
AmatoCast, episódio 59
Medo da Anestesia? Descubra Como Ela Se Tornou a Parte Mais Segura da Cirurgia
Neste episódio
O Dr. Carlos Lemos explica que anestesia significa não sentir e que, durante a cirurgia, o anestesista é quem cuida da vida do paciente, monitorando batimentos, pressão e oxigenação. Ele defende a consulta pré-anestésica feita com antecedência, com exames e histórico, como forma de reduzir riscos. O médico afirma que complicações graves são raras e que muitos casos noticiados estão ligados a falhas de estrutura ou de avaliação. O episódio também fala de choque anafilático e dos diferentes tipos de anestesia.
Assista
Sobre o episódio
Você já sentiu aquele frio na barriga ao pensar em uma cirurgia? O medo da anestesia é um dos grandes responsáveis por essa sensação, mas o que poucos sabem é o quanto o avanço nessa área trouxe segurança para os procedimentos cirúrgicos. No episódio 59 do Amato Podcast, a apresentadora Leticia Miyamoto recebe o experiente Dr. Carlos Lemos, médico anestesista, para desmistificar tudo sobre anestesia.
Descubra como uma consulta pré-anestésica bem feita e o conhecimento detalhado do histórico do paciente são cruciais para garantir uma cirurgia tranquila e sem riscos. Dr. Carlos nos revela as nuances por trás desse procedimento, explicando desde o conceito até sua evolução, que hoje garante ao anestesista um papel fundamental durante a operação.
Você sabe como a anestesia protege a saúde do paciente e o que é feito para prevenir complicações como o temido choque anafilático? E aquela dúvida comum: é possível acordar no meio da cirurgia? Dr. Carlos aborda essas e outras questões que afligem muitos pacientes.
Se você já se perguntou sobre a diferença entre anestesia geral, local, peridural e raquidiana, esse episódio traz todas as respostas e mais. Prepare-se para se surpreender com verdades pouco conhecidas sobre anestesia, entender os mitos que circulam por aí e deixar de lado medos desnecessários. Venha conhecer como a anestesia se tornou a parte mais segura da cirurgia e transforme a forma como você encara o seu tratamento de saúde. Não perca!
Data de publicação:
27/12/2024
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Se você já teve medo de anestesia ou conhece alguém que precisa desse esclarecimento, este episódio é imperdível! Descubra como a anestesia se tornou a parte mais segura da cirurgia com as dicas do Dr. Carlos. Já deixou suas dúvidas sobre anestesia te tirarem o sono? É hora de conquistar esse conhecimento e tranquilidade! Inscreva-se no Amato Podcast e ative o sininho para não perder mais nenhum episódio! Clique aqui e acompanhe: https://bio.amato.io/youtube E, claro, junte-se ao nosso clube de canais para ainda mais conteúdos exclusivos: https://www.youtube.com/channel/UC9VhtuZ-YIL9vwNJRIq2XhA/join
No episódio do Amato Podcast, foi discutida a importância da avaliação pré-anestésica e o papel vital do anestesista durante cirurgias. O Dr. Carlos explicou que o anestesista é responsável por monitorar o paciente, garantindo a segurança através de uma preparação adequada, que envolve conhecer o histórico médico do paciente e realizar exames prévios. A conversa esclareceu dúvidas comuns sobre anestesia, como o risco de complicações, enjoo pós-operatório e mitos de que a anestesia pode causar paralisia ou choque anafilático. Foi destacado que essas complicações são raras e geralmente evitáveis com a observância de protocolos de segurança. Além disso, foram abordados os diferentes tipos de anestesia (geral, regional e local) e suas indicações. O episódio também ressaltou a importância de informar ao médico o uso de medicamentos, especialmente em tempos de uso crescente de produtos para emagrecimento, que podem afetar o jejum necessário para cirurgias. Por fim, o Dr. Carlos compartilhou insights sobre cuidados pós-anestésicos e a importância de seguir orientações médicas para evitar riscos.
– Leticia Miyamoto: Jornalista e Apresentadora – Com sua habilidade de conduzir a conversa de forma clara e objetiva, Leticia proporciona um ambiente informativo e envolvente para os espectadores. (@aleticiamiyamoto)
– Dr. Carlos Lemos: Médico Anestesista – Dr. Carlos compartilhou seu vasto conhecimento sobre anestesia, esclarecendo mitos e proporcionando informações valiosas para a compreensão da segurança anestésica.
0:00:00 A Importância do Pré-Operatório com Anestesista
0:04:35 O Papel Essencial do Anestesista na Cirurgia
0:04:49 Responsabilidade do Anestesista: Até Onde Vai?
0:11:04 Mitos e Medos Exagerados Sobre Anestesia
0:11:14 Reações Anestésicas: O Que Você Precisa Saber!
0:11:58 Segurança e Avanços: Desvendando Mitos da Anestesia
0:16:26 Tecnologia CONOX: Monitorando o Cérebro na Cirurgia
0:16:44 Mistérios do Enjoo Pós-Anestésico: Como Evitar?
0:18:53 Avaliação Pré-Anestésica e Náuseas Pós-Op: Soluções
0:19:05 Desvendando Mitos e Riscos Raros na Anestesia
0:49:03 Desvendando Mitos: Anestesia e Efeitos Inesperados
No episódio 59 do Amato Podcast, dr. Carlos Lemos e Leticia Miyamoto abordam o medo da anestesia, desmistificando receios comuns e destacando como ela se tornou a parte mais segura da cirurgia. A conversa enfatiza a importância da consulta pré-anestésica, um passo essencial para garantir a segurança anestésica através da análise do histórico médico do paciente e dos exames prévios. Durante a cirurgia, o anestesista desempenha um papel vital ao monitorar continuamente o paciente, prevenindo complicações como enjoo, tontura e raros eventos como choque anafilático. O Dr. Carlos detalha as diferenças entre anestesia geral, regional e local, cada uma com suas indicações específicas, e esclarece mitos relacionados à prática, como o temor infundado de paralisia. É reforçada a necessidade de informar ao médico o uso de medicamentos, especialmente em face do aumento de produtos para emagrecimento que podem alterar aspectos críticos do jejum cirúrgico. Complementando o debate, o episódio sublinha o valor dos cuidados pós-anestésicos para evitar riscos e garantir uma recuperação tranquila, reforçando a confiança no processo e a importância de seguir as orientações médicas.
