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Como Prevenir Quedas e Proteger a Qualidade de Vida dos IDOSOS | AmatoCast Ep 62

AmatoCast, episódio 62

Como Prevenir Quedas e Proteger a Qualidade de Vida dos IDOSOS

57 min

Com Letícia Miyamoto e Dr. Marcos Galan Morillo

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Neste episódio

O Dr. Marcos Galan Morillo, geriatra, explica que quedas frequentes em idosos não devem ser vistas como normais. Mudanças do envelhecimento, como a adaptação mais lenta ao escuro, a marcha mais lenta e o hábito de arrastar os pés, aumentam o risco de tropeçar em tapetes e degraus. Ele alerta que uma queda pode causar fratura de fêmur ou de quadril e levar a complicações sérias, e que às vezes é o primeiro sinal de outro problema, como desidratação, infecção ou efeito de remédio usado por conta própria.

Assista

Sobre o episódio

Você já parou para pensar em como uma simples queda pode transformar a vida de um idoso? No episódio 62 do AmatoCast, mergulhamos de cabeça em um tema crucial: como prevenir quedas e proteger a qualidade de vida dos idosos. Letícia Miyamoto comanda a conversa com o Dr. Marcos Galan Morillo, renomado geriatra, que compartilha insights preciosos e experiências em primeira mão sobre os perigos ocultos e as consequências devastadoras que uma queda pode trazer para a vida dos nossos entes queridos. 

Neste episódio revelador, você descobrirá por que as quedas são uma das principais preocupações para a saúde pública na terceira idade e como podemos estar mais preparados para evitá-las. Sabia que, em média, 28 a 35% das pessoas com 65 anos ou mais caem regularmente? Entenda os motivos por trás dessas estatísticas alarmantes e as medidas simples que podem fazer toda a diferença. Desde o impacto emocional e físico das quedas, até as condições médicas que podem passar despercebidas, o Dr. Marcos explica detalhadamente cada aspecto, trazendo à tona casos recentes de figuras públicas e ilustrando como precauções diárias podem literalmente salvar vidas.

Este episódio é um convite para refletir e agir. Descubra como uma abordagem preventiva pode não só evitar despesas médicas absurdas, mas principalmente preservar a independência e a felicidade dos nossos pais, avós e de todos os que amamos. É hora de transformar o conhecimento em poder e garantir uma vida mais segura e plena para nossos idosos. Não perca tempo! Assista agora ao AmatoCast Ep 62 e revolucione sua visão sobre envelhecimento e qualidade de vida. Afinal, cair não é opção quando a prevenção está ao nosso alcance!

Data de publicação:

22/01/2025

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Quer saber como proteger a qualidade de vida dos idosos e prevenir quedas de forma eficaz? Assista ao episódio completo e aprenda com os especialistas! Não se esqueça de se inscrever no nosso canal no YouTube https://bio.amato.io/youtube e ativar o sininho para receber todas as nossas dicas de saúde. Sua proatividade pode fazer toda a diferença! Ajude-nos a espalhar esse conhecimento, compartilhe com amigos e familiares!

No episódio mais recente do Amato Podcast, Letícia Miyamoto e o convidado Dr. Marcos Morillo, geriatra renomado, discutem um tema vital para a saúde dos idosos: as quedas e seu impacto na qualidade de vida. Dr. Morillo, especialista do Instituto Amato, aborda tanto as causas intrínsecas, ligadas a condições de saúde e envelhecimento, quanto as extrínsecas, relacionadas ao ambiente doméstico. 

O episódio destaca que as quedas são um problema crítico de saúde pública, com dados da OMS mostrando que elas afetam entre 28% a 42% das pessoas com mais de 65 anos anualmente. O Dr. Morillo explora os riscos associados às quedas, como fraturas e traumatismos cranianos, e explica que o envelhecimento leva a mudanças na visão e no equilíbrio, tornando as quedas mais comuns. Ele enfatiza a importância da prevenção, abordando ajustes no ambiente, como instalação de barras de apoio e remoção de tapetes, além de cuidados com medicamentos e promoção de exercícios de fortalecimento muscular e equilíbrio.

A conversa também desmistifica ideias errôneas sobre quedas, como a crença de que são inevitáveis com o envelhecimento ou que apenas idosos frágeis estão em risco. Com uma abordagem educativa, o podcast oferece insights práticos para prevenir quedas, melhorando tanto a segurança quanto a qualidade de vida dos idosos. Dr. Morillo alerta para a revisão de medicamentos e reforça que medidas preventivas são muito mais eficazes que tratamentos posteriores. O episódio é uma fonte rica de informações para quem busca entender e mitigar riscos associados a quedas em idosos, sendo uma contribuição valiosa para todos os envolvidos no cuidado com a saúde na terceira idade.

– Dr. Marcos Galan Morillo: Geriatra / Especialista em clínica médica. O Dr. Marcos trouxe informações valiosas sobre a prevenção de quedas e suas graves consequências para os idosos, destacando sua vasta experiência na área de geriatria.  

– Letícia Miyamoto: Jornalista e Apresentadora do Amato Podcast. Conduziu a live com perguntas pertinentes e clareza, facilitando um diálogo significativo sobre um tema crucial para a saúde dos idosos. Instagram: @aleticiamiyamoto

0:00:00 A Gravidade das Quedas: Causas e Impactos nos Idosos

0:17:56 Os Desafios e Soluções para a Marcha do Idoso

0:28:49 Prevenção Ativa: Saúde Muscular e Testes em Idosos

0:30:55 Sinais de Alerta: Entendendo o Risco de Queda em Idosos

0:31:05 Testes de Mobilidade e Perigos Ocultos em Casa

0:38:51 Calçados e Órteses: Segurança e Conforto para Idosos

0:39:08 Uso Seguro de Bengalas e Escadas para Idosos

0:44:47 Quedas: Verdades e Mitos Desvendados!

O episódio 62 do AmatoCast aborda um tema de extrema relevância na geriatria: a prevenção de quedas e a proteção da qualidade de vida dos idosos. No recém-lançado podcast, Letícia Miyamoto conversa com o Dr. Marcos Morillo, especialista do Instituto de Medicina Avançada, que detalha as causas e soluções para minimizar riscos de quedas em idosos. Utilizando dados da OMS, Dr. Morillo revela que entre 28% a 42% das pessoas com mais de 65 anos sofrem quedas anualmente, sublinhando os impactos negativos, como fraturas e traumatismos cranianos, na saúde dos idosos. O médico explica que o envelhecimento afeta equilíbrio e visão, destacando a importância de adaptar o ambiente domiciliar com medidas como instalação de barras de apoio e remoção de tapetes. O foco é na prevenção, incluindo a revisão de medicamentos e a promoção de exercícios para fortalecer músculos e melhorar a saúde mental dos idosos. O podcast também desmistifica a percepção de que quedas são inevitáveis e oferece dicas úteis para a segurança em casa, sublinhando que a prevenção é mais eficaz do que tratamentos posteriores. Este episódio do Amato Podcast é uma preciosa fonte de informações tanto para profissionais quanto para cuidadores, promovendo saúde, bem-estar e longevidade na terceira idade.

