Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast sobre tudo que envolve qualidade de vida e eu agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre todos esses assuntos que são muito importantes, principalmente agora, claro, ligado ao lipedema e para quem já acompanha o AmatoCast há um certo tempo percebeu que nós estamos em um ambiente diferente, isso porque nós estamos literalmente gravando aqui durante o Lipedema Evolution. E agora mais um episódio especial sobre esse assunto, desta vez com o doutor Grimaldi, que é o nosso especialista convidado especial de hoje, já vou apresentar o currículo do nosso convidado então. O doutor Paulo Grimaldi é médico formado em 1970 pela Escola Paulista de Medicina, com mestrado em anatomia patológica e doutorado em Oncologia. É proprietário dos laboratórios Patos e Origem, além disso é autor do livro Uma Viagem ao Centro da Vida. Bem-vindo novamente, doutor. Eu que agradeço o convite. A gente já conversou em uma outra oportunidade lá na clínica, lá no Hospital Dia, sobre assuntos relacionados a hoje, só que acaba mudando um pouquinho, né doutor, que hoje a gente vai conversar especificamente sobre a questão da intolerância alimentar microbioma, só que ligado ao lipedema, que é justamente o motivo do congresso, né doutor? Antes de tudo já quero iniciar te perguntando se sempre foi o interesse do senhor, essa área da saúde, tinha alguma outra opção, algum plano B, algo que te fazia brilhar os olhos, sem ser a saúde? Não, como eu escrevi no meu livro um dos primeiros capítulos, eu conto uma história de quando eu tinha cinco anos, eu morava no Belém e tinha uma turninha de amigos lá, amiguinhos de jogar bolinha de gude e ficava sempre junto, e um dia um deles com estilingue, ele matou um pardal, e aí ele pegou o pardal e falou, bom agora eu vou jogar fora, eu falei, não, espera aí, aí eu fui até em casa, peguei uma gilete que meu pai usava para fazer barba e voltei lá e falei, eu quero ver o que tem dentro do pardal, vamos abrir para ver o que tem dentro, e toda a molecada ficou em volta, e eu abri e olhei dentro do pardalzinho, então eu vi naquela época, não sabia o que era, mas hoje eu sei que era coração, estômago, pulmão, e aquilo eu achei muito legal, eu falei, bom, eu quero estudar isso aqui, eu quero ser médico, quero ser médico, e aí foi isso que é o brilho no olhar que você falou. Então sempre foi o plano A, B e C. E dentro da medicina, eu primeiro quis ser psicanalista, depois eu quis ser cirurgião, quando eu tive a primeira aula de anatomia patológica, era um cadáver, e o professor mostrou o cadáver, e a função do patologista, Letícia, é descobrir a causa da morte real, a causa real da morte, porque o médico, ele acha que foi tal coisa, mas às vezes não é, então quando tem dúvida, precisa fazer autópsia, e aí uma das funções do patologista é fazer autópsia, então o professor falou, agora nós vamos saber porque essa paciente morreu, e perguntou para um, o que você acha que foi a causa da morte dela, aí ele falou, foi doença cardíaca, o outro do pulmão, ele falou, bom, vamos ver, aí ele fez uma incisão, quando ele separou a pele assim e apareceu o fígado, tinha um caroço no fígado, amarelo, parecia o tamanho de uma laranja, ele falou, aqui está a doença, aqui está a causa da morte, isto aqui é um câncer no fígado, isto levou a paciente à morte, nossa, eu fiquei louco, eu falei, olha que maravilha, é isso que eu quero fazer, eu quero descobrir a causa das mortes, porque é que a pessoa fica doente, né? E é isso aí que é anatomia patológica, é um estudo da anatomia normal e a histologia normal, quando está doente, é isso que o patologista faz, então o patologista faz primeiro um exame a olho nu, que se chama exame macroscópico, depois ele corta, recorta aquele material, seleciona uns fragmentos pequenos, o técnico faz uma lâmina, no dia seguinte o patologista olha no microscópio e ele vai realmente ver, é a única especialidade que fecha realmente o diagnóstico, então, por exemplo, o oncologista, quando ele vai tratar