
AmatoCast, episódio 51
Genética vs. Câncer: Conheça os Testes Que Fazem a Diferença | Amatocast
Com Letícia Miyamoto, Dr. Paulo Grimaldi e Dr. Alexandre Torchio Dias
Neste episódio
O Dr. Paulo Roberto Grimaldi Oliveira, patologista, explica que a análise de biópsias e peças cirúrgicas define se uma lesão é câncer e orienta o tratamento. O Dr. Alexandre Torchio Dias, geneticista, mostra como a avaliação dos genes do paciente e do tumor pode identificar variantes que ajudam o médico a escolher uma terapia mais assertiva. Eles diferenciam alterações herdadas das adquiridas e discutem prevenção, com ênfase em hábitos como atividade física regular, não fumar e dormir bem.
Assista
Sobre o episódio
Prepare-se para um mergulho profundo no fascinante mundo da genética e patologia na batalha contra o câncer! No episódio 51 do Amatocast, temos a honra de receber dois especialistas renomados que irão desvendar o impacto crucial da genética e dos exames patológicos no diagnóstico e tratamento do câncer. Descubra como as descobertas genéticas influenciam diretamente as terapias oncológicas e como os testes preventivos podem fazer toda a diferença na sua saúde.
Nossos convidados, Dr. Paulo Roberto Grimaldi Oliveira, especialista em patologia, e Dr. Alexandre Torchio Dias, expert em genética, trazem insights poderosos e práticos que são essenciais para qualquer pessoa preocupada com a saúde e bem-estar. Aprenda sobre a importância do diagnóstico precoce, as nuances da ligação genótipo-fenótipo, e como a medicina integrativa está revolucionando os cuidados preventivos.
Você sabe qual é a diferença entre genética e hereditariedade? Ou como o estilo de vida pode influenciar o aparecimento de cânceres? Neste episódio, estas e muitas outras perguntas são respondidas com clareza e profundidade. Indicado para quem valoriza informações científicas sólidas, mas apresentadas de forma acessível, este episódio é um convite para transformar seu entendimento sobre saúde.
Não perca a chance de se informar e cuidar da sua saúde de forma consciente! Compartilhe este episódio com amigos e família, e juntos, vamos fazer a diferença no combate ao câncer!
Data de publicação:
22/10/2024
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Neste episódio do Amato Podcast, o foco é a relação entre genética e câncer, com a participação de dois convidados especiais: o Dr. Paulo Roberto Grimaldi Oliveira, patologista especializado em oncologia, e o Dr. Alexandre Torquio Dias, geneticista médico. Eles explicam suas especialidades e a importância do diagnóstico precoce para o tratamento eficaz do câncer. Dr. Grimaldi detalha o processo de análise anatômica para determinar se um tumor é maligno, enquanto Dr. Alexandre discute ferramentas genéticas que ajudam a identificar predisposições ao câncer e a possibilidade de prevenção com acompanhamento genético. Eles também ressaltam que não todo câncer é herdado, a maioria desenvolvendo-se devido a fatores ambientais e de estilo de vida. Durante a conversa, são discutidos métodos de prevenção e a importância de uma abordagem integrada para a detecção precoce do câncer, com destaque para os avanços em testes genéticos e sua acessibilidade através de planos de saúde e pesquisas acadêmicas. O episódio oferece uma visão abrangente e acessível sobre como a genética pode influenciar o risco de câncer e enfatiza a necessidade de exames preventivos regulares e um estilo de vida saudável.
– Dr. Paulo Roberto Grimaldi Oliveira: Especialista em Patologia
O Dr. Paulo Roberto Grimaldi Oliveira trouxe uma visão detalhada e esclarecedora sobre a importância dos exames patológicos no diagnóstico e tratamento do câncer, destacando seu papel crucial na identificação precoce da doença.
– Dr. Alexandre Torchio Dias: Especialista em Genética
Dr. Alexandre Torchio Dias contribuiu de forma excepcional ao discutir como a genética influencia o desenvolvimento do câncer e a relevância dos testes preventivos, oferecendo uma perspectiva informativa sobre a relação genótipo-fenótipo.
0:00:00 Introdução aos Convidados e Suas Especialidades
0:15:44 O DNA e os Superpoderes das Células Tumorais
0:15:55 Genética, Epigenética e a Origem do Câncer
0:16:29 Herança Genética: Somente 5% a 10% dos Casos?
0:16:44 Genes e Tumores: Protetores ou Vilões Herdados?
0:17:22 Impacto Genético e Fatores de Risco do Câncer
0:20:24 Descubra as Limitações dos Testes Genéticos Hoje
0:43:00 Acessibilidade dos testes genéticos pelo SUS e planos
No episódio 51 do Amatocast, intitulado “Genética vs. Câncer: Conheça os Testes Que Fazem a Diferença”, o foco é a conexão íntima entre genética e oncologia, discutida pelos especialistas Dr. Paulo Roberto Grimaldi Oliveira, patologista em oncologia, e Dr. Alexandre Torquio Dias, geneticista médico. Os médicos destacam a importância crucial do diagnóstico precoce do câncer, explicando como análises anatômicas podem determinar a malignidade dos tumores e como testes genéticos avançados podem prever predisposições hereditárias ao câncer. A conversa não deixa de lado a conscientização de que, apesar da importância da genética, a maioria dos cânceres decorre de fatores ambientais e de estilo de vida. Os participantes do podcast enfatizam a sinergia entre os avanços na medicina integrativa, incluindo genética, e métodos tradicionais para a detecção precoce do câncer, destacando a crescente acessibilidade a testes genéticos através de planos de saúde e pesquisa acadêmica. Este episódio do Amato Podcast se configura como um recurso educativo confiável, oferecendo insights valiosos para o público leigo em saúde, incentivando um compromisso com a prevenção do câncer através de um estilo de vida saudável e exames preventivos regulares.
No episódio 51 do Amatocast, o fascinante mundo da genética é explorado em sua relação direta com o câncer, destacando o papel crucial do diagnóstico precoce para um tratamento eficaz. Com a expertise do Dr. Paulo Roberto Grimaldi Oliveira, especialista em oncologia, e do Dr. Alexandre Torquio Dias, geneticista médico, são revelados os bastidores da análise anatômica de tumores e o poder das ferramentas genéticas em identificar predisposições ao câncer. É enfatizado que, embora nem todo câncer seja hereditário, fatores ambientais e de estilo de vida são predominantes no seu desenvolvimento. A discussão também abrange métodos preventivos e o impacto dos testes genéticos acessíveis em planos de saúde e pesquisas acadêmicas, reforçando a importância de exames preventivos regulares. Esta conversa elucidativa fornece uma compreensão abrangente de como a genética pode influenciar o risco de câncer, tocando em tópicos como mamografia, câncer de mama e de estômago, predisposição genética, assim como doenças sexualmente transmissíveis e medidas de bem-estar. Explorando sintomas como os do câncer de garganta e colorretal, o episódio destaca a relevância de um estilo de vida saudável e aborda aspectos distintos da oncologia, desde o que é até como se manifesta em câncer de mama masculino e feminino, incentivando uma abordagem integrada na detecção precoce do câncer.
Transcrição
Apesar de ter sido criado em 1903, a construção foi realizada em 1906. Olá, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato. E agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida.
Nos últimos episódios nós estivemos aqui com a doutora Juliana Amato, ginecologista, médica ginecologista, para falar sobre dois temas bastante interessantes, assuntos que levantaram até mesmo polêmicas. O primeiro, menopause e a relação com a saúde da mulher e as principais dúvidas relacionadas à saúde da mulher. A gente fez um geral sobre esse tema, esclarecemos muitos assuntos, bem interessante.
Hoje também a gente traz um tema aqui que com certeza vai render um bate-papo super interessante com convidados especiais. Hoje nós vamos falar aqui no AmatoCast de genética e câncer. Nosso primeiro convidado, doutor Paulo Roberto Grimaldi Oliveira, possui doutorado em Oncologia no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.
É graduado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo e possui mestrado em Anatomia Patológica pela Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência na área de Medicina com ênfase em Anatomia Patológica, atuando principalmente nos seguintes temas, câncer, lâminas, patologia, citopatologia e anatomia patológica. Bem-vindo, doutor.
Continuar lendo a transcrição
Obrigado. Nosso segundo convidado especial de hoje, doutor Alexandre Torquio Dias, é doutor em Ciências pelo Programa de Patologia na área de Citogenômica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Especialista em genética médica e citogenética.
