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Como Evitar a Trombose Mesmo Trabalhando Sentado o Dia Inteiro | AmatoCast Ep. 85

AmatoCast, episódio 85

Como Evitar a Trombose Mesmo Trabalhando Sentado o Dia Inteiro

58 min

Com Letícia Miyamoto e Dr. Carlos Rosa

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Neste episódio

O cirurgião vascular Dr. Carlos Rosa explica que a trombose venosa profunda se apoia em três fatores clássicos: a estase do sangue, como na imobilização prolongada, alterações da coagulação e lesão da parede interna da veia. Ele fala sobre os diferentes tipos de trombose, com foco nas pernas, e sobre fatores de risco como cirurgias, viagens longas, uso de anticoncepcionais e falta de movimento. O episódio destaca a atividade física como forma de prevenção, comenta a embolia pulmonar como complicação e apresenta uma visão geral dos tratamentos atuais, reforçando a importância de procurar avaliação médica diante de sinais de alerta.

Sobre o episódio

Você sabe o que é trombose venosa profunda e como ela pode ser prevenida? Neste episódio do AmatoCast, o Dr. Carlos Rosa compartilha tudo sobre esse tema tão importante para sua saúde. Assista agora e descubra os sinais de alerta, os fatores de risco e as melhores formas de prevenção! 🎧💡
Neste episódio do AmatoCast, Letícia Miyamoto recebe o cirurgião vascular Dr. Carlos Rosa para um bate-papo esclarecedor sobre trombose venosa profunda. O especialista, com mais de 40 anos de experiência, explica desde as causas e fatores de risco até os tratamentos mais modernos e formas eficazes de prevenção. O episódio aborda também diferenças entre tipos de trombose, a importância da atividade física, impactos do uso de anticoncepcionais, cirurgias e viagens longas. Um conteúdo essencial para quem busca qualidade de vida e prevenção de doenças vasculares.

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Transcrição

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato. E agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios, nós conversamos sobre pressão alta em idosos com a doutora Marisa Amato e também com o doutor Marcos Murilo, foi um papo muito interessante.

Para quem não acompanhou, já vou deixar a dica, a gente vai deixar o link aqui para vocês também poderem acessar o episódio. E antes, nós conversamos com a doutora Juliana Amato, médica ginecologista, sobre a ligação entre lipedema e anticoncepcional. Hoje, novamente, nós estamos aqui com um convidado especial, o doutor Carlos Rosa, cirurgião vascular, como vocês estão vendo aí, já estão acompanhando no episódio o tema de hoje, que é trombose venosa profunda.

Antes de dar as boas-vindas aqui para o nosso especialista, eu vou apresentá-lo a vocês. O doutor Carlos Rosa é especialista em angiologia clínica e saúde vascular há 40 anos. Além disso, é professor do curso Carlos Rosa Preparatório para Prova de Especialista com 1.810 aprovados em 30 anos.

Bem-vindo, doutor. É com grande satisfação que eu atendo o convite do professor Amato para estar aqui. Vamos levar um papo bem descontraído para que você, participante do podcast, possa tirar suas dúvidas.

Continuar lendo a transcrição

Legal. Doutor, então já vou agora saber um pouquinho sobre a sua trajetória na medicina. Eu acabei já adiantando aqui no seu currículo que o senhor é especialista em angiologia clínica e cirurgia vascular há 40 anos, mas medicina sempre foi o seu plano A de faculdade.

Como que foi essa escolha? O senhor já sabia que seria médico? Sim, desde criança, aos 7 anos, quando entrei na escola primária, meu pai sempre me estimulou para que eu procurasse estudar bastante, me qualificar, que eu haveria de fazer um vestibular, e esse vestibular seria difícil. Se eu não me preparasse bem, a dificuldade ia ser maior. E eu consegui, nos meus estudos, entrar na faculdade aos 16 anos, e com 22 eu já estava formado.

Então, eu tenho 43 anos de formado, me formei em 82 e sempre me dediquei aos estudos dos vasos. Então, na faculdade, na época da dissecção anatômica, eu sempre me interessei para estudar o sistema arterial, o sistema venoso. Naquela época, a gente tinha dissecção em cadáveres, né? E foi onde eu me deslumbrei para estudar esses assuntos.

Tive um colega que, desde o primeiro ano de faculdade, eu acompanhei, era um cirurgião vascular. Então, praticamente, desde o primeiro semestre da faculdade, eu já atendi os pacientes vasculares, acompanhando esse meu colega. Então, a gente ia no ambulatório, ia no centro cirúrgico, ia nas cirurgias de urgência e me motivou.

E naquela época, a gente poderia fazer a residência direto em cirurgia vascular. Então, o meu internato, praticamente, foi em cirurgia vascular. O R1 e o R2 foram em cirurgia vascular.

E aí, eu segui a minha carreira, sempre me dedicando ao consultório. Praticamente, eu nunca tive um emprego público. E essa dedicação à clínica privada foi sempre o meu objetivo.

E até hoje, eu tenho o meu consultório. E isso é importante para você dedicar a esse grupo de pacientes, né? Sim. E, doutor, nunca teve uma outra especialidade que brilhou os seus olhos, assim? Tinha um plano B nesse sentido, ou cirurgia vascular? Não tinha jeito, tinha que ser.

Não tinha jeito, tinha que ser, porque naquela época da década de 70, 78, 79, nós tínhamos no Brasil, no máximo, 400 especialistas. Hoje, só aqueles que estudaram comigo já são 1.810, de em torno aí de uns 3.500 a 4.000 cirurgiões vasculares, com o título especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, da qual eu faço parte, doutor Alexandre Amato também. Então, para mim, é uma grande satisfação ter potencializado a titulação desses colegas.

