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Lipedema: A Verdade sobre Exercícios e Cirurgias Que Você Precisa Saber | Amatocast Ep. 55

AmatoCast, episódio 55

Lipedema: A Verdade sobre Exercícios e Cirurgias Que Você Precisa Saber

47 min

Com Letícia Miyamoto

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Neste episódio

O Dr. Keller explica como a medicina do esporte pode ajudar pessoas com lipedema a se exercitar com segurança. Para quem está sedentário, ele cita exercícios na água, como hidroginástica e natação, porque reduzem o peso sobre joelhos e coxas, e defende musculação e outras práticas desde que supervisionadas e adaptadas. Esportes com trauma direto nas pernas, como lutas com chutes e futebol, podem piorar os sintomas e exigem adaptações. O episódio também comenta o papel do exercício e da alimentação no controle da inflamação e o trabalho em equipe multiprofissional.

Assista

Sobre o episódio

Você sabia que o lipedema pode ser controlado com exercício físico e acompanhamento médico? 🏊‍♀️ Descubra como a medicina do esporte ajuda na prevenção e no tratamento dessa condição que afeta a qualidade de vida de tantas pessoas. Assista ao episódio completo e saiba mais! 🎧 #Lipedema #Saúde #ExercícioFísico
No episódio, o Dr. Keller aborda como a medicina do esporte pode beneficiar pacientes com lipedema, condição que afeta principalmente mulheres e causa acúmulo de gordura dolorosa nos membros inferiores. Ele explica os estágios da doença, os desafios enfrentados pelos pacientes e a importância de práticas supervisionadas de exercícios, como hidroginástica e musculação adaptada. A inflamação, característica do lipedema, pode ser controlada com mudanças nos hábitos alimentares, atividade física e intervenções médicas. O podcast também destaca o papel de uma equipe multiprofissional no tratamento e a possibilidade de aliar novas tecnologias, como medicamentos injetáveis, ao manejo da condição.

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Transcrição

Apesar de ter sido criado em 1908, o tempo de construção da palestra foi muito longo. O tempo de construção foi muito longo. adequado para aquele tipo de esporte, corre o risco dele ter algum problema, um infarto, um mal-estar, um mal súbito, então a gente tenta cercar com exames, para a gente deixar aquele paciente mais seguro possível, para ter menor risco de lesão, menor risco dele ter algum problema cardíaco, e se tiver, a gente já vai tratar para prevenir um mal maior.

Legal, então antes da gente começar de fato aqui no nosso assunto do podcast de hoje, eu só vou fazer um breve comentário, para quem ainda não sabe, a gente tem um patrocínio, aqui uma novidade no AmatoCast, que é o patrocínio do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa, o foco da origem é qualidade de vida e prevenção. Doutora, eu trouxe um dado aqui interessante para a gente citar, que chama muita atenção, que mostra que o 52% dos adultos no Brasil raramente ou nunca praticam atividade física, de acordo com dados do Serviço Social da Indústria, do SESI, isso foi levantado desde a pandemia. Claro que deve ter outras novas pesquisas atualizadas em relação a isso, mas chama atenção, porque apesar da gente cada vez as pessoas mais novas têm essa questão do hábito de vida, gosta de ter um estilo mais saudável, pelo menos o que eu vejo da minha idade também, ao mesmo tempo também a questão do iFood, dessa praticidade das entregas ali, acaba fazendo com que as pessoas deixem, às vezes, de lado pela correria também, no dia a dia, esse cuidado com a saúde.

Continuar lendo a transcrição

É o que você percebe também? O que a gente percebe? A maioria das pessoas aqui na cidade grande não cozinha sua comida, não vai fazer a caminhada, não vai para o trabalho, a gente usa o metrô, ônibus ou carro, então a gente se movimenta pouco. No que a gente movimenta pouco, o nosso organismo, ele tende a ficar mais acomodado, a gente comendo uma comida mais pesada, uma comida, o fast-food, a comida rápida, a comida preparada com bastante gordura, sal, e não se movimentando, esse é o mal. A gente vai ganhando peso, a gente vai tendo as doenças relacionadas à obesidade, doenças relacionadas ao excesso de sal, com uma pressão alta, colesterol alto, isso tudo está relacionado ao estilo de vida.

Então, antigamente, o pessoal que era lá do interior, que fazia a caminhada até o trabalho, que comia aquela comida que a própria pessoa cozinhava, tal, tinha uma qualidade melhor, mas hoje em dia, com a informação, a gente também está melhorando isso aí, tá? Na pandemia, o pessoal viu que a importância de estar bem fisicamente, as pessoas que estavam bem fisicamente, conseguiam, tinha uma reserva muscular, uma reserva cardiopulmonar, conseguiu responder melhor às doenças. Isso daí a gente percebeu. Certo.

Doutor, e a gente não pode deixar de ir já direto, inclusive, para o nosso ponto, que para quem procurou o nosso episódio aqui de hoje, quer saber sobre lipedema. Uma das suas especialidades é cirurgia vascular, que trata sobre essa condição. Há muitas pessoas que falam, inclusive, que o lipedema, quando a pessoa tem essa condição, tem uma certa dificuldade de ter, de praticar exercício físico, sente algum incômodo.

Isso, de fato, é um limitador, a doença acaba sendo um limitador para essas práticas, ou é ao contrário? Cada vez que a pessoa tem esse diagnóstico, ela precisa procurar a prática dos exercícios físicos? O exercício físico é indicado para todos. A gente fala desde os 8 a 80. Então, assim, a gente tem que praticar o exercício físico, mas sempre com acompanhamento de um profissional, um profissional médico, um profissional de educação física.

Há as pessoas que têm lipedema. Lipedema é aquele acúmulo de gordura dolorosa, mais os membros inferiores. A gente tem vários estágios.