Especialista em administração hospitalar e membro da Sociedade Brasileira de Genética e da Sociedade Americana de Genética Humana. Bem-vindo, doutor. Muito obrigado, Letícia.
Nossa, espero que eu tenha acertado aqui os currículos porque são ilícitas. E eu já vou contar aqui pra vocês que a gente sempre inicia nosso papo no podcast falando sobre um spoiler do que a gente pode citar relacionado ao nosso tema de hoje, genética e câncer. Então, antes de tudo isso, eu acho que são duas especialidades que, às vezes, muitas pessoas leigas na medicina que estão acompanhando aqui não sabem exatamente como funciona.
Então, doutor Grimaldi, como que funciona a sua especialidade? O que o senhor trabalha no dia a dia? Muito bom. Como anátomo patologista, eu examino biópsias e peças cirúrgicas. Pra que, Letícia? Porque um nódulo pulmonar, por exemplo, ele pode ser câncer e ele pode não ser.
Então, pra saber isso, o médico, dependendo da localização, ele entra com uma agulha dirigida por ultrassom e ele vai até a intimidade desse nódulo. E aí ele tira um pedacinho e coloca num vidrinho com formal tamponado a 10%. Esse formal evita que aquelas células se estraguem.
E aí ele preenche um papel, que é o pedido do médico, e manda pro laboratório. O laboratório Patos é onde a gente faz esse exame. Aí, numa primeira etapa, é feito um exame macroscópico, a olho nu.
Então a gente mede, descreve aquele fragmento, a cor dele, o número de fragmentos recebidos. É uma espécie de um documento. Aí a gente entrega pro técnico.
O técnico, no dia seguinte, vai entregar uma lâmina pra nós. Uma lâmina de vidro, uma lâmina de histologia. E aí a gente olha no microscópio e, podendo analisar aquele material, a gente vê primeiro o órgão que é. Segundo, a gente tem na cabeça já as fichas dos órgãos normais.
E a gente faz uma comparação morfológica da forma que tem aquela estrutura. E a gente pode definir se é uma inflamação, se é um câncer, se é uma degeneração, o que é. Então qual é a resposta que o patologista precisa dar? Primeiro, é câncer ou não é? Se for câncer, está no começo, está no meio ou já está avançado? Se não for câncer, o que é aquilo que parece câncer? Então essa é a função do patologista, é chegar ao diagnóstico definitivo. A minha especialidade, anatomia patológica, Letícia, é a única especialidade que define para valer a natureza daquela doença.
Nenhuma outra especialidade consegue chegar no grau de especificidade que a gente chega. Porque daquele laudo que eu emitir sobre aquele material, vai sair o tratamento do paciente. Então o oncologista, por exemplo, quando ele vai tratar um paciente que tem melanoma maligno, por exemplo, uma doença importante, ele tem 18 itens que ele tem que ler no laudo e pautar a escolha dele pela clínica e por aquelas informações que eu dou.
Aí ele vai dizer se o paciente precisa de uma químio, de uma rádio, de uma imunoterapia, o que ele vai fazer com o paciente. Legal, e tem uma relação direta com a especialidade do doutor Alexandre, certo? Como que funciona a sua? Bom, nós que somos geneticistas, que trabalhamos com diagnóstico no laboratório de genética, nós temos uma série de ferramentas hoje dentro da citogenética e da biologia molecular que a gente consegue avaliar o genoma do paciente, o DNA do paciente, os seus genes. Então uma vez que você consegue avaliar o gene, identificar se esse gene está alterado ou se está dentro de uma quadra de normalidade, estando alterado, qual o tipo de variante que esse paciente apresenta? Qual o tipo de mutação? Onde que mudou no seu DNA e nos seus genes? Pra poder efetivamente entender qual é a relação entre a patologia e os genes alterados pra que o médico tenha, sim, condições de traçar uma terapêutica adequada, assertiva.
Hoje nós temos medicamentos que são utilizados e são colocados na terapia do seu paciente de acordo com a variante genética que ele apresenta. Então o estudo genético de tumores, o estudo genético germinativo, que a gente também faz no laboratório de citogenômica, no laboratório de genética molecular, nós utilizamos essas ferramentas pra dar um caminho pra esse paciente e pra que o seu médico tenha uma conduta terapêutica bem assertiva. E nem sempre as duas especialidades funcionam quando o paciente ou a pessoa já foi diagnosticada com uma doença como, por exemplo, o câncer, que vai ser o nosso foco do assunto.
Até porque a gente já vai citar aqui a questão do laboratório origem, que funciona como uma forma de prevenção pra todas as pessoas que querem ter um acompanhamento. Então, até na questão, já vindo no gene, a pessoa pode ter esse acompanhamento, já procurar entender como funciona antes de ser diagnosticada com uma doença, antes de ser um paciente de fato oncológico. Isso é muito importante que você ressaltou, Letícia, porque existem alterações genéticas que você herda dos seus pais.
E é muito importante ressaltar que nem todo câncer é herdado. Então, a questão de você ter variantes no seu DNA, grande parte das variantes que vão atingir um grau de desenvolvimento de um tumor, de um câncer, não foram herdadas dos seus pais. Então, existem variantes que a gente fala que são esporádicas, aquelas que você adquira ao longo da sua vida.
Então, superexposição ao sol sem proteção, isso pode fazer com que as células da sua pele tenham alterações, lesões no DNA, que podem progredir para o desenvolvimento de um tumor. Porém, existe ali de 5% a 10%, mais ou menos, que o paciente recebe dos pais alguma variante, quando você tem a formação dos gametas e a fecundação, você já recebe alguma variante, e aí sim. A história familiar é extremamente importante.
Você saber com que idade os seus pais, os seus avós, desenvolveram ou tiveram algum câncer aí em progressão. Então, o estudo familiar, e aí o médico geneticista é um profissional extremamente capacitado para avaliar isso e ter uma condição exata para entender qual a probabilidade desse câncer ser herdado ou não, qual a probabilidade de um paciente que, mesmo sem ter o câncer, tenha a probabilidade de desenvolver algum tipo de tumor, de acordo com a história familiar. E aí tem testes genéticos que são realizados para se fazer o estudo do DNA e entender um pouquinho mais se esse paciente que, mesmo ainda sem ter um tumor instalado, tem alguma probabilidade de desenvolver o câncer.
Por outro lado, veja a importância que existe das nossas especialidades em conjunto, Letícia. Até um tempo atrás, existe um tumor, um câncer no cérebro chamado glioblastoma. Então é um câncer muito agressivo, mas os médicos oncologistas notaram que alguns tipos evoluem melhor e outros pior.
E aí foram estudar, aí é que entra a genética. Porque hoje em dia, para eu dar um diagnóstico no meu lábio de glioblastoma, eu tenho que falar também como ele é molecularmente, a genética dele. Porque existem quatro tipos de glioblastoma.
Cada um tem uma droga-alvo especificamente já inventada, já fabricada para aquele tipo específico segundo a genética, segundo a mutação. Então as especialidades são extremamente inter-relacionadas. Assim que vocês, inclusive, trabalham juntos, né? Tem uma forma aí de... a gente sempre contextualiza também no podcast por que os nossos entrevistados estão juntos.
Agora o pessoal já entendeu das duas especialidades como funcionam e vocês têm, de fato, uma relação de trabalho profissional. Bom, eu vou aproveitar e também já dar um destaque que hoje a gente tem uma novidade, desde o último episódio, na verdade, a gente já trouxe aqui, que é o patrocínio para o Amatocast do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal e exames de medicina integrativa, que é onde tudo começa. O foco da origem é qualidade de vida e prevenção.
Doutor Grimaldi, que já tem a relação, explicando para quem está acompanhando, é o proprietário também do laboratório, pode explicar para a gente como que funciona essa questão de prevenção, que idade, que a gente estava conversando aqui antes de começar a gravar, as pessoas devem procurar saber sobre toda essa parte da genética, toda essa parte de que fato começa a prevenção e como que isso funciona, a importância de tudo isso. A importância é só agora está começando a aparecer a evidência dessa verdade. Qual é a verdade? É assim, existe uma lei, é a lei da semeadura.
O que é a lei da semeadura? A semente que você plantar, você vai colher. A espécie é exatamente igual. Então, se você plantar coisa boa, você vai receber, vai colher coisa boa.
