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Anticoncepcionais & Lipedema: O Segredo Hormonal Que Ninguém Te Contou | Ep. 83

AmatoCast, episódio 83

Anticoncepcionais & Lipedema: O Segredo Hormonal Que Ninguém Te Contou

55 min

Com Letícia Miyamoto e Dra. Juliana Amato

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Neste episódio

A Dra. Juliana Amato, ginecologista, discute como diferentes métodos contraceptivos, como pílula, anel, implante e DIU hormonal ou de cobre, podem influenciar o surgimento ou a piora dos sintomas do lipedema. Ela explica que o estrogênio tem efeitos importantes no corpo, mas também se associa à inflamação, e que o foco deve ser o manejo dessa inflamação. Segundo a médica, o anticoncepcional não está proibido para quem tem lipedema, mas não existe regra única: a indicação precisa ser individual. Ela também comenta resultados preliminares de um estudo próprio sobre o tema e reforça a importância do acompanhamento médico.

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Sobre o episódio

Descubra como anticoncepcionais podem ser gatilhos para o lipedema e conheça opções mais seguras para sua saúde.
🎧 Assista agora no canal do Instituto Amato e participe da pesquisa exclusiva da Dra. Juliana Amato!
Neste episódio do Amato Cast, Letícia Miyamoto recebe a Dra. Juliana Amato para discutir a relação entre anticoncepcionais e lipedema. Elas explicam como os diferentes métodos contraceptivos (oral, anel, implante, DIU hormonal e não hormonal) podem influenciar o surgimento ou agravamento dos sintomas de lipedema, detalhando fatores hormonais, inflamatórios e perfis individuais. A Dra. Juliana ainda apresenta resultados preliminares de um estudo inédito que avalia o impacto de cada tipo de anticoncepcional em mulheres com lipedema e convida o público a participar da pesquisa por meio do link https://amato.io/aco/index.php Ao final, desmistificam mitos e verdades, reforçando a importância de acompanhamento médico personalizado.

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Transcrição

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um Amato Cast pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. No último episódio nós recebemos um convidado especial e conversamos sobre tênis e os benefícios desta prática para a saúde. Hoje novamente nós recebemos, eu não vou dizer uma convidada especial porque ela já vem de vez em quando aqui no canal, já é da família, já é da casa aqui da clínica Amato, mas antes eu vou apresentar novamente o currículo da nossa convidada de hoje.

A doutora Juliana Mato tem título de especialista pela Febrasgo e pela Associação Médica Brasileira, pós-graduada em Infertilidade e Reprodução Humana pela USP, Universidade de São Paulo e Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pela UNISA. Mais uma vez, bem-vinda doutora. Obrigada Letícia, vamos conversar mais um pouquinho hoje.

Exatamente, faz tempo né que a gente não fala, é por isso que eu falei, não é bem uma convidada especial porque é da família né, mas de qualquer forma já faz um tempo que a gente não vem conversar sobre essas coisas. O último assunto que a gente conversou foi sobre temas, perguntas frequentes em saúde da mulher. Foi isso, foi isso.

Continuar lendo a transcrição

Hoje então a gente já colocou aí no título, pra você que já chegou aqui já deve ter visto, o tema vai ser sobre tudo que envolve anticoncepcional e lipedema. A gente até estava falando um pouquinho nos bastidores agora né, sobre anticoncepcional, né doutora, e foi tema também da sua palestra no congresso de lipedema que teve há pouco, não vou falar exatamente o tempo, porque eu não sei quando que vai ao ar esse episódio e quanto tempo vai ter feito do congresso, mas a gente também já adianta que no ano que vem deve ter de novo né. Com certeza, ano que vem vai ter lipedema evolution novamente, 2026.

Isso, com todas as especialidades, cada uma agregando de uma forma nessa doença né, algumas pessoas até não médicas né, que estiveram ali, mas que... É, nutricionista, psicoterapeuta né, para uma equipe aí multidisciplinar da área da saúde, não só médico né. Exatamente, e da sua última vez que você esteve aqui, a gente não falou, agora a gente está perguntando um pouquinho sobre isso, para falar mais sobre cada um dos convidados aqui no episódio, eu queria saber um pouco da sua escolha na medicina, se você sempre quis ser médica. Nossa, minha escolha na medicina é desde muito pequena, muito pequena.

Eu acho que desde que eu me conheço por gente, que eu tenho noção de que eu sou alguém assim, desde pequenininha, eu já queria ser médica. Eu tenho uma história bem específica, eu com dois anos de idade, eu fui diagnosticada com uma má formação cardíaca, chamada comunicação interatrial. Então, dos meus dois anos até os meus 18 anos, que é quando eu fui operada realmente do coração, eu vivi em médico de seis em seis meses.

Então, eu morava em São José dos Campos, aí o meu médico era aqui na Beneficência Portuguesa em São Paulo, então meus pais me traziam, então eu vivi em médico né, faz eletro, passa no médico, vê se vai operar, se não vai operar, e aí eu já venho de uma família, meu tio médico, meus primos médicos, então eu gostava muito assim, eu tinha uma paixão pelo meu tio na época né, meu tio predileto e tal, tio Zupa, e aí eu já tinha essa questão da doença cardíaca, ainda tinha meu tio também, que era a pessoa que eu achava que nossa, olha, ele é médico, olha que lindo, olha que maravilhoso, olha o que ele faz, ele era vascular, e aí veio desde então, né, aí depois eu fui fazer faculdade de medicina, aí fiquei na dúvida, o que que eu vou fazer, vascular, o que que eu gostaria de trabalhar, né, aí eu passei pela neuro, pela cirurgia neurológica, né, e aí eu achei que eu queria fazer neurocirurgia, aí eu até fiquei um tempo acompanhando o meu professor da neurocirurgia em cirurgia de madrugada e tal, eu falei, será que é isso mesmo? Aí eu fui pra cardiologia. Bem o que você já estava acostumando. É, bem o que eu já estava acostumada, aí eu fiquei um ano na cardiologia do HCOR, aí eu fiz a cardiologia lá esse um ano que eu fiquei, depois que eu me formei e tal, falei, acho que não é isso ainda que eu quero, apesar de já ter esse, essa história pregressa, né, aí fiquei pensando, não, acho que eu quero trabalhar com saúde da mulher, porque daí tem a parte clínica, a parte de prevenção, a parte cirúrgica, a parte de parto, que também é muito legal, né, e aí eu decidi fazer ginecologia.

