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A Classificação por Imagem: enxergando o tecido do lipedema | Evolution 08

Lipedema Talks, episódio 8

A Classificação por Imagem: enxergando o tecido do lipedema

25 min

Com Letícia Miyamoto e Dra. Deise Vargas

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Neste episódio

A radiologista Dra. Deise Vargas conta a história da classificação ultrassonográfica morfológica do lipedema que criou e da publicação internacional do método. Ela explica que o diagnóstico começa pela avaliação clínica e é complementado pelo mapeamento do tecido, que ajuda a identificar o grau, a inflamação e a perda de massa muscular. O episódio esclarece que o exame é indolor e não exige preparo, aborda culpa, dor e autoestima das pacientes e o desejo de levar esse diagnóstico ao SUS.

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Capítulos

Sobre o episódio

Neste episódio do Lipedema Talks, gravado no congresso Lipedema Evolution 2026, Letícia Miyamoto recebe a Dra. Deise Vargas, médica radiologista criadora da primeira classificação ultrassonográfica morfológica brasileira do lipedema. Ela revela a história por trás dessa descoberta, a publicação internacional do método, já reproduzido até na Espanha. A conversa esclarece como o diagnóstico começa pela avaliação clínica e é complementado pelo mapeamento morfológico, que identifica o grau do tecido, a inflamação e a sarcopenia. A Dra. Deise também explica como é feito o exame (indolor, sem preparo) e o sonho de levar esse diagnóstico ao SUS. Assista e entenda por que enxergar o tecido muda a jornada da paciente.

🎙️ Convidado(a): Dra. Deise Vargas — Médica Radiologista
🎧 Lipedema Talks · Temporada 2 · Episódio 08 de 21 · Apresentação: Letícia Miyamoto
📍 Gravado no congresso Lipedema Evolution 2026 · https://congresso.lipedemaevolution.com.br

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Transcrição

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um episódio do Lipedema Talks. E mais uma vez agradeço o carinho da sua audiência e participação aqui com a gente para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. No episódio de hoje a gente vai conversar sobre ultrassom no lipedema, o que o exame consegue mostrar. E antes de tudo eu vou apresentar a nossa convidada especial, a nossa entrevistada de hoje, que é a doutora Daisy Vargas. A doutora Daisy Vargas é médica radiologista, pesquisadora e criadora da primeira classificação ultrassonográfica morfológica brasileira do lipedema. É fundadora do LipiCor e diretora técnica do Instituto Magna Opus em São Paulo. Bem-vinda novamente, doutora. Muito obrigada, Bruna, pelo convite. Estou muito honrada de estar aqui. Ano passado a gente esteve no mesmo lugar, contando um pouquinho do tema também do ano anterior, de 2025.

Hoje a gente vai falar sobre o tema da sua palestra. Quando esse episódio for ao ar, já vai ter acontecido o congresso, então a gente pode contar também um pouquinho como que foi, os bastidores aqui, que eu acho que é interessante. Antes de tudo, doutora, eu queria só entender como que foi a escolha dessa sua especialidade, como que você surgiu nesse mundo, o contato mesmo com o lipedema, você já se interessava pelo assunto ou acabou surgindo meio do nada aí na sua vida? Eu sempre conto essa história, é uma história real. Eu sou médica há quase 25 anos e durante muitos anos eu sempre fiz muito exame de dopra venoso e de varizes, e sempre os pacientes vinham com uma queixa de dor, dor, pernas inchadas, alguns hematomas, então era sempre solicitado dopra.