No episódio 62 do AmatoCast, intitulado “Como Prevenir Quedas e Proteger a Qualidade de Vida dos IDOSOS”, Letícia Miyamoto e o respeitado geriatra Dr. Marcos Morillo mergulham em uma discussão essencial sobre a saúde e bem-estar dos idosos. Eles exploram o impacto das quedas na longevidade e qualidade de vida, destacando que entre 28% a 42% dos idosos experimentam quedas anualmente, conforme dados da OMS. Dr. Morillo, um especialista em gerontologia do Instituto Amato, aborda tanto as causas internas, como mudanças na visão e equilíbrio próprias do envelhecimento, quanto as externas, relacionadas ao ambiente doméstico, e enfatiza que a prevenção de quedas deve ser uma prioridade na gerontologia e medicina avançada. Ele sugere medidas simples, porém eficazes, como a instalação de barras de apoio e revisão de medicamentos, em conjunto com exercícios específicos de fortalecimento muscular e equilíbrio, que podem ser realizados até mesmo na cama ou por fisioterapia. O episódio desconstrói mitos de que quedas são inevitáveis com o envelhecimento ou exclusivas de idosos frágeis, e reforça que a prevenção é sempre mais eficaz que o tratamento. Essa abordagem prática e educativa é crucial para quem busca entender e atuar na longevidade e qualidade de vida dos idosos, tornando-se um recurso valioso para cuidadores e profissionais de saúde interessados em medicina avançada e cuidados com idosos.

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Transcrição

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato. E agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais para falar sobre a medicina da ginecologia estética e regenerativa e antes sobre lipedema e nutrição.

Hoje nós recebemos novamente um convidado especial, dessa vez o médico geriatra Dr. Marcos Morillo, para falar sobre quedas e seu impacto na saúde. Já vou aproveitar e apresentar o nosso especialista de hoje. O Dr. Marcos Galan Morillo é mestre pela Universidade Federal de São Paulo, especialista em geriatria pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e especialista em clínica médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

É autor de diversos capítulos de livro nas áreas de geriatria e clínica médica, é coautor do livro Manual do Médico Generalista na Era do Conhecimento e já apresentou diversos trabalhos em congressos de clínica médica e geriatria. Mais uma vez, bem-vindo, doutor. Eu que agradeço, Letícia, e ao Instituto Amarto pelo convite.

A gente sempre fala que é um tema que sempre traz dúvidas, que as pessoas já mandam sugestões e esse tema tenho certeza que as pessoas vão gostar. E muito antes da gente começar a gravação, a gente estava citando inclusive dois casos recentes de pessoas muito famosas, conhecidas, que tiveram quedas e teve uma repercussão por conta disso, né, doutor? Exatamente. O ano passado, há pouco tempo, o cantor Agnaldo Rayol caiu em casa e faleceu decorrente de queda.

Continuar lendo a transcrição

A causa do evento que levou à morte foi queda. E o presidente também sofreu uma queda, teve que ser internado na UTI e posteriormente submetido a uma cirurgia para adenagem no hematoma subdural, ou seja, duas pessoas importantes que sofreram quedas e o que teve grande repercussão o ano passado. E a gente já pode adiantar, não lembro se o senhor se recorda, que sempre no início do nosso episódio a gente faz um spoiler, o que a gente vai poder citar aqui de mais interessante.

Então a gente já pode adiantar para quem se interessou por esse assunto, que queda, apesar de ser muito comum, acontece. Quem também nunca se acabou se acidentando de uma forma assim? Às vezes até jovem, ou às vezes um pouco mais velho, mas que isso não é considerado normal quando acontece, principalmente com uma certa frequência nos idosos, né? Sim, existem as quedas acidentais que são mais comuns nos pacientes jovens e as quedas recorrentes que são mais comuns nos pacientes idosos. Então conforme a gente envelhece, o risco de quedas aumenta muito.

Interessante. Bom, então a gente vai falar sobre tudo que envolve essa questão das quedas, né? Como prevenir, enfim. Tem um tema bastante amplo, apesar de parecer que não, tem bastante coisa para falar sobre isso, alguns dados também que a gente trouxe.

E antes, para quem já acompanha o AmatoCast sabe que agora a gente tem uma novidade, que é um patrocínio aqui para o canal do Laboratório Origem, que é especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco da Origem é qualidade de vida e prevenção. Bom, então agora, doutora, a gente vai de fato para o nosso assunto aqui do episódio de hoje.

Eu trouxe um dado para a gente já iniciar falando sobre, até acaba chamando a atenção da importância de falar de fato sobre isso, porque olha só, um dado da Organização Mundial da Saúde, que mostra o dado mais recente, que mostra que cerca de 28% a 35% das pessoas com 65 anos ou mais caem a cada ano. E na faixa etária acima dos 70 anos, esse número sobe para 32% a 42%. Então, doutor, o que está por trás dessas quedas? O que a gente pode dizer que justifica esse tipo de episódio, principalmente nessa idade? A gente viu aqui que conforme as pessoas vão ficando mais velhas, isso acaba se tornando mais comum.

Exatamente, Letícia, é isso mesmo. E um outro dado interessante é que a queda é a quinta ou sexta causa de morte no Brasil. Então a gente tem as doenças cardiovasculares, as pulmonares, as oncológicas, depois demência e diabetes e depois vem queda.

E quanto mais idosa a pessoa fica, maior o risco de queda. Então, respondendo a tua pergunta agora, o fato de envelhecer causa algumas repercussões próprias do envelhecimento que favorecem a queda. Vou citar algumas delas.

Alterações visuais. Então, quando a gente vai envelhecendo, a gente perde a visão de profundidade, pode escorregar em escadas. Quando a gente envelhece, a gente perde a capacidade, demora a acomodação do claro para o escuro.

Então o paciente idoso, quando acorda à noite, às vezes para ir ao banheiro, e tem aquela urgência miccional, ele não faz aquela acomodação para poder enxergar se tem alguma coisa no escuro e acaba tropeçando. A fragilidade dos membros inferiores. Conforme a gente envelhece, a marcha vai ficando mais lenta.

O idoso perde o balanço corporal. Existe uma outra coisa importante que é a perda do reflexo podal. Então, quando a gente caminha, a gente levanta o pé.

Quando a gente envelhece, normalmente vai perdendo essa capacidade e o idoso passa a arrastar o pé. Então, qualquer tapetinho dobrado que para um jovem não é nada, para o idoso, às vezes, é o que provoca a queda. A pontinha do box, um degrauzinho.

Então, tem situações do envelhecimento normal, que a gente chama de senescência, que é o envelhecimento sem doença, que podem favorecer quedas. E aí também, a gente vai falar mais para frente, as doenças que surgem com o envelhecimento e que pioram o risco de queda. Sim.

E doutor, essa questão da morte, que costuma acontecer, que o senhor disse que é a quarta causa mais comum ali. Sexta. Sexta, desculpa.

Sexta, sétima. Tá. Por que isso acontece? Então, quando os idosos têm, quando uma pessoa jovem tem uma queda, a pessoa, às vezes, fica com alguma lesão, alguma coisa e se recupera.

Mas por que nos idosos pode levar a morte? Porque, às vezes, a queda é um evento grave. O que ela causa um evento grave? Então, ela pode levar uma fratura de fêmur ou fraturas de quadril. A gente sabe que um terço dos pacientes que sofrem uma fratura de fêmur falecem no primeiro ano de vida em decorrência da imobilidade.

Isso pode acontecer nas primeiras semanas após a fratura por infecções respiratórias, por embolia pulmonar ou mais pra frente, nos meses seguintes. Outra situação que ocorre após uma queda grave são os traumatismos craneoencefálicos. Aí vem o exemplo das duas pessoas famosas que eu citei.

As quedas também podem levar a eventos leves, como lacerações, cortes, hematomas e tal. Mas ela leva a morte por efeitos graves. E essas situações podem ser evitadas de inúmeras formas.

Exatamente. A situação pode ser evitada. A reabilitação pode demorar meses, mas a prevenção pode demorar minutos.

Então, prevenção em quedas é importantíssimo. E vale a pena a gente destacar também, a gente vai se aprofundar nisso que a gente está citando, mas às vezes acaba afetando o lado emocional também dos idosos, quando ocorre um episódio como esse. Eles ficam inseguros, eu imagino, pra às vezes retomar alguma atividade que antes era comum.

Ficam com vergonha também daquilo ter acontecido. Exatamente. Às vezes, pela queda, o paciente passa a ter o medo de cair, que se chama basofobia.

