
Lipedema Talks, episódio 14
Nutrigenética e Inflamação: a dieta que o seu DNA pede
Neste episódio
A nutricionista Tatiane Fujii explica como exames genéticos podem mostrar a forma como cada corpo lida com nutrientes, como a vitamina D, permitindo uma alimentação mais personalizada. Ela ressalta que a genética indica uma direção, mas são os hábitos que comandam o resultado. O episódio fala da disfunção do tecido adiposo que mantém a inflamação no lipedema, dos alimentos a evitar, do cuidado com frutose e sucos e dos riscos de chás e soluções milagrosas que podem interagir com medicamentos. Também destaca a confiança entre paciente e profissional.
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Capítulos
Sobre o episódio
Neste episódio do Lipedema Talks, parte do congresso Lipedema Evolution 2026, Letícia Miyamoto conversa com a nutricionista Tatiane Fujii sobre nutrigenética e inflamação no lipedema. Tatiane explica como exames genéticos preventivos e preditivos revelam a forma como cada corpo metaboliza nutrientes como a vitamina D, permitindo uma dieta verdadeiramente personalizada em vez de uma média estatística. Ela esclarece que a genética indica uma direção, mas quem comanda são os hábitos, e detalha a disfunção do tecido adiposo que mantém o paciente em inflamação constante. O episódio aborda ainda os alimentos a evitar, o cuidado com frutose e sucos, os riscos de chás e soluções milagrosas que interagem com medicações, e a importância da confiança entre paciente e profissional. Assista para descobrir o que a sua genética pode revelar sobre a sua alimentação.
🎙️ Convidado(a): Dra. Tatiane Fujii — Nutricionista
🎧 Lipedema Talks · Temporada 2 · Episódio 14 de 21 · Apresentação: Letícia Miyamoto
📍 Gravado no congresso Lipedema Evolution 2026 · https://congresso.lipedemaevolution.com.br
Transcrição
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um episódio do Lipedema Talks. E mais uma vez, agradeço o carinho da sua audiência e participação aqui com a gente para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. O tema de hoje é justamente Nutrigenética e Inflamação. O que a sua genética pode revelar sobre a alimentação? Eu já vou apresentar aqui a nossa convidada especial de hoje, a nossa especialista, que é a Tatiane Fuji, nutricionista formada pelo Centro Universitário São Camilo, mestre e doutora pela USP, professora internacional da Universidade Científica do Peru, CEO da Acromatina Nutrição de Precisão e cofundadora da Exxon Health Tech. Bem-vinda, Tatiane. Muito obrigada, Letícia. Muito obrigada pelo convite.
Já queria começar sabendo um pouquinho como foi a escolha que você fez na época da faculdade. Enfim, você sempre quis ser nutricionista. Como que foi? E hoje, qual que é a sua rotina? Se você tem contato com bastante... Porque aqui, né, Lipedema Toxic, se você tem muito contato com pacientes que foram diagnosticados com Lipedema, se existe uma dúvida, se elas chegam para querer fazer o diagnóstico, como que funciona aí na prática do seu dia a dia da profissão? Perfeito. Tudo começou quando, na adolescência, eu comecei a ganhar muito peso. Então, eu me vi com a necessidade de fazer mais exercício e também de passar para o nutricionista para fazer uma dieta. E aí, eu comecei a me apaixonar por esse mundo, porque eu observei resultados muito significativos na minha adolescência.
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E quando eu entrei no terceiro colegial, naquela época colegial, né, a gente viu a genética junto. E eu falei, gente, que mundo perfeito. E aí, eu decidi pela nutrição já naquela época. Eu sabia que eu queria algo ligado à saúde, porque eu já tinha essa experiência, sempre fui bem cheinha, bem gordinha. E eu queria realmente algo que me tornasse com resultados. Eu queria resultados, de alguma maneira. Quando eu fui prestar vestibular, eu prestei medicina e prestei nutrição. Então, eu entrei em nutrição. Hoje, eu sou muito realizada dentro da nutrição. Atendo 100 pacientes com nipedema, pacientes, principalmente mulheres, que procuram mais a prevenção. Meu foco é muito prevenção. E hoje, eu também trabalho com abordagem da aplicação dos testes de nutrigenética, que são exames genéticos preventivos e preditivos.