No estágio inicial, a limitação é bem pouca. No estágio intermediário, estágios mais avançados, a pessoa tem uma limitação por conta do tamanho da coxa. A coxa é muito grande, uma começa a bater na outra, a pessoa começa a pisar mais aberto, desalinha joelho, desalinha tornozelo.

Antes de começar a atividade física, a gente orienta. Venha, passa com um dos médicos da equipe, passa com um professor de educação física, para ele te dar orientação. Por quê? Muitas das vezes a pessoa tem lipedema, está sedentária, fala assim, a partir de hoje vou matricular numa academia e vou fazer tudo que é exercício que eu posso fazer.

Ela acaba se lesionando. Por quê? Está fazendo o exercício com o joelho desalinhado, com a coxa desalinhada, com a coxa mais grossa e tal, começa a assar no meio da coxa, começa a ter dor no joelho e tem a lesão. Vai, matricula, um mês depois tem lesão, fala, isso aqui não é pra mim, essa coisa de exercício não é pra mim.

Então, a gente vai periodizar, vai ajudar a achar o melhor exercício para aquela pessoa. Então, a pessoa que está sedentária, que vem sem fazer nada, um dos exercícios que a gente indica são exercícios em água. Por quê? O empuxo da água, ele vai tirar o peso da coxa, do joelho, então o risco de você ter lesão fazendo um exercício como uma hidroginástica, uma natação, aqueles funcionais na água, é muito menor do que você chegar e querer fazer um funcional convencional, uma musculação sem supervisão.

Eu não sou contra nenhum tipo de exercício, desde que seja supervisionado e ele adaptado para a condição física daquela pessoa. Então, no Lipedema, a gente atua nessa questão, a gente vai ver a parte vascular, se não tem nenhuma insuficiência venosa, se não tem nenhuma varíze e vai ajudar também nessas questões. Muitas das vezes, o paciente vem com a gente e já tem lesão de joelho, já tem lesão no tornozelo, já tem uma artrose, uma chondromalácea, mas nunca se atentou para tratar daquilo, que no começo, essas doenças não causam dor.

Ela vai causar um estalido, uma creptação no joelho e, ah, isso aqui eu já sou assim há 10 anos, não é nada. Aquilo ali é o começo de uma artrose. Então, a gente já atua num paciente de 20, 30, 40 anos, para ele não chegar lá com seus 60, 70 anos, tem que colocar uma próstese de quadril, uma próstese de joelho.

Então, é nisso tudo que a gente ajuda na medicina do esporte, além de melhorar o condicionamento, na prevenção das doenças, prevenção de uma lesão maior. Isso é importante, né, doutor? Porque as pessoas costumam ter essa preocupação, cuidado, conforme vão ficando mais velhas. Normalmente, quem é novo sente uma dor, às vezes até sente um incômodo ali persistente, mas fala, ah, isso aqui vai melhorar, não é nada grave.

E é justamente aí que entra a especialidade. Sim. Muitas das mulheres, eu falo a questão do pneu do carro.

Eu falo assim, ó, você tem o pneu do carro, se ele tá alinhadinho, ele desgasta de uma forma normal, de uma forma equilibrada. Se o pneu do seu carro tá desalinhado, você vai ter um desgaste irregular. Do seu joelho também.

Você tá com a coxa mais grossa, o joelho desalinhado, um lado você força o ligamento, do outro lado você força o menisco, você força as articulações, então você vai ter um desgaste irregular. Esse desgaste irregular que vai trazer essas consequências dessas lesões. Isso é uma das coisas.

E aí, assim, pô, não posso fazer exercício nenhum? Exercício na água é uma boa dica. Ou um exercício de menor impacto, um pilates, um yoga. Isso pra sempre? Toda mulher com lipedema tem que fazer isso pra sempre? Não.

A gente fala no começo. Mas tem gente que gosta tanto, começa a fazer natação, adora, que aí só vai agregando outras coisas e a natação fica com aquele primeiro exercício. Doutor, algum exercício que é considerado proibido de fato? Eu imagino que algumas pessoas que estão acompanhando já tem crossfit na cabeça.

É uma dúvida que imagino que muitas pessoas também te procuram pra saber de crossfit. Tem do lipedema ou não? Qual que é a sua opinião sobre esse tema polêmico? A questão do crossfit é um excelente exercício, aquele que eu falei. Tem que ter alguém pra ajustar pra você.

Tem até um grupo aqui da Santa Casa de São Paulo que fez trabalho sobre lesões do crossfit. O esporte que mais dá lesão em número absoluto, sabe qual é? Futebol. Porque é o esporte também mais praticado, tá? Quando eles pegam e vêm por horas de exercício, eles veem que o crossfit por hora de exercícios, ele causa a mesma quantidade de lesão do que uma natação, por exemplo.

O que você vai ter de lesão fazendo crossfit é assim, quando você tá fazendo um exercício que não é adequado pro seu condicionamento físico. Então assim, eu e você, nós somos iniciantes em crossfit. A gente entra numa turma que já tem avançados.

Aí a gente vai tá com o corpo quente, tá vendo o pessoal fazer e fala não, vou fazer também. Aí a gente acaba se machucando, tá? Então se tem um professor atento pra fazer adaptação do exercício, do movimento para você, sem problemas, dá pra fazer crossfit. Não naquele inicial, no inicial eu falo vamos tentar fazer um exercício de menor impacto.

Mas o exercício, o esporte que a gente fala pra evitar, é um que eu gosto muito, que eu fiz por muitos anos, que é por exemplo o Muay Thai. Muay Thai é um exercício que você vai chutar. E no que você chuta, você pode machucar aquela gordurinha do lipedema.

Mas eu tenho paciente que tem lipedema e fala eu adoro fazer Muay Thai, eu adoro fazer luta. Ok, a gente vai fazer umas adaptações. Então vamos colocar uma caneleira mais acolchoada, vamos chutar no aparador, vez um saco de pancada, entendeu? Então assim, a gente consegue ajustar, mas tudo que você tem trauma direto nos membros inferiores, pode piorar os sintomas do lipedema.

