Pular para o conteúdo
Amato Podcast Amato Podcast
Saúde Com Propósito: Como Liderar Sem Esquecer das Pessoas | Ep. 74

AmatoCast, episódio 74

Saúde Com Propósito: Como Liderar Sem Esquecer das Pessoas

1 h 4 min

Com Letícia Miyamoto e Dr. Celso Sintra

0:0001:04:22
Baixar

Neste episódio

O Dr. Celso Sintra, pediatra que se tornou executivo da indústria de produtos médicos, conta sua transição da medicina para a gestão. A conversa aborda o impacto da tecnologia e da inteligência artificial na saúde, o papel da indústria no acesso a cuidados de qualidade, sustentabilidade, gargalos do sistema de saúde e a importância da empatia na liderança.

Sobre o episódio

O que acontece quando um pediatra se torna CEO de uma das maiores empresas de soluções médicas do mundo? Descubra na entrevista inspiradora com o Dr. Celso Sintra, do grupo Sigvaris, no novo episódio do #AmatoCast. Tecnologia, saúde e futuro se encontram aqui! 👉 Assista agora!

Neste episódio do Amato Cast, Letícia Miyamoto conversa com o Dr. Celso Sintra, CEO da Sigvaris, sobre a interseção entre saúde e indústria. A conversa aborda sua transição da medicina pediátrica para a gestão executiva, o impacto da tecnologia na saúde, especialmente com o avanço da inteligência artificial, e o papel da indústria na ampliação do acesso à saúde de qualidade. Dr. Celso também compartilha sua visão sobre sustentabilidade, gargalos no sistema de saúde e a importância da empatia na liderança.

Compartilhe: WhatsAppTelegramXLinkedInE-mail

Transcrição

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato. E agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios, nós recebemos convidados especiais e conversamos sobre temas importantes. Inclusive, no último, foi sobre o processo de judicialização na saúde. Antes, sobre saúde e Pilates. Hoje, novamente, nós recebemos um convidado especial aqui no AmatoCast, que é o doutor Celso Sintra, que é CEO da Sigvares, e também vai conversar com a gente hoje sobre saúde e indústria. Vocês já vão entender melhor como que vai funcionar, o que a gente vai poder falar, ele já vai poder adiantar aqui pra gente. Antes, eu vou apresentar quem é, de fato, o nosso convidado de hoje.

Celso Sintra é CEO da Sigvares, que oferece soluções de compressão médica que melhoram a saúde e o bem-estar. Celso Sintra é executivo de saúde, formado em medicina, com especialização em administração de empresas, com MBA internacional pela SPM e vários anos de experiência na área da saúde. Bem-vindo, doutor. Obrigado. Obrigado por me receber. A gente estava conversando aqui antes de começar a gravação nos minutinhos finais, que foi tão difícil marcar com o senhor, que agora eu quero muito que essa conversa valha a pena, que a gente vai poder falar de várias coisas que eu já adiantei na indústria e saúde, mas também já queria começar sabendo um pouquinho sobre a sua carreira, como que foi a escolha. O senhor trabalhou há muito tempo como pediatra, agora está mais já só como executivo da área, mas como que foi a escolha do senhor?

Continuar lendo a transcrição

Sempre quis ser médico? Ah, eu... é, sempre quis ser médico. Desde pequeno, quando eu sentava no divano do meu pediatra, eu olhava pra ele, eu brincava com o estetoscópio e falava pra ele, e ele olhava pra mim, no começo ele achava brincadeira, depois ele começou a olhar sério e falou assim, menino, vai ser médico. E assim foi, e aí eu fui fazer medicina. E aí terminei fazendo pediatria, realmente. E era a sua primeira escolha, a pediatria, ou tinha outra especialidade que te brilhava ali nos olhos? Ah, eu gostava bastante de cardio, cardiologia, mas eu tive um convite pra fazer pediatria, pra fazer uma especialização na França, e aí eu fui pra lá.

E aí era uma delícia, porque o hospital, o serviço, a faculdade era muito boa, era uma faculdade de referência na Europa. E aí eu vi coisas, nós estamos falando também de muito tempo atrás, em 1985, 86, 87, eu vi coisas que nós não tínhamos no Brasil, então foi muito legal, principalmente com crianças muito pequenininhas. Aqui no Brasil, só pra te dar um dado, naquela época, se uma criança nascesse prematura de 1,2 kg, 1,2 kg era, assim, arriscadíssima ela de não sobreviver.

Então, 1,3 kg, você falava assim, acho que vai sair, acho que vai sobreviver. Na França, a gente tirava com 620 gramas, a metade. E isso me fascinou, lá atrás, foi muito legal, porque aí é que eu via a tecnologia adicionada à prática clínica, como podia fazer a diferença. Sim. E aí, aqui no Brasil, o seu trabalho foi mais em clínica, em hospital? Como que era a sua rotina? Então, o meu trabalho foi, quando eu voltei para o Brasil, na realidade, era para eu ter ficado na França. Aí teve uma questão familiar, a minha esposa, naquela época, não queria ficar lá na França.

Aí apareceu um filho, e aí a coisa ficou mais difícil, porque ela queria ter o filho aqui no Brasil, e eu falei, tá bom, vamos voltar. E aí eu comecei aqui, onde dava, eu estava hoje, chegando aqui, no meu primeiro emprego, eu passei na frente, aqui na Rua Pedroso de Moraes, era uma clínica grande, e eles me contrataram como pediatra ali. Depois eu fui para outras empresas, fui da Medial, fui da Rio Bradesco, mas sempre um olhar, eu sempre olhava assim, poxa, o que mais a gente consegue fazer?

O que mais a gente pode fazer, sendo médico? E foi aí que a coisa começou a me despertar outros interesses, porque o médico é muito interessante. Eu digo para todos os bons médicos que um bom médico, ele é muito bom agente de negócio, ele é muito bom solucionador de problemas, a gente é treinado para isso. A gente faz análise do problema, aí a gente propõe soluções, implementa essas soluções e acompanha para ver se a solução deu certo. Isso nada mais é do que o dia a dia de um executivo, não é? É exatamente isso.

