Pular para o conteúdo
Amato Podcast Amato Podcast
Nutrição e Canetas Emagrecedoras: comer pouco, porém bem | Evolution 15

Lipedema Talks, episódio 15

Nutrição e Canetas Emagrecedoras: comer pouco, porém bem

32 min

Com Letícia Miyamoto e Danilo Dib

0:0000:32:06
Baixar

Neste episódio

O nutricionista Danilo Dib explica que os análogos de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, retardam o esvaziamento do estômago e reduzem o apetite, mas que o resultado a longo prazo depende dos hábitos construídos durante o uso. Segundo ele, o problema não é a medicação em si, mas a desnutrição e a falta de atividade física, que levam à perda de disposição e de massa muscular e favorecem o reganho de peso ao parar. A orientação discutida é comer pouco, porém bem, e usar a medicação como ponte, com acompanhamento. O episódio também comenta a relação com o lipedema.

Assista

Capítulos

Sobre o episódio

Neste episódio do Lipedema Talks, gravado no congresso Lipedema Evolution 2026, Letícia Miyamoto conversa com o nutricionista Danilo Dib sobre como se alimentar durante o uso das novas medicações para emagrecimento, os análogos de GLP-1 como Ozempic, Saxenda e Monjaro. Danilo explica que a medicação é uma ferramenta poderosa, mas que o resultado a longo prazo depende dos hábitos construídos durante o tratamento: comer pouco, porém bem. Ele desmistifica a ideia de que esses medicamentos causam perda de massa muscular e mostra que o verdadeiro vilão é a desnutrição e a falta de atividade física. A conversa também explora a relação entre emagrecimento, inflamação, resistência à insulina e a melhora indireta do lipedema. Assista para aprender a usar as canetas a favor da sua saúde sem efeito sanfona.

🎙️ Convidado(a): Danilo Dib — Nutricionista
🎧 Lipedema Talks · Temporada 2 · Episódio 15 de 21 · Apresentação: Letícia Miyamoto
📍 Gravado no congresso Lipedema Evolution 2026 · https://congresso.lipedemaevolution.com.br

Compartilhe: WhatsAppTelegramXLinkedInE-mail

Transcrição

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um episódio do Lipedema Talks e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui com a gente para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. O nosso episódio de hoje é sobre como se alimentar durante o uso das novas medicações para emagrecimento. Nós vamos responder essa pergunta e outras também super importantes relacionadas à nutrição. Antes de tudo, eu vou apresentar o nosso convidado especial de hoje, o nosso entrevistado, que é o Danilo Dibbi. O Danilo Dibbi é nutricionista formado pela FMU, pós-graduando, a gente precisa atualizar isso, né? Em emagrecimento e metabolismo, especialista em emagrecimento e tratamento do lipedema, lidera uma clínica multidisciplinar com foco em atendimento personalizado e atua ao lado do doutor Alexandre Amato também, desde 2021.

Muito bem-vindo mais uma vez. Muito obrigado. Já tem alguma coisa para a gente atualizar aqui? Bom, concluí e... Não, de lá para cá... É isso, né? Concluiu a pós-graduação em emagrecimento. Sim, de lá para cá passou menos de um ano, acho que a gente fez esse último evento, né? É, faz, faz, eu ia falar isso, que até aqui nos bastidores a gente ficou conversando, acabei não perguntando se estava tudo atualizado do currículo, mas basicamente é isso, né? Basicamente é isso. E aqui a gente está falando um pouco sobre o tema da sua palestra que acontece hoje, né? Aqui no Congresso, quando for ao ar já vai ter acontecido, já vai ter passado, mas é importante também a gente explicar o que significa o tema desse episódio, né? Tem um nome mais formal, que você disse que é justamente como você está apresentando aqui na aula, né? Mas a ideia é a gente contar também como que influencia, né?