Legal, e hoje você é mais próxima do que? Mais de parto, né, obstetrícia, mas... De parto nem tanto mais, né, eu tô mais na parte de ginecologia regenerativa agora, laser, longevidade, prevenção, é a área que eu atuo mais agora. Ginecologia estética também, né, que a gente falou. Estética também, ginecologia estética também atuo.

Teve um episódio muito legal sobre isso, inclusive. Teve, teve, nossa, faz tempo esse episódio, foi bem legal mesmo. Sim, foi um dos que mais viralizou, inclusive, sabia? É. Depois de um tempo, deu um boom no canal, foi um assunto que acho que ficou em alto por algum motivo, que acho que foi alguma famosa, alguma coisa que fez, às vezes tem isso, né? Tem, tem.

Alguém faz algum procedimento aí, o pessoal começa a procurar no YouTube, lá no... Todo mundo quer saber o que que fez, o que que não fez, o que melhora, o que não melhora, o que é possível fazer, né? Aliás, eu tava falando aqui com o Kev, né, que faz a nossa gravação, que os seus vídeos acabam sendo os mais bombásticos do canal, porque acaba caindo, de alguma forma, nos assuntos virais, né? Então, você é que mais bomba aqui. É, porque eu acho que vem essas notícias na mídia mesmo, né? E aí, as pessoas vão atrás sobre o assunto. Ah, aconteceu isso, vamos lá ver se realmente esse assunto, o que que tem na internet sobre esse assunto, né? E acaba viralizando.

Às vezes, nem tanto quando sai, mas quando aparece, né, o assunto. É, de alguma forma, surge ali nos... É, e aí as pessoas querem saber. O assunto de hoje também vai bem legal, porque une duas coisas que as pessoas gostam muito de saber, né? Anticoncepcional, método contraceptivo e lipedema, que tá muito em alta.

A gente conversou, o doutor Alexandre, inclusive, seu marido, né, pra quem acompanha aqui há muito tempo, cirurgião vascular, nos últimos episódios, ele falou bastante sobre essa ligação, né, dos assuntos que são muito temáticos, não sei se é essa a palavra, como o anticoncepcional, né, os métodos contraceptivos, com a alta do que tem falado sobre o lipedema. A gente conversou sobre isso. Por que que agora todo mundo escuta lipedema, lipedema, né? Vê, às vezes, na TV ou vê na internet, né, nas redes sociais.

Enfim, eu acho que a gente vai poder esclarecer muito sobre isso, porque até eu, que já falei quinhentas vezes aqui sobre lipedema, não sabia falar sobre a ligação, né? Não tinha conhecimento nenhum, nenhum especialista ainda falou sobre esses dois assuntos juntos. Então, esse é o nosso objetivo. Antes, doutora, pra quem já tá aqui há bastante tempo, já sabe, mas pra quem tá chegando agora, também queria agradecer novamente o patrocínio aqui do Amatocast, que é do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa.

O foco da origem é qualidade de vida e prevenção. Então, começando agora, de fato, nosso tema, doutora. A gente fala de anticoncepcional, já vem hormônios na cabeça, né? Os hormônios estão ou não ligados com essa questão do lipedema? O que que, de fato, influencia nessa condição, nessa doença, nas mulheres? É que as pessoas, quando falam em lipedema, tem uma associação com uma predominância estrogênica, né? As mulheres que têm lipedema, elas têm mais estrogênio circulante no corpo, né? Então, todo mundo acha que, putz, lipedema, essa mulher já tem muito hormônio, se eu tomar mais hormônio, eu vou piorar a situação dela.

Mas, gente, o hormônio não é o vilão, né? O estrogênio, ele é um hormônio que é muito importante pra saúde feminina, né? Se a gente for pensar, é que todo mundo acha, ah, o estrogênio tá ligado só com gravidez, com ciclo menstrual, com ovulação, com saúde da mulher. Aí todo mundo pensa em menopausa quando ele cai. Mas ninguém pensa que o estrogênio, ele tá associado com uma proteção cardíaca.

Então, ele tem o poder de diminuir o risco cardíaco da mulher, porque ele é protetor. Ele aumenta o HDL e diminui o LDL. O HDL é o colesterol bom e o LDL é o colesterol ruim.

Além disso, ele aumenta as concentrações de óxido nítrico na vascularização, o que previne aqueles eventos trombóticos. Então, previne trombose, previne tromboembolismo, previne formação de coágulos sanguíneos. Então, o estrogênio, ele é protetor.

Além disso, ele protege o osso da mulher. Sem o estrogênio, a gente não consegue muito bem deixar esse osso mais fixo ali, né? Como que isso acontece? O estrogênio, ele diminui a ação dos osteoclastos, que são células que quebram o osso, né? O cálcio do osso. Então, o estrogênio, ele vem pra prevenir isso.

Então, ele mantém mais a atividade dos osteoblastos, que são as células ali que estão se diferenciando e que vão fixar no osso quando a gente tem uma vitamina D boa e também um cálcio sanguíneo bom. Além disso, ele é protetor neuronal. Ele tá atuando ali nos receptores sinápticos da serotonina, da dopamina.

Então, ele tem vários efeitos bons, né? Só que ele também tá associado com a inflamação. Então, ele não é o vilão. Na verdade, o que a gente tem que ter é o manejo dessa inflamação pra que a gente tenha um controle melhor desse lipedema.

Tá. Então, pra quem já foi diagnosticada com lipedema ou tem histórico na família, não sei se isso muda na orientação em relação ao anticoncepcional ou não, não está proibido, mas precisa ter certeza se é a melhor indicação pra aquele paciente. Exato.

Precisa. Não dá pra gente indicar um anticoncepcional específico pra aquela mulher e ser igual pra todo mundo, né? Não existe uma regra. Mas a gente fez um trabalho, a gente tá fazendo esse trabalho ainda, mas eu tirei umas preliminares desse trabalho, a gente fez ali uma avaliação com o estatístico, tudo direitinho.

E nesse trabalho, a gente tirou aí, a gente fez um corte de 148 mulheres pra avaliar a relação do lipedema com o anticoncepcional, em relação aos tipos de anticoncepcional ou contraceptivo que a gente tem, né? Então o que a gente viu lá foi o implante hormonal, o implante hormonal eu não falo do chip não, é do implante que tem o nome comercial, que já é bem conhecido. A gente avaliou também o anticoncepcional oral, a pílula, o anel vaginal, os dios hormonais e o dio de cobre e o dio de prata, pra ver exatamente como que essas pacientes, qual era o perfil delas, de melhor ou de pior. E foi um resultado preliminar muito interessante, porque a gente viu que o implanon, que é o implante, ele piora os sintomas do lipedema, ele é capaz de piorar os sintomas daquela mulher, assim como o anel vaginal.

