo está precisando disso de gordura. Porque na hora que a gente mostra que não precisa da gordura, o corpo metaboliza. E o músculo é um merecimento. Mostrou que está tudo aqui, o corpo vai dar músculo. Só que as pessoas estão procurando os atalhos. Então, a primeira coisa que a mulher com lipedema precisa entender, que é o que eu falo muito, é o melhor metabolismo do mundo. É a melhor genética do mundo, porque é uma genética de sobrevivência. Mas a mulher tem que mostrar que ela pode viver, e não sobreviver. Porque se ela precisar sobreviver, o corpo vai dar sobrevivência pra ela. E ela vai ter um aumento do volume de gordura corporal. Ela derra todo mundo à sua volta, reclamando a perna, mas ela não vai perecer. Só que se ela entender que o caminho dela é outro, ela vai ter o melhor metabolismo do mundo. Sim. Agora, da parte dos médicos, você, doutor, acredita que tenha... Dos médicos, a gente teve várias fases, né? Eu acabei de comentar, da época que ninguém acreditava que existia o lipedema. A gente passava em congresso, assim... Mas hoje ainda tem médico que fala que não existe. Ainda tem, ainda tem. Da área mesmo de vocês? Da área. Mas hoje caiu muito. Caiu bastante, mas a gente passava em congresso, as pessoas apontando o dedo, falando, olha o louco ali que inventou uma doença. Hoje em dia, assim, a vergonha não está em não saber fazer o tratamento. A vergonha está em não fazer o diagnóstico e encaminhar para quem faz o tratamento. Sim. Então, se o médico, ele... E está tudo bem, ele fala, não, não quero tratar o lipedema porque é complicado, porque não é fácil. Está tudo bem, mas faça o diagnóstico e informe a paciente. Ela mesma vai começar a se informar e se aprofundar no assunto e vai atrás de quem pode ajudá-la. Então, tem que ter um pouquinho de humildade. Eu acho que isso é importante para todos os médicos. Acho que o que eu mais aprendi nesse processo todo do lipedema é a humildade de falar, olha, eu não sei tudo. Deixa eu ouvir o que você tem para falar para mim. As minhas melhores professoras são as minhas pacientes, que volta e meia chegam com um comentário ou alguma coisa que eu acho que vale a pena puxar o fio. Sabe quando você puxa o fio da roupa e vem a roupa toda? E aí vem uma ideia legal. Por exemplo, que eu estava comentando da alimentação. Quando eu falei que a alimentação tinha a ver com o lipedema. Isso não partiu de mim, isso partiu de várias pacientes que me falaram, ó, melhorei fazendo isso. Está bom, uma melhorou, duas melhoraram, três, calma aí, tem um padrão aqui, deixa eu entender o padrão dessas que estão melhorando. Então, a humildade, acho que de baixar a bola e falar, eu não sei tudo, deixa eu aprender um pouquinho mais e acho que em segundo lugar, achar divertido aprender, isso aí é até o fim da vida. E falando em aprender, já está bem estabelecido que as faculdades hoje, quando o aluno está cursando medicina, já fala sobre lipedema, já tem isso estabelecido? Não, não. Quando eu estava na docência e dava aula na Unisa, eu fazia questão de dar uma aula de lipedema para os meus alunos. Então, tem uma geração de alunos que teve essa aula, mas porque passaram comigo. Hoje em dia eu não dou mais aula em universidade e eu acredito que em nenhuma esse seja um assunto abordado. Não tem. E até uma coisa de profissional médico e profissionais da saúde, eu falo que o médico no Brasil reclama muito que o paciente não valoriza ele. E eu falo que o lugar do mundo que o paciente mais valoriza o médico e o profissional da saúde é o Brasil. É onde ele mais está disposto a investir nisso daí. Só que se o médico não investe o tempo dele, isso eu falo tanto para aprender quanto para dedicar esse tempo ao paciente, ele não vai evoluir no consultório. Não vai. Agora você dedica o seu tempo. Você tira a dor de uma paciente. Você vai atrás de conhecimento. Hoje a gente tem 12,3 milhões de brasileiras com lipedema. 