Pular para o conteúdo
Amato Podcast Amato Podcast
Dor Crônica: TODA Dor Tem Tratamento! | Ep. 58

AmatoCast, episódio 58

Dor Crônica: TODA Dor Tem Tratamento!

59 min

Com Letícia Miyamoto e Dr. Carlos Lemos

0:0000:58:58
Baixar

Neste episódio

O Dr. Carlos Lemos, anestesista com atuação em dor, explica que a dor aguda é um sinal de alarme, enquanto a dor que persiste além de três a seis meses passa a ser considerada crônica e deve ser tratada como um problema em si. Em casos como fibromialgia e enxaqueca, a dor é a própria doença. Ele diz que o tratamento começa pela parte clínica, com fisioterapia, reabilitação e hábitos saudáveis, e que procedimentos como bloqueios ficam para etapas posteriores. O episódio também alerta para a automedicação.

Assista

Sobre o episódio

Prepare-se para uma descoberta transformadora no novo episódio do Amato Podcast! Nosso tema traz uma revelação surpreendente: “Dor Crônica: TODA Dor Tem Tratamento! | Ep. 58”. Conduzido pela talentosa Letícia Miyamoto, este episódio promete desmistificar tudo que você achava que sabia sobre dor crônica. 

Junte-se a nós enquanto desvendamos os segredos da medicina da dor com o renomado Dr. Carlos Lemos, especialista em anestesia e medicina da dor. Você já parou para pensar se aquela dor persistente pode ser tratada de uma maneira que você nunca imaginou? Descubra como a dor se conecta de forma intrigante com o nosso cérebro e emoções, e saiba por que o envolvimento ativo no seu tratamento pode ser o caminho para o alívio e autonomia.

Com insights valiosos e dicas práticas, Dr. Carlos revela o que há de mais moderno em tratamentos, desde intervenções simples até técnicas avançadas, desafiando a ideia de que dor crônica é algo com que devemos conviver. Este episódio aprofunda-se em uma jornada de autodescoberta e encorajamento, revelando que, mesmo quando a cura completa pode ser um desafio, a qualidade de vida é uma meta possível e tangível.

Não perca a oportunidade de transformar seu entendimento sobre a dor. Assista e compartilhe esta experiência rica e informativa com seus amigos e familiares. Quem transforma sua percepção sobre saúde, transforma sua vida!

Data de publicação:

18/12/2024

Não perca nenhuma atualização! Inscreva-se agora no nosso podcast https://bio.amato.io/cast e esteja sempre à frente com as últimas novidades e insights exclusivos.

Este é o Amato Podcast – onde a medicina encontra a verdade e cada episódio traz uma revolução no conhecimento. Inscreva-se e transforme sua visão sobre saúde!

Sofrer com dor crônica não precisa ser sua realidade! Descubra com o Dr. Carlos Lemos como cada dor tem seu tratamento e quantas opções existem para viver melhor. Quer saber mais sobre como manejar e tratar suas dores? Assista agora ao nosso episódio completo e torne-se um expert no assunto! Não esqueça de se inscrever em nosso canal do YouTube para não perder nenhum conteúdo incrível: https://bio.amato.io/youtube E, para ficar sempre atualizado, clique no sininho de notificações. Vamos juntos transformar sua saúde!

O episódio do Amato Podcast explora a medicina da dor com o anestesista Dr. Carlos Lemos. A apresentadora Letícia Miyamoto introduz discussões sobre como o tratamento da dor é essencial e multifacetado, além de mencionar que a dor crônica não deve ser ignorada. Dr. Carlos Lemos esclarece que a dor pode ser um problema por si só, não apenas um sintoma de outra doença, destacando a importância de um tratamento abrangente que inclui fisioterapia, mudanças de hábitos e, quando necessário, intervenções médicas. O podcast aborda também a diferença entre dor aguda e crônica, os tipos de tratamentos disponíveis e a dificuldade enfrentada por pacientes que recorrem a analgésicos sem prescrição. Além disso, proporciona insights valiosos para quem sofre de dor crônica e reforça a relevância de procurar um especialista. O episódio é uma fonte rica de conhecimento para leigos que desejam entender mais sobre como a dor pode ser tratada e manejada de forma eficaz.

– Letícia Miyamoto: Apresentadora / Jornalista  

  Comentário: Letícia conduz a conversa de forma dinâmica e acolhedora, facilitando a compreensão do tema complexo para o público leigo.  

  Instagram: @aleticiamiyamoto  

– Dr. Carlos Lemos: Médico Anestesista / Especialista em Medicina da Dor  

  Comentário: Dr. Carlos oferece explicações claras e detalhadas sobre a medicina da dor, compartilhando informações valiosas para quem sofre de dores crônicas.

0:00:00 Explorando a Medicina da Dor com Dr. Carlos Lemos

0:10:58 Desvendando a Dor Crônica: O Caminho para o Alívio

0:17:55 A importância de buscar ajuda especializada para dor

0:21:45 Tratamentos Intervencionistas: A Nova Fronteira da Dor

0:41:14 Desvendando Mitos: Atividade Física e Tratamento da Dor

No episódio 58 do Amato Podcast, a apresentadora Letícia Miyamoto juntamente com o anestesiologista Dr. Carlos Lemos mergulham no complexo mundo da medicina da dor, oferecendo uma visão abrangente sobre o tratamento da dor crônica. Explorando desde a distinção crucial entre dor aguda e crônica até as diversas estratégias de saúde, o podcast destaca como não apenas analgésicos, mas intervenções médicas, fisioterapia e mudanças de estilo de vida são fundamentais no manejo efetivo da dor. Dr. Carlos esclarece que a dor crônica, muitas vezes negligenciada, pode ser uma doença por si só, enfatizando a importância de buscar um especialista para um tratamento abrangente. Este episódio se revela uma ferramenta valiosa para leigos em saúde, oferecendo insights sobre condições como enxaqueca e fibromialgia, além de discutir avanços na medicina regenerativa e práticas de saúde que promovem a qualidade de vida. O Instituto Amato, com sua missão de educação em saúde e prevenção de doenças, reforça que toda dor tem tratamento, destacando a relevância do diagnóstico e dos procedimentos médicos adequados para garantir o alívio da dor e melhorar a saúde mental dos pacientes.

