
AmatoCast, episódio 54
CETAMINA no Tratamento da Depressão: Dr. Tiago Gil Explica Tudo
Neste episódio
Em continuação ao episódio anterior, o Dr. Tiago Gil discute o uso da cetamina em depressões resistentes a outros tratamentos e os cuidados de segurança do procedimento. No quadro de mitos e verdades, ele explica que depressão não é fraqueza de caráter, e sim uma doença com características próprias, diferente da tristeza passageira. Ele afirma que a depressão é tratável, que costuma ser episódica e que os antidepressivos são apenas uma parte do tratamento, que deve ser individualizado conforme o grau da doença e a idade da pessoa.
Assista
Sobre o episódio
Você já ouviu falar da cetamina como tratamento para a depressão, mas ainda está em dúvida sobre como ela realmente funciona? Neste episódio incrível do Amato Podcast, Leticia Miyamoto recebe o Dr. Thiago Gil, um renomado anestesista, para esclarecer tudo sobre o uso desta substância em casos de depressão resistente a outros tratamentos. Descubra como a cetamina age no cérebro, quais são os mitos e verdades sobre seu uso e como ela pode transformar vidas ao oferecer um alívio rápido e eficaz dos sintomas depressivos. Dr. Thiago Gil também compartilha informações essenciais sobre a segurança do tratamento, os cuidados necessários e como encontrar clínicas confiáveis para realizar o procedimento. Este é o guia definitivo para quem quer entender o potencial da cetamina na medicina moderna e o que isso pode significar para o futuro dos tratamentos psiquiátricos. Se você está interessado em saúde mental e avanços médicos, não perca essa conversa esclarecedora e cheia de insights valiosos. Aperte o play e transforme sua visão sobre a depressão e seus tratamentos!
Data de publicação:
13/11/2024
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Você quer saber mais sobre como a cetamina pode revolucionar o tratamento da depressão? Então, não perca este episódio esclarecedor com o Dr. Tiago Gil! Descubra mitos e verdades e entenda a importância de escolher lugares seguros para os tratamentos. Inscreva-se no nosso canal para mais conteúdos que podem transformar a sua visão sobre saúde e bem-estar. Siga-nos em https://bio.amato.io/youtube e fique por dentro de tudo ativando o sininho de notificações! Ah, e não esqueça de conferir nosso podcast em https://bio.amato.io/cast para se aprofundar ainda mais em temas relevantes que podem mudar a sua vida!
No último episódio do Amato Podcast, Letícia Miyamoto conversou com o Dr. Thiago Gil, médico anestesista, sobre o uso da cetamina no tratamento da depressão. Destacaram-se os avanços na medicina para combater a depressão, explicando a cetamina como um anestésico utilizado terapeuticamente e distinguindo seu uso de possíveis abusos. Dr. Thiago desmistificou a relação entre depressão e falta de serotonina, esclarecendo que o excesso de glutamato no cérebro pode estar associado à condição e que a cetamina atua bloqueando esse neurotransmissor excitatório, permitindo novas conexões entre neurônios.
Um ponto interessante foi a desmistificação do caso de Didia Cardoso, que gerou preocupação midiática sobre a cetamina. Esclareceu-se que os abusos ocorreram por uso recreativo e não terapêutico da substância. O episódio desfez mitos comuns sobre a depressão e destacou a importância de um tratamento medicamentoso adequado e personalizado.
Dr. Thiago também enfatizou a necessidade de procurar lugares adequados e seguros para tratamentos com cetamina, principalmente sob a orientação de um anestesista, para garantir o sucesso terapêutico. Pacientes interessados devem passar por uma consulta pré-anestésica e se beneficiar de um tratamento integrado, que pode incluir suporte psicológico adicional.
O episódio foi esclarecedor ao tratar de uma abordagem moderna e eficaz para a depressão, reforçando a importância da segurança e acompanhamento médico contínuo no tratamento com cetamina.
– Leticia Miyamoto: Jornalista e Apresentadora do Amato Podcast. Sua habilidade em conduzir a conversa é notável e traz clareza ao tema. Instagram: @aleticiamiyamoto
– Dr. Thiago Gil: Médico Anestesista. Ele ofereceu uma visão abrangente e esclarecedora sobre o uso da cetamina no tratamento da depressão.
0:00:00 Mitos e Verdades Sobre Depressão e Cetamina
0:05:36 Depressão e Luto: Adaptando-se ao Estresse
0:05:49 Desvendando a Natureza Complexa da Depressão
0:55:28 Rumo à Autonomia Plena: Reconquiste Sua Vida
0:55:38 Autonomia e Remédios: O Que Realmente Importa?
1:00:51 Reavaliando Medicamentos: Quando Desprescrever é Ideal?
1:01:03 Autonomia no Tratamento: Desprescrição e Negociação
No episódio 54 do Amato Podcast, Letícia Miyamoto entrevistou o Dr. Thiago Gil, renomado médico anestesista, para discutir o uso inovador da cetamina no tratamento da depressão. Este diálogo esclarecedor revelou como a cetamina, tradicionalmente conhecida como um anestésico, está se posicionando na vanguarda da medicina avançada, oferecendo novas esperanças para a saúde mental. Dr. Thiago desmontou mitos comuns, explicando que, ao contrário da crença popular, a depressão não se resume apenas à falta de serotonina; de fato, o excesso de glutamato pode desempenhar um papel crucial. A cetamina atua bloqueando este neurotransmissor excitatório, permitindo a formação de novas conexões entre neurônios, promovendo qualidade de vida e bem-estar. Referências a casos midiáticos, como o de Didia Cardoso, destacaram a importância de diferenciar o uso terapêutico do recreativo, reforçando a necessidade de procurar tratamento em locais seguros e sob supervisão médica. O Dr. Thiago enfatizou a relevância de um acompanhamento contínuo e personalizado, incluindo suporte psicológico, para garantir o sucesso dos tratamentos de saúde. A discussão no Instituto Amato reafirma a credibilidade científica e o avanço médico associados à cetamina e sua aplicação na saúde no dia a dia, desmistificando conceitos e trazendo à tona dicas de saúde valiosas para prevenção de doenças e tratamentos eficazes de depressão.
No episódio 54 do Amato Podcast, Letícia Miyamoto dialoga com o Dr. Thiago Gil sobre a utilização da cetamina no tratamento da depressão, oferecendo uma visão clara e inovadora sobre essa abordagem terapêutica. O Dr. Thiago, médico anestesista, esclarece que, ao contrário da crença popular relacionada à falta de serotonina, o excesso de glutamato seria um fator contribuidor para a condição, e que a cetamina age bloqueando esse neurotransmissor e promovendo novas conexões neuronais. A discussão também aborda casos midiáticos, como o de Didia Cardoso, esclarecendo que preocupações surgem devido a seu uso recreativo, desvinculando-os do uso clínico e seguro da cetamina como droga terapêutica para a depressão. Destaca-se a importância de um acompanhamento médico especializado, principalmente em centros seguros e sob a orientação adequada de um anestesista, para maximizar os benefícios e minimizar possíveis efeitos colaterais. Com uma abordagem informativa e detalhada, o episódio enfatiza o papel vital de tratamentos medicamentosos personalizados e o suporte psicológico adicional, para tratar condições como depressão sorridente, depressão pós-parto e depressão maior, contribuindo assim para uma melhor qualidade de vida e prevenção de doenças no âmbito da saúde mental.
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Transcrição
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato, e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais para falar de temas muito interessantes, um que foi novos tratamentos contra depressão, paradepressão, um tema também bastante discutido aqui, a gente já falou sobre algo mais genérico sobre isso algumas vezes aqui no canal, mas a gente trouxe tudo que é de novo, de mais moderno na medicina para o tratamento da depressão, e antes também nós trouxemos um especialista para falar de síndrome metabólica, um nome que não é muito conhecido para quem não é da área da saúde, para quem não faz parte dessa área médica, mas ao mesmo tempo tem bastante coisa para falar sobre isso, para quem não assistiu, não deixe de conferir aqui no nosso canal. Hoje a gente traz novamente um especialista, um convidado especial, que é o doutor Tiago Gil, que é médico anestesista, que dessa vez vai continuar, para quem assistiu o último episódio, a gente falou que esse seria basicamente uma continuação desse episódio sobre tratamentos contra depressão, só que hoje especificamente falando da cetamina, que levanta muitas polêmicas, tenho certeza que você já escutou falar, se não com a palavra cetamina, mas talvez ketamina, todo mundo já escutou pelo menos uma vez essa forma de tratamento.
Continuar lendo a transcrição
Então vou apresentar o nosso convidado de hoje, o doutor Tiago Gil é graduado em medicina pela Universidade de Cidade de São Paulo em 2012, e especializado em anestesiologia em 2016, pelo hospital Estela Mares. Realiza infusões de cetamina no Centro de Cetamina São Paulo, e é membro do Comitê Científico da Sociedade Americana de Cetamina, a sigla é ASKP. Doutor, mais uma vez, bem-vindo aqui no Amatocast.
Muito obrigado, Lidia. Já vou aproveitar também, antes da gente ir direto para o nosso assunto, e agradecer o nosso patrocínio, que é novo aqui para o canal do Amatocast, que é o do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco da origem é qualidade de vida e prevenção.
Doutor, no último episódio a gente falou, já esclareci sobre a palavra, né, cetamina, quetamina, qual está certo. Para quem ficou com a dúvida, volta lá no nosso último episódio, que a gente já esclareceu esse termo, né. A maioria escuta falar quetamina, para ser sincero, eu escutava sempre quetamina.
Agora que... Vou te contar um segredo. Quando a gente está entre anestesistas, a gente chama de quetamina. Ah, esse segredo ele não tinha comentado.
A gente chama de cetamina quando eu falo com o público externo, mas aqui interno, assim, quem vai fazer a quetamina? Quem vai fazer a quetamina? No grupinho é sempre quetamina. Revelou. Mas é uma coisa mais fácil de falar, né, é uma coisa vocal mais fácil de falar, acho que é cetamina, mas lembra que a gente não faz dieta quetogênica, a gente faz dieta cetogênica.