A gente não faz nenhum diagnóstico, mas ajuda muito para que o paciente, ele possa ter uma alimentação mais personalizada e um acompanhamento nutricional e médico, também, de forma individualizada. Legal. E na prática, Tatiana, como que isso funciona? Por exemplo, nos resultados desse teste, você é capaz de dizer quais são os melhores alimentos para aquela pessoa, baseado no que ela pode ter? É isso? Também. A gente pode ter esse cenário. Então, a gente vai descobrir, por exemplo, se aquela pessoa responde a alguma suplementação. Um exemplo, vitamina D. Muitas pessoas suplementam vitamina D. Mas por que as pessoas que suplementam na mesma quantidade, elas não têm as mesmas respostas? Porque, exatamente, a resposta está na genética.
Muitas vezes, é a forma de metabolizar esse nutriente. Às vezes, a gente tem algumas particularidades de uma pessoa para outra. Então, eu tenho que tomar uma dose maior, ou eu tenho que tomar uma dose mais espaçada, ou eu tenho que tomar uma dose menor para ter os mesmos benefícios. Então, no teste, a gente descobre exatamente como o seu corpo está pronto para receber aquele nutriente. E aí, a gente transforma aquele nutriente ou em suplementação ou em alimentação. Ah, legal. Então, basicamente, a orientação seria também, até para formar um cardápio, precisa ter esse estudo, realmente, de quem é aquela pessoa, do que ela precisa. Porque, senão, fica algo muito superficial. Isso, exatamente. A gente fala que, se a gente não tem algo individualizado, fica numa média estatística.
Os grandes estudos populacionais, eles trazem essa média, e que é muito bom para medidas de saúde pública. Mas, quando a gente está ali, frente a frente com um paciente, cheio de queixas e cheio de expectativas, trabalhar com a individualização é muito mais interessante na busca de resultados. E aí, quando a gente pensa nos testes de nutrigenética e na aplicação dessa informação, isso traz uma expectativa muito mais assertiva. Porque é como se eu estivesse falando, olha, Letícia, você metaboliza esse nutriente e aquele outro você não metaboliza. Então, para esse, a gente vai trabalhar com uma determinada ação e, para aquele outro, a gente vai trabalhar com uma ação em dose dupla. Então, eu vou sempre tomar mais cuidado para aquele outro, porque você tem aquela alteração genética.
E é uma alteração que não traz diagnóstico. Então, por exemplo, mesmo um paciente com lipedema, e a gente sabe que o comportamento do lipedema é ter um grau de inflamação, existem pacientes que vão ter mais e pacientes que vão ter menos. Pacientes que vão melhorar com uma determinada estratégia nutricional e outros que vão demorar mais para melhorar. Essa é a grande diferença quando a gente aplica os testes de nutrigenética na prática. Legal. E está correto, agora, uma frase polêmica que as pessoas falam. É que, ah, eu tenho tendência a ganhar peso, eu tenho tendência a ser mais cheinha, mais gordinha. Isso existe, de fato, uma certa dificuldade por algo genético de alguém emagrecer, ser resistente àquelas dietas?
Ou isso, na verdade, é porque a pessoa está fazendo de alguma forma errada, que não seja relacionado à genética daquela pessoa? Existem os dois lados, né? Toda história tem dois lados. O primeiro lado é que existe, assim, informação genética, mas ela não é determinante. Então, eu posso ter, sim, pacientes que têm uma predisposição a ganhar peso, mas também tenham alterações de comportamento. Então, se eu juntar essas duas informações, juntar no clima frio, e juntar que aquela pessoa gosta de se alimentar, gosta de comer, isso é o prato cheio para que ela realmente ganhe peso. Agora, se eu tiver a mesma condição, mas uma paciente que diz, não, hoje eu vou fazer a minha atividade física, hoje eu vou ser acompanhada por um profissional e eu vou realmente ser disciplinada, a gente tem o oposto.
