
AmatoCast, episódio 67
O Maior Erro da Saúde Pública (E Como Resolver Isso)
Neste episódio
José Salibi Neto, autor de livros de gestão, defende que muitos problemas da saúde pública brasileira passam pela falta de gestão. Ele reconhece avanços do SUS, mas diz que ainda falta muito, e propõe que pessoas em cargos públicos tenham formação em gestão, liderança e estratégia, inclusive por meio de uma escola pública de gestão. A conversa também aborda a qualidade da formação médica, o impacto da inteligência artificial na medicina e a trajetória dele no mundo dos negócios.
Assista
Sobre o episódio
No episódio do AmatoCast, Letícia Miyamoto recebe José Salibi Neto, uma das maiores autoridades em gestão no Brasil e coautor de best-sellers como Gestão do Amanhã e A Estratégia do Motor 2. O bate-papo abordou a importância da gestão eficiente na saúde pública, os desafios do SUS, a qualidade da formação médica e o impacto da inteligência artificial na medicina. Salibi também destacou como a boa administração pode transformar o Brasil e falou sobre sua trajetória no mundo dos negócios.
Transcrição
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato, e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios, nós estivemos com convidados especiais para falarmos sobre joelho, no último, e também, no penúltimo, falamos sobre procedimentos minimamente invasivos. Desta vez, nós recebemos novamente um convidado especial, desta vez, uma pessoa que, inclusive, é bastante conhecida da família Amato, que vocês sempre acompanham aqui no AmatoCast, o palestrante e também autor de diversos livros, José Salibe Neto.
Antes de dar as boas-vindas aqui para o nosso convidado, eu já vou apresentar o currículo do nosso convidado especial de hoje. José Salibe Neto é uma das maiores autoridades em management do Brasil. É coautor de 10 livros de negócios que, juntos, já venderam mais de 1 milhão de exemplares, incluindo o best-seller Gestão do Amanhã.
Seu mais recente livro, lançado em junho de 2024, A Estratégia do Motor 2, Como Tornar a Inovação Parte do Dia-a-Dia da Sua Empresa, já está na lista dos mais vendidos, como, por exemplo, da Veja. Ele também é cofundador de uma empresa líder em educação executiva, além de ter sido um grande amigo do Irani Moraes, que é avô da família Amato, do Alexandre Amato, que é o diretor aqui da clínica. Então, finalmente, bem-vindo.
Continuar lendo a transcrição
Obrigado. Obrigado pelo convite. Espero contribuir.
Como foi essa amizade com o Amato e o Dr. Alexandre? O Dr. Irani foi amizade... O Dr. Irani e a dona Fúbia, que é a mãe da Marisa, avó do Alexandre, dos meninos, eram amigos desde muito jovens. E essa amizade se estendeu. E o Dr. Irani teve duas meninas, a Marisa e a Silvana.
E minha mãe teve a minha irmã, a Regina, e eu, o José Saribineto. E acabei sendo a figura mais masculina. E ele é sempre um estudioso, um médico renomado, pesquisador, um cara à frente do tempo dele.
E eu tive a sorte de tê-lo como mentor. Ele dirigiu o meu pensamento a vida inteira. E muito do que eu sou hoje eu devo a ele, principalmente na maneira de enxergar o mundo.
Ele era um médico que era fora da curva. Ele escrevia livros sobre erro médico, foi um empresário, trouxe o que a gente conhece de saúde privada do Brasil, o plano de saúde, hospitais, autor de livros, professor da USP. Então ele foi uma figura muito importante na minha vida, que me ajudou a moldar.
Quando eu fui para os Estados Unidos também, ganhei uma bolsa. Minha mãe ficou apavorada, porque a gente não tinha dinheiro. Mas eu ganhei a bolsa, e ele acalmou.
Ele já sabia como é que funcionavam as coisas. E foi uma amizade assim... Eu diria que ele é o meu segundo pai. Ah, que legal! A família falou muito do seu nome aqui.
Inclusive a gente já estava tentando marcar há muito tempo, né? Esse episódio, o doutor Alexandre contou um pouco da sua história. Queria que você falasse se sempre quis ir para essa parte de gestão de negócios. Como que foi assim? Era seu objetivo mesmo? Na verdade eu ganhei uma bolsa para jogar tênis nos Estados Unidos, em duas universidades que eu estudei, na Universidade Estadual da Flórida e na Carolina do Sul.
E lá eu procurava conciliar o esporte com o estudo. Essa que era a grande vantagem. E que me fez formar lá.
Depois eu voltei para cá. E na mesma faculdade eu tinha dúvidas. Inicialmente eu queria estudar medicina, muito pelo doutor Gerani, pela minha mãe, que queria que eu fosse que nem o doutor Gerani.
Só que depois de um certo tempo eu vi que não daria para ser médico. Comecei com uma arquitetura e acabei mudando para administração. Logo no meio da faculdade, que é a faculdade americana, você consegue se mexer no meio do curso.
Senão eu não teria essa possibilidade. E aí eu me encantei pela administração de empresas. Acabei voltando para fazer um MBA na Universidade da Carolina do Sul.
E logo em seguida eu fui empreender, eu fundei a HSM, que veio se tornar a principal empresa de educação executiva do Brasil, uma das maiores do mundo. Fiquei 30 anos na empresa. E na minha saída eu comecei a escrever livros sobre gestão.
Escrevi 10 livros, que eu estou em 1.3 milhões de livros vendidos. Milhão, não sei se é milhão ou não. De livros vendidos.
E eu sou apaixonado por conhecimento, mundo do conhecimento da gestão. Porque no final do dia tudo começa com uma boa gestão. Se você tem uma má gestão, você vai ter maus resultados.
Se você tem uma boa gestão, você vai ter bons resultados. Que legal, que inclusive a maioria dos seus livros fala sobre isso. É, sobre mais foco em estratégia, foco em inovação, foco em liderança, foco em gestão geral.
Agora um livro que vai sair vai ser A Ciência por Trás das Perguntas. Como a pergunta certa pode se transformar, pode se transformar tudo. Também escrevi livros sobre a última vitória, sobre os maiores técnicos da história do esporte, sobre que as escolas do negócio me ensinam.
