Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um Amatocast pelo canal do Instituto Amato, e mais uma vez agradeço o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios falamos sobre lipecurso, fisioterapia e lipedema, e também o último, que foi na verdade a parte 1 desse que a gente está falando aqui agora, foi especificamente sobre o tratamento estético de varizes, microvasos, com pacientes, em pacientes, de lipedema. Nós estamos aqui com a doutora Flávia Magella, nossa convidada especial de hoje. Para quem não acompanhou o primeiro episódio, a gente está deixando o link aqui para vocês, mas vou apresentar novamente o currículo da nossa convidada especial de hoje. A doutora Flávia Magella é cirurgia vascular ultrassonografista, tem fellow em laser, é diretora da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular e mãe de 4 filhos. Para quem ficou curioso, pega lá o primeiro episódio, que a gente explicou um pouquinho da sua carreira e da sua vida pessoal, dos seus filhos, como é que foi toda essa parte da vida. Doutora, você atende em São Paulo? Em São Paulo. Minha clínica fica na Avenida Paulista, um lugar super acessível aqui em São Paulo. Sou muito feliz, eu nasci em Santo André. Ai, que legal! Nasci em Santo André. Nasci em São Caetano. Ai, que legal! Existem grandes pessoas do ABC, grandes, que são legais. Tem muita gente legal no ABC. E eu vivo em Santo André agora, porque eu também, meu namorado é de lá, então o ABC acaba virando ali, né? Quem é do ABC não sai, né? Fica em São Paulo. São Caetano, Santo André. Eu tenho um médico amigo meu que fala que morar em Santo André é melhor que morar em Nova Iorque, ele vira a gente idosa, mas ele morou muitos anos, é um médico, hoje ele fica, ele atua também em Santo André e ele brinca, mas é uma região, é muito legal, é muito gostoso. E vem paciente seu de todos os estados, de todos os lugares, né, imagino. De todos os lugares. A gente até estava falando, né, no último episódio. E eu acabei vindo pra São Paulo porque o meu marido, que é cirurgião plástico, ele saiu do Espírito Santo, veio pra São Paulo estudar, acabou fazendo plástica, acabou fazendo face na Faculdade de Medicina da USP e trabalhava em São Paulo. Então eu fiquei muito tempo trabalhando no ABC, trabalhei na Faculdade de Medicina do ABC, inclusive eu fiz Faculdade de Medicina do ABC, cirurgia geral, cirurgia vascular, fui preceptora, fui até coordenadora dos residentes da cirurgia vascular por um tempo. O meu padrinho de casamento é chefe hoje da cirurgia vascular lá da faculdade. Então eu tenho grandes amigos, existem médicos excelentes no ABC e eu fui muito feliz de ter trabalhado lá por muitos anos da minha vida, mas por conta do meu marido, que só trabalhava aqui em São Paulo, eu vim pra São Paulo e a nossa clínica fica na Avenida Paulista. Legal, a gente deixa também aqui suas redes sociais no final, que aí pra quem a gente já deixou acesso. Só preciso fazer um comentário antes da gente voltar aqui pro tema, que eu tinha certeza que tinha alguém na sua família, eu até ia falar, você tem o perfil de cirurgia vascular, não, também, né, que é o seu, mas cirurgia plástica, porque eu te achei lindíssima e a gente tava falando no primeiro episódio dos 4 filhos, não que quem tem filho não possa ser super jovem, né, enfim, e ser super bem cuidada, mas assim, eu falei, gente, ela tem o perfil de cirurgia plástica também, porque assim, eu fiquei realmente surpresa, e gente, é muito linda. E aí as pessoas podem comentar também aqui, né, porque eu falei, aí tá explicado. Obrigada, eu realmente tô chegando bem nos 50 anos, mas eu fiz umas mudanças nos últimos anos. Eu me arrependo, eu gostaria de ter cuidado muito mais da minha alimentação, e ter feito atividade física enquanto eu realizava a faculdade de medicina, porque a faculdade de medicina, ela demanda muito estudo, e quando você entra na residência médica, pra você ter uma ideia, na minha época, nós tínhamos 5 residentes de cirurgia geral para cuidar de 4 