E eu olhava meus colegas, quando vinha alguém falando assim, precisa de um chefe de plantão, precisa de alguém para cuidar da parte administrativa, todo mundo saia correndo, e eu olhava aquilo, olhava para um lado, olhava para o outro, eu era muito novo, eu me formei muito cedo, me formei com 22 anos, eu entrei com 16, com 17 eu já estava na faculdade há um tempo. Então, o que acontece, ninguém queria pegar essas coisas, e aí eu tinha uma curiosidade, por que ninguém quer pegar? E eu ia lá e deixou pegar o que eu quero. E aí eu fui entrando nesse mundo administrativo, em paralelo com a clínica, eu atendi as crianças, muitas vezes eu era, sei lá, chefe do ambulatório, depois diretor de hospital, depois diretor de plano de saúde, e aí a carreira foi indo, foi se desenvolvendo dessa forma, até que eu tive que tomar a segunda decisão mais difícil da minha vida, a primeira foi voltar da França, a segunda foi o que eu vou fazer como carreira, porque eu tinha no consultório mães, as crianças, eu gosto, gostava muito disso, mas, por vezes, eu estava no meio de uma reunião, eu recebi um recado de uma mãe que precisava falar comigo desesperadamente, porque o filho estava passando mal, e ela confia em mim, e eu, claro, tenho um afeto pelo paciente, pela criança, e eu via

que aquilo estava me machucando, aí eu tirei duas semanas para pensar, e falei, não, eu tenho que ir para um lado ou para o outro, essas duas coisas aqui não ficam complicadas de fazer desse jeito, e aí eu optei para ir para a parte administrativa, aí eu fui fechando o consultório, encaminhando os pacientes para os outros colegas, e me dedicando cada vez mais à área administrativa na medicina. Então, imagino que seja difícil mesmo essa escolha, porque até citar isso que o senhor falou, que tinha aquele apego de uma forma ou de outra, eu sei que os médicos são treinados também para não ter aquela proximidade tão forte com o paciente, justamente para não ter aquela mistura do profissionalismo com o pessoal, mas na pediatria eu imagino que seja um pouco mais difícil fazer isso, e às vezes também já passa da mãe para o filho, às vezes o filho acaba crescendo, aí tem outro filho, e o filho passa com o senhor depois, tem muito isso, não tem, na pediatria?

É, com certeza, até hoje, de vez em quando, eu encontro uns marmanjos, homens barbados, com filhos e tal, ô tio, lembra, você foi meu pediatra, tá maluco? Tio, né? Que história é essa de tio? É, mas é verdade, mas eu acho, sinceramente, que isso é uma aura que o médico, uma capa que muitos médicos vestem, porque muitas vezes é doído você sentir a dor do paciente, sentir a aflição daqueles que estão perto, mas isso é normal na vida, no mundo corporativo é a mesma coisa, eu acho, como eu te falei um pouco tempo atrás, o médico é treinado para fazer diagnóstico, ele procura, acha uma doença, tem um caso difícil, aí ele faz hipótese de diagnóstico, depois ele faz hipótese de tratamento, opções de tratamento, aí ele trata, e aí ele acompanha para ver se a coisa está dando certo ou não, no mundo corporativo, no mundo das empresas, é a mesma coisa, sabe, na minha vida de executivo, sempre foi assim, bom, a gente tem um problema, como é que a gente faz, analisa o problema, o que pode acontecer, quais são as causas, depois, como é que a gente vai resolver, nada mais é do que um passo a passo, quase que clínico também, por

isso que eu brinco, eu digo, não, o médico é um bom executivo, quando ele se apercebe dessas qualidades que ele tem, e ele não nega aquilo que ele tem realmente de grande valia, que é isso, e não tem como na empresa também, quando você está numa empresa, você até pode ser impessoal e não ter contato nenhum, não ter essa afeição, você até pode, mas, não sei, eu acho que quando a gente tem essa parte também, eu acho que a nossa capacidade de execução é multiplicada, porque quando a gente, muitas vezes, tivemos que tomar decisões duras, com dor no coração, mas sabendo que era, às vezes, melhor naquela situação, um médico não faz, muitas vezes, isso aqui é o remédio amargo, tem que tomar, amargo não ganha, mas tem que tomar, porque senão não vai curar, vai dar a vacina, o bebê vai chorar, vai chorar, vai tomar a injeção, vai chorar, então, e muitas vezes aconteceu, no mundo corporativo, mas, não sei, eu ainda acredito que a gente não precisa ser

gelado e não ter coração, eu acho que a grande virtude de um líder no qual ele tenta compreender a situação de uma forma ampla, ele se entrega sabendo que é possível até que ele sofra naquela situação, naquele desenrolar, mas, ué, isso é, eu não vejo isso um demérito, eu vejo muito mais isso uma característica de coragem, porque, ué, você sabe que vai ser assim, vai ser duro, pois é, mas lá na frente vai ser melhor para todo mundo, vai, então é assim, então pronto.

Como que foi passar para um cargo executivo pensando dessa forma, porque eu converso com muitos médicos, tenho contato fora daqui também, no meu trabalho em reportagens, e não são todos os médicos que pensam dessa forma, inclusive, eu acho que é bem a minoria, pelo menos do contato que eu tive, das pessoas que eu conversei. E como que foi passar para essa parte da área executiva e agora estar numa posição de realmente liderança, numa posição importante, de uma empresa muito grande, como que foi esse processo? Então, como eu falei, eu acho que também foi um processo gradual, eu não me tornei o que eu sou hoje, ontem, eu tenho aí uma jornada de vida, então são mais de quase 40 anos de jornada, a gente aprende, a gente vai se abrilhantando, vai realmente incorporando uma série de coisas, mas eu sempre tive essa teoria, eu sempre tive a teoria de que a gente não precisa ser grosseiro, não precisa maltratar, não precisa...

Eu acho que a maior característica de um líder é que ele seja genuíno, que ele seja... Aquilo que ele fala, ele tem que fazer, ele tem que executar. Porque eu vejo que eu tive sucesso na minha vida, eu acho que foi usando dessa prática. Em inglês, eles têm uma expressão que é walk the talk, o que você fala, você tem que andar. Então, porque é muito fácil para qualquer ser humano perceber que, sabe, estou aqui fingindo, estou aqui falando coisas que eu não sou, não é?