No episódio 59 do Amato Podcast, o Dr. Carlos abordou o medo comum da anestesia e como ela se tornou um dos aspectos mais seguros na cirurgia moderna. A avaliação pré-anestésica e o papel crucial do anestesista na sala de cirurgia foram discutidos, destacando-se a importância de conhecer o histórico médico do paciente e realizar exames prévios para minimizar riscos como choque anafilático, que, embora raro, é uma preocupação para muitos, inclusive em situações como o choque anafilático em cachorro. Durante o episódio, também foram esclarecidas questões sobre enjoo pós-operatório e os mitos de que a anestesia geral é perigoso ou pode causar paralisia. Com a crescente popularidade de cirurgias, como a cirurgia plástica no rosto e a cirurgia plástica no nariz, compreender os diferentes tipos de anestesia – geral, regional e local – e suas indicações é essencial para segurança e tranquilidade dos pacientes. O uso de medicamentos, especialmente em tempos de aumento no uso de produtos para emagrecimento, foi enfatizado como um ponto crítico a ser informado ao médico, devido à necessidade de jejum pré-cirúrgico. Para aqueles interessados em temas como os efeitos tardios da anestesia geral ou técnicas de anestesia em odontopediatria, o podcast provê insights valiosos. Além disso, cuidados pós-anestésicos são fundamentais para evitar riscos, principalmente em cirurgias plásticas reparadoras e em procedimentos como cirurgia de hemorroida, em diversos locais, incluindo saúde bairro e saúde São Paulo. Este podcast, ao ser um recurso rico e acessível sobre saúde, ajuda ouvintes a navegar com mais confiança pelo complexo mundo dos procedimentos cirúrgicos e suas implicações anestésicas.
Transcrição
Aí sim entra a diferença, né? Então o anestesista conhecer o paciente, com um tempo hábil antes da cirurgia, fazer uma boa consulta de avaliação pré-anestésica, os exames, as avaliações, o histórico do paciente, tudo isso leva a um procedimento seguro, quando você pula etapas, queima etapas, não executa as etapas devidamente, aí sim, aí você começa a correr riscos. Sim, a gente vai falar de todos eles aqui. Antes, só um destaque aqui, uma frase pra vocês, que agora a gente tem uma novidade, que é o patrocínio para o Amatocast, do Laboratório Origem, que é especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa.
O foco do Origem é qualidade de vida e prevenção. Doutor, agora vamos lá, já começar nesse assunto, que eu mesmo já acho super interessante, a gente tem várias dúvidas, e eu tenho certeza que é a dúvida da maioria também. Anestesia, de fato, qual que é o conceito da anestesia? Apenas para o paciente não sentir dor, por que a anestesia precisa ser aplicada em alguns procedimentos? Bom, a anestesia, né, a palavra anestesia significa não sentir, não só não sentir dor, como não sentir.
Quando você fala, ah, o membro tá anestesiado, ele tá adormente, o paciente simplesmente não sente. Ele pode ou não movimentar, mas ele não sente. Hoje em dia, a anestesia, como conceito, ela é muito mais ampla, ela vai muito além de fazer o paciente não sentir dor.
Continuar lendo a transcrição
E, ao contrário do que muitos pensam, quem é responsável pela vida do paciente durante uma cirurgia não é o cirurgião, é o anestesista. Então é o anestesista que fica de olho nos batimentos cardíacos do paciente, na pressão arterial do paciente, na oxigenação do paciente, nas cirurgias mais complexas, é o anestesista que colhe exames de sangue ali no intraoperatório, pra saber se o paciente tá bem, se ele não tá bem, o que precisa ser feito em matéria de drogas, de oxigenação, de ventilação do paciente, enfim, quem mantém o paciente vivo e na melhor condição para o cirurgião executar a cirurgia é o anestesista. Então, o anestesista é o clínico intensivo que cuida da vida do paciente durante a cirurgia.
Doutor, você falou sobre esse processo pré-cirúrgico, pré-algum procedimento que é muito necessário pro anestesista entender esse processo ali com quem ele vai ter esse contato, acontece muitas vezes das pessoas terem esse primeiro contato com o anestesista na hora da cirurgia, que o paciente já está deitado ali na maca, vem o anestesista com a folhinha, já aconteceu com muitas pessoas, tenho certeza que alguém vai pegar referência. Isso é normal? Isso ainda é o normal, mas não é o ideal. Então, eu no meu consultório, fora atender pacientes com dor, eu atendo pacientes em pré-operatório, principalmente pacientes complexos, mas não somente, então você tem o paciente que pode ser complexo, a cirurgia que pode ser complexa, mas invariavelmente o ideal é que todo paciente passe com o anestesista com o tempo hábil antes da cirurgia, pra que? Pro anestesista avaliar se é um paciente que possivelmente vai ser difícil de entubar ou não, porque aí nas anestesias gerais, normalmente, a entubação é necessária, então se vai ser um paciente que pode ser difícil ou não de entubar e aí ele precisa tomar os devidos cuidados de artifícios pra paciente que tem entubação difícil, se é um paciente que tem risco aumentado de sangramento, histórico de sangramento na família, se é um paciente que tem alguma disfunção orgânica, um problema renal, um problema hepático, se ele tem problema cardíaco, problema respiratório, e aí quando a gente tem tempo pra fazer isso, a gente tem tempo pra planejar a anestesia.
A anestesia não é uma receita de bolo, não é uma dose de anestesia, a anestesia é um ato contínuo, então o anestesista é sempre o primeiro a chegar e é sempre o último a ir embora. O paciente deixa de ser responsabilidade do anestesista a partir do momento em que o anestesista devolve ele pra unidade de internação, então o que que é isso? O paciente entrou no centro cirúrgico, ele é responsabilidade do anestesista, aí fez a cirurgia, o paciente foi pra sala de recuperação na anestesia ainda dentro do centro cirúrgico, ele ainda é responsabilidade do anestesista, o paciente foi parar a enfermaria, aí ele é responsabilidade do hospital, do anestesista e do cirurgião, foi pra casa aí realmente o anestesista já não tem mais a responsabilidade porque já acabou o ato anestésico e as suas consequências, mas o anestesista é o primeiro a chegar e o último a ir embora, ou deixa de ser responsabilidade do anestesista quando ele entrega o paciente pra UTI, por exemplo, aí sim deixa de ser responsabilidade do anestesista, então o anestesista ele tem que conhecer o paciente, ele tem que conhecer o cirurgião, ele tem que conhecer o procedimento que vai ser realizado. Por isso que acaba sendo estranha a situação de chegar ali no momento e enquanto o paciente tá deitado ali já na maca pegar a ficha e escrever, muitas pessoas usam como exemplo.
Isso é um hábito que vem de muito tempo atrás, na residência médica ainda é assim, em alguns serviços, ou alguns já estão mudando, mas o cirurgião também precisa mudar a cultura dele. O cirurgião, idealmente, ele tem que ter o anestesista ou o grupo de anestesistas que o atende, e ele precisa criar essa cultura de falar pro paciente, olha, você precisa passar com o anestesista pra gente avaliar, e frequentemente o paciente passa com o cardiologista, passa com o pneumologista, que não precisaria, dependendo do paciente, obviamente, e às vezes só passar com o anestesista já resolveria. Outros pacientes não, outros pacientes precisam passar com o cardiologista, precisam passar com o pneumologista pra deixar o paciente na melhor condição possível pra operar, mas precisa criar essa cultura da consulta, da avaliação pré-anestésica feita com tempo hábil, porque isso reduz significativamente os riscos relacionados à anestesia, que hoje em dia já são baixos.