um câncer, ele não dá um passo sem que haja um anatoma patológico, por quê? Porque o anatoma patológico é como se fosse a carteira de identidade do tumor, então ali tem o nome, tem tudo direitinho que a gente olha no microscópio, e a gente preenche um laudo com 12, 15, 18 itens, dizendo para o oncologista como é aquele tumor, qual é a célula que cresceu, se o tumor está muito avançado ou não, se os vasos estão comprometidos, como está o organismo para ele poder escolher um tratamento, a gente põe o oncologista na frente do gol para ele fazer o gol, a gente dá tudo para ele e ele escolhe que perna que ele vai chutar, esquerda ou direita para fazer o gol, ele escolhe o remédio, ele escolhe a radioterapia, a quimioterapia, imunoterapia e aí dá certo a doença. É isso que o patologista faz. É realmente muito interessante, a explicação é bem didática, de fato, porque é esse o nosso objetivo, explicar aqui todos esses assuntos que às vezes parecem muito complexos, até pelo nome já acaba chamando a atenção, microbioma, do que se trata, enfim, que era o título aqui do nosso episódio, mas realmente dá para entender qual que é a função, de onde que isso surge. Doutor, antes da gente começar, de fato, aqui nas perguntas, já queria aproveitar e agradecer o Laboratório Origem, agradecer ao senhor também, que é o nosso grande patrocinador do Amatocast, já adianto também que esse episódio não é nenhum patrocínio aqui, apesar de ser um patrocinador nosso, é de fato um assunto muito importante, né doutor, que envolve a alimentação das pessoas com a condição do lipedema. E o tratamento, o diagnóstico, todos os especialistas que já participaram falaram que é muito mais clínico do que uma coisa cirúrgica. Então doutor, para quem tem essa condição, é algo visível esteticamente, só que é algo que pode ser identificado também nesses exames, queria que o senhor explicasse também como que pode ser, como que a medicina conseguiu avançar no sentido de demonstrar como está essa intolerância alimentar das pessoas, como que isso funciona? A gente sabe que existe um exame que mostra isso, mas como que o exame detecta isso? Então eu vou te mostrar direitinho, na primeira aula, na minha aula, um dos primeiros slides, eu mostro uma árvore do tronco para cima, então ali em cada galho eu ponho uma doença, câncer, reumatismo, cardiopatia, diabetes, todas as doenças que eu aprendi nos anos de 65 a 1970, quando eu me formei. Então lá na escola paulista, os professores mostraram para os alunos essas doenças, e nós aprendemos, mas a gente não sabia a origem dessa doença. Aí, na segunda parte do slide, eu passo a parte de baixo com as raízes das árvores. Então, cada raiz tem um motivo. Então você tem desequilíbrio na dieta, você tem desequilíbrio no quadro geral do paciente, você tem desequilíbrio emocional, o medo, o estresse, você tem todas as condições que levam aquelas doenças, entendeu? Então, da raiz, levam para a doença. E agora, a medicina ortomolecular, que é essa medicina nova, chamada integrativa, holística, que, na realidade, é ortomolecular, por quê? Ortomolecular vem do grego. Ortos quer dizer certo. E molecular é uma medicina que coloca as nossas moléculas em ordem. Então, esse é o nome correto, medicina ortomolecular. Essa medicina, ela descobre por que você tem o câncer, por que você tem o diabetes. E é através desses exames, entendeu? Então, por exemplo, intolerância alimentar. Uma das partes mais importantes dessa medicina, são seis pilares que existem nessa medicina. Um deles é a alimentação. É extremamente importante a alimentação da pessoa. Mas que alimentação você fala? Quando que um alimento faz bem para você? Quando ele é bem digerido pelo nosso organismo? O que é digestão? Digestão é assim. Você come um alimento e você tem o seu genoma, seu conjunto de genes do DNA. Você tem a sua constituição de genes. Cada gene tem, cada grupo de genes, produz uma proteína que vai degradar o alimento. É uma enzima. Então, se você comer um alimento que você não pode degradar, esse alimento vai fazer