Então, a partir dos 30 anos, mais ou menos, já se admite que a pessoa já tem que se preocupar em fazer ginástica, são 150 minutos por semana, no mínimo. Por que isso? Porque a ginástica, ela mexe em todo o corpo e ela conserta uma porção de coisa no corpo. Segundo, óbvio, não fumar, nem se fala isso.
É a medicina, estilo de vida, que chama. Medicina do estilo de vida. Então, você tem um propósito de vida.
Você acordar de manhã contente, porque você está tendo um dia a mais para ir atrás do que você quer, atrás do seu sonho. Outra coisa, dormir bem. Você tem que dormir oito horas por dia.
O seu organismo precisa de oito horas por dia. Então, não adianta você querer dormir. Não, eu durmo bem cinco horas.
Lê do engano, não fica bem. Isso vai, o organismo vai acumulando, acumulando, acumulando. Aí, quando daqui 10, 15, 20 anos, começa a aparecer o efeito disso aí.
Entendeu? A parte, combater o estresse. Como é que você faz para combater o estresse? Às vezes, você está ligada, você tem um piti, né? Que o pessoal fala, tem um surto. Vai no banheiro, fecha a porta e respira fundo, cinco vezes.
Por quê? Porque o que provoca o surto é a descarga de adrenalina, que é o sistema simpático do nosso corpo, libera a adrenalina. Então, todo o organismo fica, ele está sendo avisado que estão atacando ele. Então, ele fica todinho armado.
Como é que você desarma isso? Através do parassimpático. Você entra no banheiro e respira fundo, aí você vai eliminando, você vai consumindo a sua adrenalina. Em cinco, dez minutos, abaixa.
Isso é muito importante, porque cada estresse que você tem, vai estreitando a sua coronária. Vai depositando colesterol na placa íntima da sua coronária. E isso, hoje não é nada, amanhã não é nada, daqui dez anos vai ser, daqui vinte mais, daqui trinta mais.
Então, o que você tem que fazer hoje é cuidar do seu corpo preventivamente, profilaticamente, antes que a coisa venha. Por isso que é bacana a medicina integrativa, porque ela não vai tratar a doença, ela vai prevenir a doença, é prevenção primária. Antes da doença aparecer, você já está fazendo a sua parte, fazendo a sua lição de casa, para que ela não venha.
E aí você vai manter seu sistema imunológico bem equilibrado, e você não vai ter infecção, você não vai ter câncer, você não vai ter nada. Legal, e eu já quero saber também como que as pessoas recebem esse resultado, né? Como que a pessoa, um leigo na medicina consegue visualizar o laudo e entender, ou precisa de um médico para encaminhar o que vem ali, depois que faz esse exame de prevenção, doutor? Os nossos laudos, na origem, eu tenho muito cuidado com isso, Letícia, eles são auto-explicativos. Então eu imagino que uma pessoa leiga, completamente leiga, vai ler aquele exame e eu quero que ela entenda.
Por quê? Porque quando o paciente entende, você ganha um soldado para você lutar contra a doença. Se o doente entender, ele vai tomar conta da saúde dele. Não precisa o médico, ele toma conta da saúde dele, mas ele precisa ser esclarecido, precisa ser avisado.
Então os nossos laudos, inclusive nós vamos lançar agora, no dia 25, sexta-feira, nós vamos lançar um exame, chamado Colotect, que ele faz a prevenção do câncer de intestino através do exame das fezes, do exame do cocô. Então você colhe uma pequena amostra e a gente vai fazer uma análise molecular e ver quais são os pacientes que têm predisposição a desenvolver o câncer de colo reto. É como se fosse o papanicolau, só que em vez de ser no colo do útero, é no intestino, é o papanicolau do cocô que eu chamo.
Então você faz e você vê que tem três genes especiais que se tiver alteração nesses três genes, então o paciente tem que ser encaminhado para fazer mais exames no sentido de descartar a possibilidade de um câncer, e aí você pega na fase inicial. Vai traçando o caminho, né? Doutor Alexandre, eu acredito que é muito importante também a gente fazer uma diferenciação de genética e hereditariedade, que é o que a gente estava conversando antes. Uma parte da sua explicação já deu para entender, mas é bom a gente deixar bem claro.
Qual que é a diferença dessa parte? Até para as pessoas que a gente está falando de câncer, acredita que câncer é genético, câncer é hereditário? Eu acreditava que era a mesma coisa, para ser sincera. Muito bom, Letícia. Eu acho que isso é uma grande confusão que a nossa população, no mundo geral, as pessoas têm, e é muito importante esclarecer.
Todo câncer, ele tem uma base de uma alteração genética, porque pensa, o que é o câncer? É uma proliferação desorganizada de células que vão adquirindo superpoderes dentro do nosso organismo, vamos assim dizer. Mas para essa célula ter esses superpoderes, seja de invasão, seja de metástase, que são temas mais voltados para a nossa área, elas precisam ter alterações no DNA. Então, o DNA da pessoa tem que estar alterado.
Porém, essas alterações, nem sempre você nasce com essas alterações. Tudo que a gente fala que é herdado, é aquilo que você recebeu dos seus pais. Então, grande parte, 90%, 95% dos cânceres, eles não são herdados.
Todo câncer tem uma base genética ou epigenética, como a gente vai abordar agora no Colotecte Origem, que é um teste que vai avaliar a metilação do DNA, que é algo um pouquinho mais complexo, que numa outra oportunidade a gente pode conversar mais profundamente. Então, ser herdado, quando você recebe dos pais uma alteração genética, de 5% a 10% das pessoas que têm essa alteração, dependendo de genes específicos, não há em qualquer gene, nós temos aproximadamente 21 mil genes no nosso genoma. E alguns genes estão relacionados com o desenvolvimento de tumores, com a proteção para tumores.
Quando alterados, podem desenvolver tumores. Quando normal, muitas vezes controlam o ciclo celular. São genes que atuam normalmente.
Então, vamos lá, recapitulando. Uma vez que eu diferencio herdado de genético, eu acho que isso é crucial. Então, genético, todo câncer tem uma base genética ou epigenética, porque para essa célula se proliferar de forma desorganizada, eu tenho que ter uma alteração, seja no perfil epigenético ou no perfil genético dela.
Ser herdado significa que eu recebi dos meus pais. 5% a 10% dos pacientes que desenvolvem tumores, receberam dos pais alguma informação genética, que também ter essa informação não significa que a pessoa vai desenvolver um tumor. Existe aí uma série de eventos que a gente, dentro da genética, vai estudar para dizer o risco dessa pessoa.
Porém, grande parte dos tumores não tem herdabilidade, não são herdados. A pessoa desenvolver um tumor não está relacionado com o que ela recebeu dos pais da carga genética. Entendi.
E o que a gente pode dizer que causa o câncer? Porque você disse que uma parte pode ser herdada, mas uma parte a pessoa pode desenvolver. Então, eu acredito que algumas coisas ali relacionadas à vida dessa pessoa, aí já volta na questão da prevenção e tudo mais, que podem levar, de fato, ao desenvolvimento do tumor. Então, vamos lá.
O tabagismo é um fator de predisposição, o etilismo. Tem uma série de fatores que podem fazer com que um paciente desenvolva uma alteração genética nas suas células. Isso ao longo da sua vida.
Então, são variantes no DNA que podem ser as mais diferentes possíveis que essa pessoa vai adquirindo ao longo da vida, e essa célula adquire esse perfil diferente pelas alterações que acontecem nos seus genes, e essa célula desenvolve aí um perfil tumoral, um perfil neoplásico, e no caso do câncer, um perfil maligno dentro do órgão que ela se encontra. Então, existe uma série de fatores que predispõem ao surgimento do câncer. Mais uma vez, tabagismo, consumo excessivo de álcool, não fazer atividades físicas de forma adequada.
Então, tem uma série de fatores que podem levar o paciente a ter um risco aumentado de. Não significa que um fumante obrigatoriamente terá um câncer, mas ele tem aí um tijolinho a mais para ter um risco maior de desenvolver um quadro tumoral. Sim, um dado que chama muita atenção, fazendo a minha pesquisa aqui para o nosso assunto de hoje, estima-se que aproximadamente mais de 600 mil novos casos de câncer são diagnosticados apenas no Brasil a cada ano.