Isso foi muito legal para mim, porque, se ajudando um colega, você está ajudando várias famílias, né? Cada um tem uma família, tem um consultório, e beneficiando também o paciente. Eu acho que você trabalhar para qualificar um profissional é uma coisa muito rica, né? Enriquece, você se motiva, e sempre foi esse meu objetivo de ajudar bastante os colegas cirurgiões vasculares do Brasil, né? Já dei curso no Brasil inteiro, já tenho alunos do Brasil inteiro. Isso que eu ia falar, hoje, além da clínica particular, o senhor também acaba ficando mais focado nessa parte do curso, do ensinamento mesmo.

Isso. E como funciona o curso? O curso, ele tem curso mensal, que a gente se reúne uma vez por mês, um sábado e um domingo, aula de 8 da manhã e 10 da noite, tanto no sábado quanto no domingo, bastante puxada. E tem um curso semanal, que é aqui em São Paulo, e das 18 até as 23, uma vez por semana, e a gente começa o curso e prepara o pessoal até a prova teórica, que é em teste, né? Depois a gente dá continuidade, um estudo praticamente diário, que são os casos clínicos, as técnicas operatórias, que a gente orienta o pessoal a estudar.

Legal. E o senhor já, a gente até conversou aqui no bastidor, que já chegou a operar com o doutor Alexandre, que já é muito conhecido aqui do Amatocast, né? É o nosso anfitrião, ele que organiza grande parte da agenda, chama os convidados. Doutor Alexandre Amato já operou com o senhor? Já, nós operamos junto, excelente profissional.

O que eu falo, o Amato, ele tem DNA de cirurgião, né? O avô dele, professor Irani Nova, grande cirurgião masculina, ao qual eu tive o prazer de conhecer, uma pessoa fantástica, muito além do tempo dele, né? Uma pessoa que estava bem adiante da medicina da época, né? Então, o Salvador Amato, que é o pai do Alexandre, também cirurgião, os irmãos cirurgiões, né? Então, acho que isso é uma família direcionado, mas nunca esquecendo da clínica, né? Sim. Então, a clínica vascular, a clínica da medicina é uma coisa tão importante quanto o cirurgião, né? Sim. Então, antes da gente ir direto para o nosso episódio, para começar de fato a falar sobre o tema que eu já apresentei aqui, que as pessoas já querem acompanhar, né? Viram aqui no título qual o nosso assunto de hoje, doutor? Eu vou só agradecer rapidamente para quem já acompanhou o Amatocast há bastante tempo, já sabe.

Para quem está chegando agora, quero agradecer um patrocínio aqui do nosso Amatocast, que é do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco do Origem é qualidade de vida e prevenção. Obrigada, pessoal do Origem.

Conversei há pouco tempo, inclusive, com eles. Tem bastante ligação com essa parte vascular também. Tem vários exames que podem ajudar, né? Diversos diagnósticos.

Doutor, agora começar bem do básico sobre o nosso título, o tema do episódio de hoje. O que é, o que seria a trombose venosa profunda e qual é a diferença de outros tipos de trombose que a gente pode escutar falar? Porque, às vezes, todo mundo acredita os leigos da medicina, como eu. A gente escuta muito falar de trombose, mas eu imagino que quase ninguém sabe a diferença entre esses principais tipos.

A trombose venosa profunda representa uma oclusão, uma coagulação dentro de uma veia presente no sistema venoso profundo. Então, nos membros inferiores, nós temos as veias profundas da perna, as veias profundas da coxa e está relacionado a uma clínica com dor e edema. O outro tipo de trombose que, às vezes, o pessoal faz um diagnóstico diferencial é da trombose arterial.

Essa trombose arterial tem fatores de riscos, tem referente à idade e está relacionada a risco de perder o membro. Enquanto que, na trombose venosa, você pode ter um quadro agudo com um quadro clínico, que a pior evolução dessa trombose venosa é a embolia pulmonar. E, na fase crônica, você tem, relativo à trombose venosa profunda, as sequelas que caracterizam a insuficiência venosa crônica com dor, edema, mancha hipercrômica, fibrose da pele e a fase final dessa sequela da trombose venosa é a formação de uma úlcera de membros inferiores.

As varizes podem ser decorrentes de uma trombose venosa profunda. São as varizes chamadas secundárias. Diferente das varizes primárias, que estão mais relacionadas a uma herança genética, a uma alteração do tecido conjuntivo e assim por diante.

Então, para que fique bem claro, qual é a pior consequência, não sei se a gente pode dizer consequência-palavra, o pior quadro da trombose venosa profunda seria uma varize, por exemplo? Não. A mais grave consequência da trombose venosa profunda é a embolia pulmonar. Ah, da venosa profunda mesmo.

Não da arterial, da venosa profunda. Da venosa profunda, é isso. E da trombose arterial, ela pode evoluir com a isquemia do membro que pode chegar a uma gangrena.

Essa gangrena se de um dedo, se da perna e até evoluir para a coxa se não diagnosticada precocemente e não tratada adequadamente. Voltando ao tema, de hoje é trombose venosa profunda. Isso.

Relacionado ao entupimento das veias desse sistema. 90% das tromboses venosas profundas se apresentam nos membros inferiores. Que começa ao nível da panturrilha.

Mas pode ocorrer trombose venosa central da veia cava inferior, que está localizada no abdômen. Trombose da veia cava superior, que está localizada no tórax. E existe também as tromboses venosas de membros superiores.

Então é algo que pode ocorrer em qualquer parte do organismo. Trombose de veia do rim, trombose venosa renal, trombose venosa das veias do intestino, trombose venosa mesentérica. Tudo isso está presente no quadro de trombose venosa.

Mas especificamente hoje, praticamente nós vamos comentar, discutir sobre as tromboses venosas dos membros inferiores. É, uma das pessoas mais conhecem, eu falo por conta própria, por experiência própria, que acaba sendo das pernas. Quando a gente escuta falar de trombose, a gente já pensa em perna.

Pelo menos quem não é da área da medicina já pensa direto em perna quando fala de trombose. E doutor, o que que leva, qual que é a causa da trombose? Por que que isso acontece? Então, existem vários fatores de risco. A fisiopatologia básica é um tripé.