É o medo de cair de novo. E ele passa a evitar as situações. O idoso começa a não sair mais, ele fica numa prisão invisível, que é o próprio domicílio.

E isso vai gerando mais inatividade, diminuição da força muscular, e a saúde física vai entrando numa espiral descendente. Isso é uma coisa que tem que ser revertida. O paciente tem que ser ajudado através de reabilitação psicológica, fisioterápica, orientação médica, pra poder adquirir confiança e voltar a se movimentar adequadamente.

E qualquer tipo de queda merece atenção nesse sentido, doutor? De levar, às vezes, um familiar mais próximo, sabe ou não, às vezes, mas pra quando sabe dessa situação que aconteceu, sempre o recomendado é já buscar um especialista nesse sentido. Essa é uma ótima pergunta. Quando um profissional de saúde atende um paciente, principalmente os idosos, ele tem que perguntar sobre queda, ele tem que inquirir sobre queda.

Porque, em geral, o idoso não fala e não fala pro familiar. Então, ele tem que perguntar se o paciente caiu ou tem caído nos últimos meses. E, a partir daí, fazer uma intervenção e um planejamento pra reverter essa situação.

E tem um ponto interessante, que é a definição de queda pros profissionais de saúde. Então, pros profissionais de saúde, queda é qualquer desequilíbrio involuntário com o plano inferior. Então, por exemplo, se o idoso levanta e senta na cadeira de novo, ou ele levanta e cai no sofá ou na cama, do ponto de vista científico, isso é uma queda, porque ele não queria cair pra trás.

A gente costuma falar, o mais tradicional, as pessoas imaginam que é a queda no chão, que, em geral, é o evento que provoca maiores problemas. Mas, do ponto de vista de diagnóstico e de intervenção pra prevenção de quedas, a gente tem que perguntar, se o idoso se desequilibra e cai, muitas vezes a gente fala, eu levanto do sofá e sento no sofá, o papai levanta da cama e cai na cama de novo. Ele está com uma instabilidade, com desequilíbrio, e isso tem que alertar que aquele é um doente que vai precisar de uma intervenção.

E, às vezes, acaba depois levando a uma situação mais grave, né? Porque numa dessa, também... Ele cai no chão e tem uma queda grave. Doutor, e uma coisa que eu queria destacar também, te perguntar, é das consequências, no sentido de... Não seria nem consequência a palavra certa, né? O indicativo, acho que é a melhor forma da gente explicar. Que isso pode indicar uma possível doença mais grave, por exemplo.

Às vezes não é uma simples consequência da idade ali, às vezes é algo que já está se mostrando dessa forma, na instabilidade, enfim, na tontura que está tendo no idoso. Exatamente. Também é uma ótima pergunta.

Às vezes, a queda é um evento agudo. O que é isso? O idoso foi passear na praia, né? Foi lá para o Guarujá e pegou uma infecção gastrointestinal. Vomitou, teve diarreia, desidratou, né? Teve uma queda de pressão e desmaiou.

Ou ele está com uma pneumonia, teve febre, desidratou e desmaiou. Ou tomou algum medicamento inapropriado, às vezes de automedicação, um relaxante muscular, um antialérgico e deu muita sonolência e desmaiou. Então, às vezes, a queda pode ser o primeiro sinal de um evento agudo, como uma infecção que está acontecendo.

Na maioria das vezes, a queda tem a ver com uma situação recorrente, é uma síndrome geriátrica que tem a ver com uma fragilidade do paciente. E a gente, acho que vamos desenvolver as causas, as causas principais. Exato.

E entre sexo feminino e masculino, homem e mulher, a gente pode falar que mulher cai mais, menos do que homem ou isso é igual? Sexo feminino é um marcador de risco de queda. As mulheres caem mais, em parte porque as mulheres vivem mais. Então, existem mais idosas do que idosos.

Mais mulheres idosas do que idosos. Então, as mulheres têm maior risco de queda, sim. É mais comum em mulheres.

Já aproveito também, para quem não acompanhou o nosso outro episódio, a gente falou bastante sobre isso, sobre como a mulher se diferencia no homem, nessa questão da longevidade. E a gente também vai ter um próximo episódio com a doutora Marisa Amato, cardiologista, para falar sobre a longevidade da mulher. As mulheres vivem no mundo todo, em geral, sete anos a mais do que os homens.

Olha só, que a gente até citou, que eu não sei se ficava feliz ou preocupada por vocês, no último episódio. Bom, então acho que agora a gente já pode começar a entrar um pouco nessas causas, e as consequências de maneira mais específica, causas mais pontuais, o que normalmente pode estar ligado a essas causas. Como que costuma acontecer o diagnóstico, doutor? É uma conversa na clínica mesmo? Precisa ser feito alguns exames? Como que é o seu direcionamento, por exemplo? Então, a gente falou daqueles fatores próprios do envelhecimento, mas existem algumas doenças que levam ao risco do paciente ter quedas recorrentes.

E doenças que são muito comuns na geriatria. A gente chama até de síndrome geriátrica, porque em geral a queda no idoso é multifatorial. Quais são as situações mais comuns? A perda de força muscular, que leva a sarcopenia, dois terços da nossa massa muscular está nos membros inferiores, glúteos, coxa e pernas, e no envelhecimento o idoso ocorre uma lipossubstituição, a massa muscular é substituída por gordura.

Então a perda de massa muscular, o uso de muitos medicamentos, o idoso em geral tem uma poliformaça, ele toma mais de cinco medicamentos, esses medicamentos também propiciam o desequilíbrio. O uso de psicofármacos, principalmente os calmantes, os benzodiazepínicos, eles favorecem queda. As demências, os pacientes que têm demências têm maior risco de queda.

Outra situação comum nos idosos são as doenças neurológicas do movimento, como Parkinson ou sequelas de derrames. Os déficits visuais, as doenças visuais que levam à cegueira também favorecem queda. Então são situações frequentes no idoso, em geral o idoso tem uma ou duas delas e ele passa a ser um paciente com mais chance de se desequilibrar e cair.

Eu queria citar a pressão arterial que está na lista aqui. Costuma acontecer essa diferença nos idosos? Costuma ter alterações mais pontuais, mais graves, digamos assim, do que nos mais jovens? Isso. O idoso tem uma capacidade menor de se adaptar à hipotensão.

Então quando a pressão cai, seja por uma medicação excessiva, seja por desidratação, o idoso se desequilibra pela hipovolemia cerebral. Falta um fluxo cerebral sanguíneo adequado por segundos, o jovem tem a capacidade, se sofrer isso, de se equilibrar rapidamente, o idoso não. E aí ele cai.

E até que ponto a gente pode considerar normal essa diferença de pressão arterial, doutor? No sentido tanto de pressão mais alta como de pressão mais baixa nos idosos. Em geral, falando agora da hipertensão, os valores de corte, os valores para controle de hipertensão em idosos e adultos jovens é o mesmo. Só que quando a gente medica um paciente idoso hipertenso, a gente deve fazer isso com mais cautela e um monitoramento melhor.

Porque se a dose da medicação for excessiva e o idoso tiver hipotensão, isso aumenta o risco de queda. Um exemplo melhor do que a hipertensão é a diabetes. A gente tolera níveis hiperglicêmicos, a gente tolera uma glicemia acima do desejável no idoso, coisa que a gente não faz com o adulto jovem.

Por quê? Porque se o idoso tiver uma hipoglicemia medicamentosa, a gente trata a diabetes e medica demais. E o idoso tem uma queda da taxa de açúcar, isso pode ser um evento catastrófico que é a queda. O paciente jovem, se tiver uma hipoglicemia, ele vai rapidamente comer alguma coisa e melhora.

Então a diabetes é um exemplo melhor ainda do que a hipertensão com relação a controlar demais ou não. No paciente idoso, a gente tem sempre que controlar a doença, mas a gente tem que ir um pouco mais devagar. Sim.