É muito fácil isso, e eu acho que tudo bem, dá até para você fazer, a posição... Quando você sobe no ranking das organizações, você tem a posição que pode eventualmente te ajudar a dizer, não, não, não, aqui, olha, você sabe com quem estou falando, que eu acho péssimo, mas muitos fazem, e aí você não precisa se transformar num líder empático, mas, sei lá, para mim tem dado certo. Sim, e até hoje o senhor pensou alguma vez em voltar? Ele teve aquela vontade de, quero voltar para a clínica, para a pediatria, ainda bate essa saudade nesse nível?

Bate, lógico que bate. Claro que hoje, no atual momento que estou, como a minha carreira se desenrolou, se desenrolou, dificilmente cabe agora a mudança e eu voltar, mas por que não? Daqui a mais alguns anos, eu não pretendo continuar, eu vou me aposentar, vou começar a mudar, diminuir um pouco o ritmo, e eu já conversei até com a minha esposa e falei, olha, quando a gente estiver nesse momento, por que não voltar a atender, até pro bono, voltar a atender por prazer, meu, literalmente meu prazer.

Tentar unir tudo, né? É. E agora, entrando um pouquinho mais também nessa parte do seu trabalho, da prática do executivo, falando um pouquinho de inovação em tecnologia também, a gente queria focar mais na questão da tecnologia, que transforma tudo, não só na parte da saúde especificamente, até que a gente estava conversando antes de começar a gravar sobre como as pessoas conseguem ter realmente acesso de uma forma mais prática, de como aquilo vai mudar realmente a vida daquela pessoa que depende de algo específico, seja um acesso a um médico, a um medicamento específico, né? E como que o senhor enxerga que a tecnologia vai poder mudar de fato essa transformação pra vida das pessoas?

Letícia, eu acho assim, eu falei já agora pra você que saúde não tem preço, a gente fala, né? Mas tem custo. E é gigante esse custo. Porque pra gente conseguir melhorar alguma coisa em saúde, um insumo, um equipamento, qualquer coisa, são anos e anos de pesquisa, são anos e anos de volumes gigantescos de investimento muitas vezes. E aí essa equação fica complicada, porque normalmente quem tem o recurso não é o pesquisador, não é o médico, não é quem está vendo a doença face a face, tem que ter alguém por trás que vai financiar esse tipo de coisa e que vai, óbvio, imagina, vai querer ter um retorno sobre o seu investimento.

Então, é uma equação eu acho que delicada. Eu já trabalhei praticamente acho que todas as posições em saúde. Falta uma. Academia. Penso em ir lá pra frente. Mas em várias dessas situações é muito difícil a tomada de decisão. Por quê? Porque o custo da gente introduzir um novo insumo num sistema de saúde ele normalmente é muito elevado.

E aí se esse custo, se essa situação, se esse custo pode ser um medicamento, pode ser uma nova prática, uma cirurgia, o que for. Isso ele cria um peso no sistema como um todo que é gigantesco, porque todo mundo vai querer e se a gente não disponibilizar também pra todo mundo é injusto. Como é que vai ser essa história? Quem é que vai receber primeiro? É uma questão ética gigantesca. Mas o teu ponto em tecnologia, como eu vejo, é a nossa aliada pra conseguir tentar baratear essas introduções de novas tecnologias, de novos insumos.

Se você lembra há uns acho que 10 anos atrás, ainda a gente usava a máquina fotográfica. Hoje você não usa mais. Só daquela Polaroid pra quem gosta. Isso, mas isso foi uma brincadeira hoje, uma reinvenção porque aquilo era 30 anos atrás, 40. Então, por que não usa? Porque aqui no celular você tem tudo, né? Além do celular, você tem um editor de texto, você tem um computador, você tem a máquina fotográfica, você tem um monte de coisa aí dentro. E concorda que ele ficou barato? Você imagina se ele tivesse que comprar tudo? Você ia estar carregando uma mala com um monte de bugiganga dentro vou ter que passar um fax, ter que carregar um fax. Ele passa fax. E não era todo mundo que tinha acesso também, né?

Porque eu lembro criança que tinha às vezes um telefone por casa e eram as famílias mais ricas que tinham telefone. Nem todas tinham a linha telefônica. Eu sou da época que a gente ter linha telefônica é investimento. Gostava de uma fortuna você ter telefone em casa. O meu celular é um dos primeiros celulares do Brasil. Foi o primeiro lote de 300 aparelhos que eu tonei. Então, eu sempre adorei tecnologia. Eu fui um dos primeiros a usar computador pra botar em planilha as minhas consultas. Guardava as fichas dos meus pacientes no computador. Era muito gozado. Eu fazia muito mais.

Era gostoso. Era legal entender. Entender como funciona. Como é que você tinha que programar. Eram umas coisas muito malucas. Mas... Por que eu estava falando isso? Porque hoje ficou muito barato ter todas essas ferramentas, todos esses devices, todos esses aparelhos dentro de um celular. E isso só aconteceu com o uso maciço de tecnologia. E é aí que eu digo que a tecnologia pode ajudar. Quando ela democratiza, ela pulveriza o acesso, o preço cai. A tecnologia... Eu vejo assim. Toda vez que uma tecnologia sai do analógico e está indo para o digital, ela fica muito barata.

Então, é isso que eu espero que a gente veja na saúde nas próximas décadas. Imagino que o senhor também, nessa transição de... A gente fala bastante sobre isso. Até com o doutor Alexandre. Sobre a mudança que as pessoas veem em determinada faixa de idade. Que ano que a pessoa nasceu. E a mudança, claro. Eu acho que quando eu nasci, eu lembro de fato da máquina fotográfica. Eu lembro dessa questão do telefone, que não era todo mundo que tinha. Algumas famílias tinham, outras não. Aparelho celular, eu lembro que as pessoas começaram a ter aquele BlackBerry, que era o mais famoso na época. Não, BlackBerry era... O primeiro era o StarTAC da Motorola.