Ou seja, em 1856 foi descrita a tríade de bicho, que pode estar relacionado à estase. Vamos dar um exemplo de estase e imobilização, a pessoa que fica acamada. Pode estar relacionado a alterações intrínsecas da coagulação.

E pode estar relacionado a fatores de lesão do endotélio. O endotélio é a camada interna da veia. Esse endotélio, quando apresenta uma disfunção ou uma alteração, pode levar à ativação do sistema da coagulação e a trombose.

Então, você tem lesão endotelial, a estase e estado de hipercoagulabilidade, que são conhecidos como as trombofilias. Então, desde a época do bicho, em 1856, já se falava nesse estado de hipercoagulabilidade, que hoje já está bem caracterizado laboratorialmente quando investigar e o que investigar. É importante.

E, doutor, pode dar em qualquer idade, em qualquer condição? Tem alguma faixa etária ou sexo feminino, masculino, que costuma ser mais frequente? As causas determinantes, os fatores de risco determinantes podem acometer tanto criança, como adulto jovem, quanto pessoas mais idosas. Então, vamos citar aqui, para jovem que tem uma predisposição, o uso de anticoncepcional é um fator de risco. Mas qual o anticoncepcional? Não são todos.

Então, o anticoncepcional que apresenta estrogênio, ele é um fator de risco. Aqueles que não apresentam estrogênio não são fatores de risco. Você tem uma cirurgia pós-operatória, uma cirurgia que tem maior incidência de trombose venosa é a fratura do colo de xêmula.

Isso ocorre mais em idosos. É um paciente com osteoporose, que apresenta uma fraqueza, óssea, fratura, cai e acha que a fratura ocorreu por causa da queda. Não, ele fraturou o osso pela osteoporose e aí caiu.

E tem as cirurgias. Uma cirurgia plástica é um fator de risco, cirurgia ginecológica é fator de risco. Dentre as cirurgias do abdômen, a que apresenta o maior risco para a trombose venosa são as cirurgias por neoplasia.

Um tumor de colo, um tumor hepático, um tumor de estômago precisa ser operado e nessa cirurgia ele pode, no pós-operatório, desenvolver uma trombose venosa profunda. E tem alguma forma que é mais letal? Até faixa etária, por exemplo, acaba sendo mais perigoso em idosos, é mais perigoso em crianças. Existe isso ou para qualquer sexo ou idade, da forma que se manifestar, que vai determinar se é mais letal ou não? Então, vai depender da extensão da trombose.

Então, se você tem uma trombose venosa distal envolvendo as veias da perna, dificilmente esse paciente vai ter uma complicação de uma embolia pulmonar letal. Nas tromboses venosas proximais que envolvem da veia poplite até a veia ilíaca, numa fase aguda se não diagnosticada e não tratada, esse coágulo é bem extenso. E essa extensão, se migrar para o sistema arterial do pulmão, para a artéria pulmonar, aí sim pode dar uma estabilidade hemodinâmica, pode dar uma alteração respiratória e pode dar uma alteração cardíaca com a falência do coração agudamente.

Então, o que define a gravidade de uma trombose é sua extensão. Então, essa divisão entre trombose venosa distal envolvendo a musculatura, os vasos, as veias da perna, é diferente da evolução de uma trombose venosa que a gente chama de proximal. E da perna acaba sendo tão perigosa quanto? Da perna, sim.

Às vezes passa desapercebido. Então, se for um coágulo pequeno, até 5 centímetros de extensão esse coágulo, o próprio organismo faz a lise desse coágulo e a pessoa nem manifestação clínica vai ter. Então, é muito importante o paciente ter a noção.

Hoje a gente recebe muitos pacientes que já temem a trombose venosa, ou seja, já tem alguma informação sobre o que é a trombose venosa e do risco ele procura o angiologista na consulta. O angiologista vai avaliar a manifestação clínica, a queixa e o que ele encontra no exame físico e vai solicitar um exame de ecografia vascular que pode ser feito no próprio consultório ou no laboratório. E se for uma necessidade de uma avaliação de urgência, os pronto-socorros aqui de São Paulo, todos apresentam ecografia de urgência para realizar um teste para o diagnóstico de trombose venosa e aí ele já começa o tratamento de uma maneira bem precoce.

Sim. E existe algum sinal de alerta, doutor? O senhor até citou algumas situações que às vezes as pessoas ficam mais atentas, como, por exemplo, a questão do anticoncepcional, ou passou pela cirurgia plástica, mas na rotina, algo que possa indicar que de fato se trata de uma trombose dessa forma ou é só realmente quando já está num estágio considerado mais grave, mais letal? Então, a trombose venosa é bem difícil o diagnóstico clínico. Então, daqueles pacientes que a gente pensa que é, só 50% é realmente a trombose venosa.

Daqueles pacientes que a gente não suspeita nada, 50% pode ter. Então, o diagnóstico é por suspeita avaliando os fatores de risco. Então, o paciente, pela queixa clínica do paciente, ele vai ter dor e edema.

Então, a incidência é muito grande essa manifestação clínica. 90% dos pacientes podem ter esse quadro de dor e edema. Aí, o médico vai avaliar no exame físico se tem um empastamento da panturrilha, se esse edema é só de um lado, se tem uma diferença na circunferência da perna maior que 3 centímetros em relação à perna sem sintomas.

Então, tudo isso a gente vai fazendo um quadro e vai pontuando esse score para diagnóstico clínico da trombose. Mediante isso, nós vamos partir para o método de imagem. Nesse método de imagem, a gente vai fechar o diagnóstico.