Todos, na verdade, eles tiveram um impacto ali, sabe? Na piora dos sintomas, um mais, outros menos. Por exemplo, o dio de cobre não tem hormônio, então ele tem um impacto menor. Então, pras mulheres que têm lipedema, dependendo do estágio desse lipedema, dos sintomas, o ideal é que ela não use nenhum hormônio, mas o dio de cobre e o dio de prata tá lá pra ajudar nesse quesito e é muito bem, é uma boa escolha pra esses casos.

Seria a melhor escolha em geral? Em geral. Em geral, a gente, lipedema, muito sintomático, grau 2 pra cima, um dio não hormonal, né? Cobre ou prata, depende muito qual pra qual mulher, porque o cobre, em mulheres que já têm um fluxo sanguíneo muito grande durante a menstruação, se ela põe o cobre, esse fluxo aumenta. Então, aí a gente escolhe um dio de cobre mais prata, que a prata tem essa ação de diminuir esse sangramento.

O dio de prata não é tão conhecido, né? Pelo menos eu não escutei muito falar. É, porque ele é uma mistura do prata com cobre, né? Então, todo mundo acaba chamando de cobre, né? Mas o dio de cobre, também existem vários dios de cobre. Tamanho, quantidade, se é cobre prata, cobre não prata.

E a principal diferença, assim, até a gente tava conversando aqui nos bastidores, de um outro tipo, que eu já esqueci o nome, que é o que tem uma quantidade menor de hormônio. É isso, o dio hormonal a gente tem dois. A gente tem um com 52mg de levonorgestrel, que a mulher entra em amenorréia, ou seja, não menstrua mais e a gente usa muito pra tratamento de endometriose, pra bloquear a progressão da doença.

E a gente tem o dio hormonal de menor dosagem, que tem 19mg de levonorgestrel, e que a gente, ele é mais tolerado pelas mulheres que têm lipedema, assim, pode entrar em amenorréia, mas assim, 80% das mulheres ainda menstrua com ele, uma menstruação bem pequenininha, mas é uma boa opção pra mulher que também não quer menstruar e quer um anticoncepcional que vai durar aí cinco anos. E a quantidade de hormônio, isso é escolhido também de perfil pra perfil de paciente? Porque a gente fala muito do anticoncepcional e tem às vezes até alguma publicação que acaba viralizando na internet de alguma blogueira, alguém que acaba falando, né, quais são os tipos mais indicados, sendo que a pessoa nem é médica pra falar. E tem muito essa dúvida, né, daqueles que são considerados os nossos vilões, a BI, alguns que todo mundo já conhece que são os mais indicados.

Qual que é a diferença de um pro outro na parte prática? Dos anticoncepcionais orais é a dosagem do estradiol e da progesterona, e dependendo de qual você escolhe, ele é um progestágeno, ele não é uma progesterona natural, por exemplo, ele não é um bioidêntico. O progestágeno da pílula, ele sempre vai ser um progestagênio, um químico, né, e aí a gente tem que escolher qual o melhor progestagênio pra aquela mulher, por exemplo, drosperinona. Drosperinona é ótimo pra pele, mas ele não é tão legal pra parte vascular das pernas.

Aí a gente tem vários tipos de progestágeno e ele é associado com estrogênio em várias dosagens. Aí depende muito do perfil de cada mulher. Das reclamações? Exato, das reclamações, se ela já usou antes ou não usou, se ela tem alguma alteração na família, por exemplo, se tem algum antecedente de trombofilia.

Aí a gente tem que ir atrás pra ver se ela não tem nenhum fator de trombofilia, se ela pode usar aquele anticoncepcional ou não. Uma dosagem maior, uma dosagem menor, qual vai ser o ideal pra ela. Então, assim, escolher anticoncepcional porque uma influencer falou que usa esse que é legal e a outra fala que não, usa aquele lá que é melhor, não é o ideal, né? O ideal é sentar e conversar com o seu médico.

Olha, esse aqui é meu perfil, você já conhece todo o meu histórico, tem acesso a todos os meus exames, fez uma pesquisa detalhada sobre trombofilias, estilo de vida também conta muito, né? E vamos escolher o melhor anticoncepcional pra mim. É oral? Qual a dosagem? Qual progestagem não é melhor pra mim em relação a minha queixa? É pele, não é? Então, tem toda uma escolha aí que não é tão simples assim. É, porque às vezes quer escolher pelo que tá mais famoso, né? Pelo que às vezes as pessoas vêem mais reclamações, aí exclui, troca sem ter de fato... É, e às vezes sai um novo no mercado.

E aí, nossa, um novo no mercado. E aí a pessoa começa a fazer propaganda daquele remédio e você nem sabe se o negócio é bom. Às vezes, sabe o que que acontece? É uma medicação que já existe, mas que acabou ali os cinco anos que ela tem de exclusividade e aí outra farmacêutica, indústria farmacêutica pode produzir e ela produz com outro nome.

Então, às vezes é a mesma formulação, só que a medicação é de outro laboratório com nome diferente. Aí, mas esse é melhor do que esse. Na verdade é a mesma coisa, só mudou o laboratório.

Entendi. E doutora, às vezes quando existe a possibilidade do lipedema que está se manifestando naquela paciente, né? Ser influenciado diretamente, unicamente, por algum problema hormonal ou ajuda, mas tem outras causas também que estão por trás. O anticoncepcional pode ser um gatilho, sim, para os sintomas do lipedema.

Então, sempre quando o paciente chega, a gente acaba conversando sobre o método anticoncepcional e trocando. Porque se a gente começa a fazer o tratamento conservador e ela não muda os sintomas, ela não melhora, alguma coisa tem, deve ser o hormonal. A gente acaba tirando, eu acabo tirando de todas, a Lejane também acaba tirando de todas e conversa sobre outro método anticoncepcional mais adequado.

Exclui 100%. Exclui. O que a gente tem usado muito é o dil hormonal de baixa dosagem.

E nas mulheres que a gente acha que dá o dil de cobre, aquelas que tudo bem menstruar, a gente usa mais o dil de cobre. E naquelas fases, por exemplo, puberdade, gravidez, enfim. Então, já que tem essas alterações hormonais nessas fases, costuma piorar o lipedema também.

Pode ver esse ciclo piorar nesses momentos. Costuma piorar nesses momentos. Eu tive uma história de uma paciente que não se deu muito bem com o dil hormonal, com o de mais alta dosagem.