BlackBerry já estava mais moderno ali. BlackBerry era muito chique. Quem andava com o BlackBerry, se achava. Você podia mandar mensagem de texto no BlackBerry. E chegava na hora. Eu imagino que para o senhor, essa transição foi ainda maior. Ver essa diferença. Você falou que já era uma das pessoas mais próximas com a tecnologia, dentro da sua especialidade. Hoje, o que tem deve ser uma coisa, se for parar para lembrar, gritante mesmo. A diferença da inovação, da tecnologia no seu trabalho e na prática. De como era antes para o que é agora. Eu acho que todos nós estamos experimentando isso. A tal da IA, Inteligência Artificial. Quem não entende o que é, recomendo ir pesquisar, pelo menos para entender.

Não precisa usar, se não quiser. Mas vá entender o que é para começar, pelo menos, a entender um pouco qual é o arcabouço que está se formando. Eu oriento sempre os mais jovens, por conta também da IA. A IA vai demandar pessoas versadas, eu acho. Você tem que ter um refinamento em vocabulário, em conhecimento. Você tem que ter um pouco de substância dentro para poder escrever bons prompts.

Porque, senão, os prompts que vocês digitam lá no chat de EPT, nos outros e tal, são muito limitados. Ele vai te devolver aquilo. E a gente está ensinando essa grande bola chamada IA. E quando a gente ensina de uma forma muito rasa, ela se transforma em uma coisa muito rasa. Esse é o meu receio. E o que eu sempre oriento é pesquise, saiba formular, saiba escrever bem, saiba fazer um enunciado, porque isso vai criar em vocês uma enorme diferença do outro que digita assim no IA.

E aí? Ele vai entender. Agora, se você quiser uma resposta mais elaborada, uma resposta realmente melhor, ele erra bastante. Ela pede desculpas. Para ser sincera, eu baixei, fui olhar, já sabia como funcionava, mas fui baixar para ver como funcionava semana passada e fiquei assustada. Realmente, é bizarro. Eles mandam qualquer tipo de trabalho pronto. Se você pedir uma redação, vai mandar uma redação. Se você quiser um formato de podcast, vai mandar podcast. Se quiser um formato para televisão, vai mandar para televisão.

Você percebe isso? Isso é louco. E a velocidade que eles mandam aquilo. Pois é. E você sabe, não tem intervenção humana nenhuma. Isso tudo são servidores de servidores e servidores se combinam, se comparam, buscam informações e é coisa de milissegundos e a coisa aparece. Isso é assustador. Por isso que eu digo a gente tem que ter qual é a essência nossa que não vai ser, que vai ser insubstituível. É isso que a gente tem que buscar, porque senão... Ontem eu estava conversando com um cara que é um famoso locutor da toalha.

Locutor em TV, filme e tal. Ele falou, cara, vai acabar. Porque aí ela pega a minha voz, pega a minha inclinação e fica idêntica. Eu não sei quase que separar se sou eu ou se é o... Pegaram a voz de vários apresentadores famosos, sem citar o nome de ninguém, que alguns são da minha emissora do trabalho, mas pegaram a voz e colocaram como se eles estivessem vendendo jogos online, ou alguma coisa específica para as pessoas irem procurar na internet, porque eles sabem que tem muita responsabilidade no que os apresentadores falam. E aí eles tiveram que fazer um anúncio na TV, uma reportagem, falando, olha, não foi a gente.

Eles usaram a inteligência artificial, mas realmente é bizarro, porque não dá para diferenciar quem está falando, se é realmente a pessoa ou se não é. Eles foram e tiveram que fazer, como você falou, eles tiveram que ir lá e fazer um disclaim. E isso foi um vídeo. O vídeo pode ser falso. O vídeo pode ser perfeito e completamente gerado por IA. Isso, para mim, é a grande maluquice. Então, para proteger a essência do ser humano, eu acho que a gente tem que aprofundar onde é que realmente eu sou diferente da máquina. Porque se não, fatalmente essas funções vão ser meio que substituídas.

E até na medicina acontece muito isso, porque já tem até, não envolve a inteligência artificial diretamente, no caso, mas as teleconsultas, por exemplo. Qual é a opinião do senhor sobre que acabou ficando muito... Inclusive, nessa questão social, que a gente fala das pessoas terem mais acesso, a teleconsulta é uma possibilidade. Excelente. O senhor gosta da opção? Espera aí, vamos com calma. Eu gosto da opção de acesso porque, lembra, ela deu um grande boom com essa epidemia que a gente teve, a pandemia, recentemente. As pessoas não podiam sair, não podiam se movimentar. E aí existia essa ferramenta. E as pessoas continuaram ficando doentes. Não existiu só uma doença. E estava todo mundo muito focado em uma doença.

Mas e as outras todas? Então, felizmente, os pacientes conseguiram ter seus médicos, conversar e tal. Mas você falou que a IA na medicina na teleconsulta não é tão profunda nas outras áreas. Imagina, menino. Radiologia, o computador hoje dá diagnóstico melhor do que qualquer médico. Qualquer ser humano. Porque a imagem, hoje em dia, lembra que eu falei, tudo que pode ser digitalizado, isso também foi uma coisa que eu aprendi há muito tempo atrás, lá, lá, lá, quando a internet começou, de um cara famoso, hoje em dia, Chris Anderson.

Ele falava assim, tudo que pode ser digitalizado vai tender a zero em valor. E vai ficar muito fácil de você movimentar o dado. Imagina um exame de ultrassom, um exame de raio-x, um exame de tomografia. Aquilo tudo hoje está digitalizado. Você recebe aí. O médico analisa no monitor. Aquilo lá é uma sequência de zeros e uns. Lembra? O computador é zero e um. Ele monta aquela imagem com uma sequência de zero e um. Aí, você imagina, a filigrana, aquele detalhe microscópico que o olho do médico que está tentando laudar não vê, mas o olho da máquina vê.