E está aí também, às vezes o idoso nem sabe que tem uma situação como essa e que a gente estava dizendo de outros problemas que às vezes estão escondidos ali, estão camuflados por aquela queda ou instabilidade que a pessoa acha que é algo pontual. Exatamente. Mas eu acho que respondendo melhor a tua pergunta inicial, o que o profissional de saúde tem que fazer em uma consulta médica? Em geral o giriatra, o fisioterapeuta, o enfermeiro.

Ele tem que inquirir se o paciente caiu ou não. Depois disso ele tem que entender se ocorreu uma queda com perda de consciência ou com preservação de consciência. Quando é uma perda de consciência a gente chama de síncope.

O senhor caiu e desmaiou? Perdeu a consciência? Sim, eu caí e perdi a consciência. Existe um grupo de doenças associada com isso. Não, eu caí mas eu não perdi a consciência, eu fiquei acordado.

Isso em geral tem a ver com escorregar, tropeçar, com alguma coisa não tão grave. Uma doença não tão grave que levou à queda. A gente em geral precisa da informação do paciente, do familiar, do cuidador familiar ou do cuidador profissional e a gente vai perguntar, bom, você perdeu a consciência.

O que você sentiu antes de perder a consciência? Ah, eu tive uma batedeira. Ou não, eu não senti nada, desliguei e apaguei. Então se ele teve uma batedeira, sentiu o coração disparar, provavelmente teve uma arritmia cardíaca, um ataque à arritmia.

Não senti nada, desliguei e apaguei. Ele teve uma brade à arritmia, provavelmente ele teve uma parada cardíaca transitória ou uns batimentos muito baixos. Ah, eu tive uma forte dor de cabeça e depois desmaiei.

Provavelmente é uma doença neurológica. Então quando ocorre a síncope, a perda de consciência é mais grave. Muitas vezes o paciente precisa ser encaminhado ao pronto-socorro para ver se ele não está infartando, se ele não está tendo uma arritmia ou se ele não está tendo um AVC.

Quando ocorre sem a perda de consciência, a gente vai tentar entender o que aconteceu. Se tropeçou, falsearam as pernas, tomou algum remédio diferente. Ah, ontem eu tomei um calmante porque eu não estava dormindo e estou com uma alergia e tomei lá um antialérgico dos antigos que dá sono.

E aí fiquei tonto e caí. Ah, deixei de tomar um remédio para labirintite e caí. Então a gente define nesses dois grandes grupos, com síncope e sem síncope.

Isso é importante. E é fundamental ter um bom diagnóstico sobre a causa da queda ou as causas da queda. Então, com um bom diagnóstico, olha, o paciente caiu por esse motivo.

Aí vão ser propostas intervenções. E doutor, o que costuma acontecer, aquilo que a gente estava falando do pé, que às vezes o idoso começa a arrastar o pé, começa a ter já essa dificuldade, digamos assim, de locomoção. Aparece na lista aqui, que eu sempre deixo uma pesquisa prévia dos assuntos, Joanete, por exemplo.

É muito comum o idoso e isso pode estar relacionado também, pode ser uma das causas aí das quedas. Um dos fatores predisponentes para cair, né? A Joanete, ela é uma artrose daquele canto lá do, a faixa interna do pé, né? A gente tem as artroses do joelho, as artroses do quadril, mas as artroses do pé, a Joanete é o termo popular dessa artrose conhecida, ela dificulta que o paciente dobre a ponta do pé para ter uma pisada mais adequada. Então ele começa a arrastar os pés, né? E quando o idoso arrasta os pés, ele não consegue passar por alguns obstáculos que estão na frente dele, como a gente falou do tapetinho dobrado, né? Ou da fronha da cama que está excessiva e o idoso vai passar pelo quarto e raspa o pé na fronha e tropeça.

E essa dificuldade de locomoção, digamos assim, é muito, igual eu citei, é muito comum a gente ver pessoas da família, pessoas próximas que já começam a ter uma idade mais avançada, perceber nesse tipo de situação. Até que ponto isso é considerado normal? A gente pode considerar normal aquela andada mais devagar, com dificuldade ou não? Isso precisa de tratamento? Quando a gente envelhece, a gente vai tendo uma marcha quase parksoniana, que é essa de arrastar os pés, não balançar os braços, né? E o paciente perde a capacidade de se equilibrar rapidamente, aqueles reflexos que o jovem tem quando vai tropeçar, o idoso não tem mais, né? Os reflexos são mais lentos. Então isso favorece o aumento do risco de quedas.

Então isso tem que ser identificado na consulta. E aí tem algumas medidas que a gente tem que propor. Medidas que são para tratar causas do organismo, então aumentar a força muscular, reduzir os medicamentos, melhorar a visão.

Então, por exemplo, operar catarata e restaurar a visão de um paciente é uma coisa muito importante às vezes para não ter uma queda, uma fratura de fêmur, que vai ser um evento catastrófico na qualidade de vida daquele idoso. Então a queda, só para enfatizar, ela pode ser um evento que causa uma catástrofe na vida do paciente. Ele é funcional, ele é idoso, mas ele funciona bem, ele dirige, cuida da casa, visita os netos, ele tem autonomia e independência.

E de repente ele sofre uma queda, ele fica acamado, não anda mais. 50% dos pacientes vão ter dores crônicas mesmo sobrevivendo à queda. Então a gente tem que tratar essas causas corporais e depois também, sempre, quando a gente vai envelhecendo, cuidar da casa segura.

A gente pode falar disso mais para frente, que são os fatores ambientais. Então a gente divide em dois grandes grupos, os fatores intrínsecos, que são próprios do organismo, e os fatores extrínsecos, que são os fatores ambientais. Sim, que acaba facilitando uma situação como essa.

E a queda então, a lesão de fêmur, é considerada a mais perigosa para os idosos? É a mais frequente e a que traz mais complicações para o idoso. Fratura de fêmur. Fratura de fêmur, a fratura de quadril também.

O quadril fica logo em cima do fêmur. Mas também não dá para desprezar os traumatismos cranicefálicos. Bater a cabeça e ter uma hemorragia cerebral é uma coisa muito grave.

Sim, com certeza. Esses números de alerta para a quantidade de idosos que sofrem quedas, que acaba chamando a atenção quando a gente vê, principalmente quando a idade vai ficando ainda mais avançada, que você tem agora da OMS, pode estar relacionada com a questão do aumento da quantidade de idosos? Isso eu estou falando de cenário, porque agora a gente sabe que a população acaba vivendo mais. Então é por isso que o número aumenta? Ou tem alguma outra causa que o senhor consegue perceber de sua consultória? Ótima pergunta.

A idade, envelhecer, é uma variável incontrolável que aumenta o risco de quedas. O que significa isso? O paciente de 65 anos tem o risco de queda, esse mesmo paciente aos 75 tem o risco maior e quando ele tiver 85 ele vai ter maior ainda. Então, quanto mais velho a gente fica, mais chance a gente tem de se desequilibrar.

Então, como a população mundial tem envelhecido mais, então os mais longevos caem mais. Então, diante de um paciente de 80 anos, a gente tem que se preocupar bastante com a queda, mesmo que o paciente não relate. Um pouco menos que um paciente de 65.

Sim, por isso os números estão mais altos. Exatamente. E você vai no hospital, hoje existem vários protocolos para evitar queda.

Então, um prognóstico de boa qualidade hospitalar, um parâmetro de boa qualidade hospitalar, não prognóstico, é prevenção de queda. E logo no consultório, quando o paciente sofre uma queda, por exemplo, o senhor já consegue identificar qual tipo de complicação que ele vai ter desde as mais leves até as mais graves ou isso é com o tempo ali, dependendo da recuperação de cada pessoa? Na consulta, a gente identifica se ele teve uma consequência naquele momento. Então, se ele teve uma fratura, dá para avaliar se ele teve uma fratura ou não de fêmur, ou outras fraturas menores, com o auxílio de métodos de imagem, radiografia, tomografia, etc.