Continuar lendo a transcrição

Como que acontece a nutrição, como pode acontecer a alimentação no meio de todos esses medicamentos que estão sendo utilizados hoje, é isso? Basicamente é isso, nutrição sob o uso de análogos de GLP-1, esse é o nome formal, que é na verdade o nome técnico aí de medicamentos que embora agora estejam muito mais nas redes sociais, muito mais na boca da população literalmente falando, mas eles já estão entre nós há mais de 10 anos, né? A gente tem Victosa, Ozempic, Saxenda, posteriormente agora Monjaro, que é o análogo de GLP-1, esse último, a terceira partida, já para sair ano que vem temos outras medicações, então é muito importante que a população e que todos estejam cientes de qual vai ser a real interação da nutrição com esses análogos, com esses medicamentos.

Por quê? De acordo com os hábitos que elas tiverem durante o uso, que vai determinar o real sucesso no longo prazo, o real sucesso depois que cessar o uso. Sim, e justamente a gente estava conversando também um pouco aqui nos bastidores sobre como que surgiu essa... você acabou se aproximando muito do lipedema, né? No seu consultório você fala muito disso nas redes sociais também, tem essa proximidade como eu falei aqui no currículo com o doutor Alexandre, que basicamente é considerado especialista nessa questão do lipedema. Como que surgiu? Porque você também está muito próximo de outras especialidades ligadas à nutrição, não sei se é isso que a gente pode explicar, mas hoje você acaba também sendo uma referência para os pacientes de lipedema. Como que surgiu essa ideia na sua vida?

Você já se interessava pelo assunto? Não, na verdade não seriam especialidades nichos dentro da nutrição. Eu sempre trabalhei... eu vim do fisiculturismo, então eu competia em 2014, 15, 16. Ao abrir o meu consultório esperando pessoas que iriam para essa direção, não foi o que aconteceu. Ali a gente estava no início da pandemia e de repente eu comecei a atender consistentemente emagrecimento. Logo na sequência, quando a minha agenda já era primordialmente feita por pacientes que buscavam emagrecimento, eu vi, eu acabei tendo contato com o doutor Alexandre, com o doutor Fernando Amato e com o Instituto Amato como um todo e só então eu tive contato com o lipedema, que agora vão fazer 5 anos.

E acabei por essa proximidade entrando cada vez mais no tema, no passado aqui no Lipedema Evolution, dei uma aula também. Então, eu diria que eu não escolhi o lipedema e sim o nicho me encontrou e de repente eu estava nele, assim como o emagrecimento, porque a minha escolha era o fisiculturismo. E na verdade, hoje olhando para trás, eu vejo que foi a melhor coisa porque eu já não me vejo, não me enxergo, não propago e não vivo o fisiculturismo. Então, os nichos acabaram me escolhendo e assim seguimos adiante. Legal. E como que você, por que você acha que essas medicações que a gente estava citando também ganharam tanto destaque nos últimos tempos?

Elas, claro, trazem um resultado muito rápido e é justamente no seu consultório que a gente está falando no seu dia a dia agora, que as pacientes procuram. Tem muita essa preocupação estética, claro que envolve muitas questões de saúde, mas eu imagino que principalmente mulheres que são afetadas pelo lipedema acabam tendo essa preocupação estética, querem melhorar rápido, então querem resultados mais rápidos, né? Por isso que também acabam optando às vezes por esses remédios de emagrecimento. Sim. A maioria, eu diria, desses medicamentos, eles sempre fizeram sucesso e sempre tiveram muitos usuários sob os efeitos. Mas de dois, três anos para cá, as redes sociais estão cada vez mais implementando assuntos novos dentro do dia a dia das pessoas.

Então, normalmente quando sai algo que está em alta, aquilo se difunde muito mais facilmente. Você associa essa facilidade de introdução de assuntos dentro do dia a dia das pessoas à diminuição de efeitos colaterais e facilidade de acesso. Você associa isso e você tem o que aconteceu com o Monjaro aí nos últimos dois, três anos, que era, na verdade, um uso em larga escala. E não só isso, houve uma melhora considerável de todas as patologias, de toda a resistência à insulina, de inflamação sistêmica, de melhora de perfil lipídico, colesterol, glicemia, vários fatores, quando a gente vê saúde em si, que são associados com o uso do medicamento.