Então Muay Thai, luta de uma maneira geral que você bate, futebol, você vai bater a bola ali naquela região, pode piorar. Tá, em questão da inflamação do lipedema, eu até fiz um episódio aqui, como eu sei que tem muitos médicos aqui da Clínica Amato que são especialistas nessa questão do lipedema, eu lembrei que uma vez a gente comentou sobre a inflamação do lipedema, que se eu tiver errada pode me corrigir, mas que o lipedema é uma inflamação e que isso pode tanto melhorar como piorar dependendo dos hábitos que a pessoa tem. O exercício físico é capaz de diminuir isso de forma direta a inflamação ali do lipedema? A inflamação é aquilo.

A inflamação, eu tinha um professor que ele falava o seguinte, a inflamação não é de toda ruim, também não é de toda boa. A inflamação a gente tem que ter um equilíbrio, porque a gente precisa da inflamação pra várias coisas. Ele dava um exemplo que é assim, fogo na sua casa, você tem uma lareira em casa, você quer o fogo ali na lareira, você não quer que incendeie a sua casa.

Então, a inflamação quando ela tá exacerbada, ela pode dar dor, pode dar aquele hematoma, pode piorar de várias maneiras. Mas, por exemplo, quando você faz um exercício físico, que você sente aquela dor muscular no outro dia ou dois dias depois, aquilo ali é uma inflamação que tá acontecendo pra você ter hipertrofia, ganho de força. Então, a inflamação por si só, ela não é de totalmente ruim.

A gente tem que ter um pouco de inflamação pra gente fazer essa hipertrofia muscular, ter o ganho de força. O que a gente não pode é exagerar. Então, o que acontece nos exageros? Aquela questão que eu falei, vou fazer um Muay Thai, tô chutando lá, tá fazendo 100 chutes no saco, de pancada.

Ali você vai ter aquela inflamação da gordurinha, hoje tem uma inflamação, uma dorzinha, e aquilo lá vai piorando, vai causando aqueles nodos, aquela retração da pele. Então, aquela não é uma boa inflamação. Mas a gente sai daqui, vamos lá fazer uma musculação, faço exercício, eu sinto aquela dorzinha no outro dia, aquilo lá é a inflamação, é a dor muscular, a gente chama de desordem muscular, ou dor muscular de origem tardia, que é o seu corpo fazendo a hipertrofia, você ganhando mais força, é isso que acontece.

Então, a inflamação quando é demais, é ruim, a gente tem que tentar controlar, mas um pouco de inflamação é bom. Então, o que a gente ajuda a paciente com lipedema é que normalmente ela tá exposta a algo que tá inflamando de uma maneira prejudicial há muito tempo. Então, você olha aquela perna que você encosta no paciente, ela sente dor.

Já tive paciente que entrou com o marido que eu falava assim, não, essa inflamação, essa dor que ela sente é do lipedema. O marido começa a chorar, eu falava assim, não, porque eu encostava nela, ela falava que tava com dor, que doía, que falava, minha mão é mão de urso, mão pesada, não era, era que ela tava inflamada, tá? Mas não é inflamação de uma coisa ruim. E muito se fala também da questão estética do lipedema, que principalmente as mulheres têm essa preocupação, não que os homens não tenham, mas as mulheres costumam se preocupar mais, né, em questão da saia ali, que a perna aparece mais, do vestido.

O exercício físico também é capaz de diminuir nesse sentido? Sim, ajuda. O que acontece? Aquela gordura do lipedema, quando ela tá inflamada, ela forma aquelas nodulações, pode fazer retração de pele, então você vê, a gente fala que é um aspecto tipo casca de laranja, um aspecto todo irregular. A gente descobrindo o que é sensível essa pessoa que tá causando aquela inflamação.

Fazendo um déficit calórico, que a gente diminui aquela camada de gordura também. E fazendo o exercício que ajuda na hipertrofia, então você consegue modelar, mas a gente tem que ir por etapas. Então, na primeira etapa, a gente vai fazer a anamnésia, aquela conversa no consultório, vai tentar descobrir quais são os problemas, quais são as hipersensibilidades daquela pessoa, depois a gente vai retirar aquilo, depois a gente vai fazendo aquele exercício de baixa intensidade, porque se eu pego o paciente e jogo um exercício de alta intensidade, ela vai piorar aquela inflamação.

Então, eu já peguei paciente que foi fazer funcional com eletroestimulação, sabe aqueles aquelas roupas que fazem choque pra todo lado? Aí na outra semana falou, tô com dor, piorei. Mas foi por quê? Porque fez algo muito intenso, então a gente tem que fazer devagar, escalonando, na última etapa a gente trabalha essa parte de hipertrofia. Já diminuiu a camada de gordura, faz aquela hipertrofia, aí desenha aquela musculatura, a pessoa fica bem melhor.

Legal. Doutor, e esse processo que normalmente as pessoas fazem, às vezes sozinhas na academia, ou às vezes com o personal, quando tem de fato o diagnóstico da doença, é recomendado que siga a instrução de um médico de fato, especialista nisso? Sim. A gente, como médico, a gente vai dar o caminho.

O professor de educação física ele vai prescrever os exercícios. A gente precisa do nutricionista também pra fazer aquela dieta específica. E a gente precisa também, por exemplo, do fisioterapeuta, que ajuda também a mobilização de lítios, ajuda a liberação de fibrose, ajuda a melhorar a dor.

Fazendo tudo isso, ela vai estar no caminho pra ter essa melhora, tá? Mas isso tudo também não é de um dia pro outro. A gente fala assim, em média, de seis meses a um ano, fazendo tudo direitinho, ela vê um excelente resultado. Nas primeiras semanas, você já se sente melhor.