E ela compara com um banco de dado, imagina, de todas as instituições de pesquisa, de todas as instituições que já deram algum tipo de laudo, porque os laudos todos estão na internet, estão digitais. Então, ela pega aquele raio-x, ele faz um raio-x de tórax, ele pega os seus dados, fala lá, essa moça tem essa idade, assim, beleza. Olha, ele compara com o mundo. Ele vai comparar o seu raio-x com uma moça lá da Birmânia, na Tasmânia. E para ver se tem algum padrão. E aí, para mim, tem um passo além. Aí que começa realmente o I.A. puro. Ele começa a olhar e fala assim, bom, moça, o cabelo castanho escuro, o olho castanho, tem esse padrão.

E ela, sei lá, começa umas coisas malucas. Calça 36 ou gosta de comer no McDonald's ou em qualquer lugar. E ele faz umas correlações malucas, malucas, mas são correlações que a gente normalmente não iria pensar. Mas aquela correlação permite aquela máquina dizer, então, esse raio-x não está normal, não. Não, mas eu não estou vendo nada, não. Não está. Não está normal. Pode investigar. Porque isso, isso, isso, isso, além do raio -x, eu comparei esse raio-x com a base lá do mundo, estou achando que não está normal, vai investigar, vai fazer uma toma.

Isso é real. Já tem hoje. Então, meus colegas radiologistas, é bom entenderem essa movimentação porque também é bem verdade que são uma série de algoritmos que são juntados, que são as regras, os algoritmos. Quem escreve, muitas vezes, é uma pessoa. Tem que ter um pouco de inteligência. E eu acho que é aí que a gente vai conseguir se valorizar na frente da IA. Então, era exatamente essa a minha próxima pergunta.

Porque o tema do podcast é falar como a indústria pode impactar diretamente nessa questão da saúde, no acesso à saúde que a gente estava conversando. E, apesar de toda essa parte da inteligência artificial, o senhor já destacou também o diferencial que as pessoas, os humanos, tem da máquina, que é justamente pensar de uma forma mais não é íntima a palavra, mas pessoal. Ter aquele realmente aquilo nunca vai ser substituído. Que a máquina pode até tentar se aproximar, mas de uma forma ou de outra aquele contato é um contato de pessoa com pessoa. E de que forma, quais são os próximos passos, na visão do senhor, da indústria para poder ajudar nesse processo da saúde, tornar a saúde cada vez melhor e mais acessível?

Eu acho que a indústria como um todo já percebeu está na pele da indústria essa história que eu acabei de falar que saúde não tem preço, mas tem custo. E ela precisa trabalhar. Todas as indústrias que eu conheço estão trabalhando para redução de custo para justamente aumentar acesso. Porque é uma equação. É muito difícil, quando você tem um custo altíssimo você limita muito a população que tem acesso àquilo. Não necessariamente quer dizer que é a população necessitada, pode ter muito mais gente que precisa daquilo e não consegue. Não consegue pagar, não consegue ter acesso.

Então eu acho que a indústria está nesse caminho. Claro que também tem indústrias que têm que maximizar o investimento dos acionistas. Talvez num nível um pouco mais agressivo. E aí é uma situação que sempre para mim balança muito. Porque até onde a gente realmente tem que fazer tudo pelo lucro? Ou só fazer pelo lucro?

Veja, eu não tenho nenhuma ilusão de achar que eu sou... A empresa que eu trabalho, por exemplo, a gente tem que ter lucro porque o lucro é reinvestido na própria pesquisa, manutenção da empresa e tudo mais. Mas eu acho que é uma coisa, é uma discussão que eu vejo que vai começar cada vez mais a ser pautada. Eu acho que as empresas vão ser analisadas em quanto elas aportam para a sociedade como insumo.

Bom, eu tenho, sei lá, esse insumo aqui, esse medicamento ou equipamento. Eu ponho ele nesse, eu injeto nesse sistema, custa tanto, e quanto o sistema salva? Quanto o sistema economiza por conta desse insumo? Lembra, eu falei para você, eu lá atrás, no começo da minha carreira, eu cheguei a trabalhar no Instituto Pasteur-Merrier, lá na França. Não tinha um breve período, mas eu vi ali o como investir em vacina. Tinha um retorno gigantesco. Você via que aquelas populações não sofriam aquelas doenças que, por vezes, debilitavam, deixavam sequelas, crianças pequenas, sarampo, rubela, chumba, essas coisas, desde criança.

Com certeza, você tomou essa vacina, eu tomei, e isso aí é uma equação para mim de muito bom custo-benefício. A vacina não era assim, cara, e o que ela evita é um problema social gigantesco. Porque quando uma mãe tem um filho com sarampo, com febre de 39,5, 40, ela não vai trabalhar. Ela tem que ficar em casa. Nossa, os filhos não podem ir para creche. Então, você imagina o que movimenta. Então, se você adiciona esse tipo de insumo, você tem muito menos doença, sociedade mais saudável.

Essa é, desde sempre, a minha cruzada. Quando você falou acesso, a palavra que eu mais gosto em medicina é exatamente acesso. Como a gente faz para levar para aquele que precisa aquilo que a gente consegue produzir e a gente sabe que alivia aquela condição. Se não cura, alivia aquela condição, aquele sofrimento. Isso é, para mim, medicina. E agora, falando do outro lado, para o senhor, quais são os gargalos logísticos que ainda existem para que isso de fato aconteça ali na prática? Pelo menos acho que na sua função o senhor consegue enxergar também muita coisa, ver ali na prática o que falta para isso sair ali às vezes para, não sei se para a grande maioria, mas para alguns, conseguir tirar do papel e fazer que isso aconteça de fato.

É, eu acho que o grande gargalo, não sei se é o logístico, mas o grande gargalo, para mim, é a gente ter soluções realmente eficazes. Muitas vezes a gente vê soluções na medicina mais do mesmo, sabe, a gente chama Me Too, são coisas mais ou menos parecidas, uma com a outra, só que agora é um pouco diferente porque é um pouco diferente, a gente consegue cobrar 25% mais. Eu acho que esse é o grande gargalo dessa indústria. As somas são vultuosas, o orçamento da saúde em qualquer país do mundo é gigantesco.