Estes dados são de 2020 do Instituto Nacional do Câncer, Dr. Grimaldi. Tem alguma diferença na questão de diagnóstico, prevenção, da forma que estes exames são realizados entre homens e mulheres para análise para vocês? Tem algum ponto específico, algum tipo de câncer que vocês conseguem identificar que uma mulher tem mais predisposição, ou que um homem tem mais predisposição? Ou é indiferente isso para a questão da análise mesmo? Por exemplo, o tireoide é um tipo de câncer, aliás, é um câncer relativamente bonzinho, o câncer de tireoide, o carcinoma papilífero, ele é mais frequente em mulheres, são quatro para um. Tem quatro mulheres para um homem.
Mas é uma das poucas doenças em que a mulher é mais prevalente do que o homem. Em grande maioria dos casos, o homem é o top. Ele tem maior chance de ter o câncer do que a mulher.
Entendeu? Então, agora, não existe uma forma de a gente olhar, de a gente enxergar no microscópio e tal, não. Aí não. Aí é o acaso, né? É o acaso, como a Alexandra estava dizendo, e são as condições que facilitam o aparecimento de um câncer.
Aí você fez uma pergunta muito clara. Qual é a causa do câncer? A gente não sabe qual é a causa, ninguém sabe. A gente sabe que vários fatores predispõem a pessoa a ter o câncer.
Mas a gente não sabe qual é o gatilho que puxou o gatilho que tem o câncer. Ainda a gente não sabe. E pode ser diferente de pessoa para pessoa, né? Exatamente.
Provavelmente é diferente. A necessidade de fazer esses exames de prevenção, tanto para homens como para mulheres, acaba sendo igual. O senhor acredita que com o tempo, quanto mais isso vai ficando mais claro, mais a importância vai ficando mais nítida para as pessoas, esse número de mais de 600 mil novos casos apenas no Brasil por ano, deve diminuir, doutor? Eu acho que sim.
Sabe por quê? Porque esse número quer dizer câncer invasivo. Existe um câncer que não é invasivo ainda. Porque o câncer começa com a célula, como o Alexandre falou, e ele vai... Então, por exemplo, imagina a célula da mucosa gástrica.
Qual é a função da célula da mucosa gástrica? A função dela é produzir ácido clorídrico, para que quando o alimento chegue ali, esse ácido clorídrico comece a quebrar aquele alimento, para quando ele passar no intestino, ele poder ser absorvido. Então, a célula gástrica leva três meses a vida dela. E aí ela se divide em duas.
Então ela se divide em duas. Se acontecer de uma delas tiver uma mutação, que é o que nós estamos conversando, ela não vai começar a trabalhar, como a irmãzinha dela vai trabalhar produzindo ácido clorídrico. Ela para de trabalhar e começa a se reproduzir.
Ela não para de se reproduzir. É esse o perigo do câncer. E isso é absolutamente silencioso.
Imagine uma célula. Nós temos no nosso corpo 30 trilhões de células. Nosso corpo, um homem de 1 metro e 70, pesando 70 quilos, ele tem 30 trilhões.
É 30 vezes 10 à 12ª potência. É muita célula. Uma delas começa a crescer.
Até ela ficar visível, por exemplo, um nódulo pulmonar precisa ter pelo menos 1 centímetro para aparecer nos exames radiológicos. 1 centímetro você tem milhões de células neoplásmicas. Então o câncer começa e não vai já invadindo.
Ele vai crescendo. A cada geração, nova geração, ele vai adquirindo, como o Alexandre falou, maior propriedade de invadir. E ele não consegue ainda.
Enquanto ele está na fase inicial, é chamado câncer in situ. I-N-S-I-T-U. In situ.
Quer dizer que ele está localizado ali naquele epitélio, naquele localzinho. Se você... Aí que está a vantagem do Papa Nicolau, Letícia. Se você detecta a mulher que tem um carcinoma in situ no colo do útero dela, você chega para ela e fala assim, olha, dona fulana, a senhora já teve o número de filhos que a senhora queria? Ah, já, já tive.
Então nós vamos fazer uma estereotomia. Vamos tirar seu útero inteiro. Ou então não.
Eu só tenho um filho, eu quero ter outro. Então tá bom. Então nós vamos tirar só o colo do seu útero.
Vamos deixar o corpo. Por quê? Porque é no corpo que a criança cresce. E qual é a função do colo do útero? Só tem uma função o colo do útero.
É segurar a criança quando a mulher está grávida. Porque o peso da criança tenderia a expulsar a criança. E o colo do útero, que é formado por tecido firme, fibro elástico, forte, firme, não deixa acontecer isso.
Agora, se você tirar, aí se a paciente ficar grávida, você faz uma coisa chamada cerclagem. Você dá uns pontos ali, o ginecologista dá uns pontos ali e fala para ela, a partir do sexto mês a senhora vai repousar. A partir do sétimo mês, só cama.
Até nos dois últimos meses. Mas em compensação, ela tem o filhinho. Ela teve um câncer, foi curada do câncer, porque depois que tira, fez uma biópsia, deu carcinoma in situ, fez a biópsia, deu carcinoma in situ.
Quando tira o colo do útero ou o útero inteiro, vai para o patologista também. E ele vai examinar, fatiar inteirinho, vai salamar, que a gente fala. Que nem salaminho, e examina todo aquele material.
E vê mesmo se é só in situ, ou se ele já tinha algum foquinho invadindo a membrana basal. Porque quando ele consegue invadir a membrana basal, aqui dentro, aqui embaixo, está cheio de vaso sanguíneo. Aí ele penetra dentro de um vaso sanguíneo, aí acabou.
Porque ele deixou de ser uma doença localizada para ser uma doença sistêmica. Aí você não sabe onde vai parar no cérebro, na ponta do dedão, no pulmão, em qualquer lugar. Isso que é metástase chamada.
Exatamente, isso que é metástase. Agora, o que está acontecendo com a medicina? Ela está focando cada vez mais em diagnóstico precoce. Ou seja, pegar o câncer na fase in situ.
Então, o que aconteceu com o câncer do colo uterino? Todo o país que adotou o Papa Nicolau como exame obrigatório na mulher que vai ao posto de saúde, teve uma redução de 70% na incidência do câncer invasivo. Por quê? Porque detectou inicialmente, tirou, acabou. Aquela mulher vai morrer de outra coisa, não tem nada a ver com o câncer.
Claro, você curou a paciente quando você detectou o carcinoma in situ. Então, a sua pergunta é assim, o que nós temos que fazer é, enquanto a gente não descobrir a causa do câncer, como eu falei, a gente tem que lutar para fazer uma luta contra o câncer diagnóstico precoce. Ou seja, antes que ele conseguiu invadir a membrana basal.
E aí você cura o paciente através de um procedimento cirúrgico. Você entendeu? Ele não tem a cura do câncer ainda, mas pelo menos consegue ajudar nesse sentido de, quanto mais cedo for o diagnóstico, mais alta é a chance de cura, que a pessoa tenha uma vida considerada normal, que volte a todas as atividades de uma forma mais normal. Mama é a mesma coisa.
O câncer de mama, ele começa com uma celulinha também, aí ele vira um carcinoma ductal, chama ductal por causa do ducto mamário. Carcinoma ductal in situ, você tira aquele setor da mama que tem o carcinoma in situ, aí o patologista tem que ir no hospital e o médico combina com ele, olha, eu vou precisar de uma congelação amanhã, 10 horas da manhã no tal hospital. Então, o patologista vai lá, ele tem uma sala dentro do hospital para ele trabalhar, o cirurgião tira aquele setor mamário e entrega na mão do patologista.
O patologista vai para a salinha dele, examina toda a periferia e vê se as margens estão livres, as margens de segurança. Está tudo livre? Está. Pode fechar o paciente.
Não está. Não, tem uma aqui que tem uma pontinha aqui, aumenta aqui. Aí o cirurgião vai lá e aumenta só naquele local.
Aí o patologista examina de novo e fala, agora o que? Aí fechou, a doente está curada. É a mesma coisa do colo do útero. Você tirou o colo do útero, cura o paciente.
Não ficou restinho lá. É muito legal como as especialidades se ligam. Inclusive, você escutando uma explicação assim, eu imagino que quem está ouvindo também.
Eu sempre tive vontade de fazer medicina. Me dá uma vontade de novo, sabe, de ouvir assim, como que consegue ajudar a vida de uma pessoa que não tivesse esse nível de tratamento, esse nível de evolução na medicina. Poderia ter um problema muito pior, muito mais grave.
Já que você falou isso, eu quero dizer para você o seguinte. Está uma falta tremenda de patologista no mercado. O laboratório está aberto para você.