90% delas têm dor. Poxa, por que você não investe o seu tempo para dar uma qualidade de vida melhor para a pessoa que está te procurando? Não é melhor fazer isso? A gente aprende de pequenininho que tem lá o dragão ou a onça com o espinho e na hora que você tira o espinho, o bicho te protege e não esquece de você pro resto da vida. Quando você tira a dor de alguém, essa pessoa vai ter uma gratidão tão grande por você que vale a pena fazer esse investimento porque você vai trazer o melhor para alguém. E eu falo, vale a pena fazer o curso. Você vai ter um conhecimento que só vai agregar a sua consulta, ao seu atendimento. Não adianta ficar insistindo em fazer aquilo que já fez antes e não deu certo. A gente tem que avançar, tem que estudar tem que querer se desenvolver tem que partir de dentro não adianta a gente vir de fora e falar, olha, você tem que aprender isso aqui, isso aqui é obrigatório. Esse é um processo que todo mundo passa individual. Eu tive esse meu momento de querer mudar a forma de atender, de desenvolver isso. Não adianta a gente decorar todos os guidelines, saber tudo isso. Fazer uma consulta de 10 minutos que você não consegue extrair da paciente aquilo que realmente ela precisa passar. E aí eu entendo porque muita gente não quer atender lipedema porque vai levar uma hora de consulta ou às vezes um pouquinho mais. Fica mais fácil com o tempo. A gente começa a direcionar para ficar mais ágil, mas não dá para espremer isso além disso. Mas eu falo para todo profissional de saúde invista o seu tempo no seu paciente. O retorno é garantido. E o pessoal não entende isso. Não dá para você atender quatro pacientes em uma hora e achar que você está dando um bom atendimento. A partir do momento que você começa a dedicar o seu tempo você vai ter retorno em todos os quesitos, em todos os planos. Às vezes o médico acha que está sendo mais lucrativo colocar quatro pacientes em uma hora, mas dá o efeito contrário. Por exemplo, nos Estados Unidos, como normalmente funcionam os consultórios médicos tem várias salas. A enfermeira coloca um paciente em cada sala e o médico vai entrando por outra porta, de pé, a consulta ele pergunta alguma coisa, terminou, passa para outra sala, depois passa para outra, depois passa para outra. Isso é assim, do ponto de vista logístico, brilhante. Você consegue resolver um monte de coisa e rápido. Só que você perde no feeling do paciente, você perde na conversa, você perde muita coisa que a paciente não vai contar porque ela acha que não te interessa. Quer ver um exemplo idiota, mas é o mais importante de todos? Hábito intestinal. Qual a mulher que vai contar o hábito intestinal para um médico que está com pressa, de pé, esperando para chamar o próximo? Não vai, ela acha que aquilo lá é o normal dela e não tem nada a ver com a vida atual. A gente tem que dedicar tempo. E fora criar essa intimidade para a pessoa se sentir um pouquinho mais à vontade para falar esses detalhes que às vezes tem um bloqueio. Eu já vou aproveitar para fazer uma pergunta polêmica sobre isso, dessa barreira que vocês falaram que existe. Vocês também acreditam que tem um certo interesse financeiro das faculdades, não falarem tanto sobre o lipedema ou de médicos que preferem já colocar direto a cirurgia como primeira opção? Vocês acreditam que é mais um interesse financeiro por trás ou uma ignorância mesmo assim do assunto? Uma ignorância no sentido de falta de conhecimento? Puts, tem uma frase muito boa, né? Como que eu posso ensinar alguém se o salário dessa pessoa depende da sua ignorância? Upton Sinclair. A questão é por que eu vou querer me desenvolver em uma coisa que talvez me traga menos lucro se eu continuar do jeitinho que eu estou agora, eu vou ganhar bem? E aí não é que a pessoa faz por maldade, é simplesmente que ela bloqueia isso do cérebro e não avança. Às vezes a gente precisa dar um passo pra trás ou um passo lateral pra gente conseguir avançar num labirinto e chegar no final. E as pessoas ficam muito, às vezes, só focada naquele objetivo final e não conseguem avançar. Tem uma barreira na frente e pra passar essa barreira eu ia ter que dar um passo pra trás pra depois contornar. Mas fala a sua opinião também. Eu acho que o principal que a gente ensina no lipecurso e que é difícil muitas vezes passar isso pra mulher com lipedema é tirar o foco do tratamento da gordura. Porque a gordura é uma necessidade e se você não entender por que o corpo entendeu que ele precisa de tanto de gordura, você nunca vai melhorar essa paciente. O paciente tá com uma dor na perna. Se você amputar a perna, você vai tratar a dor dele, mas não significa que ele vai ficar melhor. Por exemplo, o exemplo do intestino é muito importante. Uma mulher nunca vai ficar bem com o intestino ruim. Uma obstipação. Só pra dar um exemplo, aumenta todas as causas de morte, inclusive demência em uma pessoa que vai no banheiro a cada três dias. Então tem várias coisas que estão acontecendo que precisam ser tratadas antes de você focar na gordura. Porque na