Eu tive um paciente que descobriu assim, o que era o que a inflamava, quais eram os gatilhos inflamatórios. Ela tirou assim, cerca de uma semana, dez dias depois, falou que estava se sentindo super bem. Muito melhor.

Às vezes pela alimentação também, né? Exatamente. Essa questão da alimentação, eu falo que é super importante. Acho que isso é um número aleatório, mas assim, na minha cabeça, mas o que eu percebo é que cerca de 80% do processo tá na questão da alimentação.

Uma alimentação regrada, tirando aquilo que você é sensível, tá? Então, a gente nos primeiros momentos, a gente tenta descobrir tudo isso. Na primeira e na segunda consulta, que a gente tenta desenhar isso pra pessoa seguir. Doutor, e você que também lida com atletas profissionais, pra quem tem a condição do lipedema e pensa em seguir no esporte, é possível? É possível, não é um limitador.

Normalmente, os atletas que eu atendo, que têm lipedema, eles conseguem regredir, eles ficam com o lipedema no estágio inicial, o estágio um, aquele estágio bem pequeno, que a gente consegue detectar aquela gordurinha do lipedema ali no ultrassom, mas dependendo do tipo de treino, da intensidade, a pessoa às vezes sente um incômodo, porque o atleta, ele já usa o corpo no extremo, né? Então, ele usando o corpo no extremo, às vezes, depois de uma competição tal, ele sente um incômodo ali naquela região. Então, a gente vai trabalhar pra tentar minimizar aquilo, mas dá pra ser atleta, tem atleta competindo, tem até atleta que representa a nossa seleção, também, que tem lipedema e segue a vida. Não precisa deixar as vontades do sonho geladas.

Não, não. E uma das coisas que às vezes eu pego o paciente, eu peguei uma que chorou até, que ela perguntava, eu tenho lipedema, posso ter filho? Pode, vá, tenha filho, a gente ajusta o que precisar da dieta, a gente ajusta o que precisar do treino. Às vezes piora um pouco, mas está tudo bem, ela sai do estágio um, foi pro estágio dois, depois a gente consegue recuperar.

Se é o sonho dela ter filho, sem problema. Ela tendo aquela gestação acompanhada por esses profissionais que eu lhe falei, sem problema nenhum. Mas isso não é um impedidor da pessoa fazer exercício físico, de se tornar um profissional, da pessoa ter filhos, nada.

A pessoa com lipedema, pessoa normal. Doutor, outro esporte, outra prática que tem viralizado, inclusive nas redes sociais, Instagram, TikTok, de pessoas que colocaram na vida ali, viram a mudança, tem até aquela Manuela Sitte, uma influenciadora que fala sobre corrida e como isso transformou a vida dela. Então eu imagino que seja uma dúvida também das pessoas, cada vez mais na moda, a questão da corrida.

Uma pessoa que não tem lipedema, que não tem nenhum sinal, se começa a correr, que a gente sabe que é um esporte de impacto, também a questão do tênis, isso é importante a gente falar, vamos deixar um pouquinho mais pra frente pra dividir bem, porque tem essa questão do preparo ali pra tudo que é utilizado. Uma pessoa que não tem, ela pode desenvolver algo crônico por conta desse esporte de impacto? O esporte, ele é bom, o que a gente tem que cuidar? A gente tem que cuidar se a pessoa não tem algum desvio de joelho, se a pessoa não tem um valgo que a gente fala, ou varo, um joelho mais pra dentro, um joelho mais pra fora. Se ela tiver, isso também não é um impeditivo, mas aí a gente precisa fazer trabalho com fisioterapeuta, com professor de educação física pra fortalecer aquela musculatura pra dar condições dela fazer aquele exercício sem se machucar, porque assim, essa é a importância de fazer a avaliação pré-participação que a gente fala.

A gente vai ver, aquele coração tem algum problema? Ela tem alguma arritmia? Porque às vezes a pessoa tem algum problema cardíaco que ela no repouso não sente nada, mas se ela fizer um exercício com alta intensidade, ou moderada intensidade que seja, isso pode desencadear uma arritmia, a arritmia pode piorar no exercício. Então a gente faz esse rastreio antes de liberar pra tudo isso. Tá com dor no joelho? Tá com a pisada diferente? Então isso tudo a gente ajusta.

A gente tem como parceria também ortopedistas, tem colegas ortopedistas, especialistas em joelho, especialistas em pé, então a gente vai fazendo tudo junto a tudo, esses profissionais, é algo multiprofissional, daí a gente vai pedindo a orientação um ajuste aqui e ali. Tem alguns pacientes que precisam de cirurgia, outro paciente só precisa de um fortalecimento, outro paciente só precisa ajustar um tênis, ajustar a pisada, ajustar a palmilha, tem paciente que precisa de cirurgia. E é recomendado que mesmo se a pessoa não pretende seguir mesmo como atleta naquele exercício, antes de começar assim, a pessoa tem nenhuma condição nenhuma doença que procure pra ter esse direcionamento.

As vezes ela não sabe que tem. Ou então as vezes a pessoa passou num postinho de saúde, passou num clínico aqui e ali e foi diagnosticado, ó, você tá pré-diabético, ou você tá diabético, vamos começar a fazer uma caminhada. Será que ele tem um problema de sensibilidade, uma neuropatia? Porque as vezes a pessoa tem uma neuropatia, tá pisando torto, pode machucar fazer um calo, e muitas das vezes histórias de amputação de dedo em paciente diabético começa assim.

Ah, fui fazer uma caminhada, entrou uma pedrinha no meu sapato, não percebi, na hora que tirei o sapato tinha um machucado ali. E ali começa a infecção, começa tudo. Então a gente é pra ajudar você a fazer o exercício com mais segurança.