hospitais. Hoje, são 36 para cuidar dos mesmos hospitais. Então, na época, eu deixei um pouco afastado a atividade física regular por alguns anos, e deixei a alimentação. Então, aquele negócio, acabou a cirurgia, vamos pedir pizza e tal. Hoje, assim, se eu tivesse uma sugestão, era pra todos esses residentes, estagiários, estudantes de medicina, nunca deixarem de lado atividade física e alimentação. Porque isso é um dos pilares da nossa vida que faz a gente ficar mais saudável e ser, com certeza, mais feliz. Então, muito obrigada, fico lesondeada. Eu também tenho minha melhor amiga, é dermatologista, filha de uma dermatologista. Tá cercada, né? É, minha cunhada, enfim, meu marido. Mas assim, coisas básicas. Não dormir com maquiagem, limpar maquiagem. Hoje, eu tava brincando que eu comprei uns limpadores de pincéis. Hoje, existem estudos mostrando que há muita contaminação, bactérias perigosas nos pincéis de maquiagem. Então, tem que lavar uma vez por semana. Então, assim, lavar muito bem a pele, retirar a maquiagem, passar filtro solar, hidratar a pele, alimentação saudável. Dormir e fazer atividade física, muitos anos, top 5. Ah, e já aproveitou e deu uma dica aqui. É, de beleza. Você falou que eu tenho um jeito de cirurgia plástica. Então, vamos falar um pouco de estética e o que a gente pode fazer pra ficar melhor. A gente pode até, num próximo episódio, trazer você e o seu marido também pra tentar falar das duas profissões, vai ser legal. Vou sugerir pro doutor Alexandre. É, meu marido é um pouco tímido, mas vamos... Ah, mas com você ele vai se soltar mais, né? Vamos incentivar, porque eu acho importante. Já deixa o convite aqui pra ele. Manda o link pra ele assistir, ele aproveita e se impõe. Vou falar, vou falar. Acho que é uma boa forma, inclusive, doutora, da gente começar a falar sobre varizes e microvasos, os vasinhos, em pacientes de lipedema também, né? Você falou dessa parte de atividade física, de alimentação. O que muda no tratamento, até no diagnóstico, pra pacientes que têm lipedema, pra pacientes que não têm a condição? Então, vamos lá. Primeiro lugar, eu acho muito importante esclarecer pra toda a população o que é o lipedema. Existe muita gente com dúvida entre lipedema e obesidade. Lipedema é um assunto que hoje parece que está em moda, é um hype, mas ele já foi, desde 1940, lá na Mayo Clinic, nos Estados Unidos, descrito pelo doutor Allen. Então, ele viu que algumas pacientes tinham um depósito anormal de gordura nas pernas, em maior porcentagem, e até nos membros. As pernas pareciam que não faziam parte do mesmo corpo daquelas pacientes. A parte de cima era mais magra, era menor, mas as pernas tinham algo de errado. E essa paciente que tem esse depósito anormal de gordura, ela pode ter uma inflamação crônica desse tecido gorduroso. Hoje, nós estamos com pesquisas no mundo inteiro tentando entender qual é a causa, o que acontece no lipedema. Isso não foi totalmente esclarecido. Existem várias hipóteses, várias teorias, mas o que já sabemos muito é que essa gordura fica num estado diferente. A paciente sente isso, ela sente isso ao toque, ela vai mexer nas pernas, existem regiões doloridas, às vezes tem nódulos, às vezes vai ficando roxo, espontaneamente fica roxo, fica roxo, e ela não consegue às vezes usar uma bota, às vezes uma sandália, e aquilo gera um desgaste físico e emocional. Porque muitas vezes ela acha que aquilo pode ser somente uma obesidade, que ela está fora do peso. E não, aquilo é uma resposta do corpo a algo que está errado e ela não descobriu ainda. Porque esse é o X do lipedema, a gente descobrir o que está dando e causando essa inflamação naquela condição daquela paciente naquele momento. Falando do tratamento de varizes e vazinhos, se é o objetivo daquela paciente, primeiro o lipedema precisa estar bem diagnosticado, já em tratamento, ou já estabilizado? Então, um, a paciente chega no nosso consultório e a gente entende que ela tem lipedema. Lipedema está tratado ou não está tratado? Se não estiver