Porque exatamente a informação genética, ela traça uma direção, mas quem tem o comando e o controle dessa direção são os nossos hábitos. Então, mesmo que no teste apareça, ah, você tem uma tendência a ganhar peso, e pode aparecer, viu, Letícia? Muitas pessoas têm, realmente. Mas quando você olha para o perfil da pessoa, você vê, nossa, mas é uma pessoa saudável, uma pessoa magra, isso vale também para risco de diabetes, risco de doença cardiovascular, e a pessoa tem os marcadores ótimos. Por quê? Porque ela escolheu um estilo de vida saudável. E também esse teste genético, ele consegue mostrar, por exemplo, se a pessoa tem uma, acho que aquilo vai até com a minha primeira pergunta, sobre o teste genético especificamente, consegue mostrar se a pessoa continua usando, comendo um certo alimento, se ela pode desenvolver até uma doença, como câncer, por exemplo, é capaz de mostrar isso?
Sim. Existem alguns marcadores mais específicos. Então, por exemplo, toda vez que a gente tem exposição a algumas toxinas, que pode ser do ambiente, pode ser do clima, pode ser da água que a gente consome, ou dos alimentos, né, se a gente pegar os alimentos ultraprocessados, cheios de aditivos, de corantes, aqueles, essas substâncias químicas, elas fazem mal para o nosso corpo. E elas modificam as nossas células. Então, já é uma predisposição, independente da genética, para ter, por exemplo, um câncer. Agora, imagina uma pessoa que não tem um bom reconhecimento dessas toxinas. Uma pessoa que não consegue eliminar essas toxinas de forma adequada. Então, ela acumula. E aí, esse acúmulo começa a provocar alterações nas nossas células.
E essas alterações, a longo prazo, podem aumentar o risco para o desenvolvimento de um câncer, por exemplo. Como que funcionam esses testes genéticos? É exame de sangue? Dá para fazer exame de sangue. Então, no laboratório, eles podem coletar o sangue. Mas também, na prática, principalmente do nutricionista, a gente faz a coleta por suave. Então, o laboratório manda um kit para o consultório. E aí, a gente faz a coleta do paciente. O paciente fica em jejum de 30 minutos. E a gente faz a coleta por suave. Bem simples. E em dolor, dá para fazer em criança, adulto, idoso, bem tranquilo. Em pacientes de lipedema. Então, você vê um padrão do que aparece nesses exames?
Talvez um padrão do que aparece da genética? Ou até um padrão alimentar mesmo dessas pacientes? Você consegue traçar um comportamento também? Ou é só a parte genética? Acho que dá para a gente observar os dois. Quando a gente tem uma visão completa, melhor ainda. Então, muitas vezes, esses pacientes chegam no consultório sem nenhum exame. Ou com os exames clássicos, sem nenhum exame genético. Então, a gente começa a observar dentro daquilo que ele traz na consulta. Eu sempre falo. A resposta está dentro da gente. Então, esse paciente, ele já tem, muitas vezes, alguma alteração de comportamento, alguma alteração hormonal que é muito frequente. A gente fala muito de predominância estrogênica. Que leva a um acúmulo. Toda mulher já tem um certo acúmulo de gordura no quadril.
A gente já tem ali nas pernas. Mas essas mulheres, ou pessoas com lipedema, acabam tendo um pouquinho mais. E aí a gente já começa a observar, então, na hora que a gente vai para o teste, é assim, meio que um indicador. A gente já vai para essas variantes genéticas, esses marcadores genéticos, para realmente bater com aquilo que a clínica está me trazendo. Então, por exemplo, se eu já sei que o lipedema tem uma base informatória, na hora que a gente pega o teste, a gente se confronta com essa realidade. E a gente vê que realmente tem marcadores de resposta informatória. O que, por exemplo, um paciente que é um atleta, que tem baixo percentual de gordura corporal, por exemplo, vai ter. Mas qual que é a grande diferença? É porque existe a combinação. Então, não é só a informação.