O orçamento de saúde em qualquer empresa é gigantesco. Uma empresa que você trabalha, o primeiro gasto da empresa é a folha dos funcionários, o segundo é a assistência médica. Ah, mas eles têm hospital e assistência médica. Porque eu posso falar isso porque é assim para todo mundo. Para todo mundo é assim. Então eu acho que meu sonho é um dia todos esses que sofrem esse peso da saúde sentarem numa mesa transparentemente e conversarem em outras palavras.

Eu tenho médico, todos os profissionais de saúde enfermeira, auxiliar, todo mundo que aplica medicina, você tem os hospitais, você tem as distribuidoras, você tem as farmácias, você tem as empresas que produzem medicamentos, as empresas que produzem os equipamentos médicos hospitalares, você tem o pagador, muitas vezes, que é o governo e você tem as empresas privadas. Essa turma sei lá, um dia vai ter que tentar sentar junto e falar não é o meu problema, não é o seu problema, é nosso. Como é que a gente vai fazer aqui? Eu gosto sempre de pensar que nesse pedregulho, terceiro pedregulho depois do sol que nós vivemos é um sistema estanque.

Você já percebeu que nada sai daqui, nada entra aqui, é que nem a lei de Laubazier. Por que eu estou te dizendo isso? Eu acho que quando pega, quer ver, vamos fazer uma analogia com uma casa, quando pega fogo na panela de pressão na cozinha, quem está na sala no bem bom assistindo televisão é infectado também, é afetado também, porque a fumaça do feijão chega lá na sala. O cara pode falar, mas eu não tenho nada a ver com isso. Cozinheira lá, não quero nada mais. Cara, olha o fogo, vai chegar aqui. eu acho que se é vizinha aí, quem sabe a gente vai ver algumas coisas para melhorar isso.

Porque eu acredito nisso. Posso não ver. Pode ser depois da minha passagem aqui. Mas eu acredito que um dia nós vamos ter que sentar. Ah, você que fabrica isso, você usa isso. Me ajuda a melhorar isso que eu uso. E quem que paga isso? Você paga. Então vamos entrar em um acordo aqui. Como é que faz? E isso eu acho que é seria a utopia da medicina. E até a relação entre as indústrias para crises futuras. Que a gente fala muito sobre coisas que até pandemias, como aconteceu da covid, mas pode acabar acontecendo em uma outra situação, de uma outra forma.

Eu acho que precisa ter esse planejamento de como que todas vão estar ali ligadas, unidas, não sei se é exatamente essa palavra, mas preparadas. Essa é a melhor forma para realmente aquilo para que todos passem por uma situação que possa vir no futuro. E também a questão de sustentabilidade. A gente tem que ter essa preocupação porque se não for de uma forma geral, realmente não vai funcionar. Lógico. Hoje em dia a gente fala muito em sustentabilidade. Para mim, sustentabilidade vai muito além de clima. Vai muito além do ambiente. Do tal do environment. Do meio ambiente.

Acho que esse é o mais raso da sustentabilidade. Para mim, a sustentabilidade é desse jeito que eu estava dizendo que é a viabilidade perene daquela solução. Como é que eu consigo estender para todo mundo isso que precisa e ainda assim remunerar quem precisa ser remunerado de uma forma justa e honesta e dessa forma eu alcanço a maior parte da população de uma forma sustentável. Claro que está embutido isso no meio ambiente. Não estou querendo dizer que não tem que se preocupar com o meio ambiente.

É o contrário. Mas eu acho que sustentabilidade é mais. É além disso. É a gente conseguir equacionar que todos os players, todos os atores de uma determinada situação consigam se sustentar. Não é que um vai falir para que o outro consiga ficar bem. É nesse sentido, para mim, que sustentabilidade é uma coisa que a gente discute bastante internamente e é com essa visão. Como é que a gente consegue... A empresa que eu trabalho tem mais de 160 anos, na mesma família.

164. A gente discute como é que eu faço para a empresa ter mais de 164. Então são essas as questões. O que a gente vai fazer? Onde a gente vai estar? Qual é o tipo de produto que vai ser colocado para resolver que problema, que dor? De uma forma que a gente continue perene. Continue por mais 150. Antes da gente ir para o nosso quadro do Mitos e Verdades, que eu até citei para o senhor, para quem está chegando agora e nunca viu, não sabe como funciona, a gente traz os trendy topics, o que está sendo mais perguntado, comentado, principalmente no Google e YouTube, para trazer as dúvidas mesmo das pessoas sobre esse assunto.

É bem legal, mas antes eu só queria citar um ponto que acho que vale a pena como conselho mesmo, já que o senhor tem tanta experiência nessa área. Eu, mesmo quando você... Quando o doutor Alexandre veio me falar sobre a empresa que o senhor trabalha, a Cigivares, ele veio me explicar como se eu não conhecesse exatamente o trabalho pela minha idade. Provavelmente, às vezes, você nunca utilizou. E mesmo não utilizando, porque eu nunca tive nenhum tipo de... Eu sei que não é só para quem tem doença, às vezes é como prevenção também, que as meias de compreensão são usadas, mas até hoje eu nunca tinha usado. Mesmo assim, eu conhecia muito o nome. Eu sabia o que era, sabia realmente como... Até a logomarca me veio na cabeça de quem era, como era.

E isso faz parte desse tema que a gente está falando do acesso, das pessoas conhecerem. Como que isso funciona realmente? Porque é isso que eu estou dizendo, às vezes as pessoas não conhecem na prática pessoal, mas sabem como funciona, justamente para tentar aumentar o acesso das pessoas para determinado produto, determinada marca, não só da sua empresa, mas da empresa que o senhor trabalha, mas também de tudo que envolve isso, quando todo mundo tem conhecimento. Na empresa que eu trabalho, então, pegando esse teu gancho, a gente realmente tem produtos para pessoas que precisam usar, ou seja, tem um tratamento para uma doença.