mal para você. Por quê? Porque ele funciona como um corpo estranho no organismo. E ele provoca uma reação que vai formar um anticorpo. Então, você tem o alimento, é o antígeno. Antígenos. É aquele que vai formar, ele é contra a origem. Ele é contra o corpo, antígeno. E o anticorpo é contra o antígeno. Então, quando você respira o vírus do sarampo, por exemplo, quando você toma a vacina, o que acontece? Você está transmitindo para o seu corpo uma proteína estranha, que é o vírus atenuado do sarampo. Seu organismo imunológico, seu sistema imunológico, reconhece e forma um anticorpo especificamente contra aquele antígeno. É como se fosse a chave e a fechadura. Quando o antígeno entra no corpo e vem um anticorpo, eles formam um complexo, chamado complexo-antígeno-anticorpo. Aí vem uma outra célula do nosso sistema imunológico chamada macrófago. Macros é grande, fagos é comer. Então, o que é macrófago? É uma célula que come coisa grande. O macrófago vem e fagocita aquele complexo. Aí acabou o seu problema. Ele vai fagocitar, resolveu estar dentro dele sem problema. Aí você fala, bom, mas então eu nunca vou ter uma intolerância alimentar. Só que tem um problema. O macrófago, a produção dele é limitada. Se você comer muito o alimento que você não podia comer, vai faltar macrófago. E aquele complexo antígeno-anticorpo vai ficar rodando no seu sangue. Vai na ponta do dedão do pé, vai no cérebro, no fígado, no pulmão, na pele, em todo lugar. Chega uma hora, como ele é uma molécula grandona, chega uma hora que ele deposita no vaso sanguíneo. Aí ele causa uma inflamação. Essa inflamação é que é responsável pelos sinais e sintomas da intolerância alimentar. E quais são esses sinais e sintomas? Depende de onde o complexo se depositar. Por exemplo, se ele se depositou na mucosa do nariz, na via aérea superior, você vai ter sintomas de gripe que nenhum otorrino consegue tratar. Por quê? Porque ele não está indo na causa. Ele está indo na consequência. Ele está indo no sinal. Medicina não funciona assim. Medicina você tem que saber qual é a origem, para depois você ir lá e matar. Então é por isso. Outro, enxaqueca. A pessoa deposita no cérebro. A pessoa tem dor de cabeça a vida inteira. Outro dia, uma pessoa que tinha enxaqueca, foi me dar os parabéns pelo exame de intolerância alimentar. Ela falou, doutor, faz 40 anos que eu sofro da enxaqueca. Uma vez por semana eu tinha enxaqueca. Fiz o exame, tirei os alimentos, porque no exame você testa 222 alimentos. E ele indica quais são aqueles alimentos que você não pode comer. Porque você já está com o seu organismo saturado de imunoglobulina, de anticorpo, contra eles. Então você não pode comer. Aí o que acontece, você tira aqueles alimentos, com o passar do tempo, esse anticorpo desaparece. E você deixa de ter sintomas, porque você não está comendo o antígeno mais. Entendeu? Então você para de ter sintomas de gripe, você para de ter dor de barriga, você para de ter mais de 40 sinais e sintomas, 150 sinais e sintomas decorrentes da intolerância alimentar. Agora, qual é o problema da intolerância alimentar? O intestino tem que ter, a parede dele, a mucosa dele, ele é formado por células chamadas enterócitos. E tem um enterócito grudadinho no outro. Tem umas proteínas aqui que grudam no outro. Quando você tem a intolerância alimentar, sofre um relaxamento, chama Leaky Gut Syndrome. É um intestino vazante, intestino que baba. Então abre esse espaço, e o alimento que você não poderia comer, passa por aqui e chega aqui embaixo no sangue. Chegou no sangue, ele origina uma imunoglobulina G contra ele. E aí, num primeiro passo, num início, você vai ter tudo bem, porque seu macrófago favorece o complexo. Mas se você comer muito amendoim, por exemplo, que todo mundo gosta, mas tem muita gente que não podia comer, por que não podia comer? Porque o genoma dela não tem proteína, não consegue formar proteína para quebrar o amendoim. Então, se ele entra como amendoim, ele vai ser um antígeno, vai formar anticorpo. Entendeu? Aí qual é a consequência disso? É que o intestino grosso, onde fica a nossa microbiota, antigamente chamava flora intestinal, porque os médicos achavam que eram vegetais que ficavam no intestino. Depois eles descobriram que eram bactérias. Então mudou o nome para microbiota. Então o que é a microbiota? É a mesma coisa que flora intestinal. São os bichinhos que vivem lá dentro. 