Tem um repertório bastante importante por eu ter trabalhado e convivido com todos os principais pensadores da gestão do mundo, que foi a natureza do meu trabalho. E agora eu estou aqui como pensador e gestor, entregando o meu conhecimento via livros e via palestras, workshops, cursos. É isso que eu faço hoje.
E apesar de... da sua especialidade não ser de fato ligada diretamente à medicina, por ter tanto contato com médicos, que te rodaram a vida inteira, tanto dos seus livros, mas também do histórico de carreira, eu acho que vai ser legal a gente falar sobre esse assunto. Inclusive, para quem já viu no título, a gente pretende falar agora sobre a gestão na saúde no Brasil. Então antes de a gente ir para o assunto de fato, eu só vou, para quem já acompanha a gente há um certo tempo já sabe, para quem é novo por aqui, o Amato Caste agora tem um novo patrocinador, que é o patrocínio da Cigvares, que oferece meias de compressão para todos os momentos da sua vida.
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Cigvares Go. Saliba, então, seguindo daqui, eu queria já dar início a esse tema que é o que a gente tanto citou, o que eu expliquei agora, que está ligado diretamente com a sua vida, que envolve a medicina, mas também envolve a questão da gestão, que é a saúde pública no Brasil. O que falta de fato? Já vou direto na pergunta.
Na sua opinião, falta dinheiro, falta administração? Onde que está o problema? Falta tudo. O Brasil é um país complicado, né? O Brasil é um país complicado, muito polarizado, muitas divergências, muitas intenções diferentes. E o Brasil é populoso, isso dificulta um pouco.
Mas eu acho que, dentro do que é possível, o SUS faz o que dá para fazer. Tem unidades melhores e tem unidades piores. A minha esposa, que é médica, ela mesma já trabalhou no SUS durante vários anos.
Eu até brinco, para ser médico, tem que ter trabalhado no SUS. Porque você encarar situações muito adversas com quase nada. E é aí que você vê como a medicina funciona.
Ter um robô do teu lado é fácil. Agora, ter lá um paciente com câncer e você ter uma frasquinha de aspirina, já é outra história. Então, a questão não é só do Brasil.
Tudo no Brasil é complicado. Por isso que o Brasil tem os índices de pobreza que nós temos e a gente vai criando, vai fazendo o que a gente pode. Criando ilhas de excelência, procurando melhorar, procurando contribuir com o país.
Eu procuro contribuir com o país com o meu conhecimento. Já dei muitas palestras para a Prefeitura de São Paulo, para o Governo Federal na gestão anterior. Nunca cobrei nada.
Então, do meu lado, eu procuro melhorar a gestão das empresas. Você tem empresas fortes, com certeza as coisas vão melhorando. Mas é um desafio bastante grande a questão da saúde, de atendimento, falta realmente gestão.
É uma coisa que os governos não se preocupam muito. Eu vejo governos se preocupando com construir estrada, mas eles não entendem, eles não procuram entender o que é uma boa gestão. Eles não procuram nem se atualizar, nem entender, nem aprender, nem falar inglês.
Ficam anos no governo e não conseguem nem falar a palavra de inglês. Aí fica difícil. Então a gente vai fazendo do jeito que dá.
É um Brasil mais difícil, mas o tempo vai ajudando, espero. E essa questão do SUS é algo complicado. Eu trouxe alguns dados aqui até para a gente citar, mas acaba sendo assim, para já dar início no assunto, é uma das principais preocupações do brasileiro, de qualquer pessoa, a questão da saúde.
É difícil ver para quem depende disso e acaba passando por algum tipo de dificuldade ou às vezes tem uma doença realmente mais grave e acaba ficando na mão do Sistema Único de Saúde, apesar de ser considerado um dos melhores do mundo. Exatamente. Pelo tamanho do Brasil, sim.
Pelo tamanho do Brasil, com certeza, comparado com outros países. Mas ainda está bem longe do que devia ser. Senão morria tanta gente hoje nos hospitais, públicos, esse tipo de coisa, se fosse bom mesmo.
É bom em alguns lugares, eu acho. O que não dá para negar é que teve um avanço importante. Sim, teve um avanço, mas falta muito ainda.
Qual o caminho que a gente pode começar para acertar, o caminho que realmente poderia ser, na prática, para que as pessoas tivessem um suporte melhor? Fazer com que os líderes de governo, de estaduais, federal, que aprendessem gestão, lêssem livros, se atualizasse, tendo como gestão. O meu sonho era que toda pessoa que tivesse uma aspiração cargo público, tivesse uma faculdade, tivesse uma formação. Você vê quantos gestores e gestoras nós temos que estudar.
Então, isso é bem complicado. Eu acho que através da gestão. Deve ter uma escola pública de gestão onde os gestores públicos teriam que passar por lá para ter o mínimo de conhecimento de gestão, de liderança, de estratégia.
Por exemplo, o Brasil é um país que não tem estratégia. Você pega a China, por exemplo. Em 1980, o PIB do Brasil, da China, da Austrália e da Coreia era a mesma coisa, eram todos iguais.
Olha onde foi parar a China e olha onde nós estamos. E o que a China fez? Gestão, escolas, educação, os colaboradores públicos têm muito conhecimento, têm que passar por cursos, muito voltado para tecnologia. Você fala de inteligência artificial, é inteligência artificial mesmo.
A visão de inteligência artificial de alguns governos é um pouco complicada. Então, através do conhecimento você faz o país crescer. A China tem uma estratégia clara e está dominando o mundo em várias frentes, inclusive na área tecnológica, mas tudo através do conhecimento, tudo através de educar o seu povo, educar os próprios colaboradores públicos e não simplesmente fazer por fazer.
E no início você citou que o problema está nas duas frentes, tanto o dinheiro como também a administração, mas se fosse pesar, falta mais investimento, falta mais administração. O que está pior? A administração. Acho que dinheiro, o que o Brasil paga de imposto, que é um dos países com a recadação tributária dos maiores do mundo, eu não diria que não falta dinheiro, digo que sim, mas acho que mais a questão da gestão.