Sim. E a gente comentou bastante sobre a segurança do ato anestésico, né, você disse que hoje é muito difícil, né, de acontecer alguma situação assim nesse sentido, mas claro que, como várias pessoas já citam, e talvez seja pra esse tipo de situação do ato anestésico de fato, que é o título aqui do nosso episódio, nada é 100% livre de risco na vida, seja na área médica ou não, né, até qualquer coisa que você vá fazer na vida tem algum, alguma porcentagem de risco. Na parte da anestesia, esse risco tá relacionado a quê, doutor? Tá relacionado a cada área de intervenção, né, então o primeiro risco, que é um risco grande, muito temido pelo anestesista, é as complicações de via aérea, tá, então é o paciente que faz um laringo espasmo ou um bronco espasmo, ou seja, ele contrai a via aérea e aí você não consegue ventilar o paciente, é um paciente que o anestesista não identificou que poderia ser uma intubação difícil e descobre na hora que é uma intubação difícil e não consegue intubar o paciente, isso é o que efetivamente mata pessoas por conta da anestesia unicamente falando, né, mas a incidência disso é muito, muito, muito pequena, desde que o anestesista tenha avaliado o paciente direito e além disso, aqui em São Paulo principalmente, a maior parte dos hospitais tem ali uma maleta, um carrinho de via aérea difícil de emergência, que tem vários dispositivos para possibilitar a obtenção de uma via aérea segura para ventilar o paciente, né, então vai desde estrutura hospitalar, então você precisa fazer o procedimento num ambiente que tenha uma estrutura adequada, a avaliação adequada do paciente, então o risco cai sobremaneira, agora o risco que a população tem medo é o tal do choque anafilático.
Isso, já estava aqui no meu list de dúvidas. Então a gente tem que diferenciar reação alérgica, anafilaxia e choque anafilático. Reação alérgica, normalmente o paciente já sabe que tem, né, fala eu tenho alergia de pirona, eu tenho alergia a bisetacil, então o paciente que tem alergia, a gente já sabe, a gente evita aquelas medicações, na verdade a gente evita a todo custo, medicações que o paciente sabidamente tem alergia.
Por quê? A reação alérgica, quanto mais vezes você é exposto àquele agente alergênico, mais grave vai se tornando a sua reação alérgica, porque o corpo começa a produzir mais, não é bem anticorpo, mas começa a reconhecer aquela substância de uma forma mais intensa e liberar mais substância para combater, mais proteínas para combater aquela substância. E aí anafilaxia é uma liberação maciça de estamina, que é uma proteína alérgica do corpo. E a anafilaxia, ela não tem tanta coisa assim a ver com o choque anafilático.
O choque anafilático é uma reação brutal do organismo a uma substância e ela é imprevisível. Só que ela é muito menos frequente do que é noticiado na TV e ela é muito, muito, muito, muito menos frequente do que as pessoas acham. Eu tenho já, nossa, 13 anos de anestesia.
Começou a fazer as coisas. Eu nunca vi, nunca vi, ouvi falar, sabe o lobisomem? Eu ouvi falar, eu sei que existe, não tô falando que é mito, nada disso. Mas isso é causado por conta da reação alérgica também? Não, não.
É algo do nada. É algo do nada. A gente sempre, na avaliação para anestesia, que a gente pergunta, histórico familiar de problemas com anestesia e etc.
Mas ela é imprevisível. E o que acontece? O corpo, ele toma contato com a substância, ele desenvolve uma reação brutal que a pressão do paciente despenca. Despenca.
E é difícil, as drogas que normalmente a gente usa para aumentar a pressão não fazem efeito. A única droga que faz efeito é a adrenalina. Tá? Mas como eu disse, apesar de ela ser imprevisível, a incidência disso é baixíssima, é irrisória.
A taxa de complicação anestésica, lá do senso, que vai desde quebrar um dente na intubação, a taxa de complicação é de uma para duas mil anestesias. As taxas de complicação graves, já é da ordem de uma para duzentas mil anestesias. E a taxa de complicação grave com o desfecho final de óbito é de mais de um para dois milhões, né? O que que acontece? Normalmente, o que é noticiado na TV e que dizem que foi relacionado à anestesia, não é relacionado à anestesia por si.
É relacionado à não observância a um dos procedimentos de segurança. Então estrutura hospitalar, procedimentos que foram feitos que não deveriam ter sido feitos, mas na imensa maioria das vezes é estrutura hospitalar. E uma não avaliação adequada do paciente.
E o choque anafilático, doutor, caso a pessoa sem prever, o médico sem prever, aconteça, isso é reversível ali no momento com a estrutura correta? É reversível. É reversível, é uma afecção preocupante, que tem o seu índice de letalidade que não é baixo, mas é reversível. Hoje em dia a gente tem algumas regulamentações relacionadas à anestesia que diminuem muito a taxa de complicação e a principal delas é o anestesista responsável por uma única anestesia, um único paciente de cada vez.
Então, até não muito tempo atrás, na cidade de São Paulo, um anestesista fazia várias anestesias ao mesmo tempo. Duas, três, quatro, então eram pacientes concomitantes e invariavelmente o anestesista não estava prestando atenção, 100% do tempo, a todos os pacientes. Ou o anestesista sai da sala, vai tomar café, vai ao banheiro, vai passear, vai conversar, isso acontecia antes, hoje em dia não pode.
É o tempo inteiro ali na sala? É o tempo inteiro dentro da sala. O anestesista fica lá, no cantinho dele, dentro da sala, sem sair, sem fazer nada. As pessoas costumam ter medo também de acordar no meio da anestesia, né, doutor? Imagino que muita gente chega pra você na consulta falando, mas e se eu acordar no meio? Isso acontecia? Por que que acontecia? E tem risco de acontecer? Acontecia, acontecia e não era pouco, porque antigamente usava-se principalmente gás, né, pra manter o paciente dormindo.
E o gás, ele causava uma queda muito grande na pressão do paciente. E às vezes, em alguns pacientes, tinha um descolamento. A queda da pressão a gente entende que é um nível anestésico.
Então quanto mais baixa a pressão, mais alto o nível anestésico. Então a gente acabava diminuindo um pouquinho a concentração de gás que tava dando pra pressão e subindo pra um nível mais seguro. Mas alguns pacientes, eles tinham um descolamento entre nível de consciência e pressão causada pelo gás.