Já aproveita, já está chamando. Doutor Alexandre, é importante a gente também falar sobre, tem alguns tipos de cânceres que a gente pode falar que são só hereditários? Olha, existem algumas condições genéticas que faz com que o paciente já nasça com alguma alteração no seu DNA, que ao longo da sua vida ele tem um risco maior de desenvolver um tumor. Então, existe uma condição que altera um gene importante de controle do ciclo celular, que é o gene p53, que alguns pacientes que já nascem com esta variante, os genes estão aos pares, geralmente tem uma cópia alterada, esse paciente tem um risco aumentado de ter alguns tipos de tumores.
Existe uma condição que é a síndrome de Lifraumene, que também é importante e tem que ser estudada do ponto de vista familiar, que são vários tumores que podem acontecer por variantes no gene p53, por exemplo. Então, eu acho que é muito importante, você tocou nesse assunto, a gente ressaltar mais uma vez. Às vezes, o paciente chega com uma história dizendo ah, minha avó faleceu de câncer, meu pai faleceu, e o geneticista, geralmente o médico geneticista que atende esse paciente, ele vai perguntar qual idade seu pai teve câncer, sua avó teve câncer, qual o tipo de câncer, para tentar entender um pouco mais dessa história familiar.
Então, eu volto a frisar que a história familiar é crucial para se pensar em fazer testes genéticos numa pessoa para entender o risco que ela tem e qual o grau de acometimento do ponto de vista de possibilidade de ser algo herdado. Como eu falei, todo câncer tem uma etiologia de alterações no DNA, seja na sequência do DNA ou na funcionalidade do DNA, mas é 5 a 10% que a pessoa nasce com alterações que podem predispor a um desenvolvimento de um câncer. E 90 a 95 está relacionado com o estilo de vida, está relacionado com o que a gente chama de os cânceres que a gente fala que tem uma origem esporádica, não é herdada essa alteração, ela aconteceu justamente no decorrer, no desenvolvimento da vida da pessoa.
Legal. E na questão prática de quando a pessoa faz toda essa trilha, não sei se seria essa palavra, mas que consegue entender tudo da genética daquele paciente, como que isso funciona na prática? O que você precisa para conseguir fazer todo esse direcionamento? Bom, uma vez que o paciente foi triado e foi indicado um teste genético, a gente tem que primeiro entender quais são os genes que vão ser estudados, a gente tem que ter a escolha do teste certo, porque não existe um único teste para se estudar o DNA, existem vários testes, existe perfil de metilação, existe teste que vai ver as mutações de ponto. O que é uma mutação de ponto? É a troca de um nucleotídeo em um gene importante que pode levar a uma alteração, que vai levar a um desenvolvimento de um câncer, provavelmente, ou não.
Então, ter uma mutação não significa que eu tenha necessariamente uma predisposição maior ao câncer. Então, o estudo genético é crucial. Então, tem testes que vão avaliar o número de cópias dos genes, tem testes que vão ver essa sequência, que vão ver se o gene está ligado ou desligado, silenciado ou ativo.
Então, existem os mais diferentes testes, as mais diferentes ferramentas que podem e devem ser utilizadas para se investigar um paciente quando ele busca efetivamente entender o seu risco, e não só isso, né? Pacientes que já estão com câncer, é muito importante o teste genético, até mesmo para ditar a conduta terapêutica. Então, os cenários são os mais diversos possíveis, e aí, passar com o médico geneticista é importante, passar com a gente do laboratório, do laboratório de genética, também faz todo sentido para que a gente juntos, né? É uma equipe multiprofissional que trabalha, é o patologista que me passa o dado do anátomo patológico, é o médico geneticista que me manda a história familiar, me manda qual o gene e quais são os testes que ele acredita que devem ser realizados, e a gente no laboratório, vendo a hipótese diagnóstica, os genes, a gente faz o melhor método diagnóstico para dar o melhor resultado. E aí, com o resultado em mãos, esse paciente retorna ao seu médico, que vai ter condições de dizer se ele tem um risco aumentado, um risco diminuído, como que essa história vai ser conduzida.
E nós do laboratório, e até mesmo o pessoal da genética médica, está sempre à disposição para fazer o aconselhamento genético e conduzir aí um melhor tratamento e uma melhor qualidade de vida para o nosso paciente. Acho que é o que a gente busca, dar melhores condições sempre. Com certeza.
Eu vou dar uma pausinha, só para a gente chamar aqui o vídeo do laboratório Origem, para vocês entenderem melhor como funciona. E a gente já volta aqui um pouquinho com a nossa conversa. Bom, então agora voltando, eu vou conversar um pouquinho com vocês sobre a parte prática desses exames.
Como que as pessoas fazem, né? Qual é o elemento desse paciente? E a pergunta que não quer calar, dói fazer algum desses exames? Vamos lá. Se você está buscando alguma alteração na linhagem germinativa da pessoa, aquela característica que você quer saber se foi herdada ou não, se a pessoa tem um risco maior, você pode coletar mucosa oral, você pode fazer coleta de sangue, você vai fazer um estudo, como se diz, da linhagem germinativa do paciente. Então, qualquer tipo de material biológico que você tem em mãos, você consegue estudar o genoma, desde que seja, lógico, uma célula nucleada, que tem a núcleo, que tem os cromossomos, a gente consegue fazer esse estudo.
Então, mucosa oral é muito utilizada, a saliva, o sangue periférico, então são amostras que, para estudo germinativo, são muito utilizadas. Quando você tem ali um paciente que tem, por exemplo, tumor de mama, câncer de mama, como o professor Grimaldi comentou aqui, você tem lá o bloco do tecido da mama que foi retirado para fazer o estudo histológico. Você pode fazer um corte desse tecido para ver molecularmente e citogeneticamente se tem alteração na mama, no tecido que foi operado, onde foi feito o diagnóstico do câncer.
Então, existem situações que, muitas vezes, para se fazer um diagnóstico molecular de uma pessoa que está com câncer, o tecido é muito interessante para se entender qual é a variante que tinha naquele tumor. Agora, para estudo de probabilidade, na linhagem germinativa, você pode trabalhar com saliva, mucosa oral e sangue de forma muito tranquila, uma coleta simples. Legal, a gente já tinha conversado, né, doutor, disso de que só uma saliva, até o senhor falou, faz, que é legal, é interessante.
No próximo episódio, inclusive, eu já vou trazer o meu feedback aqui de como foi. Mas, um detalhe importante, isso demora para a pessoa saber? Ela faz ali esse teste, o da saliva, pelo que eu entendi, o da saliva é o mais simples nesse primeiro passo. Isso, quando a pessoa não tem nenhum tipo de diagnóstico, é saber para uma prevenção, esse é o primeiro passo.
Quanto tempo que demora? A partir dos 30 anos que o senhor citou, que é uma idade ali mais recomendada para a pessoa fazer, quanto tempo ela consegue ter o lábio na mão? 15 dias. De 15 a 20 dias, o resultado fica pronto. E você vai ter um panorama geral ali.
Agora, é importante, às vezes a pessoa não sabe, Letícia, o Alexandre, é assim, todas as células do nosso corpo têm o mesmo genoma. O genoma é igualzinho. Os 21 mil genes que ele falou, eles estão na pele do pé, estão na íris do olho, eles estão na saliva.
Por isso que é fácil você pegar a saliva, não dói nada, é só pegar a saliva e ele faz o exame ali e você vê a constituição do paciente. Agora, o que ele estava dizendo de paciente com câncer, onde você vai analisar aquele câncer específico, então você pega aquele, lembra que eu falei da biópsia? Então, a biópsia, eu falei que a gente entregava para o técnico, no dia seguinte o técnico trazia uma lâmina. Tem todo um processamento técnico nesse ínterim, onde ele faz o tecido ficar incluído num bloco de parafina, num pedacinho assim, como se fosse uma caixinha de fósforo, onde numa das superfícies você tem ali a biópsia do paciente.
Aquilo ali chama bloco de parafina. Então, como é que ele faz a lâmina? Ele põe num aparelho chamado micrótomo. Micrótomo é micros, pequeno, tomos, cortar.
O que é o micrótomo? É um aparelho que corta uma fatia bem fininha, de 3 a 5 milésimos de milímetro, chama micro, um micro, 3 micro, que é uma palavra em grego, então o plural é a. Micro não é microns, é micron e micra, o plural. Então, por que tem que ser fininho assim? Porque aí ele pesca numa lâmina, ele pesca numa lâmina, ele corta nesse aparelho, coloca num banho-maria, assim com uma água a 37 graus, aí aquele corte estica, aí ele vem com uma lâmina de vidro e ele pesca um fragmento. E aí ele espera secar, e aí vai fazer a coloração.