No episódio 58 do Amato Podcast, a apresentadora Letícia Miyamoto e o anestesista Dr. Carlos Lemos mergulham fundo na complexidade da dor crônica, ressaltando que toda dor tem tratamento. A discussão começa destacando que a dor crônica não deve ser subestimada, pois pode se tornar um problema em si, não apenas um sintoma de outra condição médica. Ao explorar a diferença entre dor aguda e dor crônica, Dr. Lemos enfatiza a importância de um plano de tratamento abrangente, envolvendo desde fisioterapia até mudanças nos hábitos diários, passando por intervenções médicas quando necessário, inclusive sedação e anestesia em casos mais específicos. O podcast ainda alerta sobre o uso imprudente de analgésicos sem prescrição, um hábito comum entre aqueles que sofrem de enxaqueca com aura sintomas, e outras condições. A enxaqueca é um exemplo clássico apresentado no episódio, onde conceitos como enxaqueca da atestado e uso de remédios para dor de cabeça são abordados, reafirmando a necessidade de procurar especialistas. Com insights valiosos, o episódio serve como um guia essencial para quem deseja manejar a dor de forma eficaz e compreender melhor como a anestesia pode impactar o tratamento da dor crônica.

Compartilhe: WhatsAppTelegramXLinkedInE-mail

Transcrição

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto. Está no ar mais um Amatocast pelo canal do Instituto Amato. E agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida.

Nos últimos episódios, nós recebemos convidados especiais para falar sobre temas bastante interessantes. Um que foi embolização de tumores hepáticos. O nome parece difícil, mas o nosso especialista explicou tudo aqui para a gente.

E antes também, nós trouxemos um outro médico especialista em falar como envelhecer bem, principalmente após os 50 anos, mas também ele fala dicas para aquelas pessoas mais novas que já se preocupam com o futuro. Hoje, nós também recebemos um convidado especial aqui no Amatocast, que é o médico anestesista. Para quem tem dúvida, eu já vou esclarecer aqui com ele que anestesista e anestesiologista, acabei de tirar essa dúvida aqui nos batidores, é a mesma coisa, o doutor Carlos Lemos.

Já vou apresentar o nosso convidado. O doutor Carlos Lemos é médico anestesista, formado em medicina pela Universidade Federal de São Paulo em 2008, tem experiência no ramo de emergência, residência em anestesiologia pela Universidade Estadual de Campinas e tem atuação em dor. Bem-vindo, doutor.

Continuar lendo a transcrição

Olá, muito bom dia. Obrigado, é um prazer estar aqui com vocês. Primeira vez que a gente traz o doutor Carlos aqui no Amatocast, pelo menos comigo é a primeira vez, não sei, já participou alguma outra vez, doutor, aqui? Ah, eu tive uma gravação com o doutor Fernando, que é o cirurgião plástico aqui da clínica, falando sobre anestesia e tentando desmistificar um pouquinho a anestesia, que hoje em dia ainda ocupa um lugar meio obscuro na cabeça da maior parte das pessoas, né? Exatamente, só o nome já levanta dúvida, né? Porque como eu falei no início, tem gente que acha que está errado falar anestesista, ou anestesiologia, é a mesma coisa, né, doutor? É que, na verdade, a anestesiologia é o estudo da anestesia, então, em tese, o anestesiologista é aquele que estuda a anestesia, mas no Brasil não tem a menor diferença entre anestesista e anestesiologista, é toda a mesma coisa.

Está esclarecido. E antes, aquele destaque de sempre também rapidinho aqui para vocês, que a gente tem uma novidade, que é um patrocínio aqui para o Amatocast, do Laboratório Origem, que é especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco da Origem é qualidade de vida e prevenção.

Doutor, agora, de fato, vamos lá para o nosso assunto de hoje, para quem já está acompanhando aqui a legenda do episódio, já sabe que a gente vai falar da medicina da dor, que é um assunto ainda que não é muito comentado, para ser sincero, e eu já te adianto também que sempre faço uma pesquisa aqui antes do nosso episódio, para saber o que eu posso perguntar para o nosso especialista, e foi difícil achar alguns sites, algumas matérias sobre esse assunto, ainda é algo que não é muito conhecido, né? Correto, a medicina da dor, ou os estudos da dor, eles vêm aumentando bastante nos últimos anos, mas ainda não é uma especialidade médica sedimentada, tal qual pediatria, anestesiologia, é uma área de atuação, tá? Existe já residência médica, existe titulação de atuação em dor, mas você tem que ter uma especialidade prévia, não basta ser médico para poder prestar essa prova de atuação em dor, mas vem ganhando corpo, principalmente nos grandes centros do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, mas de fato, ainda é muito novo e mesmo dentro do meio médico, poucos médicos de fato conhecem, sabem o que faz um especialista em dor. Sim, e doutor, quando a pessoa está sentindo algo relacionado, a gente já vai falar o que de fato entra na medicina da dor, mas costumam procurar ortopedista, reumatologista, quando tem algum incômodo, algo persistente ali no corpo, mas qualquer especialidade pode ter esse direcionamento para a dor agora, é isso? Pode, na verdade quem pode ter área de atuação em dor são algumas especialidades, então pediatra pode para ter dor em população pediátrica, reumatologista, ortopedista, como você disse, neuroclínico, neurocirurgião e acupunturista e anestesista, obviamente, mas, por exemplo, um endócrino, não, aí já não entra dentro das especialidades que podem ter atuação em dor pela AMB, pelo título da Associação Médica Brasileira. Tá, e desde sempre, até quando a gente é criança, a família costuma entender a dor como um problema específico ali que está ligado a uma outra doença ou um outro quadro clínico daquela pessoa, mas nem sempre é isso.

Isso, é bem verdade que a dor aguda, aquela dor que se instalou por pouco tempo e em termos de livro, são as dores que duram até 3 meses, é um sinal de alarme, que algo não está bem, algo está errado. Quando a dor ela se perpetua para além de 3 meses ou 6 meses, dependendo da referência que você pegue, ela passa a ser denominada como dor crônica. A dor crônica é um problema por si só e tem que ser tratado como tal.

Ah, tudo bem, pode ser por conta de algum outro problema subjacente? Pode, mas às vezes é a dor por ela mesma, a dor é a própria doença. Por exemplo, a fibromialgia, não tem assim uma disfunção orgânica que causa a fibromialgia ou a enxaqueca, por exemplo. A dor é a doença por si só.

Ou ela pode ser secundária a algum outro tratamento. Pode ser secundária a uma cirurgia e aí ficou com uma dor crônica, por exemplo. Enfim, as possibilidades elas são inúmeras.

E o médico da dor, junto com o médico especialista, caso seja necessário, eles vão trabalhar de uma forma sinérgica. E existe a medicina da dor e a intervenção em dor. São duas entidades diferentes no tratamento da dor.