Ou seja, a pressão dele caía muito mais do que ele dormia. Hoje, o gás anestésico ainda é usado por alguns anestesistas. Eu particularmente não gosto, mas ele é um anestésico bom e utilizado.
Mas a maior parte dos anestesistas hoje, nos hospitais que tem estrutura, eles usam uma droga venosa pra manter o paciente dormindo, que é o Propofol. E uma droga venosa pra manter o paciente sem dor, que é o opioide. Pode ser o hemifentanil, enfim.
Qualquer que seja. E aí a gente consegue balancear entre o quão dormindo tá o paciente e o quanto sentindo dor tá o paciente. Além disso, surgiram os novos monitores de consciência, que é o popular BIS.
E agora existem outros, tipo o CONOX, que é um mini eletroencefalograma, que é uma tira que a gente cola na testa do paciente, que vai medindo a quantidade de impulsos elétricos e a característica desses impulsos elétricos cerebrais. Isso é convertido num número, e esse número diz se o paciente tá mais acordado ou mais dormindo. É claro que existem outros dados, só esse dado não garante que o paciente tá dormindo ou não.
Mas hoje em dia o índice de consciência entre o operatório é baixíssimo, baixíssimo. E o índice de consciência que o paciente efetivamente se lembra da cirurgia, que acontecia bastante no passado, hoje em dia não acontece mais. Coisa do passado, graças a Deus.
São aquelas dúvidas mais comuns que realmente precisa... As pessoas ainda falam muito, como se fosse algo frequente que acontece. E um que a gente tinha citado aqui nos bastidores também é a questão do enjoo. As pessoas têm muito medo de como vai voltar da cirurgia.
Não só do enjoo, mas de qualquer outra consequência. Então, queria que você comentasse um pouco sobre porque que isso acontece, se depende de fato da técnica utilizada pelo anestesista, da quantidade utilizada por aquele anestesista, e se de fato existe o risco de alguma consequência mais grave nesse sentido no momento que a pessoa retorna da anestesia. O enjoo pós-anestésico, pós-operatório, ele pode acontecer.
Ele varia em função de sensibilidade pessoal, as drogas anestésicas utilizadas, sobretudo os opioides e os gases anestésicos. Então por isso que eu não gosto tanto de usar o gás, porque ele tem uma correlação aumentada com náuseas e vômitos no pós-operatório. A cirurgia em si, então cirurgia ocular dá mais náusea, cirurgia de ouvido dá mais náusea, cirurgia laparoscópica, que é pela via laparoscópica, que é por vídeo, por câmera dentro da barriga, pode dar mais náusea.
Cirurgia da abdômen superior, então de vesícula, estômago, dão mais náusea. E aí você pega uma avaliação pré-anestésica bem feita, então o paciente fala, olha, eu já fiz uma cirurgia e eu tive muita náusea no pós-operatório. Você avalia o paciente e fala, não, ele vai passar por uma cirurgia de ouvido, dá mais náusea.
O anestesista tem que lançar mão de drogas que causam menos náusea, ou seja, uma menor quantidade de opioide, então você utiliza recursos para diminuir o consumo de opioide, anestesia regional, analgesia multimodal, você usa uma menor quantidade, uma menor dose de uma maior quantidade de drogas, você diversifica as drogas que você usa para diminuir a náusea sem prejudicar a analgesia do paciente, e você lança mão de mais antieméticos, então você tem drogas que cortam o vômito de categorias diferentes. Então, por exemplo, vamos supor que você fosse passar por uma cirurgia que eu fosse ser o seu anestesista, e você me dissesse, Dr. Carlos, eu tive muita náusea no pós-operatório, eu não vou só fazer um remédio para evitar a náusea e vômito, vou fazer dois, três, quatro, então eu posso usar o Plazil, o Zofran, o Digezan, o Dramin, tudo isso junto para evitar que você tenha a náusea. E a náusea e os vômitos, ela pode trazer repercussão? Pode, dependendo da cirurgia.
Então, um paciente que tenha feito uma cirurgia de face, uma senhora que fez uma retidoplastia, que é aquela cirurgia que dá aquela esticadinha, o esforço causado pelo vômito pode romper vasos, reabrir vasos que foram cauterizados durante a cirurgia e fazer um hematoma. O hematoma prejudica a cicatrização, o hematoma pode aumentar o risco de infecção. O paciente que fez uma cirurgia de hélio, que botou uma tela, o esforço do vômito pode romper o ponto que segura aquela tela e causar uma recidiva, um retorno da hélio no futuro? Pode.
Agora, nenhuma complicação grave relacionada às náuseas e vômitos, a não ser o mal-estar e essas complicaçõezinhas do pós-operatório. E alguma outra complicação, doutor, que não esteja relacionada à náusea e vômitos? Eu já escutei pessoas falando também, acho que isso já diz que seja um mito, mas é melhor a gente esclarecer, né? Sobre movimentos das pernas, por exemplo, que as pessoas tinham medo de voltar da anestesia sem movimento, enfim, nesse nível. A HAC anestesia, que é uma das anestesias, a anestesia regional, ela temporariamente bloqueia a movimentação das pernas de acordo com a dose, enfim, o nível que você faz.
Mas isso é temporário, né? Volta a mexer. Não... dificilmente... Existe uma complicação relacionada à anestesia regional, né? Do neuroeixo, então, tanto a HAC quanto a peridural, que é quando lesa um vaso e aquilo lá cria um hematoma que comprime a medula e aí o paciente tem que passar por uma cirurgia de urgência de descompressão. Mas isso, o paciente tem que ter um problema prévio.
E a gente tá falando de casos raríssimos, né? Mais raro do que o choque anafilático, tá? Então, o que acontece? Se o paciente tem uma coagulopatia prévia ou desenvolvida durante a cirurgia, e de novo, isso é muito raro, tá? A ponta da agulha pode lesar um vaso que gera um sangramento que comprime a medula. Mesmo assim, isso tem tratamento, né? Se identificado direitinho, tem tratamento. Mas isso é muito raro, o paciente tem que ter um problema prévio.
Então, um paciente que já tenha hemofilia, que tenha uma coagulopatia prévia de nascença ou adquirida. Então, por exemplo, paciente que pegou dengue, hemorrágica. É uma coagulopatia adquirida, né? O anestesista nunca vai fazer um marraque anestesiano em um paciente que tenha dengue.
Porque caiu a plaqueta, ou seja, é um paciente de risco aumentado de sangramento. Então, ele não vai fazer. É um paciente que vai fazer uma cesárea, por exemplo.
Uma gestante que desenvolveu uma síndrome HELP, que eles chamam, né? Que caem as plaquetas e o paciente tem coagulopatia por conta disso, que é uma afecção também rara da gravidez. Normalmente, na cesárea, a gente faz a raque anestesia. Nesse caso, nunca o anestesista vai fazer a raque anestesia.