Então, os prescritores viram o sentido. A medicação, ela foi, não é à toa que fez a Lily, fabricante, hoje ser a maior farmacêutica mundial, já com ganhos futuros previstos da nova medicação, que é a Retatrotida. Então, voltando para esse ponto, eu acredito que seja a diminuição de efeitos colaterais e maior acesso da população aos medicamentos. E muita gente, claro, além desse resultado rápido, acredita que é tomar aquilo e pronto, não precisa se preocupar com as outras questões que todos os médicos que participam, não só aqui na gravação do Congresso do Lipedema-Talc, mas sempre do Amatocast, dizem de alimentação e exercício físico, mas você incentiva muito isso, inclusive eu tenho experiência pessoal para contar, e muitas pessoas acabam deixando de lado.

Como que você enxerga essa ideia de, toma a medicação e está tudo resolvido, pronto? Esse é o maior problema do medicamento hoje. As pessoas buscam atalho, elas buscam o que é mais fácil, e eu não sou contra isso. Faça isso, se você vai sair e vai até algum lugar, é muito mais fácil que você pegue o carro do que você vá andando, é assim que funciona. Utilize os facilitadores, mas as pessoas têm que entender, o que nós temos que colocar em pauta é que o que vai ficar depois do uso do medicamento, seja esse uso durante seis meses, nove meses ou dois anos, como tem gente fazendo uso, mesmo sob supervisão médica, da maneira correta, mas fazendo um uso crônico, o que vai manter depois são os hábitos.

Então, aqui nós temos um grande viés que é, gera resultados de qualquer jeito. A pessoa começa a utilizar a tirosepatina, ela tem péssimos hábitos, a tirosepatina não vai deixar ela continuar tendo, ao menos em volume, aqueles péssimos hábitos, mas ela consegue comer pouco. Ela tomava todinho no café da manhã com uma Ana Maria e um pão de queijo, e de repente ela passa a comer 15, 20% massa na mesma qualidade alimentar. Isso acontece com certa frequência. A medicação permite isso, o que acontece? Ela emagrece. Disposição cai, vitaminas e minerais no sangue caem, ela entra em uma desnutrição programada, ela fica indisposta, ela já fazia baixa atividade física, agora ela faz zero, massa muscular vai embora.

E assim ela segue. Estou perdendo peso, estou emagrecendo, estou bem. O que vai acontecer quando ela tirar a medicação? A gente sabe, o reganho é certo. Hoje a maioria dos estudos mostram reganhos que já chegam a 70, 80% do peso perdido. Então, a medicação tem que ser usada como uma ponte. Ela tem que direcionar a pessoa para onde a pessoa quer ir. E a pessoa tem que utilizar isso a favor, porque a medicação é maravilhosa. O problema é o que fazer durante. Faça, tenha bons hábitos, que o seu longo prazo, longo prazo eu digo daqui 2, 3, 5 anos, será excelente. E como fazer isso para equilibrar?

Porque realmente o medicamento, pelo que eu entendi, na prática ele corta a fome. E o que acontece para que corte a fome? E a longo prazo, como fazer para equilibrar esses pratos? E conseguir manter esses resultados a longo prazo, que foi o que você disse agora. Um ponto importante é que o medicamento não deveria cortar a fome, e sim amenizar. Mas aí a gente entra em outro ponto, principalmente sem prescrição médica. Muitas pessoas utilizam dosagens altíssimas. Inclusive acabei de ouvir um termo ali, achei super interessante, que é Start Low, Go Slow. Ou seja, comece baixa dosagem e suba devagar.