Pode, sim, estar associado com o comportamento. Pode estar associado com o metabolismo hormonal. Pode estar associado com outras predisposições. E aí tudo isso combinado faz com que esse paciente de lipedema, ele tenha essa combinação, esse pacotinho de informações que só através de um exame a gente consegue ter esse direcionamento mais personalizado. O que eu quero dizer aqui, Letícia, é que não é mandatório ou obrigatório, porque às vezes o paciente está escutando a gente, está ouvindo, ele fala assim, mas meu médico não pediu nenhum exame desse. Então, não é obrigatório. É mais uma ferramenta da prática clínica. O médico pode optar, o profissional pode optar ou não por fazer um exame desse. É que hoje, com a evolução da ciência, a gente começa a observar que essas ferramentas, elas nos ajudam, nos auxiliam dentro do condutório, por exemplo.
A gente tem vários estudos com dietas cetogênicas, mas às vezes vai ter um paciente ou outro que ele vai responder menos. E aí, muitas vezes, ele acha que ele tem que ser aquele padrão, porque se a maioria responde, eu tenho que responder também. Então, a ideia também de trazer a ferramenta genética é tirar, muitas vezes, aquele peso que o paciente com lipedema, ele carrega de não ter tantos resultados tão rápidos, ou pra ele sempre demora esse resultado. Então, com a ferramenta, a gente consegue direcionar melhor. Então, a sua dieta, ela vai ser dessa forma, como o seu DNA vai responder, e não de forma padronizada, algo que vai ser comum pra média populacional. E existe alguma lista de restrições pra quem foi diagnosticada com lipedema, algo que você fala, não adianta, independente do que aparecer nesse exame, tá na lista de alimentos pra evitar?
Olha, eu acho que os alimentos que nós deveríamos, como um todo, evitar, mas pra esse paciente em especial, são alimentos com calorias vazias. Então, são alimentos que não trazem um aporte nutricional. São alimentos que eles vão ter, geralmente, um valor energético alto. Então, ele vai trazer energia, mas ele não traz nutrientes. Então, os alimentos ultraprocessados, os alimentos embutidos, alimentos com álcool de sódio, com álcool de gordura saturada, por quê? A gente observa no paciente com lipedema, uma disfunção do tecido adiposo, que é o tecido de gordura, onde a gente acumula naturalmente gordura. Mas esses pacientes, eles têm ali, o que é mais? Eles têm uma condição a mais que a gente chama de disfunção. Então, tudo pra ele pode ser um pouquinho mais exacerbado, no sentido, por exemplo, todo mundo tem uma resposta inflamatória, mas para o tecido de gordura dele, é um pouquinho mais inflamado.
É como se o tecido de gordura dele ficasse em constante tentativa de reparo, como se fosse um machucado. Toda vez que a gente se machuca, o nosso corpo tenta fazer uma reparação, uma cicatrização. Esse paciente com lipedema, ele tenta constantemente fazer essa cicatrização, essa reparação. Por isso que, muitas vezes, não adianta somente uma estratégia convencional para que ele tenha resultados positivos. A gente precisa trabalhar com algo muito mais individualizado. Então, em geral, como ele tem essa disfunção no tecido de gordura e também no tecido linfático, que ajuda na drenagem, a gente precisa cuidar, por exemplo, do sódio. Precisa cuidar dos micronutrientes. O sódio, que ajuda nessa retenção hídrica, nessa sensação de inchaço. A gordura saturada em excesso, que também promove alterações desse comportamento de acúmulo de gordura.