80% são do bem. 80% ajudam você a digerir o seu alimento. E 20% são do mal. Eles provocam doença. Então, normalmente, uma pessoa que come uma dieta boa, sem alimento incompatível, ela vive normal, saúde normal. Não tem doença. E o intestino não é o líquido. Ele fica presinho um no outro e o alimento é absorvido aqui pela ponta do enterócito. O nutriente, o carboidrato que vira açúcar, a gordura que vira ácido graxo e a proteína vira aminoácido. Só assim que ele pode ser absorvido. Então, quando chega aqui o aminoácido, o enterócito pega com o receptor esse aminoácido, que é importante para o seu corpo, passa pelo citoplasma dele e joga aqui embaixo. Tem um vaso sanguíneo que leva direto para o fígado. O fígado que é a fábrica de tudo o que nós precisamos no nosso corpo. Estamina, todos os nossos hormônios são produzidos aí. Tudo é a fábrica de alimentos, de necessidades. É o fígado. Então, se for lá, quando chega no sangue, tem que estar tudo bonitinho. E aí o que acontece? Com esse Leaky Gut Syndrome, você tem uma alteração da microbiota. É uma alteração que se chama desbiose. É uma alteração da microbiota. Aí, em vez de 80% do bem e 20% do mal, o que acontece? Com essa desbiose, vai acabando o bem e vai florescendo o mal. Daqui a pouco está 50% e 50%. Daqui a pouco está 80% para o mal e 20%. Aí você vai ter doença. Você vai ter cólica intestinal. Você vai ter sangramento. Você vai ter empachamento. Um monte de problema, Letícia. Um monte de problema. Então, uma coisa é diretamente ligada à outra. Aí que entra o lipedema. Então, quando você tem esse organismo totalmente alterado, patológico, inflamado, aí é a porta de entrada para várias doenças. Uma delas é o lipedema. Então, como que o patologista pode ajudar no tratamento do lipedema? Fazendo um exame da intolerância alimentar e do microbioma. Para dizer para o médico, para você, para o paciente, quais são os alimentos que ele não pode comer. Então, o laudo é feito primeiro em vermelho. Aparecem esses alimentos que você não pode comer. Depois, em amarelo, você come mais ou menos. Em verde, você come quando você quiser. A quantidade de anticorpo, a quantidade de imunoglobulina é baixinha, não tem problema. Entendeu? Sim. E, doutor, por exemplo, na questão do lipedema, se alguém come, ou até do microbioma, uma disfunção, alteração, não sei qual é a palavra certa para usar, no microbioma, ela pode desenvolver o lipedema em alguém ou ela pode agravar os sintomas? Qual é a ligação? Nos dois. Alguém que não tem lipedema pode ter justamente... Tem o fator genético também, que está em jogo, do lipedema. Então, você tem o fator predisponente, que é o genético. E aí, o fator desencadeante, que é o meio ambiente, que é esse organismo inflamado. Esse é o desencadeante. Aí, você pergunta para mim, por que todo paciente que fuma não tem câncer de pulmão? Porque, para haver o câncer, precisa ter fator predisponente, que é a genética do paciente, que ele herda dos pais. E o fator desencadeante, que é o cigarro. Então, quando junta os dois, a pessoa vai ter um câncer. A pessoa vai ter lipedema. A pessoa vai ter um monte de doença. Câncer vai ter um monte de coisa. Um monte de doença. Doença renal. A cirrose não alcoólica. Existe um tipo de cirrose que não é devido ao álcool. É devido a esse mecanismo. Cirrose não alcoólica. Doença renal. Doença em todo o corpo. O corpo sofre por quê? Porque a pessoa não cuida das... Quais são os seis pilares da medicina, do estilo de vida, Letícia? Você quer brincar com o seu bisneto? Quer? Com certeza. Eu também quero. Eu já tenho neto. Então, você tem que seguir os pilares da medicina. Qual é? Um deles, eu já falei, que é a alimentação. Outro é o sono. O