Mas se olharmos hoje vidibula, o incremento de dose é considerável. E aí a pessoa realmente passa por um corte de fome, ela tem total supressão de apetite, ela muitas vezes nem água consegue tomar. Então aquela pessoa que estava acostumada a comer a um certo volume, ela passa a não conseguir comer, ela vai comer uma besteira menor. Você perguntou o que acontece para ter essa diminuição da fome? Falando de maneira simplista, o medicamento tem a ação de retardar o esvaziamento gástrico. Ou seja, aquele alimento que você come, vai para o seu estômago, ele vai ficar muito mais tempo sob digestão. De maneira que qualquer coisa que você consuma, que você teria uma digestão em 40 minutos, uma hora, você já estaria se sentindo bem, poderia até comer alguma coisa novamente, que é o que pessoas que estão com obesidade fazem.

Não, você vai se sentir como se tivesse comido uma feijoada, dois, três pratos. Sabe aquele estado em que você fala, nossa, eu estou realmente como a maioria dos pacientes mandam, nossa, eu estou empaixado, estou cheio. Esse é o cenário. O que a pessoa tem que fazer? Primeira coisa, sob supervisão médica, é ter o controle certo da dosagem. Não sair simplesmente subindo e entendendo, imaginando que conforme eu subir dose, mais efeito eu vou ter. Não, não funciona assim, não deveria fazer isso. Em paralelo, coma pouco, mas coma bem. Aí que tem que estar o manejo do nutricionista, do profissional que está prescrevendo a alimentação, de entender que aquela pessoa não vai conseguir comer 120, 150 gramas de arroz, não vai.

Você tem que passar 30, 40, 50. Tem que ser um prato de baixo volume. E aí o profissional fala, nossa, mas eu não aprendi assim, não posso fazer isso. E gera aquela frustração, porque, eu não sei se, inclusive você que já passou comigo, não lembro se você teve esse feedback, mas é normal o feedback que a maioria manda. Nossa, é muita comida. Eu acho que eu não vou conseguir comer isso. Nesse caso, acontece isso com muito mais frequência. Então, como prescritor, a pessoa tem que comer pouco e bem, de modo que ela tenha feedback do próprio organismo com energia e disposição para ela treinar, para ela trabalhar bem, para ela dormir em ordem, fazer as atividades físicas e assim seguir.

Ou seja, ela tem que fazer tudo que ela teria que fazer, mesmo sem usar o medicamento. É esse, a grande moral é essa. Sim, é porque a gente vê, imagino que quem está acompanhando também, já passou por isso, ou conhece alguém que passou, que fica muitas horas sem comer e relata isso, não consigo comer direito. E a pessoa acha que a melhor opção está sendo não comer, ou comer muito pouco, mas com qualidade ruim, que foi o que você usou como exemplo, para emagrecer mais rápido. Só que aí o efeito é ao contrário. Por isso que é aquilo que a gente falou lá no início, imagino, que a longo prazo não se mantém. Porque depois, na hora que para, a fome volta, e aí a qualidade continua ruim e por isso que volta a engordar. Exato.

Ou tem alguma outra explicação para voltar a engordar? Não há nenhum mecanismo fisiológico de rebote. Isso é bem importante colocar, tem muita gente que acha, imagina, quando eu parar, eu engordo o dobro. Não porque você parou a medicação. Você engorda o dobro porque você voltou a fazer o que levou você a ganhar gordura lá atrás. Então, os hábitos, a pessoa tem que cravar os hábitos. É exatamente isso. Então, se você está fazendo uso hoje e está conseguindo ficar 10, 12 horas sem se alimentar, não deveria. Não deveria. Conseguir. Provavelmente essa dosagem esteja um pouco alta. Não, a dosagem está certa. Tudo bem. Então, vamos tentar incrementar algo.