O açúcar em excesso, muitas vezes a gente tem que controlar um pouquinho de frutose também. Às vezes a pessoa, ela acha... Isso também é muito importante, porque a gente sempre fala, enquanto nutricionista, a gente recomenda o consumo de frutas. Frutas, quanto mais variadas de cor, de textura, melhor. Tem mais fibra, tem mais nutrientes. Mas para esse paciente de lipedema, a gente tem que ter um controle um pouquinho maior. Muitas vezes um suco. Então, ao invés de tomar o suco, vamos comer a fruta, porque tem fibra, tem casca. Ao invés de, por exemplo, fazer uma vitamina, eu prefiro os alimentos mais sólidos, ou aqueles alimentos mais desidratados, frutas secas, a gente evita, porque eles concentram mais açúcar. E aí ele vai acabar comendo menos, porque pelo tamanho, e ele acaba tendo ali um excesso de calorias, porque esse alimento ele não tem tanta fibra assim, e isso também pode até influenciar, não somente no paladar, mas no comportamento alimentar, na sensação de fome e sensação de saciedade.
E pode acabar tendo um efeito ao contrário, né, levando em consideração isso. Se começa a comer algo achando que pode fazer bem, sem um acompanhamento, e pode acabar piorando a condição do lipedema, porque a gente sabe que até o exercício, a gente estava falando no episódio anterior com uma fisioterapeuta, ela falou, o exercício errado pode piorar a condição. Imagina que a alimentação é a mesma coisa. Mesma coisa. Imagina, por exemplo, se a pessoa, ela está com o exercício certo, com a alimentação errada, ou o contrário, né? Então, por isso que o paciente, ele também precisa ser acompanhado por vários profissionais, pra que ele consiga ter resultados mais satisfatórios a curto prazo, né, pensando nessa evolução. Então, é um paciente que, por exemplo, mais que ele goste de um exercício de alto impacto, aquela condição, naquele momento, pode não ser o indicado pra ele.
E da mesma forma, a dieta. E aí, muitas vezes, fica nessas tentativas e erros. E isso é muito tempo do paciente, né? Então, custa esse tempo, que é tão precioso pra gente. E eu também queria... Nossa, a gente pergunta polêmica agora, hoje, hein? Sobre dietas e alimentos milagrosos. Porque, na internet, a gente costuma ver bastante, né? Ah, esse alimento, come, toma esse chá, que vai, não sei o quê, vai melhorar. Em uma semana, é outra pessoa. Você acha que vale que não exclui uma dieta boa? Ou você acha que pode ser perigoso, até no sentido de desanimar mesmo aquela paciente, ver que não tá dando efeito e acaba todo o resto, vira aquela bola de neve, né? E começa a não fazer exercício física, não leva a alimentação a sério.
Qual que é a sua avaliação sobre esses alimentos? Quando alguém chega no consultório te falando, doutora, eu vi ali. É comum, né? É comum porque as pessoas, elas precisam buscar alguma esperança, né? Mas é muito mais comum pro paciente que não está bem orientado. Então, um paciente que não está bem orientado, ele vai pra qualquer caminho. Então, o caminho do milagre, o caminho mais facilitado, mais importado, parece, ele consegue observar uma esperança mais rápida. Então, o paciente que ele é bem orientado, ele é diferente, ele te questiona, o que você acha disso? O paciente que busca esse milagre e que tá mal orientado, ele já vai atuar, então ele já vai praticar, ele já chega praticando no consultório, que é muito perigoso. Por quê? A gente tem que lembrar que, por exemplo, o chá, chá é inofensivo, não é inofensivo, porque eles podem interagir.
Todas aquelas ervas que estão presentes, aqueles fitoquímicos, eles podem interagir com a medicação. A gente não sabe se esse paciente tá tomando alguma medicação em conjunto. Se, por exemplo, a capacidade gástrica desse paciente, então, começa a aumentar a acidez no estômago, ele começa a ter enjôos, ele começa a comer alguns alimentos e passar mal, ou pode piorar, por exemplo, o trânsito intestinal. Então, às vezes um paciente que pode ter mais constipação, um intestino preso, ou pode ter quadros de diarreia, ele pode irritar também o intestino. Então, são vários pontos sem pensar no fígado, que o fígado, ele precisa dar conta de toda essa metabolização. Então, ao invés de ajudar, pode prejudicar. Às vezes, ele acha que tá dando um passo à frente, ele tá dando vários pra trás.