Por exemplo, você pega o Elon Musk agora, que entrou como assessor especial de eficiência do governo dos Estados Unidos, olha cada coisa que ele pegou lá, olha quantos bilhões de dólares jogados no lixo todos os anos. E falta isso aqui para tornar um governo mais em inglês se fala lean, mais enxuto, que não gasta tanto, mas que gasta com as coisas importantes, que usa dinheiro público não para fazer campanha política, mas para investir na saúde. Quantos bilhões que a gente paga de imposto são usados para a campanha política dos outros? Não tem cabimento isso.
Esse dinheiro poderia ter aplicado na saúde, na educação. Então nós temos um problema, um descompasso bem grande. O pior é o que já está ruim.
Desculpa ser tão negativo aqui, mas eu... Sim, mas é realista. Eu estou dando algumas soluções também. Sim, com certeza.
E nessa questão de valor de investimento, quanto é investido, eu até trouxe um dado que me assustou quando eu estava fazendo a pesquisa, queria sua avaliação sobre isso, que são R$ 3,83 ao dia que é o valor per capita que o governo usa nos três níveis de gestão, federal, estadual e municipal, para cobrir as despesas com saúde nos mais de 210 milhões de brasileiros. Então isso é um número baixíssimo. Baixíssimo para o número de brasileiros.
Sim, sim. Pouco, pouco. As pessoas não têm acesso a tanto.
Mas eu sou um otimista, sempre tem os gestores e gestoras que entregam o seu coração. O Brasil é um país que... O Brasil é um país que se tivesse uma boa gestão... Eu não estou falando com relação só a esse governo, no geral. O Brasil iria explodir.
Não tem razão pela Austrália, pela China e pela Coreia terem explodido e a gente ter ficado para trás. Nós temos péssimos gestores. Ponto.
E se a gente tivesse uma gestão melhor, uma formação melhor, que estudassem, procurassem falar inglês, aprender inglês se fosse para o mundo, o Brasil seria uma grande potência, porque o Brasil é um país que empreende muito, o brasileiro não tem medo, ele vai empreender, ele vai para a frente, vai para cima. E eu tenho certeza que a gente ainda teria esse sonho antes de eu me despedir desse mundo, que isso aconteça. E qual é a sua avaliação sobre o futuro dessa questão, tanto do Sistema Único de Saúde como dos convênios? Porque a gente sabe que tem ficado famosos alguns, a gente não vai citar o nome de nenhum específico, mas aqueles que são considerados os valores mais em conta, mais baratos, que estão tendo muitas reclamações em questão de atendimento e tudo mais.
Então como você avalia daqui 5, 10 anos o futuro a curto prazo ou a longo prazo? De novo, né? Eu posso ser político ou posso ser realista, quer que eu seja o quê? Realista. Quem tem acesso a boa medicina está bem coberto. O que nós temos hoje com esse número gigante de faculdades de medicina, isso me preocupa muito com a qualidade desses cursos.
Antes pra você poder estudar medicina, uma vaga na USP, você tinha que competir contra 500 concorrentes por vaga. Hoje, se você tem 12 mil reais pra pagar uma mensalidade, você entra na faculdade de medicina. Eles não estão nem preocupados de onde você veio, se você tem capacidade pra ser médico.
Esse vai ser um grande desafio. Talvez a salvação aí seja inteligência artificial que de repente via robôs comece a fazer um diagnóstico em você melhor que o próprio médico. Talvez essa seja uma solução.
E se a gente souber investir em inteligência artificial pra aliar o médico junto com a medicina, eu acho que talvez seja um caminho correto. Acho que as pessoas precisam realmente entender e saber do potencial da inteligência artificial. Por outro lado, essas escolas que estão surgindo em cada lugar, cada campo do país, em alguma cidade que me deixa um pouco espantado, elas vão ter que melhorar muito a sua qualidade, senão ela vai estar produzindo uma geração que eu fico muito preocupado de quem essas pessoas vão atender, que tipo de cirurgia que vão fazer.
A gente vê realmente barbaridades acontecendo na medicina, de erros. Até gente que tem uma capacidade de ir em um grande hospital. Mas eu vejo, é gozado porque a medicina sempre teve em volta da minha vida.
Primeiro com o doutor Elianinho, depois com o doutor Edson de Gouda e Bueno, fundador da Mil. Ele patrocinou a minha empresa durante 30 anos e eu fui mentor dele durante 30 anos. Ele que fundou a Mil, os hospitais, o DASA e tantas outras.
E eu sou casado com uma psiquiatra também, então a medicina está em volta de mim. Eu vejo muita coisa e dá uma tristeza de ver, por exemplo, a minha empregada que tem que fazer uma cirurgia e eu acabo ajudando bastante, mas ela tem uma cirurgia importante, mas só tem daqui seis meses. Ela fez um procedimento recentemente que ela teve que esperar dois anos.
Não era nada de vida ou morte, senão eu teria coberto. Dois anos para fazer uma cirurgia. Tem gente que não tem tempo para isso.
Agora, o que me espanta é que não tem senso a nível governamental, não tem senso de urgência com isso. Pessoas morrem e está tudo bem, morreu. Os hospitais, histórias de hospitais no Rio de Janeiro que o cara tem que fazer uma cirurgia no ombro e chegam lá e cortam uma perna dele.
Acontece isso. A gente precisa de muito conhecimento, muita educação. Espero que... É interessante porque do outro lado a gente nunca teve tanto acesso a conhecimento como a gente tem agora.
De graça. Inteligência artificial te dá tudo. Então você não precisa... Ninguém pode ter uma desculpa.
Não tenho acesso a uma escola. Você pode fazer sua própria graduação hoje utilizando a internet de graça. Ter conhecimento de qualquer coisa.
Mas você tem que ir lá, tem que ter atitude. Então não adianta despolizar uma coisa e as pessoas não se interessam. Às vezes eu vejo isso.
Então precisa ter um pouco de iniciativa. E pra você, a tendência dos convenos é de serem mais acessíveis para as pessoas ou de ficar cada vez mais caro? A saúde via... Saúde privada. É caro pra você ter um bom atendimento, uma coisa bacana.