E aí, ela não queria colocar de jeito nenhum o dil de cobre, porque ela não queria menstruar. Nem o de cobre e nem o de prata. E ela insistiu muito de colocar o implante.

Ah, o implante acho que não vai ser muito legal pra você, você vai ficar mais sintomática e tal. Aí ela começou a tomar anticoncepcional oral por conta, assim. Ah, minha amiga falou que é legal e vou tomar esse aqui de baixinha dosagem e não sei o que.

Porque ficou mal, né? Perna inchada, aquela sensação de peso, não conseguia dobrar a perna direito que inchava muito. E você olhava pra perna dela, realmente o lipedema grau 2, mas os sintomas não condiziam com o que a gente olhava. Mas é lógico que ela tava sentindo aquela dor, né? Ela insistiu pra colocar o implante.

Nossa, aí foi... Coloquei num dia, piorou tanto que dois dias depois eu tive que tirar. Então... Em dois dias já? Em dois dias. Nossa.

Em dois dias eu não estou aguentando. Era dor que ela sentia? Muita dor nas pernas. Então, o anticoncepcional, sim, ele pode ser um gatilho pra iniciar os sintomas do lipedema e pra piorar pra quem já tá com o lipedema nativa, né? E ela, ela já tava com sintomas quase zerados.

Tava no tratamento bonitinho, mas pra você ver, né? Ela já tava super controladinha. Trocou o método contraceptivo, foi em dias, piorou demais. Nossa, é muito rápido.

Achei que tinha um tempo ainda pra começar a se fazer efeito. E do lado ao contrário também, você já viu algum caso de alguém que conseguiu ajustar essa questão do método contraceptivo e teve uma melhora muito significativa? Sim, se o gatilho dela foi só hormonal, sim. Porque tem aquelas pacientes que chegam e que tem poucos sintomas, né? Mas que a gente vê que tem o lipedema instalado.

E às vezes se a gente acerta de tirar o anticoncepcional e ela já melhorar, a gente já faz o diagnóstico. O gatilho dessa pessoa era hormonal. Tem sim, tem várias.

Sim, e aí consegue, a pessoa consegue por sinais e sintomas específicos saber se a questão dela é mais hormonal ou isso só com exames específicos? Com exames e com exclusão também, né? A gente vai testando. Lógico que a gente faz vários exames pra ver se tem alguma coisa visível no exame da onde que vem essa inflamação. Mas, às vezes, só de tirar ali, sem fazer exame nenhum, a gente já faz um diagnóstico se ela melhorou ou não.

É, porque o diagnóstico, as pessoas às vezes têm essa, apesar da ginecologia de forma geral, todo mundo sabe, né? Que tem que ir uma vez por ano, já tem essa rotina. Mas ainda assim tem algumas que têm preconceito, né? Ou que já percebe que é o lipedema e fica tão focada em outras especialidades que não enxerga essas que também estão ao redor, né? Claro que alguns médicos já orientam, como o doutor Alexandre já conhece, né? Já te, não porque, por essa relação direta com você, mas é por essa, que ele vê o contexto mesmo. Mas nem sempre isso acontece, porque às vezes as redes sociais faz com que as pessoas tentam se tratar ali sozinha, né? É, então.

E não é legal, né? Porque às vezes você pode tomar uma decisão errada e que vai piorar muito sua condição. Uhum. E pra quem só pode usar o anticoncepcional por algum motivo específico, né? Ou tem algum impedimento pros outros métodos, isso existe? De ter que escolher, a pessoa tem o lipedema e não pode usar algum outro método, não sei se existe isso, mas só existe o anticoncepcional como opção.

Aí tem que escolher entre o que tem a quantidade menor de hormônio. É, aí tem que avaliar muito bem. Porque ela ficar sem o hormônio é melhor.

Vou dar um exemplo aqui, prático. Vamos ver se eu entendi. Paciente com endometriose.

Paciente com endometriose, a gente tem que tratar a endometriose, que também é uma doença de base inflamatória. E a endometriose, a gente tem que cessar aquele ciclo hormonal dela, né? A gente tem que barrar aquele crescimento endometrial, que vai culminar com a menstruação, né? Que o endometrio vai se formando, se formando, e aí quando ele descama tem a nossa menstruação. Só que quando tem a menstruação, o endometrio proliferou ali, ele vai proliferar onde tem foco de endometriose também, né? Às vezes no ovário, às vezes no intestino, às vezes na bexiga.

Então a gente precisa usar, por exemplo, um diormonal de mais alta dosagem pra bloquear aquela endometriose de continuar a sua progressão. Então essa tem mais indicação de usar um diormonal. Então não existe a possibilidade de, por exemplo, só poder tratar alguma condição com o anticoncepcional, sem contar o lipedema.

Por exemplo, o ovário policístico, eu penso que esse é um termo que todo mundo conhece, né? Às vezes não sabe o que significa, mas... Às vezes tem a indicação de tratar com o anticoncepcional, pelo que eu conheço, e aí a pessoa ainda assim tem uma outra opção que não só com o anticoncepcional, se tem o lipedema também. Sim, sim. Nenhuma condição o anticoncepcional é o único que trata.

Porque o ovário policístico também, hoje a gente já sabe que o anticoncepcional não é o tratamento do ovário policístico, né? Porque ele é uma doença metabólica, então tem várias coisas associadas. Então, pra determinadas doenças, sim. Mas se ela tiver o lipedema, a gente tem que reavaliar.

Será que esse é o melhor pra essa paciente, pra essa doença? E existe também aquele, acredito que seja um mito, talvez esteja até na lista dos mitos e verdades depois, mas das pessoas que às vezes estão tomando há muito tempo o mesmo método e fala que precisa trocar, porque senão o organismo acostuma e às vezes não vai nem prevenir a gravidez, por exemplo. Isso com o anticoncepcional oral. Às vezes o que a gente vê é aquela pessoa que toma tanto tempo aquele hormônio que ela começa a ter sangramento no meio da cartela.

Aí já é um sinal de alerta, porque realmente precisa reavaliar se esse anticoncepcional ainda está fazendo efeito pra ela, né? E tem os anticoncepcionais muito antigos, que às vezes acontece isso mesmo. E a gente tem que reavaliar a quantidade de estrogênio daquela pílula, por exemplo, e o progestageno que está ali. Se é uma drosperinona, se é um etonogestrel, o que que é e que a gente precisa mudar.

E pode dar, por exemplo, sangramento pra quem está já há muito tempo com o mesmo anticoncepcional, de consequências ali, ou pode realmente não combater uma gravidez? Pode não ser eficaz nesse sentido, ou pode ser que a pessoa tenha... Diminuir a eficácia anticoncepcional. Também. Também.