Certo. Doutor, e a dor no exercício físico? Até onde que é uma dor aceitável e quando é algo que acende um alerta pra pessoa, olha, precisa procurar de fato, pode ter uma condição aí por trás dessa dor? Então quando você faz exercício, ah, fiz exercício de perna, fiz exercício de membro superior, você vai ter dor naquele grupamento muscular que você fez o exercício. Ah, eu fiz exercício de perna, tô com uma dor na lateral do meu joelho direito.

Opa, é uma dor pontual, pode ser que tenha acontecido alguma lesão ali na região do menisco, uma inflamação, alguma coisa assim. Agora não, tô com uma dor geral, na coxa, na panturrilha, aquilo ali é a dor esperada do exercício. E aí tem algumas coisas na literatura.

Tem um grupo que fala que aquilo lá é da desordem muscular. As fibras musculares, elas entram em desarranjo e aí elas começam a se rearranjar em 24 a 48 horas, que é quando dá dor. Então eles falam que é a desordem muscular de origem tardia, que é o esperado.

Tem outro grupo que fala a questão da ruptura da fibra. Ah, rompeu a fibra muscular e é o tempo que ela vai recuperar. Então, essas duas teorias são pra falar esse estímulo e a dor.

Mas pra você estimular, você tem que tá causando essa dorzinha, quer dizer que você fez um exercício bom. O Arnold Schwarzenegger falava, ele foi Mr. Olympia, se não me engano foram sete vezes que ele foi Mr. Olympia, ele sempre falava tem que sempre tá dando sustinho no músculo, que é isso. Se você tá adaptado ao exercício, você vai lá, vai na sua academia, faz sua musculação, você tá lá seis meses fazendo o mesmo treino e você não tá sentindo nada, é hora de trocar.

Doutor, e questão também até do lipedema isso, né? Isso, isso pra qualquer coisa. Mas nas pacientes com lipedema, num primeiro momento, a gente não quer essa dor. No primeiro momento, nos primeiros três a seis meses, eu quero, se ela tá sedentária, que ela saia do sedentarismo.

Quero que ela ajuste a alimentação. O que eu vejo? Quase todas as pacientes não tomam a quantidade de água adequada. Quase todas as pacientes não comem 50% da proteína que a gente precisa.

Porque se a gente não come proteína, não adianta eu fazer aquele exercício, que eu não vou construir músculo. É o que eu falo aos pacientes. A gente quer construir uma parede, eu preciso de quê? Tijolos.

Eu quero construir músculo, eu preciso dos aminoácidos, que eu consigo onde? As proteínas. Se eu não como de uma maneira adequada, não adianta eu fazer o crossfit, musculação, o funcional, exercício que seja, que eu vou dar o estímulo, mas eu não vou dar o substrato pra construir aquele músculo. Doutor, e pela sua especialidade também de cirurgião vascular, em que ponto que começa a ser cogitada uma cirurgia na questão do lipedema? Com relação da vascular e do lipedema, o que que acontece? A maioria dos pacientes com lipedema vem e sentam na frente do vascular.

Desde sempre. Por quê? O principal problema do vascular, problema que eu digo, a maior queixa dos pacientes que chegam até o vascular, são de varizes. Dor na perna e inchaço.

As mulheres com lipedema também tem dor na perna, inflamação e muitas têm varizes associadas. Muitas das vezes, essa paciente com lipedema não tem nenhuma varize maior. Ela passa no médico A, B ou C, ele faz o ultrassom, ele olha e fala, não, você não tem nada.

Mas não, se a pessoa tá reclamando que tem dor, ela tem alguma coisa. Aí quando você olha pro lado do lipedema, você vê, não, essa paciente não tem uma insuficiência venosa, não tem uma doença venosa, mas ela tem um lipedema. Então, o cirurgião vascular, ele vai fazer a primeira análise pra ver se não tem nenhum problema de insuficiência venosa.

Os vazinhos, as varizes, porque o vazinho, o pessoal fala, ah, vazinho é coisa estética. Não, vazinho é o primeiro estágio da doença venosa. É o que a gente chama de varize CEAP1, primeiro estágio.

E vai até o sexto estágio. O sexto estágio são aquelas úlceras grandes, aquelas varizes grandes que chegam a dar úlceras. Mas o primeiro estágio é aquele vazinho.

Não necessariamente a pessoa que tem vazinho vai chegar a ter úlcera. Mas a pessoa que tem úlcera, aquela varize grande com úlcera, ela já passou pra aqueles estágios iniciais. Então, chegou no vascular, a gente vai olhar essa questão.

Com relação ao lipedema, a gente vai olhar também, muitas das vezes a gente pode fazer cirurgia associado, mas quando que tá indicada a cirurgia de varizes? Quando tem aquela varize maior que incomoda. As varizes menores a gente pode fazer aplicação, fazer laser, espuma, radiofrequência. A gente tem várias outras técnicas.

Varizes maiores a gente às vezes vai pra cirurgia, pode ser a cirurgia convencional ou também a cirurgia com endolaser, que a gente tem essa tecnologia. Com relação ao lipedema, o lipedema quando é indicado a cirurgia? Quando ela já tá tendo aquela deformidade, que aquela coxa tá muito grossa, que ela não consegue andar com os pés e os joelhos alinhados, e aí começa a ter aquele problema ortopédico. Nesse momento é a hora da gente fazer.

A gente tenta primeiro fazer o tratamento clínico, a gente faz o tratamento clínico por alguns meses, e aí tem paciente que chega no seu limite. Chegou no seu limite, é a hora que a gente, junto com a equipe de cirurgia plástica que aqui a gente tem o Fernando Amato, que a gente opera junto, a gente vai fazer aquela lipo, contumescência, alguns pacientes precisam fazer em mais de um tempo. Tem paciente que faz uma lipo agora, daqui 3, 6 meses faz uma outra, com retirada de excesso de pele, porque às vezes você tira a gordura, mas fica aquele excesso de pele, porque aquela coxa foi sempre grande por muitos anos.