Aí ele vai fazer a coloração e usa dois corantes basicamente, um pra corar o núcleo da célula, outro pra corar o citoplasma. E aí o patologista, quando ele vai examinar, por que tem que ser fininho? Porque o microscópio, a lâmina é colocada na platina do microscópio e a luz vem de baixo. E o olho do patologista não está aqui em cima? Então tem que ser fininho, porque a luz tem que atravessar aquele tecido.
E ele atravessa o tecido e projeta na nossa retina. E a gente está, fez a residenciamento, está preparando pra interpretar aquilo lá. Então o que ele faz? Ele pega aquele bloco de parafina, em vez de fazer essa coloração, ele faz um rolinho assim e entrega pro geneticista.
O geneticista põe num aparelho e o aparelho vai fazer o sequenciamento daquele tumor. É tudo muito específico, né? Precisa ser tudo muito ali preparado, parece ser uma coisa bem... É uma obra de arte. Uma lâmina, um genético, é uma obra de arte.
É você desenhar, você põe uma tintura aqui, o outro ali, não ficou bom, se apaga, faz de novo. Essa é a vantagem de você estar no laboratório, que você pode repetir, pode fazer de forma diferente, até ter certeza do diagnóstico. E é legal que quem está acompanhando com certeza está percebendo que os olhos de vocês brilham quando vocês estão falando desse assunto, né? Dá pra ver que vocês realmente gostam e é uma explicação muito esclarecida, muito didática mesmo pra quem não é da área da saúde, que eu volto a dizer que é o nosso principal foco aqui, né? Que é esclarecer pra quem tem dúvidas, pessoal leigo da medicina, claro que tem alguns médicos que acompanham também, que eu já vi alguns comentários, mas pra quem tem dúvida do lado dos pacientes, né? Doutor, o senhor citou no começo, antes da gente começar a gravar, que tem as formas das leituras, né? Dos exames, tem a forma mais, tem até um nome aqui que eu pesquisei sobre a forma de interpretar um teste genético, que fala do lado positivo e negativo, mas também tem algumas variantes específicas que o senhor é o responsável por direcionar nesse sentido.
No núcleo genético. Isso, como que funciona? É, o núcleo genético, ele é um teste que ele vai identificar os polimorfismos que o paciente tem, depois o Alexandre vai explicar o que é um polimorfismo, mas é uma pequena mutação, só que tem um detalhe, Letícia, qual é o detalhe? É que os genes nossos, eles produzem as nossas proteínas, então, por exemplo, pro suco gástrico ser produzido, ele não tem só ácido clorídrico, ele tem várias enzimas, todas elas são proteínas, essas proteínas são os DNA, são os cromossomos, quando o DNA vira um RNA, o RNA comanda a fabricação de uma proteína, então se você tem um polimorfismo aqui, uma alteração aqui mesmo pequenininha, vai manifestar no RNA e vai produzir uma proteína diferente, então você, por exemplo, vitamina A, vitamina A é uma vitamina que todo mundo tem que ter um mínimo diário na sua alimentação, a gente identifica nesse exame que a pessoa tem deficiência de vitamina A, ou seja, ela tem um polimorfismo que impede o betacaroteno de se transformar em vitamina A, porque o betacaroteno mediante uma proteína que é uma enzima vai virar vitamina A, se esse paciente tem um polimorfismo que não transforma o betacaroteno, ele vai ter falta de vitamina A, então aí no exame vai sair uma recomendação para você tomar mais vitamina A, através de fontes alimentares e de outras fontes, para você equilibrar o que o seu corpo precisa para poder viver com a vitamina A normal. Legal, doutor, quer complementar? Então, o que o professor Grimaldi comentou é muito interessante, porque existem testes que estão relacionados com o estilo de vida, aí saindo um pouquinho de um teste para diagnóstico de câncer, como o professor comentou no trigenético, que ele é um teste que ele traz aí algumas variantes, alguns polimorfismos, que são algumas variantes no nosso DNA que tem uma certa frequência populacional, que elas podem estar relacionadas com predisposição também.
Então, a gente sabe que esse estudo ele pode fazer com que o paciente tenha uma melhora na sua qualidade de vida, uma vez que ele tem um resultado em mãos e passa com uma nutricionista, com um neutrólogo, que pode ditar uma dietoterapia de forma mais assertiva, de acordo com o perfil genético deste paciente. Então, é um teste muito interessante, porque ele está aí para fazer essa questão da qualidade de vida dos nossos pacientes, que é o foco da origem, né? Melhorar a qualidade de vida e bem-estar. Então, acho que é muito interessante também.
Com certeza. Agora, eu quero fazer uma pergunta antes da gente ir para o mitos e verdades, porque até esqueci de comentar com vocês no início, para quem já está acostumado aqui acompanhando o Mato Caste, a gente faz, eu pego perguntas que estão em alta nas redes sociais, que são aqueles trendy topics, que as pessoas mais comentaram, e trago aqui para o assunto que a gente está comentando, que a gente está tratando. Antes disso, eu queria saber sobre as limitações agora desses testes genéticos.
O que vocês podem falar em relação à dificuldade até mesmo de um oncologista de ter esse acesso, de aplicar isso na vida da pessoa? E também relacionado, acho que pode ficar essa pergunta para você, doutor Alexandre, e para o doutor Grimaldi, a questão do acesso mesmo, né? Em questão de sistema único de saúde, como que as pessoas podem trazer isso para a realidade? Porque eu imagino que todo mundo ficou interessado em fazer. Então, o que você está tocando nesse assunto é muito importante. A gente teve uma alteração no hall da NS, então hoje os planos de saúde, eles têm aí um, que a gente fala de um fluxograma para cobrir esses testes genéticos, não são testes relativamente baratos, mas são testes importantes que vão fazer, sim, com que o paciente tenha um diagnóstico assertivo e com isso, lá no final, você tem até do ponto de vista econômico, é muito importante você ter o diagnóstico e tratar de forma mais adequada.
Então, hoje o hall da NS, ele cobre uma série de exames voltados para o diagnóstico genético em câncer, e nós sabemos que, até mesmo no nosso sistema único de saúde, alguns testes também, eles têm uma certa cobertura, por exemplo, aqui em São Paulo, você tem teste de cariotipagem que pode ser realizado, você tem alguns testes de mutações específicas que você consegue de alguma forma também fazer, às vezes as universidades têm seus protocolos de pesquisa onde os pacientes acabam sendo atendidos também, então existe uma série de formas onde esses pacientes conseguem realizar os seus testes. O mais importante ressaltar é que existe um fluxo, esse fluxo hoje para a cobertura dos planos de saúde, ele tem que ser seguido para que o paciente tenha acesso ao teste genético para câncer, por exemplo. Então, a história familiar, como eu comentei, então é um paciente que tem um risco aumentado, que tem ali uma série de fatores, ah, o teste tem cobertura, então tem um canal dentro das portarias do Ministério da Saúde, junto com a ANS, que tem essa cobertura.
Legal. Dr. Grimaldi, o senhor como proprietário, dono de um laboratório tão grande e relacionado a esse tipo de prevenção, o que o senhor tem para avaliar nesse assunto? Ali não é um laboratório grande, é um laboratório pequeno. Ele é um laboratório pequeno, mas a gente está crescendo pouco a pouco.
Agora, o convênio, eles relutam em aceitar porque o exame, como o Alexandre falou, ele tem um custo e o custo não é barato. O custo não é barato. Aí o pessoal pensa que a gente nada em dinheiro, mas na realidade não é isso.