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Eu fazia exame e eu ficava muito frustrada porque não dava nada nos exames, os exames eram normais, não tinha varizes, não tinha alteração da circulação arterial, não tinha trombose e dor. E era uma dor que até quando eu tocava no paciente para fazer o exame, a paciente dizia que tinha dor. E ela dizia, doutora, eu tenho uma dor que ninguém descobre a minha dor. Aí foi indo e aquilo, no final como é que saiu o laudo? Normal. Se você tem uma dor, mas se o traçom não mostra uma alteração estrutural, você interpreta aquilo como normal. E em 2024 eu tive um sonho. Nesse sonho eu via que muitas pessoas falavam comigo e eram várias televisões e tinha uma máquina de ultrassom, só que eu não conseguia ouvir.

E naquela, durante ali, aparecia uma imagem de um bebê. Eu falei, nossa, será que, eu sou mãe adotiva, né? Então será que a gente vai receber mais um bebê da adoção? Aí cheguei em casa, minha esposa falou, não, eu acho que alguma coisa que Deus vai te dar é muito diferente, eu acho que você vai ver alguma coisa que vai nascer algo diferente. Eu não sinto que a adoção, e essa história é uma história real, até quanto no livro que eu escrevi. Que legal. Duas semanas depois, exatamente duas semanas depois, eu fiz um exame e de repente eu vi uma coisa que eu nunca tinha visto. Uma gordura, um tecido diferente em uma paciente.

E aí, só que aquilo me chamou atenção, acima do vaso, acima do que... Aquilo é como se tivesse pulado de dentro do tecido, dos meus olhos. E eu falei, nossa, que tecido é esse, é diferente. E ela tinha a história dos dores, do inchaço, do exame normal, do ponto de vista das veias. Eu falei, mas será? Aí, aquilo ficou, eu tirei as fotos, registrei e coloquei num cantinho. De repente, eu comecei a observar outras pacientes, que a minha agenda tinha bastante dessas pacientes. Aí achei outro, falei, opa, esse já é diferente desse, mas também não é igual. Aí eu comecei a chamar pacientes, mulheres normais, que não tinham lipedema.

E percebi que a gordura, que o jeito que o tecido dessa gordura se depositava, estava mudando. E aí, peguei pacientes que tinham obesidade, e vi que também era diferente. Peguei linfedema, que é outra situação que as pessoas confundem com lipedema, e também era diferente. E peguei pacientes com infecção na perna, com indizipela, que também era diferente. Então, comecei a classificar pacientes, digamos assim, uma pesquisa que nasceu de uma intuição divina. Sempre digo que foi Deus que me mostrou. Eu sou apenas o instrumento, mas sempre foi Ele. Então, eu tinha padrões de apresentação de gordura no ultrassom.

Pacientes normais, com obesidade e que não lipedema. E que no lipedema tinham quatro padrões, quatro formas de apresentação. E comecei a coletar esse material. Aí, um dia, encontrei o doutor Anderson Adiak Bueno, que é um cirurgo vascular que faz eco. Muito meu amigo, se tornou um grande amigo. Hoje, é meu parceiro de ciência. Falei, doutor, eu achei uma coisa muito interessante, mas eu não tinha todo esse entendimento do lipedema. Era uma coisa nova para mim também. E aí, ele me disse, nossa doutora, o que a senhora está vendo aqui é algo inédito. Mas nós temos que levar ao maior pesquisador de lipedema do Brasil, doutor Alexandre Amato.

Se doutor Alexandre disser que isso é verdade, então a senhora está dentro de uma maior descoberta do ultrassom nesta área. Aí, como chega o doutor Amato, eu não conhecia. Então, ele teve uma palestra lá no ABC. Todo mundo estuda o doutor Amato. Ele fez uma palestra belíssima. Nossa, eu me apaixonei pelo lipedema, pela forma como o doutor Amato colocou a doença de uma forma genuína, que eu nunca tinha ouvido um médico falar daquela forma. No final, o doutor Anderson falou, doutor, eu tenho uma médica aqui que tem uma coisa para mostrar para o senhor. Será que o senhor aceita a gente colocar no seu notebook a apresentação dela? Ele foi tão generoso comigo.