Então você tira e sobra aquele excesso. E às vezes aquele excesso ainda continua batendo um no outro e não permite com que a pessoa resolva aquele problema ortopédico dela. Então não adianta eu fazer infiltração no joelho, fazer aquelas injeções de ácido na região do joelho pra repor, pra lubrificar aquela região do joelho, se a gente não melhorou essa questão do alinhamento.

Doutor, e depois que a pessoa faz a cirurgia, ela pode voltar ali pras práticas das atividades físicas, por exemplo? A cirurgia é feita, a gente fala pra esperar pelo menos uns 15 dias, porque como é feita? A cirurgia do lipedema, tem a cirurgia do lipedema, a cirurgia das varizes e às vezes a gente faz a cirurgia combinada. Quando é só cirurgia de varizes, já teve paciente que no outro dia eu liberei pra fazer exercício. Isso, cirurgião vascular convencional não faz, mas o marido dessa paciente era o personal dela.

Então ele veio e falou, posso fazer exercício com ela? Eu falei, pode, não vamos fazer exercício de perna nessa primeira semana, mas ela pode fazer braço, ela pode fazer abdômen. Então no segundo dia eu já liberei pra fazer exercício, mas aí é com uma intensidade menor, com impacto menor e com o professor lá olhando. Com relação ao lipedema, é um tipo de uma lipoaspiração e fica alguns cortezinhos, alguns furinhos onde passaram as cânulas e aquilo ali drena um pouco das secreções.

Então a drenagem linfática a gente faz no dia da cirurgia. A gente faz cirurgia de manhã, à tarde já faz a primeira sessão. Então nesses primeiros momentos, algum exercício que vai fazer vai ser junto com a drenagem com o fisioterapeuta.

Isso na primeira uma semana até 10 dias. Depois disso, fechou, já dá pra fazer um exercício mais leve, exercício mais de membro superior e tal. Mas pra voltar ao exercício mais de perna, a gente pede em torno de um mês mais ou menos, tá? E pode terminar, né? Não, porque se ela quiser fazer exercício nos primeiros 15 dias, pode vazar.

Então aquilo se torna sujo, o chão, aquilo fica desagradável pra ela, pode escorregar, esse é o problema. Tá, mas nada que comprometa ali a... Não, da cirurgia não. Bom, então é só o cuidado, né? Doutor, não posso deixar de citar, já que a sua especialidade envolve a medicina do esporte e a cirurgia vascular, a questão dasquelas canetas de emagrecimento, que as pessoas estão usando muito agora.

Eu ia citar um nome que é mais conhecido, não tem problema a gente citar também, acredito, né? O Zempik, mas que tem outros também que estão muito conhecidos, né? Qual que é a sua opinião em relação a pessoas que estão associando ali a prática da atividade física com ou sem LPD, mas isso serve pra todas as pessoas, né? Como uma forma de emagrecimento unindo com a atividade física. É assim, o principal é aquilo, é a dieta. Eu vejo que o exercício físico faz uma mudança significativa quando você faz uma intensidade maior, mas às vezes a gente não tem um condicionamento físico pra fazer uma questão maior, mas a dieta é o principal, tá? Com relação a essas canetinhas, elas são uma das ferramentas.

É igual você perguntar pra mim, a cirurgia é o melhor método pra tratar o LPD? Não, ela é uma das ferramentas. Então se o paciente tem uma obesidade associada, ou o paciente não está conseguindo emagrecer, a gente pode usar dessas canetinhas que tem o Zempik, o IGOV, o Saxenda, tem várias no mercado, mas como um auxiliar, tá? Mas ele não é a principal. Mas pode ser usado sim, mas sempre sob orientação médica.

Porque às vezes você vê o pessoal comprando, ah, vou usar durante dois meses por conta de um casamento. Aí vai lá, usa, perde cinco quilos, parou no outro dia, no outro mês ganhou sete. Porque o que acontece? Se você usar algo pra inibir o seu apetite, e você não faz uma dieta adequada, aquilo que eu falei, se você não dá o substrato alimentar de proteínas adequado pra você construir músculo, se você não dá o estímulo com exercício, com a musculação, com o funcional, com a natação, com a hidrogenase, se você não dá o estímulo, não dá o substrato, você acaba emagrecendo, perde peso na balança, mas você perde músculo também.

No que você tem um reganho, você não reganha com músculo, você reganha com gordura. Sua composição corporal fica pior. No que sua composição corporal fica pior, a sua taxa de metabolismo basal, que é sua queima basal, a queima de calorias, também diminui.

Porque o que ajuda muito na queima de calorias é você ter músculo. Você usou canetinha, perdeu peso, perdeu massa muscular, depois você ganha com mais músculo, com mais gordura do que músculo, você perde o seu contorno corporal, sua qualidade da composição corporal e a sua taxa metabólica. Aí depois fala, pô, eu já usei várias coisas pra me ajudar a emagrecer, não consegui, e hoje eu faço dieta e não responde bem, porque por conta disso você perdeu um pouco de massa muscular e piorou sua composição corporal.

É, porque tem muito essa ilusão, né, que o Ozempic vai deixar, ainda mais pelo contorno, que as pessoas acham que o emagrecimento vai ficar com aquele corpo dos sonhos, né, e não de uma forma realmente, acredita que vai ser de uma forma proporcional e é o contrário do que acontece. Doutora, a gente tem um quadro aqui que é muito legal também no Amatocast, que é de mitos e verdades do que tem sido mais discutido na internet, eu separei alguns relacionados a lipedema, alguns envolvem atividade física ou não e alguns a gente até citou, mas é importante porque tá no Trendy Topics, então as pessoas tão mais comentando aí na internet só pra gente esclarecer se é verdade ou não. O lipedema é causado por uma má alimentação ou falta de exercício? O lipedema ele é genético, mas ele pode ser piorado por uma alimentação irregular e por uma prática de exercício irregular também, então por isso que a gente precisa ter a orientação adequada.

