
Lipedema Talks, episódio 17
Exercício como Aliado: movimento sem inflamação
Neste episódio
O educador físico Rodolfo Vieira explica que todas as pessoas, inclusive quem tem lipedema, devem se movimentar, mas que o treino desordenado e em excesso pode aumentar a inflamação e a dor. Ele critica a lógica do sem dor, sem ganho e mostra como dosar intensidade e volume conforme o estágio da doença. O episódio fala de fortalecimento para aliviar a dor no joelho, opções de baixo impacto, a importância de encontrar uma atividade prazerosa e o trabalho conjunto com médico, fisioterapeuta e psicólogo. Também comenta cautela com o crossfit e o uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento.
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Capítulos
Sobre o episódio
Neste episódio do Lipedema Talks, gravado durante o congresso Lipedema Evolution 2026, Letícia Miyamoto conversa com o educador físico Rodolfo Vieira sobre exercício como aliado de quem tem lipedema. Rodolfo desmonta o mito do ‘no pain, no gain’, mostra por que treinar de forma desordenada aumenta a inflamação e piora a dor, e ensina como dosar intensidade e volume ao longo da semana. Fala sobre o fortalecimento do quadríceps para aliviar a dor no joelho, atividades de baixo impacto como caminhada na piscina e tênis de mesa, e a importância de encontrar um exercício prazeroso para manter a consistência. Aborda ainda a cautela com o crossfit, os seis pilares da longevidade e sua visão crítica sobre o uso das canetas emagrecedoras sem acompanhamento. Assista até o final e descubra como transformar o movimento em tratamento.
🎙️ Convidado(a): Rodolfo Vieira — Educador Físico
🎧 Lipedema Talks · Temporada 2 · Episódio 17 de 21 · Apresentação: Letícia Miyamoto
📍 Gravado no congresso Lipedema Evolution 2026 · https://congresso.lipedemaevolution.com.br
Transcrição
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um episódio do Lipedema Talks. Eu agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui com a gente para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. No nosso episódio de hoje, a gente vai falar um pouquinho sobre exercício e lipedema, o movimento como aliado da saúde, responder todas as perguntas relacionadas aí a esse assunto. E antes de tudo, eu vou apresentar o nosso entrevistado, o nosso convidado especial de hoje, que é o Rodolfo Vieira. Rodolfo Vieira é profissional da educação física, formado pela Universidade Presbyteriana Mackenzie, pós-graduado em nutrição aplicada ao exercício físico pela USP e atua como personal trainer desde 2009. Há mais de uma década, acompanha o doutor Alexandre Amato e a doutora Juliana Amato, ajudando pessoas a construírem hábitos saudáveis e sustentáveis. Mais uma vez, bem-vindo, Rodolfo, porque a gente já gravou, né?
Exato. Em outro cenário, em outra situação. Obrigado pelo convite, novamente. E hoje, focado no lipedema. Exato. E eu queria já te perguntar sobre como que esse assunto surgiu, né? Você acompanha muito o doutor Alexandre nessa jornada contra o lipedema, ele que trouxe o assunto mais presente na sua vida. Foi assim que... Exato, porque eu acompanhei desde quando ele foi para a Alemanha a primeira vez e trouxe o assunto lipedema. Eu falei, o que é isso de lipedema? E cada vez mais ele foi se aprofundando, aprofundando, nas aulas a gente conversando sobre. Tive a oportunidade de ser citado no livro dele como uma das referências que abriu a mente dele do quão importante era os personal trainers entenderem sobre o lipedema. E aí é uma discussão diária nas aulas que a gente tem sobre o tema de lipedema.