Verdade, é uma forma de lembrar qual que é o mais correto, né. Mas a raiz é a mesma dos corpos cetônicos, da dieta cetogênica e aqui do grupo cetona. É que dá uma satisfação falar quetamina, não sei se você... Eu acho que é só uma coisa mais da... Essa impressão.
É uma coisa mais da fala, mas quando for escrever, escreve com um C que tá tudo certo. Nunca escreva com Q, nem com K, que isso são formas... Vou até mudar o seu contato no meu WhatsApp aqui, que eu já tinha colocado com Q. Não acredito que você colocou com Q. Meu arroba é cetamina por causa disso. É, então, aí já vai para as redes sociais, para quem quiser acompanhar, né.
Bom, então agora mitos e verdades falando dos novos tratamentos que a gente tinha citado, não deu tempo, né, de comentar no último episódio, mas já que o pessoal gosta tanto desse quadro, a gente já começa, vai inverter hoje, começa pelos mitos e verdades. Doutor, primeiro mito ou verdade. Depressão é apenas tristeza passageira? Não, depressão é um transtorno, uma doença crônica, então você, uma vez que teve depressão, você tem essa capacidade, todo mundo tem a capacidade de deprimir, mas você tem uma facilidade de deprimir, então você tem uma capacidade de deprimir, só que ela é episódica, então ela vai acontecer em episódios, então vai ter dias que eu vou estar melhor, e ter dias que eu vou estar pior.
Depressão não é uma tristeza, o que define depressão, principalmente, é a falta de volição, de capacidade de fazer as coisas, e a falta de prazer nas coisas, a anedonia. Tristeza é um dos componentes, muitas vezes ele está acompanhado, mas não é uma tristeza passageira. Muitas coisas nos deixam triste, mas quando me deixam triste, eu não paro de comer.
Quando me deixa mais chateado, meu time perdeu, eu briguei, eu não tenho insônia, não deixo de comer, não perco o arredimento no trabalho, tristeza é isso, tristeza é um sentimento humano. Depressão é um transtorno mais profundo e ele tem suas características próprias. Depressão é apenas uma fraqueza de caráter, essa foi forte, né? Lembrando que esses daqui são training topics, tá, doutor? O que as pessoas estão mais pesquisando na internet, não sou eu falando, não.
Esse parece até um pouco de papo dos mais velhos, né, levanta a bunda daí, vai fazer alguma coisa, mas é que isso é falta de ter o que fazer. Depressão está longe de ser falta de caráter, muito longe de ser falta de alguma coisa que a gente consiga identificar tão facilmente quanto vontade, caráter, ou falta de Deus, ou sem vergonhice. Depressão é uma doença que pode acometer qualquer um, em qualquer momento, então ela tem suas características, ela tem seu tratamento, ela tem sua organização e sua padronização, e falta de caráter com certeza não está entre elas.
Depressão não é uma doença real. Essa é uma coisa bem complicada, porque a gente vai ter que chegar em duas visões de mundo diferentes. Tem aquelas pessoas que são de um lado, que vão te falar, olha, depressão não existe, isso é uma corrente que existe, existem psiquiatras, inclusive, psiquiatras ingleses, que falam isso, olha, depressão não existe, eu não tenho nenhuma base fisiopatológica, eu não consigo nada convincentemente que me fale que depressão existe.
Então, eu tenho um processo adaptativo ao estresse de uma pessoa, como o luto é um processo adaptativo à perda daquela pessoa, ou à perda daquele trabalho, então o luto é um processo adaptativo e depressão é parte de um processo adaptativo ao estresse. Como eu não tenho nada que eu consigo segurar e pegar na mão e falar isso aqui é a causa da depressão, eu não posso dizer que depressão é uma doença, então existe essa corrente que fala depressão não é doença. Tem muitos psicólogos, psicanalistas e alguns psiquiatras que vão por essa linha.
Existe um outro lado, que vai falar depressão é só doença. Depressão é puramente bioquímico, puramente funcional, puramente cerebral e eu não tenho ainda, eu não consigo encontrar, mas até inventarem um contador de radiação, eu dizia que não existia radiação. Quando eu consegui um contador que mede radiação, eu não estou vendo, mas eu descobri o que estava me machucando, a radiação.
E a depressão eu não consigo ver ainda, porque o meu instrumento é ruim para enxergar a depressão. Eu tenho alguns instrumentos que chegam próximos, que eu consigo delimitar, que eu consigo talvez olhar, então existe ressonância magnética funcional, não é aquela que a gente faz em laboratório, é só em pesquisa, que consegue ver um padrão de funcionamento cerebral que é repetido na depressão. Então ela é puramente biológica, então a depressão é somente uma doença e os dois lados, eles estão errados, eu te garanto que os dois lados estão errados.
Eu te garanto que alguma coisa aí no meio termo, depende para algumas pessoas, provavelmente vai mais para um lado, é mais comportamento e menos biológico, para outro é mais biológico e menos comportamento e ainda deve ter nesse caldo aí um monte de coisa que a gente não consegue nem imaginar, não consegue nem ver. Eu gosto de fazer uma analogia com o bolo, o bolo tem leite, mas o bolo não é de leite, o bolo tem farinha, mas eu não consigo separar a farinha, não consigo separar o ovo, mas quando eu tenho um bolo, eu tenho tudo junto e eu sei que lá dentro tem isso, então tem um componente biológico, tem um componente psicológico, tem um comportamento social, eu tenho um monte de coisa que forma a depressão, mas dizer que ela não é doença é negligenciar o sofrimento de quem tem. E tem a forma grave também, que a gente falou no outro episódio, inclusive para quem quer uma explicação mais a fundo, né doutor, do que é a depressão, causa da depressão, tudo isso a gente comentou no outro, para não parecer que a gente está indo direto agora para o tratamento, para quem perdeu a primeira parte, é legal conferir lá.
Doutor, depressão não pode ser tratada. Isso é um mito muito bom, né, porque a depressão pode ser tratada, a chance de cura é muito alta, a chance de você retomar a sua vida como era antes da depressão é muito alta, posso te dizer com confiança, em torno de 80% dos casos resistentes, então eu estou falando, não é das pessoas que são, dos casos resistentes, em torno de 80%. E depressão é episódica, a depressão vem e vai embora, ela é um negócio muito de comparar com asma, eu tenho asma, eu não posso curar a asma de uma pessoa, uma vez que tem asma, ela vai poder ter asma para sempre, ela vai ser capaz de fechar o pulmão para sempre, mas não quer dizer que ela está constantemente no hospital, quer dizer que ela tem episódios, esses episódios ela vai fazer inalação, uma, duas, três, quatro inalações, e depois ela vai seguir a vida normal por anos, antes de ter um novo episódio.
Apenas antidepressivos podem tratar a depressão? Antidepressivos é uma parte do tratamento, antidepressivos é uma parte, talvez hoje, mais divulgada do tratamento, mas ele não é nem o único, talvez nem o melhor, nem o mais rápido e nem o mais seguro, talvez. Existem medidas, existem graus de depressão, existem estágios, estados que a gente tem que separar e tem que usar a medicação correta, para o lugar correto, na pessoa correta, na idade correta, então a depressão de uma pessoa mais jovem não deve ser tratada igual a depressão de uma pessoa mais idosa. Pessoas com depressão precisam apenas se animar? Se fosse isso, qualquer ser que resolvia a depressão, não precisava de médico, não precisava de psicólogo, não precisava de palhaço, põe um palhaço para fazer duas piadas e resolve a animação.
Depressão é um comportamento muito maior do que isso, e não é só tristeza, contém tristeza, mas a irritabilidade, por exemplo, é uma característica de alguns tipos de depressão, a gente quando fala de depressão, pensa em depressão melancólica, que é um tipo de depressão, que é a depressão mais comum, e aqui vem a cabeça, depressão onde está tudo escuro e melancólica, mas a depressão irritada, a depressão atípica, a depressão ansiosa, são tipos de depressão, que também são depressão, que também cursam com a anedonia, a falta de prazer, a falta de evolição, distúrbios orgânicos, como alimentação, como sono, distúrbios dos ritmos, e não cursa com tristeza, cursa com ansiedade, cursa com irritabilidade, cursa com outras coisas que não tristeza. Tristeza é um componente que muitas vezes está presente na depressão, mas ela não é definidora de depressão. Doutor, até nesse episódio que a gente vai falar da cetamina, a necessidade de exercício físico está associada também, ou isso, eu já aproveitei para fazer uma pergunta aqui, saiu um pouco do mito de verdade, já vou voltar, gente, só para já adiantar se isso precisa andar junto com o tratamento.
O exercício tem uma força de eficácia muito grande, o exercício, e tem recentemente um trabalho que mostrou qual exercício físico é melhor para o tratamento da depressão, e qual a força de eficácia disso, porque quando a gente fala, não é tão simples o mundo, é eficaz, não é tão preto no branco, tão simples, eu tenho que pensar sempre em qual o tamanho da população que eu ajudo, e se eu ajudo com qual o tamanho de eficácia que eu ajudo, são dois componentes que a gente tem que sempre pensar no tratamento. E o exercício físico, incrível que pareça, e yoga, é um exercício físico que tem uma grande resposta antidepressiva, exercícios de força e de corrida tem grande eficácia antidepressiva, então a intensidade do exercício modifica a resposta antidepressiva que a pessoa apresenta. Mas eu não consigo pegar uma pessoa que nem toma banho, que não escova os dentes, tirar ela da cama, colocar ela para fazer yoga, arrastar na coleira, isso é mais prejudicial do que terapêutico.
Então o exercício físico tem um papel na prevenção de depressão, ele tem um papel na estabilização do humor, e ele tem um papel em quadros leves até moderados. Passou de moderado grave, eu não vou ter muita eficácia de exercício físico. Apenas mulheres têm depressão? As mulheres são as que mais têm depressão, então se a gente pegar uma população, a maior, 60% dos quadros depressivos acontecem em mulheres.