Doutor, o lipedema só afeta mulheres adultas? Não, o lipedema assim, o mais comum é depois da primeira menstruação começar a aparecer os primeiros sinais, então já começa naquela menina do 13, 14 anos, depois que engravida se a pessoa não estiver cuidando pode piorar, mas existe lipedema em homens também. A gente publicou um poster que o doutor Alexandre levou agora esse mês de novembro pra Nova York, mostrando os casos aqui da clínica, nós temos 5 casos de lipedema em homens, é mais raro, mas tem também lipedema em homens. Ainda mais pela questão estética, as mulheres se preocupam mais, né? É, homem vai deixar.

Toda pessoa com pernas grossas tem lipedema? Nem toda, nem toda, às vezes é uma questão de hipertrofia muscular e tal, mas a gente hoje em dia tem várias formas de fazer diagnóstico, a gente faz o diagnóstico clinicamente, a gente também pode ter o auxílio do ultrassom, com medidas de gordura do subcutâneo pra avaliar, e a gente também pode usar o DEXA, que é uma densitometria óssea com avaliação de composição corporal, então juntando tudo isso a gente consegue dar um diagnóstico preciso. O lipedema pode ser curado com dietas e exercícios? Ele pode ser controlado, como é uma doença genética, hoje a gente ainda não consegue editar o DNA da pessoa, é igual a questão de varizes, você operou, você tratou, você tá bem hoje, pode ser que daqui a alguns anos você venha a ter novos sintomas, mas é controlável, tem tratamento. O diagnóstico do lipedema é simples? É complexo, normalmente, quando é caso mais avançado, qualquer um daqui de nós consegue olhar pra paciente e falar aquela paciente tem lipedema, mas quando são casos iniciais, estágio 1, estágio 2, isso é mais difícil, então aí que a gente precisa, a gente precisa usar dessas ferramentas auxiliares, desses exames, pra complementar o nosso diagnóstico.

O lipedema é apenas uma questão estética? Não, não é estética, por conta daquilo que a gente falou, em estágios mais avançados, ele pode dar problemas ortopédicos, pode dar uma artrose, uma condromalácea, pode dar outros problemas que pode levar a ter que fazer cirurgias ortopédicas ou dar dificuldade de mobilidade naquela pessoa. O lipedema desaparece com a idade? Não, normalmente se você não cuidar, ele pode ir piorando com a idade. Diagnóstico precoce ajuda a gerenciar o lipedema? Ajuda.

Normalmente, quando eu atendo um paciente que ela tem lipedema, uma das perguntas, as primeiras consultas é, você tem filha? Ah, tem uma filha de 5, 6 anos. Ok, tem probabilidade dela ter. Então todo esse hábito saudável que a gente vai fazer com você, vamos tentar fazer com a sua filha também.

Então quanto mais cedo a gente trata, menos ela evolui. É mais fácil eu pegar uma adolescente, uma criança e colocar ela para fazer hábitos saudáveis, para praticar hábitos saudáveis, do que eu pegar uma pessoa que está no estágio avançado e fazer regredim. Doutora, só aproveitando essa pergunta, caso a pessoa tenha essa tendência, digamos assim, por essa questão genética de ter o lipedema e ela comece a fazer o exercício físico bem cedo, ainda na infância ou até na adolescência, pode impedir a pessoa de desenvolver o lipedema de fato? Sim, ela pode ter a genética, mas não ter desenvolvido, exatamente.

Isso que é o que a gente quer. A mãe tem lá, a mãe tem o lipedema, está lá no estágio 2, tem uma filha. O que a gente quer fazer é ajustar a alimentação daquela família, ajustar os hábitos de vida daquela família para aquela criança não desenvolver.

Então assim, pode ser que ela tenha genética, mas ela não teve os gatilhos para desenvolver o lipedema. O tratamento do lipedema em adolescentes é semelhante ao tratamento em adultos? Sim, é semelhante, mas normalmente, quanto mais jovem a gente pega essa paciente, é mais fácil de mudar os hábitos. Por exemplo, digamos que a pessoa tem uma intolerância à lactose, por exemplo, e ela já tem 40 anos de idade, é mais difícil você tirar a lactose da vida dela.

Você acha numa criança, é mais fácil, porque ela não tem aquele hábito de anos consumindo aquele produto. E é muito, a gente consegue esclarecer, apesar de a gente não ter um tempo tão para entrar em detalhes da especialidade do médico do esporte, que as pessoas acreditam muito que está ligado só a pessoas que já tem essa alta performance, os atletas que a gente falou no início, a gente percebe agora como que até a forma de prevenção realmente é importante. Sim, a maioria dos pacientes que procuram a medicina esportiva são ou atletas amadores ou pessoas que não são atletas.

A maioria dos pacientes que eu atendo aqui no Amato não são atletas, são os pacientes com lipedema que a gente vai começar a colocar a fazer exercício. É esse o perfil aqui do paciente. Veio com lipedema, está sedentário, então a gente vai iniciar na prática esportiva.

É isso que a gente ajuda. Atleta a gente ajuda também, faz ajuste, mas hoje em dia a maior parte dos pacientes é não atleta, ou atleta amador ou não atleta, o sedentário que a gente vai começar a tratar. Doutor, quero aproveitar os últimos minutos agora para fazer uma última pergunta aqui sobre o acesso da sua especialidade da medicina do esporte.