Então, a atuação em dor, que é o tratamento clínico, medicamentoso, fisioterápico, etc. E a intervenção em dor, que aí parte para os bloqueios, fenonalização, radiofrequência, que são os procedimentos para a dor. E acontece muito, doutor, de chegar paciente no consultório que fala que já está há muito tempo com aquela dor crônica, que já entra nesse período mais longo, e que começou a tomar um remédio por conta própria, porque viu na internet, porque a tia recomendou, um chá milagroso e aí acha que aquilo é a solução? Esse é o mais comum, tá? O mais comum do paciente do consultório de dor é o paciente que vários médicos já colocaram a mão, vários médicos já desistiram, já procurou pai de santo, vencedeira, na tia velha, enfim.

E aí o médico da dor é quase como a pedra da salvação, a última tentativa daquele paciente. E é algo que os médicos com atuação em dor vêm tentando mudar paulatinamente, devagarinho, e criar uma cultura de medicina da dor, tanto nos médicos quanto nos pacientes. Sim, e isso acaba dificultando o tratamento da sua especialidade, por exemplo, para quem faz esse... Falar tratamento não é nem tratamento, mas que faz ali, tenta resolver o problema por conta própria? Dificulta bastante, porque na verdade a dor ela muda com o tempo.

Porque a gente vai criando mecanismos de proteção contra a dor. A partir do momento que a dor, que começou por um problema qualquer que seja, se perpetua, o corpo vai tentando criar mecanismos para evitar aquela dor, para diminuir aquela dor, tanto físicos quanto psíquicos. Então, aquela história de que a dor tem muito a ver com a cabeça é verdade, mas não é que é loucura, a dor vem da cabeça por um problema psiquiátrico, não.

Uma parte da modulação da dor vem de uma área do cérebro chamado sistema límbico, que é a área das emoções. Então, por isso que quando a pessoa está feliz, distraída, ela sente menos dor, e quando ela está triste, deprimida e etc., ela sente mais dor. Porque na verdade, essa área da emoção, ela está muito ligada na modulação que o próprio corpo faz da dor.

E aí, quando a gente de fato recebe esse paciente, depois de meses, anos, sentindo dor, o nosso trabalho é muito maior, porque aí tem sim que envolver psicoterapia, terapia comportamental, e é um trabalho de desconstrução muito maior a ser feito, é bem mais difícil. E doutor, tem como uma dor crônica ser causada apenas por algo emocional, algo psicológico naquele paciente, ou tem uma relação de aumentar ou diminuir, mas que está ligada a alguma condição médica? Existem os transtornos de estresse pós-traumáticos que cursam com eventos dolorosos, mas normalmente não é algo puro e simplesmente psicológico. Algo acontece e aí sim a parte psicológica do paciente pode perpetuar a dor, tanto por fatores conhecidos do paciente como não conhecidos.

Às vezes um mecanismo de recompensa, um medo de perder, um medo interno, às vezes subconsciente da pessoa de perder a atenção, um carinho dos familiares, etc. Tudo isso pode influenciar sim na dor, na perpetuação e na intensidade da dor. Entendi.

Doutor, a medicina da dor começa com esse tratamento para quem chega nessa situação no seu consultório, por exemplo, é de uma forma menos invasiva, porque as pessoas, eu acredito que quanto mais tempo tenta resolver um problema e não consegue, já pensa em medidas mais drásticas, uma cirurgia, já começa a pensar em algo que a pessoa não aguenta mais passar por aquela situação e tenta resolver como se é tirar com a mão, que as pessoas dizem. Mas como que funciona o início do tratamento? O tratamento é sempre clínico. Eu acho que vários médicos que passaram aqui já disseram que a clínica é sempre soberana.

Então a gente sempre começa pelo tratamento clínico, a base, qualquer tratamento de dor começa com fisioterapia. Fisioterapia e reabilitação, independente de qual seja a fonte da dor. E associado a isso a gente parte para o tratamento clínico.

Então, principalmente hábitos de vida saudável, atividade física, alimentação, medicamentos que fazem neuromodulação da dor. A gente começa por aí, tentando limpar um pouco a dor do paciente e frequentemente quando o paciente chega com a dor crônica, a gente nunca vai saber de imediato qual é o diagnóstico. A gente tem que ir limpando, tirando os fatores de confusão, vai testando o que funciona melhor e aí sim a gente pode mais para frente lançar a mão de procedimentos.

E dificilmente o procedimento de tratamento de dor ele é inicialmente uma cirurgia. Na dor crônica raramente é uma cirurgia. Começa com fisioterapia e tratamento clínico.

Às vezes a gente pode usar a mão de bloqueio-teste, que a gente usa tanto no tratamento quanto no auxílio diagnóstico. A gente tem que ter um diagnóstico preciso para fazer um tratamento mais preciso, mais focado. Doutor, e quais são as doenças, as dores mais relacionadas à medicina da dor? Porque a gente já citou algumas, mas quais que numa lista mais extensa que você pode citar que realmente precisa desse direcionamento? Qualquer dor com mais de 3 meses precisa passar com um médico da dor.

Qualquer dor que seja, dor de cabeça, dor no pescoço, dor nas costas, dor no ombro, dor na barriga, qualquer dor precisa. Qual é o paciente que mais é encaminhado para a dor? O paciente que tem dor oncológica, o paciente que tem dor nas costas, dor lombar, dor na cervical, que normalmente já foi bastante mexido, frequentemente passou por cirurgia. A cirurgia pode até ter dado certo, mas continua uma evolução e volta a ter dor.

E aí, normalmente, é aquele paciente que é mais difícil, que boa parte dos médicos evita de manter ali na sua clientela. E esse é o paciente que acaba chegando no médico da dor. A gente é bastante psicólogo também desses pacientes.

Sim, é algo que muda demais a vida da pessoa, conviver com isso. Muda a relação profissional, muda a relação familiar, a relação social. É um paciente que começa a perder os ciclos de convivência, amigos, por causa da dor.

Realmente é uma condição bastante difícil de quem convive com a dor. Sim. E eu imagino que para quem está acompanhando aqui, ou está sofrendo por alguma situação assim, ou tem alguém próximo para ter algum... Ou se interessou também pelo assunto, doutor, tem como, de fato, o médico da dor proporcionar um alívio imediato para aquela pessoa, ou é um processo? É sempre um processo.

Existem mecanismos, procedimentos em que a gente consegue, sim, aliviar a dor de imediato. Uma coisa que eu sempre friso é, nem toda a dor tem cura, mas toda a dor tem tratamento. A gente consegue diminuir o impacto da dor na vida dos pacientes, e o objetivo é sempre devolver autonomia e qualidade de vida para os pacientes.