E mais ou menos entre 35 a 45 anos é a idade que mais acomete as mulheres. Então mulheres de 45 anos, 30, 40 anos, são as mais vulneráveis para depressão. São as únicas? Não, a gente tem depressão em qualquer idade, a gente tem depressão em qualquer classe social, igualmente distribuída entre as classes sociais.
Depressão não é coisa de rico, que é um outro mito, em verdade. Mas em qualquer idade, a depressão no idoso é uma depressão super importante, que leva muitas vezes mais ao suicídio do que a depressão de pessoas mais jovens. A gente nem pensa em idosos com comportamentos suicidas, mas a depressão no idoso é uma depressão muito perigosa, difícil de tratar e perigosa.
E aí a gente tem nos dois sexos mais idosos igual, pessoas mais jovens, mulheres com 60% dos casos. Uma vez deprimido, sempre deprimido é o último? Eu não acredito que ninguém nasceu quebrado ou vai morrer quebrado. Essa não é uma linha que eu entendo na minha prática clínica.
Depressão é um acometimento, ele acontece, ele tem um começo e ele acaba. Se ele não acabou, ou a gente não está tratando a coisa errada, não era depressão, ou a gente está tratando mal tratado e eu não acredito que ninguém nasceu quebrado e vai ficar quebrado para sempre. Eu já vi muita gente se recuperar depois de muitos e muitos anos de quadro depressivo para acreditar que uma vez deprimido, sempre deprimido.
A pessoa, uma vez deprimida, pode ter mais facilidade de ter um novo episódio? Pode, isso sim. Mas quer dizer que ela vai? Quer dizer que vai ser grave? Quer dizer que vai ser intratável? Quer dizer que ela está condenada a ter um novo episódio gravíssimo? Não, eu não posso dizer que ninguém está imune a nenhum tipo de doença. Isso é, eu não posso dizer que eu sou incapaz de pegar uma pneumonia.
Isso não existe. Ou que uma vez que eu peguei uma pneumonia, que eu vou sempre pegar uma pneumonia. Não, depressão tem tratamento, tem cura.
Os episódios, eles podem aparecer e eles vão embora. E não quer dizer que eu vou ficar para sempre no episódio depressivo. Certo.
Agora, doutor, falando da cetamina, já entrando no nosso assunto, mais especificamente que a gente vai tratar hoje, né? Porque no último a gente até citou um panorama ali de vários, vários tratamentos, né? O que tem de mais moderno que eu citei anteriormente na medicina para o tratamento da depressão. Mas a gente precisa falar agora só da cetamina, que tem muita dúvida relacionada a esse tema. E eu já começo com uma polêmica, que é o da cinhazinha, da e-cinhazinha, do boi garantido, para quem não lembra do caso, mas acho que é algo, pelo menos alguma coisa escutou falar, porque repercutiu muito na época.
Foi em Manaus, mas eu acabei até repercutindo aqui em São Paulo, a cobertura desse caso, que era da Didia Cardoso, que o que diz ali, o que saiu na mídia também na época, é que ela utilizava a cetamina, ficou dependente da substância e que ela acabou tendo uma morte por conta de uma overdose da substância. Doutor, o que aconteceu de fato nesse caso? Claro que a gente não vai falar da paciente em si, até porque não é só a paciente, né? Não tem ali o todo histórico da Didia Cardoso para a gente falar de fato como foi a vida dela relacionada a isso, mas a cetamina é utilizada como anestésico, é utilizada como também substância entorpecente. Como é que funciona toda essa questão desse nome tão conhecido? Cetamina é uma medicação anestésica em uso desde 1970 no mundo, no Brasil, nos Estados Unidos, desde 1970.
Até 1999, essa medicação não era de uso restrito a hospitalar nos Estados Unidos. Quem proibiu ela de ser circular livremente foi Bill Clinton. E logo que ela foi lançada, lá em 1970, já houve algumas pessoas que faziam o uso dela como droga de abuso.
O que é uma droga de abuso? O que vai definir se a cetamina é uma droga de abuso ou se é uma medicação terapêutica? É o ambiente onde eu estou usando e o objetivo que eu estou usando aquilo. Quando eu uso a cetamina como um anestésico para pôr o ombro no lugar, eu estou fazendo um uso com um objetivo que não é recreativo. A Didia usava a medicação de forma recreativa.
Não é a única medicação que ela usava. Ela usava, por exemplo, o que sua mãe dela falou, rivotril. Ela falou, então existem os benzos diazepínicos, os calmantes, ela também utilizava calmantes.
E muitas vezes usava outras pessoas que tiveram o mesmo destino dela, também usavam opioides, como morfina, como tramal, como codeína, que são medicações que também levam à dependência. O ator de Friends lá, que morreu também, continha a cetamina no sangue, mas a maior parte era de opioide, era de análogos à morfina que ele tinha. Então, o que é o uso terapêutico? O uso terapêutico é quando eu faço uso dentro do hospital, quando eu faço uso com o objetivo terapêutico.
Em 2012, mais ou menos, os meninos da Tailândia, deve lembrar desse caso, ficaram presos dentro de uma caverna, a água entrou na caverna, e lá, naquele momento, a gente precisava tirar aqueles meninos, eram 13 pessoas, de dentro da caverna, por um mergulho em áreas super estreitas, super dentro da água, que mergulhadores experientes já haviam morrido naquela caverna, tirar essas crianças que não tinham nenhuma habilidade com mergulho de lugares confinados. E, para isso, o mergulhador, que também é anestesista, chamado Richard Harris, ele sedou essas crianças dentro da caverna, e passou por duas horas para elas por baixo da água, e usou cetamina para fazer essa sedação. Então, ali, ela não foi usada como droga recreativa, nem como droga de abuso, ela foi usada com o objetivo.
O uso recreativo de qualquer coisa, o uso recreativo de Rivotril, pode acontecer. Se eu fui indicado para ele para usar 1mg por dia ao deitar, e eu passo a usar durante o dia, é um uso recreativo. Eu não estou usando com a prescrição médica.
Cetamina é uma das medicações que podem ser utilizadas como droga de abuso. Adidia, e como outros que já fizeram abuso de cetamina, não começa o abuso através do uso terapêutico. Então, não é alguém que veio para a clínica, fez uma anestesia, usou cetamina, ou usou cetamina para tratar a depressão, e, desse ponto, ficou viciado e começou a roubar videocassete na rua para pegar.
Não é esse o trajeto. O trajeto é, usa drogas, cocaína, crack, maconha, usa também cetamina no contexto de abuso, ele nasce no contexto de abuso. Faz o uso de polidrogas, então, todas essas, com ainda drogas prescritas, como os opioides, como tramadol, que eu falei.
E, no meio de tudo isso, usa cetamina como droga de abuso, e vem a morte, e vem ao óbito. É a causa, eu não posso dizer que é a causa. Eu posso dizer que é um elemento que compôs o acidente.
É um elemento que compôs a morte. É, isso sim. Mas existe uma espetacularização da morte, existe uma espetacularização da adidia, e em falar que cetamina foi a causa.
O irmão dela começou o uso, o irmão dela fala, eu fui para a Inglaterra, conheci a cetamina como droga de abuso, normalmente ela é misturada com cocaína, então já começa com a polidrogas, usa-se cocaína com cetamina misturadas normalmente, e ele fala, e eu vim para cá. Quando eu vim para cá, eu ofereci a minha irmã. Quando eu ofereci a ela, ela, a mãe e o irmão faziam uso.
Eles faziam uso da medicação veterinária, não é a medicação humana. Qual que é a diferença se ele usa a veterinária ou se ele usa a humana? Se você não sabe a diferença, se você não consegue pensar na diferença, imagina que hoje a gente vai jantar e eu vou te oferecer salmão, mas como o salmão está caro, eu abri um patêzinho de gato sabor salmão e pus para você comer. Não é a mesma, né? O veterinário é uma coisa, o humano é outra.
Começa que a origem, na hora de fabricar, o Ministério da Agricultura e Pecuária cuida das questões veterinárias e a Anvisa cuida das questões humanas. Então começa lá na origem, não é a mesma coisa. Quando eu pego uma droga com acetamina desviada, veterinária, entrego na sua mão e falo, usa, quando você achar que deve ou você faz esse uso, eu estou fazendo um uso abusivo.
Quando você vem procurar um médico, fala, eu tenho um problema, meu objetivo com você é tratarem a depressão. Meu objetivo não é usar acetamina, meu objetivo é tratar a depressão, é qualidade de vida. E eu te ofereço um plano de tratamento, que compõe acetamina, o plano terapêutico que a gente estabelece contém acetamina dentro.
É como você falar para mim, eu preciso tirar um apêndice e eu vou falar para você, olha, para tirar o apêndice eu preciso te anestesiar e o anestésico que eu vou usar é morfina e acetamina, além de outros, compõe, para fazer você passar por esse momento. Você não sai da cirurgia de apêndice querendo usar acetamina, não sai querendo usar morfina, não sai querendo usar opioide, não sai dependente de nada. Então, é o uso e o controle.
Quem que vai fazer o controle dessa medicação? Sou eu, na prescrição, com o uso terapêutico, eu nunca vou te dar na mão e falar, usa, quando você achar que deve. E os casos que a gente tem de abuso não nascem do uso terapêutico, eles nascem do uso abusivo de drogas. E a Didia também nasceu assim, ela nunca foi paciente de ninguém que fez acetamina, que tratou um quadro depressivo, que foi diagnosticada com depressão e ela não tinha somente uma droga no corpo dela.