É muito caro porque eu sei quanto eu pago de plano de saúde. Na minha idade já a avaliação é muito cara pra fazer particular. Não é verdade? É muito caro.
E às vezes o governo o próprio sistema e aí lá atrás você gera uma coisa muito populista. Quando você faz coisa populista é que a coisa pega. Aonde obrigam o plano, por exemplo, a cobrir tudo.
E o que acontece? Cobre tudo e aí o plano não aguenta. Tanto é que nós temos poucas empresas hoje de saúde privada no Brasil. São poucas.
As outras todas morreram porque não aguentam. Eu acho que a saúde tem que ser uma coisa parecida um pouco com os Estados Unidos. Onde você paga uma parte e o plano paga a outra parte.
Então tem que ser uma coisa meio conjunta. Principalmente no sentido que se você sabe que o plano vai cobrir tudo, eu vejo lá médicos passando 30, 40 exames como se fosse... Agora, se o paciente tivesse que cobrir alguma coisa, eu tenho certeza que ele iria pedir metade do que ele paga. Então isso aqui inflaciona o custo da saúde, em termos de plano de saúde.
E eu só posso... Agora, a salvação de ter uma medicina não tão boa é inteligência social. Eu acho que... Eu procuro ensinar aos médicos, principalmente formados nessas escolas mais tranquilas e fáceis, que centram simplesmente pagando a mensalidade, que aprendam inteligência social. Passem muito tempo, porque a própria inteligência social, robôs, eles vão fazer o próprio papel do médico.
E talvez melhor ainda. Diagnóstico de câncer, essas coisas. Então eu espero que essas faculdades coloquem muito forte o aprendizado de inteligência social, que vai ser a salvação do médico ruim.
E da médica ruim. E do paciente que está na mão do médico ruim. Exatamente.
Exatamente. E até a questão da co-participação. Eu vejo bastante isso acontecer agora.
Até no plano ligado à empresa. Agora é assim, antes não era. E quando você vai cotar um plano, pelo menos foi assim comigo.
A maior parte das cotações aparecem com a co-participação do que você utiliza. Eu acho que está caminhando para esse movimento, mas um pouco tarde. Mas a saúde em si, em países como o Brasil, o país de desenvolvimento, é sempre um desafio.
Principalmente com relação à qualidade dos médicos e médicas. Então, você não tem uma solução. Mas eu acho que realmente se tem uma coisa que pode ajudar muito a gente é a inteligência social combinada com a robótica.
Que os próprios robôs hoje, se você consegue operar estando em outro país. Já vi operações cirurgias de coração aberto um médico na Suíça e um paciente na China. Isso é fantástico.
É por aí que nós temos que caminhar. E não um médico se deslocar. Hoje você consegue fazer muito isso.
A tecnologia está aí para minimizar o custo para a saúde. Os médicos têm que aprender tecnologia. Os médicos têm que ser obrigados a passar muito tempo aprendendo inteligência social.
Que é o que vai potencializar o conhecimento dele para muito mais gente. Tem dois tópicos que eu também acho importante a gente citar. Primeiro sobre a questão das filas nos hospitais.
Suza, a gente sabe que a fila, igual você citou sobre a questão da sua funcionária que ficou dois anos esperando por um procedimento, uma cirurgia. Só que até nos hospitais particulares as pessoas têm reclamado, nos convênios também, principalmente esses com o custo mais acessível, das filas enormes. Então qual é o caminho para esses hospitais? Só pergunta fácil.
Olha, de novo, eu acho que o caminho é via tecnologia. Até para desatolar a fila. Eu acho que a gente deve aprender muito com a China, porque a China é um país muito populoso.
A China tem um bilhão e meio de pessoas. Nós temos 300. A China é cinco vezes o Brasil.
Como é que eles cobrem isso? Eles já têm hospitais totalmente feitos por inteligência social. Robotizado. Você vai lá e faz o seu diagnóstico com o robô, faz o diagnóstico em você.
Se você precisa de uma cirurgia, o corpo o faz. Entendeu? Logicamente administrado por médicos, mas hoje você consegue escalar na linguagem de negócios esse conhecimento. Agora, se for só no conhecimento tradicional da medicina, onde você tem um médico, um paciente, nós vamos levar milhares de anos para conseguir ter uma coisa decente.
Mas é, acho que o pessoal tem que pegar um avião, sair lá na China e aprender como é que funciona um hospital com robôs. Que você conversa só com robôs e sai de lá e dá tudo certo. Nós temos que aprender isso urgente.
Que é o caminho. E você ensina uma coisa assim, é muito mais barato do que você tentar cuidar de 20 milhões de brasileiros. E a questão também do despreparo dos profissionais é o que acaba chamando muita atenção.
Porque a gente está falando de robôs, tecnologia, mas às vezes até o básico do que já está sendo utilizado, a gente sabe que não é, às vezes por falta de recursos, como a gente citou, o médico tem ali uma pessoa com câncer e tem um remédio para dor de cabeça para passar para a pessoa. Mas em questão até de estrangeiros que vêm para atender aqui no Brasil, isso deve ter uma tendência de ter provas mais difíceis, de ter realmente aquele, a gente sabe que tem a prova do que o médico faz no CRM ali para poder começar a atender de fato. Então isso deve ser mais rígido no Brasil ou deve ser facilitado? Não, não, tem que ser mais rígido, porque eu tenho visto aí, principalmente depois dessa chuva de faculdades de medicina, é gozar, porque o Brasil está estimado que o Brasil vai ter médico demais em poucos anos, graças a esse monte de coisa.
Aí você pega esse país como os Estados Unidos, estão estimando que daqui a três anos vão voltar 80 mil médicos nos Estados Unidos. E o que vai acontecer? Qual é a minha previsão? Eles vêm aqui buscar nossos melhores médicos, você pode ter certeza disso, entendeu? Então é um negócio bem desafiador. E a outra coisa é tudo bem, você abre uma faculdade de medicina em uma cidade pequena, bem ou mal voluntário, o cara paga 12 mil, mas ele tem que passar por uma prova cruel no final.