tratado, nós vamos iniciar o tratamento, que é um tratamento multidisciplinar. Não é só um tratamento que envolve aquele médico, envolve mudanças de hábito de vida, nutricionista, fisioterapeuta, educador físico. Essa paciente vai ter que ter um entendimento que ela vai ter uma mudança em várias esferas, em várias partes da vida dela. Dito isso, se ela já vem com lipedema, que já foi tratado, que ela sabe qual é o gatilho, o que inflama ela, e está bem do lipedema e está com vazinhos, varizes, aí a gente parte para um tratamento desses vazinhos e varizes. Na paciente com lipedema, é fundamental a realização de um ultrassom. Hoje, nós estamos em busca dos aspectos ultrassonográficos da paciente com lipedema e da paciente com lipedema inflamado. O doutor Alexandre Amato foi o precursor. Ele tem um artigo muito importante em que ele mostra o diagnóstico ultrassonográfico da paciente com lipedema. Em algumas partes do corpo, da perna, essa gordura tem determinado tamanho, ela tem determinado aspecto e determinada profundidade. Hoje, o que nós estamos estudando no mundo e o que procuramos na cirurgia vascular é entender quais são as características desse tecido com ultrassons mais modernos, probes de pele e de tecido celular subcutâneo. Então, hoje, a ultrassonografia é fundamental para a gente fazer essa busca e avaliar se a veia safena está doente, não está doente e a circulação interna dessa paciente. Porque ela pode ter lipedema, está compensado, mas também pode ter varizes mais profundas, a safena doente que a gente também precisa diagnosticar e tratar. Enfim, a paciente com lipedema vai ser tratada desde que saiba a sua condição clínica, ela esteja em equilíbrio com a doença e pronta para receber esse tratamento. Falando, então, sobre tratamento, tem alguma limitação para algum tipo de tratamento que não é indicado para paciente com lipedema por conta, justamente, dessa sensibilidade ali, às vezes, que é um pouco maior? Eu, enquanto cirurgiã, pesquisadora e cientista, tenho estudado que o tratamento minimamente invasivo com tecnologias como o laser, ele deve ser melhor para paciente com lipedema. Nós não temos esses dados, é uma impressão minha, eu realizo muito isso em consultório para tratar a insuficiência da veia safena da paciente com lipedema, utilizamos o endolaser, que ele é menos traumático. O que a gente quer é não traumatizar mais esse tecido gorduroso que envolve as veias. Então, para eu tirar as veias, eu tenho que atravessar as camadas de gordura dessa coxa e dessa perna. Quanto menos eu traumatizar essa região, menos eu inflamo essa perna. Então, um objetivo nosso hoje é tratar essas varizes e vazinhos na paciente com lipedema muito mais com laser do que com injeção, com picadinha, e muito mais com endolaser através de cirurgia com pulsão e menos cortes para que não podemos somar mais uma complicação num tecido que já é delicado. Conseguiu me explicar? Faz sentido. E hoje no Brasil há muitas cirurgiões em diversos estados que conseguem oferecer esse tipo de tratamento, mas eu acho que o importante aqui desse podcast é nós trazermos uma ideia de que quanto menos traumatizar esse tecido das pernas da paciente com lipedema, com procedimentos cirúrgicos agressivos, na cirurgia vascular é melhor. E a paciente com lipedema consegue unir o tratamento do lipedema junto com esse tratamento do lipedema, das varizes e dos vazinhos ao mesmo tempo. Não precisa deixar de lado, por exemplo, uma drenagem que faz parte do protocolo. Sim, tudo caminha junto. Tudo é conversado. Então, existe o momento ideal para essa paciente realizar esses procedimentos, mas tudo anda junto. Ela faz a drenagem, ela consegue fazer a plataforma vibratória, ela faz a atividade física dela, e ela consegue ter uma alimentação direcionada para o lipedema dela e ela consegue tratar esses vazinhos ao mesmo tempo. O que não pode é ela estar num processo de inflamação, dela estar debilitada, em desequilíbrio. Aí é uma condição ruim para tratar esses vasos. Mas é