hora que você melhora isso, naturalmente a porcentagem de gordura do corpo diminui. Mas é muito difícil você falar pra alguém que só tem uma chave de fenda que ele pode usar um martelo. Ou alguém que só tem um martelo falando que pode usar a chave de fenda ou a chave Philips. A gente trabalha com o maior número de ferramentas possíveis, porque normalmente é isso que a pessoa precisa. Ela precisa de conhecimento e as ferramentas necessárias pra ela seguir o caminho dela. E o que tá acontecendo agora é que as pessoas têm alguma ferramenta, algum aparelho, a empresa tem algum produto que quer vender e tá todo mundo vestindo aquilo lá de uma forma um pouquinho diferente pra vender. Ah, agora isso aqui é pro lipedema. Mas era a mesma tecnologia ou produto que já existia antes. Então sim, tem um interesse da indústria em manter a ignorância. Eu até, falando de outra forma, enquanto celulite era uma questão estética e médico não se importava com isso, tá todo mundo indo pra protocolo de estética não sei da onde, os médicos não estavam nem aí, porque não é um problema médico. Na hora que a gente descobre que a celulite é um aspecto do lipedema, que é uma doença, uma situação médica, a gente tem que ter protocolo de pesquisa. As coisas, pra avançar, a gente precisa provar que aquilo é A ou B. Mas não, tá todo mundo com teoria da própria cabeça, querendo fazer sem evidência científica nenhuma. Por isso a nossa luta de publicar, de fazer pesquisa, de mudar o rumo do lipedema no mundo. E agora, quem participou do Congresso? Porque no Congresso, eu lembro, eu consegui ver ali, aos poucos, algumas... Eu estava gravando quase que o dia todo, interruptamente, mas eu consegui acompanhar algumas vezes vocês falando. Quem participou do Congresso pode participar também do lipecurso. É legal a gente esclarecer isso. Aliás, acho que até deve, porque são complementares. Todo conhecimento é bem-vindo e quanto mais conhecimento você tem sobre o assunto, melhor. Eu falo que a melhor combinação é o lipecurso, com o Lipedema Evolution 1 e com o Lipedema Evolution que vai ter em 2026. Porque já tem artigos novos que saíram até recentemente que já está pronta na nossa aula. E dos anticorpos intestinais que são diferentes nas mulheres com lipedema e a gente vai explicar o porquê disso no ano que vem. Já tem um web spoiler. O legal do Congresso é que a gente apresentou lá as evidências antes delas serem publicadas. Então as pessoas que foram para o Congresso, elas ficaram sabendo de muita coisa antes do resto do mundo. Então é o avanço preparando as pessoas para irem mais longe e na frente dos outros. E a nossa intenção é ensinar mesmo. É compartilhar o conhecimento para que? Para melhorar o tratamento das mulheres com lipedema no Brasil e no mundo. Já tem alguma data aí que a gente pode deixar um save the date? É o Corpus Christi de 2026. Confirmado. Confirmado, 5 e 6 de junho. Então o maior spoiler que teve aqui foi agora. Já fecha a agenda. Vai acontecer e você também. Sim, por favor. Muito legal. Já tem coisa nova para falar. Eu queria perguntar um pouquinho também como que vocês fazem para tanto quando é voltado aos médicos quanto aos pacientes não só do lipecurso, mas na vida. Como que vocês conseguem equilibrar também essa parte da ciência e do acolhimento? Porque é exatamente isso que a gente vê de vocês. E aqui na introdução eu já tinha falado, eu acho que uma vez eu li num comentário aqui do vídeo que era isso que o paciente falou assim, é por isso que eu me sinto tão acolhido e gosto de ouvir aqui os especialistas que participam do Obatocast, porque eu sinto tanto o nível muito alto de ciência de estudo, enfim de base mesmo científica para falar como o acolhimento, que às vezes é o que falta. E eu agora falando do lado do paciente, como que não sou da área médica, eu vejo que falta realmente muito isso. Você vai numa consulta e é muito difícil de você se sentir ali realmente ouvido. A pessoa escuta, mas parece que daqui uma hora já não vai lembrar mais. É aquela escuta que a pessoa está ali de corpo, mas não está de alma. Acho que isso resume. Então eu queria ouvir como que de bastidor mesmo, como que vocês conseguem equilibrar isso, até na consulta né trazer essa parte científica e ao mesmo tempo o acolhimento. Assim ter estado do outro lado facilita e enxerga mais fácil a visão do paciente. Acho que essa é a minha história. Eu acho que numa consulta médica você pode ter o nível mais técnico do mundo, mas