E como que a acetamina age no organismo, doutor? Quando é recomendada, né? Agora, saindo dessa parte aí do abuso, quando a pessoa usa, como no caso dela, mas quando é de fato recomendado, como que, qual que é o objetivo da acetamina no corpo de uma pessoa? O processo de depressão, o transtorno depressivo, ele tem várias hipóteses e ele tem várias origens, várias causas que são levantadas durante o estudo da depressão. Uma delas, que é a mais conhecida, é a falta de serotonina. Essa você já deve ter ouvido, então a gente já deve ter pensado, nossa, eu já ouvi falar que a falta de serotonina me causa depressão, tem até alguns memezinhos, né? Minha última molécula de serotonina tentando me animar durante o dia, né? Minha única molécula de dopamina tentando fazer alguma coisa.
Isso é uma simplificação, isso não é real, a gente sabe que serotonina, ou dopamina, ou noradrenalina não tem relação com o quadro depressivo, não é a falta de serotonina que me causa depressão, esse foi um modelo que foi um modelo divulgado, um modelo que vem lá de 1980, ou talvez um pouquinho antes, que foi até 1990 alguma coisa, um modelo mais prevalente, mas a gente já tem diversas entidades médicas e diversos trabalhos falando, olha, não é déficit de serotonina que causa depressão, tá? Isso, além de uma grande simplificação, é um mito, a gente não tem nenhum trabalho que consiga correlacionar o nível de serotonina no cérebro com o quadro depressivo, ou a gravidade da depressão com o nível de serotonina. Então, esse é um modelo teórico de por que a gente adoece, que não é muito real, talvez ele contenha déficit de serotonina, mas ele não é um modelo que a gente deve explorar. Desde 90 e alguma coisa, 1990 e alguma coisa, um outro modelo teórico falando, olha, talvez a depressão seja uma hiperatividade cerebral.
Talvez eu tenha alguns elementos, quando eu examino os cérebros de pessoas que morreram com depressão, que eu tenho mais glutamato nesse cérebro. Glutamato é um neurotransmissor excitatório. Então, ele fala para um neurônio, olha, vamos continuar a mensagem para frente.
Tem alguns que são inhibitórios, alguns que são excitatórios, glutamato é um excitatório que fala, olha, vamos continuar a nossa mensagem. Então, ali foi identificado, lá nos anos 90, alguns trabalhos que falaram, olha, talvez eu tenha mais glutamato no cérebro de algumas pessoas. Algumas hipóteses falam, eu tenho pensamentos intrusivos, eu tenho pensamento repetitivo, então isso talvez seja uma hiperatividade cerebral.
Mais recentemente, a gente tem ressonância magnética funcional, ressonância de 7 teslas. O que é isso? Como se fosse uma televisão super hiper HD, que consegue olhar o cérebro, não é disponível para a gente fazer exame de imagem, é só para pesquisa. Quem consegue ver que áreas do cérebro estão hiperativadas, quando eu tenho um quadro depressivo, mais ativadas do que quem não tem um quadro depressivo.
Então, existe um modelo, chamado modelo da sinapse excitatória, o modelo glutamatérgico, onde o glutamato, que é um neurotransmissor excitatório, causa uma hiperatividade cerebral. E aí, pesquisadores lá da Universidade de Yale, John Crystal foi o primeiro pesquisador que fez isso, mais ou menos o primeiro pesquisador, existiam alguns trabalhos anteriores, mas quem conseguiu delimitar esse modelo e fazer essa pesquisa foi o John Crystal, que ele falou, eu vou, então, se é uma alta atividade cerebral, se eu tenho muito glutamato no cérebro, eu vou bloquear esse glutamato, eu vou diminuir essa atividade cerebral, eu vou reduzir essa função, e vou ver se gera um efeito terapêutico. Então, eu testo o meu modelo.
Eu testei o modelo teórico. Como cetamina é uma medicação que está liberada, que está em uso, que em 1990 já era uma medicação antiga, que ela tem níveis de segurança, ela tem perfil, a gente conhece como ela funciona, em vez de inventar uma nova molécula, uma nova medicação para diminuir isso, pega a medicação que eu já tenho, pega a cetamina, é mais fácil fazer um trabalho mais ético, fazer um trabalho assim. Ele pegou a cetamina e aplicou em sete pessoas, seguindo, então, todo o modelo teórico, não foi que ele tirou do nada, a gente não faz coisas do nada, tem um modelo teórico por trás, e o Diogo Cristo pegou sete pessoas e fez cetamina nas sete pessoas, e no dia seguinte avaliou o quadro depressivo dessas pessoas, e viu que eram pessoas com resistência à depressão, então já tinham testado outras medicações orais, e essas pessoas, naquele momento, algo em torno de 40% dessas pessoas tiveram uma resposta antidepressiva no dia seguinte.
Então, em uma tarde, a gente resolveu o problema daquelas pessoas, acabou aquele episódio depressivo, em uma tarde. Então, como que ela age no cérebro? Primeiro, diminui a atividade cerebral através do bloqueio do glutamato, que é um neurotransmissor excitatório. Quem que é a fechadura, glutamato é a chave, quem que é a fechadura é um receptor chamado NMDA, N-metil-D-aspartato.
Lembra lá da professora de biologia, da professora de química, que N-metil-D são só prefixos? Parece que foi ontem. Parece que foi ontem, mas são só prefixos, N-metil-D são prefixos do aspartato, então N-metil-D-aspartato, deram o nome dessa fechadura, a chave é o glutamato, a acetamina entra no meio disso e impede essa chave de se ligar com essa fechadura. Quando eu não tenho a neurotransmissão para frente, eu tenho uma anestesia.
Quando eu faço isso, e bloqueio essa neurotransmissão, eu informo o meu neurônio, que está embaixo, dizendo, olha, bloqueando o glutamato de ativar você, ele faz uma série de processos. Eu tenho outros receptores também, chamado AMPA, que é um outro receptor, mas com uma presença menor no nosso quadro depressivo da acetamina. Eu bloqueio alguns neurônios, não bloqueio outros, eu bloqueio algumas cadeias neurológicas, eu bloqueio, por exemplo, a hiperatividade da bênola lateral, eu diminuo essa hiperatividade da bênola lateral, que é uma areazinha lá no cérebro que controla nosso comportamento social negativo, eu desligo ela, e eu disparo um processo dentro do neurônio, que produz uma proteína chamada BDNF, ou fator de crescimento próprio do cérebro, derivado do cérebro.
Esse fator de crescimento fala, neurônio, vamos crescer? É como se fosse um adubo. E esse neurônio volta a arborizar e se conectar com os vizinhos. Então hoje, se eu falar, Letícia, vamos comer uma pizza? Você está em um lado depressivo, tem poucas conexões entre os neurônios, você vai falar, eu não sei, eu procuro no meu cérebro se eu gosto de pizza, se eu gosto do Tiago, se eu quero sair, mas o meu cérebro não me responde.
Quando eu procuro isso, eu não tenho memória afetiva nenhuma, eu não tenho prazer nenhum nisso, eu não sei, eu não quero sair de casa. Quando a gente faz cetamina e você responde ao tratamento, isso não é exclusivo da cetamina, mas ela é a mais rápida que faz isso, ela é a mais consistentemente estudada que faz isso. Eu produzo BDNF, que é essa proteína, eu disparo uma série de procedimentos, de processos dentro do neurônio e eles voltam a dar as mãos uns para os outros.
E aí eu pergunto, Letícia, vamos comer uma pizza? Você já logo lembra, nossa, pizza eu gosto mesmo é de portuguesa, Tiago, Tiago, putz, eu fui com ele uma outra vez, foi mó legal, então eu já tenho um procedimento em cadeia que me lembra, vamos, vamos sim. E aí eu tenho um segundo procedimento, então eu tenho que trocar de roupa, tenho que me maquiar, tenho que pegar um carro, tenho que não sei o que, tem que não sei o que lá, não, eu vou tomar um vinho, então eu não vou de carro, eu vou de táxi. Então todo esse planejamento só existe porque eu tenho conexão entre os neurônios e eu não tenho hiperatividade de nenhuma parte, nenhuma desfuncional.
Então basicamente como a cetamina funciona? Diminui a atividade cerebral através do bloqueio do glutamato, dispara um processo interno no cérebro dos neurônios de conexão, de sinaptogênese, não é o neurônio que cresce, não é o corpo do neurônio, o neurônio é uma célula, tem corpo, tem as perninhas, não é o corpo do neurônio, é sim as perninhas, as conexões entre elas. Então quando a gente tem quadros de estresse crônico, que é a causa da depressão, mais conhecida hoje, eu diminuo, eu vou desligando essas mãozinhas dadas dos neurônios. Quando eu faço a cetamina e eu consigo um tratamento, eles têm um crescimento dos botões sinápticos, ou tem um crescimento da sinaptogênese, uma neuroplasticidade, são todos os nomes que a gente pode usar para o mesmo fenômeno, o crescimento de mãozinha dada de neurônios, e aí o caminho consegue pensar, eu gosto de pizza, eu vou puxar água, eu vou lá, eu vou fazer isso, eu vou levantar, eu vou tomar banho, eu vou fazer aquilo, eu consigo ter um funcionamento normal do cérebro.
É muito tudo perfeito, complexo, mas também quando faz esse tipo de relação, imagino que para todo mundo também está bem simples e fácil de entender. Doutor, agora uma dúvida na parte prática, para quem quer de fato usar, como que funciona o protocolo, como que é utilizado, isso precisa ser num hospital, isso a gente já tinha conversado, né? Isso, a medicação é uma medicação anestésica, então ela tem algumas regulamentações para ser usadas. Primeira regulamentação é que eu tenho que, não posso fazer num consultório, eu tenho que fazer em algum lugar, você que não é técnico nisso, tem que ser em algum lugar que me parece uma clínica de endoscopia, me parece um laboratório, tem que ter aquela cara.