Mas às vezes o paciente não teve uma queda com consequências graves, foi uma queda sem consequências graves. Só um corte, uma laceração, um hematoma, mas aquilo é um sinal de que ele pode ter outra queda. Então, naquele momento é que a gente tem que intervir de forma efetiva para evitar esse evento catastrófico.

Então, vê se a casa do paciente é segura e fala me conta um pouco como é seu ambiente domiciliar. Vamos falar da casa segura. Como é que está sua força muscular? Tem feito musculação? Tem feito exercícios de equilíbrio? Como é que estão os medicamentos? Como é que está sua visão? Então, se o paciente não teve uma fratura, uma queda com consequências graves, é um bom momento para evitar que ela venha a ocorrer nas próximas semanas ou meses.

E quando acontece essa situação que a gente até citou antes, que às vezes o idoso fica com aquele medo de fazer uma... Às vezes ele costumava ir ao mercado sozinho, enfim. Acontece uma coisa no caminho e começa a ter aquele medo, a vergonha que a gente estava dizendo, de contar para a família, de pedir ajuda. Esse medo acaba prejudicando, até facilitando um outro episódio, às vezes mais grave, porque às vezes a pessoa é muito solta para fazer as coisas.

Aí acontece a tropeça, acontece alguma coisa e fica com aquele medo. O medo prejudica nesse sentido? Prejudica. E aí a gente tem um desafio.

Que é assim, a gente tem que convencer o idoso que ele tem que ser cauteloso, mas que ele não pode ter medo. Então, às vezes, tem idosos que são muito ativos, né? Mas sobem em banquinhos, sobem escadas, né? Ficam acessando armários altos para pegar coisas, em ponta de pé. Não tem madeira sem casa.

Exatamente. Você fala, olha, que bacana que ser ativo, né? Mas não sobe em banquinho. Pede para alguém subir no banquinho.

Vovô, não vai limpar a calha do telhado, entendeu? Não é você que tem que limpar a calha do telhado. Então, a gente tem que fazer com que o idoso seja cauteloso. E se ele caiu, a gente tem que tentar reverter essa situação de medo.

Então, falar para o paciente, olha, vai passear em lugares em que o piso é liso, vai passear no shopping, vai na academia. Uma coisa que a gente não falou até agora, mas que a gente vai falar provavelmente, vamos ver o calçado que esse idoso está usando. O calçado é muito importante.

Me antecipando, então, vamos falar de calçados. Os chinelinhos que são confortáveis, as pantufas, eles não dão equilíbrio ao pé. Eles favorecem as quedas.

Então, a gente tem que estimular o idoso a usar um sapato confortável, que é o mais fixo, que prende na frente e atrás. Isso traz segurança no pisado. Sim, porque às vezes até para os jovens, essa situação do medo, que a gente estava dizendo agora, às vezes acontece um acidente com a gente mesmo e toda vez que a gente vai fazer aquele mesmo movimento, vai passar pelo mesmo lugar, já fica com medo de fazer aquilo.

E às vezes aquele que você já vai com medo e se acontece alguma coisa, aquela tensão no momento faz ser algo ainda mais grave do que quando você tem coragem de realmente enfrentar ali aquela situação. Exatamente, é um quadro quase de um estresse pós-traumático. A gente sofreu um trauma e a gente sofre uma ansiedade com relação àquilo.

Isso tem que ser revertido. Nos idosos tem que ser revertido e estimulado a cautela e atenção nos movimentos. É a qualidade de vida que a gente estava dizendo, que até no outro episódio a gente falou, não adianta também falar de viver por muito mais tempo sem qualidade de vida.

Você tem que viver mais tempo com qualidade de vida que leva a essa situação. Exatamente. Que a gente está dizendo agora.

E repercussão econômica, acho que é importante a gente dizer também, porque claro que não são todos os idosos que têm cuidadores, por exemplo, não são todas as famílias que têm a disponibilidade financeira para isso, mas a gente sabe que quando tem, diminui esse tipo de situação e tudo mais. Depois de uma queda, esse problema aumenta. Aumenta, exatamente.

Falando um pouco de cuidadores, eu acho isso importante, porque nós geriatras gostamos disso, todos os idosos têm cuidadores. É que às vezes o cuidador é o cuidador familiar, e não é o cuidador profissional. Então a maioria dos idosos tem um cuidador, que é o cônjuge, é o filho, é a filha.

Então o cuidador familiar, ele é um cuidador. Algumas famílias têm um cuidador profissional, que intercala com o cuidador familiar. Então o idoso que tem alguma dependência, ele tem um cuidador, mesmo que seja um familiar.

Bom, falando de custos, as quedas têm custos de bilhões no mundo. O custo da consequência de queda é muito mais alto, e o custo para a prevenção é muito mais baixo. Então existe o custo da hospitalização, do diagnóstico, de todo o tratamento, depois tem todo o custo da reabilitação.

Então, reabilitar custa muito mais caro do que prevenir. Então depois que o idoso sofre uma queda, reabilitar, fazer a cirurgia, fazer a fisioterapia, acompanhar as consequências, as complicações clínicas, é muito mais caro do que passar em consulta, tirar coisas da casa que possam levar à queda. Então os custos de queda mundiais são da ordem de bilhões.

E no serviço público, por exemplo, esse cuidado de gireiatria, de prevenção, pode acontecer também, ou não é tão comum? Pode, deve, deve acontecer nas unidades básicas de saúde. Então o médico de família, não necessariamente o gireiatra, é treinado para abordar queda com o paciente idoso. Então, fazer isso que a gente conversou há pouco.

O senhor cai, perguntar para o filho ou filha, seu pai cai, como ele cai, o que acontece, quais são os remédios que ele está tomando, está tomando os remédios adequados ou não, ele faz alguma atividade física. Então isso, na saúde pública, é abordado na unidade básica de saúde pelo médico da família. Então acaba sendo um desafio o atendimento particular, porque a gente estava falando de custos, às vezes os idosos já tomam muitos remédios, enfim, algo que acaba prejudicando nesse sentido de planejamento, mesmo econômico, para poder pagar uma consulta particular, mas não é um impeditivo para a pessoa ter essa forma de prevenção.

Exatamente. Se não conseguir resolver na saúde pública, tiver condições, tenta resolver. E não conseguir resolver na saúde pública e tiver condições, tenta resolver na saúde privada.

E qual que é a idade mais ideal no sentido de começar a se preocupar com esse tipo de situação, até procurar um médico gireiatra, porque às vezes a gente fala, idoso é considerado oficialmente, pelo menos nas minhas reportagens, eu sempre cito aqui, porque eu também trabalho na emissora, a gente considera idoso, às vezes num texto jornalístico, a partir de 60 anos. Mas pessoas com 60 anos são muito jovens, às vezes nem parece que têm 60 anos. A minha, que eu falei em casa, por exemplo, a minha avó tem 75 e parece super jovem, faz tudo, é super ativa, nunca teve problema pra nada, graças a Deus.

Mas enfim, 60 anos às vezes pode parecer até um insulto para quem tem a idade, fala, nossa, mas eu já tenho que... Tem esse preconceito, né, doutor? Tem. De médico gireiatra. Tem, tem esse preconceito.

A prevenção de quedas, ela começa na quinta década de vida. A gente tem que envelhecer ativamente, cuidando da saúde muscular, fazendo musculação, exercícios resistidos que fortaleçam a nossa massa muscular, porque a gente vai perdendo a velhice. E fazer a prevenção das doenças, evitar as doenças que vão dar complicações na velhice.

As fraturas, elas são mais graves nos pacientes que têm osteoporose. E a osteoporose é uma doença, principalmente nas mulheres, que tem que ser pesquisada e tratada às vezes logo depois da menopausa. Mas a prevenção geriátrica, de forma mais padronizada pela idade, começa a partir dos 60 anos.