quando você toca uma alma humana, você tem que ser uma alma humana. E muita gente tem esquecido isso e a gente tem visto uma geração médica focando muito em dinheiro, em pouco trabalho e muito dinheiro. Gente, toda vez que você fizer alguma coisa pensando em dinheiro, ela vai dar errada. Toda vez que você fizer alguma coisa pensando em melhorar a vida do outro, você vai prosperar em todos os quesitos, inclusive no financeiro. Olha, é forte a discussão. Mas é o real, as pessoas têm uma dificuldade em entender isso. Isso em todas as áreas, não só na medicina. Se você focar no dinheiro, você vai perder, porque a pessoa percebe. Ah, não percebe? Percebe. E você também não faz a mesma coisa. E dura pouco. Todo malandro dura pouco e a gente está vendo isso acontecer. E trazendo essa parte do acolhimento, vocês, como já aconteceu de vocês terem um apego maior em algum paciente, eu sei que precisa ser muito bem separado isso, no sentido de que vire algo pessoal ali, de apego mesmo, mas já aconteceu isso com vocês, como que vocês lidam com isso? Tem muita paciente que acaba ficando um pouco mais próxima por uma razão ou por outra. A gente tenta manter o profissionalismo da melhor forma possível, mas isso não quer dizer que o profissionalismo impeça a gente de ter um bom relacionamento com os pacientes. Mantemos um bom relacionamento. No sentido, às vezes, da pessoa ter uma regressão mesmo, no sentido do tratamento. Está fazendo certinho e desanimou. Eu já tive paciente que, no desespero, me mandou mensagem assim, doutor, eu estou na frente da padaria aqui, desesperado, eu vou entrar na padaria. Eu virei psicólogo agora. Não, não faça isso. Não entre. Respira fundo, vira as costas e vai embora. E assim, eu não liguei de fazer isso. Se eu ajudei ela naquele momento, está ótimo, eu fico feliz. Sim, então, isso acaba sendo até engraçado de certa forma. Eu me envolvo bastante, a gente sofre junto muitas vezes, mas eu falo para todo mundo, a vida não tem como você não ralar o joelho. E a gente foca muito nos 20% ou menos que dá errado. A gente tem que focar nos 80% que dá certo, porque a vida é isso. E eu falo, às vezes, eu deixo. Tem que ter besteira, até para o casal. O casal que faz besteira junto, fica mais forte o laço do casal. É importante ter a besteirinha, mas é aquilo lá, não pode ser a rotina. Pode ser você vai pagar um preço? Vai, mas é bom ter história também para contar. E só tem que tomar cuidado para não valorizar o que deu errado. A gente tem que valorizar as pequenas conquistas. Porque tem esse lado, imagino que não seja tão comum para vocês, mas deve existir, vocês podem contar se já aconteceu, pelo menos uma vez. Uma paciente está evoluindo muito bem, está seguindo tudo certinho, e aí vocês verem de perto que ela abriu mão, por algum motivo, às vezes até de um profissional, familiar, amoroso, sei lá. Normalmente é isso. Desanimou, né? E aí vocês verem... Isso é normalmente um drama familiar, uma separação, alguma coisa, e aí acaba afundando no restante da vida. E o que é complicado, toda pessoa que teve um aumento de peso, de gordura, o corpo cria uma memória. Então, mesmo que essa pessoa emagreça, a vida dela é mais difícil do que quem nunca ganhou peso. Então, ele tem uma memória muito grande, e ela tem um reganho de peso muito fácil. Mas isso também não pode ser motivo pra desanimar. Porque eu falei, todo mundo rala o joelho na vida, não tem jeito. E acontece, sim. É difícil uma pessoa ter uma vida extremamente regrada. Mas a pessoa que já ganhou peso, perdeu 10, 20, 30 quilos, pra ela ter o reganho de peso é muito fácil. Eu acho que também é a mesma coisa. O que seria da felicidade se não houvesse a tristeza, né? A gente tem que ter os altos e baixos pra se sentir vivo, né? Isso significa extremamente linear, assim. Não tem essa... Perde a vida. Não existe vida de Instagram. É. Todo mundo feliz o tempo todo, né? Entre uma foto e outro, aconteceu muita coisa no meio ali que ninguém conta. E as 500 fotos pra que ela tá postada, né? É. Os caras foram pra Lua e tiraram 16 fotos. Hoje em dia, as pessoas tiram 160 de um prato do restaurante. E vê cada detalhe ali, né? Pra mostrar o mais bonito. Agora, falando um pouquinho dos bastidores do lipecurso, né? Como que vai funcionar em questão de módulo? É dividido por módulo? Quanto tempo de curso? Enfim, mais detalhes assim pro pessoal que já se interessou pra saber um pouquinho mais. São mais de 20 horas de gravação, né? São