Uma das coisas que a gente vê, por exemplo, é que tem rampa para a entrada, toda vez que a gente for anestesiar alguém, eu preciso ter um plano de saída dessa pessoa, mesmo que ela esteja muito grave, então essa é a regra da vigilância sanitária, você vai ver, se eu tiver um elevador que não cabe uma maca, não é um lugar autorizado para fazer, porque eu preciso, a vigilância fala, só vai poder sedar alguém para qualquer coisa, seja sedar para tirar um dente, seja para tirar uma unha encravada, seja para cetamina, se eu tiver um elevador que cabe uma maca, então se eu tiver num consultório que só cabe uma ou duas pessoas, já sabe que ele não é autorizado para fazer cetamina. Eu não posso ter nenhuma barreira entre aonde vai ser feito cetamina até a saída, então eu já tenho aquela cara de lugar médico, então eu tenho que ter essa cara de lugar médico, esse é o primeiro lugar que você vai procurar para fazer as suas infusões, então se proteja procurando um bom lugar. Isso é curioso.
Isso é interessante, a gente nunca pensa sobre isso, mas antes de procurar um lugar, eu preciso ver, será que tem um seguro para mim? Será que essa pessoa que está querendo se oferecer é um lugar confiável? Então a gente já dá uma checada no... Tem cara de hospital? Hospital dia? É um lugar decente, então é um lugar para a gente fazer cetamina. Então você vai procurar um profissional que faça infusões de cetamina, que tenha especialização, que não tenha uma residência médica em infusão de cetamina, mas que tenha experiência, que tenha trabalhos publicados, que tenha divulgação sobre o que ele está fazendo. Tem que ser feito preferencialmente por um anestesista.
O CRM não pode, o Conselho Federal, o Conselho de Medicina, não delimita que cada especialidade só pode fazer uma coisa, então anestesistas podem fazer outras especialidades, posso tratar braço quebrado, posso tratar braço quebrado, mas de preferência que seja um anestesista fazendo a infusão de cetamina para você. Então primeiro tem que ter uma cara, tem que ser um anestesista. O Conselho Federal de Medicina falou, olha, é importante que a gente já tenha tido um diagnóstico feito por um psiquiatra, que tenha um acompanhamento do psiquiatra, do psicólogo, para a gente poder fazer cetamina.
É obrigatório? Não é obrigatório. É importante? É importante. É obrigatório que seja um anestesista que faz? Não é, mas é importante? É importante.
E a gente não pode delimitar as especialidades médicas para o ato. Então a primeira coisa é a gente procurar um médico que tenha esse tipo de qualificação, que seja um anestesista, e a gente vai fazer uma consulta pré-anestésica. Então você encontra ele, olha, parece uma pessoa decente, trabalha num lugar decente, e ele vai oferecer uma consulta pré-anestésica para você, é obrigação dele, oferecer uma consulta pré-anestésica.
Então todo o ato anestésico precede uma consulta pré-anestésica. Nessa consulta pré-anestésica ele vai conhecer você, vai conhecer seu histórico de saúde, e vai te oferecer um plano de tratamento. Qual que é o plano de tratamento mais comum? O plano de tratamento mais comum é a gente fazer uma sequência inicial de infusões endovenosas.
Se ele falar para você subcutânea, na barriga, foge. Isso não é uma via de administração possível para cetamina. Cetamina só pode ser feita entre a muscular profunda ou pela veia.
Não podemos fazer cetamina de outra forma, que não seja pela veia ou entre a muscular profunda. Existe uma medicação chamada, que é específica para o nariz, a aplicação do nariz, mas isso é outro papo, outra conversa do que a gente está falando aqui na veia. Então ele vai te falar, olha, se ele fizer cetamina endovenosa, você já está no caminho certo.
O tratamento, então, nessa consulta pré-anestésica, ele vai estabelecer, normalmente, o que a gente propõe? A gente propõe uma fase inicial, uma fase que a gente chama de fase de indução. E o objetivo nessa fase de indução é fazer você voltar a sua condição pré-mórbida, ou voltar a sua condição antes de adoecer, ou remissão do quadro. Então o objetivo aqui é que a gente não tenha mais sintomas depressivos.
E ele vai oferecer, provavelmente para você, seis infusões endovenosas de cetamina num prazo de duas a três semanas. Então essa é a parte mais comum, é a forma mais comum da gente prescrever. Existem variações nisso? Infinitas variações nisso.
Pessoas com quadro talvez mais leve, um quadro menos tempo, eu posso oferecer menos infusões. Pessoas com um quadro mais arrastado, mais longo, eu vou planejar essas infusões de uma outra forma. Pessoas mais jovens, eu vou planejar de uma forma.
Pessoas com necessidades especiais, obesos, idosos, gestantes, não é permitido fazer. Mas mães nutrientes que estão amamentando, a gente vai organizar isso de uma outra forma. Então a gente tem uma variedade.
Mas se a gente pensar básico, como é que eu faço cetamina? Procura um lugar decente, que tenha os mínimos de requerimentos de segurança, a gente tem que se proteger. Procura um médico que ele tenha demonstrado capacidade intelectual, sabe o que está fazendo, conhece e vai poder me ajudar. E ele vai fazer uma consulta pré-anestésica.
Nessa consulta pré-anestésica, ele vai me oferecer mais ou menos seis infusões endovenosas de cetamina num período de duas a três semanas. Duas a três vezes por semana. Vai oferecer uma vez por semana para sempre, não tem prazo, não tem limite, não tem protocolo, não é um lugar bacana para você fazer.
Fala que não sabe, a gente vai vendo, te vende um pacote, vamos fazer assim, a gente faz um pacotão de dez sessões. Pacotes são proibidos na medicina, então não é um lugar legal, já viu que... Eu não posso fazer para você, vamos operar apêndice e se bobear, a gente já tira visícuo. Aproveita e faz alguma coisa junto.
A gente já tira visícuo, então a gente não pode ser mercantilizado a medicina. Então as infusões, ele tem que te dar um plano terapêutico, ele vai te dar uma previsibilidade, que é o que mais acontece, é o mais estudado, é o mais comum, mas tem algumas coisas que você vai se proteger ali quando a pessoa falar para você, não, a gente vai fazer assim, olha, três vezes na semana, vinte vezes. Por que que todo mundo faz, todo mundo estuda, todas as pesquisas são seis infusões endovenosas num prazo de duas a três semanas e esse cara está querendo me oferecer uma outra coisa, totalmente diferente, né? Então é isso que é o básico para você se proteger, para você procurar um médico que faça isso, de preferência que seja um médico anestesista.
É obrigatório que seja um médico anestesista? Não, mas se for um médico com capacidade de pessoas sedadas, que tem habilidade em pessoas anestesiadas, por exemplo, um médico intensivista, um médico que trabalha em UTI, é uma pessoa que tem habilidade em lidar com pessoas sedadas, entubadas, com pessoas em estados alterados de consciência. Se eu estiver falando com um médico que trabalha e que tem a certificação de emergência, é uma pessoa também que tem essas características, então podem ser médicos que podem fazer, tem habilidade para cuidar de você quando você não puder cuidar de você, que é durante a infusão. Doutor, no último episódio você citou que o tratamento com acetamina, a reação, não sei se é assim que a gente pode dizer, costuma acontecer durante o uso ali, no hospital mesmo.
O que é essa reação? Quais são os sintomas que a pessoa sente? Os efeitos colaterais que acetamina te traz, ela é uma medicação que tem os efeitos colaterais ligados ao ato anestésico. Então eu já sei, eu já posso te falar que não há efeitos colaterais de longo prazo, então não cai cabelo, não dá espinha, não engorda, não causa nenhum efeito colateral a longo prazo. Os efeitos colaterais são delimitados durante a infusão e eles são próprios do ato anestésico.
Então a acetamina é um anestésico e a gente vai procurar uma acidação entre leve e moderada. E alguns dos efeitos colaterais são próprios do ato anestésico. O mais comum dos efeitos colateral é em mulheres jovens, náusea e vômito.
Isso é com qualquer anestesia. Quem está assistindo a gente, mulher jovem que já fez o procedimento, ah, vomitei horrores. Qualquer anestesia é mais comum ter a náusea e vômito.
A segunda é tontura, que é uma coisa muito comum, a gente vai anestesia, o labirinto, anestesia, a capacidade de enxergar e a pessoa vai ter tontura. E isso, muitas vezes, a tontura é a causa da náusea e do vômito. O efeito colateral que a acetamina é mais conhecida chama dissociação.
Esse é o efeito colateral, até que ela é utilizada de forma de droga de abuso, por conta desse efeito colateral e ele é mais conhecido por isso. A dissociação é um efeito anestésico também. A acetamina entra numa região do cérebro chamada pálamo.
O pálamo é como se fosse o portão entre o nosso cérebro e todos os órgãos do sentido. Tudo passa pelo pálamo antes de entrar no cérebro. E o pálamo decide quem vai e quem não vai, quem sobe e quem desce.
E a acetamina vai lá no pálamo e bloqueia tudo o que acontece nos órgãos do sentido de isso entrar dentro do cérebro. Se eu bloquear totalmente, eu tenho uma anestesia geral. Eu posso cortar a perna e ela não vai subir.
E a acetamina, quando a gente faz dessa forma subanestésica, dessa forma sedação leve, moderada, eu bloqueio alguma coisa dos estímulos de passarem para cima, mas não todos. E a pessoa vai ter também anestesia da capacidade de enxergar. Então não é que ela vai ficar cega, mas ela vai enxergar duplo, vai estar meio embaçado, vai estar um pouco sedada, um pouco tonta, já não está enxergando muito bem, vai preferir fechar o olho.
Já que não está enxergando muito bem, o estímulo está vendo duplo, prefere fechar o olho e diminuir o estímulo. Quando eu diminuo o estímulo e não tem mais ninguém subindo para o córtex, para o cérebro, a área da visão do cérebro, o cérebro não fica vazio, não para de trabalhar e desliga. Ele começa a criar um ruído na área do cérebro, do córtex, que a gente enxerga, um ruído, e esse ruído é visto pelos olhos como se fosse um sonho.