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Legal. E a sua escolha até para fazer educação física, eu acho que você tinha comentado comigo como foi da outra vez, você sempre foi uma pessoa interessada por... Nessa área, na escola, já era aquele fã da educação física? Sou da periferia de São Paulo, Perituba, então o grande sonho era ser jogador de futebol. E como eu não consegui, eu falei assim, eu quero continuar na área de saúde, movimento. Na época eu não tinha tanta clareza quanto eu tenho hoje, mas eu falo, eu quero trabalhar com o movimento. E aí hoje o meu foco é muito nisso. Saúde, longevidade, ajudar as pessoas que têm lipedema. Legal. Então eu já vou direto para a pergunta, quem tem lipedema pode praticar atividade física ou não? Alguns convidados já vieram aqui, alguns médicos já falaram que tem algumas práticas aí que devem ser evitadas por conta do impacto principalmente.
É a sua opinião também? Tem que ter um acompanhamento próximo com o personal, por exemplo? Qual que é a sua indicação para os pacientes? Primeiro ponto, todas as pessoas devem fazer atividade física. O grande ponto é a falta de informação, que as pessoas, na maioria das vezes, acabam optando pelo exercício de forma errada. E aí a gente sabe que vai na contramão do lipedema. Lipedema é diminuir a inflamação. Se a gente quer o bem da paciente, é diminuir ao máximo a inflamação. E as pessoas, os pacientes, na maioria, né, eu vou tratar às vezes como aluno, às vezes como paciente, elas acham que, ah, fazendo mais eu vou queimar aquela gordura, porque entra muito naquela do, não, quero reduzir a gordura do abdômen. Quanto mais abdômen eu faço, melhor vai ser. Então as pessoas têm muito isso enraizado ainda e leva para o lipedema.
Então, ah, se eu fizer mais, eu vou ajudar a reduzir essa gordura. E não, não vai acontecer isso. O que vai acontecer é que só vai aumentar a inflamação. Então é preciso ter estratégia na elaboração do programa de treinamento. É importante ressaltar que tem alguns exercícios que eles sim, eles vão gerar mais inflamação e é não recomendado, depende do nível, do estágio que a pessoa está no lipedema. Então se a gente levar em consideração qual estágio que ela está e qual é a atividade adequada, todas as pessoas podem fazer atividade física, devem, mas a escolha é que vai fazer toda a diferença. É, inclusive a gente deu um exemplo, eu não lembro com quem foi, mas foi um exemplo legal que eu acho que vai na mesma linha da sua explicação, que às vezes se faz de uma forma desordenada ou sem acompanhamento e acaba piorando.
A pessoa fala, ué, mas a orientação era que eu fizesse exercício físico com o paciente de lipedema, tá? E aí vê a situação piorar, vê ali os sintomas piorar, a dor piorar, tudo piorar, e aí acaba parando de vez e vira uma bola de neve, porque vê piorar com a atividade física, piora a alimentação também, porque dá aquele desânimo, né? Que a pessoa vê tudo indo embora. Exatamente, porque até então era uma doença pouco conhecida. Muitas pessoas ainda não conhecem. Então a pessoa precisa ter aquilo que, ah, vou no treino, o professor falou que é preguiça. Ah, o médico falou que o melhor então é não fazer nada. Então ainda tem muita divergência em relação às informações do lipedema. O ideal é que ela encontre, primeira coisa, e aí eu pego sempre como exemplo o Alexandre, que não gostava de treinar, era difícil, quando ele encontrou o tênis de mesa, virou a chavinha e aí ele começou a ter regularidade como ele nunca teve.
Então essa pessoa tentar encontrar algo que ela goste, e aí um dos tópicos que eu vou abordar lá é dosar ou intensidade e volume. Por quê? As atividades todas geram inflamação. Se a gente consegue controlar o quanto você faz, distribuindo ao longo da semana, na rotina, você consegue, ah, hoje eu vou dar um estímulo um pouquinho mais forte. Amanhã eu vou descansar e vou fazer uma atividade que não vai gerar nada de inflamação. Então esse equilíbrio ao longo da semana faz toda a diferença para que ela consiga manter por mais tempo. E a gente sabe, consistência gera resultados. E aí ela vai se motivando. Pô, que legal. Olha lá, hoje eu fiz um exemplo. A musculação que é super importante para o fortalecimento do quadríceps, porque a gente sabe que 90% das pacientes de lipedema tem dor, de 85% a 90% tem dor no joelho.