E, doutora, a gente já está falando de algumas situações que pode acontecer a trombose, que já são situações de alerta para as pessoas, para os pacientes, mas a gente também escuta muito falar de viagem longa, que precisa andar, você não tem risco de trombose. Isso é um mito? É uma verdade? De fato, existe essa preocupação? Quão longo a gente está falando que pode levar a uma trombose? Isso vai depender dos fatores de risco que esse paciente apresenta. Se ele não tem nenhum fator de risco e vai fazer uma viagem longa, dificilmente ele vai ter um quadro de trombose.

A questão está relacionada basicamente à estase, a pessoa ficar imobilizada, ficar ali naquela cadeira, que você não consegue nem esticar as pernas por longo período. Então, isso é um fator de risco, como pode ser no automóvel, como pode ser num barco. Existe esse risco, porém, o percentual de pacientes que vão fazer uma viagem e que temem uma trombose venosa não é tão grande.

Agora, aquele paciente que já apresentou uma trombose venosa, que já tem um histórico de ser uma pessoa que não tem atividade física constante, paciente com incência cardíaca, paciente já em uso de uma série de medicamentos, anticoncepcional, pessoa muito idosa, aumenta a probabilidade, mas não é algo que eu me preocuparia muito em viajar. Quem vai viajar está feliz, né? Quem vai viajar quer aproveitar, mas se preparar para uma viagem é muito importante. Então, você vai viajar, você vai chegar em outro país ou em outra cidade, vai andar, vai passear.

Então, fazer atividade física constante é algo que ajuda em muito. E com o tempo que essa pessoa já tem esse histórico, precisa começar a ter um alerta, porque o senhor falou até de viagem de carro, não só de avião. Então, começou a doer, por exemplo, já é um sinal que precisa, ou antes de doer? Não dá pra prever isso, infelizmente não dá.

Então, assim, em geral a pessoa vai chegar num local, 6 horas, 12 horas, tem viagens até de 24 horas, né? Sim. E vai sentir a manifestação clínica, que é uma dor que pode ter um edema também. Procura um profissional, vai ser avaliado, feito uma ecografia.

Tá, mas isso que já pode ter acontecido a trombose. Sim. Como forma de prevenção, algumas horinhas ali sentado, dar uma volta.

Hidratar bem, porque aí tomando bastante líquido, vai ao banheiro várias vezes, já tá se mobilizando. O uso de uma meia preventiva, meia elástica, de média compressão, ajuda também. Mas o grande fator é o movimento com a panturrilha durante a viagem, no momento que você tá acordado, faz 15 movimentos, descansa um pouquinho, faz mais 15 movimentos de pisar no acelerador, tirar o pé do acelerador, né? Movimento do pé pra cima, pé pra baixo.

E com isso você tá movimentando, tá ativando o retorno venoso. Porque se ativando a musculatura da perna, é como se ativasse o coração venoso periférico. É a contração da musculatura que faz com que o sangue retorne da perna até a coxa e depois da coxa pra cima, são os movimentos respiratórios que fazem o retorno venoso.

Sim, e quando a pessoa já tem alguém na família, por exemplo, que já teve, eu já escutei muito falar, até como forma de, na ficha ali de cirurgias, né? Que as pessoas perguntam, tem histórico na família de trombose? Então, às vezes a pessoa não teve nenhum histórico ali na vida pessoal dela, mas se tem alguém na família, isso já é considerado um fator de risco. Pra ser pesquisado. Então, vai depender de como essa pessoa teve a trombose venosa.

Então, se for uma pessoa acima de 70 anos que teve uma trombose venosa, provavelmente não é uma causa genética. Mas pode ser genético? Pode ser genético, e essa trombose venosa, que tem uma causa hereditária, uma causa genética, ela ocorre em geral antes dos 50 anos. Então, se você tem alguém da família em que foi pesquisado e identificado uma causa genética, a família inteira deve, por medida preventiva, realizar alguns exames.

Pra ver se o mesmo fator genético que tem em um elemento da família pode ter no outro. Tá. A idade avançada também, né, que o senhor citou agora, é que a partir... A partir dos 40 anos, você já aumenta o seu risco.

Porque você já tem a bomba da panturrilha já vai diminuindo. Então, aqueles que não se preparam com uma atividade física constante, diária, exercício de caminhada, exercício de musculação, uma bicicleta, um elíptico, você vai perdendo o músculo. Perdendo o músculo, você perde essa força, aumenta o risco de trombose venosa.

E são faixas etárias diferentes. Então, de 40 a 60 anos é um risco, de 60 a 70 o risco aumenta. Isso que eu ia falar, o risco aumenta por conta da falta de mobilidade.

Da falta de mobilidade e da própria idade. A medida que você tem uma idade mais avançada, você vai perdendo algumas características do sangue, de promover a lise do coágulo. Porque todo mundo faz trombo.

Tô fazendo um trombo agora e o meu mecanismo de anticoagulação natural tá dissolvendo esse trombo. São coisas pequenas que se tiver algum outro fator em desequilíbrio pode levar a uma trombose. Tá.

E doutor, é um desafio, imagino, até no próprio consultório, ou parentes que se preocupam com isso. Quando a idade daquela pessoa já tá muito avançada, como que vai unir essa necessidade até da mobilidade ali como forma de prevenção com, às vezes, alguma dificuldade mesmo que a pessoa tem de fazer exercício físico? Doutor, como superar esse desafio? Então, é muito difícil mudar o estilo de vida da pessoa. Hoje, o que eu mais receito no consultório é indicação de prática de atividade física.

Eu faço 20 treinos por semana. Nossa! É impressionante. Eu faço 11 tipos de atividade física diferentes.

Que legal! Natação, hidroginástica, pilates, musculação, corrida, faço crossfit. Eu vou no boxe de crossfit sete vezes por semana. Lá a gente faz o treino geral, eu faço mobilidade, eu faço exercício de córex, exercícios abdominais, faço levantamento de peso olímpico, ginástica olímpica, e também o jiu-jitsu.

Nossa! Essa foi a última modalidade que eu introduzi no dia a dia. Tô há uns seis meses fazendo jiu-jitsu, e isso é importante. Agora, o que eu quero pro meu paciente acima de 50 anos? Se ele praticar uma hora de musculação, pelo menos umas quatro a seis vezes por semana, eu já tô satisfeito.