Você começa a ter spot, né, esse sangramentozinho. Nada garante que você não está ciclando ali, se seus hormônios não começaram a ciclar novamente. Se tem o sangramento, é porque pode ter proliferado endométrio ali e descamado.

Aí também pode ser um sangramento só do colo do útero. Aí tem que dar uma avaliada. Entendi.

Falando agora também mais especificamente sobre o seu trabalho no Congresso, né? O que que você apresentou ali? Já tem evoluído em questão nessa parte da ginecologia junto com a parte do lipedema, né? Então o que tem se falado sobre os avanços, enfim, algo que merece o destaque? Até quero deixar aqui que esse trabalho que a gente apresentou no Congresso, né, ele está em andamento ainda. A gente só parou e fez um panorama com as preliminares para a gente ter uma ideia. Mas a gente ainda está continuando com esse trabalho, a gente vai publicar esse trabalho e depois eu vou deixar o QR Code aqui.

Legal. Porque esse QR Code, a pessoa que tem lipedema, ela pode responder, escanear e responder essa pesquisa para o trabalho científico, tem até o termo de consentimento e tal. Isso vai ajudar muito a gente terminar esse trabalho e tirar conclusões mais específicas.

Porque a gente não tem nenhum trabalho no mundo que avalie cada anticoncepcional e sua ação no lipedema. O que a gente tem é assim, tem um trabalho italiano avaliando o anticoncepcional oral, mas naquela quantidade, naquela dosagem, mas um trabalho que realmente englobe tudo, a gente não tem ainda. Então isso vai ajudar muito as pacientes com lipedema.

O que se preconiza atualmente, né, mas isso sem estudo científico ainda que corrobore isso, né, é que se use métodos anticoncepcionais contraceptivos não hormonais. Então eles falam, DIU se for colocar, de cobre, métodos de barreira, uso do preservativo masculino, para casais que cabem, né, que querem uma esterilização, já tem vários filhos, querem uma laqueadura ou uma vasectomia, que a mulher ou faça a laqueadura ou faça a vasectomia, métodos de barreira não hormonais. Ah, e também uma coisa que a gente não falou, que existem algumas pílulas que talvez dêem certo no lipedema, mas ainda a gente tem que descobrir se vai dar certo, são pílulas que só tem progestogênio.

Já existem ou que devem ser desenvolvidas? Existem, né, mas a gente não sabe ao certo qual que é a ação na paciente. Ainda está bem igual, não sei se é desconhecida a palavra, mas não é um tema realmente muito falado? Não, não é um tema. O lipedema, ele já é um tema muito antigo, né, que caiu assim no esquecimento e que agora voltou com força, então tem muita coisa ainda que precisa se descobrir, que precisa de mais pesquisa para ter certeza, por isso que a gente quer acabar essa pesquisa que a gente está fazendo, para a gente ter um panorama melhor em relação ao hormônio e lipedema.

Sim, não só na parte das pacientes, né, falar dos pacientes, mas acaba sendo mais discutido entre as mulheres, mas de forma geral, no meio da medicina mesmo, lá no Congresso mesmo, a gente falou de muitos assuntos, de avanços relacionados na parte médica, dos especialistas que daqui, se a gente for assistir esse mesmo episódio daqui um ano, cinco anos, é uma diferença absurda, né, do que surge, do que começa realmente, e isso consegue ajudar muito, né, porque se de fato tiver uma base ali, que vai ser mais conhecida também sobre o que ajuda, o que piora. Não, tem diversas pesquisas mostrando a parte genética, os genes envolvidos, quando estão envolvidos, que não é uma coisa muito fácil também, mas tem muita coisa nova por aí, mas em questão de hormônio, estão engatinhando ainda. Acho que tem muita coisa aqui pra fazer pesquisa e muita coisa que tá pra vir, assim, muita coisa que a gente vai descobrir mesmo, né, de verdade.

Sim, eu separei aqui, doutora, alguns mitos e verdades, porque eu acho que a gente consegue também incluir algumas perguntas nesses tópicos. Cadê? Aqui. Eu separei o que tá sendo mais perguntado sobre isso, mas até de uma forma pra conseguir unir as duas coisas foi um pouco mais difícil, confesso, porque como a gente falou, né, não é algo que tem muita, muito, algo divulgado na internet, né, sobre esse assunto, então eu tive que tentar unir as perguntas relacionadas com o anticoncepcional e do lipedema e tentar juntar os dois.

Vamos ver o que a gente consegue responder aqui. Tá. Primeiro, anticoncepcional causa lipedema? Causar, não, mas ele pode ser um gatilho pro desenvolvimento do lipedema.

Que é o que a gente falou... Que essa mulher já tem uma predisposição, né, já tem uma predisposição pra ter o lipedema e o anticoncepcional, ele pode ser o gatilho pro início desse lipedema, dela apresentar esse lipedema. Como pode também a pessoa não ter essa predisposição hormonal pro lipedema, e aí o anticoncepcional não afetaria? Não, se ela não tem essa predisposição, não. Tá.

E aí isso com o exame a pessoa vai saber se... Sim. Se o médico, por exemplo, tem o lipedema, pra que fique bem claro isso, né, tem o lipedema, mas essa parte hormonal não influencia tanto, então pode continuar com o anticoncepcional que não vai mudar. Dependendo do anticoncepcional.

Tá. O lipedema é uma doença dependente de hormônios? Quando fala dependente de hormônios, eu entendo que é dependente de estrogênio, provavelmente, né, mas na verdade o lipedema, ele ocorre em mulheres que tem uma predominância estrogênica, ou seja, ela tem uma quantidade de estrogênio maior que as outras mulheres que não tem o lipedema. Se a gente pensar nisso, nessa predominância estrogênica, sim, mas não que o estrogênio seja o vilão de tudo, porque a gente viu que as mulheres que têm lipedema, elas têm menor risco cardíaco, essa gordura que elas têm, protege ela contra várias doenças.

Quando você pega um exame de sangue, por exemplo, de uma mulher que tem lipedema, ela pode estar supersintomática, e às vezes uma mulher que não tem lipedema, e olhar colesterol, triglicérides, normalmente, essas pacientes com lipedema, elas tendem a ter esses exames normais, você acredita? Para ver o quanto que elas são protegidas pelo hormônio. É lógico que tem toda uma questão de dor, de cansaço, de todos os sintomas que realmente, quando eles estão muito presentes, é incapacitante, né? Mas assim, de falar que o estrogênio é o vilão e que tudo é por conta dele, também tem a parte que a gente tem que lembrar, porque às vezes tem muita mulher que vai lá, ah, eu tenho lipedema, faz a lipo, né, sem tratar antes. Essa gordura vai voltar em algum lugar, e ela volta aonde depois? Abdômen, gordura visceral.