Então hoje o foco é fortalecer o quadríceps, que vai te ajudar a não ter dor no joelho. Amanhã você vai fazer uma caminhada na piscina. Para quê? Ajudar no retorno linfático, ajudar na recuperação, diminuir a inflamação. No outro dia o que você vai fazer? Uma caminhada. E uma bolinha de tênis para soltar a musculatura do pé, ajudar no retorno venoso. Então sendo bem estruturado, a pessoa pode fazer cada dia um pouco de atividade, controlando bastante a inflamação, que esse é o foco. E muita gente acaba ligando a atividade física com musculação, né? Acaba sendo a primeira ideia ali na cabeça. Você falou agora do tênis de mesa, já é algo que chama atenção, porque parece, ah, mas não é nem exercício, não é de fato uma atividade de alta intensidade, mas pode ser. Pode, totalmente. E assim, você até entrevistou o Cazu, né?
O Cazu que é o atleta olímpico, é expert no assunto, é uma atividade que o Alê sempre fala. Eu costumo falar a lei ao invés de doutor Alexandre, porque eu tenho muito contato com ele. E ele fala, eu nunca fiz uma atividade que eu gostei tanto. Eu queimo mais calorias do que o dia que eu vou no tênis. Então, tudo depende da intensidade. Mas o importante é a pessoa, e aí eu pego um dos casos das minhas alunas, que ela um dia comentou, Rodolfo, ah, não gosto de fazer, eu sempre recomendava, faz a esteira, bike, atividades cardiovasculares. E ela nunca fazia. E aí ela comentou um dia, ah, uma amiga minha, encontrei ela no bairro, ela estava com um cachorrinho. Nossa, adoro cachorrinho, eu gosto muito, é isso. Compre um cachorrinho. Porque ela era uma pessoa sozinha, solteira, meia -idade já.
E aí eu falei, vai te fazer companhia, vai ser ótimo pra você. Aí eu que brigava toda vez pra ela fazer o cardio, brigava, brigava, ela com o cachorrinho, começou a sair de casa pra se movimentar três vezes ao dia. Aí, outro ponto que é importante, ela ficava joguinhos no celular e comendo besteira. Então o cachorro queria comer também as besteiras. Então ela parou de comer as besteiras e começou a se movimentar muito mais. Então você vê como existem inúmeras possibilidades. Pra ela, foi super importante, ela parou de fumar, parou de comer besteira, e aí como uma consequência ao longo de um ano, perdeu 10 quilos. E aí você fala, mas tem que ser academia, tem que fazer aula de corrida, tem que fazer... Não, existem inúmeras possibilidades. Que a paciente de lipedema tem que encontrar o que ela gosta, e aí ela vai conseguir os resultados.
Sim, e pra quem tem lipedema e sente dor principalmente, tem que encontrar o exercício que não sinta dor de forma alguma, ou quem sente dor constante consegue ainda manter o exercício, mesmo sentindo um pouco de dor, pra com o tempo começar a melhorar? Como que funciona isso? Essa pergunta é excelente, porque o trabalho em conjunto, multidisciplinar, faz toda a diferença. Então eu, como personal trainer, conversar com o médico e entender qual é a fase que essa pessoa está, faz toda a diferença. Às vezes até conversar com o psicólogo. Então com a psicóloga dela, qual é o perfil de comportamento dessa pessoa? É uma pessoa que tem mais sensibilidade à dor ou não? Ela tá mais reativa? Qual é a fase de vida que ela tem? Pensa que a paciente de lipedema não é só tratar a inflamação, dar o exercício e tá tudo resolvido.