Criar um cardápio o mais simples possível em termos de digestão, sem ficar dando muito trabalho para o seu estômago. Priorizar proteínas, mas não esquecer. Esse é um ponto importante. Eu vejo que, principalmente médicos, muitos falam, você vai perder massa muscular. Come só proteína. Prioriza proteína. Não é bem assim. Se a pessoa se habituar a comer um grelhado e duas folhas de alface, o que vai acontecer quando ela tirar a medicação e a fome voltar? Ela vai comer só aquilo? Não. Ela vai voltar para o consumo dela. Então, eu priorizo muito mais que a pessoa diminua a porção de proteína, um pouco do que ela imaginou que deveria.

Coloca um pouquinho de arroz, um pouquinho de feijão, duas rodelas de tomate. Pronto. A gente está fazendo o mesmo que queremos fazer depois, mas em quantidade que a medicação e a sua digestão permitem. Esse é o principal ponto, cravar os hábitos. Vou dar um parênteses aqui, não sei se você iria falar em algum momento, mas sobre massa muscular é... É a minha próxima pergunta. É um... Então, quer fazer a pergunta? Não, pode seguir. Pode seguir para concluir o raciocínio. É muito importante pensarmos, primeiro ponto, não existe qualquer via fisiológica de que monjaro, tiros, hepatida ou quaisquer outros análogos gerem perda de massa muscular. Isso é um mito.

Porém, os estudos mais robustos que temos, eles nos mostram que 20 a 25% do peso perdido é de massa muscular. E aí a gente pensa, opa, não há mecanismo fisiológico, mas perde a massa muscular. Tudo bem. Basta você olhar os mesmos estudos pós cirurgia bariátrica ou de dietas altamente restritivas, que vão mostrar a mesma perda de massa muscular. Então, o que faz a pessoa perder a massa muscular, em largas proporções, são os hábitos. É a falta de nutrientes e ou nutrientes vazios. A pessoa, ao invés de comer um pouquinho de arroz, um pouquinho de feijão, um frango e tomate, ela come dois brigadeiros e um filé de frango.

Isso acontece. A gente acha que não, que isso é exagero, mas é assim que funciona. Essa pessoa que a gente olha, ela está com uma obesidade, grau 2, grau 3, a alimentação dela é algo que você não acreditaria. Então é importante a gente entender esse cenário. Não há perda de massa muscular, aquela câmera que está me filmando. Não há perda de massa muscular pelo uso direto de tiros hepatida, e sim pelo que você está fazendo sob o uso. É esse o ponto. Perfeito. E agora relacionado a pacientes com lipedema. Também perde aquela gordura ruim que causa o lipedema?

Como é que funcionam esses medicamentos? Aqui é bem complexo. O lipedema é uma doença que tem origem e agravamento por vias inflamatórias. Então temos que manter as inflamações controladas. As evidências científicas ainda são escassas de tiros hepatida e lipedema. Mas, embora não haja essas evidências diretamente, nós podemos pensar que a melhora de hábitos, a diminuição da gordura, seja lipedêmica ou não, aqui a gente abre um parênteses, sabemos que emagrecimento por si só gera sim uma perda de gordura lipedêmica.

Não completamente, mas alguma gordura sim. Déficit calórico básico. Então, a pessoa vai ter uma melhora de todo o sistema inflamatório dela. Tiros hepatida faz isso. Ela vai ter uma diminuição de glicemia, caso essa glicose sanguínea, caso essa resistência à insulina esteja alta. Acabamos de ter uma bela aula falando disso. Resistência à insulina alta, que é consumo exercebado de glicose, de modo que a insulina já esteja preguiçosa para fazer o trabalho dela, gera problema, gera aumento no lipedema através de via hormonal. Ou seja, embora não haja uma ligação direta entre tiros hepatida e lipedema ainda, nós temos sim uma melhora da qualidade de vida como um todo.