diversas aulas. A gente fala da fisiopatologia, da genética, do tratamento clínico, dos tipos de alimentação. A gente fala de atividade física, hipertrofia. É um histórico, é um compêndio, na verdade, de lipedema. Sem dúvida nenhuma, é o curso mais completo do mundo sobre lipedema. Qualquer pessoa que fizer o curso está apta, assim que terminar logicamente todas as aulas, a poder gerenciar o tratamento de lipedema de qualquer pessoa. Eu ia perguntar, então agora já vou direcionar a pergunta aqui, doutor Alexandre, tem módulo diferente pra paciente, pra médico ou consegue unir mesmo e todo mundo ouve tudo? Tem pro nível de profundidade da informação. Tá. Quem quer se aprofundar mais vai pra próxima aula que tem mais algo mais profundo. Ou pode acabar ficando ali se for um paciente, por exemplo. Ah, eu quero só uma informação mais superficial, ver a primeira aula, a segunda aula e quando começou a ficar um pouco mais complicado tá tudo bem, porque já foi falado o necessário antes. Foi pensado pra conseguir preencher as lacunas necessárias pra todo mundo. Todas as aulas vocês gravaram juntos ou tem aulas separadas? A gente gravou separado, no mesmo local, mas separado. Era o necessário pra gente conseguir, é muita informação. Colocar nós dois num dia lá pra falar, não não dá, é muita coisa. A gente separou os dias. Foram diversos os dias de gravação, né, e eu acho que foram vários dias em estúdio, a gente separava horário e eu acho que um grande diferencial é toda essa parte separada em módulos, né, sobre lipedema e uma aula bem extensa de tratamento clínico falando do que? Tem isso, vamos tratar dessa forma. Tá acontecendo isso, vamos tratar dessa forma. Com todos, com tratamentos acessíveis pra qualquer paciente. Logicamente com níveis diferentes de poder aquisitivo, mas podendo alcançar um tratamento adequado pra todas as mulheres com lipedema. Acessibilidade, então, já ia perguntar se você, eu tava lembrando agora, me veio na cabeça o que que era da tradução, vocês pensaram em fazer uma tradução das aulas, tem em mente, assim, pros próximos? Queríamos fazer pra inglês, tem muita gente lá nos Estados Unidos pedindo pra traduzir pro inglês, eu queria que o dia tivesse 30 horas pra conseguir fazer tudo que eu planejo, o que eu quero. Realmente, tá aí na lista, no checklist. Legal. Tem até uma ferramenta, acho que no YouTube, que faz a tradução simultânea de automatico por IA, né, mas eu acho que vocês fazendo também. Ah, no canal aqui, nos vídeos longos, a gente tá traduzindo pra 10 idiomas. Olha, que legal. Me ver falando hindi é a coisa mais engraçada do mundo. Não, e aí tem o vídeo que pega a voz e também já pega o que vocês falaram, e aí só muda pra língua com o rosto de vocês. É, mexendo em boca tudo, né, é impressionante. Esse aí chega a ser meio assustador. Uma coisa que há seis meses atrás era impensável, agora já é tranquilo, fácil. E falando de acessibilidade, também não posso deixar de perguntar como que tá funcionando a questão financeira aí do curso, né, pode ter link que o pessoal consegue saber como funciona nesse sentido? O link a gente vai colocar aqui, é www.lipecurso.com.br A gente vai deixar então o link acessível. A gente tá com o preço promocional, né? Bom saber, né, a gente já deixa aqui então. Vamos deixar aqui na descrição a promoção. Tá, e a mesma coisa pra médico e pra paciente. Esse curso é na parte também do de financeiro ali. Exato. Tá. Quer complementar? Então a gente deixa o link, né, pra quem quiser saber mais detalhes sobre isso. Os vídeos ficam gravados, isso que eu ia falar. A pessoa pode assistir em qualquer momento ali, teve uma dúvida, volta. Sim, durante um ano. Exato. Tá, até que é a previsão que vocês têm também pra fazer uma atualização, né? Queremos fazer, né, isso é uma coisa contínua. Tem algumas novidades aí que a gente quer colocar. Olha, tem mais um spoiler. Esse a gente não vai contar ainda. Tem as aulas de fisioterapia que a gente já tem. Vamos colocar em breve no curso. Então quem tá lá já vai aproveitar. E quem não está, a chance é agora. Ó, que vai aumentar o preço. Já ficou a chamada aí. É isso aí. O corte já veio pronto, né? E acho que uma coisa também que a gente não pode deixar de citar, a gente conversou também nos bastidores pra gente deixar bem dividido como que funciona pra paciente, né, pra profissional da área, pra médico, mas pra vocês também. Eu imagino que seja uma forma inédita de ver andando lado a lado, né, o conhecimento