O que ele pode introduzir? Ele pode introduzir uma caminhada, um pilates, uma hidroginástica. Ele tem que fazer o que ele gosta, mas tem que ter exercício com resistência. Você tem que ativar o músculo.

E essa ativação do músculo pode ser o músculo da perna, pra gente não fugir muito aqui do tema que é a trombose venosa. Então, a prevenção no mínimo pra trombose venosa é a debulação. Então, você tá sentado a cada hora, você senta, levanta da cadeira, faz exercício de agachamento, sobe, senta na cadeira e levanta dez vezes por hora.

Você já tá ativando todo o sistema muscular e todo o retorno venoso. Então, isso é importante. Não precisa dizer que não tem tempo pra ir na academia, né? Você pode fazer no seu trabalho, na sua casa.

A melhor forma de prevenção, então, é o exercício físico, independente da idade, doutor? Independente se é uma pessoa mais nova, uma pessoa mais velha, a melhor forma de prevenção... Atividade física é prevenção pra uma série de doenças crônicas. A hipertensão, o diabetes, a obesidade, o sedentarismo. Então, se você conseguir aliar tudo isso dentro de um estilo de vida, né? Mudar o estilo de vida, isso engloba também a alimentação, engloba o sono.

O sono é uma coisa... Dormir aí de seis, sete... Entre sete e nove horas por dia vai depender da necessidade da pessoa e de como a pessoa se encontra nesse ritmo de sono, né? Sim. E doutor, um jovem saudável, que faz atividade física, bebe água, enfim, faz tudo ali que, teoricamente, deveria fazer. Ainda assim, esse jovem pode ter a trombose venosa profunda? Sim.

Existe, aí entra como parâmetro, como causa dessa trombose, pode ser fatores genéticos. Tá. Tá certo.

Pode ser o pós-operatório de uma cirurgia. Qualquer cirurgia aí que dure mais que 30 minutos, quanto maior o tempo de duração da cirurgia, aumenta o risco da trombose. E uso de anticoncepcional, alguns medicamentos que favorecem a trombose por ativar o sistema de coagulação, tudo isso pode ocorrer.

Qualquer pessoa pode ter uma trombose. Quanto mais saudável, mais ativa, o risco é menor. Tudo tem que avaliar risco-benefício.

E os fatores disso, se for somando, aí piora mais ainda, né? Pessoa que fuma, sedentária, obesa, tudo isso vai aumentando os fatores de risco e, com isso, maior chance para desenvolver trombose venosa. E o senhor percebeu que depois da Covid-19, depois da pandemia, os casos aumentaram? Porque as pessoas ficaram, aderiram mais a esse home office, de ficar ali trabalhando de casa, mesmo na mesma posição, ou às vezes até deixou de ir trabalhar na rua, já aproveitava fazer um exercício físico, isso fez aumentar os casos diagnósticos da doença, ou o senhor não percebeu isso? É, tem todo o histórico aí de Covid, né? A doença Covid, trombose venosa foi muito falada. A fisiopatologia, a inflamação que ocorria decorrente da Covid foi um fator importante para a trombose venosa.

Agora, você pode ficar sem movimentar, tanto em casa como no serviço, né? Então, as pessoas em casa também estão sempre se movimentando, se locomovendo, e isso é importante. Diferente se você ficar em casa, mas ficar sentado de 7 da manhã às 11 da noite trabalhando, aumenta o seu risco. Se você fizer um agachamento a cada hora, um movimento, ir ao banheiro, você já diminui o seu risco.

Então, isso é importante. Não dá para prever quem vai ter trombose, ou se o home office tem maior risco de trombose venosa em relação a quem vai trabalhar. Não dá para ter essa relação.

É individualizado. É individualizado. Sempre os fatores de risco são individualizados.

Cada pessoa é uma pessoa, né? E o senhor falou que às vezes acaba sendo silencioso, né? Quando a pessoa chega à tenência, sempre vai ter os sinais, os sintomas. Quando que esse paciente deve procurar um pronto-socorro ou um atendimento de urgência, doutor? Então, a situação é... O paciente com dor e edema é o que mais chama a atenção. Eu acordei com minha perna edemaciada, a perna está mais dura, um empastamento da panturrilha, ele vai procurar ou pronto-socorro ou especialista.

Porque o paciente já tem essa informação. E em relação à clínica, às vezes a primeira manifestação da trombose venosa profunda é uma embolia pulmonar, que é um quadro grave, porque ele não teve aquela manifestação local. Então, você pode ter uma trombose parcialmente de um segmento da veia e tem uma veia que faça o retorno venoso, que compensa aquele ponto de oclusão, ele não vai ter manifestação clínica.

Mas aquele coágulo que está ali pode se deslocar, indo parar no pulmão, e aí a pessoa, conforme a extensão desse coágulo, tamanho desse coágulo, ele vai ter manifestação clínica ou não. Muitos pacientes têm trombose, têm embolia, não tem manifestação clínica nenhuma. Então, esse é o grande desafio, né? Tanto do paciente, quanto do médico também, procurar afastar o diagnóstico ou confirmar o diagnóstico.

Então, hoje o paciente procura. Cabe ao profissional avaliar a manifestação clínica. Hoje, o exame de ecografia vascular é um exame muito acessível, é indolor, né? Isso facilita o diagnóstico.

E você acha muitos laboratórios, bons laboratórios, pronto-socorros, hospitais, todos apresentam esse aparelho com um profissional qualificado para afastar ou confirmar a doença. Sim. Imagina o doutor aqui falando desses sinais, né? Tem paciente que pode acabar confundindo com problema muscular, né? Por exemplo, alguma dor muscular, algo causado pontualmente ali.