Veja bem, foi a generosidade do doutor Alexandre Amato que fez tudo acontecer. Se ele falasse, não, eu não tenho interesse, nada teria acontecido. Mas ele, como pesquisador, como cientista, como médico, como sempre, eu acho um mentor da ciência. Se não, eu vou. E a palestra era dele, né? Ele falou, vou deixar assim, pode colocar. E eu, então, apresentei. Eu nunca vou esquecer o olhar do doutor Amato, quando ele olhou as imagens. Porque não era nada que vinha para concorrer, mas era algo que vinha para contribuir com aquilo que ele já vinha. Era uma foto ultrassonográfica do que ele falava a vida inteira, do que ele sempre falou, de como era aquele tecido.

E eu tinha as imagens ultrassom. E o que aconteceu? Surgiu o primeiro artigo, que foi o artigo liberado em 2025, que hoje, para você entender, ele rodou o mundo inteiro. O mundo inteiro. E até a gente recebeu um vídeo, praticamente um mês, de uma médica da Espanha, de Mallorca, de um centro de epidemia de Mallorca, na Espanha, dizendo que a médica encontrou os mesmos padrões nas pacientes da Espanha, que são do Brasil. Ou seja, é a mesma doença. E o ultrassom se mostrou valioso, que o achado daquele sonho se tornou uma verdade, publicada internacionalmente e validada.

Depois disso, eu comecei a perceber que essas pacientes tinham outra queixa. Fraqueza muscular. Elas diziam, doutor, eu não consigo subir a escada. E a gente acha que é só porque a perna é um pouquinho maior, né, porque tem mais volume de tecido. Mas era uma fraqueza diferente. Uma fraqueza que me deixou... Falei, o que essa paciente tem? Então, eu estudo o primeiro estudo que eu fiz, todo foi em cima do tecido da gordura mesmo. De repente, eu olhei mais profundo. Eu comecei a olhar mais para a profundidade, até chegar no osso. E aí eu descobri que as pacientes com lipedema também fazem uma alteração na fáscia. A fáscia é uma cobertura do músculo, que ela fica, assim como espessa o tecido da gordura, também espessa.

Ele inflama essa fáscia, que é também uma das causas da dor da paciente. E aí ela não consegue mais nutrir aquele músculo, e o músculo vai enfraquecendo. Como? Tanto na sua espessura, quanto na sua quantidade de tecido. E ele vai enfraquecendo, e a paciente começa a sentir fraqueza, porque realmente ela tem um músculo enfraquecido. Ela tem perda dessa massa muscular no lipedema. E veja bem, as pacientes com lipedema estão andando. Elas não estão em uma cadeira de rodas, elas não têm uma doença, como, por exemplo, uma pessoa que fica acamada. Um paciente idoso que está acamado, ele vai fazer essa fraqueza muscular, que a gente chama de sarcopenia, que é a perda dessa saúde muscular. Mas eles não estão andando, mas a paciente com lipedema está andando.

Está normal. E aí o que eu percebi? Que havia um outro padrão, que agora está sendo liberado no próximo artigo, agora que vai ser publicado também, a classificação da sarcopenia na paciente com lipedema. Então, a paciente que tem lipedema e não tem sarcopenia, que é o paciente normal, e quando ela começa a desenvolver, e como ela vai desenvolvendo até ela chegar no máximo, normalmente a gente encontra a perda muscular por ultrassom. Então, hoje, como radiologista, eu consigo dizer para o paciente, olha, a senhora está fazendo academia, a senhora vai ter... Porque daí eu oriento essa informação para o médico, e o médico vai conduzir. Olha, você vai ter que aumentar a atividade física, aumentar a sua... Isso vai mudar muito, porque agora tem a questão nutricional desse músculo, a questão fisioterápica, a questão de atividade física, e aquela que já perdeu.