pro médico e pro paciente. Isso eu nunca vi também um médico e um paciente poder assistir a mesma coisa e poder extrair alguma coisa do mesmo produto. Isso pra vocês é uma coisa também diferente. A primeira vez que eu vi isso foi no congresso nos Estados Unidos, congresso médico, onde as pacientes participavam também. E eu fiquei assim, em pasmo com isso. Nossa, elas estão aqui, perguntam, participam, realmente interagem. Acho que é a geração atual, as pessoas estão ultra informadas, então o que era impensável há 10, 15 anos atrás, um paciente participar de um congresso nos Estados Unidos está normal. Então por que aqui a gente não pode dar essa informação pras pessoas que querem? Eu sou 100% a favor de dar o conhecimento pra quem tá indo atrás. Que a pessoa valorize o que ela tá aprendendo. E uma coisa que eu acho importante também pras mulheres com lipedema, mas sinceramente é pra todo mundo. A gente tem que pegar as rédeas da nossa saúde. A gente não pode terceirizar isso e achar que o convênio vai resolver, não preciso me preocupar com isso. Você pode até encontrar um médico legal, um médico bom que te ajudou, aí depois, no retorno, já mudou de médico, você já perdeu o link, já não sabe, já vai ter que apertar o reset, começar de novo. Então todo mundo tem que começar a entender o próprio corpo. Isso é básico pra conseguir ter uma vida saudável. E essa parte também de unir, imagino que tem os dois lados, de conseguir trazer benefícios, mas também tem, vocês sofrem algum tipo de preconceito no sentido de médicos que ainda não aceitam muito bem essa ideia de unir os pacientes e os médicos pra ter um curso sobre esse assunto, sobre o lipedema? Eu acho assim... Tem muito médico que não gosta de paciente que vem informado. Porque ou retruca, ou fica perguntando demais, ou... Eu nunca me incomodei com isso, o paciente que chega mais informado do que eu, eu falo, nossa, que legal, deixa eu ler isso, deixa eu me aprofundar nisso que eu não sabia. Então eu acho que o cara que se sobe no pedestal e fica olhando pra baixo assim, achando que tá todo mundo em um outro nível, vai se incomodar. Mas esse cara não me incomoda. Esse cara não é o meu alvo. Esse cara ele tem que mudar internamente antes de querer evoluir. Eu não consigo ajudá-lo. Ele vai ter que se ajudar. E às vezes até muda tanto de cabeça que no futuro tá indo até vocês, né? Por exemplo, uma coisa legal do curso presencial. Vários médicos que participaram do curso depois mandam mensagem pra gente falando, ah, mudei de vida. Isso é muito legal. Muda radicalmente, porque aprende que ter um estilo de vida faz toda a diferença, só que com conhecimento, porque a gente não aprende nada disso na faculdade. Nada. Ninguém toca no assunto. É visto como uma coisa alternativa e na verdade não é alternativa. É um princípio básico da medicina, você tratar o indivíduo e não tratar a doença. Sim. Eu acho que, pode concluir. É interessante, né? As pessoas falam, ah, medicina integrativa. Cada um dá um nome, mas na verdade, não é alternativo, não é integrativo, não é nada disso. Na medicina, tudo que funciona tem que entrar. A minha medicina, a medicina que me foi ensinada pelos meus pais, pelos meus avós, é me preocupar com alimentação, me preocupar com exercício físico, me preocupar com tudo, né? E hoje em dia tá todo mundo falando que isso é o alternativo. Isso não é um alternativo, nunca foi. Quando foi que a medicina deixou de se preocupar com isso, não é? Essa parte também de número de pessoas que conseguem ter algum tipo de conhecimento quando tem um curso assim desse tipo, vocês estavam falando dos médicos que de alguma forma foram impactados com conhecimento que foi tirado dali, mas também os pacientes. Quais são os números? Quantas pessoas já, vocês têm isso de cabeça? Já mais de mil. No total? No total, sim. Então, é muita gente, né? E às vezes as pessoas que foram ali no início também agora retornam com uma outra ideia. Acho que era esse o objetivo da fala. Por exemplo, quem tá assistindo aqui pode fazer um teste. Pega o vídeo de seis, oito anos atrás meu aqui no canal e vê como que eu tava e vê como que eu tô hoje. É simples, é mudança de vida. Faça o que eu faço e não só o que eu falo, né? Eu tenho que ser o exemplo. O exemplo arrasta. Com certeza. Bom, agora eu separei mitos e verdades sobre o lipecurso. Deixei voltado pro lipecurso pra gente ter um resuminho aí de como vai funcionar, né? Às vezes ficou alguma dúvida do que