Tem alguma forma de diferenciar, confirmar que não se trata de algo grave ou isso depende de um diagnóstico médico mesmo? Sim. Depende do diagnóstico médico e da confirmação desse diagnóstico. Por exemplo, existe um quadro que é a ruptura muscular da panturrilha.

Então, tem uma ruptura por um movimento brusco e o quadro clínico é semelhante a uma trombose venosa. Só que o que ocorreu foi a ruptura da musculatura com formação de hematoma. O que vai fechar o diagnóstico? A ecografia.

Nessa ecografia, você vai identificar o hematoma e vai identificar as fibras musculares que romperam. Se for trombose, você vai encontrar ali o ponto de oclusão com o método de imagem. O doppler colorido é muito importante para as veias da perna.

E ultrassom, modo B, que é o preto e o branco, para as veias da coxa já é o suficiente. Doutor, caso seja confirmado esse diagnóstico, qual é o risco mais grave? O que de fato é preocupante a partir do que o médico tem essa confirmação? O quadro mais grave da trombose venosa é a embolia pulmonar. Mas hoje, uma vez firmado o diagnóstico, o tratamento hoje está muito simplificado.

O tratamento da trombose venosa profunda é anticoagulante. E hoje você tem os anticoagulantes orais, chamado anticoagulante oral direto, em que você muitas vezes não precisa internar esse paciente. Então você medica e acompanha adequadamente esse paciente.

No início do tratamento, ele vem uma vez cada cinco dias, depois a gente vai aumentando essa avaliação cada dez dias, a cada vinte, depois ele vem mês a mês para acompanhar o tratamento do anticoagulante. Acho que a pergunta correta, doutor, a minha seria o que a embolia pulmonar causa na parte prática da vida desse paciente? Porque a gente às vezes escuta a explicação teórica do que é, mas quando a pessoa tem de fato uma trombose dessa forma que leva, que causa, que foi diagnosticada ali a embolia, na prática, o que isso vai mudar na vida da pessoa? O que isso significa ali no corpo desse paciente? Tem a fase aguda da embolia pulmonar e tem a fase crônica. Então na fase aguda, ele pode ter uma possibilidade de ter uma embolia pulmonar fatal.

Ele pode ter alterações respiratórias com dispineia e pode ter um quadro grave que é a insuficiência cardíaca e essa insuficiência cardíaca aguda pode levar a uma falência do coração e aí a pessoa pode ir a óbito. Mas são tromboses venosas extensas com embolia pulmonar extensa. Ao mesmo tempo tem como conviver com a trombose? Existe um tratamento ali mesmo que a pessoa seja diagnosticada na forma mais leve e que a vida daquela pessoa pode ser normal, doutor? Ou tem sequelas que vão acompanhar a vida desse paciente? Tem pacientes que você trata na fase aguda e ele evolui favoravelmente.

Se aquele paciente não tratou adequadamente ou teve uma nova trombose em cima desse quadro inicial, ele pode ter uma sequela que é a insuficiência venosa crônica que culmina com alterações na pele e no subcutâneo, ou seja, você vai ter edema, você vai ter mancha escura na perna, você vai ter uma celulite, uma fibrose da pele e pode ter varizes relacionadas à trombose venosa profunda, que são varizes mais graves e você pode ter a fase final da insuficiência venosa, a úlcera. E uma pessoa que já teve uma vez, então ela pode acabar... É mais fácil dessa pessoa ter de novo, doutor? Sim. Quem teve uma trombose venosa, isso é um fator de risco importante para uma nova.

Então quando essa pessoa necessitar de um procedimento cirúrgico, tem a profilaxia, que é medicamentosa, que é uso de meia, que é uma profilaxia mecânica no hospital com bombas de compressão pneumática. Tudo isso envolve a prevenção de uma nova trombose. A deambulação precoce, no pós-operatório, isso é importante.

E a avaliação do profissional, né? Você fez uma cirurgia, você vai voltar depois de 3 dias, depois de 5 dias, depois de 10 dias, o profissional tem que estar atento porque o paciente já está atento, né? O paciente já sabe que vai ter um procedimento e que ele pode ter uma trombose. Tem que estar sempre atento em relação à sua perna, se tem um inchaço, se não tem. Ele já é orientado no pré-operatório sobre esse risco.

E com isso ele vai estar proativo para procurar um profissional e para fazer a prevenção. Sim, e existe caso que é cirúrgico de tratamento. Da trombose venosa profunda? Isso.

Sim, tem casos em que a trombose é tão extensa, ou seja, oclui todo o sistema profundo, o sistema superficial, que o sangue bate como se fosse um fundo cego, ou seja, não existe uma nutrição. O sangue arterial vai até o pé, mas não volta. Então os tecidos entram em sofrimento e você pode ter o que a gente chama de gangrena venosa.

Então é necessário nesse caso intervir, realizar uma trombectomia. Essa trombectomia pode ser cirúrgica. E se tiver possibilidade, um tratamento que a gente chama de terapêutica fibrinolítica, no qual se introduz um catéter na veia profunda e libera substâncias que vão fazer a lise desse coágulo.

Associado ainda tem mecanismos de aspiração desse coágulo. Então existe essa necessidade nessa situação principalmente em que o membro está correndo o risco de ter sofrimento com gangrena. E depois, enquanto esse paciente, depois nesse caso que a gente está falando é cirúrgico, mas no caso de um anticoagulante, por exemplo, é possível levar uma vida normal, doutor, enquanto está nessa fase de tratamento? Sim, paciente na fase aguda, ele inicia o tratamento.

Hoje não se pede repouso para quem tem a trombose venosa. Se pede movimento, se pede voltar à vida normal. Pelo contrário.

Ao trabalho, atividade física com moderação de caminhada. E ele tratando adequadamente por um período em que for necessário, ou seja, tem que se avaliar o risco e benefício da anticoagulação. Por exemplo, um paciente que tem uma trombose venosa e tem um câncer.