facilmente... Até a paciente, sabe? A paciente, quando ela chega para a gente, ela mesmo... Eu tenho um caso muito curioso de uma paciente muito querida. Ela chegou no meu consultório, alguns anos atrás, com lipedema e varizes grandes, as safenas doentes, e nós combinamos que iniciaríamos o tratamento do lipedema. E ela entendeu que ela tinha lipedema, começou a tratar uma paciente de 65 anos de idade, que tinha sofrido a vida inteira com lipedema, tinha feito uma gastroplastia para diminuir o peso, e ela conseguiu perder muito peso, mas as pernas, aquela gordura inflamada continuava, porque ela ainda não tinha descoberto o gatilho dela. O gatilho principal dela é que ela tinha uma intolerância muito importante ao glúten. O glúten é um grão que é derivado da farinha branca, e existem muitas pacientes que têm uma certa intolerância a esse alimento, e ele é um dos gatilhos que altera toda a resposta intestinal da paciente e inflama mais o lipedema. Então, a gente descobriu, através de testes de intolerância, que ela não se dava bem com o glúten, e tiramos o glúten, e aí ela melhorou, ela desinflamou, ela mudou a condição dela. Aí nós fomos tratar as varizes, ela tinha muitas varizes, e eu combinei com ela que nós faríamos uma fase de ataque, tiraríamos muitas varizes, na cirurgia eu ia conseguir tirar 80%, porque eram varizes de uma vida, e depois ia seguir o tratamento. E eu lembro que a gente fez a cirurgia, eu fiquei feliz, porque foi uma cirurgia artesanal, trabalhosa, mas quando ela chegou, uma semana, ela falou, não sei, poderia ter um pouquinho de vazio, eu disse, não, mas tinha muito. Aí depois de um mês, ela foi indo, essa perna não está muito boa, pode confiar, vai ficar bom, essa é uma etapa, e ela volta no consultório, agora, dois anos depois, com a perna linda, maravilhosa, que tinham dois vazios, aí eu vim tratar, falei, mas ninguém vê. Ela, mas eu vejo, você não falou que eu tenho que cuidar para a gente não ter? Então, assim, é muito legal quando a gente consegue entregar para a paciente um entendimento da própria doença, do que é o lipedema, ela consegue lutar contra tudo que inflama ela, depois a gente cuida da parte vascular, e ela fica bem do lipedema e com uma saúde da circulação e com uma parte estética, porque a perna dela está linda. Tudo isso com o tratamento clínico do lipedema e com o tratamento cirúrgico e de laser para os vazinhos e as varizes. Então, é como eu disse no primeiro episódio, cada paciente é único, o seu médico tem que montar um quebra-cabeça do que é o seu lipedema, dos gatilhos que desencadeiam o seu lipedema, o que te inflama, e também entender como esses vazinhos e essas varizes estão se relacionando na sua perna, na sua circulação e com o lipedema. Mas existe sim luz no final do túnel. É o que as pessoas querem ouvir, e realmente o que faz a pessoa ter vontade de procurar, de cuidar e fazer todo o tratamento completo, que é o que a gente sempre fala. Lipedema, apesar de não ser médica, eu acabei conversando demais sobre esse assunto com muitos médicos aqui, e é o que todos falam, que tem que ser uma coisa conjunta, não adianta só focar em um problema específico. Essa questão estética, doutora, era a minha próxima pergunta antes de ir pra parte de prevenção, que eu acho que é importante também a gente citar. No tratamento de quem tem a condição também do lipedema, no tratamento de varizes e vazinhos, a parte estética, tem alguma expectativa que você precisa, ali no consultório, trazer essa paciente, mostrar que talvez não tenha uma recuperação tão rápida por conta do lipedema? Isso existe ou não? Até a resposta estética, você citou agora o exemplo da paciente que veio dois anos depois, que tá com a perna linda, então já é de fato uma resposta que é possível chegar a ter um resultado esteticamente que vai agradar aquela paciente, mas em um primeiro momento, o resultado é diferente de quem não tem a condição? Sim, a paciente que tem lipedema requer mais cuidados, tanto pré-tratamento como pós-tratamento. Isso