Porque se ele só graduou, ele pode simplesmente se formar e não ter feito nada demais. As faculdades de medicina, quando tem um aluno que paga 12 mil reais por mês para eles, eles não querem perder esse aluno, você pode ter certeza. Eu já vi isso.
Então, como é que se resolve isso? O CRM, eu não conheço a prova do CRM. Mas tem que ser algo muito difícil. Mas muito difícil.
Ele tem que realmente saber medicina para atuar como médico. E não simplesmente ter passado por uma faculdade de medicina onde simplesmente, logicamente eu não estou falando que todas são assim. Tem algumas que devem estar fazendo um bom trabalho, mas me assusta de ver essa proliferação de faculdades e a facilidade que é para entrar em uma faculdade dessa.
Você acredita que, por exemplo, quem já passou na prova e atua na área da saúde há muito tempo, já é médico há muito tempo, deve ter uma prova recorrente que acontece de tempos em tempos? Sim, sim, sim. Eu acho que sim, porque eu passei uma situação recente aonde eu tive uma questão melhor nem falar aonde, porque senão os médicos vão ficar sabendo quem é quem. Mas onde eu estava sendo medicado por um médico que estava desatualizado.
Com um nome muito grande do passado, professor, papapá, papapá, mas que tinha encostado um pouco a sua mula. Entendeu? Medicina, você tem que estar em cima da bola o tempo todo. O nível de avanço médico e da pesquisa e da inteligência artificial é muito grande.
E eu acho que sim. A cada cinco, dez anos, o médico devia passar por uma outra prova, porque a tendência dele é se acomodar, vai ficando mais velho e tal, e tal, e tal. E aí que o bicho pega.
Se eu não tivesse trocado de médico, talvez eu não estaria nem com você agora. Chegou nesse ponto. Impressão 18 por 11.
Pois é. E o cara mandando eu tomar um negócio que não era pra tomar. Ou seja, que não fazia mais sentido. E também a dificuldade sim, com certeza.
Na fiscalização, imagino. Se de fato tiver uma nova prova, de tempos em tempos, que acontece, pra ver se todos os médicos fizeram a prova, se eles estão aptos de fato. É um investimento também que aí já vai pra algo maior de novo.
Mas é algo que precisa ser feito de algum jeito. Porque se não, você não vai ter. Se você não faz a turma realmente estudar, pesquisar, aí qualquer um vira dermatologista, tal, tal, tal.
Tem uns que simplesmente a pessoa fala e o cara bota a pergunta, bota lá os problemas da pessoa e o próprio inteligência artificial já dá o diagnóstico. Sim. Por isso que eu acho que a inteligência artificial pode salvar.
E sim, eu acho que provas mais complicadas deviam ser dadas em vários estágios, talvez a cada dez anos, pra saber se o médico está em cima da bola. Porque a medicina, qualquer área da medicina, ela muda muito rápido. E são novos medicamentos, novas ciências.
E muda de uma maneira muito grande. E aí o médico tem que estar atualizado. Se não, ele acaba mandando você tomar coisas que não precisa mais, ou que já estão mais antigas, mais velhas.
E não dá também pra entrar nesse tema e não citar sobre os não médicos, que a gente fala tanto aqui, os médicos adoram citar sobre isso, alertar sobre essa situação, porque a gente acaba vendo muito na mídia situações de pessoas que procuraram pessoas que não eram especialistas, que não eram formadas, e o que eu escuto muito de todos os médicos da família Mato que participam aqui, é mais assim, que a pessoa pode até saber fazer, mas o problema é saber lidar com as consequências daquele procedimento, que às vezes só um médico vai poder salvar se a pessoa tiver algum problema, tiver alguma situação ali no momento. Tem muito paciente do Google hoje, né? O doutor Google. Que já chega ali falando que quer.
Exatamente. Eu sei que a minha esposa é psiquiatra e as pessoas ligam pra ela e falam assim, olha, eu só queria que você mandasse uma receita pra mim, pra eu pegar um remédio. Mas eu não te vi ainda, como é que eu não posso fazer isso? Não é porque eu vi no Google.
Nossa. É, exatamente. O Google é perigoso, né? Que você coloca lá e fala, você tem dois dias de vida.
Quando você coloca vários sintomas que está tendo, todo mundo já pesquisou alguma coisa e achou que fosse morrer, né? Ficou preocupado ali. Só que sobre essa questão do não médico, o que eu ia perguntar é como controlar isso, né? Porque agora tem muita gente que se desapta, vende aqueles folhetos, oferece na rua ou nos vidros. No Instagram tem pacote de faça dez procedimentos por mil reais.
Médicos do Instagram, né? Isso é perigosíssimo, porque são médicos. O médico em si, né? Ele, se ele quisesse, estivesse muito interessado em dinheiro, ele não seria médico. Porque o médico em si, médico que é médico, é que nem o pai da minha esposa é médico, né? Ele fala assim, eu nunca neguei um atendimento.
Se a pessoa pode ou não pode pagar. Médico é médico, é um missionário. Eu sei, porque o doutor já me era isso.
E eu aprendi muito com isso o doutor Edson Boiano também, vivendo ele cuidando de coisas que não tinha nem que cuidar. Então, com isso, a gente, às vezes você pega médicos que não têm qualificações e que usam, usam muito o Instagram para criar, principalmente na cirurgia plástica, em algumas, em peso, questões, e que hoje as redes sociais influenciam muito o nosso comportamento, né? Porque o médico tradicional, ele tem dificuldade de se vender. Por isso que ele foi para a medicina, né? Mas aí você pega um médico que gosta de se vender e vai pra cima e tudo, esses caras estão lotados de pacientes e ganhando horríveis de dinheiro.
E esses médicos, às vezes, são caras assim que estudaram oftalmologia que de repente virou especialista em longevidade, entendeu? Difícil, né? E várias outras situações que eu já ouvi. Logicamente, médico é médico, né? Mas, cara, tem que tomar cuidado, e às vezes você usa coisas, principalmente na longevidade, eu tenho 66, e às vezes eu chego no neurologista e falo assim, Dr. William Barros, grande médico, se estiver vendo, um grande abraço pra ele. Eu preciso de um gás aí, o que eu faço? Ele falou, se eu soubesse, eu também usava.