nosso corpo precisa, precisa de oito horas de sono. Agora, essas oito horas, elas têm uma importância diferencial. Porque você acorda de manhã. Você trabalha de manhã. Você almoça. Você trabalha à tarde. Chega lá pelas seis, sete, oito horas da noite. O seu corpo, os seus órgãos estão cansados. Eles estão pedindo para você. Vamos dormir? Me dá um descanso. Me leva para a cama. Vamos dormir? Aí você vai para a boate, você vai para a balada, você vai para o cinema. Você vai dormir meia-noite, não é? Então, deixa eu te falar. Das nove da noite até meia-noite, cada hora que você dormir vale duas para o corpo. Então, se você dormir nove horas da noite, à meia-noite você já dormiu seis das que você precisava. Aí, da meia-noite às três da madrugada, é um a um. Então, se acordando às três horas da manhã, você já dormiu nove horas. O seu corpo está em paz com você. Está agradecido a você. Entendeu? E aí você pode, então... Outro dia eu estava vendo uma reportagem no jornal. Uma grande empresária vai dormir às nove da noite e acorda três da manhã. Aí, das três às cinco da manhã, ela vê e-mail do mundo inteiro que chega para ela. Ela responde todos os e-mails. Às cinco horas da manhã, vai para a empresa dela e começa a trabalhar. Aí trabalha até às seis, depois vai para casa, vê um pouquinho de televisão, nove horas, cama. É assim que ela faz. Isso é perfeito. O caipira fala, vai dormir com as galinhas, né? Esse é o organismo nosso. O organismo nosso é isso. Outro fator importante, você manipular o estresse. Outro pilar da medicina, manipular o estresse. O estresse, o que que é? Eu tenho um laboratório, Letícia, tem cem funcionários. Tem funcionário que eu mando ele fazer uma coisa, e ele não faz. Ele faz do gosto dele. E eu falo uma vez, nada. A terceira vez, eu fico nervoso, porque ele dá vontade de torcer o pescoço dele. Aí, o que eu faço? O que que é isso? É uma descarga de adrenalina. A adrenalina é uma substância química produzida por um sistema nervoso chamado simpático. Então, o sistema nervoso simpático, quando você fica com estresse, fica com pitir, ele dá uma descarga de adrenalina. Então, o seu coração fica batendo, o seu pulmão tá... Como é que você combate isso? Tem um outro sistema chamado parasimpático, que é o contrário do simpático. Então, o que que você faz quando você entra no pitir? Você vai no banheiro, tranca a porta, e respira fundo e solta. Respira e solta. Cinco minutos. Você sai de lá totalmente diferente, porque você consumiu a adrenalina. Aí, você encontra o funcionário, você dá um abraço nele, ele fala, obrigado de você estar aqui, viu? Você quis resgatar. Isso é manipular o estresse. Outro item importante, ginástica. Fizeram um trabalho, durante dez anos, a USP e a Harvard fizeram um trabalho. O que que eles queriam saber? Eles queriam definir qual é a quantidade de ginástica que você tem que fazer para não ter sarcopenia. O que que é sarcopenia? Sarcos é músculo, penia é diminuição. Então, a partir dos 50, 60 anos, a sua musculatura vai desaparecendo, se você não faz ginástica. Só que eles queriam saber quanto de ginástica eu preciso fazer para não ter sarcopenia. E eles chegaram à conclusão. São 150 minutos por semana. Então, veja bem. Segunda, terça, quarta, quinta e sexta, faz 30 minutos de ginástica, de academia, levantar peso, puxar ferro, você já cumpriu. Sábado e domingo, você descansa. Segunda, terça, quarta, quinta e sexta, você volta. Você não vai ter sarcopenia. Qual que é o problema da sarcopenia? Vai acabando o músculo, você não tem força para mais nada. Precisa alguém te levar no banheiro, precisa alguém escovar o dente para você, fazer a barba, porque a sua musculatura desaparece. É a sarcopenia. Se você não fizer ginástica, é isso que vai acontecer. Esse é outro pilar, é a ginástica. Porque a ginástica é fundamental. Câncer, o câncer hoje em dia, está provado que ele vem de uma inflamação. Então, se o seu organismo está inflamado, você está dando chance para o inimigo desenvolver um câncer dentro do seu corpo. Aí você fala, mas câncer