Já começa a ter esse cuidado. E a fisioterapia e a enfermagem também acabam ajudando nesse sentido. Muito, muito.

O fisioterapeuta é um profissional fundamental para diagnóstico e para a reabilitação do paciente que sofreu quedas. Para aplicação, existem alguns testes, isso é interessante, Letícia. Existem alguns testes que a gente aplica nos pacientes idosos, para saber se a gente está diante de um idoso que tem risco maior ou menor de ter queda.

Tem um bem simples que eu vou comentar aqui, que é o Time Up and Go Test, que é um teste que o fisioterapeuta, a enfermeira ou o médico pode aplicar, em que ele pede para o idoso ficar sentado, encostado numa cadeira, e cronometra o tempo que esse idoso leva para andar 3 metros, dar a volta e voltar a sentar na cadeira. Isso é um teste conhecido universalmente, muito fácil de aplicar. E se o idoso faz isso em menos de 10 segundos, ele está bem.

Então você fala para o idoso, olha, eu quero que você faça com segurança, mas rapidamente isso aqui. Levanta da cadeira, anda 3 metros, dá a volta e senta de novo. Fez com menos de 10 segundos, ele está ótimo.

Fez entre 10 e 20 segundos, ele está normal, mas não ideal. Fez acima de 20 segundos, a gente está diante de um idoso que tem um risco maior de quedas, porque ele levanta com mais desequilíbrio, vai arrastando os pés, gira, demora. Então é um teste muito simples, que às vezes estratifica a população.

E se a gente aplica esse... Como o envelhecimento é muito heterogêneo, eu já na outra palestra, na outra apresentação, acabei falando isso, o envelhecimento é heterogêneo. Então às vezes dois idosos de 75 anos estão muito diferentes do ponto de vista de qualidade de vida. Então esse teste, ele pode ser aplicado a partir dos 70 anos e a gente vai ver se aquele idoso está se movimentando bem ou não.

Ah, legal. Entra na parte de diagnóstico mesmo. Exatamente.

Porque às vezes pode parecer algo muito difícil de ser... Subjetivo. É uma avaliação e uma estratificação. Existem outros testes mais sofisticados, mais testes para serem aplicados no consultório, que auxiliam muito.

Os fisioterapeutas conhecem bastante esses testes. São testes que avaliam o equilíbrio. E quando acontece um problema seguido do outro, por exemplo, o idoso tem uma queda às vezes não tão grave, depois tem uma queda de novo, se acontece uma mesma lesão ali no mesmo lugar, isso piora também o sentido de recuperação.

Porque apesar às vezes da cirurgia ser bem feita, fraturou o fêmur, fez uma boa cirurgia cortopedista, as complicações são as complicações clínicas da imobilidade. Então aquele idoso teve uma fratura de fêmur, fez o pós-operatório imediato na UTI, depois foi para o quarto, mas ele está acamado. E aí ele tosse menos, respira com mais dificuldade, e aí juntam as secreções no pulmão e ele acaba tendo uma infecção pulmonar, uma pneumonia.

Ele se mobiliza menos e também aumenta o risco da trombose venosa de membros inferiores, a trombose pode favorecer a embolia. Então as complicações clínicas em geral são as que levam à morte. A causa foi a queda, que levou a uma fratura, que levou à imobilidade, mas aquele paciente ao final às vezes vai falecer de uma infecção respiratória.

Uma coisa que às vezes... Tratada com uma primeira linha de antibiótico, que depois volta a reinfectar, e depois vai para a UTI, vai precisar de ventilação assistida, e vai falecer de uma infecção. Mas tudo começou com o cair e ficar imobilizado. Que pode parecer não ter nem relação nenhuma, né? Mas tem relação total.

Inclusive o médico, quando vai preencher o atestado de óbito de um paciente que falece de uma pneumonia na UTI, depois de vários tratamentos, se a causa foi a queda, ele tem que setar isso no atestado de óbito, como fator inicial. Tá. A gente falou bastante no outro episódio também, mas acho que vale a pena a gente falar do termo de novo, né? Os fatores intrínsecos e extrínsecos.

Eu nunca tinha escutado falar esse termo antes da gente falar, mas na pesquisa agora desse assunto veio de novo os dois termos. Então, doutor, qual que é a diferença, pra ficar bem claro, e qual que pode ser considerado mais grave? Tem essa diferença? Por exemplo, algo que foi do corpo ali da pessoa ou algo do ambiente, né? Eu já entendi que é essa diferença, mas é no sentido de gravidade mesmo, do problema de atenção da família, o que é considerado mais grave do ponto de vista médio? Vou tentar explicar esses termos, são termos técnicos, né? Mas a gente chama de fatores causais, fatores que causam, que estão associados com quedas, causais ou associados. Extrínsecos são de externos, são aqueles que estão externos ao organismo, tem a ver com o ambiente, iluminação, calçamento, são todas aquelas coisas que podem ser modificadas.

Intrínsecos são do próprio indivíduo do organismo, são as doenças. Então, quais são os extrínsecos mais importantes, os mais importantes que favorecem quedas? Vou falar rapidamente. As doenças neurológicas, Parkinson, sequela de AVC, uso excessivo de medicamentos, uso de calmantes, dores importantes dos membros inferiores por artrose, joanete, artrose de quadril, paciente se movimenta com dificuldade, suspensão ou uso inadequado de medicamentos de autoprescrição, esses são fatores intrínsecos.

Fatores extrínsecos são aqueles que têm escada, piso que escorrega muito, coisas no chão, mesinha baixa, locais escuros. Então, a combinação de alguém que tem muitos fatores intrínsecos, o organismo em geral idoso, com o ambiente externo, adverso, essa combinação é fatal para que uma queda ocorra. Então, a intervenção é cuidar das duas coisas, vamos cuidar do ambiente, que é uma coisa relativamente fácil, e vamos cuidar das doenças, é um pouco mais complexo, mas também tem que ser feito.

A gente começa a entrar na prevenção, que também, como a gente citou, acaba sendo muito mais fácil, mais barato, e também, não só falando da questão de dinheiro mesmo, financeira, mas também pela qualidade de vida daquela pessoa. Ninguém quer ver um familiar passando por uma situação dessa, uma cirurgia. Exatamente, aí eu acho que a gente tem um gancho para falar da famosa casa segura, que às vezes intervenções de minutos são muito melhores do que todo o custo de uma reabilitação de uma queda.

Então, vamos falar, por exemplo, do banheiro. Como é que tem que ser um banheiro de uma casa segura? Tem que ter barras no box, barras para o idoso se apoiar. Por quê? Porque às vezes o idoso vai tomar banho de pé, ele se desequilibra, mas se tiver barra, ele segura e não cai.

O paciente jovem vai botar a mão na parede, o idoso precisa daquela barra. Do lado da pia, também, tem que ter alguma barra, barras fixas, às vezes tem barras móveis. É muito fácil adaptar a casa, não é difícil.

O vaso sanitário, ele tem que ser um vaso com uma altura em que o idoso não precisa ficar muito agachado. Tem que ser uma altura que ele fica sentado, se apoia e levanta facilmente. Então, isso falando do banheiro.

Dos corredores, não tem que ter tapete solto. Não pode ter tapetinho, tapete solto, porque o tapete dobra e o paciente escorrega naquela dobra. Se existem tapetes, tem que estar presos no chão.

Não pode ter móveis sem mesinha em trajetos, assim que o idoso faz da casa. Os pisos, de preferência, tem que ser antiderrapantes. No banheiro, no box, colocar piso antiderrapante, tiras antiderrapantes, tapetinho antiderrapante.