Ele vai fazer a anestesia geral, né? Porque o paciente não vai ver o filho nascer, mas em compensação depois ela vai andar e ver o filho crescer, né? Então, dificilmente vai acontecer algo desse tipo. O risco existe? Existe! Mas, de novo, se não observadas as etapas da segurança. Coisas mais simples, como dor de cabeça persistente depois da anestesia, isso costuma acontecer mais frequente? Isso é mais frequente, tá? Existem cefaleias distintas, né? Existe o paciente que volta da anestesia geral com dor de cabeça, que normalmente é uma cefaleia mediada pelos opioides, né? Que tem tratamento e é um tratamento simples e que resolve rápido.
E existe a dor de cabeça por conta da raque anestesia ou da pele dural, tá? Que é a cefaleia pós-punção dural que, na maioria das vezes, o tratamento é simples com remédio e hidratação. Eventualmente, precisa de algum tipo de intervenção, né? A principal intervenção é o que a gente chama de blood patch ou tampão sanguíneo, em que o paciente, o médico anestesista, colhe o sangue da veia do paciente, vai no buraquinho onde foi feita a raque anestesia, entra com uma outra agulha e joga o sangue ali. O sangue causa um tampão, né? E uma das teorias aceitas é que ele impede que continue vazando líquido por ali e resolve a dor de cabeça, né? Mas essa dor de cabeça pode acontecer, mas normalmente não tem problemas maiores do que a simples dor de cabeça.
Sim. Agora, uma última dúvida, porque o nosso... Inclusive, a chamada do episódio é a segurança do anestésico, né? Já vi muitas pessoas, inclusive quando mandaram a sugestão do tema, perguntaram relacionado a medicamentos controlados, né? A anestesia com medicamentos controlados. Muitas pessoas, inclusive próximas, já escutei falar que tem medo de fazer uma cirurgia por conta da anestesia, sabe que vai precisar da anestesia, toma um medicamento controlado, tem medo de que a condição que faz a pessoa tomar esse medicamento controlado piore muito depois da anestesia.
Isso, de fato, é, por exemplo, depressão, doutor, citando algo específico, né? Quem toma medicamento todos os dias. Isso pode, de fato, acontecer? Não, tá? O que acontece é o seguinte. A anestesia, ela mexe com neurotransmissores, né? Então, o paciente, ele pode ter uma intensificação do quadro depressivo dela no pós-operatório, não porque ela parou de tomar o remédio, do mesmo jeito que ela teria, por exemplo, se ela tivesse se embebedado, tá? Porque mexe com neurotransmissores, com receptores específicos no cérebro, mas isso é uma condição transitória de curta duração, tá? Na verdade, você tem algumas classes de medicamento que não são controlados, que precisam ser observados se precisa suspender ou não antes da cirurgia.
Então, remédios para diabetes, normalmente precisa. Remédios para pressão, normalmente não pode interromper o uso. Remédios para a etnia, normalmente não pode interromper o uso.
E remédios para depressão, para epilepsia, remédios controlados, os tarja-pretas, normalmente não precisa suspender. Alguns, sim. Os inibidores da monooxidase, etc.
Mas, normalmente, você só suspende 1, 2, 3 dias antes, no caso dos antidepressivos, etc. No caso dos antidiabéticos também, para evitar complicações durante a anestesia e evitar alterações no efeito dos anestésicos. E depois, passou a anestesia, volta a tomar.
Os únicos remédios que aí, sim, eu queria frisar, principalmente na parte de segurança do paciente, são os antidiabéticos que hoje em dia são usados para emagrecer. Vou falar os nomes comerciais, que é mais fácil do que o princípio ativo. Saxenda, Ozempic, Victosa, Ribelsus, Wegov, Monjauro.
Esses remédios, não é que eles interferem na anestesia em si. Um dos mecanismos de ação desses remédios é o retardo no esvaziamento gástrico. E aí, o que acontece? O paciente que usa esse remédio, se ele não interromper no período necessário, que varia de 1, 2 até 21 dias antes da anestesia, o jejum do paciente não vale.
Ou seja, ele vai chegar para a cirurgia com o estômago cheio. E aí, qual é o problema do estômago cheio? Na hora que a gente induz a anestesia do paciente ou a sedação, tem um relaxamento da válvula que mantém tudo que está no estômago parado no estômago. Na hora que relaxa, que o paciente está deitado, aquilo volta e pode entrar dentro do pulmão do paciente.
Então, não é que esses remédios vão interagir com a anestesia. Não. O paciente vai chegar com o estômago cheio e com o estômago cheio, salvo uma condição de extrema urgência, eu não posso anestesiar o paciente.
Porque senão eu vou estar imprimindo um risco muito maior para o paciente do que aquela condição que motivou a cirurgia. Sim. Isso vale um corte, inclusive, aqui para o nosso episódio porque está sendo muito comum, doutor, as pessoas utilizarem essas canetinhas, a maioria é caneta, como se fosse algo muito simples.
Vários outros especialistas já falaram aqui sobre esses medicamentos que podem ser muito úteis, mas sempre com orientação médica. Então, essa parte da anestesia ninguém nunca tinha citado. Muito importante.
Ainda mais pelo uso indiscriminado. Ainda mais que no Brasil o que envolve dinheiro envolve golpe. Então, tem vários desses remédios que têm sido falsificados, trocados por outros remédios.
Então, tem sim que tomar muito cuidado com o uso indiscriminado. É que sob orientação médica, comprado direitinho, na farmácia, desconfie de preços muito abaixo do mercado, e principalmente quando vai fazer uma cirurgia, não esqueça de falar para o seu médico e para o seu anestesista que faz uso dessa medicação. Eu já suspendi quase uma centena de cirurgias por causa do uso desse remédio e não tem meio termo, não tem negócio.
Se está usando o remédio e não suspendeu com o tempo hábil necessário, a cirurgia vai ser suspensa. Importante. Agora, a gente não pode deixar de citar os tipos, os principais tipos de anestesia.
No outro episódio a gente já tinha passado mais ou menos entre essa diferença, o que é anestesia geral, o que é sedação, mas acho que muitas pessoas que vieram procurar o episódio também estão esperando para saber como é definida cada tipo de anestesia. De forma mais geral, doutor, anestesia geral que é a mais comum, a mais utilizada? A anestesia geral é a mais utilizada, que a anestesia geral compreende que o paciente não vai ter consciência, não vai se mexer e não vai sentir dor. Então garante inconsciência, imobilidade e anestesia.