E esse ruído geralmente é em forma de cores, de texturas, de formas geométricas, e essas formas geométricas e texturas vão criando sentido que nem um sonho. É um ruído que o cérebro cria, então de olho fechado a pessoa começa a sentir que ela está vendo uma cachoeira de areia na frente dela, mas ela não perde a crítica. Esse é o mais legal da cetamina, ela sabe, eu me chamo Thiago Gil, estou deitado numa cama, estou sendo cuidado pelo anestesista, estou fazendo cetamina e quando fecho o olho me parece que eu vejo uma cachoeira de areia na minha frente.
E aí a gente interpreta essas visões a gente interpreta isso e vai puxando coisas da memória e durante a infusão você vai lembrando de coisas, puxa coisas, vai pra lá, vai pra cá, e eu lembro da areia, a areia me lembra da praia do Guarujá, eu me lembro quando eu tinha cinco anos que eu fui com meu vô na praia do Guarujá e eu me lembro, me sinto de novo sentado na areia do Guarujá e olhando pro meu vô, eu sou uma criança, que saudade do meu vô, que saudade de ser criança, isso me tem um conteúdo emocional e isso é o que a gente chama de dissociação. Eu até esqueço que eu estava fazendo cetamina porque eu fiquei tão envolvido nessa memória que eu esqueci do que eu estou falando, esqueci de que eu estava fazendo cetamina e aí de repente aquilo se transforma e aí eu estou, na verdade, na sala de casa e eu vejo que o tapete tem muita textura, então são memórias e são sonhos e eles não têm relação com a resposta antidepressiva. Isso é um efeito colateral da cetamina, mas um efeito colateral super conhecido, normalmente descrito como agradável, normalmente descrito como um lugar de paz, um lugar que não me tira nunca mais daqui, mas é um lugar que não faz parte do efeito terapêutico, mas é um efeito colateral mais comum da cetamina, que é a dissociação.
A gente não sabe se quem faz uso de abuso faz por causa dessa sensação, mas eu sei que ela não é viciante, não é que eu vou querer sempre isso. Isso é rápido, né, doutor? Durante a sessão, quanto tempo tem, mais ou menos? A sessão dura em torno de 40 a 50 minutos e essa dissociação dura o tempo que a gente está usando a medicação. Desliga a bomba de infusão, em 10 minutos você abre o olho e fala, voltei, já tenho de volta todas as minhas faculdades mentais, estou em relação com o ambiente de novo.
Igual quando a gente faz endoscopia, você está lá na endoscopia, apaga, abre o olho, acabou. Começa a falar coisas sem sentido para o médico, se declara para o médico, que eu já vi caso no TikTok, as pessoas saem das brincadeiras. É, as pessoas ficam um pouco com menos de limites, né, quando elas estão sedadas, parece que tudo faz sentido quando está sedada, mas isso acontece mesmo, não é nada muito grave, como anestesista, eu nunca tive nenhum grande efeito e o papel do anestesista nesse momento é sedar mais o paciente e proteger a privacidade dela e a pessoa, às vezes, ela faz isso, apaga o corpo, nossa, acabou, acabou, já fiz a endoscopia e aqui é muito parecido, faz a anestesia, faz a cetamina, desperta e vai para casa.
Doutor, apesar de ser tranquilo, pelo que você falou, os relatos da maioria dos seus pacientes, tem casos de pessoas que têm, por exemplo, síndrome do pânico, fica desesperada nesse momento e tem como voltar, parar ou precisa terminar a sessão? Isso é muito interessante, porque é uma dúvida muito comum, né, será que eu vou ficar em pânico nesse processo? Será que eu vou me sentir preso dentro desse processo, e aí eu vou querer sair e não vou conseguir, vou me sentir sufocado e eu já sou uma pessoa ansiosa que não aguento ficar parada? Lembra que quando você está fazendo cetamina, eu estou desligando as atividades cerebrais, eu estou diminuindo a atividade cerebral e você está sendo sedado, então não é como ficar parado, não é como dormir, dormir e ser sedado, anestesia e sono são coisas diferentes, você normalmente, a imensa maioria das pessoas, eu nunca vou falar 100% das pessoas, porque a gente está falando de medicina, não apresentam nenhum tipo de ansiedade durante o procedimento, elas apresentam sempre uma calma, uma paz, uma tranquilidade e lembra, quando você está fazendo num lugar bem decente, com anestesista, provindo a venosa, eu posso ou parar a medicação, se eu perceber, se você falar, você vai estar consciente para falar comigo, estou muito ansioso, não estou aguentando, eu preciso parar isso, eu me sinto perdido, me sinto preso, eu preciso parar isso, pode ser que você queira falar isso, você vai poder ter essa capacidade, você não vai estar mudo, não vai estar em outro lugar, e eu vou falar com você, vou diminuir a infusão, eu posso parar a infusão, como você está fazendo pela veia, eu posso controlar quanto eu estou te dando, e a outra importância de estar com anestesista, junto com você, dentro da sala com você, o anestesista pode te sedar, eu posso falar, olha, realmente, você está muito, ele está muito agitado, eu pego um sedativo, eu faço um pouco, você vai dormir, a especialidade do anestesista é essa, você vai entrar numa sedação mais profunda, a acetamina vai sair do corpo rapidamente, em torno de 20 minutos, depois você desperta e acabou, então é um medo comum, será que eu posso ficar angustiado? Pode, mas isso não quer dizer que você vá, a menor parte das pessoas, menos de um por cento, vão ficar com algum tipo de ansiedade ou angústia, mas eu tenho como fazer, como tratar você, caso você tenha. Sim, isso é importante, imagino que seja uma dúvida muito comum. Agora doutor, quanto tempo para as pessoas perceberem de fato os resultados? Porque a sessão é rápida, menos de uma hora, mas para começar a ver ali a resposta na vida, nos sintomas.
Quando a gente faz uma infusão endovenosa, a gente tem em torno de 30% de resposta, quer dizer, na prática, eu trato três pessoas, na primeira infusão, e eu ajudo uma pessoa a cada três, na primeira sessão. Em quanto tempo depois? A gente vai fazer, então, hoje, e eu tenho na literatura alguns trabalhos que falam, olha, a chance de eu ter uma resposta em 24 horas, é de oito vezes quando eu faço uma medicação inerte, quando eu faço um teste, um placebo. E com 72 horas, é 16 vezes mais eficaz do que o placebo.
Então eu tenho um crescente ali, até o terceiro dia, um crescente de até 16 vezes mais do que o placebo, na eficácia da cetamina. O mais comum é a gente ter resposta entre a terceira e a quarta sessão. O mais comum é que a resposta apareça como uma falta de sintomas.
Então, às vezes, a gente vai fazer quatro sessões, cinco sessões, e fala, não vou mudar a personalidade de ninguém. Se você não gosta de sertanejo, raiz, vai continuar odiando. Tem gente que acha que muda.
Tem gente que fala assim, nossa, eu acho que eu vou começar a gostar de coisas que eu nunca gostei. Não, não vai. Você vai continuar não gostando de Tião Carreiro, não vai gostar de Tião Carreiro, não vou conseguir fazer você gostar de Tião Carreiro, não vai mudar a sua personalidade, não vai mudar quem você é, não vai mudar você.
O que vai mudar? É uma falta de sintoma. Então, se hoje, durante o dia, eu penso várias vezes, eu podia desaparecer e nunca mais abrir o olho e morrer, eu passo o dia seguinte, e isso não vem na minha cabeça. Então é uma falta de sintoma, não é um prazer, não é um bliz, não é uma coisa que eu te coloco, é uma falta de sintoma.
Se hoje, pra eu conseguir abrir o olho de manhã e pensar, mais um dia que eu acordei, não vou levantar, não consigo, vira pro lado e dane-se meus compromissos. Quando eu faço cetamina, o resultado esperado é, droga, mais um dia que eu tenho que trabalhar, desliga o alarme, levanta e vai. Então, eu tiro um sintoma.
Não tô falando que você vai gostar de acordar de manhã pra ir trabalhar. Vai acordar, raio de sol. Às vezes as pessoas esperam também.
A gente espera coisas mágicas de qualquer coisa. Espera que você acorde e fala, nossa, tô super animado pra fazer aeróbica de alto impacto. Não, não vai acontecer.
O que vai acontecer é uma falta de sintoma dentro da sua personalidade. Eu sou uma pessoa mais quieta, sou uma pessoa que fala menos, sou uma pessoa mais reservada, não gosto de bagunça, não gosto de festa, eu vou continuar a fazer não gostando de bagunça, não gostando de festa. Só que em vez de não gostar de bagunça, não gostar de festa e nem tomar banho, eu vou escovar o dente, vou tomar banho, vou fazer outras coisas, vou chamar pessoas pra comer uma pizza, vou tomar um vinho, pra em vez de ir pra uma festa, vou jogar baralho, sei lá o que eu vou fazer, dentro da minha realidade.
Então, não muda a personalidade e o resultado é uma falta de sintomas. Mas ele normalmente, ele é perceptível pela própria pessoa. Todo mundo percebe? Não, às vezes o olhar pra dentro que uma pessoa tem não é tão importante, tão grande assim.
E ela não percebe que desligou aquele barulho, não percebe que aquele pensamento acelerado foi embora. Eu preciso, ou que alguém fale nossa, meu marido tá mais carinhoso, tem mais toque, ele até pediu pra gente fazer alguma coisa, coisa que ele não sugeria há anos. Ah, eu não melhorei não, mas eu limpei o quarto inteiro.
Não melhorou não, mas limpou o quarto inteiro. Organização da casa, organização de rotina é parte da melhora do quadro depressivo. Então, existem algumas pessoas até que não percebem.
Quando que ela vai perceber? Quando voltar ficar com o quarto entulhado, quando voltar a faltar no trabalho, quando voltar uma dificuldade na escola, né, na faculdade, aí vai pensar nossa, eu já estive melhor. Talvez a gente precisa desses... É, comparação, né? E doutor, pra poder fazer, começar a fazer o uso, precisa de algum exame, algum acompanhamento específico pelo que você falou? Só grávida que não pode fazer, é isso? A única contraindicação que a gente tem, ela nem é uma contraindicação tão formal assim, é de gestação. Eu não tenho nenhum estudo, ninguém vai pegar cem grávidas de um lado, cem grávidas do outro, uma que faz tetamina, outra que não faz e vê o que aconteceu com os bebês.