Porque a lipedema, hoje, nós estamos pegando pacientes com 20 anos já com lipedema, então a gente já consegue segurar todo... Mas esses 12 milhões que já vêm com lipedema, essa paciente que já tem lipedema há mais de 10, 20 anos, elas agora também têm doença muscular, peru lipedema. E tem o que fazer? Sim. Aí o que tem que fazer com a doutora Martin? Porque daí eu não trato ninguém como radiologista, mas eu faço esse diagnóstico. E com isso, mudou muito... Acho que ampliou ainda mais a perspectiva de saúde dessa mulher. Porque um paciente com 50 anos, que já tem perda muscular... Hoje, as mulheres, graças a Deus, estão vivendo 60, 70, 80, 90 anos, mas o músculo é saúde. Uma mulher sem músculo tem mais chances de queda, menos qualidade de vida, menos atividades que ela possa fazer da sua vida normal.

E com a menopausa, vai ter ainda a questão dela ter osteoporose, osteopenia, então ela já tem um risco de queda por deficiência óssea, que não é o lipedema que faz isso, é a questão ovariana que faz isso. Mas, associada a uma perda muscular, imagina uma senhora de 60 anos que tem, uma mulher de 60 anos, que tem, por exemplo, uma perda, uma osteopenia por conta da menopausa. Com o músculo fraquinho, ela aumenta a chance de queda, aumentando o risco de fratura de coluna e de fratura de colo e fêmea, que são os grandes medos que a gente tem das pacientes com menopausa, porque isso leva a uma redução da vida útil dessa paciente. Então, sem músculo, você fica com menos capacidade de equilíbrio, com menos capacidade de ter uma vida funcional normal.

Então, essa foi uma fase da pesquisa que a gente quer trazer esse ano, que mudou do ano passado pra cá. Legal, e doutora, é importante a gente dizer, porque a gente escuta muitos médicos falarem que o lipedema, o diagnóstico, começa na parte clínica mesmo, no consultório, na análise dos sintomas. Então, eu queria entender, acho que é a dúvida também de muitas pacientes que podem estar acompanhando, como que funciona, por exemplo, teve o alerta para um possível diagnóstico de lipedema e essa paciente vai fazer o ultrassom, e no ultrassom, o que acontece? Você, como radiologista, consegue identificar níveis? E o que consegue visualizar exatamente? São as camadas de gordura? Enfim, só pra que fique bem claro, pro lado da paciente mesmo, qual que é a diferença de um exame comum, que a gente já está acostumado a ver, de um ultrassom convencional?

Certo, o diagnóstico do lipedema é exatamente isso, ele é clínico, ou seja, o médico suspeita, ele olha a perna da paciente, olha os sintomas que ela apresenta, olha, eu acho que você tem lipedema. Então, ele solicita um mapeamento morfológico da sonogravatura de lipedema, que envolve o protocolo AMATO, que foi desenvolvido pela Dra. Mato, mais o protocolo Vargas, que é esse que é desenvolvido agora, que é o nome da classificação que leva o meu nome. Como que é isso? Nesse protocolo, a paciente vem até mim, e eu consigo dizer, primeiro, é lipedema? A primeira pergunta, porque pode não ser lipedema. Tem outras coisas que aumentam o volume da perna e que incham a perna que não são lipedema. Então, esse é o primeiro ponto. Depois, dentro do lipedema, qual é o grau que ela tem?

Se ela está mais inflamatória, se ela está mais fibrótica, ok. Então, a gente divide nesses quatro graus. E depois, agora, o que é uma novidade para as pacientes é a avaliação muscular que acopla esse diagnóstico. Então, ela sai com o diagnóstico, se ela tem ou não lipedema, se ela tiver qual o grau que ela tem de tecido. Veja bem, não é o grau que a gente vê, ah, a paciente tem mais na perna. Mas não, é o grau do tecido, entendeu? Para o médico conseguir entender esse tecido. E depois, ela vai fazer a avaliação muscular. Então, ela sai com... São três níveis de laudo para o médico entender. E ela tem lipedema, é um grau 2, não tem sarcopenia. É um tratamento. Ela é um paciente, ela é um grau 4, tem sarcopenia.