Ele tem que ser tratado com anticoagulante por todo o período em que a doença estiver presente. Enquanto o câncer não for embora, ele não vai deixar de tomar um anticoagulante. Você tem uma trombose venosa na gestação, que pode ocorrer.

Ele vai tomar o anticoagulante durante toda a gestação e no pós-parto, no puerpério, ele vai tomar ainda por mais, pelo menos umas seis semanas, que é o período mais intenso para desenvolver um fator de risco importante, o puerpério. Então depende em qual momento... Em qual momento o paciente se apresenta e qual é o risco dele. Então cada um tem que ser avaliado no seu risco para definir qual é o tempo da anticoagulação, qual o melhor anticoagulante.

Tem que ser avaliado o risco do paciente. Paciente frágil, acima de 80 anos, talvez a gente trate mais numa fase aguda, não prolongue tanto essa anticoagulação, porque ele tem risco de queda, e isso pode ser um fator que agrava o tratamento. Doutor, existem exames que mostram se a pessoa tem uma predisposição para a trombose.

Qual é a sua avaliação para esses exames? Eles são de fato eficazes, eles podem mostrar que a pessoa tem mais predisposição a ter, como o senhor falou, da genética, mas não é uma confirmação. No caso de uma cirurgia, por exemplo, isso acaba sendo útil na vida daquela pessoa? O mais importante no diagnóstico da trombose venosa é o tratamento. Enquanto ele tiver tratamento, ninguém vai se preocupar em investigar, porque o objetivo é tratar.

Para pesquisar a causa genética hereditária, só se tiver uma trombose ou alguém na família que tenha tido uma trombose. Mas como forma de prevenção, por exemplo? Não é viável você fazer, ou não tem necessidade, ou é desproporcional você fazer exame genético a todo mundo. Entendi.

Então, numa época, a gente pedia exame genético a todo mundo, e hoje está bem estabelecido que o mais importante é tratar. Entendi, se tiver um... Você vai tratar como se tivesse possibilidade de ter ou não ter. Você vai ter que tratar a anticoagulação por um período pré-estabelecido.

Ah, tá. No caso da cirurgia, por exemplo. Você entendeu? Eu acho que isso é o mais importante.

A história clínica, a anamnese, a história familiar, tudo isso o profissional tem que ter um balanço para definir o que é melhor para aquele paciente. Não existe um exame que possa fazer com que a pessoa decida, por exemplo, excluir um anticoncepcional por conta do risco, ou deixar de fazer uma cirurgia por conta do risco. Então, isso seria o histórico da família mesmo? Histórico familiar e histórico da pessoa.

Tá. Então, cirurgia hoje só se indica se ela tiver benefício. Então, é igual o paciente que teve uma trombose hoje, tratou três meses e vai fazer uma cirurgia plástica logo imediato depois que terminou o tratamento.

Não é o ideal. Então, aí o cirurgião plástico vai definir, avaliar risco, benefício, vai ter tempo para investigar essa paciente e com isso escolher o melhor momento para tratamento, né? Tá. Tá certo.

Doutor, então eu vou aproveitar esses minutos agora para ir no mitos e verdades, que eu já tinha explicado aqui para o senhor antes da gente começar nos bastidores, mas para quem está chegando agora no Amatocast, doutor, para que fique bem claro, né? A gente traz essas dúvidas das pessoas que mais pesquisam sobre esse assunto na internet. Então, aqueles conhecidos trend topics no Google, ali quando a pessoa pesquisa trombose, aparece aquela lista embaixo. Então, o que as pessoas mais querem saber sobre esse assunto se a gente já não tiver respondido aqui durante o nosso episódio? Então, a primeira pergunta é, trombose só acontece em quem fica muito tempo deitado ou imobilizado? Não.

Pode acontecer? Pode acontecer em qualquer pessoa. Agora, quanto tempo de acamado que você passa a se preocupar com a trombose? Pelo menos três dias. Aquela pessoa que está num leito hospitalar ou está em repouso em casa e não levanta para praticamente nada.

Tá. Agora, se você está acamado, mas está andando no corredor do hospital, está levantando para tomar banho sozinho, para se alimentar, você está se mobilizando. São pessoas diferentes.

Então, pode ocorrer tanto em quem está acamado como quem também não está. Tá. Sentar com as pernas cruzadas pode causar trombose? Eu estou com a perna cruzada agora.

Pois é. Ninguém fica com a perna cruzada por longo tempo, né? É. Vai trocando, né? Existe a possibilidade de você comprimir a veia, principalmente atrás do joelho, mas ninguém fica nesse período por tanto tempo, né? Então, acho que isso aí é mito também. Trombose. Pode começar com dor semelhante a uma cãibra? Cãibra.

Provavelmente falasse a palavra. Cãibra. Cãibra é uma contração muscular.

E é bem inespecífico. Então, muitas vezes a pessoa fala que é cãibra, mas na verdade é uma outra dor. Não é tão específico uma cãibra do dia a dia, né? Eu tenho cãibra quando eu fico mais que 17 horas em pé.

Nossa. Tem cirurgia que dura tudo isso, doutor? Não. Os cursos, né? Ah, tá.

Eu falava, nossa, 17 horas de cirurgia. Às vezes a gente começa a aula 7 horas da manhã e vai até 10 da noite. Ah, tá.

Então, isso aí pode ser que eu tenha cãibra. Mas, ultimamente, não. A dor não se confunde.

Ultimamente, eu não tenho cãibra, não. Graças a Deus. A dor não vai se confundir ali com a trombose.

Não, é diferente. Cãibra é uma coisa, trombose venosa é outra. Tá.

A trombose pode ocorrer no braço? Trombose venosa profunda. Sim. Essa trombose pode estar relacionada a um medicamento.

A pessoa vai para uma cirurgia, toma um soro, um medicamento, um anestésico. Isso pode desenvolver uma trombose. Trombose inicialmente superficial, que é de uma veia superficial.