No quarto, entre o trajeto da cama e o banheiro, tem que ter alguma luz indireta, porque os idosos acordam muito para urinar à noite. Muitas vezes tem incontinência urinária. E tem uma coisa que é a urgência adiccional, a urge incontinência, ele acorda e tem que ir rápido no banheiro.

E se o ambiente é escuro, fica mais difícil. Se tem alguma luz indireta, ele enxerga melhor. Mas a gente também sempre recomenda que o idoso que tem urgência adiccional, que ele use alguma cueca ou calcinha com absorvente para não se sentir tão inseguro, poder levantar mais, com mais atenção, com mais lentidão para ir ao banheiro.

Bom, outra coisa importante, são netos, os brinquedos ficam espalhados pela casa. Então, às vezes, o idoso tropeça nos brinquedos. Uma outra situação, que é delicada, são os pets.

Os pets são maravilhosos, os pets fazem muito pets, no inglês, cachorro, gato não, gato é mais esperto. Mas o cachorro, que faz muito bem para o idoso, companhia, é importantíssimo em vários aspectos, às vezes, aquele pet, o idoso pode tropeçar o pet. É, o cachorro passa rápido.

Exatamente, vai desviar. Então, isso também exige mais cautela do idoso. Então, a casa tem que ser adaptada com coisas simples, como essas que eu falei.

Por exemplo, o interruptor de luz, ele tem que estar no início do ambiente. Então, ele entra no quarto e já bate a mão e o interruptor de luz acende. Não tem que estar no meio do quarto.

Exatamente. E entra na questão, também, do que anda, tanto da casa, agora, também, com o que anda com a pessoa, no sentido, o sapato, alguma facilidade. Desculpa te interromper, mas o sapato é fundamental.

O sapato ideal para o idoso, tipo tênis, confortável, macio, de velcro, sem cordão e com uma sola antiderrapante. Esse é o sapato ideal para o idoso. Antigamente, os pacientes idosos não usavam, eles tinham o preconceito de usar tênis.

Tinham várias mulheres que andavam em salto. Elas falavam, não vou usar tênis nunca. Hoje está mudando.

Os idosos andam de tênis. O tipo tênis é o calçado ideal para o idoso. Outra coisa são as órteses.

O que são as órteses? São as bengalas. Para quem precisa, as bengalas ajudam muito no apoio à prevenção de quedas. Agora, é importante que o idoso saiba usar a bengala.

O idoso que precisa saiba usar a bengala, porque a bengala mal usada aumenta o risco de queda. Então, a bengala tem que ser adaptável. As bengalas hoje tem que ser de alumínio, adaptáveis.

O idoso tem que usar na região contralateral a perna que tem problema. Ou seja, se eu tenho um problema na perna esquerda, eu tenho que usar a bengala do lado direito. Então, o paciente tem que ser treinado a usar a bengala.

Então, aqueles pacientes que usam a bengala adequadamente, eles estão prevenindo quedas. As bengalas são importantes. Não falei também de escada.

A escada é uma coisa... Imagina, cair de uma escada é uma coisa gravíssima. Com certeza. Até para o jovem, né? Exatamente.

Então, as escadas têm que ter corrimão. Corrimão dos dois lados. E, de preferência, piso antiderrapante.

Escada também é importante. E cuidar da visão. Sim.

Escada rolante também. Eu já vi acontecer acidente em shopping. Essas coisas com o idoso que não teve tempo suficiente ali.

A escada foi passando e ele não conseguiu segurar a tempo? A escada rolante é muito rápida. Então, o idoso não tem aquela agilidade para segurar, pisar entre as duas faixas amarelas. Então, o idoso, numa escada rolante, tem que estar acompanhado.

Ou vai no elevador. Sim. Acaba sendo uma forma... E os calçados, que a gente estava falando, não só tênis, mas de forma geral, tem também bastante... Claro, a gente vai ficar assistindo as empresas porque a gente não está sendo patrocinado.

Mas tem muitas empresas que ficaram famosas de adaptarem o estilo, isso que o senhor falou, sem deixar de lado aquela questão da feminilidade. Da estética. Exato.

No caso das mulheres. Mas que trazem também esse lado do calçado bonito, numa linguagem mais informal. E também essa forma de... Existe para quem quer unir as duas coisas.

Sim, existe. Existem várias. E a estética dos calçados dos homens também.

É que os homens não usam salto. O salto é uma coisa... O salto alto, para uma mulher idosa, acaba sendo mais difícil. Então, ela tem que ir muito mais para a academia para poder continuar fazendo o exercício físico e poder usar sapato com salto.

Sim. E a bengala, então, é sempre com orientação médica. A bengala mal usada é pior.

Isso. As bengalas que são vendidas nas farmácias elas são boas bengalas. Elas são de alumínios reguláveis.

Aquelas bengalas antigas, estilizadas, elas são bonitas, mas elas não são mais adequadas. Então, que tinham lá a cabeça da bengala de um jeito bonito, uma madeira torneada, aquilo não é adaptável, aquilo é inadequado em geral. Em questão também das orientações a respeito de medicamentos, que a gente falou que pode até causar, a gente não vai falar de novo de causa, porque a gente já citou, mas existe na forma de prevenção, algum medicamento nesse sentido, que consegue ajudar, por exemplo, o equilíbrio, ou enfim, algo que pode ser prescrito para esses pacientes? A causa do desequilíbrio é uma doença, por exemplo, uma doença do labirinto, as labirintopatias que causam vertigem.

Os antivertiginosos estão indicados, então o remédio para tontura está indicado. Se o paciente tem uma arritmia e o coração acelera ou baixa devagar, os tratamentos antiarrítmicos com remédios ou com marca-passos são os mais indicados. Agora, com relação à medicação, vamos dar um outro exemplo, remédios para diabetes, então o paciente não pode ficar hipoglicêmico, a diabetes tem que ficar bem controlada, não pode ficar excessivamente controlada.

Agora, o mais importante em medicação é evitar os medicamentos inapropriados. Existem vários medicamentos que são inapropriados para os idosos. Então, se ele vai usar um antialérgico, não use aqueles antialérgicos que são sedantes, sedativos, tem antialérgicos antigos que dão muito sono.

Mesma coisa com os relaxantes musculares, tem relaxantes musculares potentes que eles também dão sedação. Quando o paciente tem uma dor muito forte, os opioides, os medicamentos para analgesia mais potente, eles também causam desequilíbrio. Muitas vezes, esses medicamentos estão bem indicados.

É necessário tomar um opioide, é necessário tomar um relaxante muscular, mas o profissional, quando prescreve, ele tem que pensar também se não tem algum medicamento que faça menos mal para aquele paciente. Tentar escolher o medicamento mais apropriado para o idoso. Outra coisa são o excesso dos benzodiazepínicos, os calmantes, os indutores de sono, em geral o paciente usa à noite, e acorda à noite para urinar, e aí cai à noite porque tem uma somatória de fatores.

Sim, em geral os medicamentos estão ligados a alguma causa específica, aquela questão intrínseca que a gente estava falando. Exatamente. E bem indicada, às vezes o calmante é bem indicado, mas será que aquele paciente precisa? Ele precisa daquela dose tão alta? Será que já não dá para parar? Será que não dá para substituir por um antidepressivo que também vai tratar o síndrome o remédio da família dos antidepressivos que tratam os sintomas de ansiedade e não tem aquela sedação excessiva? Então, uma das coisas que o geriatra mais faz é reavaliar a medicação que o paciente toma e adequar.

Sem retirar o que não deve ser retirado. Sim. Doutora, importante também a gente sempre cita mitos e verdades que são os que estão sendo mais comentados, trendy topics que a gente fala de todas as redes sociais, a gente faz um levantamento, então eu separei alguns aqui que as pessoas mais procuram relacionados a quedas em idosos.

Então, primeiro, as quedas são uma parte inevitável do envelhecimento. É uma mentira. As quedas são evitáveis.