Não, são vários fatores que influenciam. Então é a alimentação, o aspecto psicológico. Se ela tá num período de dor, espera um pouco e leva ela pra um fisioterapeuta. Ainda não é o momento, vamos fazer, tratar então específica essa dor que tá numa fase aguda da patologia, vamos tratar. Parou a dor, aí o personal trainer entra em ação. Então é importante isso, conversar com o médico, psicólogo, fisioterapeuta, esse trabalho em conjunto pra que tenha uma decisão mais assertiva. Tem muitos, infelizmente, personal trainers que tem a linha do no pain, no gain, no pain, no gain. Só que pra esse paciente, só vai prejudicar, só vai gerar mais inflamação. E outro ponto importante, eu sendo crítico da minha própria área, o personal tende a influenciar muito o paciente do gosto pessoal dele.
Então o que ele faz? Ah, eu adoro musculação. Não, porque você tem que fazer musculação. Não, você tem que fazer esse protocolo que eu fiz e deu certo. Tem que ter a sensibilidade de qual é o momento que esse paciente está. Fase aguda de dor? Calma. Se tem algo que é espetacular no nosso corpo, é a relação dor. Se o corpo, se a paciente tá sentindo dor, o corpo tá avisando. Algo não está certo. Então puxa o freio de mão, pensa qual é a rotina, avalia e muda a rota. Então às vezes é, ah, tô treinando cinco vezes na semana, vamos diminuir pra três. O descanso é super importante. Se a pessoa está inflamada, o que acontece? Vai atrapalhar no processo de hipertrofia. Aí tem a proteína C reativa, interleucina, cortisol.
Se a pessoa está inflamada, não vai ajudar no processo de hipertrofia. Então não adianta. Então é importante ela, uma dica para os pacientes, olhe, tenha aquele autocuidado diário. Hoje eu acordei, como que eu tô me sentindo? Ai, tô sentindo que, nossa, exagerei no treino hoje. Ai, mas eu tenho que fazer atividades. Se respeita. Descanse esse dia. Procura fazer outras atividades. Ah, só uma bolinha no pé pra soltar que também vai ajudar. Às vezes uma liberação facial que pode também. Tudo isso avaliando a dor pra que não seja aquilo. Porque a dor, ninguém gosta de sentir dor. Quando a gente tem dor de cabeça, a gente fica impaciente, fica nervoso. E a pessoa que tem dor todo dia é muito chato, é limitante. Então ela tem essa sensibilidade de olhar pra si, identificar e falar, opa, hoje eu não vou fazer.
Hoje é meu dia de descanso. Qual outra atividade? É consulta personal trainer que eu posso fazer que eu tô sentindo um desconforto. Como a gente pode reprogramar a nossa rotina semanal de exercícios pra que diminua. Por quê? Vou dar um exemplo. A pessoa ama correr. A gente sabe, corrida gera impacto 2,5 vezes o peso corporal. Se a pessoa tá com sobrepeso, a estrutura dela de ossos, ligamentos, tendões não estão preparados, vai gerar inflamação. Então essa pessoa, o ideal nesse período, não é correr. Então faz uma caminhada, alternando. Caminhada mais rápida e mais lenta. Pega um pouco de inclinação pra não gerar essa sobrecarga que tem ali na corrida. Passou esse período de dor?
Volta aos pouquinhos. Corre um minuto, descansa. Então tem inúmeras formas de você conseguir controlar a inflamação pra que nesse período de dor, fase aguda, a gente deixe de lado, ela se recupere e aí volte aos poucos. Rodolfo, agora uma pergunta polêmica. Eu acho que já imagino a sua resposta pelo que você já disse agora. Parece que não. Mas tem algum exercício que você considera proibidaço pra quem tem lipedema? Que você fala, esse aí realmente não tem jeito, não adianta. Mesmo que seja mais leve, realmente é perigoso. As pessoas que, assim como o doutor Alexandre, gostam de competição, o crossfit é a atividade que é o tempo inteiro você, consigo mesmo, testando os seus limites.