E quando o paciente tem isso, frequentemente ele perde o drive respiratório, ou seja, ele não sente a necessidade de respirar, então alguém precisa fazer ele respirar a força. Então ele é conectado em um carrinho de ventilação. Pode ser pela intubação ou traqueal, nasotraqueal ou pela máscara laríngea, que a diferença é que a máscara laríngea ela para na garganta e não entra pela traqueia, mas a máscara laríngea é para procedimentos de curta duração.
Uma hora, uma hora e meia no máximo. E a intubação não, a intubação não. Aí pode ficar até por dias.
Isso é a anestesia geral. A sedação, ela vai desde a ansiolise, que o paciente continua acordado, mas calmo. Existe a sedação consciente, que o paciente está acordado, calmo e responsivo, mas se você não cutuca, não chama, ele acaba cochilando.
Aí você tem a sedação leve, que o paciente está dormindo, mas qualquer estímulo doloroso, ele vai acordar e reagir. Existe a sedação moderada, em que um estímulo doloroso um pouquinho maior, ele mexe, que a gente chama de localizador. Então se você enfiar uma agulha, um bisturi no braço do paciente, ele vai retirar o braço, mas ele pode não ter consciência disso.
E a sedação profunda, que o paciente faz menção da dor, se você cutuca ou corta, ele até se mexe, mas ele definitivamente não vai lembrar. E a sedação, ela é relegada para procedimentos que praticamente não doem, ou procedimentos que doem sob alguma outra técnica anestésica. Então a anestesia local, a anestesia regional.
E o que é a anestesia regional? A anestesia regional, eu injeto o anestésico, ou num tronco nervoso, por exemplo, aqui no pescoço passa o plexo brachial, que inerva o braço. Eu posso fazer uma sedação, pegar o ultrassom, identificar o plexo brachial, entrar com uma agulhinha ali, que praticamente não dói, jogo o anestésico ali, interrompo a transmissão daqueles nervos, ou seja, não pode de fato operar, amputar o braço do paciente, que o paciente não vai sentir. E aí ele só precisa de uma sedação.
Amortecer tudo daqui da barriga para baixo, e a sedação. Então a gente já falou de sedação, anestesia regional e anestesia geral, que são os três tipos de anestesia. Regional e local a mesma coisa? A regional ela é maior do que a local.
A local é quando o anestesista infiltra, ou seja, infiltra o anestésico ali na pele, numa região delimitada. E aí aquela região pode ser cortada, operada, porque ali não vai sentir nada. É algo pequeno.
Então, vai fazer uma cirurgia de túnel do carpo, o anestesista pode fazer só uma sedação, o cirurgião infiltra ali, e aí ele pode fazer um cortezinho e abrir o túnel do carpo, e pronto, acabou. Aqui da anestesia local, vai tirar uma pinta, são coisas pequenas. A anestesia regional, ele pega segmentos corporais.
Então, o braço inteiro, o braço para frente do cotovelo, o punho inteiro com as mãos, as pernas, essas são as anestesias regionais. Sim, e doutor, qual que é a diferença entre essas anestesias, quando de fato precisa de um especialista, um médico anestesista para fazer, e quando pode ser utilizado por outro especialista, como por exemplo, essa local que é um cirurgião que pode ir ali, algo simples, resolver por conta própria, sozinho no consultório mesmo? A anestesia local, pode ser feita virtualmente por qualquer um, qualquer médico ou dentista. O dentista, ele pode fazer a anestesia local dos segmentos que ele for mexer ali na região orofacial do paciente.
A partir do momento que envolve consciência, ou seja, sedação, anestesia geral, aí, idealmente, um anestesista, precisa estar lá, mas são sempre dois médicos. Por quê? Um médico vai executar o procedimento, e um outro médico vai ficar responsável pelo paciente, de maneira geral, durante aquele período em que ele tiver a consciência reduzida. Idealmente, um anestesista, mas não necessariamente.
As anestesias regionais, então, raca anestesia, pere dural, e bloqueios segmentares, aí é um anestesista, obrigatoriamente, que tem que fazer. Sim. Agora, o que a gente discute muito aqui, já faz um tempo que a gente não cita, mas várias vezes a gente já citou sobre os não médicos, que fazem procedimentos esteticistas, que fazem, às vezes, nem são esteticistas, que se apresentam, a gente teve um caso de repercussão, nossa, que é o pilindifenol lá, que deu o que falar na época, que teve uma discussão que precisava de fato da anestesia, que não teve, que a pessoa que se apresentou como esteticista, nem era esteticista, e a pessoa teve uma complicação ali no momento, e no momento de desespero, o profissional, se é que a gente pode dizer assim, ofereceu um copo d'água para aquele homem, para que ele melhorasse do sintoma que ele estava dizendo, chamaram o SAMU, e ele não, acho que você deve ter visto, o paciente, ele entrou em óbito, então, doutor, acaba sendo comum, pessoas não especialistas utilizarem esse tipo de... Exatamente, e o que acontece? A segurança anestésica, hoje em dia, ela é tão grande, que as pessoas se sentem inconfortáveis, as pessoas perdem o medo por ignorância, então, o que acontece? Todo anestésico local, então, lidocaína, ropivacaína, bupivacaína, mepivacaína, que são os anestésicos que o cirujão ou anestesista injeta, todos eles são cardiotóxicos, todos eles podem induzir parada cardíaca, parada respiratória, então, todos eles tem dose teto, dose limite, dose de segurança, que é uma dose que virtualmente nenhum paciente vai ter qualquer tipo de problema relacionado àquele anestésico local naquela quantidade, só que é uma dose muito segura, obviamente, uma dose de segurança, ela tem que ser segura para 99% da população, e na maioria das vezes, se você extrapolar essa dose de segurança, não acontece nada com o paciente, na maioria das vezes, às vezes acontece, então, tem pacientes que são submetidos a procedimentos estéticos que o profissional que está fazendo o procedimento estético aplica anestesia local, aí vai lá, faz o procedimento, aí passa mais ou menos a duração daquela anestesia local mas não é que o remédio deixou de circular, não, ele só parou de agir ali, ele ganhou a circulação, então o anestésico ele é retirado daquele lugar, ele ganha a circulação, aí ele é metabolizado, aí ele é eliminado, então antes dele ser eliminado, ele está na corrente sanguínea, aí o paciente voltou a sentir, aí vai lá o médico ou o profissional injeta mais anestésico, aí continua o procedimento, e aí vai fazer um outro procedimento numa outra área e vai somando a dose, e vai somando a dose, e vai somando a dose até que tem uma parada cardíaca, e aí só do que a gente falou antes, o profissional acha que o paciente teve um choque anafilático, não, ele teve uma dose tóxica de um anestésico local que levou a uma parada cardíaca.