Esperamos que a pessoa emagreça, que a pessoa se sinta melhor, que a pessoa diminua a inflamação sistêmica, diminua os marcadores bioquímicos, colesterol melhora, a glicemia melhora, resistência à insulina diminui, aumenta a sensibilidade que é eficaz para a insulina. Então, indiretamente, a pessoa tem uma redução do quadro. Uma coisa leva a outra e isso é um ciclo que se retroalimenta. Assim como não adianta a pessoa tentar utilizar todos os fármacos que nós temos hoje que podem ajudar no lipedema e se alimentar mal, comer mal, dormir mal, não fazer atividades físicas e engordar. Indiretamente o lipedema dela vai piorar. Por gatilhos simplesmente que vieram dos seus hábitos de vida.

Então, eu como nutricionista faço essa associação. E são essas associações que eu vou trazer hoje aqui ou domingo no nosso workshop. Quando a gente fala de associações diretas, não existem evidências robustas, mas quem sabe alguém traz algo aqui no lipedema hoje, no lipedema evolutivo. É, já dá para tentar adiantar alguma coisa. Eu ia até falar para comentar dos bastidores da sua aula, mas a aula ainda vai ser feita, né? Sim. Depois da nossa gravação. E Dan, você acha que tem como potencializar, agora falando do outro lado, potencializar os resultados dessas canetas, por exemplo, desses medicamentos para quem tem lipedema conseguir ter um resultado mais rápido com a nutrição, a partir de algum cardápio específico, isso existe?

Isso existe. Eu acredito que a maior vantagem que nós temos hoje das medicações é que ela facilita a adesão. Ela facilita a adesão a um cardápio. Então, digamos que eu fale para a pessoa que ela precisa, olha, a gente vai precisar restringir o glúten, precisa que você não consuma esse açúcar que você consumia com frequência, vamos tirar o álcool, aquele vinho que sempre tinha, vamos segurar o chocolate, precisa que você introduza esses alimentos, vamos comer uma fruta, ou seja, eu vou melhorar o padrão alimentar dela. O medicamento facilita demais. Então, a prescrição dietética tem que ser personalizada, fazendo os exames de intolerância alimentar, fazendo os exames genéticos, a gente entende o que pode ou não gerar um gatilho na pessoa, seja para a lipedema ou para a inflamação como um todo, trazendo aqui, vamos falar, para a lipedema, mas às vezes essa pessoa teria dificuldade de seguir o plano.

Então, pensar em potencializar, fora todos os efeitos do medicamento que eu tinha acabado de dizer, bioquímicos, o medicamento, ele facilita muito a adesão ao plano alimentar. E esse é o X da questão. Sempre que uma pessoa procura melhorar os hábitos alimentares, o maior dificultador é a adesão. Não é fácil. Se fosse fácil, não seria um problema mundial a obesidade. A população saiu da subnutrição, da desnutrição para a supernutrição. O mundo está obeso hoje. Então, o medicamento facilita a adesão ao plano alimentar. O que não pode fazer é o medicamento retirar totalmente o que deveria ser um consumo alimentar adequado do ser humano.

Inclusive, o fechamento da minha aula hoje é uma reflexão que é minha, muito simples, uma frase básica, mas é, a fome é fisiológica. Ou seja, é natural comer. Temos que comer. Eu e você estamos aqui hoje desenvolvendo com pensamento rápido e podendo ter essa troca porque temos nutrientes no corpo. Nosso tecido cerebral é dependente de glicose, carboidratos. A pessoa vai lá e passa a vida com proteínas e gorduras. O corpo faz adaptações. Existem adaptações um pouco mais técnicas, mais gliconeogênicas ou dieta cetogênica, que ele pega outras moléculas e transforma em glicose ou corpos cetônicos.

Mas, basicamente, comer é vida. Comer é natural, fora que é social. Então, utiliza o medicamento para facilitar o que você deveria fazer antes do uso. E para facilitar, incrementar o hábito, implementar, desculpa, o hábito que você tem que fazer após o uso. E é interessante porque muita gente acaba tendo medo de ir ao médico ou até ao nutricionista para sugerir o uso da caneta, do medicamento, porque acha, já tem aquela ideia que o médico, o nutricionista são contra o uso dessas canetas. Só que, muito pelo contrário. Você mesmo acabou de dizer que pode, sim, ser muito útil desde que equilibrado com a alimentação e todo o resto.