Pode ser que a dor não passe, a gente nunca garante que a dor vai sumir, mas a gente garante que a dor vai melhorar. Sim. É, isso é importante destacar, porque normalmente em tudo as pessoas querem a cura, querem que fique 100% ali, numa situação que já está sendo angustiante há tanto tempo.

Se é no mínimo três meses, imagina, se às vezes o incômodo que a gente tem um dia já é... Nossa, já atrapalha o dia, já muda tudo a rotina. Imagina uma semana, um ano, alguém que já está a vida inteira passando por uma situação assim. Pois é, é realmente bastante difícil.

Agora, outro fato que é fundamental frisar é que, diferente de várias outras especialidades, o paciente, ele é fundamental, ele é o próprio remédio no tratamento dele, ou o próprio veneno. A gente depende muito do apoio do paciente, da vontade dele de efetivamente atuar no processo de tratamento. Porque só eu dar um remédio, dificilmente vai resolver.

É o paciente querer, é o paciente fazer a fisioterapia, é o paciente mudar os seus hábitos. E isso é o mais difícil. Mudar hábito é muito difícil.

Só que uma vez que a gente consegue mudar o hábito, como o nome mesmo fala, vira um hábito. Então, ter vida saudável é um hábito. Praticar atividade física, comer bem, dormir bem, fazer higiene do sono, evitar de usar celular à noite antes de dormir.

Tudo isso são hábitos que levam a um conjunto de medidas que diminuem as chances de ter dor ou em quem já tem dor. Diminuir a intensidade da dor. Sim, e doutor, para ser encaminhado para o médico da dor ali, é sempre em conjunto com um outro especialista que já está tratando aquela condição.

Porque muitas vezes a gente está falando também de idosos, por exemplo, que não tem alguém que acompanha. Às vezes até acontece, mas a gente não tem que também só deixar no ramo da medicina particular, da medicina privada ali. E também pensar naqueles que acabam ficando mais... Não sei se essa palavra será certa, mas a verdade é largados nesse sentido.

Então, como que o paciente pode chegar no médico da dor, se tem uma condição já diagnosticada anteriormente? O Sistema Único de Saúde, o SUS, ele já tem centro de tratamento de dor, principalmente nas grandes cidades, nas capitais. E virou uma política de saúde do SUS de expandir esse tratamento para a grande população do Brasil, que o SUS atende 70, 75% da população. É muita gente.

E é muita gente sentindo dor. Não é correto que só tenha esse tipo de tratamento em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, enfim, nas capitais. Mas ainda não é uma realidade esse objetivo do SUS.

Dentro dessa cadeia, fora das grandes cidades, o paciente infelizmente vai ter que se mexer para achar esse especialista. É pesquisar, tem serviços de ONGs, algumas organizações promovem mutirões de tratamento de dor, que realmente vão para o interior, mas tem que ter muita pesquisa e o paciente tem que entender que ele não é obrigado a conviver com dor nenhuma. Mas, por enquanto, ele não pode depender de um encaminhamento de um médico.

Ele tem que procurar, ele tem que ir atrás, porque tem. Está longe de ser o ideal, está longe de ser a quantidade necessária, mas tem. E ele pode fugir da cadeia, ele não precisa esperar um encaminhamento.

Ele pode fugir da cadeia, ele pode achar um mutirão, ele pode achar uma ONG, ou ele pode vir para uma capital e procurar um serviço com um. Porque, por mais que a gente tenha esses serviços, como o referenciamento ainda é muito pequeno, mesmo dentro das cidades, ainda é um serviço ocioso. Paradoxalmente, porque a gente tem demanda, a gente tem a população, mas não necessariamente ela chega até o médico especialista.

Então, a gente tem ociosidade nesse serviço, se o paciente chegar lá, ele vai ser atendido e, na contramão de boa parte da saúde pública, ele vai ser bem atendido. Sim, é porque é muito difícil, inclusive, você não ter, de 10 pessoas ali, não ter pelo menos uma que coma de uma dor persistente, que tem já há muito tempo. Tenho certeza que quem está acompanhando também já lembra de alguém que reclama sempre do mesmo incômodo, de uma mesma dor.

Com certeza. E não é só, por exemplo, 85 a 90% da população sente dor nas costas. Pode não ser constante, mas é 90% da população.

Então, todo mundo sente dor. Não é possível que a gente não tenha demanda para encher o serviço. Então, todo mundo conhece, todo mundo sente dor e tem que saber que esse serviço existe.

E falar para os amigos, parentes, familiares, que existe solução. Um ponto interessante que eu pensei aqui agora, que você disse bastante sobre esses 3 meses, que é uma margem para a pessoa ter um direcionamento para procurar ou não o especialista nesse sentido. Mas, aqueles 3 meses, a pessoa precisa sentir sempre, que eu digo assim, por exemplo, quase todos os dias desses 3 meses, aquela dor específica? Ou durante os 3 meses eu posso ficar ali 2, 3 semanas sem sentir, sinto de novo e dentro desses 3 meses tem esses intervalos? Não precisa sentir diariamente.

Um exemplo muito prático disso, e aí eu vou conversar com as mulheres, é a dor perimenstrual, a desmenorréia. A mulher não sente a dor perimenstrual todos os dias do mês, mas isso é algo cíclico que acontece sempre e, principalmente, aqui é o ponto-chave. Tem um grande impacto na vida da pessoa, ela tem que procurar o especialista.

Então, por exemplo, aquela mulher que tem a dor perimenstrual, que naquele período ela fica 2, 3 dias sem conseguir sair de casa, sofrendo de dor, com bolsa de água quente, tomando remédios, etc. Ela tem que procurar o especialista. Às vezes não é só o ginecologista que vai tratar.

Pode ser um caso de endometriose, pode ser um caso de mioma, enfim. Há um diagnóstico. A desmenorréia é um sintoma, há um diagnóstico.

O ginecologista é o primeiro profissional a ver? É. É óbvio que sim. Essa é a área dele. Mas é só o ginecologista? Não.

O médico da dor vai também orientar em termos de dieta, em termos de atividade física, em termos de medicação, de reabilitação, de fisioterapia. Óbvio que eu não vou prescrever qual é a fisioterapia que o paciente tem que fazer. Aí é a área do fisioterapeuta.

Então, eu brinco bastante que o médico da dor, ele é quase como se fosse o geriatra do idoso. Ele não substitui o cardiologista, ele não substitui o endócrino que cuida da diabetes, mas ele faz uma conexão entre as diversas especialidades que aquele paciente precisa e ele adequa a realidade de tratamento. O que é factível, o que é o ideal, o que é o factível de cada um e aí a gente organiza para funcionar da melhor maneira possível.