E aí, ela perde aquele benefício do estrogênio na gordura coxa e femoral, porque essa gordura coxa e femoral, ela tem muito receptor de estrogênio, alpha e beta, e esse equilíbrio desses receptores só tem nessa região, né? Mais nessa região porque tem mais gordura nessa. Ela é que promove essa proteção para a mulher, né? Quando você vai para a gordura visceral, a gente sabe que a gordura visceral está relacionada com várias doenças, cardíacas, inclusive. E não tem mais esse benefício.

E não tem mais esse benefício. Toda mulher com lipedema deve parar o anticoncepcional? Aí depende, depende de cada uma. Foi uma explicação completa, inclusive.

A gente tem que conversar com essa mulher, ver o que ela tem aí de antecedentes, por que esse anticoncepcional foi passado, se ela está tratando alguma outra doença, né? Se for uma pessoa que está usando anticoncepcional só por usar, só para contracepção, para que ficar com esse hormônio? Por que não ir para um método não hormonal? Mas aí tem que ser avaliado caso a caso. O diormonal, Mirena e Cailine que falam, né? Cailine. Não interfere no lipedema? Depende de mulher para mulher, mas a gente tem uma tolerabilidade até que boa para os dois.

Tem até um estudo sendo feito agora com o diucailine de menor dosagem associado com gestrinona para lipedema. Não tem nada ainda, não acabou esse trabalho, a gente não tem nenhuma conclusão, mas para mostrar que ele é bem tolerável. E se Cailine ficou mais famoso agora por algum motivo? Ou só eu que nunca escutei muito dele? Agora que eu estou escutando mais, mas antes era só a cobre, né? A que todo mundo falava.

Porque o Cailine, ele veio para o mercado há poucos anos atrás. Antes a gente tinha o Mirena, que era o mais conhecido, que era o de dosagem hormonal um pouquinho mais alta, mas o Cailine, quando ele veio, ele veio também para essas pacientes adolescentes. Então deu um boom mais nesse Cailine, sabe? Mais de falar sobre o Cailine, ver os benefícios que ele tem.

Poxa, o Mirena lá atrás, ele tinha todos esses benefícios para paciente com adenomiose, endometriose, é ótimo. Mas e para uma mulher que não quer menstruar? Para uma mulher que não precisa de tanto hormônio assim? E aí ele foi mais usado, hoje em dia é o mais usado até que o Mirena. Nossa, mais usado até? É, mais usado.

Esse nome realmente eu não tinha escutado muito, né? Agora que teve até a orientação. Faz alguns anos, eu não sei ao certo quantos anos, já faz uns 5 anos. Tá, mas por aí.

Por aí. Uns 5 anos. O dil de cobre é o método mais seguro para quem tem lipedema? O mais seguro para quem tem lipedema, sim, é o método não hormonal.

Tanto cobre quanto prata, contra o preservativo, né? É, mas em relação à contracepção mesmo assim, que a gente prescreve, eu acho que sim, é o melhor. E já aproveitando falar dessa parte, eu tô engatando uma pergunta aqui que nem tava, mas a gente tá falando muito do método contraceptivo, que a maioria das vezes, para grande parte das mulheres, é para prevenir gravidez, né? Sim. Quando a pessoa tem o lipedema, a gravidez acaba sendo, não diria um problema, mas algo que prejudica a condição? Sim, na gravidez a mulher pode ter uma piora dos sintomas do lipedema por conta dessa variação hormonal que ela tem, né? É uma época da vida totalmente diferente para a mulher, né? É uma alteração hormonal, assim, que fisiologicamente é muito boa, né? Porque tá gerando uma vida, mas é muita mudança, né? O estrogênio, a progesterona vão lá pra cima, o FSH, LH, nossa, eles ficam muito baixinhos.

Então, por conta dessa flutuação hormonal, pode ter a piora do lipedema. E pode até ser o momento em que ela desenvolve o lipedema, que ela não tinha nenhum sintoma e que depois de uma gravidez ela tem. E seria mais pela questão hormonal e não pelo peso em si da gravidez? Pode ser até uma associação dos dois, mas pode ser só por conta da gravidez.

Porque a gente vê em mulheres que já tem propensão a lipedema, quando elas engordam, né? Quando tá associado com obesidade também, aí piora, né? Porque a obesidade por si só, mesmo em mulheres que não têm lipedema, já é uma condição inflamatória. Aí se a gente une duas condições inflamatórias, numa mulher que tá grávida ainda, aí complica mais ainda. E o tratamento pode acontecer junto com o acompanhamento da gravidez? Pode.

Inclusive é o recomendado. Sim, pode. Tá.

O anticoncepcional pode piorar o inchaço e a dor do lipedema? Pode. Pode pelo acúmulo de líquido? Pode. Anticoncepcional engorda e por isso piora o lipedema? Ah, isso muita gente quer saber, né? Se o anticoncepcional engorda ou não.

Acho que esse devia estar no top 1 aqui das perguntas. Então, depende muito de anticoncepcional por anticoncepcional. E depende muito de mulher pra mulher.

O que a gente vê é que sim, pode aumentar o peso, mas por acúmulo de líquido. Então, às vezes você sobe na balança de manhã, tá 3 quilos mais magra e à noite tá 3 quilos mais gorda. E isso, se você tomar esse anticoncepcional por muito tempo, você vai ter um peso que não é seu na balança, né? E aí quando as pessoas falam assim, ah, esse tipo de método contraceptivo engorda, que ele emagrece.

Não tem como definir se, especificamente aqui, ele vai engordar todas ou vai emagrecer todas? Depende de mulher pra mulher. Isso também vai, que foi o que você falou... Antigamente, todo mundo colocava no mesmo saco, né? Isso vai causar isso na mulher e pronto, acabou. Hoje em dia a gente sabe que tem a individualidade de cada um, né? Cada um é cada um.

Meu corpo funciona de uma maneira diferente do seu e vice-versa. Então, a gente tem que avaliar bem, caso a caso. Métodos de progesterona isolada não interferem no lipedema? Ah, isso que eu tava falando, dessas pílulas só de progesterona.

A gente tem algumas pacientes usando, não vejo muitos sintomas, mas é uma coisa que a gente não pode bater o martelo ainda. Mas nas que estão usando, por exemplo. E não tem alteração da condição, tudo bem.