Insuficiência vascular, isso é um dos tratamentos que a prática clínica pode lançar a mão, é elastocompressão. É bem verdade também que a gente tem uma outra linha que não é para quem precisa usar, é para quem quer usar. A gente tem uma linha esportiva, que quando o pessoal usa, apaixona, porque eu brinco, o lance é que tem que nem um computador, que tem aquele selinho Intel Inside, lembra disso? Que tem um chipzinho e você valoriza isso e o computador é bom por causa disso. Os outros produtos nossos, também tem o Intel Inside, tem o SigVar Inside, então, uma meia esportiva nossa, ela é a meia, ela é realmente muito bem feita e tal, e provoca um efeito no esporte que é muito legal.

A gente também tem uma outra linha que vai no hospital, que é para evitar que a pessoa tenha uma trombose, que tenha um problema depois da cirurgia, ou durante cirurgias, que é muito comum, infelizmente, no hospital. Então, a gente procura de diferentes formas aumentar acesso nesses diferentes públicos, porque o atleta, por exemplo, não é o mesmo cara, ele pode até ser o cara que vai usar a meia do hospital, quando ele for fazer uma cirurgia, ele se machuca, ele vê lá, ah, é a mesma que eu uso aqui, então a gente procura ser simpático nas três frentes.

Mas, indubitavelmente, na área médica, a gente se esforça mais, porque o DNA da empresa, ela foi fundada por conta disso. Eu não sei se você sabe, mas a SigVar, ela tinha um outro ramo de atividade, são suíços, eles eram os maiores produtores de rendas finas, de coisas extremamente complexas para mulheres lá atrás, 1900, 1800 e pouco. E aí, um belo dia, chegou um médico lá e bateu na porta deles e falou, escuta, já que vocês fazem tão bem isso aí, tem uma matéria-prima nova, chamada borracha, vocês não conseguem fazer um tubo para mim, uma meia, vocês fazem meia, faz um tubo assim, com borracha, eu vou explicar como eu quero, tem que apertar mais aqui, menos aqui, mais aqui, menos aqui, vocês conseguem fazer?

O pessoal olhou para ele e falou, tá bom, vamos tentar. Não falou não, vamos tentar. Aí foi, fizeram os protótipos, o cara foi, começou a usar na clínica dele, voltou e falou, perfeito, vocês podem produzir isso? Aí o pessoal falou, tá bom, a gente vai começar a produzir. Começou a produzir, assim nasceu a meia elástica no mundo, médica. E aí por conta disso é que a empresa foi batizada de SIGVARIS. Porque o médico chamava-se doutor Carl Sigg e VARIS é VARISIS. Entendi. O doutor Carl Sigg trata VARISIS, então veio para o SIGVARIS. Já é uma curiosidade aí, que isso eu não sabia. Então, está vendo? Legal. Eu espero que a gente tenha várias outras empresas que se dignem a fazer dessa forma.

Dos dois lados, espero que os técnicos, os médicos que estão ali na frente do paciente, que veem uma necessidade vão lá e batam na porta, gostaria de um negócio assim, assim, assim. Vocês me ajudam em todas as áreas para a gente tentar realmente melhorar. Sim, nascem novas opções. Nascem opções. Com certeza. Mitos e verdades, então, nos nossos últimos minutos aqui do episódio, vou aproveitar para a gente entrar em perguntas polêmicas da internet. Muitas coisas a gente até citou já aqui durante o episódio, mas só para dar aquele, né, a resposta final ali, a cartada final. A indústria só se preocupa com o lucro? Não a nossa. Está no top 1 das perguntas, quando vão pesquisar sobre isso.

A gente tem por princípio, tem linhas aqui no Brasil que a gente tem um enorme prejuízo. A gente está com a linha lá e não tira a linha. Porque precisa. A gente tem vários casos, é que não quero ficar contando isso, porque acho que isso é uma coisa que a gente faz e ninguém precisa saber. Sim, é aquilo que vai do coração de cada um. Exatamente. Você é de pessoa da empresa. Mas a gente, eu posso te garantir que a gente tem várias linhas que a gente mantém no mercado, ainda que deficitárias. Porque aquele nicho, aquela população precisa daquele produto.

Tem produtos que a gente não fabrica em linha. Nós temos aí infelizmente, muitas crianças que tem síndromes genéticas de insuficiência vascular e aí os bebês têm um ano, dois anos e precisam de uma meia elástica. Você não tem noção da dificuldade que é fazer uma meia elástica por um membro, por uma perninha assim. A máquina tem limitação. Pois é. Mas a gente faz. A gente faz e a gente faz.

Pronto. Legal. Fiquei até curiosa para ver. Essas histórias também são o que faz o trabalho valer a pena. É lógico. O que realmente faz sentido ali de tudo. Essa tua pergunta que você me fez agora, eu acho que você viu a resposta foi lá no começo da nossa fala, do nosso bate-papo. Eu piamente acredito que a gente não precisa só focar no lucro. Você está falando da boca para fora. Eu estou na seguidora já um pouco mais de 20 anos. A nossa subsidiária é a que bate todos os recordes de rentabilidade, profissionalidade, todos os recordes. O indicador que você quiser, nós somos os melhores.

Ainda não somos os maiores. Nós estamos no caminho dele. Nós temos uma fábrica na França que produz mais que a gente. Então, quando alguém vem e fala para mim isso aí não é assim, eu falo então, é. Os números estão aí. Não é? Acho que eu não vou mudar, não. Está bom assim. Não. Não. Não, mas está dando. Olha lá. Eu trabalhei em uma empresa antes de seguir vários. Muito bonita. Eu tinha na entrada da empresa lá em Jersey um escritório, coisa de cinema, e tinha escrito uma frase do fundador da empresa que calou fundo comigo.

Ele dizia assim que os medicamentos são para as pessoas, não para os lucros. Enquanto vocês se lembrarem disso, os lucros nunca deixarão de existir. Eu, infelizmente, vi a derrocada dessa empresa. Hoje, como a grande maioria, eu digo que elas mais se parecem com um banco. Mas, naquela época, há 25 anos atrás, eu via que aquilo era uma verdade para muita gente ali. Até tinha uma outra empresa, coligada, irmã, que ainda implantava isso melhor ainda, mais a ferro e fogo.