Então, como todo treino, o volume de treino no crossfit é muito alto, a gente sabe que gera muita inflamação. Então, se a gente pensasse assim, Rodolfo, qual que você iria proibir hoje? O crossfit seria um que eu falaria, muita cautela com o crossfit. Mas, Rodolfo, a Letícia falando pra mim, eu amo o crossfit, me dá muito estímulo, eu gosto demais. Converse com o seu personal trainer e monte uma rotina que você faça pelo menos uma vez na semana, porque a dose de dopamina com atividade física é muito importante. Só que converse com ele pra, ao invés de você ir até o limite nos exercícios, não, você vai fazer adaptado, mas naquele mesmo ambiente.
Porque tem pessoas, e isso é algo muito positivo do crossfit, que é a tribo crossfit. A pessoa começa a fazer, ela entra naquela tribo, aí ela vai na balada junto, faz o churrasco junto, faz tudo junto no crossfit. Então, esse que é um dos pilares que eu falo muito importante das relações sociais, é muito legal. E aí a pessoa, às vezes, descobriu que tem o lipedema. Sabe que o crossfit vai inflamar muito, porque sempre é volume de treino, intensidade muito alta. Converse com o personal pra, ah, o ideal agora, então eu vou fazer só uma vez na semana, mas vou adaptar. Não vou todo treino, é o meu limite. Sabe, porque o crossfit, na grande maioria, é de 0 a 10 percepção de esforço. 10 é, tô morto, ele leva o homo, os idosos, todo treino, que a pessoa sai morta, ela fica lá deitada.
Então é a pessoa combinar com o personal pra que, ó, a gente vai trabalhar, que você faça, mas na percepção de esforço, você vai até 7. Não vai até seu limite, para antes. Sabe, ah, até 6, depende, aí é importante, trabalha em conjunto, do médico, o personal trainer, recebendo abertamente o feedback da paciente, da aluna. Porque às vezes acontece, o médico ou o personal trainer, não, porque você tem que fazer isso, tem que fazer isso, tem que fazer isso, e ela não tem tempo nem de falar. E é nesses detalhes que você às vezes pesca alguma coisa, que você fala, putz, olha o gatilho que tá. Ela tá indo pro crossfit por conta disso? Ah, então vamos sugerir o tênis de mesa. Também tem competição, tem outras, então tem outras atividades que também tem competição.
Tem uma aluna minha, não queria fazer cardio de jeito nenhum. Eu falo, treino comigo aqui é super importante, mas o cardio é fundamental. E aí nessas conversas, durante os treinos, um dia ela falou, nossa, quando eu era mais nova, eu sempre quis fazer dança. Pô, que legal. Aí eu, olha o gatilho, né? Falei, opa, porque você não começa? Aí comecei, faz dança, começa a pesquisar dança, faz dança, faz dança. Aí ela encontrou um professor de dança de salão, começou a fazer, se apaixonou, porque era um sonho de criança que estava ali guardado, e hoje ela faz comigo três vezes, faz duas vezes com o professor de dança, queria fazer mais vezes, mas eu falei, não. Segura a emoção. No princípio, do menos é mais, porque senão vai gerar mais inflamação. Então é importante a gente controlar. Você já está com uma frequência excelente, cinco vezes na semana, dança, nos dois dias são duas horas de dança, e aí ela não.
Depois foi na médica dela, a médica falou, não, o que você tem feito está ótimo, está excelente. Então ter essa sensibilidade de ouvir, porque as pacientes, as alunas, elas trazem muita informação. Em cima disso, montar uma rotina, sabe? Que ela consiga ter aderência, controle o volume, intensidade, dando spoiler até do que eu vou falar daqui a pouco na palestra, que aí você conseguindo equilibrar, você equilibra a inflamação que você gera no aluno, na aluna, e aí ela consegue ter vida longa na atividade física. Vida longa na atividade física, acompanhamento do médico, boa alimentação, os resultados são uma consequência, sem precisar ir para o caminho da cirurgia, que eu também sou muito em tudo da linha do conservador.