É outro tratamento. Entendi, que é justamente essa novidade da identificação do músculo. O ultrassom, exatamente. E a dúvida, doutora, também de muitas pacientes, a gente fala mais no feminino porque acaba sendo mais para as mulheres. O exame dói, como que é feito? Tem preparação? Como que é na hora do exame? O exame é em dolor, não tem dor nenhuma. É o ultrassom igual você faz quando vai fazer a mutação do abdômen, da gestação, é com gel. Não tem dor. Não precisa de preparo nenhum, porque ele envolve somente as suas pernas. É um tratamento que demora em torno de 40 minutos, mais ou menos, 60, dependendo do paciente. Em torno de quase uma hora de exame, na qual você vai fazer uma avaliação de toda a coxa, joelho, perna, até tornozelo, de um lado e do outro, do paciente.

Tanto em pé, quanto deitada, dos dois lados. Entendi. E esse exame também é válido para aquela paciente poder acompanhar? Teve ali o primeiro diagnóstico? Realmente foi confirmado que é LPT? Excelente pergunta. É incrível essa pergunta. Exatamente isso. O paciente vai fazer o diagnóstico. Então a gente fechou, manda para o médico. O médico vai começar a tratar. O colega vai tratando, vai fazendo todo esse universo hoje de medidas para tratamento. Depois, em três, quatro meses, a gente faz o exame de novo. A gente faz tudo de novo e vê. Olha, a espessura mudou? Reduziu o volume? Reduziu o aspecto, aquela morfologia da inflamação? Olha, realmente chegou a melhora da inflamação, porque eu consigo ver isso no tecido.

E como é então o músculo? Olha, o músculo dela melhorou bastante. O que foi feito então, doutor? Então, ele vai tendo acompanhamento agora, porque antes o médico ia tratando, o paciente ia tratando e era... Digamos assim, a redução dos sintomas que ela falava é que era o acompanhamento dele. Olha, eu estou me sentindo melhor. Ele olhava, ele media, está tudo melhor. Mas agora não. Agora a gente consegue provar o tecido e vai fotografando. Então, os pacientes vão acompanhando esse caso, o seu caso, por exemplo, de tratamento. Um, dois anos, a gente vai fazendo. Esses resultados são seriados. E o médico vem e fala, olha, melhorou o músculo. Não, não melhorou o músculo. Então, vou ter que intensificar, vou ter que mudar a minha abordagem nesse músculo, porque o que eu estou fazendo ainda não conseguiu resgatar o músculo.

E eu acredito que seja uma evolução realmente no sentido das pacientes poderem visualizar aquilo, porque do lado, agora falando também de novo na parte da paciente aqui, eu que não sou médica, a gente sempre, claro, que tem muitas coisas que são apenas o diagnóstico do médico, ali pelos sintomas, mas é muito importante. A pessoa quer ver, quer poder visualizar. E justamente a melhora, porque dá aquela vontade de continuar com todo o tratamento que a doutora Alexandre também já explicou aqui, todo o protocolo, enfim, já dá um incentivo também, imagino, para poder evoluir aquilo. Eu acho uma coisa, uma vez, uma paciente, ela escreveu assim para mim, doutora, enquanto nós não sabemos, temos uma dor e nós não sabemos o que é, a gente não consegue nem nos ajudar, a gente como paciente, porque a gente não sabe nem o que a gente tem.