a gente não falou. Então, vamos lá. O lipecurso é voltado apenas para médicos? Temos um corte. O lipecurso é voltado pra todo mundo que quer aprender sobre lipedema. Então agora, doutores, vou começar com mitos e verdades voltado ao lipecurso, né? Pra gente esclarecer o que a gente não citou ainda. Se ficou alguma dúvida, o pessoal comenta também. Manda nas redes sociais de vocês que estão bombando, inclusive, né? E a gente já deixa o arroba aqui pro pessoal que ainda não segue pra acompanhar. O lipedema é uma doença rara? 12,3% da população feminina. Tá longe de ser uma coisa rara. E isso me faz até pensar o quanto que isso é uma doença ou um sintoma. Quanto mais uma doença maléfica que mata, isso é retirado da população. A evolução natural corta e seria um número pequenininho. Mas como o número é alto, então quer dizer ou tem uma vantagem evolutiva ou não é uma doença grave. Então não é nem um pouquinho raro. Raro, pra não falar não falar nada de raridade, raro são os estágios finais. Raro é o estágio 4. Raro é a associação do lipedema com o linfedema decorrente do do lipedema. E infelizmente, quando uma mulher que tem lipedema estágio inicial vê uma foto de um estágio final, ela acha que ela vai chegar naquele estágio. E não vai. Por quê? Porque é raro. É isso que eu ia perguntar. Se você já respondeu na mesma frase. O conhecimento sobre lipedema ainda é recente na medicina? O primeiro trabalho sobre lipedema é a descrição, foi feito na Clínica May em 1940. Então a gente não pode considerar que é um diagnóstico, um termo novo. É bem antigo. Só que o conhecimento está tendo uma explosão maior sobre a patologia, sobre a genética, nos últimos 3 a 5 anos. Então a gente pode considerar que o conhecimento é novo, mas não que é uma doença nova. O lipedema foi definido como doença antes mesmo da obesidade. Nossa. E a pergunta também já emenda aqui. O lipecurso é o primeiro curso de lipedema no Brasil? No mundo! Primeiro curso de lipedema no mundo. É o primeiro do mundo e sem dúvida nenhuma o melhor, porque juntou quem realmente trabalha com isso há mais de 10 anos e publica no mundo sobre o assunto com revistas de fator de impacto considerados altos. Legal. O lipecurso ensina apenas técnicas cirúrgicas? Longe disso. Inclusive ensina algo cirúrgico? A gente fala da cirurgia, a gente fala porque tem que aprender a tomar uma decisão em cima disso. Mas a técnica em si, a gente não consegue ensinar uma técnica num curso online. Às vezes tem que pegar na mão e falar, é assim que faz. Mas a parte teórica, sim. E o principal que a gente ensina é que se não tratar a mulher antes de operar, em um ano ela vai recuperar toda a gordura que foi retirada. Uma parte volta onde operou, e outra parte onde ela não tinha. A gordura é sempre uma necessidade. Se você não entender isso, você sempre vai perder. Ou melhor, ganhar gordura. Ganhar gordura, de novo. O lipecurso ajuda a combater a desinformação nas redes sociais? Ah, esse é um objetivo nosso, de verdade. É impressionante, todo dia, eu não sei você, mas todo dia alguém me manda olha isso que estão falando aqui. É verdade isso aqui? Gente, pelo amor de Deus, como é que vocês podem cair nessa? E a intenção do lipecurso é até chegar à informação de uma forma acessível financeiramente também para todos. Já emendo outra pergunta polêmica, para a gente ir encerrando aqui. Se vocês acreditam, agora que é a opinião dos dois, se vocês acreditam que como ficou nas redes sociais, conhecido o tema, como as pessoas falam sobre isso, até os famosos, as pessoas, celebridades, especialidades, seja o que for, se isso ajuda a ter mais conhecimento sobre o tema, mais pessoas escutarem falar, irem pesquisar e ter mais o que saber ali sobre esse assunto, ou de certa forma atrapalha porque acaba distorcendo a imagem como vocês citaram dos vídeos que viralizam e que mandam para vocês isso é certo, isso é errado? Então, resumo da pergunta. Rede social, celebridade falando sobre o tema, atores, atrizes, isso ajuda ou às vezes piora, atrapalha? Eu tenho uma relação antagônica com isso, não é fácil, eu tenho um baita de ciúmes e de carinho pelo assunto, é difícil, eu ouvi algumas besteiras que são faladas por aí, mas por outro lado, quando falam de uma forma de querer ensinar mesmo, sem colocar algo como uma coisa definitiva, só abre o leque para mais pessoas ouvirem e entenderem. Qual que é a sua opinião? Hoje, na mídia social, a gente não tem como bloquear a desinformação, tem