É, não tem como, né? A gente não vai fazer esse tipo de trabalho. E modelos animais, modelos em ratos e macacos, são modelos em ratos e macacos, não são modelos animais. Mas se você estiver num acidente, estiver grávida, bater o carro, quebrar a perna e vier pra um pronto-socorro, eu vou te fazer a tetamina pra te tratar.
Então não é uma contraindicação absoluta. Mas ali a exposição é única, depende também da gestação, não é uma exposição única que vai causar teratogênia, algum defeito na criança. Mas agora, se eu tiver uma gestante que vier me procurar pra fazer cetamina, será que eu tenho dados científicos pra embasar? Será que a gente tem outras atitudes pra fazer? Será que a gente não pode esperar um momento da gestação um pouco mais longo? Quando eu estiver mais bem informado? Quando eu nascer? Pra gente fazer um tratamento desse tipo? Então a gente vai precisar ver ali quais são os benefícios e os riscos.
Às vezes a gente fala, olha, o quadro é muito grave, essa gestante tem uma ideação constante, difícil de lidar com ela, é um risco pra ela ir pro bebê, e eu vou fazer uma infusão. Uma dose única. Vou esperar um momento da gravidez aonde não esteja mais formando órgãos, que esteja só amadurecendo, e vou fazer uma infusão, não vou fazer o mesmo protocolo.
Mas pra gente começar a fazer, primeiro, a gente tem que ter um histórico de tratamento com quadro depressivo, então eu preciso ter um diagnóstico, o diagnóstico de depressão, preferencialmente dado por um médico psiquiatra, que tenha feito o diagnóstico diferencial de que eu tenho depressão e não falta de vitaminas, e não falta de hormônios, e não outro problema. Então um diagnóstico de depressão feito por um médico psiquiatra, e aí a escolha do tratamento é sua, é do paciente. Eu quero começar com medicação oral, acho que a medicação oral pode ser que me ajude, ajuda ali em torno de 30, 40% das pessoas, eu vou começar com ela, eu posso estar nele nesse grupo, eu começo na primeira medicação oral, começo na segunda medicação oral, não tive a resposta com duas medicações orais, não tô de volta ao meu quadro inicial, é hora da gente fazer um tratamento de terceira linha, que é o tratamento com cetamina.
E aí a gente procura profissionais anestesistas de preferência que façam infusão de cetamina, existem alguns no Brasil que fazem infusão de cetamina, procura um deles, e o médico bom, o médico que cuida de você, ele vai querer te conhecer antes, é uma obrigatoriedade do ato anestésico fazer uma avaliação pré-anestésica, você já fez alguma cirurgia antes, chegou um anestesista no quarto e falou, oi Letícia, tudo bem, como é que tá? Fala um pouquinho aqui umas coisas pra mim, só uma conversinha rápida, fala aqui pra mim, quanto você pesa? Tem alergia? Ele tá fazendo uma avaliação pré-anestésica em você, super direcionada para aquele quadro, seja por uma fratura, seja por um apendicite, sei lá o que você vai fazer, mas é super direcionado. Aqui é um pouquinho mais amplo, eu preciso conhecer o seu histórico de saúde, preciso conhecer tanto física, orgânica, preciso conhecer um pouco da sua história com depressão, que tem casos que eu falo, olha, eu acho que você tá mal diagnosticada, eu acho que isso aqui não é depressão, você tá me falando que seu pai morreu tem duas semanas, começou lá, eu não vou fazer quetamina, você precisa procurar um outro médico, um outro lugar, isso é um quadro de luto, não tá certo, eu vou fazer quetamina pra você agora. Então, essa consulta pré-anestésica é pra isso.
Lugares que você vai lá, paga, entra e faz. Já desconfia. Já desconfia.
A gente falou muito já disso aqui no Amatocast, viu, doutor? Sobre até outros assuntos, bastante da cirurgia plástica também, dos não médicos que oferecem os procedimentos, enfim, tem bastante coisa. Pra quem ficou curioso também, a gente sempre deixa a listinha, e também pode sugerir novas perguntas aqui pro doutor Thiago. E doutor, agora não posso deixar de citar, eu imagino que muita gente ficou até o final pra saber sobre isso, desafios da cetamina em questão tanto de acesso, se isso só está disponível na rede particular, ou se já está disponível no SUS, como que funciona o acesso à cetamina, já que a gente está falando de tantos benefícios? O acesso ainda é um problema.
Não é um problema pela medicação, porque a medicação ela está em todo o hospital. Se existe um hospital, essa medicação está na lista de hospital, ela é uma lista, a medicação está na lista de medicações essenciais da Organização Mundial de Saúde. Então, absolutamente todo hospital tem cetamina lá.
O difícil é o profissional com especialização, com instrução, com sabendo o que está fazendo. Isso é difícil. A gente não tem nenhum lugar que ofereça pelo Sistema Único de Saúde, pelo sistema gratuito, nenhum lugar faz infusão de cetamina de forma gratuita.
A gente tem algumas clínicas de cetamina hoje espalhadas pelo Brasil, que são particulares. Algumas são de anestesistas, outras não são de anestesistas, outras têm anestesistas que trabalham junto com outros médicos, mas a gente tem algumas clínicas espalhadas. Muito aqui ainda do que acontece nos Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, a gente tem mais ou menos umas 500 a 700 clínicas de cetamina. Se você pensar, só em Nova York, que tem só a ilha de Manhattan, são mais de 5 clínicas de cetamina que fazem infusão de cetamina nos Estados Unidos. Aqui a gente está muito abaixo disso ainda.
O acesso ainda tem uma certa dificuldade no acesso. Não é algo que a gente, acho que a gente não pode pensar na cetamina como uma medicação. Eu não estou indo lá fazer um remédio.
Eu não estou indo lá fazer, senão poderia fazer em qualquer hospital, que todo hospital tem cetamina. Não é isso que a cetamina é. O tratamento com a cetamina é uma coisa diferente. É um tratamento, não é um remédio.
Isso é uma mudança de conceito muito importante. Eu não estou indo fazer um remédio. Eu estou indo fazer um tratamento.
Por quê? Qual que é a diferença? Existem nuances no tratamento. Existem melhoras, existem pioras, existem evoluções, existem novas percepções. Um exemplo que eu tenho que lhe dar.
20 anos com depressão, a pessoa faz cetamina. Nesses 20 anos, ela teve uma vida que já foi se apagando da sociedade. O marido já está com outra mulher, o filho já não liga muito.
Eu já virei um abajur na sala, porque está sempre depressão, nunca melhorou. Essa pessoa que não tem para onde voltar, e eu faço cetamina nela, e ela volta para onde? Para onde? O que ela vai se tornar? O que ela tem para... Ela vai melhorar para quê? Para onde? Para ver que a vida dela está com... O marido tem outra família, meu filho não liga para mim, eu não tenho profissão, eu não faço nada, eu só durmo o dia inteiro. Cai num desespero essa pessoa.
E aí o médico que está tratando dela deve dar respostas e amparar essa pessoa também. Então a gente, às vezes, encaminha para psicólogos, encaminha para terapeutas ocupacionais, a gente encaminha para uma rede, porque é um tratamento, não é um remédio que eu faço, tomo o remédio e vou embora. Existem nuances, tipo, eu vou fazer de novo, eu preciso parar, eu tenho uma fase de manutenção, ou é só fazer essas seis e acabou, eu estou curada.
Como que eu lido nessa fase de manutenção com essa paciente? Eu vou fazer cetamina e vou parar, como que eu vou lidar com esse paciente? Então é um tratamento. Acho que a fase de manutenção é a fase mais difícil da gente conseguir passar para a pessoa que é um tratamento, mas é a mais perceptível, porque ela percebe, poxa, como é que eu tomo conta do meu tratamento? Como que eu faço para usar cetamina como uma ferramenta para o meu bem-estar? Então eu preciso de um médico, eu preciso de um ponto de referência, eu preciso de alguém que troca comigo, e para isso a cetamina, então, é um tratamento, não é um remédio que eu vou no hospital e tomo. Então quem está habilitado, quem tem capacidade, quem tem conhecimento de oferecer esse tratamento são poucas pessoas.
Quem pode fazer cetamina como um remédio, como Novalgina, qualquer anestesista em qualquer hospital tem acesso, mas você vê que não acontece isso porque é um tratamento e isso que é o diferencial do tratamento que eu ofereço, eu não ofereço um remédio para você tomar, eu ofereço um tratamento. E esse tratamento inclui, tem o objetivo de melhora da sua qualidade de vida, de recuperação funcional, então a gente tem outros profissionais, às vezes, que a gente pode usar junto para ter uma resposta terapêutica maior, mais robusta e mais duradoura. É uma equipe integrada, normalmente, doutor? Eu não tenho uma equipe minha comigo, mas eu acho que é meio antiético eu te falar, olha, vai na minha terapeuta ocupacional, eu prefiro te falar, procure uma terapeuta ocupacional, eu acho que nesse momento... Você tem essa pessoa que eu conheço, mas você pode procurar quem você quiser.
Fala da necessidade daquilo acontecer nas medidas. Eu não tenho psicólogo, eu não tenho na minha equipe psicólogo, eu não tenho psiquiatra na minha equipe, eu não acho que seria ético eu ter psiquiatra e falar, olha, para você passar comigo, você tem que passar no meu psiquiatra, ou eu acho que essa relação não é uma relação idônea para o paciente. Então, eu prefiro, olha, passe no seu psiquiatra, conversa com ele, eu estou disposto a conversar com ele, eu estou aberto a conversar com ele, eu acho que você precisa voltar, acho que tem questões que você precisa lidar com ele, vai no seu psicólogo, você não tem psicólogo, eu te indico um psicólogo, você não tem psiquiatra, eu te indico um psiquiatra, mas não que seja necessário, não que eu tenha essa relação de necessidade ou de poder, mas eu acho que vai ser bem bom para você.