Então, eu vejo muito isso num paciente que não é muito bem orientado. O paciente que é orientado, o paciente que acompanha o Lipedema Tox, isso aí, ele é bem orientado, então, ele não vai fazer isso. Então, por quê? Porque ele sempre vai questionar o profissional pelo qual ele tá sendo assistido. Olha, eu vi isso daqui, faz sentido? Será que é aqui? E é muito legal que o paciente traga isso pra consultório, porque às vezes o profissional tá ali, naquele dia a dia, na loucura do dia a dia, na rotina, e não tem tempo pra ver o Instagram, o TikTok, acompanhar tudo o que acontece. Então, quando o paciente traz, ele fala assim, olha, eu vou dar uma olhadinha pra ver o que que... Por que que eles estão falando tanto sobre essa nova tendência? Porque, às vezes, pode ser algo que seja relevante. Então, olha, não tudo isso de erva dentro de um chá, mas um composto aqui, eu acho que é bacana, pode funcionar.
Então, isso também abre margens também pra um diálogo, né? E o paciente, quando ele é bem orientado ao que acontece, que é muito bacana, ele tem também, ele se sente à vontade de conversar com o profissional. Então, ele não fica com medo, porque é muito ruim, muito prejudicial, quando você tá fazendo uma estratégia, você não sabe, de fato, o que é que o seu paciente tá consumindo, você não tá vendo o resultado, porque muitas vezes não tem aquela confiança. Aí, se eu falar, ele vai falar pra eu parar. E é muito bacana quando o profissional e o paciente estabelecem essa relação de confiança, porque daí ele vai falar, olha, eu tô tomando isso, eu não aguentei, fui praquilo, tô fazendo aquela estratégia, tô acompanhando. Então, isso é muito bacana. Quando a gente observa que o paciente, ele já tem esse nível de maturidade, o acompanhamento é outro.
Nutricional, médico, com fisioterapeuta, é outro, totalmente diferente. É, e isso também, né? Muitas pessoas têm a mania de mentir pro nutricionista, com medo. E aí, às vezes, a consulta tá marcada, daqui uma semana, fica uma semana antes, fazendo a dieta certinho, pra tentar recuperar ali, com medo do que vai aparecer no dia, né? Mas aí, também, a pessoa tá se enganando. Isso é importante, a confiança que você tá dizendo agora, pra que realmente o paciente entenda que, imagino, que o que você faz, você não vai enganar o profissional, mas você tá se enganando, né? De fingir que tá fazendo o tratamento e, no final, aquele resultado, obviamente, não vai chegar, ou pelo menos não vai chegar no tempo que a pessoa espera, né? Justamente porque não é um contexto todo levado a sério.
Exatamente. E mais do que o tempo, ou até mesmo o investimento financeiro que esse paciente tem a percepção de perder, é a própria saúde, né? Porque quando a gente vai pra muitas tentativas, além do tempo que a gente perde, o paciente perde saúde. Porque, imagina, às vezes tem uma medicação dando super certo, uma estratégia nutricional dando super certo, aí o paciente decide, por conta própria, fazer outra coisa, algo milagroso, como você colocou. Então, toda aquela estratégia, ela precisa ser interrompida, porque, às vezes, por exemplo, um paciente, ele pode fazer um quadro importante, um quadro clínico importante, e ele vai ter que parar tudo aquilo pra cuidar daquele quadro clínico. E aí? Então, toda aquela estratégia tava dando super certo, que, às vezes, é devagar.