Isso vale até para pomada, doutor? Vale até para pomada, o profissional passou uma pomada com anestésico no rosto, aquilo entra na pele, embaixo da pele tem os vasos sanguíneos, aquilo é absorvido pela corrente sanguínea, levado e metabolizado, não é que ele é destruído ali, que ele perde ação, não, ele é captado e metabolizado, então se você, por exemplo, você tem os anestésicos tópicos que são muito potentes, que às vezes tatuador usa, esteticista usa. É isso que eu ia citar, porque às vezes aquela boca que está todo mundo colocando, aquele brown lamination lá, que deixa, isso daí eu acho que não usa agulha, mas sabe, tudo que usa no rosto assim, eu já vi vários, eu sendo mulher, a gente sempre está cada vez mais famoso desses procedimentos, e normalmente é com pomada, e é muito comum ser esteticista eu nem sei se usa, por exemplo, vai fazer a criolipólise, acredita eu que doa, aí vai fazer na barriga inteira, no dorso, no culote, no bumbum, passa a pomada anestésica no corpo inteiro, imagina a quantidade de pomada nessa área de pele grande, o quanto de anestésico é absorvido numa velocidade rápida e que ganha a corrente sanguínea, o risco disso acontecer então você pode lançar a mão das pomadas, mas saiba quanto você pode usar daquilo, e trabalhe sempre dentro da margem de segurança, de dose de segurança. Isso é bem específico, porque as vezes as pessoas vão nos esteticistas igual, se a pessoa não sabe qual é a margem de segurança ou a pessoa usa por conta própria, porque eu por exemplo, sem ser médica não sei que seja algo ali rápido doutor, e que caso não faça efeito que vá uma outra vez para refazer se precisar.
Exatamente, os anestésicos tópicos eles tem uma característica que eles são bastante difusíveis, então eles são bem absorvidos pela pele, consequentemente a duração deles é menor, porque se ele é muito difusível, se ele atravessa barreiras muito fácil, ele segue um gradiente de concentração, ele vai do mais concentrado para o menos concentrado, então ele acaba esgotando muito rápido, naquele lugar que você passou, quanto maior a potência, menor a duração, então acaba que é necessário passar várias vezes, e nem sempre isso é possível, então tem que tomar muito cuidado. Agora sobre a anestesia peridural e a raquidiana, que a gente falou bastante da local já, a raquidiana é muito conhecida para a cesárea, mas para qual mais também, qual o procedimento que costuma ser utilizado? Nossa, uma infinidade, porque qual que é a diferença da peridural para a raquidiana? As duas são feitas nas costas, a diferença é onde para a ponta da agulha, então imagina que aqui está a medula, aqui está a pele das costas do paciente, a agulha vem entrando de fora para dentro, a raquidiana ela de fato entra no canal medular onde tem o líquor, então você injeta o anestésico ali, ele se difunde, ele banha a medula por si só, a peridural ela para um pouquinho antes, é o espaço peridural, ele existe, na verdade o espaço em si ele não existe, ele é um espaço entre duas estruturas, a dura mater e o ligamento amarelo, que é o ligamento que passa ali entre os corpos vertebrais, na hora que o anestesista com a técnica adequada identifica quem entrou nesse espaço, ele começa a injetar anestésico ali, ele abre esse espaço com anestésico e aí ele banha as raízes que já saíram da medula, saíram do espaço raquidiana, e aí elas funcionam basicamente do mesmo jeito, elas são quase equivalentes e uma cirurgia que eu faço com a raquianestesia eu consigo fazer com a peridural também, eu posso fazer algumas diferenças em termos de qualidade anestésica e etc, mas é essencialmente o espaço onde é injetado e as complicações são basicamente as mesmas, então a dor de cabeça, aquele risco ínfimo que eu falei de sangramento e etc, mas hoje em dia nas cirurgias longas a gente tem usado tanto a raquianestesia quanto a peridural como uma estratégia de diminuição da quantidade de opioide que a gente usa, então a gente joga ali uma dose pequenininha de morfina porque vai estar direto na medula e diminui a quantidade de opioide que a gente precisa usar pela corrente sanguínea, pela via venosa, então a gente tem menos efeito colateral, mas a gente pode usar a peridural para partos, para cesárea, para cirurgia de varizes, para estereotomia, que é a retirada do útero, para correção de prolapse vaginal nas mulheres, para reconstrução do paciente que fez vasectomia, do homem que fez vasectomia, para reconstrução para ele voltar a ter filho, para a própria vasectomia, para cirurgia de hélio umbilical, hélio inguinal, pode ser feita arraque anestesia, cirurgias abdominais abertas, a arraque anestesia é uma ótima técnica anestesia. E nessas duas o paciente fica consciente a todo momento? Ele pode ficar consciente ou pode ser feita uma sedação ou uma anestesia geral combinada.
Não tem a obrigação de estar ali acordado conversando, tem alguma dessas técnicas que precisa estar conversando o tempo inteiro com o paciente? Tem, na verdade não que o paciente seja conversar, mas por exemplo, o paciente que sofreu um acidente e está com o estômago cheio, então ele não está em jejum e ele precisa operar a perna, eu posso fazer uma arraque anestesia, por quê? Eu não vou mexer na consciência dele, eu não vou mexer na capacidade dele de respirar, de proteger a via aérea, mas eu vou garantir a anestesia dele naquela perna. Nesse caso eu não posso fazer uma sedação, porque ele está com o estômago cheio. A arraque anestesia é uma técnica super bem indicada, por quê? Se eu precisar lançar a mão da anestesia geral, eu preciso observar, fazer uma técnica que minimize o risco do paciente voltar a esse alimento que está no estômago e entrar pela traqueia.
Isso acontece muito em emergência, a gente tem que trazer o episódio só para falar de emergência, isso é muito legal. Emergência, na verdade, inicialmente eu queria trabalhar só com a emergência, mas é bastante difícil trabalhar só com a emergência por várias questões, não só da dificuldade de trabalho, tudo o que envolve, como especialidade, etc. Mas é um assunto extenso e ainda gosto muito.
Antes de fazer jornalismo, eu estudava para a medicina e eu queria ser médica de emergência. Imagino que tem assunto para a gente falar mais de um episódio. Doutor, agora eu vou citar o mitos e verdades, no último episódio você já viu como funciona, para quem está acompanhando a partir desse episódio agora, são trendy topics, o que as pessoas mais procuram na internet, para complementar.
Anestesia provoca chofe anafilático? É a primeira pergunta que as pessoas fazem. Pode, pode causar. Então é verdade, mas é raro, muito raro.
E a gente já explicou porque e como acontece. Anestesia causa paralisia? Pode causar paralisia, temporária, não permanente. Ela é intencional, então pode, mas uma sequela paralítica só se for uma complicação da cirurgia, que pode ser da cirurgia, ou da anestesia.