é diferente de uma paciente comum que não tem lipedema e simplesmente tem varizes. Mas o que eu vejo muito hoje é que medicina não tem atalho. Nós vivemos num momento de rede social de que muita coisa é mostrada como se fosse instantâneo. Vivemos o aqui e agora. Então mostra-se resultados, mostra-se técnicas como fosse fácil executar aquilo, mas a medicina é muito complexa, exige muito estudo, muito conhecimento, muito treinamento e pra chegar num resultado, não é da noite pro dia. Não é da noite pro dia pro lipedema, não é da noite pro dia na cardiologia e nem no tratamento de varizes e vazinhos. Eu sou conhecida pelo tratamento moderno de varizes, porque eu sou uma médica que leva essa paciente pro centro cirúrgico. Eu tenho uma equipe que é que nem uma orquestra, são várias cirurgiãs que trabalham há mais de 15, 20 anos juntas. A gente consegue tirar muitas varizes, tratar muitos vazinhos no menor tempo cirúrgico e com a maior segurança pra aquela paciente. Mas esse tratamento é uma fase de ataque. Sempre vai precisar, um pouco depois, um retoque, um acompanhamento, porque eu disse lá na frente, existem doenças que são crônicas, você vai ter pro resto da vida. Se você tem o diagnóstico de diabetes, você é diabético pro resto da vida. Se você tem o diagnóstico de pressão alta, você tem pressão alta pro resto da vida. Se você tem o diagnóstico de lipedema, você vai ter lipedema pro resto da vida. E varizes também. Agora, uma coisa é você conviver saudável com o entendimento da doença ou não. Então, vou falar de novo, não existe atalho, não dá pra acreditar em tudo que se fala na rede social e no imediatismo que muitos jovens médicos estão colocando. Medicina é uma arte, é a arte de cuidar de gente, de entender o problema do paciente e de caminhar de mãos dadas com o paciente pra resolver o problema dele. Naquele momento e a longo prazo. E doutora, varizes, volta, varizes, vazinhos, é um tratamento que ele fez, aquilo morreu pra sempre? Assim, se você tem uma perna que você vai lá, tira, trata essa fena com laser, retira as varizes, trata os vazinhos, depois que fez o procedimento, faz fases de manutenção, faz um planejamento e você entrega a perna pra essa paciente lisa, uma perna bela, esses vasos que você tratou não voltam. Agora, vão aparecer outros, vão aparecer vazinhos que eram pequenininhos e com o passar dos anos eles vão aumentando, vão ficando com a parede mais elástica e vão ocasionar possivelmente novas varizes. Óbvio, existem cirurgias que são realizadas uma vez e que se trata só metade dos vasos e um monte ficou lá, não foi tratado. Não é que voltou, é que deixou de ser tratado. Agora, a partir do momento que tratamos tudo, o que foi retirado não volta mais, agora vão aparecer outros. Aí depende da genética, se essa paciente vai ganhar peso, se essa paciente vai ter mais um filho, se essa paciente vai fazer uso de hormônio, se essa paciente vai estar na menopausa, aí existe um cuidado com as nossas pacientes em que elas vão ter um entendimento que vão ter esse acompanhamento e essa evolução ao longo de todos os anos que estão por vir. Tem como prevenir de alguma forma? Até meio compressiva, o pessoal fala, é bom, ajuda mesmo ou aumenta? Não, a meia de compressão é fundamental para o alívio dos sintomas, porque a paciente geralmente tem dor, cansaço, peso, enche um pouquinho a perna, aí à noite ela toma um banho, aí às vezes está numa situação que coça um pouco, ela passa um creme, ela faz uma massagem, ela vai dormir. Quando ela dorme, ela fica deitada, há uma drenagem de todo aquele líquido, de todo aquele inchaço e ela levanta bem. Se naquela ocasião que ela levanta, ela colocar uma meia de compressão, ela evita que essa perna enche no decorrer do dia. Então vai melhorar muito o sintoma. Mas quem pode usar meia elástica? É quem tem circulação das artérias perfeitas também. Então até para usar uma meia, o médico, o cirurgião vascular, o angiologista, ele precisa avaliar essa paciente, porque pacientes de 70, 80 anos, 