Desde que ocorra uma orientação, elas são evitáveis. Não são inevitáveis. Elas são frequentes quando o paciente fica muito idoso, mas a gente tem que fazer tudo para que ela seja evitável até o final da vida.

A gente disse logo no início, não pode ser considerado normal. Exatamente, enfatizando porque às vezes a queda faz com que a vida decline muito. A qualidade de vida do paciente piora muito após uma queda.

Apenas os idosos frágeis caem. É mentira. Os idosos frágeis caem mais, são mais suscetíveis a quedas, mas idosos ativos, imprudentes, também caem.

Não há muito o que se possa fazer para prevenir quedas. Uma grande quantidade de mentiras. Existem várias coisas para ser feitas para prevenir quedas.

Somente idosos sofrem de queda? Não, pacientes jovens sofrem quedas também. Mas aí são quedas únicas, principalmente na construção. O maior número de quedas ocorre na construção.

Eu estava vendo um dado aqui justamente que fez o levantamento, que fala que o corpo de bombeiros revelou que era de um estado específico. Em maio de 2019, 5 pessoas com até 30 anos caíram e precisaram de atendimento dos socorristas. Então, para um mês, para um local específico, é bastante.

Muito. Comparado com o mesmo mês do ano anterior, que foi 2018, eram 4 acidentes. E a gente já viu em muitas pessoas jovens, até famosos.

Caíram, se acidentaram e levou a alguma consequência mais grave. Idosos saudáveis estão livres de riscos de queda? Mentira. Eles têm risco de queda menor do que, muito menos do que os idosos frágeis, mas eles têm risco de quedas.

Pelo envelhecimento normal. Como a marcha, os reflexos. Mesmo um idoso saudável com 80 anos, ele tem piora dessas condições.

Visuais e reflexos. Então, ele tem um risco maior de queda, comparando com ele mesmo, com 60 anos. Então, o que a gente faz muito na geriatria é falar o senhor, comparando o senhor mesmo com 60 anos, o senhor se sente mais suscetível a queda? Sim.

Nossa, com 60 anos eu tinha reflexos que eu não tenho hoje. É isso, né? E doutor, essa degeneração, já aproveitando o gancho, essa degeneração pode, não sei se é o termo correto de usar, mas da qualidade de vida daquele idoso, costuma acontecer de forma gradual, muito lenta, ou pode acontecer de uma hora pra outra? Aquele idoso tá muito bem um ano, no ano seguinte... O envelhecimento, a degeneração própria do envelhecimento, que a gente chama senessência, ela é gradual. Então, a gente vai, a nossa visão vai piorando gradualmente, as nossas cartilagens vão periorando gradualmente, a gente vai perdendo músculo gradualmente desde a quinta década de vida.

Quinta, sexta, sétima, oitava década de vida. Quando ela é de forma acelerada, em geral tem alguma doença associada. Ou o paciente tá diabético, ou o paciente teve um... Tá com alguma doença reumatológica.

Quando é acelerada, fala, opa, não é normal, tem alguma doença junto. Exatamente. Quedas estão apenas ligadas ao equilíbrio? Eu diria que sim, porque o termo equilíbrio é muito amplo, né? Então, no idoso, a queda, a gente chama de síndrome geriátrica, porque ela tem vários fatores.

Então, o idoso quando cai, ele se desequilibra. Então, ele se desequilibra um pouco por causa de um medicamento, junto com aquilo, o labirinto dele, a capacidade de se manter estável pelo labirinto não é a mesma, a força muscular dos membros inferiores não é a mesma, então ela é multifatorial, ele se desequilibra, né? E aí cai. Exercícios regulares de fortalecimento e equilíbrio podem reduzir significativamente o risco de quedas? Isso é o mais importante.

Assim, se eu tivesse que deixar uma mensagem final, exercícios de fortalecimento muscular e de equilíbrio são os mais importantes. Quais são os exercícios de fortalecimento muscular? São aqueles exercícios que a gente chama de resistidos. O melhor é a musculação, né? O mais efetivo.

Mas o pilates também funciona bem, principalmente pra cintura, glúteos. A natação, mesmo que não tenha impacto, mas se o paciente faz lá com nadadeiras também, é um exercício que fortalece a musculatura. E equilíbrios, tem yoga, tai chi chuan, caminhar, mesmo na academia, o personal ou fisioterapeuta podem fazer exercícios pra treino de equilíbrio.

Então, fortalecimento, a gente fala pro idoso, né? Fortalecimento muscular de membros inferiores, principalmente, e treino de equilíbrio. E esteira também acaba sendo uma boa opção? Esteira é uma boa opção. Se o paciente tem uma boa coordenação, a esteira é uma opção.

Uma boa coordenação motora, né? Pra desligar, acelerar... Acaba sendo mais fácil no sentido financeiro. Exatamente. Alguém tem que acompanhar, perceber que o idoso tem que manejar bem a esteira, a esteira tá ótima.

Ou se não, caminhar em lugares em que o piso seja na rua, nos shoppings, né? Só a caminhada seria suficiente, doutor? Ou tem que unir de fato com musculação? A caminhada não é um exercício que melhora a força muscular de forma efetiva, né? Caminhar é bom pro equilíbrio, tá? Então, caminhar é bom pro equilíbrio. Outros exercícios pro equilíbrio, em geral isso é feito com profissional, é pedir pro idoso ficar na ponta dos pés, se apoiando na parede, apoiar na parede e ficar só em um pé, balançar as pernas, ficar apoiado na parede e levantar os braços. Então, existe uma série de exercícios pro equilíbrio e os que a gente já conhece, que é pro fortalecimento muscular, que são mais conhecidos, né? Sim, às vezes pegar uma série até na internet, alguém da família colocar ali pro idoso copiar, já ajuda.

Ajustes simples no ambiente doméstico, como remover tapetes soltos, instalar barras de apoio, garantir uma boa iluminação, podem prevenir muitas quedas? Certíssimo. São coisas simples, básicas, que levam minutos e que podem fazer uma diferença enorme. Agora, nosso último mito, ou verdade, a revisão regular de medicamentos com profissional de saúde pode identificar e ajustar medicamentos que aumentam o risco de quedas? Fundamental.

Verdade, tem que rever as medicações do idoso e mudar ou suspender aquelas que são deletérias. Muito importante isso aí também. Sim.

Vou aproveitar então agora, doutor, foi um papo muito esclarecedor, inclusive a gente achou que não ia ter tanta coisa pra falar e no final acaba faltando tempo. Pra quem tiver alguma dúvida e quiser fazer um acompanhamento com você, por onde que pode te encontrar? Pelo Instagram ou pelas mídias aí do Instituto Amato. Tá, o senhor atende principalmente aqui no Instituto mesmo, né? Exatamente, há muitos anos.

Tá, então a gente vai deixar os links pra quem quiser algum acesso, quiser enviar alguma dúvida aqui pro doutor Marcos Morillo, nosso médico geriatra, que participou aqui hoje e também quem ficou com alguma dúvida específica desse assunto ou quer que a gente traga novamente o doutor Marcos, pode comentar aqui no nosso vídeo que é muito importante essas sugestões pra que a gente monte um próximo roteiro, né, doutor? É isso aí. Obrigado, Letícia. Obrigada, senhor.

Muito obrigada pela participação e também agradeço a você que está acompanhando por sempre estar aqui nos acompanhando nos episódios relacionados à qualidade de vida, né, que a gente fala que é sempre um mix de assuntos que não é só algo específico relacionado à medicina de fato, mas a gente tenta unir tudo isso pra que todas as dúvidas sejam esclarecidas. Pra quem ficou com alguma dúvida específica sobre esse tema, pode encaminhar aqui como eu falei, pode acompanhar as redes sociais do doutor Marcos Morillo e também pode curtir, comentar e compartilhar que ajuda muito aqui no nosso AmatoCast. Obrigada e até a próxima.

Tchau!

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