do quê? Depende de qual órgão seu que é mais suscetível a um câncer. Pode ser tiróide, pode ser o pulmão, pode ser o cérebro, pode ser o rim, o fígado, qualquer órgão. O estômago, qualquer órgão. Então, o que você tem que fazer? Não fique inflamada. Porque se você ficar não inflamado, ou seja, normal, o mal não vai te atingir. Não vai te atingir por causa disso que a gente está comentando. Você não vai ter Leaky Gat Syndrome, você não vai ter disbiose, e o seu organismo vai ficar bom, você vai viver. A Bíblia fala que você vive 120 anos. Por que nós não chegamos até lá? Por culpa nossa, porque a gente não fala o que a Bíblia fala que tem que fazer. Então você tem que dormir cedo, tem que fazer ginástica, tem que comer bem, tem que manipular o estresse. É isso que você tem que fazer. Você tem que ter uma crença que existe um Deus, algo superior a você, que pode te ajudar. O mundo é muito hostil, ele é muito cruel para você ficar sozinha, Letícia. Você precisa amparar em alguém, você precisa segurar num corrimão. O que é esse corrimão? É essa crença, essa fé que você tem que ter. E o último qual é? Propósito de vida. Você tem que acordar de manhã, 5 horas da manhã, contente, porque você vai ter mais um dia para você ir atrás do seu objetivo, do seu propósito de vida. Qual é o meu propósito de vida? É uma luta contra o câncer. Isso eu tenho faz 200 anos que eu já pude. É uma luta contra o câncer. Todo dia eu faço 80, 90, 100 diagnósticos no meu laboratório, muitos deles de câncer, mas eu estou beneficiando aquele paciente porque eu estou dando um diagnóstico para o médico poder tratar. Cada um faz a sua parte. Eu faço a minha parte, eu nunca vejo. Dificilmente eu vejo os pacientes que eu cuido, mas eu cuido através de um bom exame, entendeu? É assim que funciona. Doutor, tem algum tipo de intolerância que é mais específico para quem já tem o diagnóstico, para quem tem a condição, melhor dizendo, do lipedema? Não. Qualquer intolerância alimentar provoca o estado inflamatório. É o estado inflamatório. É como se você tiver um país, por exemplo, vem agora guerra, não é? Israel, Irã, tudo. Então o país está em alerta máximo. Seu corpo, quando você tem uma inflamação, ele está em alerta máximo. Ou seja, qualquer coisinha, você vai lá e dá um tudo, responde com tudo. E você não pode, você tem que ter paz. Você tem que ter calma no seu corpo. E como é que você tem calma no seu corpo? Comendo uma dieta boa, que você come tudo o que você pode comer, você pode digerir. Isso é um primeiro ponto. Porque aí você não vai ter a desbiose, não vai ter microbiota errada. Entendeu? E assim você vai bem. Sim. E para quem tem a condição, você costuma, a pessoa se fizer o exame da intolerância alimentar, por exemplo, ela já vai saber o que vai aparecer ali. Tratando, não consumindo aqueles alimentos, já é o caminho do tratamento. É o primeiro caminho. Dois biólogos na Inglaterra que bolaram, é um kit que eles fizeram, e eu fui lá e eu comprei esse equipamento e eu compro o kit, eles mandam para mim, eu pego o kit, e para que eu colho um pouco de sangue do paciente e uso o kit. E o kit, ele me dá uma resposta para 222 alimentos, quais são aqueles que a pessoa já está predisposta a ter problema. Entendeu? Então, de cada 222, em geral, os pacientes que têm um sintoma pequeno, por exemplo, enxaqueca, aquela paciente que eu falei para você, ela tinha oito alimentos que ela não podia comer. E por que ela foi me procurar? Porque ela cortou da dieta dela esses alimentos e em dois meses ela voltou lá porque ela não tinha mais enxaqueca. Por quê? Porque acabou aquele problema dela. Acabou o problema, bola para frente. Vamos bola para frente. E os sintomas melhoram de forma geral, doutor? De forma geral. Inclusive, inchaço, essa reclamação da dor, tudo que a gente já acabou citando sobre o lipedema, melhorando a inflamação, isso é o caminho para... No tratamento do lipedema, esse exame é o primeiro exame que o doutor Amato pede. Por quê? Porque ele vai se pautar por ali, ele vai falar para o paciente, olha, para