Todos esses insumos são comprados e importados, nós não temos aqui no Brasil. Então é tudo importado, o dólar aumenta ou alguém faz um comentário, o dólar dispara para cima, a gente é que sofre porque a gente vai ter que pagar o valor do dia. Então a gente procura facilitar o máximo para o paciente e a gente manda uma carta para cada exame novo que a gente prepara e deixa pronto, a gente manda uma carta para alguns convênios que nós temos mais intimidade, somos credenciados a gente manda uma carta oferecendo aquele exame dizendo quais são as vantagens principalmente de prevenção porque o tratamento do câncer também é caríssimo então seria vantagem para o convênio pagar todos os exames moleculares de câncer porque esses exames vão evitar que o câncer vá para frente e depois ele tem que gastar em quimioterapia radioterapia, imuno é muito mais caro mas a gente depende do convênio agora o que a gente faz no laboratório é assim, a gente tem um lema assim, a gente não deixa de fazer o exame por causa de dinheiro porque a gente facilita no cartão 12 vezes, faz o que o doente puder oferecer a gente faz porque a gente quer fazer o exame a gente investiu e a gente quer fazer o exame no sentido de beneficiar o paciente Importante também, Letícia e professor Bermelde ressaltar que nem sempre um resultado de um teste um primeiro teste que foi feito negativo, significa que acabou a investigação porque sobre limitações dos testes cada teste consegue enxergar o DNA de uma forma enxerga algum ponto específico uns vão enxergar a metilação outros vão enxergar se tem variante de ponto, outros testes enxergam se o gene está duplicado está deletado, então um único teste nem sempre vai poder dar um diagnóstico para um paciente muitas vezes o paciente tem que fazer um teste dois testes, muitas vezes isso é realizado no laboratório por isso que o escalonamento diagnóstico e o fluxo da conduta é muito importante, então mais uma vez um teste negativo nem sempre significa que acabou a investigação, ah, deu negativo, não preciso mais continuar investigando, porque eu fiz um teste, por exemplo, para ver se tem uma mutação de ponto, ah, mas eu tenho que ver se a metilação do DNA está adequada eu tenho que ver outros fatores que envolvem os nossos genes para sim chegar a uma conclusão e poder dar um resultado mais adequado para o nosso paciente e o mais importante também que a gente não pode deixar de destacar que às vezes a pessoa recebe um negativo para uma determinada doença, mas também é importante manter aquilo da qualidade de vida que a gente estava falando justamente porque todos os assuntos que a gente traz aqui no podcast sempre, quando chega na parte da prevenção, sempre toca nesse ponto de exercício físico de alimentação, então tudo o resto que a gente cita aqui de problemas e que outros especialistas trouxeram a forma sempre de prevenção cai na mesma linha, né, do estilo de vida que é um conjunto uma vida saudável é sempre importante exatamente, bom vamos agora para o mitos e verdades porque passou tão rápido aqui o nosso tempo que a gente já está nos 10 minutos finais da nossa conversa, pois é o primeiro, alguns a gente até já citou mas é importante porque são os mais comentados nas redes sociais e na internet, primeiro apenas as características físicas são hereditárias, vou passar de um para um, tá, então pode responder primeiro doutor quando você tem a sua constituição genética, você recebeu 50% da sua carga genética do seu pai e 50% da sua mãe, então os seus genes esses seus cromossomos, os 46 cromossomos das nossas células humanas eles tem metade de carga do pai e metade de carga da mãe então todas essas proteínas que vão ser produzidas para o bom funcionamento do seu organismo vem de uma carga genética que você recebeu, né, então a gente não tem só a cor do olho, não, mas a produção de insulina a produção de melanina uma série de outros fatores de funcionamento vem da carga genética que você recebeu do seu pai e da sua mãe legal, próxima pergunta doutor Grimaldi, as características hereditárias não mudam ao longo da vida? não, eu acho que não o que muda, o que, tem uma coisa importante chamada epigenética que o Alexandre já falou mas talvez seja melhor a gente olhar de outra maneira, é assim, ó por exemplo, faz de conta que você herdou um gene da sua mãe para ter câncer de tiróide, vamos imaginar aí o que sempre você vai ter? não, depende da epigenética, depende do meio ambiente onde esse gene está localizado para você ter ou não esse câncer, então todo mundo achou que o gene era a fase final era a resposta final, mas agora a gente viu que não é, agora é a epigenética tem mais um, eu acho que quando descobrir a epigenética vai ter um outro que vai também colocar mais uma pimentinha no nosso molho então é isso aí é epigenética, respondido 3 os genes são o único fator determinante nas características hereditárias? os genes na verdade eles respondem por uma pequena parte do nosso DNA, então muitas vezes você tem lá no seu DNA regiões de regulação de expressão de genes que vão também de certa forma modular como esse gene vai funcionar então não são só os genes que importam, é o nosso DNA como um todo porque antigamente se achava que o que não é gene não serve para absolutamente nada, hoje a gente com bastante conhecimento de genoma sabe que a história não é bem essa, então o nosso DNA tem regiões que modulam a expressão de genes, tem regiões que não são gênicas, mas que são importantes sim para uma série de funcionalidades dos nossos genes que vão gerar aí as nossas características por exemplo você falou um termo de modular tem um termo sinônimo que é codificar que é uma coisa que é muito ocorrente é codificar e as vezes a pessoa não entende o que é codificar, então o RNA codifica codifica a proteína que vai ser produzida pelo corpo 5, doutor, mudanças físicas são transmitidas de geração em geração? eu acho que não o que você acha Alexandre? essa pergunta, por exemplo, se eu estou aqui com esse meu perfil físico vou lá, faço academia meu filho vai nascer com características não, o que você vai adquirindo a sinceridade é boa, hein? eu vou dizer uma coisa extremamente importante eu estou aqui, Alexandre sou exposto a radiação ultravioleta e desenvolvi um tumor na pele qual a chance de um filho meu ter esse tumor se a variante no DNA está na minha pele? ele não tem chance de ter esse tumor, ele não tem chance por outro lado, se eu tiver uma alteração nas minhas células gametogênicas, lá na gametogênese nos meus espermatozoides meu filho pode receber esta alteração porque o que vai formar o embrião é a fecundação do ovócito pelo espermatozoide que vai formar o embriãozinho, então se eu tenho alterações que estão na minha linhagem da gametogênese nos meus espermatozoides ou a mulher no ovócito, os filhos podem receber esta informação genética alterada, e aí sim vem a questão da hereditariedade até mesmo pra predisposição ao câncer, mas se é um câncer que aconteceu porque eu fumei e eu fiquei ali, o meu pulmão, câncer de pulmão por exemplo, câncer de assoalho de boca, um câncer de pele esses cânceres que eu adquiri essas variantes no DNA ao longo da minha vida, essas eu não vou transmitir pra minha prole uma coisa interessante, ele falou em espermatozoide de óvulo, um trabalho que saiu recente agora mostrando que eu aprendi na faculdade acho que muita gente aprendeu que o espermatozoide mais ativo, mais forte é aquele que consegue chegar e penetrar no óvulo, né? lei do engano a mulher é que escolhe, o ovócito é que escolhe qual é o espermatozoide que ela vai deixar entrar nela.
Ah, no final então não é aquela corrida que todo esse daí foi um grande mito, que não estava na lista de perguntas, mas que com certeza vai render um corte vamos tirar esse mito, porque é a mulher que escolhe o espermatozoide que vai fecundar o óvulo dela. Legal saber disso, espero que o meu escolha bem agora eu vou para as perguntas não tão relacionadas a genética, mas ainda assim câncer. Pessoas de pele negra não tem câncer de pele, doutor? Tem, claro que tem com menor intensidade, mas tem e é muito mais difícil o diagnóstico.
O câncer de pele é o câncer mais frequente que existe na espécie humana, é o carcinoma basocelular é um câncer de pele que tem uma malignidade só local ele nunca dá metástase. Agora se você não tirar, geralmente ele aparece no rosto, pode ser no braço também, e se for na órbita ele pode crescer e ir invadindo pouco a pouco pessoas que não cuidam da saúde vão ao médico e são pessoas que não cuidam e aí acaba ficando a coisa complicada, mas o câncer realmente perigoso de pele é o melanoma que chama, que é uma alteração do melanócito. Então esse câncer para ser reconhecido no negro é muito mais difícil porque o negro ele não aparece praticamente, a não ser que ele cresça forme uma área sobrelevada e assim por diante.