Sim. E agora já entrando na parte também de tratamento, você chegou a citar alguns que podem ser utilizados nos clínicos e a gente até tinha conversado antes de começar a gravar sobre os tratamentos de intervencionistas. Até citei essa palavra uma vez aqui relacionada à tireoide, num outro episódio que a gente falou tratamentos intervencionistas nesse sentido para quem tem nódulos e tudo mais.

Então, eu imagino até, sei mais ou menos o que significa, mas é importante a gente esclarecer para quem está acompanhando. Doutor, esses tratamentos clínicos na prática, como que eles funcionam? O primeiro que é mais utilizado e para as pessoas entenderem mesmo como que é o dia a dia desse tratamento. Todo tratamento intervencionista é aquele em que o médico, ele deixa de dar só remédio, só fisioterapia e etc.

E ele passa a executar algum procedimento no paciente. Isso é intervenção. Os tratamentos intervencionistas em dor, eles são vários.

Então, aplicação de toxina botulínica para dor, que é algo que está realmente crescendo bastante. As infiltrações com ácido aldeurônico, a medicina regenerativa com infiltração de aspirados de medula óssea. Mas tudo parte de um teste.

Como que é feito o teste? O teste a gente usa para um diagnostical, local preciso da fonte da dor, da fonte do problema, em que a gente pode, por exemplo, fazer um bloqueio teste. Então a gente entra com uma agulha no lugar onde a gente acha que é a fonte do problema, que pode ser um músculo, pode ser um ligamento, pode ser uma articulação, pode ser um nervo. E aí a gente injeta anestésico local ali.

Se a injeção do anestésico local que bloqueia a transmissão da dor naquela estrutura pequena causa uma melhora de 60%, 70% na dor do paciente, a gente tem um bloqueio teste positivo. Então é sinal que a dor do paciente vem de fato dali. E aí a gente pode fazer desde bloqueios seriados, que é uma intervenção em dor, com anestésico local, coticóide, enfim, outras substâncias, outros medicamentos.

A gente pode fazer a radiofrequência, que a radiofrequência consiste em uma agulha que vibra com uma corrente elétrica que esquenta o tecido ali em volta e destrói os nervinhos que deflagram aqueles impulsos dolorosos. E aí o paciente deixa de sentir a dor. Pode ser a radiofrequência pulsada, que ela não chega a destruir o tecido, mas ela deixa o nervo meio bobo, meio sem funcionar direito, por um período variável de tempo, entre 3 a 6 meses.

E aí diminui a quantidade de remédios que o paciente toma. Existem outras intervenções chegando até o implante de neuromoduladores. Neuromoduladores é quando a gente implanta um eletrodo que é ligado num gerador que tem um programa que ele fica mandando impulsos elétricos de acordo com um programa específico e interrompe a linha de transmissão daquele neurônio.

E aí os neuromoduladores podem ser implantados em nervos periféricos, na coluna, na medula, ou até mesmo no cérebro. Então existe uma escala evolutiva e esses são alguns dos exemplos de tratamento intervencionista para dor. E cada paciente é um paciente, não é que o tratamento que funcionou para você vai funcionar para outra pessoa, eles são sempre direcionados, mas existe sim muito tratamento intervencionista, até por exemplo para enxaqueca, com aplicação de Botox em alguns pontos da cabeça e do pescoço, que realmente melhoram muito a enxaqueca.

Às vezes até faz muito sumo. Sim, e isso já é uma outra etapa, né, doutor, considerado um outro patamar ali para quando os tratamentos mais simples, os clínicos, não deram certo. Correto.

Então a gente tem algumas circunstâncias em que o tratamento intervencionista ele é prescrito de uma forma mais precoce, né, que são nos casos de dor super intensa, nos casos refratários em que a gente já tentou o tratamento clínico ou então em casos que são muito específicos, né. Ah, quais casos muito específicos? Um paciente, por exemplo, que tenha um tumor de pâncreas, por exemplo, e aí desenvolve uma dor abdominal crônica, que independente do tratamento ou não do pâncreas, você já entrou com dose de opioides, de morfina, com adesivo de fentanil, enfim, vários tratamentos, mas ele continua com dor, né, com dor muito forte e ele tem efeito colateral por conta da medicação. Esses efeitos colaterais, às vezes, eles prejudicam a qualidade de vida do paciente de uma forma até, algumas vezes, maior do que a dor em si.

Então você lança a mão desses procedimentos de uma forma mais precoce para diminuir o efeito colateral de medicação, dose total de remédio que ele toma e, de novo, dá autonomia e qualidade de vida para o paciente. Sim, e a maioria desses tratamentos intervencionistas é tudo com sedação? A boa parte, tá. Os bloqueios testes normalmente são feitos sem sedação, porque a sedação, ela atrapalha um pouco o julgamento do paciente, né.

Então, quando a gente quer saber se o nosso pensamento clínico, né, diz que o diagnóstico é a dor daquele nervinho. Se eu quero fazer um bloqueio daquele nervo para efetivamente confirmar o diagnóstico, eu preciso ter o paciente em pleno juízo, né. Então, nesses casos, a gente tenta fazer sem sedação.

Mas, fora isso, os tratamentos intervencionistas, de uma maneira geral, são feitos com sedação para conforto, né, o paciente não se mexe tanto durante o procedimento, então, acaba sendo mais preciso, mais rápido, né, com menos complicação. Tem uma diferença que, inclusive, já é um spoiler que a gente vai dar no próximo episódio, entre sedação e anestesia de fato, doutor? Tem, tem. Na verdade, anestesia é um conceito, né.

A sedação é um tipo de anestesia e aí você tem a sedação, a anestesia geral, a ansiolise e as anestesias regionais, né. Então, tudo é anestesia, mas elas são bem diferentes entre si, né, e o quanto o anestesista que está fazendo a sedação ou a anestesia precisa intervir no paciente para que ele mantenha ali as funções vitais dele todas em ordem. Para o tratamento intervencionista da dor, costuma precisar de anestesia geral, por exemplo? A anestesia geral são só esses tratamentos muito invasivos, tipo implante de neuromodulador na coluna, né, implante de neuromodulador cerebral, aí sim, aí precisa de anestesia geral.