60, até acima de 60, eles podem ter um entupimento das artérias. Artéria é um encanamento que leva o sangue do coração até a pontinha do pé e às vezes placas de gordura, o próprio diabetes, levam a uma oclusão dessas artérias. Esses pacientes não podem usar meia elástica. São poucos os pacientes, mas eu tenho que deixar claro que a meia elástica não é para todo mundo, é para bastante gente. Quem tem varizes é fundamental, mas antes tem que consultar o médico. Podendo usar a meia, ela é maravilhosa, ela evita o inchaço, ela alivia o sintoma. E ela chega a prevenir? Não, ela chega a aliviar. A gente não tem estudos científicos mostrando que quem usa meia previne varizes a longo prazo de quem não usa meia. Porque isso é uma falha da válvula, é uma falha da parede do vaso, é um processo inflamatório da própria circulação, que é mais forte, a meia não consegue. Agora, existem coisas que eu já disse. Fazer atividade física melhora muito a circulação, não ganhar peso melhora muito. Quem fica grávidas, um recado para as grávidas, não ganhar mais que 10, 12 quilos numa gestação, porque senão você pode ter alteração das válvulas, porque muito peso, mais o peso do bebê comprimindo as veias de dentro da barriga pode desencadear, estourar essas válvulas e depois piorar muito. Então, temos condições de alívio de sintomas, como a meia elástica, mas a meia elástica não previne as varizes. O que previne é tratar e ir lá na raiz do problema. Tá certo. Doutora, agora a gente tem um quadro, a gente fala quadro, mas é de mitos e verdades, que as pessoas mais procuram na internet sobre esse tema, varizes, vazinhos e lipedema. Então, eu tentei unir aqui algumas perguntas, algumas a gente até respondeu durante, mas só para deixar bem claro se é verdade ou se é mentira, e uma explicação rápida. Vizinhos, vizinhos, vazinhos são só um problema estético? É o primeiro. É, na sua maior parte é só um problema estético, mas reflete uma tendência a esse paciente a ter varizes e dilatação dos vasos. Então, tem que acompanhar. Mas os vazinhos, na sua maioria, é uma queixa estética. Tá. Aproveitando só esse gancho, pode ser um sinal de uma doença mais grave vascular? Pode. Pacientes que têm só vazinhos podem ter insuficiência da veia safena magna associada, que a longo prazo vai levar a varizes maiores. Então, o paciente que tem vazinho, ele precisa ser estudado a safena, a circulação interna, porque se tiver algum comprometimento, e às vezes pode ter, já é tratado e a gente consegue evitar que essa doença aumente com o passar dos anos. O lipedema causa varizes? Não, o lipedema não causa varizes. O lipedema é uma doença do tecido gorduroso, das células de gordura, é um processo inflamatório das pernas que não leva a nenhum prejuízo da circulação. Não existe nenhum estudo no mundo hoje dando essa relação. Quem tem lipedema não pode fazer escleroterapia? Quem tem lipedema pode fazer escleroterapia e deve, desde que não esteja com lipedema em uma fase de inflamação. Essa paciente tem que estar com o lipedema controlado em tratamento clínico e pode fazer escleroterapia. Escleroterapia, para quem não sabe, é a injeção de uma medicação dentro dos vasinhos para queimar esses vasinhos. O medicamento entra através dessa agulhinha e causa uma irritação nesses vasos, fechando, colando a parede desses vasos. O que a gente chama é queimar vasinhos, porque há uma irritação provocada e às vezes a paciente tem até a sensação que tem uma certa queimação pela ação da medicação no ato da escleroterapia. Mas a paciente que tem lipedema sim pode fazer escleroterapia. Hoje eu preconizo, na minha prática clínica, a gente tratar essa paciente muito mais com laser para vasinhos do que aplicação, porque eu quero evitar traumatizar esse tecido. Mas é totalmente factível tratarmos lipedema e vasinhos junto. O laser é o melhor tratamento para todos os tipos de vasinhos? Não, não é o melhor tratamento. O melhor tratamento é aquele que a paciente precisa. Às vezes a paciente precisa de uma aplicação, às