Fica um carocinho duro. E tem as tromboses venosas por compressão. Então, você pode ter uma compressão entre a clavícula e a primeira costela.

E ela faz uma lesão na parede da veia e ela vem ocluir. Existe algum praticante de esporte, esporte americano, também pode desenvolver trombose por compressão da veia. E, em criança, está muito relacionado a catéter.

O uso de catéter. E, em adulto, trombose venosa de membro superior pode estar relacionado com tumor. Então, o tumor na parte superior do pulmão pode ser uma causa de trombose venosa de membro superior.

Quem já teve trombose não pode mais viajar de avião? É mito. Então, se você teve a trombose, você vai viajar. Vai depender do período que você vai ter imobilidade.

Mas, pelo medo do paciente, a gente medica também. Então, existem hoje os anticoagulantes orais que você faz prevenção. Começa três dias antes.

Toma mais três dias depois que você chega da viagem. Isso na ida e na volta também. Viagens mais longas.

Viagem mais longa. Comer chocolate aumenta risco de trombose? Não vejo essa relação. Se não, meu Deus do céu! A questão do chocolate é que o chocolate que se apresenta hoje não é mais chocolate.

Tem muito açúcar, tem muita gordura trans. Então, isso não é saudável. Só isso.

Coágulo da trombose. Pode se soltar e ir para o cérebro? Pode. Existe um quadro que a gente chama de embolia paradoxal.

É a pessoa que tem um defeito nas câmeras cardíacas. Então, o coágulo vem da veia, passa do átrio direito para o átrio esquerdo e vai para qualquer lugar. Pode ser para cérebro, pode ser para a membra inferior, pode ser para uma artéria do intestino.

Então, existe esse quadro chamado de embolia paradoxal. É um trombo que começa na veia e termina na artéria. Ou seja, de todas as embolias arteriais, que é um outro quadro, 1% está relacionado com trombose venosa profunda.

É bem mais raro. Muito raro. Tomar banho quente demais pode favorecer trombose? Eu vejo que é mito.

Ninguém fica duas horas tomando banho quente, ainda mais que a energia está bem cara. Então, hoje o banho é rápido. As mulheres até um pouquinho mais.

As mulheres não gostam de tomar banho muito quente porque estraga a pele. Também. Não vão gastar mais creme.

Verdade. Então, a hidratação após banho quente ajuda a pele. Trombose pode ocorrer após exercício intenso? Pode.

Existe alguns quadros em que o maratonista... Existe um edema tão grande na musculatura, principalmente da perna, que até o músculo pode necrosar. Necrosando o músculo, esse edema tem essa compressão e evolui com trombose. Existe um quadro de entrelaçamento dos vasos poplíteos, que pode também comprimir a veia e se apresentar com trombose venosa.

São raros, mas existem. Mas na musculação, doutor, quando faz aquela força muito grande que fica doendo depois o músculo? Não, não esquece isso aí. Tem que fazer musculação.

Todo dia eu faço musculação. Porque às vezes coloca aquele peso a mais ali e já sente aquela adida para o aparelho. A musculação você tem que sentir queimar.

Se você não sentir queimar, não está fazendo musculação. Usar meia de compressão, previne a trombose até dormindo? Então, a meia de prevenção, que é a meia branca, usada no pós-operatório, ela pode ser usada dormindo. Então, ela previne.

Mas especificamente para o paciente cirúrgico. Meia elástica comum deve ser evitada ou não é recomendado usar à noite. Eu não recomendo meia elástica para os pacientes dormirem com ela.

Tem algumas situações que alguns profissionais, de uma maneira de observação, eles indicam. Mas é bem restrito esse uso. Tem alguma cirurgia que a pessoa não vai conseguir ficar tirando e colocando toda hora? Não, não é isso.

A meia preventiva é uma meia usada já durante a cirurgia e no pós-operatório. Então, ela já tem uma indicação. Ou seja, quem faz bariátrica, cirurgia bariátrica, é obeso.

O que hoje o pessoal faz? Põe para andar em um outro dia. E já usa a meia, já sai do centro cirúrgico com a meia elástica. Que é uma medida física para a prevenção da trombose venosa.

Agora, o último, doutor. Estresse aumenta o risco de trombose? Não vejo muito essa relação. O estresse pode causar tudo.

Pode causar um AVC, pode causar um infarto. Mas trombose venosa eu não vejo muito essa relação de estresse e trombose. Tá certo, então.

Tudo muito bem explicado, doutor. Agradeço demais a sua participação. Vou deixar o espaço aberto aqui para quem ficou com alguma dúvida.

Mandar os nossos comentários para que a gente possa trazer também assuntos relacionados à sua especialidade. A cirurgia vascular, ou não só sobre esse tema especificamente, mas se quiser trazer um outro tema para comentar aqui no nosso vídeo para que a gente possa trazê-lo novamente para conversar com a gente. Muito obrigada, doutor.

Foi um papo muito esclarecedor. E agradecer ao professor Alexandre Amato. Mais pela nossa amizade do que por outra coisa que ele convidou para participar desse famoso podcast.

Ficou muito legal mesmo. Doutor, vou aproveitar e pedir para o senhor passar alguma... Se alguém tiver alguma dúvida especificamente, quiser te procurar em uma consulta, como que pode te encontrar? Tem algum site? O que o senhor costuma usar para que as pessoas possam usar como meio de comunicação com o senhor? Então, eu tenho o WhatsApp. Não sei se isso ajuda.

Pode ser. Se preferir, pode passar. É 11-99-625-3818.

Tá bom. Podem mandar direto lá no seu WhatsApp. Podem mandar as perguntas que a gente responde.

A gente vai deixar escrito aqui para facilitar, para quem acompanhou até o final. Mais uma vez, obrigada, doutor. Até a próxima.

E eu agradeço você também, que chegou aqui até o final, pela sua participação conosco. Não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas em saúde. Até a próxima.

Muito obrigada. Tchau.

Transcrição gerada automaticamente; pode conter erros.

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