O super certo não é rápido, né? Isso que é bom deixar bem claro, porque cada um tem um tempo. Porque cada um tem um material genético. Nós somos diferentes, e a gente precisa respeitar esse tempo também. Vai ter pessoas que vai super responder rápido, vai ter pessoas que vão estar ali, intermediário, e tem pessoas que vão demorar pra responder. Mas o mais importante é observar essa evolução. E a gente só observa a evolução quando a gente tem autoconhecimento também, que é uma das propostas do teste de nutrigenética. O teste, quando você abre o teste, você fala assim, nossa, é verdade, gente, algo simples. Por exemplo, ah, eu sempre desconfiei que o meu perfil, que a gente fala, né, de, é, o clock, que é o tempo que a gente gosta, por exemplo, ah, se você, se eu te perguntasse, ele disse que horas que você gostaria de acordar todos os dias, você poderia me falar, não, seis horas da manhã eu tô super tranquila.
Não, dez horas da manhã eu gostaria de acordar, né? Então, esse ritmo que a gente fala de circadiano, que também influencia no depósito de gordura, ele também é determinado pela gerética. Então, tem pessoas que são mais matutinas, tem pessoas que são mais noturnas. Então, quando a gente tem essa auto-observação e esse autoconhecimento, fica mais fácil de respeitar algumas situações da nossa vida. Então, de repente, aquela pessoa que tem um perfil mais maquetino, ela vai ter mesmo dificuldade pra acordar muito, muito cedinho. Mas não quer dizer que ela é preguiçosa, não quer dizer que ela é desmotivada, não quer dizer que ela tem falta de disciplina. Então, isso também é importante, porque o que a gente observa muito no consultório é que esse paciente, ele chega com várias demandas, e uma das demandas que eu acho que traz mais peso é a demanda emocional.
É uma carga de culpa. Então, quando a gente abre o teste, o teste, na verdade, ele tem que ser libertador. Então, à medida em que a gente vai conversando, eu vou falando pro paciente, olha, existe essa condição, o que a gente pode fazer? Dentro do seu planejamento, o que a gente pode negociar aqui? E isso traz mais leveza pro tratamento, e o paciente tende a ter respostas mais saudáveis, respeitando o próprio tempo e a longo prazo. É, pra você, esse lado emocional deve contar muito, né? Nossa, deve ter muitas histórias, inclusive, até de perguntar se tem alguma que chamou sua atenção, de paciente que, sei lá, chegava sem vontade nenhuma de seguir, assim, acabou... Sabe aquela frase que fala, um dia você vai ficar viciada na dieta, vai ficar viciada na academia, e as pessoas falam, eu nunca!
Tem gente que fala isso, né? Eu, inclusive, trazer um relato pessoal aqui, eu dizer que eu nunca ia ser essa pessoa que ia sentir prazer em, sei lá, sair pra comer uma salada e treinar, sabe? E hoje em dia, graças a Deus, faz um ano, mais ou menos, que eu consegui virar a chavinha assim, mas eu já sou um relato que é possível sim, gente, é possível! Mas você costuma ver isso de gente que chega resistente, ou que chega, assim, com autoestima, igual você disse, lá embaixo, porque vê que não consegue seguir, porque se culpa, porque a alimentação é a nossa escolha, né? A gente come o que a gente escolhe. E, às vezes, tem uma condição, a pessoa fala, ah, eu vou ser com isso, não tem jeito. Mas a alimentação tem aquela carga, né? Aquele peso que você fala, eu podia, mas eu não tenho força pra seguir. Não tenho, ah, eu consigo seguir a dieta, tem essa frase também, né?
Sigo uma semana, depois de uma semana, largo tudo. É, existe, existe muito, muito isso. E existe também aquele padrão do paciente que chega repleto de suplemento. Que na minha área, também, a gente vê muito suplemento, né? Suplemento, que seja de micronutriente, suplemento de proteína, nem se fala. E aí, você fala assim, não, mas aqui tem muito, vamos tirar um pouquinho e ele já está com aquela crença de que quanto mais melhor. E aí, muitas vezes, você vem trazendo o contrário. Você fala assim, não, o básico bem feito é o melhor a seguir. E aí, ele tem essa resistência mesmo de ficar retirando. Então, além, claro, de mudar esse paradigma, olha, você vai sentir prazer numa alimentação saudável quando você realmente vivenciar os benefícios.