vezes a paciente precisa que a veia seja retirada cirurgicamente. Hoje nós temos uma condição de exceção para o laser da veia safena, é que se a veia safena for colada na pele, às vezes é melhor tirar essa veia. Lógico, é um tratamento de exceção. Hoje a gente trata muito mais com endolaser, que é uma fibra óptica com uma ponta de safira que a gente, através do ultrassom, a gente vai navegando por dentro das veias e a gente consegue fazer esse tratamento. Mas o tratamento clássico, que é a retirada da veia, pode e ainda existe sim, apesar de ser exceção. Tá certo. Varizes e vasinhos voltam mesmo depois do tratamento? A gente acabou de falar. Acabamos de falar. Que aparecem outros, não voltam. Se a cirurgia foi mais ou menos feita, podem ter ficado os varizes que não foram tratadas adequadamente. Isso é uma realidade. Esse daqui até eu quero saber. Cruzar as pernas causa varizes? Não, não causa. O que é cruzar as pernas? Eu acho que tem uma coisa muito interessante que tem que ser falado. Além do coração que nós temos dentro do peito, existem dois corações que ficam na batata da perna. A gente brinca que é coração, mas a batata da perna é uma bomba muscular, tem a musculatura da panturrilha e ela é muito forte para levar o sangue da perna para cima, em direção ao coração e aos pulmões para ser filtrado no rim. E quando você anda, você aperta essa musculatura e o sangue sobe. Então, até é bom a musculação, a gente, a marcha, o andar, o caminhar, ele é fundamental para a melhora da circulação. Andar bastante previne sim a parte cardiovascular. A gente já sabe. E o ideal são 150 minutos por semana pela Organização Mundial de Cardiologia. Vixe Maria, tem que dividir aí nos dias. Tem que dividir. 30, 30, 30, 30. E musculação também. Usar salto alto piora as varizes? De novo. Então, vamos voltar. Entendido que a bomba da perna é a panturrilha, então cruzar a perna, comprimir a batata da perna, o pessoal fala, vai dar variz, mas não vai. É porque diminui aquela circulação. O salto alto, ele impede a mobilidade do tornozelo e do pé, porque a mulher, ela fica com o salto bem alto. E isso impede que a batata da perna, a musculatura trabalhe adequadamente. Então, assim, isso vai causar varizes? Não vai causar varizes, mas usar salto alto impede a mulher de movimentar as pernas adequadamente. Mulheres ou homens, né? Hoje tem homens também usando salto alto. Enfim, pensar que a movimentação, a liberdade das pernas, ela é muito importante. Então cruza a perna, salto alto, cruza a perna, fica parado, fica de joelho dobrado muito tempo, fazer algumas coisas impedem aquela circulação naquele momento. Mas até aí, gerar varizes, não, é um mito. Tá, isso é interessante, isso eu gostei também. O lipedema pode dificultar o resultado estético das pernas? Pode, pode, porque nós temos uma condição de um tecido celular subcutâneo e de células de gordura alteradas. Então, nós não sabemos a resposta que esse tecido possa vir a ter, porque quando a gente vai tratar esses vazinhos, a gente inflama esses vazinhos e, eventualmente, esse processo inflamatório pode interagir até com essas células de gordura. Então, nós temos que ter muito cuidado na paciente com lipedema. Mas a paciente com lipedema compensada, tratada clinicamente, que tá bonitinha, sem problema, tratar vazinhos e varizes pode tranquilamente. Agora, se ela tiver inflamada, a gente pode, naquela ocasião, piorar toda essa condição, não recomendo. Pra encerrar, isso é bem legal pra quem chegou até aqui e tá pensando em fazer, já fez ali o próprio, entre aspas, diagnóstico, já vai estar pensando em procurar o médico. O tratamento de vazinhos pode ser feito no verão? Pode, desde que a paciente não tome sol nos primeiros dias. O que que acontece? Quando a gente faz um tratamento, se esse tratamento tiver uma lesão de um vaso e um extravasamento de sangue, esse extravasamento, que a gente chama de equimose, tecnicamente, que é aquele roxo que fica ao redor ou do vazinho ou da cirurgia, ele tem o que nesse