Entendeu? Só que aí você tem o outro lado, a turma que pega essa fraqueza humana, não, não, vem aqui, bota os hormônios em você, você vai se sentir jovem. Só que você não tem as consequências do que pode acontecer depois, né? Câncer, bom, direto, né? Então, a minha filha já foi vítima de médico no Instagram. Pois é. E custou caro pra ela, não caro no sentido de grana, mas sofrimento.
Não estou dizendo que nenhum médico deva não utilizar as redes sociais, porque eu utilizo muito, mas a gente tem que saber até o limite. Eu acho que até a própria CRM devia fiscalizar mais esse tipo de coisa, saber até onde o médico pode ir. E a minha saída é de perder a própria licença de ser médico, porque ele está se vendendo uma coisa que não é, entendeu? E hoje é perigosíssimo se você trata de saúde, né? É muito perigoso isso.
Eu sei que até tem algumas regras, principalmente na parte estética, de falar antes e depois dos pacientes, de mostrar pelo menos o que o doutor Fernando já citou aqui, que se eu não me engano, isso não é autorizado, mas quem se aproveita disso são as pessoas que O médico mostra a própria cirurgia deles. É terrível. E os não médicos que usam grupos.
Ninguém faz nada, né? Ninguém faz nada, é terrível. E essas propagandas com imagens assim, de antes e depois, como se aquilo fosse algo determinado, né? Que a pessoa vai ter aquele resultado e cada pessoa acaba tendo de uma forma. Esteticistas, biomédicos, isso que eu estava falando das pessoas que fazem propagandas, tanto pacotes nas redes sociais, como também em vitrines ali, em vidros das lojas, em shoppings.
Eles pegam a fraqueza humana, né? Todo mundo sabe se tem uma fraqueza. A fraqueza das pessoas mais velhas é perderem um pouco da libido. A fraqueza das mulheres é enxergar coisas que ninguém enxerga, né? Eu vejo uma ruga que eu vejo minha esposa quer fazer uma plástica, eu falo, mas exatamente aonde? Ela precisa.
E aí chega a dermatologista e dermatologista, não, realmente, precisamos mudar, entendeu? E geralmente é médico do Instagram que faz isso, né? É, exatamente. Vem de aquela, vou te deixar assim, né? É. E uma pausa também que você chegou a citar da sua esposa que quer fazer cirurgias plásticas, eu estava o episódio inteiro falando você, e agora eu fiquei surpresa com a sua idade que você citou, 66 anos, eu estava falando você o episódio inteiro. Mas eu sou você.
Porque parece muito menos a sua idade. É? Que bom. É, não, parece menos.
Fiquei surpresa. Falei, eu preciso dar uma pausa pra falar disso porque senão o pessoal vai falar, nossa, que falta de respeito, não falar senhor. Gente, como assim 66? Isso não tinha no seu site quando eu fui fazer a pesquisa, isso não aparecia.
Sempre tive uma mentalidade jovem, sempre fui uma pessoa leve, de muito humor, faço tudo que eu posso fazer graças, eu faço. Levar a vida leve porque ela já é tão pesada, né? A gente tem que contrabalancear isso, né? E eu me cuido muito, faço muito esporte, como direito, não fumo, não bebo, e talvez juntando tudo, acaba ajudando um pouco, né? E o tênis, que foi no início, ainda está presente na vida? Mais de longe, ajudando os jovens, mas não jogando. Acabei me arrebentando bastante.
Esporte de alta performance não é uma coisa sadia, né? Você sabe, né? Porque todo mundo se arrebenta, né? Mas eu tô sempre presente ajudando os jovens, ajudando bolsas, eles conseguirem bolsas nos Estados Unidos, consigo patrocínio, parte técnica também, muita gente em casa, pedir conselho, né? É minha ligação com o tênis, mas como jogador, já deu, né? Era só tênis normal, tênis de mesa também? Não, só tênis normal. Entendi. A gente estava no último episódio falando sobre esportes de alta performance, de medicina esportiva, né? A gente falou bastante disso.
É verdade. O pessoal gosta bastante, né? E tá também ficando cada vez mais famoso. Salibe, a gente traz aqui sempre, quando tá nos últimos minutos da participação, alguns mitos e verdades que as pessoas mais pesquisam na internet sobre um tema que a gente cita aqui.
Agora tá saindo um pouco dessa parte da medicina, mas fala muito sobre a sua especialidade, negócios, gestão e tudo mais. Então, peguei algumas que aparecem no trending topics que as pessoas mais procuraram. Então, acho legal a gente trazer.
O primeiro mito é o verdade, que é inovação é o mesmo que criatividade? Elas andam juntas, né? Elas andam juntas. Pra você inovar, você tem que ser criativo, você olhar uma coisa que é feita de um jeito e fazer de outro jeito. Então, elas andam juntas.
Uma é parceira da outra. Pra você chegar à inovação, você tem que ser criativo. Você não vai chegar à criatividade sendo inovador.
Talvez a criatividade apareça na pessoa que tem a capacidade de olhar aqui, olha, acho que seria melhor essa tela ali e tal, entendeu? Mas elas são irmãs. E pra ter um sucesso no negócio, já aproveito pra colocar um gancho aqui. Precisa estar sempre caminhando com a inovação ou dá pra manter a tradição e ter sucesso? Principalmente hoje, no mundo da tecnologia, produtos, serviços, eles ficam obsoletos mais rapidamente, né? E você hoje tem quase a obrigação de inovar.
Mas não é só inovar na parte técnica, você pode inovar no atendimento, inovar na entrega, você tem mil maneiras de inovar, né? E não simplesmente inventar um produto novo ou um serviço novo. Mas a própria entrega, a maneira como as pessoas gostam de receber em casa, é a Netflix. A Netflix nada mais é do que o cinema em casa, né? Então... Não mudou a forma que o filme está lá.
O filme continua o mesmo, está certo? Mas eles levaram pra casa. Então é o que a gente chama de, na linguagem de negócio, é modelo de negócio. Legal.