O meu, pessoalmente, o meu conceito de tratamento base, assim, é a autonomia. Então, se a pessoa consegue ganhar autonomia, ela precisa voltar a ter autonomia plena sobre a sua vida, e aí eu vou fazer de tudo o que eu puder para que você volte a ter essa autonomia. Isso é muito importante, doutor, acho que ficou a mensagem mais importante, que a gente fala de qualidade de vida, tanto que a nossa frase de sempre aqui da abertura do Amatocast é que a gente fala sobre tudo que envolve qualidade de vida, e é ter essa preocupação com a pessoa, que tudo que envolve um geral ali, não só um tema específico que a gente está falando, por exemplo, nesse da acetamina, mas que não é só isso, não é só o medicamento, precisa saber como a pessoa está, esse cuidado com a pessoa, tem muita gente que reclama disso, muitos pacientes, pessoas próximas, eu já vi gente comentando isso, que fala, nossa, eu sinto que os especialistas que conversam têm esse tratamento mesmo, que a pessoa ali é realmente uma pessoa, não só pelo termo, mas que tem um monte de coisa por trás, e não tem aquela consulta só, que qual que é o problema, passa um medicamento ali, prescreve, entrega, e não quer saber mais de nada, que a pessoa não se sente acolhida, acho que essa é a palavra, do acolhimento para tudo, e esse é mais um caso que envolve tudo isso.
Você vê que nem medicação oral, que é o exemplo que você deu, nem medicação oral é só o medicamento, nem antidepressivo, não é só o remédio, poxa, ele foi lá, abaixou a cabeça e me entregou, se fosse só o remédio, você se sentiria suficiente com isso, e você não se sente, então por que um tratamento? Aqui a cetamina é a mesma coisa, eu tenho um tratamento para a gente fazer, não é só prescrever e volto daqui a 15 dias, não é isso? É um princípio meu, um princípio meu, pessoal, a maior segurança, a menor quantidade de ketamina, com a melhor qualidade de vida, e com autonomia, a autonomia passa por diversas coisas, inclusive passa por uma resposta terapêutica, passa por uma instrumentalização, passa por eu te dar elementos para você poder me criticar, porque a qualidade de vida só passa, tem que ter autonomia para ter qualidade de vida, e muitos dos meus pacientes, eu falo, você já me criticou dessa forma? Você já perguntou por que eu estou fazendo isso? Você não está, você tem que ter essa capacidade para você se proteger, para você saber o que é melhor para você, senão eu ia querer que todo mundo fosse um homem de 40 anos anestesista, que é essa que nem eu. É verdade, doutor, foi um papo super esclarecedor, eu que não sabia nada sobre, claro, a gente já ouviu falar muito, a gente inicia o episódio aqui falando de algo muito polêmico, que às vezes as pessoas nem sabem o que significa, saem falando que é algo perigoso, sem saber de fato o que é, então foi muito esclarecedor. Antes da gente terminar, eu vou pedir para você passar suas redes sociais e perguntar se faltou alguma coisa que você queria destacar, tem algo que você acha que precisa ainda acertar? Eu acho que tem uma pergunta super comum, que assim todo mundo me faz, é se, eu vou precisar continuar tomando meus remédios? Para sempre.
Para sempre. O tratamento da vitamina é para sempre? E os remédios por boca, é um remédio que eu tomo para sempre? Eu vou fazer vitamina, mas eu vou poder parar aqueles? Essa é uma relação muito comum, e uma dúvida bem comum, será que, como é que isso se interage no tratamento? As medicações orais, elas têm diversas formas, elas têm diversos objetivos, então tem algumas que são para tirar você de episódio agudo, tem algumas que são para prevenir recaída, tem outras que são para momentos de mais ansiedade, mais de crise, então existe geralmente ali umas três ou quatro medicações que você está usando, uma para dormir, uma para acordar, uma para um momento de crise, e uma para um antidepressivo, e quando a gente faz vitamina, você pode escolher se você quer tirar essas medicações, porque a gente tem uma melhora do quadro original, então eu tenho uma melhora do quadro depressivo, e aí o seu psiquiatra, ou você pode escolher e falar assim, olha, eu não sei se a medicação de uso agudo, de fase aguda, é tão necessária para mim, eu não sei se a medicação de crise é tão necessária para mim, será que eu tenho alguma medicação que me evita novos episódios de uma maneira mais eficaz, mas que não é boa para tirar de crise, e eu poderia trocar, então a gente pode fazer esse tipo de modificação na medicação oral, e lembre-se que a autonomia é a palavra principal, e se você falar, eu não aguento mais tomar medicação, eu quero parar de tomar remédio, a gente tem ali diversos, diversas sociedades médicas, principalmente as inglesas, tem a australiana também, a francesa também, mas sociedades médicas e psiquiatria tem motivos para eu parar de tomar remédio, quais são os cinco motivos que eles colocam, algumas um pouco mais, um pouco menos, são várias sociedades, motivos para eu parar de tomar medicação psiquiátrica, por que eu deveria parar, então o principal delas, e a primeira delas é o desejo do paciente, então você fala, eu quero parar de tomar remédio, eu não quero mais me tratar com medicação que causa efeito colateral, e a gente tem que enfrentar, tem que aceitar que medicação oral, antidepressivos causam aumento de peso, causam perda de libido, causam disfunção sexual, causam alguns problemas hormonais, então causam síndrome metabólica, causam algumas, até pioram quadros de pânico, eles podem piorar a depressão, eles podem piorar a cognição, funcionamento global, e você pode escolher, olha, eu não quero mais utilizar essa medicação, eu não vejo mais sentido nela, então primeiro, o meu condição base melhorou, e essa é uma boa, uma boa, bom por que, desprescrever. Segundo, eu desejo, eu não quero mais, toda vez que eu tomo esse remédio, eu me sinto que estou me machucando, ele me causa, por exemplo, insônia, ele me causa sonhos anormais, ele me causa disfunção sexual, eu quero parar de tomar esse remédio, então, é um motivo para você parar de tomar.
Eu já estou tomando ele há dois anos, ele não me trouxe eficácia, então a falta de eficácia dele é um outro, uma outra, um outro porquê desprescrever ou tirar a medicação, eu prefiro desprescrever a desmamar, desprescrever é uma coisa. Essa medicação, ela não tem mais um efeito terapêutico, eu só estou dependente dela, eu só estou usando ela, porque se eu fico sem, eu não consigo, eu tenho ansiedades, eu tenho problemas, então é um outro porquê desprescrever. Então a gente pode, nesse processo, nesse tratamento, desprescrever medicações que não são mais tão necessárias ou que elas não têm mais um sentido dentro desse plano terapêutico novo e prescrever outras, ou se você falar, eu não quero, eu quero ficar com essa, eu não quero nenhuma, e a gente pode conversar sobre isso, então existe esse, essa é uma pergunta muito comum, como é que a gente vai lidar? Eu acho que esse é um bom jeito de lidar, mas sempre com autonomia.
Entra naquele plano, que é montado ali com o tempo que vai ser utilizado na semana, quanto, em que momento, quantos dias, quais dias. Isso, eu estava terminando uma paciente que ela toma três remédios para dormir, ela fala, eu não consigo tomar nenhum deles para dormir, eu não durmo nada, eu falo, olha, a gente vai fazer cetamina, você vai melhorar seu quadro depressivo, a insônia faz parte do quadro depressivo e a gente vai poder tirar esses medicações. O que você acha? Não, todas não, uma delas eu quero ficar.
Tudo bem, a gente tira então elas e a gente fica com uma delas só, pode ser? Tá bom, pode ser assim. Negociando. Negociando, porque a autonomia inclui a negociação.
Então, isso faz parte desse plano terapêutico que a gente estava conversando anteriormente. Doutor, passa suas redes sociais para o pessoal, se ficou alguma dúvida, eu imagino que foi super esclarecedor, eu, pelo menos, consegui entender todas as dúvidas, os temas mais polêmicos mesmo, que são relacionados à cetamina, mas se alguém teve alguma dúvida, ainda quer te perguntar alguma coisa, pode te mandar nas redes sociais. Claro, no Instagram, arroba cetamina, cetamina com C, no site, no site cetamina.com, aqui no YouTube, tem centro de cetamina, e pode me encontrar até em alguns outros podcasts, mas me encontra no cetamina, arroba cetamina, no Instagram, manda lá a mensagem que eu respondo.
Exatamente, e eu também vou pedir para vocês comentarem aqui, se ficou alguma dúvida, se vocês querem que traga, que a gente traga novamente o doutor Tiago, não só da cetamina, mas às vezes surgiu alguma, ah, eu acho que isso tem a ver, a gente pode esclarecer aqui no episódio, e vocês podem mandar tanto aqui nos nossos comentários, como também nas próprias redes sociais, doutor Tiago, obrigada doutor, eu agradeço, eu agradeço, conto com a sua participação de novo nos próximos, que o pessoal comenta e a gente te traz de volta. Claro, será um prazer. Obrigada pela sua participação aqui no nosso Amatocast, vou pedir para você não esquecer de curtir, comentar, compartilhar, com todo mundo que se interessa por esse assunto, tanto pessoas leigas na medicina, que a gente sempre traz esse equilíbrio, especialistas com uma pessoa, no caso eu, que faço perguntas mais próximas do público mesmo, dos pacientes, para pessoas que sejam próximas de vocês aí, tanto da área da saúde ou não, que possa se interessar por esse assunto.
Conto com a sua participação no nosso próximo episódio, a gente deixa tudo relacionado que a gente citou aqui, sempre na nossa listinha, e teve o episódio anterior com o doutor Tiago, que a gente deu o panorama do início, o que é depressão, causa, enfim, e para quem acompanhou, já veio direto nesse, volta lá e vê o início dessa conversa, que também foi muito legal. Obrigada e até a próxima. Tchau.
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