Inclusive você falou bastante da inflamação agora, é importante a gente dizer, porque a gente sabe que tem outros médicos, também já disseram, que tem níveis do lipedema, e a gente está falando no caso de uma inflamação um pouco mais grave, ou por exemplo, as pacientes que tem nível 1, ou até estão desconfiando que tem lipedema ainda, que não sentem dor, não sentem nenhum problema do impacto, vai. Não sente desconforto, não sente nada, mas teve o diagnóstico do nível 1. Tem uma rotina normal, mas ainda não está nada incapacitando ela. Exatamente, isso também deveria ter uma atenção, se for alguém que faz musculação todos os dias, que faz algo mais intenso, também deve ter esse cuidado, mesmo sem sentir a dor, ou a dor que acaba sendo um alerta para equilibrar os pratos. Que a dor é um ponto limitante.
Quando não tem essa limitação... Com o aumento da dor, você acaba parando de fazer atividade física, porque você coloca na balança, vou ficar sentindo dor ou vou fazer atividade física? Na hora você vai falar sim, não vou mais fazer atividade física, porque eu não quero mais ter dor. Então, se a pessoa não tem, é ir avaliando. Por quê? Se ela descobriu que tem o lipedema, já tem acompanhamento de um profissional, então ele vai fazer de tudo, todas as estratégias, para que ele não evolua para os outros níveis. Então, se a pessoa já descobriu no primeiro nível, maravilha! É a melhor notícia do mundo. Por quê? Ela já vai conduzir tanto a alimentação, para que não seja uma alimentação mais inflamatória, e aí com o feedback, e eu vou falar sobre isso, a importância dessa conversa com o médico, o médico já vai dar o diagnóstico para o personal.
Ela é nível 1, não sente dor. Quais atividades ela faz, ela já me relatou. Pode manter. E aí a importância de você ter a intenção nos exercícios e fazer uma progressão adequada. Por quê? Os músculos adaptam muito rápido, mas quem dá estrutura, ossos, ligamentos, tendões, demoram mais tempo. E se a gente consegue montar um planejamento com uma progressão de 10%, seja no aumento de sobrecarga, ou se a pessoa gosta de correr. Ah, eu gosto de correr, mas não sinto nada. Legal, eu quero fazer uma prova mais longa. Aumenta 10% por semana, a cada 15 dias, ela não vai ter dor. Porque a gente está acompanhando esse trabalho multidisciplinar de personal e médico, e aí ela pode fazer.
Porque o ponto é, as pessoas que chegam no nível do lipedema, que já sentiu dor, ela acabou negligenciando durante muito tempo, e aí a doença acabou evoluindo ao longo do tempo. Mas se ela descobre cedo, e aí tem o hábito de fazer atividade... Tem gente que descobre no nível 1 e não tem hábito nenhum de fazer atividade física. Então isso é importante. Se a pessoa descobriu, é sedentária, começa uma progressão adequada, que ela vai conseguir treinar, chegar em um nível avançado, e não vai ter dor. Se ela já treina e não sente dor, é olhar qual é o histórico dela, que ela faz, e em cima disso, sempre controlar para que ela não evolua. Porque se não começa, ah, não, vamos fazer um treino de competição, e vai no máximo, aí vai começar a gerar inflamação, inflamação, aí o lipedema.