Os benefícios de uma noite bem dormida. Os benefícios de você não ter mais as enxaquecas que você tem. E isso, o paciente, ele precisa passar, é uma experiência própria. Então, a questão de sair pra comer uma salada e fazer atividade física, é a sua experiência. E, de repente, outros pacientes que estejam nos vendo aqui, nos ouvindo, vai ter outras experiências, também, muito vantajosas, que vai determinar, muitas vezes, o padrão de estilo de vida da própria casa. Se a gente está falando dentro de um conceito, ali, familiar, vai influenciar nos hábitos dos filhos, dos filhos, dos filhos, e assim por diante, né? Então, quando a gente observa um paciente que tem, realmente, uma certa crença, seja pra mais ou pra menos, e aí, uma coisa que eu sempre falo, mas vamos fazer, pelo menos, uma tentativa.
Porque se você me permitir, eu sempre falo assim, ó, eu só consigo te ajudar se você me permitir. Eu não consigo simplesmente entrar na sua vida e determinar algo. Quem sou eu pra determinar algo? Então, se você me buscou, porque você quer uma orientação, eu quero te orientar, mas você quer, realmente, aceitar a orientação. E, recentemente, atendi uma paciente com nipedema, fazendo uso de tirzepatina, cheia de suplemento, com uma crença gigantesca de que, se ela não tomasse, ela não ia conseguir melhorar de várias queixas. E aí, eu falei, vamos fazer uma tentativa? Porque, realmente, olhando, estudando, ali, os exames, estudando a rotina dela, era muita coisa. Então, a gente reduziu, sem brincadeira, uns 70%. Isso, ela teve menos investimento financeiro, né?
Ela consumia muito menos cápsulas por dia, consumia muito mais alimentos, ela está consumindo menos, e ela teve uma melhora muito significativa. Muito. Então, muitas vezes, o menos é mais. Eu creio muito nisso, sabe? Claro, tem contextos e contextos. Tem hora que o paciente, realmente, vai precisar de um suporte nutricional maior, mas isso não vale como regra geral para todo mundo. Tem pacientes e pacientes. Às vezes, você metaboliza super bem a vitamina A, eu não metabolizo tão bem, então, eu preciso de suplemento, você não precisa. E assim por diante. Por isso que o teste, na minha opinião, ele é uma ferramenta clínica, que ele nos dá esse direcionamento, e separa, realmente, aqueles que precisam, daqueles que não têm tanta necessidade. Porque, às vezes, pontualmente, pode ser que em algum período da vida, tenha uma necessidade pontual, mas é só aquela necessidade e pronto.
Sim, e o legal é isso que você disse, de você falar para o paciente, se ele permite, se ele quer, realmente, tudo isso, porque eu acho que, pelo menos, vale tentar. Sim, que, às vezes, tem gente que fala que nunca fez, que não gosta, que não faz, mas nunca testou para ver como se sente fazendo, para testar um outro estilo de vida, que foi justamente essa minha experiência que eu pude trazer aqui também. Eu acho que isso é muito importante, para a gente, para, pelo menos, trazer uma reflexão para quem veio acompanhar, porque tem a vontade, ou por qualquer que seja o motivo que se interessou pelo assunto da nutrição. Muito obrigada, viu, Tatiana? Eu que agradeço. Eu vou deixar esse espaço, então, agora, para você passar, não sei se você tem algum site, alguma rede social, quem quiser te encontrar, como que pode te achar, então, aqui? Podem me achar pelo Arroba, Tatiana e Fuji, com dois e's no final, e o meu site também, www.tatianifuji.com.br Ótimo, muito obrigada mais uma vez, Tatiana.
Obrigada a você que acompanhou até aqui, não deixe de ver também os nossos episódios anteriores e os próximos episódios. Obrigada e até a próxima. Tchau!
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