É um bom exemplo. A inovação requer um grande investimento inicial? Não necessariamente, né? Eu, por exemplo, quando comecei a minha empresa, quando eu tinha 27 anos, a gente viu uma empresa de, inicialmente, seminários, e a gente queria fazer muito mais do que simplesmente ter um palestrante. A gente queria fazer a experiência do participante ser uma experiência que ele nunca teve.
O que é um evento? Você chega no evento, você faz o check-in, você dá teu credencial, você pega, vai ver o evento, aí tudo bem. E todo mundo faz. O que eles não fazem, né? Quando ele chega, a secretária chega assim, a moça atendente, que chegava lá naquela época, e falou assim, ó, nós temos um serviço de um babysitter de celular.
Você pode deixar o seu celular aqui, nós atendemos, se a pessoa não quiser deixar recado, e temos aqui tudo anotado pra você, e o senhor vai assistir a palestra sem ser incomodado. Quem faz isso, né? Outra coisa, eu sou canhoto. Eu passei a minha vida inteira escrevendo assim.
Então, as apostilas do nosso evento, tinha apostilo pra destra e pra canhoto, entendeu? Nós tínhamos, eu tinha uma parceria com a Mil, a gente tinha uma ambulância no evento. A gente já teve, né, por 30 anos, você imagina, já tivemos alguns infartos, algumas paradas cardíacas no evento, e a gente estava lá pra salvar a vida da pessoa. Quantas pessoas pensaram nisso? Quanto custa isso? Nada, entendeu? Então, a inovação é é um mindset, né? Uma maneira de enxergar os processos e fazer de um jeito melhor.
Isso já responde praticamente a próxima, que é a inovação segue um processo linear e mecânico? É, não. Eu não sei. Eu acho que a partir do momento que você inova, você tem que ser disciplinado pra fazer a inovação acontecer.
Aí sim, mas na parte inicial ela é toda engruvinhada, né? Você tem que errar. É que nem os foguetes do Elon Musk, né? Não sei se você acompanhou. Você viu o foguete que deu Macha Ré, né? Só que esse foguete da Macha Ré, estouraram mais uns 20 foguetes, né? Explodiram no espaço, né? E caíram no meio do oceano, né? Até que a inovação se concretiza.
Aí ela entra numa fase mais formal de processos, né? Sim. O trabalho remoto e híbrido inibe a inovação? Isso bem agora com o cenário, né? Depois da pandemia. Eu acho que existem algumas funções que se trabalha de uma forma remota.
Mas, no geral, eu gosto de gente trabalhando perto. Com exceção de algumas funções, né? Por exemplo, a minha executiva, a concierge do meu plano acabou de ser demitida pela gerente dela de querer fazê-la trabalhar presencialmente. Só que ela mora em Tatuí e ela é mãe solteira e não tem ninguém pra cuidar do filho dela.
E ela não pode pegar o filho e se mudar pra São Paulo, né? E foi demitida por isso. Sendo que ela me atendia maravilhosamente bem. Eu não trocava ela por nada.
Viu, mano? A Vilma, a Vilma. Eu sempre falo da Vilma nas minhas palestras. Então, as pessoas têm que analisar caso por caso.
Agora, em termos de da alta gestão, não. Ela tem que ficar junta. Ela tem que ficar junta, entendeu? Não sei quando você vai abrir, você tem um escritório em São Paulo, você vai abrir um escritório em Londres.
Aí um dos sócios vai pra Londres, mas aí você usa o trabalho virtual. Agora, esse negócio de você ter um escritório aqui, na alta direção, e cada um trabalhar na sua casa, isso não dá certo. Muita distração, aquela troca do dia a dia, conversa de corredor, aquela coisa que você entra na sala pra ter uma ideia, isso no virtual acaba, né? Acaba.
A maioria agora, pelo menos quando é possível, a gente vê 80%, ou mais até, né? Agora, tem questões da medicina que funcionam, né? A minha esposa, ela atende tanto no virtual quanto no... Dependendo da especialidade, na psiquiatria, na psicologia, né? Acho que os psicólogos nem atendem mais presencialmente. Dá pra fazer muito bem, praticamente, como você aqui, tem uma tela aqui, a gente resolve. Agora, tem outras que não dá, né? Dermatologia, por exemplo, precisa ver.
Urologia, né? Não dá pra o cara fazer um teste com você no computador, né? Ginecologia, né? Ginecologia, né? Então, depende. Assim, não tem nenhuma resposta. Mas, se pedir pra falar, sabe bem, qual que você tem que escolher? Uma das duas.
Eu escolho o presencial. Presencial. Porque o poder da troca não tem valor muito grande.
É. O meu trabalho que é 100% presencial, eu nem sei como que é essa sensação, né? De viver no remoto ou no híbrido, porque na reportagem, não... não existe a possibilidade de fazer remoto. Então, é diferente pensar. O sucesso do negócio vem rápido.
Depende de como é sucesso. Eu acho que, no começo, você tem que ter alguns retornos positivos, mesmo que sejam pequenos. Por exemplo, no nosso primeiro evento, a gente teve um lucro pequeno de dois mil reais.
Mas, ele foi positivo. A gente sabia que se a gente persistisse com isso, ele ia ter um lucro maior. Agora, esse lucro maior, ele pode demorar mais ou menos.
Geralmente, ele demora um pouco mais. É pedra sob pedra a construção. Você constrói.
Você não pode começar um negócio e achar que vai faturar milhões no dia seguinte. Você tem que ir construindo até um ponto que você chega no jeito que você tirou. Tá tirando tudo do negócio.
Tirando o que eu falo é extraindo. Você precisa ter um plano de negócios formal para começar uma empresa? Sim, sim. Tem que ser organizado, tem que ter processo, tem que ter cultura.
Como é que nós vamos trabalhar o jeito de se trabalhar aqui? O que é aceitável? O que não é aceitável? Qual é o tipo de pessoa que nós queremos? Como é que nós vamos desenvolver essas pessoas? São todas umas variáveis que você tem que ter tudo organizado. Eu lembro que a gente quando começou a HCM, sem dinheiro, lá nos anos 80, a gente não tinha escritório, a gente não tinha dinheiro, não tinha nada. O meu sócio morava em um flat e a parede da sala dele era toda cheia de números.