começo de conversa, tira esses alimentos da sua dieta, esquece, esquece. Aí, às vezes, a pessoa telefona para mim e fala, doutor, deu chocolate aqui, nunca mais eu vou poder comer chocolate. Não, não é assim. Você vai ficar três meses sem comer chocolate para zerar. Aí, você come um pedacinho de chocolate e espera uma semana, vê se acontece alguma coisa com o seu organismo. Porque leva quatro a seis dias para o organismo produzir o anticorpo contra o chocolate, contra o antígeno. Então, se ele produz, já está o problema. Então, você espera, não deu. Aí, na outra semana, você come um pedacinho um pouquinho maior. E aí, você vai reconhecendo o seu genoma. Isso que é o ideal, né, Letícia? Você sabe, você não precisa ficar vendo no rótulo o que tem e o que não tem. Você já sabe que aquele alimento faz mal para você, você vai comer. Ou então, se você adora aquele alimento, você come pouquinho. É isso que é difícil, né, doutor? Controlar para quem acaba... Diz o ditado popular, não existe almoço de graça, né? Você tem que pagar um tanto, né? Exatamente. E doutor, quais são os maiores erros agora que a gente já está... Infelizmente, o nosso tempo é muito curto, mas queria entender um pouquinho sobre os erros, né? Porque tem muitos mitos, também, que a gente até tinha conversado no último episódio sobre o que as pessoas acreditam relacionado ao microbioma, intolerância alimentar e ligado ao lipedema, mas que, na verdade, precisa dessa investigação mais profunda, algo realmente acompanhado com especialista, com médico e com esse exame específico sobre isso para que a doença possa melhorar. Então, para quem tem o diagnóstico que está acompanhando a gente aqui ou para quem conhece alguém que está passando por essa situação, que descobriu o lipedema, enfim... Porque eu imagino que quem chegou aqui no nosso episódio relacionado a essa doença tem algum motivo para isso. Então, doutor, o que as pessoas devem levar mais em consideração e o que tem que deixar de lado como uma forma de mito mesmo relacionado a tudo isso que envolve a intolerância alimentar? Você quer ver? Por exemplo, microbioma, né? Um dos tratamentos para você consertar a microbiota de um paciente é você prescrever probióticos e prebióticos, e às vezes um complemento hormonal também é importante. Aí a pessoa liga para você e fala assim, isso é frequente, a pessoa liga para o médico e fala assim, doutor, qual probiótico que eu devo comprar na farmácia? Eu não sei, depende do erro que está acontecendo no seu intestino. Então você precisa fazer primeiro o exame para saber quais são os probióticos que estão faltando, quais são os prebióticos que estão faltando. E a gente manda com o exame um suplemento também, dando uma orientação para o médico, para ele orientar a paciente e o paciente no que deve tratar. Então se você fizer esse exame para o paciente que tem lipedema, o primeiro passo é esse. E aí ele vai entrar com o tratamento mais específico, mas ao mesmo tempo ele já colocou em paz o organismo dessa pessoa, porque a pessoa que tem o lipedema não veio do nada. O lipedema veio de uma síndrome inflamatória que a pessoa desconhecia, ela não sabia que tinha, mas ela tinha. Aí se você tira o alimento proibido e você conserta a microbiota, em 2, 3, 4 meses no máximo, a pessoa está no metabolismo normal. Aí ele vai entrar no tratamento específico do lipedema. Entendeu? E doutor, então agora para quem se interessou na parte prática, como que funciona o exame? É exame de sangue? É exame pela saliva? Porque eu sei que alguns são assim. Como que funciona? Tem algum preparo para quem já estiver querendo ter essa resposta? Para se alimentar, não precisa de preparo nenhum. Aliás, você não deve cortar nada. Você deve fazer o teste exatamente com o alimento que você está acostumado a comer. Aí colhe um pouco de sangue. Essa coleta pode ser feita a domicílio. A gente tem um coletor que vai no domicílio e ele colhe. E aí aquele exame, a gente chega no laboratório, a gente separa o soro, é onde tem a parte do anticorpo, coloca