Por exemplo, um anestesista incalto vai fazer um bloqueio regional, uma anestesia regional que a gente já conversou, aí faz sem ultrassom, por exemplo, e aí ele transfixa o nervo, que inerva o braço com a agulha, aí ele pode causar a paralisia daquele braço, ou uma paralisia dolorosa, uma dor crônica, enfim. Mas aí é uma complicação que acontece com pessoas incaltas ou algo irresponsáveis. Tá, é que o pessoal já fica com medo, né? Anestesia causa dor de cabeça? Sim, verdade.
Anestesia dá enjoo? Sim, verdade. A gente passou na pele, né? Que a gente estava falando aqui nos bastidores. É, eu e você sentimos isso.
Nós dois passamos por situações assim. A anestesia dá tontura? Isso a gente não tinha falado ainda. Verdade, verdade.
A anestesia, ela mexe bastante com o sistema vestibulococlear e com o cerebelo. Então, ela dá tontura. Mas, normalmente, ela é autolimitada, principalmente no começo, não tanto no fim.
A anestesia, na verdade, é uma outra coisa. Porque quando a gente... Bom, você já deve ter ficado um tempo deitado ou sentado e quando levantou deu aquela tontura, né? Isso é porque às vezes leva um tempinho entre a gente levantar, ou seja, o cérebro estava nessa altura em relação ao solo, às pernas, e aí, de repente, você passa para essa altura. Então, leva um tempo entre o coração perceber que ele precisa bombear com mais força e maior frequência e dos vasos das pernas criarem um tônus maior para o sangue chegar mais rápido no coração.
Quando a gente passa por uma anestesia, esse tempo que, às vezes, todo mundo já sentiu já é insuficiente, fica mais lentificado ainda. Então, por isso que a gente sempre fala voltou da anestesia mas devagarinho. Vai levantar da cama? Fica sentado um pouquinho, espera, respira, aí apoia o pé no chão, levanta apoiado, fica um tempinho ali parado, está tudo bem? Começa a andar devagarinho sempre perto da parede porque se der tontura, você apoia, preferencialmente com a ajuda de alguém, mas nesses casos que tem pacientes rebeldes que querem fazer tudo sozinho, faz dessa forma, que pode ter, e é uma condição passageira, ele passa rápido, que é só até o coração entender que ele precisa bombear com mais força que passa.
Uma dúvida já aproveitando essa questão da tontura, quem sofre de vertigem, por exemplo, que toma remédio para isso, não pode fazer uma cirurgia com anestesia? Tem que primeiro tratar? Tem que primeiro tratamento e ele tem um risco aumentado de tontura, náuseas e vômitos no pós-operatório, o anestesista também vai ter que tomar providências para fazer uma anestesia que minimiza esses efeitos para aquele paciente, mas ele pode fazer uma cirurgia sem problema. Posso ficar com a amnésia temporária após um procedimento como endoscopia? Verdade. O que as pessoas usam é o midazolam ou o diazepam que ele causa uma amnésia anterógrada, às vezes você esquece coisas que aconteceram antes até do anestesista fazer aquela medicação e o que acontece é porque tanto os bens diazepínicos, midazolam, diazepam, hormonídea, etc., quanto o propofol, eles causam uma dificuldade na sedimentação da memória.
Então você tem a experiência que o lapassa pela amígdala chega no hipocampo, etc., específico mais rápido, e aí dali ele sedimenta a memória. Essa transição não ocorre direito em vigência dos sedativos, mas é por um período curto de tempo. Então assim, desde que eu fiz a minha cirurgia eu nunca mais gravei as coisas e aí algum outro problema vai investigar.
Mas ali naquele ambiente 10, 15, 20 minutos antes da cirurgia ou 20, 30, 40 minutos depois da cirurgia isso é verdade. E às vezes, dependendo do que o anestesista faça de droga, o paciente fica sonolento por mais tempo, por mais horas. Então várias pessoas já acordaram de noite, conversaram com alguém, voltaram a dormir e não lembram de nada disso.
Pode acontecer isso também no pós anestésico, mas dura ali no máximo poucas horas. Depois quando a pessoa retoma a rotina isso não deve continuar acontecendo. E uma coisa para a gente finalizar, doutor, que é muito engraçado, aqueles vídeos que viralizaram na internet de pessoas que foram fazer algum tipo de procedimento, tomaram anestesia e voltaram se declarando para o médico e depois escutaram o vídeo e falaram meu Deus, o que eu falei? Não acredito, começou a falar um monte de coisa da vida e o familiar gravando.
Isso costuma acontecer também. Acontece, acontece. Depende muito do que o anestesista usa de droga.
A gente dorme, ele apaga, ele não fala nada, não conversa. Isso falando de sedação. Quando ele usa benzo de azepínicos, aí isso acontece com mais frequência.
E aí funciona exatamente igual ao álcool. Exatamente. Eles agem todos no sistema gaba, lá no cérebro.
Então é exatamente igual. Todo mundo já viu o bêbado emotivo que chora, o bêbado que ama todo mundo, o bêbado que fica rico e quer pagar tudo para todo mundo. Raramente eu tive amigos que ficaram desse bêbado rico.
E o pior é que fala a verdade, não é nem quem inventa a coisa. É que na hora libera tudo. Fala verdades.
Normalmente são verdades, mas fiquem tranquilos, o anestesista não fala nada para ninguém. Começa a fazer um monte Não fala nada para ninguém. Nós somos padres, não revela nada que foi dito no confessionário.
E normalmente a gente deixa para mandar o paciente para o quarto de volta, depois que ele já saiu dessa fase, que não dura muito tempo. Dura ali alguns minutos, meia hora, uma hora. Contato com os familiares é só quando já passou esse... Exatamente, para evitar qualquer situação.
O próximo episódio eu já vou sugerir aqui para o pessoal da Mato, que é justamente isso da emergência, que eu achei muito legal. E a gente também já deixa a dica para quem quiser comentar qualquer outra sugestão aqui para o nosso especialista, para vocês já deixarem aqui no nosso vídeo e para a gente trazer de novo. Então, doutor, passa as suas redes sociais, por favor, para quem quiser tirar alguma dúvida, pode me seguir, que eu compartilho informações sobre anestesia, medicina da dor, anestesia para cirurgia robótica, que também eu faço bastante, é muito legal.
Está tudo lá. Atendo no meu consultório, no Instituto Paulista de Cirurgia Robótica e também na Increasing, que é uma clínica mais específica para atuação em dor. E sou anestesista aqui na Mato também, então por aqui é sempre fácil de me encontrar também.
Um beijo novo, muito obrigado. Até a próxima, doutor. Até a próxima.
Muito obrigada também a você pela sua participação aqui no Amatocast, não deixe de curtir, comentar, compartilhar e sugerir também temas que a gente pode trazer o doutor Carlos ou outros especialistas aqui no vídeo, que a gente está sempre atualizando toda semana tem episódio novo. Até a próxima, tchau.
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