sangue? Ferro. Quando a gente derrama, bate, faz hematoma, aquele roxo, sangue espalhado, tem ferro. E o que que o ferro faz? Ele caminha e deposita na pele, tatua a pele. Então, se você tomar sol num momento em que tiver um derramamento de sangue, de ferro, esse ferro pode ser quelado por essa inflamação do sol e pode ocasionar, sim, algumas manchas. Isso é uma condição. Então, o que que a gente, eu, doutora Flávia, sugere? A partir do momento que a paciente está quase sem roxo, ela está liberada para tomar sol. Se ela for, tiver no verão, não for tomar sol, ela pode, sim, tratar as varizes, operar as varizes, sabendo que ela não vai poder tomar o sol nos primeiros 10, 15, 20 dias da cirurgia. Depois, ela pode. Assim que sumir o roxo, os hematomas, ela está liberada. Óbvio que com protetor solar. Hoje, ninguém toma sol se não usar protetor solar. Independente de se fez ou não. Independente, porque há uma incidência de câncer de pele muito grande e os colegas dermatologistas lutam muito por isso nessa prevenção que é fundamental para qualquer ser humano, para as crianças, para os adolescentes. Eu sou mãe de 4 filhos de pré-adolescentes, eles são refratários ao uso de protetor solar. Eu fico caçando eles para passar o bastão, amarro assim, passo o bastão, mas pode no verão. Outra coisa no verão que é interessante é o uso da meia elástica. Se você tiver no lugar em que tiver um ventilador, um ar-condicionado, usar a meia elástica na semana seguinte do procedimento traz muito benefício. E se tiver no ambiente que tiver climatizado, é muito tranquilo também. Eu faço bastante cirurgia no verão. Janeiro, 2 de janeiro, 26 de dezembro. Não gosto muito, geralmente são médicas que vêm de outros países. Legal. Doutora, muito obrigada por esses dois episódios. Foi muito esclarecedor de verdade, tenho certeza que o pessoal adorou também. Vou deixar aqui um espaço para eles comentarem, para tirar dúvidas também. A gente traz de volta, como a gente comentou, quem sabe traz o seu marido também cirurgião plástico, para unir as duas em um papo sobre medicina. E eu vou aproveitar e deixar um espaço aberto para você passar também, se prefere passar um site ou uma rede social, enfim, o que for melhor para quem está com algo que queira te procurar ou tirar uma dúvida, enfim. Então, é uma honra. Eu gostaria de agradecer muito ao Instituto Amato, à doutora Alexandre Amato, pelo convite, a você pela bela entrevista, a você que está cuidando de todo o som, todas essas luzes. Muito obrigada. Hoje, existe muita informação na internet que às vezes traz um monte de dúvidas. Então, minha sugestão para você que está aí nos assistindo é sempre procurar informação de qualidade. Na medicina, não existe atalho, não existem promessas milagrosas de uma hora para outra, mas existe muita medicina boa e muita tecnologia e muitas doenças já têm soluções e têm muitas pesquisas em andamento, o que pode trazer para você uma qualidade de vida melhor e um maior bem-estar. Então, nosso compromisso aqui é com informação de qualidade. Muito obrigada por nos ouvir. Já deixa, então, o site, alguma rede social? Doutora Flávia Magella, MAGELLA.VASCULAR Vocês podem me encontrar no Instagram e lá tem todos os links de acesso para consultório, dúvidas e consultas. Estou à disposição. A gente vai deixar o link aqui direto. Então, para quem já quiser ser direcionado, já consegue te procurar e tirar mais alguma dúvida, mas também pode comentar aqui que a gente está sempre de olho. A gente traz de novo a doutora Flávia. Foi difícil na agenda, mas a gente consegue, né? Consegue, a gente dá um jeito. Exatamente. Obrigada mais uma vez. Obrigada, querida. Obrigada você também que acompanhou até aqui o final. Não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas em qualidade de vida. Antes de finalizar, eu só quero fazer um agradecimento aqui ao nosso patrocinador, que é o Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco da origem é qualidade de vida e prevenção. Muito obrigada e até a próxima. Tchau!