Suspender o anticoncepcional faz o lipedema regredir? Só a suspensão do anticoncepcional, não. Ela tem que descobrir o que pode mais estar inflamando, porque não é só o anticoncepcional, né? Ela pode ter outros gatilhos inflamatórios. Às vezes, até a presença de varizes na pele, tendo uma insuficiência venosa, já é um gatilho para o desenvolvimento do lipedema.

O uso de algumas medicações, por exemplo. Hoje em dia, tem muita mulher que toma espironolactona, né? Achando que, ah, eu vou tomar o diurético, porque eu tô inchada e eu vou melhorar o meu inchaço. E, na verdade, isso pode ser um gatilho para desenvolver o lipedema.

Testosterona, existem várias. Até o alimentar, né? Os gatilhos alimentares, as intolerâncias alimentares. Então, depende muito.

Às vezes, tem uma que tem um gatilho. Só tem mulher que tem vários gatilhos associados. E aí, não vai regredir, mas se tirar, para de evoluir.

Isso a gente pode afirmar. Se ela, se for o único gatilho, sim. Tá.

Não existe nenhuma pesquisa que comprove a relação entre anticoncepcional e lipedema? Que a gente falou do Congresso, né? Isso, que a gente falou do Congresso. Tá acontecendo agora. Inclusive, depois, quem puder aí responder o QR Code, eu acho que vai ser muito legal, porque a gente vai conseguir ajudar mais mulheres com lipedema com o resultado desse estudo científico.

A gente vai deixar o link aqui, porque aí quem quiser já acessar, já fica mais fácil de ir direto pelo link aqui da descrição do vídeo. Toda gordura que aparece após o anticoncepcional é lipedema? Não. Não.

Pode ser, ela pode ter várias coisas associadas. De repente, ela tá numa fase que ela engordou mais, ela tá comendo mais, pode ser que seja por conta disso. O anticoncepcional pode influenciar nesse sentido também, né? De comer mais? Não sei se essa seria a definição.

Não, não. Não? Não, de comer mais, não. E da TPM, o controle da TPM, isso sim? Não, o controle da TPM é até que o anticoncepcional controla bem, né? Consegue já... Muita gente fala que o anticoncepcional já alivia muito.

Já alivia, já alivia bastante cólica, TPM, né? O anticoncepcional piora a inflamação crônica do corpo? A crônica seria o lipedema ou outro tipo de inflamação? Eu acho que a crônica a gente poderia colocar com todas as doenças de base inflamatória, né? O lipedema sim, outras doenças depende muito. O que a gente vê alguns estudos associados com o estroboloma, né? Que é uma inflamação intestinal causada por hormônio. Então, o ideal seria que ninguém tomasse hormônio, né? Mas a gente sabe que não dá, né? É, que acaba sendo também o mais... O anticoncepcional ainda é o mais usado em comparação com os DIOS? Sim.

Ainda é o mais... Sim, ainda é o mais usado. Quem usa anticoncepcional nunca vai conseguir controlar o lipedema? Nunca é uma palavra muito forte, né? É, nunca é uma palavra muito forte. Aí é o que a gente conversou, depende do anticoncepcional.

Tá. O anticoncepcional influencia na retenção de líquidos do lipedema? Sim, influencia. O anticoncepcional oral influencia bastante, né? Se eu tivesse que deixar uma mensagem pra paciente que tem lipedema, né? Posso usar pílula anticoncepcional? Poder, dependendo do caso, até pode.

Mas pra quê se pode piorar o seu lipedema? Melhor adotar. Por que que a gente não vai pro método não hormonal? E aí pode ser... Tem alguma forma de não se adaptar a esses métodos não hormonais? Quais são os queixos mais comuns? Por exemplo, do DIO, né? Do DIO de cobre foi o que a gente falou. Ele pode aumentar muito o sangramento pra quem já tem um fluxo muito aumentado de menstruação.

E aí essa pessoa não se adapta a esse sangramento. Aí vem o DIO de prata que diminui... Que aí pode ser o nido, né? Exatamente. Exatamente.

Que aí diminui um pouquinho. Mas tem mulher que... Tem algumas mulheres que elas não gostam de saber que tem um corpo estranho dentro delas, sabe? Então elas preferem tomar o anticoncepcional ao invés de ter alguma coisa no seu útero, por exemplo. É, pelo menos você tá visualizando o que você tá tomando ali, você tem certeza, né? É, então.

Agora a pergunta que não quer calar, doutora. O DIO, quando colocado de maneira correta num lugar com um especialista que realmente sabe o que tá fazendo, a eficácia é garantida? Tem algum exame que dá pra ele falar, não, pode confiar no DIO que ele realmente tá funcionando? Porque acaba viralizando nessas histórias. Ah, o bebê nasceu segurando o DIO, o bebê não sei o que com o DIO.

Mas com o anticoncepcional também acaba acontecendo, né? Sim, é. Pessoas que relatam que estavam tomando... Todo método anticoncepcional, ele tem lá a sua porcentagem de falha. É pequena? É muito pequena, mas pode acontecer, né? De engravidar com o DIO. O DIO, se ele não tá muito bem colocado ali, se ele já passou da validade dele, por exemplo.

Hoje a gente sabe que o Mirena, ele pode ficar até uns sete anos em bula, né? Mas se tem uma pessoa que tá lá com aquele negócio há dez anos, o DIO, ele só vai ter a ação local, ele não vai ter a ação pela liberação do hormônio mais, né? Mas diminui um pouquinho a eficácia. Pode acontecer? Pode acontecer. É raro? É raro.

O pessoal pode fazer alguma coisa errada que diminui essa eficácia? Porque o anticoncepcional tem várias coisas erradas, né? Uma coisa que quem tem DIO não pode fazer é plataforma vibratória. Então, mulheres com lipedema, plataforma vibratória. Tem DIO, não faz porque desloca.

Desloca o DIO. Plataforma vibratória seria aquele... É aquele que você sobe em cima, sabe? E ela fica vibrando assim. É muito utilizado por mulheres com lipedema, porque ajuda ali a fazer uma drenagem, sabe? Que dá um bem-estar e tal.

Isso é importante. Isso é importante, né? Porque senão o DIO desloca mesmo. Até me veio na cabeça isso, mas eu ia perguntar até de... Eu achei que você estava falando de outro tipo de vibrador.

Aí eu falei, gente, será que também não pode? Porque tem... A ligação é importante esclarecer, né? Que não, é a plataforma. É a plataforma. Ah, tá.

Eu falei, peraí. Você está às vezes colando a dúvida aqui na cabeça de alguém também, né? É, não. É a plataforma vibratória.