Os outros, no máximo, sedação. Sedação, a gente vai entrar nesse conceito também mais profundo, assim, no próximo episódio, mas sedação, a pessoa, ela não está consciente ali do que está acontecendo, não tem os movimentos, mas qual que é a diferença, assim, na parte mais prática da sedação para anestesia geral? A sedação, ela tem níveis, né, então a sedação leve, ansiolise, sedação leve, sedação moderada e sedação profunda. E aí o grau de atividade do paciente muda de acordo com uma para a outra, mas essencialmente o que diferencia a sedação da anestesia geral é capacidade de manutenção e proteção da via aérea, tá? Então quando o paciente, ele perde a capacidade de tossir, quando ele perde a capacidade de proteger a via aérea, ou seja, corre o risco dele regurgitar o conteúdo gástrico e aquilo entrar pro pulmão, ou quando ele perde o reflexo respiratório, né, o drive respiratório, aí é necessário, entrou na seara da anestesia geral, tá? Até lá pode ser uma sedação.

E algumas pessoas falam que quando o paciente precisa de uma máscara laranja, deixa de ser uma sedação. Não, não deixa de ser uma sedação. Você só está garantindo ali perviedade, às vezes, da via aérea, né? Então existe uma transição um pouquinho nebulosa entre a sedação profunda e a anestesia geral, mas na sedação, essencialmente, o paciente pode sentir dor, apesar de não se lembrar, de não ter consciência, e o paciente pode se mexer, ele continua com a capacidade de se mexer.

Já a anestesia geral, não. A anestesia geral vai garantir anestesia, imobilidade e inconsciência. Esse é o tripé da anestesia geral.

Na sedação, apesar de poder sentir dor, a pessoa não está consciente do que está acontecendo, não vai lembrar de nada. Não, numa sedação moderada profunda, ela não tem consciência do que está acontecendo. Então ela não vai se recordar de nada.

A sedação, para procedimentos mais dolorosos, invariavelmente, requer uma anestesia local, uma anestesia regional, algo que, de fato, tire a dor do paciente, porque senão ele vai se mexer. Sim, e tem alguma possibilidade desse tratamento intervencionista de ser, por exemplo, acho que quem já tirou o siso já deve ter, pode ter feito por esse, eu, por exemplo, fiz com remédio, acho que é o nome da marca, não tem problema a gente falar, mas eu tomei do Hormonid, para tirar o siso. Eu não lembro de absolutamente nada, eu lembro de eu caminhando em direção à sala, chegar a sentar, e alguns flashes do consultório, e eu acordar, parece que eu retomei a consciência quando já tinha tirado os quatro, não senti dor nenhuma, foi super tranquilo.

Então no tratamento intervencionista acontece de ser assim também, um remédio, por exemplo, só? Acontece. Normalmente a gente não faz um remédio só, porque o tratamento intervencionista é feito no centro cirúrgico. Então, invariavelmente, tem o médico intervencionista da dor que está fazendo o procedimento, e um anestesista.

Hoje, um médico tem que fazer a sedação, tá? Então, o anestesista não pode, é uma área de atuação médica. Então, no ambiente do centro cirúrgico, a gente usa drogas mais estáveis, e normalmente com uma duração menor, porque a gente consegue tatear melhor, né? Por exemplo, ah, você foi tirar os quatro sísios, leva um tempo, né? Tirar os quatro sísios. Às vezes eu vou fazer um bloqueio que leva 10, 15 minutos, é muito menos tempo, e eu não preciso manter o paciente sedado por uma hora, né? Aí, claro, fica aquele soninho gostoso depois da sedação, mas ele não está mais sedado, né? Então, a gente tateia com drogas mais curtas, que a gente mantém em fusão contínua, por exemplo, Propofol, né? E aí, acabou o procedimento, desliga a sedação, dali 5, 10 minutos no máximo, o paciente já está acordado, e voltando a comer, andar, enfim.

Entendi. É assim. É, isso da anestesia é muito legal, né? Se entra nesse assunto, a gente vai longe, então, a gente vai falar mais especificamente no próximo episódio, pra quem tem curiosidade, e a gente adianta também, né, doutor? Que tem sempre aquele, que as pessoas às vezes têm medo de fazer uma cirurgia, um procedimento às vezes que é necessário, por medo da anestesia.

Eu já vi muita gente falar que tem medo de uma consequência ali da anestesia, que toma algum remédio controlado, enfim. Eu já perdi as contas de quantas vezes os pacientes falaram pra mim, nossa, doutor, mas eu tenho medo da anestesia e não da cirurgia. Eu falava, eu tenho medo da cirurgia e não da anestesia, mas tudo bem.

Hoje em dia, a anestesia, ela é a parte mais segura de qualquer procedimento cirúrgico, tá? Qualquer procedimento cirúrgico. Desde que observadas todas as circunstâncias que envolvem uma anestesia segura. Então, só dando mais um spoiler, percam o medo da anestesia, escolham bem o seu cirurgião.

Exatamente, aí no próximo a gente explica quais são os tipos, porque esse assunto é muito interessante, eu já da vontade de começar a falar. Agora, doutor, essa do, voltando pro tratamento intervencionista, como que funciona a recuperação? A maioria deles é vida normal ali pros pacientes, como costuma acontecer? Depende muito de qual é o procedimento realizado, né? Quanto mais invasivo o procedimento, maior o grau de cuidado, mas o objetivo é sempre devolver a vida ou normal ou mais próxima do normal pro paciente, né? Então, a gente fala que realizou o procedimento, o botox, por exemplo, a gente sabe que ele leva ali 10 a 14 dias pra entrar no pico de ação do botox. Então a gente fala, ó, a partir do pico de ação do botox, fisioterapia, vida normal e vamos correr atrás.

O tratamento intervencionista dificilmente resolve sozinho, né? O paciente ele precisa participar, o fisioterapeuta precisa participar e a medicação precisa também fazer sua parte. Mas sim, a maior parte dos procedimentos saiu do consultório, saiu do centro cirúrgico, no dia seguinte já é pra retomar a vida e espera-se, né, uma melhora considerável na dor do paciente e que dê função, né, dê autonomia pro paciente. Sim, era essa a minha pergunta, a expectativa de resultado, né? Porque todo mundo, claro, tá buscando, procurando resultado.

E algumas vezes fica claro pro paciente que é um tratamento ali temporário que depois precisa fazer uma manutenção daquilo. Isso, isso precisa ser muito bem explicado pelo médico e muito bem entendido pelo paciente. Cura e resultado são coisas diferentes, né? Óbvio, o resultado que a gente sempre busca é a cura, mas como eu já disse no começo, a gente não pode garantir que a dor do paciente vai desaparecer pra todo sempre, né? Mas o resultado é uma melhora de pelo menos 60% na dor do paciente, né? Daí pra mais e isso é o que a gente busca, né? E sim, o resultado ele é obtido pouco tempo depois do bloqueio associado a todo o resto do tratamento.