um estudo turco até sobre o assunto mostrando que mais de 90% do que falam sobre lipedema na internet é besteira, não tem jeito, você tem que procurar quando alguém fala com o embasamento científico, quando você olha a revista, veja se essa revista, pelo menos, é indexada, se é uma revista que existe, mas, por exemplo, a gente tem celebridade que mostra um lado muito positivo do lipedema, que é o caso da Yasmin Brunet, que é um resultado espetacular, mostrando que a mudança, o conhecimento, que o tratamento clínico dá um resultado espetacular, e aí ela vira um exemplo para esses 12 milhões de brasileiras que também têm lipedema, porque o nosso cérebro é muito visual, quando você visualiza que alguém teve um sucesso muito grande, você usa essa pessoa como exemplo, porque hoje tem muita gente vendendo a imagem de uma pessoa com deformidade, que é uma coisa muito rara, pra assustar, e aí ela vê aquela imagem e fala não quero chegar nisso de jeito nenhum, e aí muitas vezes ela cai numa encrenca, com um valor financeiro muito grande, e não vai ter o resultado que ela deseja, então a gente tem exemplos bons, é importante seguir um exemplo bom. E algumas influenciadoras também que ganham uma cirurgia, e aí começam, como tá embutido no preço, tem que falar do procedimento, da permuta, e aí começa a falar de uma coisa, e as outras que estão assistindo acham que aquilo é o tratamento que ela deveria fazer, e isso é um caos. E tem muita permuta na internet, que tem uma lei que tem que avisar que tem, mas infelizmente isso não ocorre na prática, a pessoa ganha a cirurgia em troca de divulgação. E isso é uma coisa que acontece muito, então filtra, quer saber se realmente é verdade? Pergunta se ela pagou a cirurgia, pede o comprovante, porque a maioria que fica divulgando fez uma permuta, e isso é triste, porque a mulher muitas vezes acredita que esse é o único caminho que ela pode seguir, e não é. E é mais caro E o último, eu vejo muitas mulheres falando que o tratamento é muito caro, mas não fez o tratamento, está querendo ir direto para o que não é o tratamento. Eu falo que caro é você ter uma qualidade de vida ruim, é você ter dor todo dia. Eu falo que é investimento, tratamento de lipedema é o melhor investimento que você pode fazer na sua vida, tanto como profissional como paciente. O lipecurso é apenas um evento pontual para encerrar essa? Vai ter mais, né? É, o lipecurso está virando uma comunidade, porque todas as pessoas que fizeram o lipecurso, no final, a gente tem contato até hoje, e tem o meio de se comunicar com a gente. Então, na verdade, o lipecurso está virando uma comunidade e provavelmente a gente vai colher frutos cada vez maiores ao longo do tempo. E apesar de não ser pontual, vale a pena a gente destacar aqui de novo que as inscrições já estão ali, vocês falaram que está com uma promoção, inclusive. Sim, é temporário, não dá pra deixar direto. Temporário, exatamente. Então a gente vai deixar todo... Corram! Exatamente, todo o acesso aqui, né, pra quem já deixa o link direto, pras redes sociais de vocês também, pra caso ficou alguma dúvida pra trás, vou pedir pra vocês dois passarem, pode falar, doutor. O meu é arroba.dr.danielbenich ou o site que é ocirugiaovascular.com.br Perfeito, estamos deixando aqui, doutor. O meu é arroba.dr.alexandriamato no Instagram e eu tô aqui, nesse canal aqui no YouTube. Direto, estamos aqui falando sobre lipidemia e outras coisas, né. Então já pode deixar as dúvidas, sugestões, né, pra gente trazer de novo doutor Daniel pra conversar com a gente. Na verdade o pessoal te chama mais de Benich do que de Daniel. É Benich, nem minha mãe me chama de Daniel. Até eu falei Daniel e achei estranho. Até eu achei que soou um pouco diferente. Gente, muito obrigada pela participação, foi muito legal, um papo super esclarecedor. Então a gente tá deixando todos os links, o recado tá dado sobre o lipecurso, qualquer dúvida vocês podem enviar aqui, como a gente falou nas redes sociais, dos cirurgiões vasculares. Que ficou essa dúvida, né, como era a pronúncia. Foi uma coisa de bastidor. E deixa as suas sugestões também pros nossos próximos vídeos. Muito obrigada doutor Alexandre. Obrigado. Doutor Benich. Muito obrigado, até breve e venham aprender com a gente. Até a próxima. Tchau gente, não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante pra que a gente continue trazendo os nossos especialistas em qualidade de vida. Obrigada e até a próxima. Tchau.