nessa máquina, a máquina é totalmente automatizada, e ela vai dar a resposta. Em relação ao microbioma, isso não precisa nem isso. Você pede um kit, a gente manda para a sua residência um kit para você colher o microbioma. Dentro desse kit tem um plástico onde você veste o vaso sanitário e primeiro você faz xixi para não misturar o xixi com o cocô, que vai dar problema. Então primeiro você faz o xixi, aí você veste o vaso sanitário e você faz o cocô e ele fica ali. E aí tem um tubinho, tem uma espátula onde você raspa um pouquinho do cocô, põe ali, tem um fixador, aí você tampa direitinho, põe num saquinho de plástico e manda para o laboratório aquele kit. Não precisa nem ir até o laboratório. Aí você manda, a gente faz um exame, leva 30 dias mais ou menos, e aí a gente manda a resposta para a sua casa. Tá certo. Muito obrigada, doutor. Doutor Paulo Grimaldi, que conversou aqui com a gente agora, foi um papo realmente muito esclarecedor. É uma aula, né? Toda vez que a gente conversa, daria para ficar horas e horas falando sobre esse tema. Eu vou aproveitar, doutor, pedir para que, se alguém ficou com alguma dúvida relacionada a esse tema, algo específico que queira saber, para que procure alguma rede social, doutor, que queira passar, ou algum site, algo que as pessoas possam te encontrar. Olha, eu tenho o Instagram, né? Arroba Paulo Grimaldi. Legal. E eu tenho o e-mail grimaldi arroba patos.com.br e a pessoa me acha, só põe o meu nome lá que a pessoa me acha. O nome dos laboratórios também, né? Um chama Patos, que é para anatomia patológica, e o outro chama Origem. Eu resolvi separar, porque a metodologia é totalmente diferente. Aqui na parte de câncer é de um jeito, na parte de anatomia patológica. Na parte de origem, que é a origem da doença, é diferente. Então a gente tem endereços diferentes. Um fica na Vila Clementina, o outro fica pegado no Hostal Agacor, ali na desembargador Gil Vicente. E aí, então, aí no laboratório, a gente quiser visitar o laboratório, também vai ser um prazer. A gente tem uma forma, um protocolo. Tem alguns estudantes de medicina que eu tenho convidado, porque atualmente a gente tem uma falta muito grande de patologista no mercado. Porque os médicos não querem fazer patologia, porque os professores não mostram para eles a parte bacana da anatomia patológica. Então eles acabam se formando sem saber o que é a anatomia patológica. Então eu tenho aberto o laboratório para alunos de quinto e sexto ano que querem conhecer o que é a anatomia patológica. Então eles vão, marco o telefone, marco uma reunião, e eles ficam sábado à tarde lá. Tem uma moça que faz a macroscopia, que ensina, mostra direitinho como é, e tem alguns já que estão pensando em fazer a anatomia patológica por causa disso. Quem sabe eu troco o jornalismo também, né? Opa! Quem sabe, né? Fica no ar aí. Obrigada, doutor, pela sua participação aqui. Eu que agradeço. Então a gente está deixando todos os links para caso você tenha se interessado em tudo o que o doutor Paulo Grimaldi citou. Pode mandar suas dúvidas diretamente para os canais que a gente mencionou, mas também pode comentar aqui nos nossos vídeos que a gente está sempre de olho. E agora a gente termina a nossa série especial aqui do Lipedema Evolution, o congresso que ficou muito específico no tudo que envolve o lipedema, diversas especialidades. A gente trouxe aqui cirurgião, trouxe muitas pessoas que possam agregar, que podem agregar nesse assunto. Mas a gente continua falando sobre os diversos temas que envolvem qualidade de vida no Amatocast, que a gente posta semanalmente os vídeos. Então eu conto com a sua participação, conto também com as suas dúvidas aqui nos nossos comentários, na caixinha de perguntas que o doutor Alexandre Amato, nosso cirurgião vascular, sempre abre nas redes sociais dele. E a gente está sempre de olho, então não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para que a gente continue com o nosso engajamento para trazer aqui os nossos especialistas. Muito obrigada e até a próxima. Tchau!