E agora a gente, não posso deixar de perguntar sobre a dor daquele procedimento, né? Diz o que a gente tá falando, a pessoa já sente uma dor ali há muito tempo, né? Já tem aquele incômodo. O procedimento intervencionista costuma ser doloroso pra essa pessoa? Não. Algum grau de incômodo pode sentir, dependendo do tipo de intervenção.

Nas intervenções em que se injeta ali uma grande quantidade de substância, às vezes pode ficar um pouquinho dolorido porque, enfim, apesar de você ter tratado aquele problema, você botou ali uns 20 ml de uma solução, então o corpo precisa de um tempo pra se acomodar. Mas são ali 2, 3 dias de uma dor bem diferente e mais leve do que o paciente sentia, que normalmente um analgésico comum resolve. De pirona, por exemplo, resolve.

E não é uma dor limitante, nada do tipo. Mas é a dor de manipulação de procedimento. Ela é autolimitada, normalmente ela é fraca, uma dor pouco intensa, e que se resolve em poucos dias.

Eu imagino também que, comparado com o benefício de ter aquele incômodo, que é muito maior, de tanto tempo, às vezes as pessoas até suportariam uma dor até maior pra melhorar isso. Vários pacientes choram, né? Porque é uma dor que vive há tanto tempo ali que o incômodo do procedimento em si eles nem sentem. Eles falam, não, eu sei que fez, eu senti aqui, tinha uma bola, um incômodo, alguma coisa assim, mas doutor, não tem mais a dor que eu senti.

Nada apaga o alívio, né? Então, um paciente com uma dor no ombro que volta a pentear o cabelo, por exemplo, que estava há meses, anos, sem levantar o braço, é gratificante, é muito gratificante. É, com certeza. E é exatamente por isso que entra naquela questão psicológica que a gente falou.

Imagina o sofrimento de alguém, de ter algo da rotina limitado, e achar que não tem volta, que não tem como resolver aquilo, e ver aquela situação, uma esperança, uma luz do fim do túnel. Deve ter muita gente que está até reanimada aí, que está acompanhando. Doutor, a gente tem um quadro também aqui no Amateur Cash, que é de mitos e verdades, eu sempre procuro na internet o que está sendo mais discutido relacionado a esse assunto, que fica no Trend Topics ali, né, dos sites, então eles fazem uma lista, e eu separei alguns mitos e verdades que as pessoas estão mais perguntando.

Claro que algumas dessas perguntas a gente já respondeu, mas é bom pra gente deixar claro e responder exatamente o que as pessoas vão lá no Google e procuram a frase, sabe? Aquele, o pai, o doutor médico ali do Google. Sei, sei, perfeito. Então vamos lá, primeiro.

Para curar a dor crônica, foque no tratamento das dores de forma isolada. Mito, mito, total mito. Pode comentar.

O tratamento da dor, ele é um tratamento sindrômico. Não existe tratamento isolado, né, não existe tratamento da dor com um remédio milagroso, né, ou com um remédio só. Então a gente trata a dor com antidepressivo, anticonvulsivante, analgésico, procedimento, não existe, e fisioterapia, psicoterapia.

Então a dor, ela nunca vem em uma só, ela nunca vem sozinha, não é? Então não existe, é mito total, uma inverdade absoluta. Tá bom. Mesmo que a dor crônica seja leve, é importante ser examinada por um médico? Verdade.

Verdade. Dificilmente a dor, ela começa com uma dor forte, lancinante, né. Isso é bem verdade nas afecções agudas.

Então, ah, uma dor de cabeça que nunca sentiu antes. Enfim, pode ser um derrame, um AVC e etc. Mas as outras dores crônicas, elas nunca começam, raramente começam assim, de uma forma forte.

Ela tem um início insidioso, né. É algo que doeu uma vez, aí ficou um tempinho sem doer, aí voltou a doer, aí ficou um pouco mais constante, e aí vai aumentando. Então a dor, obviamente que a dor inicial, a gente adora uma vez, se for uma dor leve, eu não preciso procurar um médico de imediato.

Uma dor leve uma vez, ok, aguarda um pouquinho, espera um pouquinho, vê se ela passa, toma um analgésico comum e vê como fica. Se ela começou a perpetuar, precisa procurar um médico. Descansar é geralmente a melhor cura para a dor? Aí é uma verdade, mas é um mito.

Depende da dor? Porque um dos pilares do tratamento da dor é a atividade física. Então assim, você precisa ter uma atividade física, a nossa cabeça vive cansada no dia de hoje. Então a gente sempre cansa muito a cabeça.

E hoje em dia, por conta da vida que a gente leva, a gente cansa muito pouco o corpo. E aí chega em casa louco para descansar a cabeça. Mas a gente precisa cansar o corpo para ter um sono reparador, amanhã à noite, e aí sim descansar corpo e cabeça.

Então descansar é um dos tratamentos da dor, mas o descansar é dormir bem. Dormir à noite bem, ou para quem trabalha à noite, dormir de manhã bem. Mas para isso, a gente precisa se cansar, ter atividade física.

E quem não faz atividade física vai ter uma lipossubstituição do músculo. O que é isso? O músculo vai sendo trocado lá no meio dele por gordura. Os vegetarianos que me desculpem, mas sabe aquela carne vagil? Que é bem cheia de gordura no meio? Acontece exatamente aquilo com quem não pratica atividade física.

Isso se chama sarcopenia. E sarcopenia dói. Então às vezes o paciente vive cansado, porque ele não tem músculo, então ele tem muita fadiga.

Ele descansa, só que ele sente mais dor. Então tudo é ali um equilíbrio. Então sim, descansar ajuda no tratamento da dor, mas se cansar, fazer atividade física também ajuda no tratamento da dor.

É aquele mito e verdade ao mesmo tempo. Exatamente. O aumento da dor é inevitável à medida que envelhecemos? Mito.

O aumento da dor é evitável, mas ele é comum. O envelhecimento gera desgaste, o desgaste gera dor. Mas você, como outros médicos já passaram aqui, se você tiver um envelhecimento saudável, hábitos de vida saudáveis, você vai retardar o seu processo de desgaste, você vai ter um envelhecimento mais saudável e com menos dor.

Agora, a partir do momento que você tem dor, a gente consegue tratar essa dor e às vezes bloquear a evolução, às vezes tratar a dor ou lentificar a evolução, deixando o paciente com a vida mais confortável possível. Certo. Mesmo com um bom tratamento, a dor crônica pode não desaparecer? Verdade.