Tinha uma planilha gigante lá. A gente sabia custo por custo aquilo. Não adianta, você não vai conseguir começar uma empresa no achismo e nem numa boa ideia.
Você tem que ter muita base numérica de processos, de projeções para que a coisa funcione. As pessoas que fracassam são aquelas pessoas que não têm uma boa ideia para começar uma empresa. Não vai.
Pode ser uma ótima ideia, ela vai morrer. Isso é profundo. Até para levar para a vida.
Para tudo. Só empreende quem tem ideias únicas. Que é o que a gente tinha dito.
Você pode empreender para vender a mesma coisa que o outro vende. Logicamente, quando você tem um diferencial, ajuda bastante. Hoje, por exemplo, todo mundo me pergunta, porque hoje está na moda as startups.
Quero ter uma startup. O que eu faço para ter uma startup? Eu falei, você tem que introduzir um produto ou serviço que faça a tarefa 10 vezes melhor que o que está atual. 10 vezes.
Senão você não tem uma startup. Você não pode falar um pouco melhor. Isso aqui é um pouco melhor do que já tem no mercado.
Não vai rolar. Mas se você tem alguma coisa que é 10 vezes melhor, aí você tem uma startup. Uma solução muito diferencial.
Não um pouco. Nossa, isso é difícil. Até aqueles realities que mostra de startup é tão legal assistir, mas na prática poderia viralizar.
São tantos desafios que começam a aparecer no meio dos realities que é até interessante. Entra nessa questão da organização e tudo mais. Agora, o último, Salib.
Empreender no Brasil não é tão fácil? Desafiador no sentido... Primeiro, nós temos uma vocação empreendedora. Mas, infelizmente, as leis que são feitas aqui, trabalhistas de impostos, é muito cruel para o empreendedor. É incrível porque eu sei se foi lá desde a época do Getúlio Vargas que encara o setor privado como um inimigo, como um sugador de pessoas.
Está tudo errado. Sem uma base forte empresarial, você não tem país. Não existe.
Quem produz dinheiro no país são as empresas. Só que não adianta você fazer isso, começar a empresa, aí você, qualquer funcionário que sai já entra com processo trabalhista. Nos Estados Unidos, acabou, a relação acabou.
O cara não tem o que cobrar de você. Não existe isso. Hora extra.
O cara está lá porque ele quis. Se ele trabalhou 20 horas por dia, é porque ele quis. Você não é obrigado a nada.
Então, isso mata. Porque eu vejo... Nessa semana passada mesmo, eu tive uma imersão. Essa semana, segunda e terça, onde um dos participantes tem uma empresa com mil colaboradores, ele está com 100 processos trabalhistas.
Eu conheço gente que tem um negócio próspero, mas que os processos trabalhistas ganham porque os juízes sempre dão razão para o colaborador. E mata qualquer empresa. Você pode ter uma ideia super boa.
A parte de impostos, o Brasil sempre teve uma cabeça de cobrar muito imposto. Você pega o Trump agora, que vai cobrar menos imposto. Não estou falando questões políticas.
Ele vai baixar os impostos. Como ele fez na primeira gestão deles. Começa a explodir.
Então, aquele dinheiro que você ia pagar para o governo de imposto, você vai usar para começar novos negócios. Expandir o seu negócio. Gerir mais emprego.
Fazer o bolo crescer. E quando você faz o bolo crescer, mesmo que a taxa de imposto seja menor, o todo vai ser muito maior. Infelizmente, a cabeça dos governantes desse país não pensa assim.
É um tema complexo. Tudo que a gente falou é uma pergunta básica. O empreendedor e o empreendedor aqui nesse país são heróis.
Eu não sei nem como eu sobrevivi. Mas são heróis. E com muito sucesso.
Os desafios que ele tem pela frente, que são incontroláveis de cara ao trabalhista e o fiscal, ele vai começar um negócio e ele tem dois monstros na frente dele sem ele ter começado o negócio. Realmente, não tem nenhuma pergunta fácil aqui nesse episódio. Felipe, eu queria agradecer muito a sua participação aqui com a gente.
Obrigado. Queria aproveitar e pedir para você passar suas redes sociais para alguém que ficou com alguma dúvida ou queira acompanhar seu trabalho ou queira dar uma olhada nos seus livros. Sim, eu estou no Instagram.
Sou muito ativo. Tenho o meu LinkedIn também. São mais essas duas redes que eu atuo bastante.
A gente vai deixar também o link aqui. Tem o meu site. Tem minhas 11 palestras.
Tem minha trajetória. Tem meus livros. E eu sou um cara super acessível.
Se você assistiu e quiser se interagir comigo, fica à vontade para mandar uma mensagem que eu tenho o maior prazer. Inclusive, vou pedir para você que está acompanhando se ficou alguma dúvida, tanto nesse assunto. Na verdade, não é nem dúvida, porque a gente não deu uma resposta concreta assim também.
Não tem muita coisa, mas que tem alguma sugestão de tema para a gente trazer de novo aqui o José Salibi Neto. Mesmo que seja difícil na agenda dele, pode comentar que a gente conversa com ele para trazê-lo novamente e vai ser um prazer. Mais uma vez, obrigado, Salibi.
Obrigado. Parabéns para você com ótimas perguntas. Parabéns pela clínica Mato, que são os sucessores do doutor Janinho, que foi um dos melhores médicos do mundo que eu conheço.
Um cara especial. É impressionante que até hoje ele morreu há muitos anos atrás. Em todo lugar que eu vou, que eu falo de alguma coisa, eu fui para o pílulo do doutor Janinho Novar Moraes.
Todo mundo falou que eu lembro dele. Ele lembra-se não só como cirurgião vascular, mas pela visão que ele tinha da medicina. Então, um cara que deixou um legado fantástico.
Na próxima a gente inclusive participa com o doutor Alexandre Amato, nosso cirurgião vascular, que vai fazer questão de participar aqui com a gente. Obrigado. Obrigada você também pela sua participação aqui conosco.
Não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que eu sempre peço para vocês para que a gente continue trazendo os especialistas aqui da área da saúde. Muito obrigada e até a próxima. Tchau.
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