O outro tipo de vibrador não tem nenhuma relação. Nem vai entrar lá dentro. Vai ficar mais pra fora, né? Sim.

Então, tá bom. Próximo. O uso de anticoncepcional é contraindicado para todas as mulheres com lipedema? Ah, isso a gente fala bastante, né? Sim, é. Já falamos.

Depende de casa a casa, mas se puder evitar, o melhor é se evitar. Tá. O anticoncepcional atrapalha a resposta à dieta e aos exercícios no lipedema? Não.

Eu acredito que não. Mas assim, quem já tem o lipedema, se tiver mais inchaço, se tiver mais inflamada, ela já não vai conseguir emagrecer porque está inflamada, né? Quando a gente está inflamado, o nosso corpo não deixa a gente gastar muita energia. O corpo quer guardar energia porque está num embate ali diário, né? Então fica mais difícil de emagrecer.

Se o anticoncepcional está sendo um gatilho ali, provavelmente ela não vai emagrecer mesmo, não. Tem mulher aqui que faz dieta, que faz exercício físico, mas se ela não tira o gatilho inflamatório, ela não emagrece. Quem tem histórico familiar de lipedema deve evitar anticoncepcionais hormonais? Aí considerando então que tem algum histórico, mas que a pessoa não foi diagnosticada.

Sim. Sim. Se já tem um histórico familiar, pra que mexer nisso? Porque pode ser que ela venha a desenvolver também.

A pessoa pode não ter lipedema com até, por exemplo, uns 40, 50 anos e começar a ter a partir dessa idade? Ou já aparece a partir dos 20? Tem muita mulher que já tem aquela conformação do corpo mais de gordura genóide, que é aquela que está mais coxo femoral mesmo, e mais magrinha aqui, e que só vai desenvolver os sintomas do lipedema na menopausa. Entendi. Então pode aparecer em algum momento.

Isso. Porque o lipedema está muito associado com as fases hormonais da vida da mulher. Então, se não for lá na puberdade, pode desenvolver numa gravidez, se não no uso de anticoncepcional oral, dependendo de qual e de quanto tempo, e se não é na menopausa.

E tem como saber, doutora, quando a pessoa é mais nova, por exemplo, está ali na faixa dos 20? Tem como, tirando o histórico, né? Porque o histórico às vezes a família já tem, as mulheres já tem, aí já imagina que vai ter. Mas sem nada disso, tem como ter a certeza? Às vezes até batendo o olho, quando a gente vê uma criança aí de uns 10, 11 anos, a gente olha assim, hum, essa pode ser uma candidata a desenvolver o lipedema. Nossa! Fisicamente, assim? Fisicamente.

É pela distribuição da deposição de gordura do corpo daquela menina. A gente já sabe. Se ela tem mais quadril, né, essa gordura ginóide, provavelmente ela pode ser que ela desenvolva um lipedema sim.

Já se a gente vê aquela menina que é mais magrinha, que não tem muita gordura nessa região, mesmo que já tenha entrado, né, na menarca, já esteja menstruando, aquela ali tem pouca probabilidade de desenvolver o lipedema. É mais pela distribuição de gordura corporal mesmo. E aí tem como uma forma de prevenção, por exemplo? Já viu ali criança que tem chance de ter? Algo que a mãe já tem que se preocupar? Sim.

Uma boa alimentação, evitar industrializados, evitar açúcar, um estilo de vida adequado, né, prática de exercício físico, tem sim, tem como prevenir. Legal. A última pergunta é um termo diferente até, não sei se a gente já citou, citar de outra forma aqui.

Anticoncepcional bioidêntico também piora o lipedema? Então, o bioidêntico... O que seria o bioidêntico? O bioidêntico é que tem a molécula exatamente igual ao produzido do nosso corpo, né? Hoje em dia a gente tem alguns hormônios bioidênticos, né? Mas é hormônio do mesmo jeito. É lógico que é melhor do que o, por exemplo, o progestágeno de uma pílula anticoncepcional que a gente sabe que ele é sintético, né, produzido em laboratório e não tem a mesma molécula, é uma molécula símile que a gente fala e que pode dar outros efeitos colaterais. É melhor, é, mas se puder evitar o hormônio, melhor, né? É uma forma, então, seria, por exemplo, de, na parte do paciente, bioidêntico seria uma diferença ali na empresa, no que é vendido? É, no que é vendido, na verdade ele é uma molécula muito parecida com a molécula natural que o nosso corpo produz, né? E o não bioidêntico é um sintético que não tem nada a ver, mas que atua como se fosse aquela substância.

Entendi. Entendeu? Entendi. Tá bem explicado, doutora.

Inclusive, quero te agradecer pela participação aqui no Amatocast mais uma vez, é sempre muito produtiva a nossa conversa, a gente ficaria horas falando sobre o mesmo assunto. Passa rápido, né? Passa muito rápido, voa. A gente vai deixar o link da pesquisa, reforçando mais uma vez, pra quem chegou até aqui, pra que possa auxiliar.

E também vou pedir pra você passar o que você prefere, rede social, que o pessoal possa te procurar, ou algum site, enfim, o que você prefere que as pessoas possam Mostra aqui os nossos vídeos pelo canal do YouTube e pelo Instagram, doutora Juliana Mato. Tá certo. Então, se ficou alguma dúvida relacionada a esse assunto, acho que ficou bem esclarecido, porque é um tema ainda com poucas, como a gente citou, poucas coisas pra se dizer assim de novo, mas quem sabe daqui a um tempo a gente volta pra falar mais uma vez.

E com essa pesquisa aí, com esse estudo científico que tá pra sair, que a gente vai fazer pra ajudar mais mulheres, eu acho que daqui um tempinho a gente vai voltar com mais informação, né? Exatamente. Coisas mais sólidas, digamos? Sim. Não que a gente, o que a gente falou aqui não seja, mas né? Sim, lógico.

Com mais embasamento científico. Exatamente. Não é? Exatamente.

Muito obrigada, doutora, pela sua participação. Até a próxima. Até a próxima.

Obrigada você também que acompanhou até aqui. Como a gente citou, não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante pra que a gente continue trazendo os nossos especialistas em saúde aqui no Amatocast. E também, mais uma vez, não deixe de acessar o link que a gente tá deixando aqui na descrição que a gente explicou durante a nossa conversa.

Pode procurar a doutora Juliana Amato, nossa médica ginecologista pelas redes sociais que ela passou, que a gente tá deixando pra vocês, ou mandar as dúvidas aqui pelos comentários. Obrigada e até a próxima. Tchau.

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