Quando você sabe que é lipedema, e que você tem lipedema, e você tem um médico que vem estudar, que vem se atualizar no congresso, que traz isso tudo para a paciente, junto com o tração que vai dizendo isso, a paciente vai vendo o que ela tem, porque eu vou mostrando também. Então ela vai vendo o que é realmente aquele tecido e que não é culpa dela, porque ela não pode saber, é uma coisa assim, ela sempre foi apontada como a culpada daquela perna assim, que é porque ela não era disciplinada, porque ela não se cuidava, e não é isso, nunca foi. É uma doença que acontece dependente de você querendo ou querendo diabetes. Você tem culpa de ter diabetes? Não, acontece. E diabetes tem cura? Não, mas tem tratamento. É igual ao lipedema.

Você não tem culpa da sua perna ser assim, e assim desde a sua adolescência, e familiar às vezes, tem várias primas que são assim, irmãs, e você não tem culpa daquilo. Então você consegue ver que você tem, e você vê o seu tecido, e quando vai melhorando o músculo, olha como o seu músculo está melhor, e aí ela, nossa, então a academia que eu estou fazendo, ou o tratamento, ou a nutrição, ou a medicação, está melhorando? Tá. Então eu estou melhor. E isso o paciente, é porque, a dor no lipedema, a gente tem 30%, que até tem lipedema sem dor, que existem pacientes com lipedema sem dor, e tem aquelas que tem dor incapacitante, que tem dor mesmo, assim, muito difícil para aquela paciente. Então, imagina uma dor que não passa com nenhum remédio, todos os dias, e que você não consegue entender aquilo.

Aí, associado a uma dificuldade, às vezes, até de deslocamento, que depende do volume do lipedema, os pacientes têm dificuldade de mobilidade, então você vê que você está melhorando. Então assim, e tem muito o que fazer para essa paciente, né? Esse protocolo traumático que está trazendo, eu vejo assim, melhoras incríveis na paciente. E isso também, porque as pacientes com lipedema, elas também têm uma coisa, quando elas começam a não perceber que elas estão tendo aquela melhora, por quê? Como mulher, elas têm uma questão muito importante psicológica, que é a questão estética. Lipedema não é uma doença estética, é uma doença do tecido, mas que leva a uma alteração, uma deformidade estética. E passar a vida inteira sem usar um short, sem usar uma saia, não conseguir cruzar a perna.

Dor. Então, ela é muito marcada já, existe sabe, uma sensibilidade muito grande da gente como médico entender que existe uma marca psicológica nessa paciente, uma cicatriz. Então, às vezes, você tocar naquele assunto, tocar, é difícil para aquela paciente. E 30% delas, em média, desistem do tratamento, porque é difícil, porque você, imagina você ter uma sarcopenia, um músculo que não funciona, o médico que não conhece fala, tem que ir para a academia. Só que chega lá, quem está lá não está preparado para fazer atividades para quem tem lipedema. Quer dizer, o impacto ela não consegue fazer, mas ela tem que fazer atividade.

Então, aí dói a perna. Aí ela vai para a academia, em vez de melhorar, ela piora a dor. Mas como se eu estou fazendo academia? Então, tem que ter todo esse conhecimento para entender o que você pode fazer para melhorar, para que ela consiga ter vontade de ir, que ela sinta melhor, que ela observe a melhora, tanto física, mas também estrutural. A estética, mulher, isso pesa para a mulher. A gente não pode falar, qualquer coisa que interfira nessa questão corporal da mulher é muito importante no seu psicológico e na sua autoestima. Então, as pacientes, muitas das pacientes têm uma ferida na autoestima por conta do lipedema. Então, quando você mostra isso no exame, você mostra que ela está melhorando, e a gente comenta, eu fico muito feliz quando eu vejo assim, nossa, está conseguindo e elas têm pacientes que conseguem ter a rotina de cinco vezes por semana, tem aquela que tem três, tem aquela que ainda não faz.