Claro que tem outras também, como por exemplo a cirurgião vascular, que a gente estava comentando que está associado diretamente a essa questão do lipedema, a cirurgia vascular, mas a medicina do esporte, até para fazer uma pesquisa prévia aqui para o nosso episódio de hoje, eu confesso que eu não achei muitos detalhes tão fáceis, ainda mais relacionado ao lipedema. Existe de fato uma dificuldade de acesso da população hoje à medicina do esporte? Medicina do esporte é uma especialidade que tem pouca gente, com título de especialista, tem muita gente que faz um curso A, B ou C e trata na parte da medicina do esporte, mas médico de esporte mesmo tem poucos. Para você ser médico de esporte, você precisou fazer residência médica, são três anos em medicina do esporte, ou você faz uma pós-graduação e depois você presta uma prova de título de especialista, atuando, fazendo um estágio um tempo na área.

Então assim, é uma especialidade que tem pouca gente na área, mas tem muita gente que estuda e trabalha nessa área da medicina do esporte. Mas por que eu me interessei na medicina do esporte? Eu me interessei por conta da cirurgia vascular e o lipedema, que nas mulheres do lipedema o que que a gente vai indicar? O que que ela vai fazer? Como que ela vai treinar? Você consegue ver o paciente como um todo? Aquilo que eu falei, o médico de esporte ele vai estudar o quê? Vai estudar parte da endocrinologia, parte da cardiologia, parte da ortopedia e a parte da vascular. Você junta tudo isso e ajuda o paciente a olhar o paciente como um todo.

É isso que faz a medicina de esporte. E o acesso no sentido também de... normalmente é só no particular que as pessoas conseguem acessar? Não, na Santa Casa de São Paulo, eles têm um ambulatório que eles atendem medicina de esporte. Os dois médicos que coordenam lá tem a doutora Ana Paula Simões, que ela era médica da seleção brasileira de futebol feminino.

Hoje ela atua lá na Santa Casa de São Paulo nessa parte de medicina de esporte. E o doutor Ian Sprey também, que é um ortopedista e médico de esporte. O doutor Ian é especialista em joelho, a Ana Paula é especialista em pé e tornozelo.

Então eles atendem na Santa Casa também medicina de esporte. Então no SUS a gente tem também acesso a medicina de esporte. Em questão do convênio, doutor, se não souber responder, imagino que seja algo mais específico, mas se a pessoa provar que tem Nipedema, ela também consegue ter acesso ao médico de esporte pela cobertura ali do plano de saúde? Tem convênio, tem essas grandes redes que tem também médico de esporte.

A maioria está relacionado com a ortopedia para ajudar a tratar e prevenir lesões, mas relacionados ao Nipedema eu desconheço. É que acaba sendo um desafio, né? Até para o tratamento de fato, porque a pesquisa agora do Nipedema está sendo até um pouco mais... Havia alguns levantamentos de quantas mulheres relacionadas a homens tem, incidência ali, mas também não é algo tão... tem outros assuntos que são bem mais fáceis de achar conteúdo na internet. Nipedema, as primeiras publicações são lá de 1940, mas foram nos últimos 10 anos que o pessoal começou a se interessar mais.

Foi também quando a gente começou a entender mais o que é inflamação, inflamação de baixo grau, qual que é a inflamação ruim, o que que é a parte boa da inflamação, aquilo que eu falei da hipertrofia, de construir músculo, que é uma inflamação menor que a gente precisa. Então a gente começou a entender várias coisas agora. Eu acho que a gente vai evoluir muito, entendendo coisa de nutrição, genética, microbiota intestinal, essas coisas todas.

Então eu vejo que isso, a gente ainda está evoluindo muito. E eu creio que com esse avanço da inteligência artificial, a gente vai evoluir muito nos próximos anos também. Que a gente vai lembrar aqui do episódio, vai resgatar, vai fazer um outro.

Lembra daquele? Puxa um trecho e aí vai aparecer. E vão fazer atualização. Exatamente.

Doutor, muito obrigada. Um papo muito esclarecedor. Vou pedir pra você passar suas redes sociais aqui.

Pra quem tiver alguma dúvida, quiser mandar direto nas redes aqui do doutor Keller ou pode comentar aqui também no nosso vídeo. Doutor, quais as redes? É arroba doutor keller muscular, Instagram e no Facebook doutor keller muscular. Legal, muito obrigada.

Vou pedir também pra vocês, se ficou alguma dúvida, querem que a gente traga aqui de novo o doutor Keller, tem muitos assuntos relacionados à medicina do esporte. Foi a primeira vez que a gente participou aqui junto, né doutor? Mas tenho certeza que tem muitos outros temas também que a gente pode trazer, contando com a sugestão aqui do nosso público, né? Obrigada doutor. Obrigada você também pela participação aqui no nosso episódio.

Não esqueça de curtir, comentar e compartilhar com todos que possam se interessar no nosso tema aqui de hoje. A gente também vai deixar os links de subtemas relacionados ao que a gente trouxe aqui hoje, falando sobre lipedema, causas, sintomas, como diagnosticar, porque hoje foi um pouquinho mais relacionado à medicina do esporte de fato, mas se ficou alguma dúvida aí, ficou algo pra trás, vocês podem comentar que a gente responde aqui nos comentários e nas redes sociais também do doutor. Obrigada e até a próxima.

Tchau.

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Para ouvir em seguida

  1. Lipedema Talks, episódio 5

    5 CURIOSIDADES do Lipedema que Você Nunca Imaginou!

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  2. AmatoCast, episódio 98

    Varizes: estética ou doença? O que ninguém te conta

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  3. AmatoCast, episódio 97

    Lipedema Sem Mitos: Tratamento Clínico Antes da Cirurgia!

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  4. AmatoCast, episódio 92

    Lipedema: O Grito Silencioso Que Está Acabando Com o Seu Corpo (Reverter Sem Cirurgia)

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  5. AmatoCast, episódio 89

    Por Que Sentar Demais Pode Estar Matando Você em Silêncio

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