Então tem um perigo ali elevado, né? Implante de silicone pode provocar câncer de mama? Bom, não é a minha não é a minha especialidade Terei que chamar o doutor Fernando aqui Eu vou dizer que eu realmente não tenho esse conhecimento se tem algum risco. Eu lembro dele ter respondido que não Sabe de alguma coisa, professor? Saiu um trabalho há pouco tempo mostrando uma correlação entre prótese mamária e linfoma, que é um tipo de câncer no sistema linfóide mas é muito raro é muito raro e o autor mostrou lá que tem uma determinada relação entre a prótese mamária e aquele tipo de câncer mas é bem raro É, eu acho que eu lembro do doutor Fernando, o nosso cirurgião plástico aqui da clínica que fala bastante sobre isso, inclusive a gente deixa o link para quem quiser ver especificamente sobre câncer de mama, tem um episódio também sobre implante de silicone Os alimentos preparados no microondas podem provocar câncer? Olha o microondas ele provoca uma série de alterações nos alimentos Pra quem mora sozinho igual eu É complicado, mas você pode eu substituir na minha casa, Letícia por um forninho um forninho elétrico, entendeu? Leva um pouquinho mais de tempo Poxa, mas o que é em relação a sua saúde? Vale a pena você olha, tem um forninho que eu comprei faz uns 10 anos já e eu transformei o meu microondas num vaso eu pus terra lá e plantei uns negocinhos, mas esse forninho, você liga rapidamente ele esquenta sua comida e aí não tem esse perigo Porque a radiação O risco existe Todo nódulo ou tumor será um câncer? Não Isso com certeza não Por isso que o estudo histológico, o estudo genético ele é importante pra você entender melhor porque existem tumores benignos e tumores malignos, então existe essa diferenciação no tipo celular, no tipo de variante que acontece naquele gene que sim, de acordo com a caracterização histopatológica e caracterização genético-molecular você pode dizer, esse aqui sim é um tumor maligno, é um câncer e esse aqui não, é um tumor benigno Então isso é muito importante, nem todo nódulo vai ser um câncer A palavra nódulo já assusta pra muitas pessoas Um tumor pode ser causado por um trauma? Essa eu fiquei na dúvida Não há nenhum relacionamento, existe inflamação Quando eu aprendi na faculdade, era duvidoso se uma inflamação crônica poderia levar a um câncer, hoje é certeza Uma inflamação crônica você não pode ter uma inflamação, às vezes você sabe que tem uma inflamação crônica e você vai postergando postergando, postergando e não vai atrás Isso é uma possibilidade de você evoluir um câncer de uma inflamação, agora trauma não Tá, importante esclarecer. Nossa última pergunta Mulheres que fizeram esterectomia que é a retirada do útero não precisam fazer exame de PAPA, Nicolau? Aí, eu acho que é extremamente importante entender o que foi como foi feita essa remoção Se é uma esterectomia total, uma esterectomia parcial Então, isso realmente é muito importante, porque isso também é um mito.
Ah, eu fiz agora uma esterectomia não preciso mais fazer nenhum tipo de exame ginecológico Isso também não é verdade. Até se o professor quiser complementar Então, o problema todo do câncer do colo uterino, ele é no colo do útero Então, se você tirar, fizer uma esterectomia total, como ele estava dizendo corpo e colo você tira, não há necessidade mais de fazer PAPA, Nicolau PAPA, Nicolau, agora você precisa fazer a consulta para ver se é o ovário, como é que está para ver a tuba, para ver se está tudo ok Agora, em relação ao câncer do corpo, que é o câncer de endométrio que é muito grave e o câncer de colo uterino esse não vai ter, porque você tirou a fonte você tirou a fonte então você não vai ter câncer daquele tipo mais Quando que faz esterectomia só o corpo uterino? Em condições especiais geralmente o médico faz a esterectomia total, o ginecologista em geral, a não ser que haja uma indicação precípua para aquele caso, ele tira só o corpo uterino, mas em geral é tirado o útero todo, ou então só o colo do útero, quando a paciente tem um carcinoma incito como eu já falei, o carcinoma incito você tira, examina ficou provado que não tem nenhum foco invasivo ali não precisa mais fazer paparicolau para câncer de colo uterino São especialidades as duas que precisa saber um pouco de tudo tem um pouco de cada de outros especialistas também que a gente trouxe, para quem sempre acompanha vai lembrar de algum assunto que vocês citaram que está relacionado a outra Você sabe que a patologia Letícia, é assim, quando eu entrei na faculdade de medicina, eu queria ser psicanalista porque eu tinha visto um filme sobre o Freud, com um ator chamado Montgomery Clift e eu fiquei encantado faz tempo isso aí, em 1964 eu fiz o vestibular, e aí eu entrei com toda vontade de ser um psicanalista, o que o psicanalista faz? Ele só conversa com o paciente, o que o Freud a escola de Freud só conversa aí, e na primeira aula eu já tive uma aula de anatomia onde o professor Renato Locke ele descobriu o cadáver e eu vi e a gente tinha que estudar o cadáver aí em seis meses eu já não queria mais, eu queria ser cirurgião aí fui um ano e meio quando chegou no segundo ano eu tive a primeira aula de autópsia e aí na aula de autópsia o professor falou olha, era uma paciente uma velhinha, ele falou o que você já, a paciente estava toda amarela, ectérica então devia ser alguma doença hepática doente para a pessoa ficar amarela, aí o professor falou bom, você, o que você acha? bom, agora vamos ver o que é mesmo aí ele abriu e a gente viu, ela tinha um câncer no fígado então eu falei nossa, aí eu falei, professor é assim que funciona a patologia? ele falou, é mas eu quero saber logo o que é eu não quero ser clínico, cirurgião eu quero ser, aí eu virei patologista mas a vantagem da patologia é que ela dá uma base geral de várias especialidades, porque todas as especialidades pedem exame para a gente, então é cirurgião plástico, é urologista é neurocirurgião é pneumologista todo mundo pede exame então a gente é obrigado a ter uma visão meio geral da medicina com certeza, aí a sua escolha, doutor como é que foi? desde que eu escolhi fazer biomedicina eu já queria genética desde o começo e eu fui fazer genética médica e citogenética no hospital do servidor público estadual, e lá eu entrei em contato com vários médicos geneticistas com o time da citogenética e aí a paixão pelos cromossomos já vem desde a época do colégio eu digo que tem um professor do colégio professor Claudio, que é onde eu estudei que ele era o geneticista e ele dava aula pra gente começou a falar de Azão, Azinho eu lembro do Azão e Azinho na escola que mundo é esse? que mundo é esse? e aí na faculdade eu comecei a estudar genética fui monitor de genética fiz iniciação científica fiz minha pós-graduação em genética médica e citogenética segui na genética fazei meu doutorado em citogenômica nessa área mais específica eu sempre trabalhei com doenças raras então as doenças raras sempre foram a menina dos olhos cuidar de pacientes raros cuidar de pacientes fazer exames de pacientes raros sempre foi o nosso nicho, o meu nicho e você ter um paciente que você tem que pensar qual o melhor teste pra ele o que você pode fazer pra ajudá-lo no ponto de vista de fazer um diagnóstico mais assertivo isso pra mim sempre foi o mais interessante cada paciente é uma pesquisa nova é um novo paciente, é um novo cenário porque muitas vezes os pacientes possuem fenótipos que é a manifestação física dos genes, vamos assim dizer ele tem o mesmo fenótipo porém o estudo genético dá variantes diferentes desenvolvendo genes diferentes porque o fenótipo na verdade não é o mesmo ele é muito semelhante mas estudar o genoma desse paciente faz com que você entenda e a gente faz o que a gente chama de relação genótipo-fenótipo você estuda o genótipo tendo o fenótipo do paciente você cruza ambos e você dá um diagnóstico correto a genética sempre esteve presente na minha vida desde a época de colégio e aí até hoje é a menina dos olhos muito legal, realmente dos olhos porque como eu disse, os olhos brilham quando vocês falam do assunto quero agradecer a participação de vocês foi um papo super esclarecedor vou pedir para vocês passarem as redes sociais porque alguém que tiver alguma dúvida específica quiser a especialidade de vocês já pode procurar diretamente, doutor pode falar arroba paulo grimaldi o meu é arroba alexandre.torquio torquio com ch conto com a participação de vocês aqui em outros episódios outros assuntos, muito obrigada e eu vou pedir para você também que está acompanhando se ficou alguma dúvida desse assunto ou tem alguma sugestão para a gente trazer tanto o doutor alexandre como também o doutor grimaldi que pode voltar vai voltar, já ia dar um spoiler aqui no nosso próximo episódio que vai voltar no nosso próximo episódio para falar também de um tema muito interessante daqui a pouco vocês vão poder acompanhar mas se tiver alguma outra sugestão vocês podem comentar aqui podem mandar nas redes sociais dos doutores e a gente está sempre de olho peço para que vocês também curtem compartilhem e enviem também os vídeos para todo mundo que tem alguma dúvida relacionada a isso alguém que pode se interessar nesse assunto que é muito importante para a nossa divulgação muito obrigada e até a próxima, tchau
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