Nível 1, só manter, passa para o 2, 3, 4. Pode piorar. Exato. Rodolfo, agora do outro lado, o que pode acontecer quando uma pessoa com lipedema decide não seguir nada e ser completamente sedentária? Esses níveis que você citou, isso aí pode piorar também. Tanto a gente estava falando do lado de fazer muito exercício de forma sem orientação, mas se a pessoa não faz nada, também pode acabar prejudicando. Eu falo muito dos seis pilares da longevidade. E não tem mágica nos seis pilares da longevidade. E são ações diárias que você faz na palma da sua mão, depende só de você. Então seria o movimento, alimentação, sono, que é super importante para a recuperação, agentes estressores, espiritualidade independente de religião, e relações sociais.
Se a pessoa é totalmente sedentária, ela não cuida de nenhum desses, certamente, desses seis pilares. Ah, pode cuidar da espiritualidade, ser muito religiosa, ter uma boa vida social. Mas a consequência natural qual é? Por tudo que a gente tem visto do lipedema, é que a pessoa com maus hábitos alimentares, ela aumente a composição corporal, aumentando a composição corporal por conta de alimentos que são inflamatórios, vai inflamar ela cada vez mais, e aí ela vai ao longo do tempo, falando, passando do nível um para o dois, para o três, para o quatro. E aí às vezes chega lá no nível, ah, mas eu sou muito azarada. Não, essa é a notícia do dia, você não é azarada. A triste é a boa, né? É, exato.
A boa notícia é que está em suas mãos. Então, a partir de hoje, depende só de você. Ah, mas eu não tenho condição financeira. Começa caminhando. Tem muito conteúdo do Alexandre no YouTube dele, falando sobre o lipedema, pequenas mudanças. Não tenta mudar radicalmente, senão pode gerar inflamação. Então, eu não faço nada, Letícia, a partir de amanhã eu vou caminhar todos os dias, que o Rodolfo falou, que assim, é mais tranquilo em relação a correr. Eu não vou fazer caminhada todo dia. Você vai sair de um extremo para o outro. Calma, começa caminhando duas vezes por semana. Depois de três, quatro semanas, seu corpo se adaptando, legal, vou partir para três. Faça algo progressivo. Mas algo é fato. Se você continuar do sedentarismo, a consequência ao longo do tempo é que você aumenta, acontece com todo mundo.
Ao longo da nossa vida, dos 20 aos 30 é só alegria. O corpo aqui, tudo que você faz, ele responde muito bem. Dos 30 aos 40, então está aqui, 20 aos 30, você está voando baixo. Dos 30 aos 40 dá aquela estabilizada. Dos 40 em diante, esses são os nossos genes. A gente vai contra isso. A gente tem aumentado a expectativa de vida ao longo das décadas, porque a gente cria estratégias que vão retardando os processos que são deletérios do envelhecimento. Se você ao longo do tempo, vou ser sedentário, nasci para ser sedentário, vida, céus. Saiba que depois dos 40, mas eu vou manter a alimentação que eu já tenho, meu peso está estabilizado. Vai mudando sua composição corporal.
Mulheres, pós-menopausa, tem uma alteração hormonal gigantesca que tende a acumular mais ainda, perder massa muscular. Sedentário, maus hábitos alimentares, o lipedema vai falar sim. Vem que é isso que eu quero. É tudo que ele precisa. É o combustível do lipedema. Sedentarismo, maus hábitos alimentares. E não é só genético. Tem o fator genético, mas a gente sabe a influência dos hábitos. Aí entra muito a epigenética, que é os hábitos diários. Eu falo da atividade física, isso se enquadra também no lipedema. Tem o fator genético, mas tem o fator de hábitos. Se você tem e tem bons hábitos, você adormece. Se você tem e tem hábitos inadequados, o que você vai fazer?