Então é aquilo que eu disse, toda dor tem tratamento, nem toda dor tem cura. Às vezes a gente consegue mesmo deixar a dor ali praticamente esquecida, de vez em quando a gente consegue curar a dor, mas normalmente o que a gente consegue é um alívio bastante pronunciado e que o paciente ganha função, volta a fazer coisas que ele deixava de fazer antes, por medo da dor ou pela dor em si, pela intensidade da dor. Se ignorar a dor, uma hora ela passa? Essa daí não dá nem para justificar.

Mito, mito, mito. Quer tentar esquecer o problema, né? Finge que ele não está ali. Pois é, varrer para debaixo do tapete nunca é uma boa solução.

Pode inclusive aumentar, né, doutor? Sim. Só existe um tipo de dor? Mito total, até porque a gente tem dor aguda e dor crônica. Aí você tem os três tipos de dor, né? Dor nociceptiva, nociplástica e neuropática.

E aí depois que você categoriza, você vai para o diagnóstico etiológico o que está causando aquela dor. Então, total mito. Quanto antes tratar, antes ela passa? Verdade, verdade.

Toda dor pode ser tratada com analgésicos isentos de prescrição? Mito. Eu acho que toda dor, ela precisa ter um tratamento prescrito por alguém, mesmo que não seja um remédio, tá? E alguém incapacitado para, né? Então, idealmente, passar com um médico que vai prescrever um tratamento. Às vezes o tratamento pode ser só fisioterapia, e aí quem vai nortear o tratamento é o fisioterapeuta, o médico só encaminha, ou às vezes o tratamento medicamentoso, aí é 100% área médica.

Essa daqui é bem legal. Abusar de analgésico ou anti-inflamatório pode piorar o quadro de dor? Verdade, verdade. Então, as pessoas que, por exemplo, sofrem de enxaqueca crônica, normalmente elas incorrem nisso que é o abuso, uso abusivo de analgésicos, né? E piora a dor, a dor ela se torna mais frequente por vários mecanismos adaptativos.

E frequentemente o tratamento da dor causada pelo abuso de analgésicos, ele é bastante difícil, porque envolve a retirada total do remédio que o paciente já está acostumado a tomar e que, para o paciente, melhora a dor dele. Então, fora o fato do paciente voltar a sentir dor, então ele tem que voltar a sentir dor para depois parar de sentir dor, você precisa fazer com que ele desapegue de um remédio que faz ele se sentir bem. Então, o tratamento é realmente bastante complicado e os pacientes não devem usar rotinamente analgésicos por conta própria.

É, o anti-inflamatório costuma ser bem comum, né? Não só pra dor, mas às vezes sente aquele encombro na garganta, qualquer coisa eu falo até por conta própria, isso é sincero, é um alerta pra todo mundo, porque a gente vê muito falar do risco de tomar esse tipo de remédio. É, anti-inflamatório principalmente, muito além da dor crônica causada pelo uso de analgésicos, o anti-inflamatório, ele causa lesão no rim, ele aumenta o risco de úlcera gástrica e sangramento gastrointestinal, alguns anti-inflamatórios aumentam o risco de problemas cardiológicos, então, principalmente anti-inflamatório tem que tomar bastante cuidado. A frequência que é considerada um alerta, doutor, seria pra quem toma, por exemplo, toda semana? Ou não, pra quem toma, por exemplo, uma vez cada dois meses já é um alerta também? Por exemplo, não é nem toda semana, mas o paciente que faz uso de anti-inflamatório todos os meses ou acaso dois meses, ele tá usando anti-inflamatório demais.

Anti-inflamatório a gente usa em situações pontuais, por períodos curtos de tempo, três, cinco, sete dias, não passa disso, e aí cessa. Ah, mas a dor continua. Se a dor continua, vai usar outra coisa que não é o anti-inflamatório, porque o anti-inflamatório, ele mexe numa estruturazinha chamada glomérulo, que fica lá no rim e na artériazinha do glomérulo, e ele vaso, constringe essa artériazinha, o sangue, ele deixa de chegar lá e ele vai matando o rim por dentro.

Então, o anti-inflamatório, ele causa insuficiência renal. Você tem pacientes que viram os dialíticos por causa de uso de anti-inflamatório. Isso é realmente preocupante.

Fique com alerta. Doutor, foi um papo super esclarecedor, a gente já falou que vai ter um próximo episódio aqui também com um tema bastante interessante, que as pessoas costumam ter curiosidade, dúvida, tá planejando uma cirurgia, enfim, vai ser muito legal. Então, eu já vou pedir pra você também passar as suas redes sociais.

Como as pessoas conseguem te procurar? Não sei se você tem Instagram, se quiser passar o seu Instagram ou algum site que as pessoas podem tirar as dúvidas. Meu Instagram é doutor.carloslemos, eu atendo no meu consultório no Brooklyn ou também numa clínica chamada Increasing, que fica na Vila Mariana, que lá também é muito legal porque é um centro integrado, que tem fisioterapia, enfim, várias especialidades. E principalmente no Instagram eu sempre solto vídeos, informo a população e médicos também sobre a área de atuação em dor e anestesia.

E vai ser um prazer atender a todos. Legal, muito obrigada pela sua participação. Eu que agradeço, foi muito legal, foi um papo muito proveitoso.

Com certeza. Obrigada você também pela sua participação aqui no Amatocast. Não deixe de curtir, comentar, compartilhar, que é muito importante pro nosso engajamento.

Pode enviar pra quem você achar que tem interesse aqui no nosso assunto de hoje. E não deixe de mandar sugestões aqui, tanto pro doutor Carlos, aqui nos comentários, algum tema que vocês se interessem pela especialidade dele, a gente traz aqui no Amatocast, ou também qualquer outra sugestão pra gente trazer de novo o nosso especialista. Muito obrigada e até a próxima.

Tchau!

Transcrição gerada automaticamente; pode conter erros.

Para ouvir em seguida

  1. Lipedema Talks, episódio 5

    5 CURIOSIDADES do Lipedema que Você Nunca Imaginou!

    38 mintem vídeo

  2. AmatoCast, episódio 92

    Lipedema: O Grito Silencioso Que Está Acabando Com o Seu Corpo (Reverter Sem Cirurgia)

    40 mintem vídeo

  3. AmatoCast, episódio 83

    Anticoncepcionais & Lipedema: O Segredo Hormonal Que Ninguém Te Contou

    55 mintem vídeo

  4. AmatoCast, episódio 76

    Larissa Topper: Autoestima, Psicologia e a Coragem de Mostrar as Pernas

    52 mintem vídeo