Agora, até é importante a gente comentar, que eu lembrei aqui, que agora o Brasil vai começar a produzir. Você acha que isso acaba sendo mais fácil? Vai dificultar, em algum sentido, das pessoas utilizarem mais com o valor mais barato? Sem procurar um especialista para acompanhar? Você acha que isso é positivo ou negativo? Eu entendo que a facilidade de acesso vai ser igual. Legalmente falando, vai ser mais fácil. Mas quem quer hoje, infelizmente, consegue através de canais paralelos. Então, esses dias eu fui fazer a barba e eu descobri que o barbeiro vendia. O barbeiro, ele vendia.

Aí ele vai e oferece para você, né? Sim, eu estava falando com um rapaz do lar, eu nem falei na área, mas eu pensei, isso não fecha essa conta, não faz sentido. Então, pode ser que facilite o acesso legal, isso é bom. Isso é ótimo, mas infelizmente não é a maioria que procura um médico para a prescrição. Voltando um pouquinho no ponto que você tinha acabado de falar, eu acredito que seja muito importante o uso controlado. O uso legal. Qualquer nutricionista que seja contra, não faz muito sentido. Isso é uma insegurança, porque alguns acham que vai tirar o emprego dele ou vai diminuir a procura pelo nutricionista ou pelo médico.

Isso não faz sentido algum. Pelo contrário, é uma previsão minha e pessoal. Pode ser que daqui a um ano e meio, dois, a gente se encontre e fale, ah, não aconteceu nada disso. Mas a gente vai ver um reganho enorme na população. Eu tenho certeza que eu vou receber muitos pacientes que tiveram um reganho de 15, 20, 30 quilos quando interromperam o uso. Porque não fizeram o uso da maneira correta. Tem muitas pessoas que fazem o uso para perder o peso, porque tem um casamento, porque tem um evento, porque tem uma viagem, tem um reveillon chegando. Mas o pós-uso, ele é o restante da vida. Para sempre. E a gente vai ver isso acontecendo bastante. Em paralelo, eu sou totalmente a favor, a medicação está salvando vidas no mundo.

Não sei se você lembra quando a gente fez o último Amatocast, esse? Isso. É que, na verdade, agora a gente colocou o nome de Lipedema Talks, porque tudo relacionado ao lipedema, junto com o Congresso. Mas antes, Amatocast. Então, quando fizemos o Amatocast, eu acho que foi ano passado, você perguntou sobre a medicação, para mim, nos bastidores, você falou, ah, e o que você acha? E o doutor Alexandre estava do lado, ele virou e ele falou, Letícia, essa medicação está salvando vidas. Não deu nem a chance. Não existe um pensamento que possa ser contrário a isso. Essa medicação está literalmente salvando vidas no mundo inteiro. Eu vi rapidamente que as taxas de obesidade nos Estados Unidos, que é um país que está obeso há décadas, teve pela primeira vez uma regressão.

Bom, começaram a mudar padrões alimentares nos restaurantes lá, tenho certeza. Tamanhos de porções, porque lá sempre foi muito, tudo exagerado nesse sentido. Então, a medicação é maravilhosa. É, a gente vê de perto muita gente, né? Inclusive quem está acompanhando, porque se interessou pelo assunto por algum motivo, às vezes usa, quer usar, enfim, já usou, mas próximo a nós sempre tem alguém que já fez uso, né? E eu queria, então, encerrar aqui com uma mensagem sua sobre quem justamente está passando por uma situação assim, tem nipedema, agora falando de novo do nosso assunto central, e está pensando em como equilibrar tudo isso. Você falou bastante sobre todos os tópicos, mas acho que é importante a gente dar um direcionamento por onde começar.