Então, para todas elas, olha, o seu músculo já está com alteração, vamos lá, a gente faz isso para você, você vai conseguir, porque depende muito dela também, o tratamento tem que ter essa atenção da paciente, ela tem que estar disposta a fazer, porque se ela não fizer, ele está ali, não tem como melhorar sem essa ajuda. E doutora, qual que é o espaço de tempo que pode fazer para acompanhar essa evolução, qual que é o recomendado para as pacientes? Assim, como o tratamento de um ano, ela pode fazer em média, três meses, seis meses e um ano, pelo menos assim, pelo menos três exames, um, vamos só, dia zero, dia um, ela pode fazer com seis meses e com doze meses. Se de repente ela fizer um tratamento mais intenso e o médico perceber uma alteração, dependendo que a resposta também é individual, tem pacientes que respondem mais rápido, mas em média um tratamento, ele não melhora em dois meses, não é assim, é uma coisa que você tem que tratar e tem essa alteração.

Então, acho que três exames durante um ano, eu acho que assim, a gente tem uma visão, aí o médico vai ficar a critério do médico, eu quero saber antes um pouquinho, quero fazer com quatro meses, tudo bem, tá tranquilo, mas em média assim, janeiro, junho e, junho que é o mês do lipoderma, em dezembro, aí você vai ter uma visão de como você esteve, não adianta fazer todo mês, porque não vai ter alterações. Quer dizer, dá aquela ansiedade, né? Dá, ansiedade, né? Então, assim, é diferente de quando você faz um exame de bebê, todo mês o bebê vai crescendo, vai mudando, aqui não, você tem mudanças, que são mudanças mais devagar, então, também não quero forçar o paciente, ela vai fazer com dois meses, ela vem fazer, não vai ter mudança saindo, então, vou dar o mesmo, não, nem mudei nada, não, é que tem que ter o tempo do tratamento, tem que acompanhar isso, entendeu?

O tratamento do lipoderma, clínico aí, leva um, dois anos, então, nesse intervalo, a gente vai acompanhar, então, essa ansiedade de mostrar alteração, ela tem que dar uma acalmada, porque ela precisa realmente ter o tempo pra isso acontecer. Tá, e doutora, pra gente finalizar, eu queria saber só um pouquinho sobre esse seu protocolo, se tem alguma ideia, já um projeto pra que ele entre também pro SUS, pro Sistema Único de Saúde, tem algum projeto nesse sentido? Olha só, esse é o maior sonho que como médica eu tenho dentro desses achados, né? E eu acho assim, o lipoderma é uma doença que agora, graças a Deus, né? Todo esse movimento, o conhecimento médico chegou, o ultrassom chegou, mas ele tem que chegar na paciente de todo o Brasil, de norte a sul do país, pra todas as pacientes.

Então, eu acho que o nosso sonho é ter um núcleo de lipoderma para os pacientes do SUS, né? Pra que elas recebam todo esse diagnóstico, todo esse ultrassom, falo da minha área, que sou radiologista, né? Eu não faço tratamento, eu faço diagnóstico, então um centro de diagnóstico mesmo, sabe? E aí fica aí a dica para os grandes governantes, para os grandes pessoal que tem realmente essa possibilidade de criar um núcleo, que a gente precisa da ajuda, né? Digamos, governamental, né? Pra que isso aconteça, pra que a gente consiga realmente criar esse núcleo. E se criar, pode contar comigo, eu estou aí lá pra ajudar.

Muito obrigada, doutora. Ótima sua entrevista, como sempre. Parabéns pelo trabalho. Muito obrigada. Doutora Deise Vargas, que conversou aqui com a gente agora. Não deixe de acompanhar os nossos próximos episódios, os anteriores também, e de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante pra que a gente continue trazendo aqui os nossos especialistas. Obrigada e até a próxima. Tchau!

Transcrição gerada automaticamente; pode conter erros.

Para ouvir em seguida

  1. Lipedema Talks, episódio 21

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    Laser no Lipedema: tecnologia, pernas e bem-estar

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  4. Lipedema Talks, episódio 18

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  5. Saúde Amato

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