Você vai dar combustível para potencializar esses genes. E isso não é só para o lipedema, para câncer também. Eu falo muito que eu sou contra anabolizantes, essas estratégias que às vezes as pessoas usam, é isso. Pensando na biologia, quando a gente ingere algo que vai acelerar todas as células do nosso corpo, ele não vai distinguir, essa aqui é só para te deixar bonito, lindo, maravilhoso. E esse outro, não, esse aqui é do câncer, ele não vai nem chegar perto. Todas as células do seu corpo, elas vão ser atingidas. E aí isso é péssimo no longo prazo, porque se você tem histórico de câncer na família, células cancerígenas, você vai ativar isso. Do lipedema, se você tem esse fator genético, você vai ativar isso. Então não vale a pena ter maus hábitos de vida e muito menos utilizar essas outras estratégias.
E agora só para finalizar, também queria um pouquinho da sua opinião sobre o uso das canetas, das emagrecedoras. A gente sabe que muitas vezes acaba dando até um ânimo, digamos assim, para a pessoa que começa a ver resultado ali, começa a querer seguir tudo. Mas também tem o outro lado, que às vezes a pessoa não come, não tem energia para fazer atividade física. Você acha que pode ser útil para os pacientes de lipedema, você vê como uma boa estratégia ou perigoso? O acompanhamento, o que aconteceu, tem acontecido, infelizmente, é que, assim como tudo que tem um impacto muito forte econômico, começa a gerar um mercado irregular. E o mercado irregular das canetas, tem muitas pessoas que estão utilizando sem nenhum acompanhamento.
E esse é o grande problema. Então se pessoas têm o acompanhamento do médico, o médico faz a dosagem adequada, não vejo problema nenhum. Eu trabalho como profissional. O problema são as pessoas que aí querem ter acesso, pagam os valores sem acompanhamento nenhum e começam a utilizar. Porque o que já está claro em relação às canetas, foi uma grande invenção da medicina pensando no tratamento da obesidade. Então é esperado que pessoas utilizem, isso já no Congresso de Obesidade americano e europeu, utilizem assim como as pessoas que usam para diabetes, utilizam remédios para diabetes, remédios para pressão arterial, é esperado que essas canetas para essas pessoas que têm obesidade, que elas utilizem para o resto da vida.
Porque senão elas vão ficar oscilando. Então se é uma paciente que tem lipidemia e também tem obesidade diagnosticado pelo médico, é uma ótima estratégia para ela reduzir a gordura corporal, só que precisa ter o acompanhamento do médico, que ele é o especialista, para falar assim, o trabalho em conjunto do que eu tenho feito de estratégias para reduzir a sua inflamação, mais a mudança de hábitos, é um trabalho multidisciplinar. Não adianta só a pessoa, tenho o poder aquisitivo, vou sair tomando. Tenho o poder, consigo comprar ali no mercado inadequado, clandestino, essa palavra estava fugindo, no mercado clandestino, vou comprar e vou começar a usar. Porque o grande problema é a pessoa começa a ter uma perda grande de peso, perde também massa muscular, que é inevitável, a pessoa não treina, se alimenta de uma forma que acelera isso, porque perde a fome, a pessoa fica sem fome nenhuma e chega no treino sem energia nenhuma.
Então é importante a nutricionista presente para adequar a dieta dessa pessoa e orientação do médico, porque remédio, se o seu personal trainer te indica, mude de personal trainer, não é o nosso papel, nosso papel é lidar com exercício físico, remédio é com o médico. Muito obrigada Rodolfo, vou deixar então o espaço aberto se você quiser passar alguma rede social, algum site, quem está acompanhando e quiser te encontrar, como é que pode fazer? Pode ser pelo Instagram, RodolfoVieira18, ou pelo meu site, RodolfoVieira.com.br Muito obrigada, parabéns pelo trabalho, daqui a pouco também a gente já conversa para um próximo episódio, porque tem muito assunto de atividade física. Saúde e bem-estar, não falta assunto legal para a gente conversar. Com certeza, obrigada e até a próxima.
Obrigada a você que acompanhou até aqui o final, não deixe também de acompanhar os nossos outros episódios e de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas. Obrigada e até a próxima. Tchau!
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