Então, eu vi exemplos de que dá certo. Então... A indústria ajuda a melhorar o acesso a medicamentos? Ajuda. Ajuda quando ela... Não ajuda, ajuda sim. Tem que ajudar, porque se deixar sem essa ajuda, a coisa não acontece. Quando você fala de indústria e acesso, tem um... Essa palavra acesso, hoje em dia, não sei se você sabe, tem um jargão que a gente usa na indústria para conseguir fazer com que por umas formas diferentes, os insumos sejam utilizados.

Vou voltar para trás. É assim. Você tem lá um medicamento que trata ou cura, sei lá, e você sabe que aquela população daquela fábrica, sei lá, daquela cidade, tem muita diabetes. E aí, por que não criar um programa junto com o dono daquela população, o sponsor daquela população, seja uma cidade, o prefeito, uma empresa, sei lá, o CEO da empresa, a empresa como um todo. Como é que a gente pode fazer para que isso aqui, a tua população, os teus funcionários tenham mais acesso. Foi o que você falou. Então a indústria está fazendo muito isso hoje em dia.

Não só de equipamento, mas de medicamento também. Hoje é muito comum esse tipo de coisa. Para procurar melhorar a distância. Porque muita gente nem sabe que tem a doença. E muito menos utiliza qualquer tipo de tratamento. Então ainda você pode. Ela está tentando, está fazendo. Daquele jeito que eu te falei, meu sonho era que todo mundo sentasse e vamos ver como é que a gente pode fazer. Porque aí todo mundo fica melhor. Eu tenho uma frase, eu brinco, eu falo assim que eu trabalho para a melhoria do sistema, não para a pioria do sistema.

Eu acho que no dia em que todo mundo começar a trabalhar realmente para a melhoria do sistema, o sistema melhora e todo mundo fica melhor. O lucro vem, a saúde melhora. Então, vamos ver. Eu vou finalizar com essa de que, incluindo o sistema público, a indústria e o sistema público não podem trabalhar juntos nesse sentido de parcerias público-privadas. Podem. Podem, mas é que assim, o sistema público é muito particular, ele é muito como é que eu posso dizer?

Ele é muito afetado pelo gestor público que está lá. Infelizmente, como nós falamos lá no começo, eu acho que o segundo maior orçamento da União é saúde. O primeiro deve ser salário, o segundo é saúde. Então, é muito atraente você mexer com saúde quando você é um gestor público. Você tem um cofre, a chave do cofre é gigantesca. É uma quantidade de dinheiro assustadora. Então, é delicado. É difícil, viu? Porque para você manter lisura em todos os processos e não, de forma alguma, sei lá, escorregar aqui ou ali, não é simples.

O sistema é muito forte, está muito arraigado, está muito enraizado, difícil. A gente, por opção, não vendemos para o sistema público por conta disso. Toda vez que vem com uma conversa, eu falo, está dentro daquilo. Como o meu diretor de marketing e vendas fala, você suportaria que isso aqui fosse publicado no jornal amanhã e o teu nome está lá e tal? Suportaria? Então, tudo bem, vamos fazer. Agora, não. Não, pelo amor de Deus.

Então, acho que não deve ser legal. A resposta já está aí, né? Mas, por favor, se você não me entenda mal, eu não critico, eu acho que é assim. Cada um conhece, porque tem inúmeras indústrias que só sobrevivem do sistema público, não conseguem vender no privado. E aí eles têm uma negociação, um modelo e tal. Então, eu acho que é assim. Eu já fui vice-secretário da Saúde, eu já fui presidente, trabalhei em Secretaria da Saúde também. Como te falei, praticamente sentei num monte de cadeira aí. E eu sei quão delicado é quando você detém a chave do copo, você tem poder.

Então, é... Mas não é impossível. Literalmente não é impossível. Então, é... É assunto para mais um episódio, inclusive, só sobre isso. Se você quiser, você vai se impressionar. É assunto para um episódio. Tem muito o que falar, né? A gente falou aqui uma hora, nossa, bastante tempo para conversar. Nosso tempo já acabou, inclusive, passou um pouquinho e ainda tinha muita coisa para falar. Então, eu já vou deixar o convite aqui para o senhor voltar na nossa MatoCast para falar sobre esse tema ou qualquer outro, que, inclusive, eu vou pedir para o pessoal comentar aqui no vídeo o que vocês querem saber sobre algo relacionado ao que a gente trouxe hoje ou algo específico também da especialidade aqui do Dr. Celso.

Podem comentar que a gente vai trazê-lo de volta. Quero te agradecer. Muito obrigada pela participação. Obrigado a vocês. Puxa vida. Muito obrigado. Me senti super à vontade. Obrigado. Convidou e a gente vem de volta. Vamos combinar já. Muito obrigada, Dr. Celso Sintra, senhor da CIGVARES, que conversou aqui com a gente. Então, vou novamente destacar aqui o pedido para vocês comentarem se ficou alguma dúvida relacionada a esse assunto ou algum outro que vocês queiram que a gente o traga de volta. Então, não deixe também de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para o nosso engajamento, para que a gente continue trazendo outros especialistas relacionados a temas que envolvem qualidade de vida. Também já quero aproveitar aqui nos minutinhos finais, nos últimos segundos e agradecer a colaboração do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa.

O Fogo da Origem é qualidade de vida e prevenção. Até a próxima. Tchau!

Transcrição gerada automaticamente; pode conter erros.

Para ouvir em seguida

  1. AmatoCast, episódio 92

    Lipedema: O Grito Silencioso Que Está Acabando Com o Seu Corpo (Reverter Sem Cirurgia)

    40 mintem vídeo

  2. AmatoCast, episódio 88

    O Que Sua Pele Está Tentando Dizer? Sinais Que Não Devem Ser Ignorados

    52 mintem vídeo

  3. AmatoCast, episódio 83

    Anticoncepcionais & Lipedema: O Segredo Hormonal Que Ninguém Te Contou

    55 mintem vídeo

  4. AmatoCast, episódio 79

    IA na Medicina: Seu Diagnóstico em Um Clique (Ou Erro?)

    56 min

  5. AmatoCast, episódio 78

    Médicos VS Máquinas: Quem Vai Cuidar de Você na Próxima Década?

    50 mintem vídeo