Acho que essa é a última pergunta, porque às vezes é muita coisa para quem está acompanhando falar, dá aquele ânimo de seguir tudo, mas precisa de um start que realmente vai fazer a diferença, que foi a minha consulta com você, agora contando de novo um bastidor aqui, né? Acho que quando tem a virada de chave, aí tudo vai acontecendo conforme o tempo. Então, para você, o que é mais importante para ter, para começar e para ter esse start para quem está acompanhando a gente aqui? Eu vou dar duas respostas. Uma, diretamente sobre algo que a pessoa pode e deve fazer. Porque falar sobre alimentação é muito amplo. Saiba, tem que se alimentar bem, isso é um fato.

Ah, eu consigo comer pouco, tudo bem, mas coma bem, variado. Nada disso de vou comer 200 gramas de carne é isso, não. Agora, tem um pilar de hábito que ele serve para todos, em emagrecimento, em nipedema, sob o uso ou não de tiros hepatítico. A manutenção no longo prazo de peso perdido tem um pilar que se chama atividade física. Embora eu seja nutricionista, eu falo isso com tranquilidade. Sem atividade física é muito difícil manter peso perdido. E a atividade física pode puxar você para os outros hábitos que a gente pede. A pessoa está treinando bem, ela quer comer bem, ela está comendo bem, ela está se sentindo bem, o espelho melhora, as roupas melhoram, ela dorme melhor e esse ciclo funciona.

Então, faça atividades físicas e se alimente bem. É super simplista, mas é o básico. E não pense que é ou a tiros hepatítico ou isso, não. Eles se fundem, esse é o principal fator. E claro, lembrar em um momento, ah não, não vou parar, tudo bem, seja agora, seja daqui a dois anos, provavelmente em algum momento você vai parar a medicação. Ou você vai ficar com uma subdose de maneira crônica. Pensa nos hábitos que tem que ficar para depois. Esses que são a herança do período sob uso do medicamento. Tá certo. Agora, muito obrigada pela sua participação, vou pedir para você passar alguma rede social, se você quiser algum site, rede social, para quem estiver acompanhando e quiser te procurar, como é que faz para encontrá-lo?

O meu Insta é o lugar mais fácil, Fora isso, tem a minha clínica, que se chama Núcleo Raya, com H, H-A-Y -A. Ambos, entrando em um, me acha, entrando no outro, me acha também. Lá tem o link, entre em contato, será um prazer atender você e ajudar no que for preciso. Então, eu vou deixar os links aqui, para quem quiser também já consegue acessar direto as páginas, tá bom? Obrigada, parabéns pelo trabalho. Muito obrigado. E, realmente, tem um relato pessoal, que foi o que eu disse, que vale a pena começar, né? Que, inclusive, a gente estava conversando aqui nos bastidores, e faz total diferença, né? Quando tem a virada-chave, foi a nossa última resposta, a última pergunta agora.

Toda vida transforma, né? É uma decisão. É. Muito obrigado. Obrigada. Obrigada a você que acompanhou até aqui o final, não deixe de acompanhar os nossos outros episódios, curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas. Muito obrigada. Até a próxima. Tchau.

Transcrição gerada automaticamente; pode conter erros.

Para ouvir em seguida

  1. Lipedema Talks, episódio 19

    Laser no Lipedema: tecnologia, pernas e bem-estar

    30 mintem vídeo

  2. Lipedema Talks, episódio 18

    Cirurgia do Lipedema: quando vai além da estética

    26 mintem vídeo

  3. Saúde Amato

    Bem-vindo ao Amato Podcast 🎙

    2 mintem vídeo

  4. Lipedema Talks, episódio 17

    Exercício como Aliado: movimento sem inflamação

    28 mintem vídeo

  5. Lipedema Talks, episódio 16

    Reabilitação no Lipedema: recuperando movimento e qualidade de vida

    30 mintem vídeo